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domingo, 1 de dezembro de 2013

Islândia: Um pequeno povo!... Um grande povo!... Não se ajoelhou!...


Islândia corta até 24 mil euros nas hipotecas de famílias com empréstimos

O Governo islandês anunciou sábado ir cortar até 24.000 euros na hipoteca de cada família com empréstimos à habitação, uma promessa da campanha eleitoral apesar das advertências internacionais contra o plano.
O custo da medida está estimado em cerca de 900 milhões de euros e será financiado com impostos sobre os bancos e fundos de gestão de ativos dos bancos que faliram durante a crise financeira de 2008, salientou o Governo.
O Partido Progressista, do primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson, vencedor das eleições de abril, tinha prometido aliviar a dívida das famílias, o que ajudou à conquista de votos na campanha.
O chefe do Governo disse após tomar posse que a medida não iria afetar as contas públicas e sugeriu de imediato que fossem os credores dos bancos islandeses a suportar a despesa.
O anúncio do corte da hipoteca levantou as vozes críticas de várias organizações internacionais como o Fundo Monetário Internacional, mas as autoridades do país estão determinadas em levar o projeto em frente.
Muitas famílias islandesas lutam com dificuldade para pagarem os seus empréstimos indexados à inflação e que pareciam seguros antes da crise de 2008 e que aumentaram acentuadamente depois do colapso da coroa islandesa face a outras moedas.
Atualmente, segundo os dados oficiais, a dívida das famílias corresponde a 108% do Produto Interno Bruto, uma percentagem alta na comparação internacional.
Com esta medida, que começará a ser aplicada em meados de 2014, o Governo pretende aumentar o rendimento disponível às famílias e incentivar a poupança.

***«»***
Uma medida corajosa, inteligente e amiga da economia, e que não vai agravar as contas públicas. Corajosa, porque é mais um país a desafiar, e, nesta crise, pela segunda vez, o poder sacralizado do capitalismo financeiro internacional, que começou logo a rosnar, através do seu braço institucional, o FMI. Inteligente e amiga da economia, porque aumenta o rendimento disponível das famílias, o que vai promover o crescimento económico, através da poupança, do consumo e, até, do pequeno investimento. Não vai agravar as contas públicas, porque serão os bancos privados a suportar os respetivos custos, esses mesmos bancos que causaram a crise. 
Decididamente, a Islândia não é uma boa aluna! É uma borbulha de rebeldia! 
O povo islandês não importou os burros mirandeses, a que o jornalista norte-americano fez referência na reportagem do The New York Times, sobre Portugal! 
O povo da Islândia lutou pela sua dignidade, que os seus alarves banqueiros agrediram!... 
O povo islandês não se ajoelhou!... 

Acordai, portugueses!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Islândia: a revolução vitoriosa que o capitalismo procurou esconder... E Portugal?


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1- Os meios de comunicação social ocidentais omitiram os importantes acontecimentos na Islândia
2- O povo provocou o governo demitir-se
3- Os principais bancos do país foram nacionalizados
4- O povo recusou indemnizar os clientes britânicos e holandeses desses bancos
5- Numa assembleia popular é eleita uma comissão para escrever uma nova Constituição
6- Referendo sobre as principais questões económicas, incluindo a questão da dívida
7- Prisão dos principais responsáveis pela crise
8- Escrita uma nova Constituição por 25 cidadãos eleitos na assembleia popular
9- O povo islandês deu uma lição ao mundo lutando contra o sistema e ensinando "democracia"

Este foi o enquadramento da grande e vitoriosa caminhada do povo islandês para se libertar da agiotagem do capitalismo internacional. Portugal, para atingir o mesmo objetivo, precisa de assumir três opções estratégicas:
1- Derrubar o atual governo.
2- Decretar uma moratória para o pagamento da dívida, que será reestruturada.
3- Abandonar a zona euro.

