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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Morreu o Capitão de Abril, Coronel Diamantino Gertrudes



Morreu o Capitão de Abril,
Coronel Diamantino Gertrudes
  
Morreu o meu grande amigo Diamantino Gertrudes, um dos valorosos capitães de Abril.

Sublinho aqui as suas grandes qualidades morais e a sua nobreza e integridade de carácter, assim como a amizade que nos uniu, desde os tempos do liceu de Lamego e do liceu de Viseu, além de destacar as virtualidades da sua obra literária, que, como romancista, evidenciou.

Nos tempos actuais, uniu-nos também a cumplicidade da mesma identidade ideológica.

Vou recordá-lo sempre com muita saudade.

O então capitão Diamantino Gertrudes, que comandou, na redentora madrugada de 25 de Abril de 1974, uma coluna militar, e que partiu do quartel de Viseu (RI14) com destino a Lisboa. libertou, pelo caminho, os presos políticos do Forte de Peniche, ao mesmo tempo que encarcerou os respectivos guardas prisionais.
Alexandre de Castro
2018 10 12

***«»***
Deixo também aqui o texto necrológio do amigo comum, Joaquim Pereira Silva, em cujo site li a dolorosa notícia e de onde retirei o vídeo com a entrevista do Diamantino (coronel de Infantaria reformado):

"Para que a memória se não apague.
Faleceu hoje o meu grande amigo, Coronel Diamantino Gertrudes da Silva, capitão de Abril.
Pela sua verticalidade, coerência e honestidade intelectual, merece toda a minha gratidão.
Sinto-me honrado pela amizade que sempre me dedicou".

terça-feira, 22 de maio de 2018

António Arnaut: Um homem simples, que deixou uma obra grande...


Foto de Conselho Português para a Paz e Cooperação.


António Arnaut: Um homem simples, 
que deixou uma obra grande...

Deixo aqui, como homenagem, um pequeno texto, que publiquei na minha página do facebook.

"Não fosse a determinação e a coragem de António Arnaut, e, hoje, os portugueses não teriam uma das mais valiosas pérolas de Abril, o Serviço Nacional de Saúde.

Rendo-me à sua verticalidade e honradez, quer como homem, quer como político. Que os actuais militantes do Partido Socialista o tomem como modelo exemplar, para bem de Portugal, aquele Portugal que António Arnaut sonhou e defendeu".

Alexandre de Castro
2018 05 21

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Morreu a escritora Natália Nunes


Morreu a escritora Natália Nunes, autora do romance Assembleia de Mulheres
Ver aqui

***«»***
O tempo passa, a morte avança, mas é sempre difícil aceitarmos a ideia...
Com toda a saudade, a minha homenagem a Natália Nunes.
Alexandre de Castro

2018 02 14

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Morreu Aurélio Santos


Morreu Aurélio Santos

Aurélio Santos foi um exemplo perfeito do intelectual comunista. Dele, guardo a memória do homem discreto e do militante empenhado. Foi o grande obreiro da Rádio Portugal Livre, uma das poucas fontes de informação nacionais fidedignas, antes do 25 de Abril, e que nós ouvíamos, fechados em casa, em tom baixo, e com o ouvido colado ao aparelho, não fosse um esbirro estar a espiar-nos, na rua.

Já são poucos os militantes vivos dessa segunda geração de comunistas, que atravessaram as décadas de cinquenta e sessenta, do século passado, na mais dura clandestinidade. Ao seu trabalho político se deve a infiltração do Partido Comunista no meios universitários, onde agitou o mundo estudantil, através de greves às aulas e das manifestações no espaço das universidades.
A minha homenagem...

Alexandre de Castro
2017 10 02

quinta-feira, 1 de junho de 2017

domingo, 28 de maio de 2017

Morreu o grande jornalista Miguel Urbano Rodrigues



Morreu o grande jornalista Miguel Urbano Rodrigues

Morreu um grande jornalista. Foi através da sua mão que eu me iniciei no jornalismo, escrevendo artigos de opinião para o jornal "o diário", de que foi director.
Era um homem bondoso. Desde a juventude até à sua morte, Miguel Urbano Rodrigues pautou a sua vida pela coerência com ideal comunista.

