sexta-feira, 11 de março de 2011

Taxas da dívida pública batem novos máximos nos mercados secundários


As taxas de juro da dívida portuguesa continuou hoje a bater recordes nos mercados secundários desde que existe o euro, com a das obrigações a cinco anos a roçar os oito por cento e a taxa a um ano a subir a pique.
As taxas a dez anos, a referência do mercado, estão há mais de um mês consecutivamente acima do limiar psicológico dos sete por cento, que o ministro das Finanças disse no ano passado que poderia justificar um pedido de ajuda externa. As taxas a cinco anos passaram este limiar a 18 de Fevereiro, e não voltaram abaixo dele.
A inversão de curvas das taxas de juro (com as dos prazos mais curtos a superarem as dos prazos mais longos) aconteceu à Grécia pouco antes de pedir ajuda financeira externa.
PÚBLICO
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Os credores da dívida pública, do mercado secundário, ignoraram as apressadas medidas de austeridade do PEC 3, anunciadas hoje pelo ministro da Finanças, Teixeira dos Santos, que vai ser o último português a perceber a sua própria inutilidade e incompetência. Ele ainda pensa que os credores são gente estúpida, pronta a aceitar como verdade absoluta as mentiras, talhadas a golpe de demagogia, com que ele e o primeiro-ministro intoxicam diariamente os portugueses, ao mesmo tempo que, como vulgares carteiristas, lhes assaltam a carteira despudoradamente. Toda a gente percebeu que as novas medidas de austeridade, anunciadas com o evidente propósito de comover os dirigentes europeus e os agentes do mercado, vão arruinar o país. A curto prazo, devido à onda gigantesca do desemprego, que irá provocar, e que poderá transformar-se num autêntico tsunami para a economia portuguesa. O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) alertou hoje, à saída de uma reunião da concertação social, que as medidas anunciadas pelas Finanças levarão ao aumento do desemprego no comércio. A diminuição do consumo interno, uma das parcelas consideradas para a formação do PIB, arrasará o sector produtivo e o dos serviços, vocacionados para a procura interna. A longo prazo, fica o espantalho da dívida, que tem de ser paga à custa das privatizações, mas cujos juros, já considerados insuportáveis pelo secretário de Estado do Tesouro, constituem um encargo muito pesado para os próximos anos, obrigando novamente ao aumento do nível de endividamento do Estado. É o efeito da pescadinha com o rabo na boca.
O governo, que sempre navegou à vista, apenas se preocupa em resolver os problemas de curto prazo, assumindo aquela atitude tipicamente portuguesa do desenrascanço, não se preocupando minimamente com os problemas que está a criar para o futuro, assumindo, também aí, aquela típica atitude, contida na expressão popular "quem vier atrás que fecha a porta". Não é com esta mesquinha e traiçoeira filosofia política que se governa um país.
A gravidade da situação chegou a um ponto em que até os juros da dívida de curto prazo, que em condições normais são muito inferiores, já ultrapassaram os juros da dívida de longo prazo, que devido ao seu maior risco, costuma ser superior. Isto quer dizer que os credores já colocam dúvidas à solvência a curto prazo do Estado português.
Sócrates e Teixeira dos Santos perderam credibilidade em todas as frentes. Têm que tirar as devidas conclusões da sua governação errática e sem consistência, onde não existe uma perspectiva para o desenvolvimento económico do país. Demitam-os, pois o circo Chen está à espera deles, como excelentes malabaristas. Ou então, que escrevam horóscopos para a imprensa cor de rosa.