Por mais que isto custe, pois não será no dia seguinte que o sol cantará, este será o caminho que libertará mais depressa Portugal das garras do BCE, que é a instituição, percebe-se agora, que conduz com mão de ferro toda a política da União Europeia. Quanto mais cedo Portugal optar por este caminho, mais depressa  a sua economia sairá da recessão e começará a crescer. Quer queiramos, quer não, a reestruturação da dívida e o abandono do euro acabarão por acontecer, por decisão de outros, e com mais graves custos para os portugueses, pois a continuar-se com a atual política de empobrecimento dos detentores dos rendimentos de trabalho e a prosseguir com o desmantelamento do Estado Social, Portugal não terá economia para  viver nem para pagar o que deve. 
Muitos economistas já afirmaram que esta dívida (a soberana e as dos bancos portugueses é incobrável. "O governo grego (já) pediu à troika uma moratória para as medidas de austeridade, que deveriam ser tomadas de imediato, pelo facto de a execução orçamental estar a ficar comprometida pela espiral recessiva" e "Tanto a Grécia como o Chipre acabarão por abandonar a zona euro"(ver aqui). Portugal não será exceção, porque "hoje, os povos europeus vão ter de quebrar as algemas do euro e voltar a domesticar a globalização.Quanto antes, para que a austeridade não produza outra guerra na Europa".
Não queiramos que o drama atual se transforme em tragédia!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Islândia triplicará seu crescimento em 2012, após a prisão de políticos e banqueiros

A Islândia conseguiu acabar com um governo corrupto e parasita. Prendeu os responsáveis pela crise financeira, mandando-os para a prisão.
Começou a redigir uma nova Constituição feita por eles e para eles. E hoje, graças à mobilização, será o país mais próspero de um ocidente submetido a uma tenaz crise de dívida.
É a cidadania islandesa, cuja revolta em 2008 foi silenciada na Europa por temor a que muitos percebessem. Mas conseguiram, graças à força de toda uma nação, o que começou sendo crise se converteu em oportunidade.
Uma oportunidade que os movimentos altermundistas observaram com atenção e o colocaram como modelo realista a seguir.
Consideramos que a história da Islândia é uma das melhores noticias dos tempos actuais.
Sobretudo depois de saber que segundo as previsões da Comissão Europeia, este país do norte atlântico, fechará 2011 com um crescimento de 2,1% e que em 2012, este crescimento será de 1,5%, uma cifra que supera o triplo dos países da zona euro.
A tendência ao crescimento aumentará inclusive em 2013, quando está previsto que alcance 2,7%. Os analistas asseveram que a economia islandesa segue mostrando sintomas de desequilíbrio. E que a incerteza segue presente nos mercados. Porém, voltou a gerar emprego e a dívida pública foi diminuindo de forma palpável.
Este pequeno país do periférico árctico recusou resgatar os bancos. Os deixou cair e aplicou a justiça sobre aqueles que tinham provocado certos
descalabros e desmandes financeiros. Os matizes da história islandesa dos últimos anos são múltiplos. Apesar de transcender parte dos resultados que todo o movimento social conseguiu, pouco foi falado do esforço que este povo realizou. Do limite que alcançaram com a crise e das múltiplas batalhas que ainda estão por se resolver.
Porém, o que é digno de menção é a história que fala de um povo capaz de começar a escrever seu próprio futuro, sem ficar a mercê do que se decida em despachos distantes da realidade cidadã. E embora continuem existindo buracos para preencher e escuros por iluminar.
A revolta islandesa não causou outras vítimas que os políticos e os homens de finanças costumam divulgar. Não derramou nenhuma gota de sangue. Não houve a tão famosa "Primavera Árabe". Nem sequer teve rastro mediático, pois os meios passaram por cima na ponta dos pés.
Mesmo assim, conseguiram seus objectivos de forma limpa e exemplar.
Hoje, seu caso bem pode ser o caminho ilustrativo dos indignados espanhóis, dos movimentos Occupy Wall Street e daqueles que exigirem justiça social e justiça económica em todo o mundo.
Amabilidade do João Fráguas
***
Se o povo do então Vietnam do Norte, na década de sessenta do século passado, humilhou a maior potência militar, os EUA, infligindo uma memorável derrota às suas Forças Armadas, que se julgavam invencíveis, coube ao povo islandês derrotar a cabeça do polvo do capitalismo financeiro internacional, não admitindo a ingerência abusiva do FMI e não alienando a sua soberania cambial e monetária. É um exemplo que envergonha os portugueses, que se deixaram iludir pelo canto das sereias dos partidos do arco da traição.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Islândia triplicará seu crescimento em 2012 após a prisão de políticos e banqueiros