Era irmão do escritor Urbano Tavares Rodrigues, também já falecido. Miguel Urbano Rodrigues era licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas e, perseguido pelo regime salazarista, viveu exilado, durante muitos anos, e até 25 de Abril de 1974, no Brasil, onde exerceu a profissão de jornalista. Foi ele que fez a reportagem do assalto ao paquete S. Maria, tendo entrevistado Henrique Galvão.
Alexandre de Castro

2017 05 28 

domingo, 19 de março de 2017

Faleceu o Henrique Loureiro


Faleceu o Henrique Loureiro

Morreu o Henrique Loureiro, um antigo colega dos tempos em que frequentámos o Liceu de Lamego. A nossa amizade, que se formou na partilha das salas de aula, na equipa de andebol, em que nos sagrámos campeões distritais, e na cumplicidade das tertúlias, foi reavivada, depois de largos anos de ausência, nas manifestações da MEMÓRIA, promovidas pelos Antigos Alunos do Liceu de Lamego.
O Henrique (o Henrique Boné, e eu não sei qual a origem da alcunha) sempre foi um homem simples, modesto, honesto, generoso, franco e leal, qualidades raras numa só pessoa, e que eram reconhecidas por todos aqueles que com ele conviveram no liceu de Lamego.
Vou ter muitas saudades do Henrique.
Alexandre de Castro
2017 03 19

sábado, 7 de janeiro de 2017

Face ao falecimento do Dr. Mário Soares


NOTA DO SECRETARIADO DO COMITÉ CENTRAL DO PCP

Face ao falecimento do Dr. Mário Soares
7 Janeiro 2017
O Partido Comunista Português, face ao falecimento do Dr. Mário Soares já apresentou directamente ao Partido Socialista e à família as suas condolências.
Mário Soares, fundador do Partido Socialista, seu Secretário-geral, personalidade relevante da vida política nacional, participante no combate à ditadura fascista, no apoio aos presos políticos, desempenhou após o 25 de Abril os mais altos cargos políticos, designadamente como Primeiro-Ministro, como Presidente da República e membro do Conselho de Estado.
Lembrando o seu passado de antifascista, o PCP regista as profundas e conhecidas divergências que marcaram as relações do PCP com o Dr. Mário Soares, designadamente pelo seu papel destacado no combate ao rumo emancipador da Revolução de Abril e às suas conquistas, incluindo a soberania nacional.

Faleceu António Tereso - o herói da fuga do Forte de Caxias, no carro blindado de Salazar



NOTA DO SECRETARIADO DO COMITÉ CENTRAL DO PCP

Faleceu António Tereso
7 Janeiro 2017
O Secretariado do Comité Central do Partido Comunista Português informa com mágoa e tristeza, do falecimento hoje dia 7 de Janeiro aos 89 anos, de António Tereso. Militante comunista que dedicou a sua vida à luta dos trabalhadores e do povo português pela liberdade, pela democracia, pelo socialismo.
António Tereso, começou a trabalhar aos 12 anos, ingressando mais tarde na Carris.
É como operário da Carris e na sequência da luta que em Fevereiro de 1959 foi preso e condenado a dois anos e três meses de prisão.
Na prisão de Caxias desempenha complexo e destacado papel na preparação e concretização da fuga de oito destacados dirigentes e militantes comunistas do Forte de Caxias no carro blindado de Salazar, a 4 de Dezembro de 1961.
Depois da fuga, foi forçado a ingressar na clandestinidade.
Passou depois pela Checoslováquia e por França, onde tirou o curso de torneiro mecânico e aí exerceu essa profissão até ao 25 de Abril de 1974.
Após o 25 de Abril, regressado a Portugal, desempenhou as mais diversas tarefas e responsabilidades no apoio à Direcção do Partido, até quando lhe foi possível fisicamente, antes e após a sua reintegração na Carris.

