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segunda-feira, 25 de maio de 2015

A trapalhada do Acordo Ortográfico


Aceitei o novo Acordo Ortográfico (embora com algum desconforto em relação a algumas mudanças na grafia de algumas palavras), porque compreendi a importância política e económica, no contexto mundial, em usar uma única grafia da Língua Portuguesa no importante universo da lusofonia. 
Hoje, verifico que os mais importantes países lusófonos, talvez por um recalcamento de um antigo complexo de inferioridade, em relação ao colonizador, não estão interessados em aderir ao grandioso projeto, que beneficiaria todos os países da lusófonos.
E, perante isto, entendo que Portugal não deveria avançar para a institucionalização da nova grafia sem que, pelo menos, o Brasil procedesse à sua devida ratificação.
É que, se não for assim, eu poderei mudar de campo e tornar-me mais um rebelde contra o novo Acordo Ortográfico.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Pontapés na Gramática!...


Banif vai usar dinheiro do Estado para comprar dívida pública
O Governo exigiu como condição de ajudar o Banif a recapitalizar-se que fossem extinguidas essas garantias, pelo que esses títulos serão devolvidos ao Estado.
Diário Económico
***«»***
Os erros gramaticais começam a não ser exceção na imprensa escrita portuguesa. Se ainda não se constituíram como regra, já começam, por outro lado, a ser irritantemente frequentes.
Há dias, denunciámos aqui um erro gramatical, relativo à confusão destas duas formas gramaticais distintas, «porque» e «por que», que surgiu num artigo do Jornal de Notícias. Hoje trazemos aqui a notícia de um outro erro gramatical, aparecido no Diário Económico, e que se relaciona com a confusão, muito generalizada, aliás, da utilização do particípio passado dos verbos com duas versões para aquela forma nominal, quando são conjugados com os verbos auxiliares ser/estar e ter/haver. 
O verbo extinguir, da terceira conjugação, apresenta duas formas para o particípio passado: a forma regular, «extinguido», que se formou por via popular, durante a evolução da língua, e que se conjuga com verbo auxiliar ter/haver, e a forma irregular «extinto», que é a forma erudita, vinda diretamente do latim, e que se conjuga com o verbo auxiliar ser/estar.
No artigo do Diário Económico, que aqui está em causa, deveria ter sido escrito "que fossem extintas" e não "que fossem extinguidas"
Existem, no entanto, algumas exceções a esta regra.
Eu não percebo a razão da elevada ocorrência deste erro gramatical, já que se trata de uma regra muito simples, de fácil memorização. Eu aprendi-a na minha 4ª classe, e é com tristeza que assisto ao seu constante atropelo na televisão, atropelo este até cometido por personalidades de elevada qualificação.
Talvez fosse interessante instituir o "Observatório dos erros gramaticais da Língua Portuguesa", a juntar às muitas dezenas de observatórios já existentes, e cuja utilidade ninguém percebe. 
http://economico.sapo.pt/noticias/banif-vai-usar-dinheiro-do-estado-para-comprar-divida-publica_159556.html
http://alpendredalua.blogspot.pt/2012/12/pontapes-na-gramatica.html

sábado, 29 de dezembro de 2012

Pontapés na Gramática!...


