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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

“1000 mujeres para el Premio Nobel de la Paz”, reúne-se na capital das Honduras


“1000 mujeres para el Premio Nobel de la Paz”, reúne-se na capital das Honduras

Nos países ocidentais, e, particularmente, no meu país, Portugal, pouco se sabe dos dramas vividos pelos povos da América Central, assim como se desconhece a luta pela defesa dos Direitos Humanos e da Paz Mundial, que milhares de homens e mulheres abnegadamente desenvolvem, nessa ignorada zona do globo, através de centenas de organizações políticas, cívicas, sociais e culturais, em que as mulheres assumem uma militância destacada.

Esta iniciativa, “1000 mujeres para el Premio Nobel de la Paz” (ver aqui), que este ano tem lugar na capital das Honduras, além da importância intrínseca do seu objectivo temático, poderá transformar-se num catalisador e mobilizador de vontades adormecidas, assim como um meio de projectar no espaço mediático global a acção e a luta das organizações feministas hondurenhas. Por outro lado, também poderá ser o embrião do nascimento de uma entidade federadora, a nível nacional, que, pelo efeito de escala, amplie a visibilidade pública e mediática da luta das mulheres.
Regozijo-me por ver na lista da organização deste importante evento, a minha querida amiga hondurenha, Itsmania Platero, a quem desejo sucesso no exercício da sua abnegada militância.
Alexandre de Castro
2017 10 05

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Desmantelan Radio Globo y Canal 36 de Honduras despues de tres meses del Golpe de Estado


Nas noites das Honduras não brilham as estrelas. Só as luzes das patrulhas e o sangue dos que caem nas mãos da matilha uniformizada. Botas e mais botas nas ruas, nas costas, nos rostos dos hondurenhos. E apesar do terror, que a cada noite semeia a ditadura, não há medo. A resistência continua.
Angel Palacios

Do Comité de Familiares de Detenidos Desaparecidos en Honduras (COFADEH)
***
Começam a chegar notícias aterradoras das Honduras. Deliberadamente, a polícia e o Exército, ao serviço e a mando dos golpistas, que derrubaram o presidente eleito, não conseguindo deter a vaga de protestos dos hondurenhos, que se manifestam diariamente nas ruas, iniciaram uma nova estratégia de intimidação, lançando, a coberto da noite, o pânico entre a população, principalmente a que reside nos subúrbios das grandes cidades. Disparam sobre os prédios, assaltam casas de activistas, prendem pessoas, que agridem selvaticamente, abandonando-as depois. Outros cidadãos desaparecem misteriosamente, depois de serem presos, ressuscitando, assim, o espectro da ditadura de Pinochet e as dos sanguinários generais argentinos e brasileiros, todos eles apoiados pelos Estados Unidos, no derrube de regimes democráticos e na implantação de regimes fascistas, nos seus respectivos países.
Aos jornalistas, que aparecem para cobrir esses acontecimentos, as forças policiais hondurenhas confiscam-lhes todo o material de gravação, para que as imagens da violência desabrida, exercida sobre os cidadãos, não possam alimentar os noticiários das televisões internacionais. Para não manchar o estado de graça de Barack Obama, que apenas timidamente condenou o derrube do presidente eleito, e não comprometer a CIA, que inspirou e apoiou o golpe, o presidente usurpador, Micheletti, procura esconder dos olhos do mundo a violência sanguinária, que despoletou sobre o povo hondurenho.
E Angel Palacios, que citámos no preâmbulo deste comentário, deixa, no seu relato sobre o terror que se abateu sobre o povo das Honduras, o seu dramático apelo à solidariedade militante de todos os povos, tal como se transcreve:
" As organizações de direitos humanos e advogados solidários fazem um trabalho incansável para atender as vítimas, para acompanhar as denúncias, para efectuar registos. Mas não têm recursos. Não contam com o mínimo. Não têm como encher o reservatório de gasolina para se deslocarem aos lugares, não têm saldo nos telefones para efectuar as chamadas necessárias. E ainda assim fazem magia para defender os direitos dos seus compatriotas. Levam 90 dias fazendo magia e é muito o que conseguem. A sede da COFADEH está a toda hora cheia de gente que vai denunciar os atropelos vividos, e cheia também de gente que vai apoiar o seu trabalho. Muitos e muitas dirigentes destas organizações de direitos humanos foram perseguidos, encarcerados para tentar calá-los. Apesar das dificuldades continuam a ser o único lugar aonde acudir para buscar refúgio diante da repressão. É urgente a solidariedade povo a povo, que os organismos de direitos humanos de outros países, que os comités de solidariedade de outros países se ponham em contacto com eles e os apoiem, divulguem as suas denúncias, enviem apoio a essas organizações que em Honduras lutam contra o Terror da Ditadura".