O corpo de António Tereso estará em câmara ardente na Casa Mortuária da Igreja de S.Francisco de Assis, na Av.Afonso III (ao Alto de S.João) a partir das 10 horas de dia 8 de Janeiro, domingo, saíndo o funeral às 12 horas para o Cemitério de Barcarena onde o corpo será cremado pelas 12h30.
***
A FUGA DE CAXIAS NO CARRO DE SALAZAR

Contada por António Gervásio (dirigente do PCP), um dos fugitivos
A 4 de Dezembro de 1961, em pleno dia – 10 da manhã –, oito destacados militantes comunistas, rompendo a forte segurança policial, fogem com êxito do Forte de Caxias num velho «Mercedes» à prova de bala, oferecido por Hitler ao ditador Salazar.

Recordamos os oito fugitivos: José Magro, Francisco Miguel, Domingos Abrantes, António Gervásio, Guilherme de Carvalho, Ilídio Esteves, Rolando Verdial (todos funcionários do Partido) e António Tereso.

Foi grande o impacto nacional desta fuga. As pessoas ficaram impressionadas: como foi possível, em pleno dia, num pátio interior do forte rodeado de taludes, GNR’s, carcereiros armados e sempre com os olhos postos nos movimentos de cada preso, chegar um automóvel e, num abrir e fechar de olhos, oitos presos desaparecerem sem os guardas terem tempo para compreender o que se estava a passar? É natural que surjam tais interrogações. Sem dúvida que jogou muito o factor surpresa e a rapidez – agir tão rápido que os guardas não tivessem tempo de pensar que se tratava de uma fuga!
Cada fuga tem a sua história. A fuga de Caxias não foi uma realização ao acaso, nem uma aventura. Ela envolve um longo trabalho colectivo (cerca de um ano), paciente, minucioso, um conhecimento profundo de variadíssimos detalhes.

(...) O elevado número de fugas não nos deve levar a pensar que as cadeias fascistas eram calabouços frágeis de onde se podia fugir facilmente. Nada disso! A Pide introduzia constantemente medidas rigorosas de segurança. Quem passou longos anos na cadeia sabe disso.

1. Preparação da fuga
Nos finais da década de 50 o Partido tinha sofrido duros golpes com a prisão de numerosos funcionários. Nessa altura, muitos deles encontravam-se no Forte de Caxias. A Pide temia os funcionários do Partido e tinha razões para isso... A polícia, com receio das fugas, tinha medo de os juntar na mesma sala. Por outro lado, procurava não dividi-los pelas salas dos outros presos para impedir o trabalho de esclarecimento e organização; para não permitir que ensinassem a ler e a escrever e estabelecessem ligações entre salas, pisos e alas, etc.

Contudo, a certa altura, a Pide decidiu distribuir os funcionários do Partido pelas salas dos outros presos. Isso veio possibilitar o reforço das ligações entre salas e pisos e dar passos na direcção da fuga. Não demorou muito que a Pide voltasse de novo a juntar os funcionários numa sala do rés-do-chão que oferecia maior segurança, o que veio facilitar a preparação, uma vez que estavam todos juntos.

Um certo dia soubemos que se encontrava na garagem da cadeia um «Mercedes» à prova de bala. Esta informação teve uma enorme importância para se perspectivar a fuga. Todos os esforços se viraram para o «Mercedes». Era necessário conhecer o estado do carro, repará-lo, arranjar combustível, fazer ensaios. Colocava-se a questão: como chegar ao «Mercedes» sem levantar o mínimo de suspeita? A organização do Partido na cadeia pôs a imaginação a trabalhar. E, como se costuma dizer, para os comunistas as dificuldades só existem para serem vencidas.