Por que se pergunta "és de Braga" a quem deixa a porta aberta? - Jornal de Notícias
São muitos os que atiram de pronto um irritado "és de Braga?" quando alguém deixa a porta aberta, mas raros os que conhecem uma explicação minimamente plausível para a utilização daquela expressão.
A explicação mais conhecida para aquela expressão tem, de facto, a ver com o Arco da Porta Nova, que, como o nome diz, é uma nova porta na muralha de Braga mandada construir no início do século XVI pelo arcebispo Diogo de Sousa.
Como, na altura, já não havia guerras e como a cidade já se estendia para fora dos muros, não foi colocada nenhuma porta naquele arco, assumindo-se assim os bracarenses como pioneiros em deixar as portas das muralhas abertas.
A partir daí, os habitantes de Braga ficaram para sempre conotados como aqueles que não fecham a porta.
Jornal de Notícias
***«»***
Mais uma vez, e agora num jornal de referência, como é o Jornal de Notícias, a Gramática foi pontapeada, tal como acontece com os jogadores de futebol, também eles profissionais de referência, quando abrem a boca para falar para um microfone de uma televisão ou de uma rádio. Mas se compreendemos esses jogadores de futebol, porque admitimos que os seus neurónios lhes tenham fugido para os pés, a mesma complacência não pode ser concedida a um jornal que permite deixar passar um erro gramatical nas suas páginas, e, ainda por cima, e para que o erro assuma maior visibilidade, no título de uma notícia.
A confusão que existe, ao nível da linguagem escrita, entre a utilização das expressões "por que" e "porque", é generalizada, e até julgo que a prevalência da ocorrência desta confusão supera aquela outra, já clássica, sobre a utilização da expressão "há", uma forma do verbo haver, e a expressão "à", contração da preposição "a", com o artigo definido "a". 
Numa frase interrogativa, como é a do título desta notícia, a forma correta de a escrever seria: Porque se pergunta "és de Braga" a quem deixa a porta aberta?
"Porque" é um advérbio (antes do verbo), e era este advérbio que,  na frase em questão, deveria ter sido utilizado, a anteceder a forma do verbo "perguntar". Pelo contrário, utilizar-se-ia a expressão "por que", caso se, em vez de um verbo, a frase se iniciasse por um substantivo: Por que razão se pergunta "és de Braga" a quem deixa a porta aberta?
Aqui, não está apenas em causa a distração ou a ignorância do jornalista que escreveu a notícia, mas também as do editor (chefe de secção), que leu o texto, para o poder editar, e as do chefe de redação, que também teve de o ler para lhe hierarquizar a importância, para opções de paginação.
Para compreender melhor a utilização daquelas duas expressões homófonas, em outros tipos de frases, além das frases interrogativas, remeto o leitor, através do link, incluído no final deste texto, para um post deste blogue, onde o assunto é abordado.
Achei interessante a explicação da origem histórica desta frase idiomática, do léxico popular, "és de Braga", origem essa que desconhecia, assim como desconheço a origem daquela outra "vai para baixo de Braga", que tem um sentido civilizadamente insultuoso.
Nota: Há quem me chame carinhosamente picuinhas, por estar sempre (embora com sentido pedagógico e não com acinte crítico) a apontar erros ortográficos, gramaticais e de pontuação. O que sempre digo nestas situações, é que eu também hesito muito em escrever corretamente certas palavras, principalmente no computador, em que deixa de funcionar a memória visual das palavras, ligada à escrita manual. Por isso, tenho sempre junto a mim um dicionário, que, inclusivamente, já utilizei para escrever esta texto. Mesmo assim, não sei se sobrará um qualquer erro gramatical ou ortográfico.
Não tenho a obrigação de saber tudo, em relação à Língua Portuguesa, mas sei que tenho a obrigação de lhe respeitar as regras gramaticais e ortográficas, regras que não são gratuitas nem inúteis, pois têm o objetivo de a disciplinar, para que o discurso escrito seja integralmente entendido, por quem o lê. E é esta filosofia que os jornalistas do Jornal de Notícias devem recuperar.

sábado, 16 de junho de 2012

Teolinda Gersão a escrever sobre a lingua portuguesa


Tempo de exames no secundário,os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso,confesso.E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas,mas as ideias são todas deles.
Aqui ficam,e espero que vocês também se divirtam.E depois de rirmos espero que nós,adultos, façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.

Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa

Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.

No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.

No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela,subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?

A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português,que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo,o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Luisa Fortes da Cunhao um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens,ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.

E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.

E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.

João Abelhudo, 8º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática).
Enviado por email pelo leitor José Sousa-Dias

terça-feira, 21 de julho de 2009

Gramática: "Porque" ou "por que" - uma confusão muito comum



Se tem a consciência que sabe distinguir, na linguagem escrita, a diferente utilização do porque e do por que, passe à frente, e aguarde pelo próximo post, para se divertir. Caso contrário, fique por aqui. Em qualquer dos casos, responda aos exercícios que se propõem a seguir:

Coloque no tracejado das frases seguintes a expressão correcta, porque ou por que.

1- ________ faltaste à aula? Faltei _______ estive doente.

2- ________ é que não vieste à reunião? Não vim, _______ não tinha nada para dizer.

3- A Rita deve estar triste, _______ esteve a chorar.

4- _______ rua vieste hoje?

5- ________ preço compraste o livro?

6- ________ motivo faltaste à aula?

7- Todas as dificuldades _________ passamos ajudam-nos a crescer.

8- Estive doente. Esse o motivo ________ faltei à aula.

Soluções:

1- Porque (a) faltaste à aula? Faltei, porque (b) estive doente.

a) Utiliza-se o advérbio (antes do verbo) porque numa frase interrogativa.
b) Aqui, o porque é uma conjunção causal, que ocorre numa frase declarativa, introduzindo uma oração subordinada (ou coordenada), e que constitui sempre uma resposta à pergunta introduzida pelo advérbio interrogativo porque (a).

2- Porque (c) é que não vieste à reunião? Não vim, porque (d) não tinha nada para dizer.

c) Advérbio interrogativo porque (antes de um verbo).
d) Conjunção causal porque.

3- A Joana deve estar triste, porque (e) está a chorar.

e) Porque, conjunção explicativa.

4- Por que (f) rua vieste hoje?

5- Por que (f) preço compraste o livro?

6- Por que (f) motivo faltaste à aula?

f) Preposição por, mais determinante interrogativo que. Introduz uma frase interrogativa e ocorre sempre antes de um nome. É possível ser substituída pela expressão por qual.

7- Todas as dificuldades por que (g) passamos ajudam-nos a crescer.

8- Estive doente. Esse é o motivo por que (g) faltei à aula.

g) Preposição por, mais pronome relativo que. Ocorre numa frase declarativa, a seguir a um nome, e que poderemos substituir pelas expressões pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais.

Nota: Se, mesmo assim, continuar com dificuldades, memorize as situações em que se utiliza o porque, quer como advérbio interrogativo, quer como conjunção causal ou explicativa. Em todas as outras situações, utilize o por que.