domingo, 30 de abril de 2017

O que é ser europeu? E como vai a grandeza da Pátria?


O que é ser europeu?

A propósito da minha publicação sobre o inquérito do Eurobarómetro, em que se pretendia medir o grau de aceitação, pelos cidadãos, dos conceitos da integração política, económica e financeira [a integração militar já vem a caminho], da Europa, uma amiga, a Helena Viegas interpelou-me, muito justamente, com a pergunta: O que é ser europeu?

Respondi assim:

Historicamente, a Europa sempre foi um continente de povos e nações. Ao longo dos séculos, nem sequer se criou uma língua comum. Cada povo europeu tem a sua língua e a sua própria identidade. O insucesso e o fracasso foram os resultados obtidos por Napoleão e por Hitler, quando pretenderam unificar a Europa, pela força. É impossível unificar a Europa.

Por outro lado, eu não sei em concreto o que é ser europeu, para além do conceito geográfico e dos efeitos de proximidade no processo histórico.

Ser europeu será ter sonhos eróticos com a senhora Merkel? É ter vontade de contratar, a recibos verdes, o presidente francês, François Holland, para uma parelha de palhaços de circo?

Eu não sei, querida amiga, o que é ser europeu. Francamente, não sei. Apenas sei que sou português, por nascimento e por cultura, cultura que não renego, e que a UE é uma grande burla, tão maligna como a burla das religiões, a cargo de eclesiásticos sem escrúpulos, incluindo os Papas.

***
E assim vai a grandeza da Pátria

Também sei que o nosso futuro não é a Europa política e económica, que está a ser construída, e que de ideia falhada passou à condição de facto histórico falhado, isto na persctiva que deveria ser a dos países pobres europeus, porque na visão dos seus pioneiros (Plano Shuman) havia a intenção de formar um mercado único europeu, iniciado por um mercado único europeu do carvão e do aço, ocultamente protegido da livre concorrência das economias dos EUA e da Grã-Bretanha, e que servisse de âncora às economias da França e da Alemanha, e, subsidiariamente, às economias da Bélgica, do Luxemburgo, da Holanda e da Itália, a que se seguiu a constituição da Comunidade Económica Europeia, que começou a integrar os restantes países europeus, menos desenvolvidos.

O objectivo foi sempre a economia. Para dinamizarem as compras às indústrias pesadas dos países ricos, foi necessário avançar com os fundos europeus, para os quais todos os países membros contribuíam e todos os países recebiam, de acordo com a proporcionalidade da sua riqueza. Os grandes beneficiários foram os países ricos, que condicionaram o mercado e adaptaram as ajudas comunitárias aos perfis das suas economias, que tiveram, assim, um grande impulso.

Ganha a frente comercial, baseada nos factores produtivos (indústria pesada e indústria ligeira), e para ganharem novas mais-valias, a Alemanha e a França abriram uma nova frente de negócio, a frente financeira, baseada na especulação imobiliária, e tudo isto em nome da solidariedade europeia. Os bancos desses dois países hegemónicos começaram a aliciar os bancos dos países da periferia, onde estava Portugal, para dinamizarem nos seus países, através de empréstimos aos potenciais clientes (a classe média), a juros baixos, o mercado da compra de habitação própria. Aparentemente, foi um sucesso. Nunca os países do sul tiveram tanto dinheiro. Nos arredores das grandes cidaddes, as casas cresceram como cogumelos e novos bairros surgiam, a ilustrar os benefícios da Europa unida e fraterna. Para o cidadão-tipo, incorporado na classe média renovada, ter casa própria era um sonho de uma vida e de um projecto. E assim se compreende a sucessão de governos, religiosamente adeptos do europeísmo. Pudera! O dinheiro era tanto que até dava para os operadores da pujante indústria da construção civil - que, num ápice, apareceram a construir casas, auto-estradas, estradas, pontes e até dois estádios, que não servem para nada – corromperem autarcas, funcionários superiores dos ministérios, ministros e até, segundo se julga, um primeiro-ministro.