2. A história do «rachado»
No Forte de Caxias existiam alguns presos com comportamentos fracos que, a troco de visitas em comum com familiares, apanhar sol, receber comida da família, se dispunham a fazer alguns serviços da cadeia, como limpezas e outros. A esses presos, os outros chamavam-lhes «rachados» (uma coisa que não presta). Estudando esta realidade dos «rachados», a organização do Partido na cadeia avançou com a ideia de arranjar um «rachado» fingido, um quadro sério, corajoso, capaz de assumir tarefas difíceis e arriscadas.

Essa escolha foi cair no camarada Tereso, motorista da Carris, com conhecimentos mecânicos e outras capacidades. Não vamos explicar um conjunto de situações diversas. Dizer só que levou tempo a ganhá-lo para a tarefa, pois ele não aceitava a ideia de ser «rachado» mesmo a fingir. Contudo, sendo uma tarefa do Partido, acabou por aceitá-la. A Pide, desconfiada, demorou tempo a ser convencida.

Uma das tarefas do novo «rachado» era ganhar a confiança dos carcereiros. Começou por arranjar os carros da cadeia, depois os carros do director do Forte e de alguns Pides. A sua credibilidade foi crescendo e passado tempos chegou ao célebre «Mercedes». Estudou-o, foi-o reparando e sacando combustível da cadeia. Com o andar dos tempos começou a fazer experiências, pequenas manobras no pátio do forte, ensaios que foram aumentando.

3. Os passos finais
Passaram-se vários meses. Os dados estavam lançados. As andanças do «Mercedes» eram vistas como normais pela GNR. Os batentes de cimento do portão do exterior estavam devidamente estudados: não iriam resistir ao embate do «Mercedes».

A fuga tinha de realizar-se antes das 10 horas da manhã, porque depois dessa hora chegavam ao portão familiares dos presos para as visitas. Estavam asseguradas medidas para não haver pessoas atrás do portão e era rigorosamente necessário que no dia da fuga os carros da cadeia e da Pide, dentro do forte, estivessem, antes das 9 horas, todos imobilizados, avariados, para não poderem perseguir os fugitivos – medida que também foi assegurada.
Estava definido quais os oito camaradas que iriam participar na fuga. A casa da guarda (GNR) ficava no meio do túnel que dava acesso ao pátio do recreio dos funcionários presos e ao portão do exterior. Junto à casa da guarda havia um gradão de ferro. Havia comandantes que tinham o túnel fechado com o gradão durante o dia, outros tinham-no aberto. No dia da fuga o túnel estava fechado.

Algumas semanas antes da fuga a Pide inventou um estratagema na escala dos recreios no sentido dos funcionários presos nunca saberem o dia e a hora certa do recreio, tudo isto com receio de fuga! Mas, passados alguns dias, descobrimos o segredo pidesco.

Finalmente chegou o dia decisivo. A 4 de Dezembro de 1961, às nove e pouco da manhã, a Pide abre-nos a porta para o recreio. Estávamos um pouco tensos. Alguns de nós pensámos: vamos sair e já não voltaremos!

No recreio iniciámos o nosso jogo tradicional de voleibol que fazia parte de outra jogada... A GNR, nos taludes, observava-nos. No nosso meio circulavam carcereiros armados.

Poucos minutos depois vemos o «Mercedes» conduzido por Tereso subindo em marcha atrás o túnel por onde iríamos fugir. O «Mercedes» chegou até junto de nós. Começámos a «protestar», os guardas muito atentos, aproximámo-nos do carro cujas portas só estavam encostadas – tudo aparentemente sereno mas muito rápido. Ouve-se o grito da senha: GOLO! E num gesto super rápido os oito fugitivos estavam no interior do «Mercedes» que, em grande velocidade, avança pelo túnel em direcção à liberdade. A sentinela não teve sequer tempo de fechar o gradão. O «Mercedes» vai direito ao portão exterior, arranca em primeira, dá uma pancada no portão que salta em pedaços! Ouvem-se tiros de metralhadora. O «Mercedes» arranca encostado ao talude do forte. Chovem tiros e ouvem-se as balas a fazerem ricochete no carro.