Islândia conseguiu acabar com um governo corrupto e parasita. Prendeu os responsáveis pela crise financeira, mandando para a prisão. Começou a redigir uma nova Constituição feita por eles e para eles. E hoje, graças à mobilização, será o país mais próspero de um ocidente submetido a uma tenaz crise de dívida.
É a cidadania islandesa, cuja revolta em 2008 foi silenciada na Europa por temor a que muitos percebessem. Mas conseguiram, graças à força de toda uma nação, o que começou sendo crise se converteu em oportunidade. Uma oportunidade que os movimentos altermundistas observaram com atenção e o colocaram como modelo realista a seguir.
Consideramos que a história da Islândia é uma das melhores noticias dos tempos atuais. Sobretudo depois de saber que segundo as previsões da Comissão Europeia, este país do norte atlântico, fechará 2011 com um crescimento de 2,1% e que em 2012, este crescimento será de 1,5%, uma cifra que supera o triplo dos países da zona euro. A tendência ao crescimento aumentará inclusive em 2013, quando está previsto que alcance 2,7%. Os analistas asseveram que a economia islandesa segue mostrando sintomas de desequilíbrio. E que a incerteza segue presente nos mercados. Porém, voltou a gerar emprego e a dívida pública foi diminuindo de forma palpável.
Este pequeno país do periférico ártico recusou resgatar os bancos. Os deixou cair e aplicou a justiça sobre aqueles que tinham provocado certos descalabros e desmandes financeiros. Os matizes da história islandesa dos últimos anos são múltiplos. Apesar de transcender parte dos resultados que todo o movimento social conseguiu, pouco foi falado do esforço que este povo realizou. Do limite que alcançaram com a crise e das múltiplas batalhas que ainda estão por se resolver.
Porém, o que é digno de menção é a história que fala de um povo capaz de começar a escrever seu próprio futuro, sem ficar a mercê do que se decida em despachos distantes da realidade cidadã. E embora continuem existindo buracos para preencher e escuros por iluminar.
A revolta islandesa não causou outras vítimas que os políticos e os homens de finanças costumam divulgar. Não derramou nenhuma gota de sangue. Não houve a tão famosa "Primavera Árabe". Nem sequer teve rastro mediático, pois os meios passaram por cima na ponta dos pés. Mesmo assim, conseguiram seus objetivos de forma limpa e exemplar.
Hoje, seu caso bem pode ser o caminho ilustrativo dos indignados espanhóis, dos movimentos Occupy Wall Street e daqueles que exigirem justiça social e justiça econômica em todo o mundo.
Tradução de Lurdes Rodrigues 

Original: http://forner179.blogspot.com/2011/12/islandia-triplicara-su-crecimiento-en.html
Fonte: http://maestroviejo.wordpress.com/2011/12/06/islandia-triplicara-su-crecimiento-en-2012gracias-a-las-revueltas-sociales/

Daí a prova de que a população unida e organizada consegue se livrar dos banqueiros canalhas. Embora devamos reconhecer que fazer uma revolução dessas na Islândia é mais fácil devido a fatores como o povo ser mais culto, politizado e educado, além de ser pequeno em comparação a outros países como o Brasil.
Para fazer isso é necessário uma consciência da situação real de toda a população e que ela mesma se organize para resolver, colocando a politicagem corrupta e banqueiros sionistas na latrina.
Lurdes Rodrigues 

domingo, 11 de setembro de 2011

Por que razão a Islândia deveria estar nas notícias, mas não está? - por Deena Stryker


Os povos que já se encontram sob ataque do FMI devem olhar para a Islândia. Recusando curvar-se perante os interesses estrangeiros, este pequeno país afirmou, alto e a bom som, que o povo é soberano.
É por isso que já não aparece nas notícias.