O pior veio depois. Um cenário previsível para a alta finança e para os governantes da época, os dos países credores e os dos países devedores, que, agora, não podem reclamar a sua inocência. Bastava-lhas ter ouvido os avisos constantes do PCP e de muitos economistas, de consciência honesta, para terem procedido com moderação, na forma como o país estava a endividar-se.

O que veio a seguir já é recente, e seria redundante estar a qui a fazer-lhe uma referência: uma crise profunda, o espectro da bancarrota, a bárbara assistência técnica da troika, com o seu modelo clássico de cortar nos rendimentos do trabalho para salvar os rendimentos do capital, a falência financeira das famílias, que ficaram sem casa e sem o dinheiro das amortizações, já efectuadas, o aumento do desemprego, principalmente o desemprego dos mais jovens, que ficarão conhecidos na História como membros da Geração Perdida, aumento vertiginoso da criminalidade, devido à pobreza, empobrecimento dos pensionistas e reformados, que viram os seus subsídios diminuídos, por ordem da troika, que o PS, PSD e CDS aclamaram como salvadora da Pátria, cortes no Serviço Nacional de Saúde e na Educação, etc…etc…etc…

E assim vai a grandeza da Pátria…

Alexandre de Castro  
2017 04 

sábado, 29 de abril de 2017

As respostas dos inquiridos no âmbito dos inquéritos do Eurobarómetro reproduzem a informação dada pela comunicação social alinhada com o sistema.


As respostas dos inquiridos no âmbito dos inquéritos do Eurobarómetro reproduzem a informação dada pela comunicação social alinhada com o sistema.

O Eurobarómetro do Parlamento Europeu publicado ontem revela que os valores de confiança dos europeus em relação à UE são semelhantes aos registados antes da crise de 2007 no que respeita aos benefícios de pertencer à família europeia.
O Jornal Económico
***«»***
Ao ler os resultados do inquérito do Eurubarómetro, chego a uma única conclusão: Os inquiridos reproduzem milimetricamente o que lêem nos jornais e o que vêem e ouvem nas televisões. E como os meios de comunicação social apenas ampliam e dão eco aos políticos e aos comentadores alinhados com o sistema de pensamento único, em vigor, é, naturalmente, com esse pensamento único que os inquiridos se identificam, porque não existe, devido a condicionalismos de ordem financeira, uma informação independente. Há pois aqui, através de um condicionamento da informação, um claro reflexo social pavloviano.

Por outro lado, até porque não temos acesso à matriz do inquérito (que os russos e os chineses poderiam roubar), não sabemos a forma como são apresentadas as perguntas aos inquiridos, já que (e isto eu sei) existem várias maneiras habilidosas de condicionar as respostas, num determinado sentido.
Alexandre de Castro
2017 04 29

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Raízes - "Boiada" _ Uma Nota sobre etnografia



BOIADA

(MINHO)

Labra boi e torna a labrar
Pedei ao Senhor que nos benha ajudar
Ei ei ei boi a labrar ei
Ei boi a labrar
Ei, ei

Que dais a quem os bai ver
Ó Senhora do Alibio
Que dais a quem bos bai ber
Bom terreiro p’ra dançar
Água fresca p’ra beber
Ó Senhora do Alibio
Que dais a quem bos bai ber

Senhora tão pequenina
Ó Senhora do Alíbio
Senhora tão pequenina
Comadre da minha mãe
Senhora minha madrinha
Ó Senhora do Alíbio
Senhora tão pequenina

Labra boi labra por trás da capela
Pica e repica na baca amarela
Ei ei ei boi labrar ei
Ei boi a labrar
Ei, ei

Tudo é caminho e chão
P’ra Senhora do Alíbio
Tudo é caminho e chão
Tudo são crabos e rosas
“Prantados” por minha mão
P’ra Senhora do Alíbio
Tudo é caminho e chão

O bosso mosteiro cheira
Ó Senhora do Alíbio
O bosso mosteiro cheira
Cheira a crabo cheira a rosa
Ao botão de laranjeira
Ó Senhora do Alíbio
O bosso mosteiro cheira

Labra boi labra por trás do arado
O nosso labrador
Merece um cigarro
Ei ei ei a labrar ei
Ei boi a labrar
Ei, ei

Eu já estou alibiado
Ó Senhora do Alíbio
Eu já estou alibiado
Duma fala que me deste
Eu fiquei desenganado
Ó Senhora do Alíbio
Eu já estou alibiado

In Raízes G. A. C.