Os carcereiros correm em busca dos carros da cadeia, mas, para seu azar, nenhum deles quis mexer-se, estavam todos avariados! Não podiam perseguir os comunistas fugitivos...

Cerca de 10 minutos depois, os oito fugitivos estavam em Lisboa. Cada um seguiu o seu rumo a abraçar as novas tarefas do Partido. O «Mercedes» ficou a descansar na rua Arco do Carvalhão até a Pide o ir buscar...
in «O Militante» - N.º 280 Janeiro /Fevereiro 2006 
***«»***
Nota: Os heróis também morrem... Embora muitos sejam esquecidos...
AC

sábado, 29 de novembro de 2014

Morreu Pilar Vicente.


Pilar Vicente, médica do Hospital de S. José, em Lisboa, vice-presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul e da Comissão Executiva da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), e membro do Comité Central do PCP, morreu ontem, vítima de doença prolongada.
Tive o privilégio de ter como amiga esta mulher extraordinária, que, quer na sua vida profissional, quer na sua intensa atividade política e sindical, revelou sempre uma dedicação inexcedível e uma coragem inabalável. Respeitada e admirada por todos os que melhor a conheceram, era, no entanto, temida por aqueles que, na sua área profissional, abusavam do poder de que estavam investidos. Pilar Vicente estava sempre na linha da frente do combate, em defesa dos direitos dos mais fracos.
Como médica, Pilar Vicente colocava sempre o doente como primeira prioridade da sua ação e, para ela, não havia horários de saída. A dedicação à sua profissão e aos seus doentes era exemplar, e era pelo exemplo que pautava o seu magistério de influência, o que lhe deu um grande prestígio entre os seus pares e fez crescer um amplo e generalizado reconhecimento de gratidão entre os seus doentes. De uma integridade absoluta, e colocando todo o seu empenho na praxis, Pilar Vicente era, ao mesmo tempo, uma mulher de convicções fortes e de ideais consolidados.
Perdi uma grande amiga…
...
Adeus, Pilar Vicente. Fico recolhido no meu silêncio, que já é saudade, contendo as lágrimas da dor que sinto. 
***
Nota: Pilar Vicente publicou um texto neste blogue.

sábado, 21 de junho de 2014

Morreu Jaime Gralheiro -advogado e dramaturgo (1930 - 2014)

Imagem retirada do blogue CONVERSA AVINAGRADA

Privei com Jaime Gralheiro, em Viseu, no início dos anos sessenta do século passado e interpretei uma das personagens de uma peça de teatro, da sua autoria, que ele encenou, e que marcou o início da aventura (na época muito perigosa, porque incomodava os corifeus do regime) de encontrar um meio libertador, numa cidade amarrada à castradora ideologia dominante.
Foi com muita tristeza que recebi a notícia da sua morte.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Pantera Negra...


Foi do grande jornalista desportivo, Fernando Correia, que ouvi o mais digno e empolgante elogio a Eusébio, a sobressair das muitas banalidades e baboseiras, vertidas para os ecrãs televisivos. Disse Fernando Correia: "Esta homenagem no Estádio da Luz não é para chorar a morte de Eusébio. É para celebrar a sua imortalidade!". E foi, digo eu. Foi um cenário de "festa", que só a morte dos grandes HOMENS merece. E Eusébio, a Pérola Negra, como eu lhe chamo, já é uma lenda do Futebol. Até sempre, Eusébio!...
...
A propósito da morte do Pantera Negra, escrevi a uma amiga o seguinte:  E julgo, Silvia Fontes, que ocorreu em Portugal um fenómeno de catarse coletiva, com as pessoas, mesmo as indiferentes ao fenómeno futebolístico, a projetarem na morte de Eusébio os recalcamentos e as angústias que esta crise avassaladora está a provocar em Portugal.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Escritores: Morreu Urbano Tavares Rodrigues