A história que um programa de rádio italiano conta acerca da revolução que decorre na Islândia é um exemplo impressionante de quão pouco os media nos dizem sobre o que se passa no resto do mundo. Os norte-americanos lembrar-se-ão de que no início da crise financeira de 2008, a Islândia caiu literalmente na bancarrota. As razões foram mencionadas apenas de passagem e, desde então, este membro pouco conhecido da União Europeia caiu de novo no esquecimento.
Há medida que um país europeu atrás do outro atinge ou fica próximo de atingir a bancarrota, pondo em perigo o Euro e com repercussões para o mundo inteiro, a última coisa que os poderes em questão querem é que a Islândia se torne um exemplo. Eis a razão:
Cinco anos de um regime puramente neo-liberal fizeram da Islândia (população de 320 000 habitantes, sem exército) um dos mais ricos países do mundo. Em 2003 todos os bancos do país foram privatizados e, num esforço para atrair o investimento estrangeiro, passaram a oferecer serviços on-line, cujos custos reduzidos lhes permitiram oferecer taxas internas de rendibilidade relativamente elevadas. Estas contas, designadas “IceSave”, atraíram muitos pequenos investidores ingleses e holandeses. Mas, à medida que os investimentos cresciam, também a dívida externa dos bancos aumentava. Em 2003, a dívida islandesa equivalia a 200 vezes o seu PIB e, em 2007, era de 900%. A crise financeira de 2008 foi o golpe de misericórdia. Os três principais bancos islandeses, o Landbanki, o Kapthing e o Glitnir caíram e foram nacionalizados, enquanto o Kroner perdeu 85% do seu valor em relação ao Euro. No final do ano, a Islândia declarou a bancarrota.
Ao contrário do que se poderia esperar, da crise resultou que os islandeses recuperaram os seus direitos soberanos, através de um processo de democracia participativa directa, que acabou por conduzir a uma nova Constituição. Mas só depois de muito sofrimento.
Geir Haarde, primeiro-ministro de um governo de coligação social-democrata, negociou um empréstimo de dois milhões e cem mil dólares, ao qual os países nórdicos acrescentaram mais dois milhões e meio. Mas a comunidade financeira internacional pressionou a Islândia a impor medidas drásticas. O FMI e a União Europeia quiseram apoderar-se da sua dívida, alegando que este era o único caminho para que o país pudesse pagar à Holanda e ao Reino Unido, que haviam prometido reembolsar os seus cidadãos.
Os protestos e as revoltas continuaram, acabando por forçar o governo a demitir-se. As eleições foram antecipadas para Abril de 2009, resultando numa coligação de esquerda, que condenou o sistema económico neoliberal, mas logo cedeu às exigências daquele, de acordo com as quais a Islândia deveria pagar um total de três milhões e meio de Euros. Isto exigia que cada cidadão islandês pagasse 100 euros por mês (cerca de US $ 130) por quinze anos, a juros de 5,5%, para pagar uma dívida contraída por particulares perante particulares. Foi a gota de água que fez transbordar o copo.
O que aconteceu depois foi extraordinário. A crença de que os cidadãos tinham que pagar pelos erros de um monopólio financeiro, que uma nação inteira deveria ser tributada para pagar dívidas privadas caiu por terra, transformando a relação entre os cidadãos e suas instituições políticas, e acabando por trazer os líderes da Islândia para o mesmo lado dos seus eleitores. O Chefe de Estado, Olafur Ragnar Grímsson, recusou-se a ratificar a lei que teria feito os cidadãos da Islândia responsáveis pelas dívidas seus banqueiros, e aceitou o repto para um referendo.
É claro que isto apenas fez com que a comunidade internacional aumentasse a pressão sobre a Islândia. O Reino Unido e a Holanda ameaçaram com represálias terríveis, que isolariam o país. Quando os islandeses foram a votos, os banqueiros estrangeiros ameaçaram bloquear qualquer ajuda do FMI. O governo britânico ameaçou congelar poupanças islandesas e contas correntes. Como afirmou Grimsson: “Foi-nos dito que, se recusássemos as condições da comunidade internacional, nos tornaríamos na Cuba do Norte. Mas, se tivéssemos aceitado, ter-nos-íamos tornado antes no Haiti do Norte.” (Quantas vezes escrevi que quando os cubanos olham para os problemas do seu vizinho, o Haiti, consideram que têm sorte.)
No referendo de Março de 2010, 93% dos islandeses votou contra o pagamento da dívida. O FMI imediatamente congelou o seu empréstimo. Mas a revolução (apesar de não ter sido transmitida nos EUA), não se deixaria intimidar. Com o apoio de uma cidadania em fúria, o governo colocou sob investigações civis e penais os responsáveis pela crise financeira. A Interpol lançou um mandado internacional de captura para o ex-presidente do Kaupthing, Sigurdur Einarsson, à medida que outros banqueiros envolvidos no crash fugiram do país.
Mas os islandeses não pararam por aí: decidiram elaborar uma nova constituição que iria libertar o país do poder exagerado da finança internacional e do dinheiro virtual. (A que vigorava havia sido escrita quando a Islândia ganhou sua independência à Dinamarca, em 1918, sendo que a única diferença relativamente à Constituição Dinamarquesa a de que a palavra “presidente” a palavra substituiu a palavra “rei”.)
Para escrever a nova constituição, o povo da Islândia elegeu 25 cidadãos, de entre 522 adultos que não pertenciam a nenhum partido político, mas recomendados por pelo menos trinta cidadãos. Este documento não foi obra de um punhado de políticos, mas foi escrito na Internet. Reuniões da Constituinte são transmitidas on-line, e os cidadãos podem enviar os seus comentários e sugestões, vendo o documento tomar forma. A Constituição que resultará deste processo participativo e democrático será submetida ao Parlamento para aprovação depois das próximas eleições.
Alguns leitores lembrar-se-ão de que a crise agrícola da Islândia do século IX foi tratada no livro de Jared Diamond que tem esse nome. Hoje, esse país está a recuperar do colapso financeiro de forma exactamente oposta àquela geralmente considerada inevitável, como foi confirmado ontem pela nova presidente do FMI, Christine Lagarde, a Fareed Zakaria. Foi dito ao povo da Grécia que a privatização de seu sector público é a única solução. Os povos da Itália, da Espanha e de Portugal enfrentam a mesma ameaça.
Estes povos devem olhar para a Islândia. Recusando curvar-se perante os interesses estrangeiros, este pequeno país afirmou, alto e a bom som, que o povo é soberano.
É por isso que já não aparece nas notícias.