***«»***
Eu não sei em que estado se encontra o trabalho de uma recolha sistematizada do património imaterial português. Também não sei se o Ministério da Cultura dedica a devida atenção à investigação, recolha, tratamento e divulgação do imenso material etnográfico que ainda existe nos territórios, geograficamente mais profundos, do país, e que, com a desertificação humana e com a penetração dos meios audiovisuais e das novas tecnologias, está ameaçado de extinção. Falta-me também informação sobre a investigação académica das universidades, que ministram cursos de Antropologia Social, e se essa investigação está articulada com planos consistentes, já existentes, ou se se remetem, de uma forma elitista, ao mundo fechado dos seus saberes, obedecendo mais aos seus interesses institucionais e voluntaristas.

O que sei é que, num trabalho desta importância e envergadura, é necessária uma colaboração dos vários agentes culturais, não ignorando as iniciativas locais e particulares, que não podem ser excluídas.

Um plano central do Ministério da Cultura, negociado entre todos os vários agentes, vocacionados para esta área do conhecimento, é necessário. Um plano central, metodicamente bem organizado e bem estruturado, em relação aos objectivos, aos meios materiais necessários, ao financiamento justo e equilibrado, e ao controle da execução e dos resultados. Tem de ser um plano rigoroso, mas que não seja asfixiante, com os excessos de burocracias paralisantes e que permita e estimule as capacidades de iniciativa e de criatividade dos agentes culturais locais. Apenas um exemplo para explicitar melhor esta última ideia. Se num determinado lugar do país, ignorado ou esquecido pelos poderes centrais institucionais, pretender-se revigorar aspectos do seu património imaterial, o plano deve contemplar, de uma forma aberta, a deslocação de personalidades académicas que possam dar o seu contributo científico.

E as escolas? Que eu saiba (e eu sei pouco) não existem nos currículos escolares referências ao estudo elementar sobre o património cultural imaterial, pois o ensino está inteiramente vocacionado para o conhecimento utilitarista.
Se Portugal continuar a perder este riquíssimo património, ficará mais pobre, porque perderá a sua memória. E para saber quem somos, devemos saber de onde viemos e como viemos.

Estou a falar de cultura e não de adereços culturais, para mostrar aos turistas. Não estou a falar de futebol, que já parece ser um desígnio nacional, para mostrar lá fora que também somos grandes. Por estas vias enviesadas, o melhor que podemos ser, é grandes anões. 

Alexandre de Castro
2017 04 27

NO 80º ANIVERSÁRIO DO BOMBARDEAMENTO DE GUERNICA (2ªª Parte) _ Poema de Alexandre de Castro

Painel "Guernica" (1937), de Pablo Picasso. Obra constante 
no Museu Reina Sofia, em Madri, Espanha. 
Fotografia: Museu Reina Sofia.


NO 80º ANIVERSÁRIO DO BOMBARDEAMENTO DA CIDADE BASCA DE GUERNICA (2ªª Parte)
(Homenagem do Alpendre da Lua)

GUERNICA

O dedo negro e adunco da facínora mão
traçou num sujo mapa as coordenadas da morte...
Condenou um povo à sua sorte !...

E a Besta, na espessura grotesca do seu porte,
escoucinhando o ar,
espumando baba, sangue e raiva,
decretando a celerada lei
pela Humanidade proscrita,
deu um berro descomunal
e disse:
- Matai a Liberdade!... Aqui!... Em Guernica !...