Urbano Tavares Rodrigues, quando novo

Morreu hoje o escritor e professor universitário Urbano Tavares Rodrigues, de 89 anos, confirmou ao DN a sua editora, a Dom Quixote.
A notícia foi dada pela filha, Isabel Fraga, na página de Facebook "Urbano Tavares Rodrigues - escritor", onde escreveu esta manhã: "O meu pai acaba de nos deixar. Estava internado nos capuchos há 3 dias. Não tenho mais informações. Soube agora mesmo".
Catedrático jubilado da Faculdade de Letras de Lisboa, membro da Academia das Ciências, tem uma obra literária e ensaística muito vasta e traduzida em inúmeros idiomas, do francês e do espanhol ao russo e ao chinês. Obteve diversos prémios, entre eles o de Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, o prémio Fernando Namora, o Ricardo Malheiros da Academia das Ciências.
Entre os seus livros, destaque para 'A Noite Roxa', 'Bastardos do Sol', 'Os Insubmissos', 'Imitação da Felicidade', 'Fuga Imóvel', 'Violeta e a Noite', 'O Supremo Interdito', 'Nunca Diremos Quem Sois' ou 'A Estação Dourada'.
Urbano Tavares Rodrigues, que foi afastado do ensino universitário durante as ditaduras de Salazar e Caetano, participou activamente na resistência. Impedido de leccionar em Portugal, foi leitor de português nas universidades de Montpellier, Aix e Paris entre os anos de 1949 e 1955. E foi preso por várias vezes nos anos sessenta.
Doutorou-se em 1984 em Literatura com uma tese sobre a obra de Manuel Teixeira Gomes.

***«»***
Urbano Tavares Rodrigues foi um escritor que me marcou muito, na minha juventude. Ligado ao neo-realismo, nas suas primeiras obras, e influenciado pela mundividência cultural de Paris, onde se exilou, como refugiado político, Urbano Tavares Rodrigues depressa assimilou a corrente literária do existencialismo de Sarte e de Camus, autores que também foram para mim uma referência. Uma Pedrada no Charco é um romance notável, com Urbano Tavares Rodrigues a exibir o fulgor da sua criatividade ficcional e o seu abrangente Humanismo. Morreu sem que lhe fosse atribuído o Prémio Camões, para ao qual chegou a ser proposto, há uns anos, e que ele desejava. Um júri fundamentalista, no seu fervor anticomunista, roubou-lhe essa glória merecida e justa, atribuindo-o a um outro escritor de menor craveira. Mas o seu nome na História da Literatura Portuguesa ninguém o poderá apagar, onde figurará como o primeiro escritor a fazer a ponte entre o neo-realismo, já em decadência, e as novas correntes literárias, surgidas na década de sessenta do século passado. Foi um escritor geracional, um escritor de uma geração, que foi a minha. Tenho uma saudade imensa de Urbano Tavares Rodrigues.

sábado, 20 de outubro de 2012

Homenagem ao poeta Manuel António Pina.

Manuel António Pina (1943-2012)

ESPLANADA

Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

Agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.

O café agora é um banco, tu professora do liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.
Manuel António Pina

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Morreu Luiz Goes, a voz do fado de Coimbra

**
A morte vai ceifando os ícones da minha geração, aqueles que, pela sua arte, pela sua inteligência e pela sua frontal postura cívica povoaram o meu imaginário. Agora, foi a vez de Luís Góis, que eu conheci nos finais da década de sessenta do século passado. Vão morrendo, um a um, e, para meu desespero, parece-me que não deixam herdeiros, que também transportem para o futuro as bandeiras da esperança dos sonhos redentores. 