Traduzido por André Rodrigues P. Silva
In ODiario.info

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Islandeses rejeitam pagar dívida ao Reino Unido e Holanda


Os islandeses rejeitaram em referendo, pela segunda vez, reembolsar o Reino Unido e a Holanda em 3,9 mil milhões de euros – o dinheiro que estes governos pagaram aos seus cidadãos que investiram na conta Icesave, de um dos bancos islandeses que faliu em 2008, quando o sistema financeiro do país entrou em colapso.
PÚBLICO
***
O povo islandês está a dar uma lição ao mundo, não se vergando à odiosa chantagem dos vários agentes do capitalismo, que, conjugando esforços, querem transformar uma dívida privada de um banco, que faliu em 2008, devido às sujas manobras especulativas dos seus activos, numa dívida pública, que teria de ser paga pelo Estado, através dos impostos de todos cidadãos. O banco  Icesave, numa maior escala de valores financeiros, envolveu-se num esquema fraudulento muito idêntico ao posto em prática pelo Banco Privado Português (BPP), onde o Estado, através de uma garantia bancária, desbaratou 4,5 milhões de euros, para se poder pagar os reembolsos de clientes ambiciosos, que receberam durante muitos anos juros acima dos praticados pelas outras instituições bancárias. 
Mas se, em Portugal, o escândalo foi muito bem escamoteado, para evitar o alarme público, na Islândia  o caso provocou uma autêntica revolução, indo ao ponto de ter provocado eleições para eleger uma Assembleia Constituinte, cuja Constituição a elaborar viesse a consagrar no futuro a defesa dos interesses nacionais em relação à rapina do capital financeiro internacional. O governo de direita caiu, sendo substituído por um governo de coligação, com sociais-democratas liberais, partido os Verdes e ex-comunistas, que, nas costas do povo, tentou uma saída para que os governos da Grã-Bretanha e da Holanda viessem a ser ressarcidos das indemnizações efectuadas aos seus respectivos cidadãos, que foram clientes do Icesave. Por duas vezes, quando a proposta de vassalagem tinha seguido para o Presidente da República, para ser assinada, apareceram as petições, com o número de assinaturas suficiente, para se realizarem os referendos. Em ambos, o povo da Islândia disse não à ignomínia, colocando em pânico os responsáveis das instituições financeiras internacionais, que receiam o contágio do exemplo da Islândia, e o seu alastramento para outros povos, entre os quais Portugal, Grécia e Irlanda, que também estão a ser vítimas de um ataque feroz e criminoso da União Europeia, que, nesta crise, demonstrou inequivocamente a sua natureza de guardiã dos interesses do capitalismo financeiro.
Portugal, Irlanda e Grécia deveriam seguir o salutar exemplo do povo islandês, e correrem com os políticos do PS e do PSD, que a nível nacional servem de correia de transmissão daqueles interesses. 
Os povos não têm que pagar as dívidas dos bancos privados, e, em relação às dívidas soberanas, não podem as instituições internacionais provocar a asfixia das economias nacionais, impondo-lhes prazos apertados para equilibrarem os orçamentos.
Ceder a estas imposições é covardia e subserviência. É necessário protestar e bater o pé aos agentes políticos do grande capital financeiro, aproveitando os seus receios em relação ao incumprimento e insolvência de um qualquer país. E a prova de que eles também têm pés de barro, pode detectar-se no recuo que fizeram para fundamentar a segunda proposta do governo islandês. O prazo para o faseamento da dívida passou, num passe de mágica, de oito anos para trinta anos, e os juros, que inicialmente eram de 5,5%, passaram para 3,5%, no caso britânico, e 3%, no caso holandês. Nem com estas condições mais favoráveis, os islandeses recuaram nos seus nobres propósitos. E isto, porque são um povo inteligente e corajoso, qualidades que faltam a outros povos, que acabam por comer a merda que os poderosos cagam.    
http://publico.pt/Mundo/islandeses-rejeitam-pagar-divida-ao-reino-unido-e-holanda_1489151