A Besta hedionda,
fúria encastelada de ventos mortais,
vomitando fogo, ferro e aço,
espectro gigante de asas negras esvoaçando,
riscou, sinistra, o espaço...

No céu azul daquela tarde adormecida
a aventesma apareceu...
Um povo do mundo ignorado,
desassossegado e aflito,
de medo e espanto trespassado,
morreu!...

Debaixo dos escombros sucumbiu...
Sepultado nas crateras que o fogo abriu...

Alexandre de Castro

Lisboa, Fevereiro de 1985


Publicado na Revista  Seara Nova (Nº 10 FEV/MAR 1987)


***«»***
Guernica  [Tradução em castelhano]

El dedo negro y curvo de la facinerosa mano
ha trazado en un sucio mapa las coordenadas de la muerte...
¡Ha condenado a un pueblo a su suerte...!

Y la Bestia, en la espesura grotesca de su porte,
coceando el aire,
espumando baba, sangre y rabia,
decretando la perversa ley
por la Humanidad proscrita,
ha dado un grito descomunal
y ha dicho:
-¡Matad a la Libertad...! ¡Aquí...! ¡En Guernica...!

La Bestia hedionda,
furia amurallada de vientos mortales,
vomitando fuego, acero y hierro,
espectro gigante de alas negras revoloteando,
ha rasgado, siniestra, el espacio...

En el cielo azul de aquella tarde adormecida
ha aparecido el monstruo...
Un pueblo del mundo ignorado,
angustiado y abatido,
de miedo y espanto traspasado,
ha muerto...!

Ha sucumbido bajo los escombros...
Sepultado en los cráteres que el fuego ha abierto...

Alexandre de Castro


Tradução de: Maria Alonso Seisdedos 

***«»***

GUERNICA  [Tradução em italiano]


Il dito negro e adunco della  facinorosa mano
Ha tracciato in una sporca mappa le coordinate della Morte!...
… Há condennato il popolo alla sua sorte!...

E la Bestia, nello spessore grottesco del suo portamento
Scalciando l’aria
Spumeggiando bava, sangue e rabbia,
Decretando la scellerata Legge
Por l´Umanitá proscritta,
Emise um insolito grido
E disse:
- Uccidete la libertá! Qui! A Guernica!...

La Besta immonda,
Furia incastellata di venti mortali
Vomitando fuoco, ferro e accialo
Spettro gigante di nere ali svolazzando,
Raschió, sinistra, lo spazio.

Nel cielo negro della notte senza luna
Il terrore é apparso…
Un popolo, dal mondo ignorato
Inquieto e afflito
Di paura e spavento trapassato,
È morto…

Sotto le macerie soccombe
Sepolto nel crateri che il fuoco há aperto…

Alexandre de Castro

Lisboa, Febbraio 1985



quarta-feira, 26 de abril de 2017

NO 80º ANIVERSÁRIO DO BOMBARDEAMENTO DE GUERNICA -1ª Parte

Painel "Guernica" (1937), de Pablo Picasso. Obra constante 
no Museu Reina Sofia, em Madri, Espanha. 
Fotografia: Museu Reina Sofia.

NO 80º ANIVERSÁRIO DO BOMBARDEAMENTO DA CIDADE BASCA DE GUERNICA (1ª Parte)
(Homenagem do Alpendre da Lua)

A TRISTE HISTÓRIA DE GUERNICA, A OBRA-PRIMA DE PABLO PICASSO *


Conta-se que durante a ocupação da França pelas forças nazis alemãs, na Segunda Guerra Mundial, um oficial alemão, diante de uma réplica do painel Guernica, teria perguntado a Picasso se teria sido ele o autor do famoso e trágico painel, ao que, rapidamente, Picasso respondeu: "Não, foram vocês!".