terça-feira, 1 de março de 2011

Morreu Jane Russel

Jane Russell Tribute
*
Morreu Jane Russel, um dos sex symbols de Hollywood durante as décadas de 1940 e 1950. A sua fama cresceu, mesmo antes de a sua imagem chegar aos ecrãs. A puritana censura norte- americana reteve durante três meses a exibição do seu filme "The Outlaw", em que ela aparecia num palheiro com um decote "vertiginoso", um tempo suficiente e uma imagem idealizada apelativa, para alimentar o imaginário sensual de milhões de homens. Quando o filme começou a ser exibido, Jane Russel, cujo seu maior atributo artístico eram as curvas ousadas do seu corpo, já era uma consagrada vedeta do cinema.
Fez parte daquela geração de artistas cinematográficas, tal como Marilyn Monroe, com quem contracenou em “Os Homens Preferem as Loiras”, que contribuiu para a construção da idade de ouro do cinema de Hollywood, onde também a banalidade e a superficialidade das frívolas comédias musicais, em que Jane Russel participou, alcançaram uma invulgar popularidade em todo o mundo.
De qualquer maneira, a morte de Jane Russel simboliza uma época histórica do cinema, que não pode ser ignorada.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Morreu Vítor Alves, o capitão "diplomata" do 25 de Abril


O antigo capitão de Abril Vítor Alves morreu esta madrugada, no Hospital Militar, em Lisboa, aos 75 anos, vítima de cancro.
PÚBLICO
***
Morreu Vítor Alves. Sempre que morre um capitão de Abril, fica-nos aquela inquietação subterrânea de que é o próprio espírito da revolução dos cravos, que tanto emocionou o mundo, a esmorecer na sociedade portuguesa. Mas a História, que ainda irá escrever-se, vai repor na galeria das personalidades mais ilustres aqueles capitães que devolveram a liberdade e a dignidade ao povo português.
Vítor Alves foi o homem que redigiu a parte política do Programa do MFA. Impôs-se sempre pela sua inteligência e moderação, atributos que se revelaram muito úteis nos momentos mais conturbados do período revolucionário, principalmente quando as fracturas político-partidárias nas Forças Armadas ameaçavam a unidade do movimento militar.
Alexandre de Castro
***
Vítor Manuel Alves nasceu em 30 de Setembro de 1935, em Mafra.
Participou activamente no movimento de protesto contra o “Congresso dos Combatentes”, entre Abril e Junho de 1973.
Embora ao corrente da evolução do Movimento dos Capitães só em Setembro de 1973 participa numa reunião.
Em 24 de Novembro de 1973 dirige pela primeira vez uma reunião do Movimento nas imediações da Colónia Balnear Infantil “O Século”.
A 1 de Dezembro de 1973, em Óbidos, foi eleito para a primeira Comissão Coordenadora e Executiva do Movimento, encarregada de preparar o que viria a ser o 25 de Abril.
A 5 de Dezembro de 1973, na Costa da Caparica, foi eleita a Direcção do Movimento formada por si próprio, Otelo e Vasco Gonçalves. Ficou encarregado da ligação com os outros Ramos das Forças Armadas e da coordenação da elaboração do Programa do MFA, isto é, da parte política.
Em 5 de Fevereiro e 5 de Março de 1974 dirige as reuniões em casa do coronel Marcelino Marques e em Cascais, respectivamente, que foram cruciais no aspecto político do Movimento.
Depois do “exílio” de Vasco Lourenço para os Açores em Março de 1974, passou a assegurar com Otelo a coordenação militar, ao mesmo tempo que continuava a encarregar-se da coordenação política do Movimento, designadamente a discussão e redacção do Programa e da Plataforma e sua negociação não só com os outros Ramos mas também com os Generais Spínola e Costa Gomes.
Para além do já referido, coube-lhe negociar adesões, garantir a neutralidade dos outros Ramos, negociar o ritmo garantindo que nada se faria sem um claro quadro positivo (Programa), coordenar a escolha de personalidades militares, para além dos Generais Costa Gomes e Spínola, coordenar a escolha de civis para cargos políticos e propor o exílio imediato e sem julgamento do Presidente da República, Presidente do Conselho de Ministros e outros membros do governo que os quisessem acompanhar.
No dia 25 de Abril de 1974 foi o responsável pelo comunicado à população divulgado pelo MFA e substituiu Otelo, a partir das 16 horas, no posto de comando da Pontinha, passando a coordenar o desenvolvimento da acção.
Na noite de 25 de Abril e madrugada de 26 renegociou o Programa do MFA com os membros da Junta de Salvação Nacional, a pedido destes.
Na manhã de 26 de Abril de 1974 apresentou, pela primeira vez a Portugal e ao mundo, o Programa do MFA.
Após o 25 de Abril foi porta-voz do MFA, integrou a primeira Comissão Coordenadora, foi membro do Conselho de Estado, do Conselho dos Vinte e do Conselho da Revolução.
Foi membro do Grupo dos Nove, um dos nove militares signatários do Documento dos Nove, em 1975.
Desde 29 de Junho de 1979, até final, foi porta-voz do Conselho da Revolução.
In HIST9ALFANDEGA