domingo, 21 de março de 2010

Islândia: O exemplo dramático de uma economia que se baseou na especulação bolsista


Os islandeses consideram que não foram responsáveis
pelos riscos assumidos pelos bancos durante a euforia
financeira e pensam que o salvamento dos depositantes
holandeses e britânicos, feito pelos respectivos governos,
foi demasiado generoso: as pessoas sabiam que os
investimentos eram arriscados. Também dizem que não
havia regulação europeia.
Diário de Notícias
***
Em Portugal, os media têm dado pouca atenção ao que se passou na Islândia, no contexto da actual crise. E, no entanto, o que se passou naquele pequeno país escandinavo, onde os seus três maiores bancos levaram ao extremo a especulação bolsista, explica de forma eloquente a ilusão e os malefícios da economia virtual (economia de casino), que o neo-liberalismo estimulou e desenvolveu. Com a crise financeira de 2008, o mundo desabou sobre a cabeça dos islandeses, com o país a precipitar-se na bancarrota. Todos aqueles veículos, que atraíram muito investidores, muitos deles portugueses, e que garantiam taxas de retorno elevadas, perderam o seu valor. A Grã-Bretanha e a Holanda cobriram, com o dinheiro dos seus contribuintes, os depósitos dos seus respectivos bancos e empresas, que se deixaram seduzir pela miragem do lucro fácil, e contabilizou essa cobertura como dívida do Estado da Islândia. Em referendo, os islandeses recusaram assumir essa dívida, com o argumento de que não têm de pagar os prejuízos dos alarves.
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Lista dos investidores portugueses na Islândia (Diário de Notícias)
Banco Finantia S.A. : A instituição bancária aplicou no Banco Kaupthing 53 milhões de euros.
Caixa Geral de Depósitos Banco do Estado quer recuperar os 25,6 milhões que investiu.
Crédito Agrícola Gest confiou ao banco islandês 15,3 milhões de euros.
Banco Banif: O banco de Horácio Roque aplicou 11,14 milhões.
BES Vida Companhia de Seguros: A seguradora do Grupo Espírito Santo investiu 10 milhões de euros.
BPI Vida: A companhia de seguros do grupo financeiro aplicou 3,7 milhões.
Tranquilidade: A seguradora do grupo liderado por Ricardo Salgado reclama quase três milhões de euros.
Allianz Portugal: Mais uma seguradora que se diz lesada em 2,5 milhões.
Banco BPI - Fundo de Pensões: O fundo de pensões do BPI investiu 1,77 milhões de euros.
BPN-Gestäo de Activos Sociedade: gestora entregou ao banco islandês 1,3 milhões.
Banco BPI: A instituição financeira liderada por Fernando Ulrich confiou ao Kaupthing cerca de 600 mil euros.
Santuário de Fátima Fábrica do complexo religioso investiu 10 mil euros.
Sérgio Conceição: O ex-jogador do Standard de Liège foi lesado em cinco mil euros