Honduras: um menino contra o golpe

Cortesia de Pedro Frias, seguidor deste blogue
Este pequeno filme mostra uma menino de 10 anos, Oscar David Montesinos, que é já considerado um dos símbolos da resistência hondurenha contra o golpe de estado infligido por Micheletti.
Pedro Frias

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Honduras: Teria havido conspiração externa?

Roberto Micheletti, o presidente dos golpistas
Num texto anterior, em relação ao golpe de Estado dos militares das Honduras, que depuseram e exilaram o presidente eleito, Manuel Zelaya, levantávamos a dúvida se não teria havido uma decisiva interferência de um país estrangeiro, tal era a evidente confiança dos golpistas perante a extrema dureza da condenação da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acabou por expulsar transitoriamente do seu seio aquele país. Também a rápida declaração de apoio aos golpistas por parte da igreja católica hondurenha levantou suspeitas, já que a sua experiente diplomacia reage sempre com muita prudência perante estas alterações ao nível do poder político, para evitar ficar constrangida e isolada se os seus cálculos vierem a mostrar-se errados.
Por sua vez, o presidente deposto, numa reviravolta surpreendente, iniciou no último ano um processo de aproximação a Hugo Chavez, presidente da Venezuela, situação que não seria do agrado de Washington. Os Estados Unidos tudo têm feito para anular a contaminação da influência do presidente venezuelano no continente, onde o seu discurso e a sua revolução boliveriana lhe tem dado dores de cabeça. Apesar deste desconforto, o presidente Obama condenou o golpe, embora sem muita convicção. A própria OEA tem paulatinamente recuado nas suas posições. Estava programado que dois chefes de Estado da América do Sul acompanhariam Manuel Zelaya na viagem de avião, de regresso a Tegucigalpa, a capital, para o instalarem novamente na presidência, jogando todo o seu peso institucional para fazerem recuar os revoltosos. Não passaram das intenções, esses dois presidentes. Por sua vez, Roberto Micheletti, inimigo visceral de Manuel Zelaya, e que ocupou o seu lugar, evidencia uma segurança surpreendente perante as pressões da OEA, que não deseja ver regressar o continente às ditaduras militares do século vinte.
De um momento para o outro, como tendo percebido a verdadeira posição dos Estados Unidos em relação ao golpe, os países ocidentais deixaram de fazer protestos, situação que não se verifica quando se trata de denunciar os governos desalinhados com a sua política e que passam por situações semelhantes.
Por tudo isto, e também pela longa tradição da CIA na desarticulação de governos que são hostis aos interesses dos Estados Unidos, somos levados a crer que os militares hondurenhos e as forças políticas, que imediatamente os apoiaram, não actuaram sozinhos. Talvez Hugo Chavez já tenha percebido isto, e concluído que a grande encenação de protesto não tenha passado disso mesmo, uma bem montada encenação para encobrir secretas conivências.

domingo, 5 de julho de 2009

Honduras: Um golpe militar com uma história mal contada

A história do golpe militar nas Honduras está mal contada. Existem contornos difusos, que só o tempo irá aclarar.
É impensável que os generais hondurenhos sejam ingénuos, ao ponto de desencadearem um golpe contra um presidente eleito democraticamente, sem terem a sua rectaguarda garantida por uma potência exterior. Também a diplomacia católica nunca se engana, e o apoio explícito dos bispos hondurenhos aos revoltosos levanta suspeitas sobre a existência de um decisivo apoio externo ao golpe militar. Caso contrário, os bispos ter-se-iam remetido ao silêncio.
O mesmo se poderá dizer da corajosa e determinada posição inicial da Organização dos Estados Americanos, que se apressou a condenar o golpe e a expulsar as Honduras do seu seio, mas que, com o tempo, foi evidenciando algum amolecimento, induzido principalmente pelo representante dos Estados Unidos.
A CIA e os exércitos dos países sul-americanos têm uma longa experiência de cumplicidade no desencadeamento de golpes de Estado e da consequente instauração de ditaduras sangrentas, quando os governos legítimos desafiam o poder dos Estados Unidos. Foi o que aconteceu no Chile em 1973. Das Honduras, o que se sabe, é manifesta intenção do presidente deposto, Manuel Zelaya, de se aproximar de Hugo Chavez e da sua revolução boliveriana, situação que não seria vista com bons olhos pelos Estados Unidos. E isto, talvez seja a parte da história que falta contar.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1390356&idCanal=11