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Morreu Malangatana





***

Um Poema de Malangatana

A coruja agoira-me
e diz-me que nunca chegarei
além onde o desejo me leva
e assim evapora-se o sonho;
O tambor foi tocado
na noite densa do feitiço
enquanto Kokwana Muhlonga
apitava o Kulungwana mortal;
Na noite sem estrelas
dois gatos pretos iluminaram
a cabana da Kokwana Hehlise
que morreu depois dos gatos terem miado.
Eu lutando comigo só
é impossível vencer as ondas
que feitiçeiramente me esboçam
as corujas, gatos e tambores.

***
Malangatana. o Picasso africano, deixou-nos uma obra pictórica invulgar. Nasceu pobre e conheceu a humilhação do homem colonizado, mas foram precisamente dois colonos inteligentes e cultos que lhe deram a mão, ainda ele era um adolescente. A sua primera exposição individual na antiga Lourenço Marques foi um sucesso. Mas isso não impediu a sua prisão pela PIDE, por suspeita da sua ligação à FRELIMO. Foi libertado passados 18 meses, devido à impossibilidade de se poder avançar com uma acusação fundamentada, por falta de provas.
Verdadeiro autodidacta, soube incorporar tudo aquilo que veio a aprender em Portugal e no mundo. De Moçambique trouxe agarrado ao pincel a memória da sua infância. Os seus quadros reflectem as vivências da sua aldeia, nas cores e nas formas das personagens que retratou. Maioritariamente, os seus quadros privilegiam o grupo, que aparece unido com se fosse um corpo único, e onde sobressaiem, a traço grosso e a negro, as arcadas supraciliares, os olhos fundos e brilhantes e os lábios pronunciados de homens e mulhers, animados por um movimento colectivo que se advinha. A cubata, os feitiços, os amuletos, os falos, as lendas da selva, o batuque e as cores intensas de África são uma constante no obra de Malangatana, que teve o privilégio de ver reconhecido em vida o seu enorme talento.
Morreu um grande pintor, morreu um amigo do povo português.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Correia dos Santos: Morreu o último violino do hóquei em patins

Fotografia do Correio da Manhã

Fotografia de A Bola

Era o tempo em que meio Portugal colava o ouvido ao aparelho de rádio de válvulas (o outro meio não tinha o luxo de captar as ondas hertezianas) para ouvir os famosos relatos dos campeonatos do mundo ou da Europa em hóquei patins. Mas era todo um Portugal que vibrava com a magia dos cinco violinos, cujos nomes eu nunca mais esqueci, por tanto os citar nos meus relatos de fantásticos jogos imaginários: Emídio Pinto, Edgar, António Raio, Jesus Correia e Correia dos Santos. Correia dos Santos foi o último morrer. Morreu hoje aos 84 anos, e com a sua morte também morre um pedaço daquela minha alegria da minha infância, que se manifestava quando Portugal marcava um golo ou quando se sagrava campeão.

O hóquei patins era a única modalidade desportiva que puxava o lustro ao orgulho dos portugueses, e que se extremava quando derrotávamos a Espanha. Nas outras modalidades, Portugal, apenas ganhava moralmente, o que valia zero pontos.

Presto aqui a minha sentida homenagem a Correia dos Santos.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/morre-ultimo-violino-do-hoquei
http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=237989