Em Janeiro de 1937, o governo espanhol pediu a Picasso que criasse uma obra para figurar no pavilhão da Espanha, na Exposição Internacional de Paris, o que viria a aconteceria em Junho. Ao que parece, Picasso não atravessava os seus dias mais criativos, mas, tragicamente, tudo mudou quando recebeu notícias de um terrível bombardeio ocorrido na Espanha.

No dia 26 de Abril de 1937 [faz hoje 80 anos], a cidade basca de Guernica havia sido arrasada por aviões da Alemanha nazi, que testavam os seus novos equipamentos bélicos. Profundamente comovido pelas fotografias dos jornais, que estampavam um trágico horror, Picasso decidiu traduzir na tela o seu sentimento de repulsa à guerra e o da esperança na paz e no progresso.
Trancado no seu atelier, durante um mês, e estimulado pelas tristes imagens que dispunha em mãos, materializou e expôs, em 4 de Junho, aquilo que se tornaria a sua obra-prima: O painel de Guernica — posteriormente considerado um acertado e preciso prognóstico do que iria acontecer durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Conta-se, embora não se tenha certeza, que durante a ocupação da França pelos nazis alemães, na Segunda Guerra Mundial, um oficial alemão, diante de uma réplica do painel, teria perguntado a Picasso se teria sido ele o autor do famoso e trágico painel, ao que, rapidamente, Picasso respondeu: "Não, foram vocês!".

A cidade de Guernica era pequena, mas amplamente simbólica para o antigo povo basco. O ataque teria matado pelo menos 200 pessoas, mas o número de vítimas mortais foi, possivelmente superior a mil. Guernica tinha apenas 6 mil habitantes, na época.

Naqueles anos, o país de Picasso vivia a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) — travada pelos nacionalistas do general Franco (apoiados pela Alemanha nazi), contra o governo republicano do socialista Caballero (apoiado pela União Soviética). Com a superioridade bélica alemã, consubstanciada na Legião Condor, Franco ascendeu ao poder, em Espanha.

A cidadela foi bombardeada por dois motivos: o general Franco teria desejado humilhar os bascos, sob o pretexto de eles terem dado abrigo a algumas tropas inimigas, já vencidas; e, para os nazis alemães, o bombardeamento foi apenas um teste de novas armas, orquestrado por Wolfram Von Richthofen (primo do lendário Barão Vermelho). "Hermann Goering, comandante da Luftwaffe (a força aérea alemã), revelou em 1946, durante julgamento no Tribunal de Nuremberg, que Guernica foi um estupendo laboratório para ensaiar sistemas de bombardeamento com projécteis explosivos e incendiários, numa cidade aberta. O resultado da mórbida experiência tornou-se o episódio mais lembrado da Guerra Civil." (TRACCO, 2007, p. 47)

Quando a Segunda Guerra Mundial deflagrou, em 1 de Setembro de 1939, o painel foi enviado aos Estados Unidos da América para que fosse protegido e, tendo Picasso exigido, que aquela sua obra nunca deveria regressar a Espanha, enquanto Franco estivesse vivo. O déspota morreu em 1975 e a obra-prima, então, regressou, em1981, à sua casa definitiva, Museu Reina Sofia, em Madrid.

·         Texto originalmente publicado no Museu de Imagens.
© obvious obvious:

[Texto adaptado ao português de Portugal pelo administrador do Alpendre da Lua]

***«»***

O que significa o Quadro Guernica de Pablo Picasso **

O Quadro Guernica de Pablo Picasso é uma das mais famosas pinturas do artista espanhol e uma das mais conhecidas do cubismo. Esta obra de arte revela os efeitos provocados da guerra na população de uma cidade.

Picasso inspirou-se no bombardeamento da cidade Guernica, desencadeado no dia 26 de Abril de 1937. Nesse dia, aviões alemães da Legião Condor destruíram quase completamente a cidade espanhola. Guernica (ou Gernika em basco) é uma cidade da província da Biscaia, localizada na comunidade autónoma do País Basco.

Por este motivo, este quadro tem também um significado político e funciona como uma crítica à devastação causada pelas forças nazis alemãs, aliadas ao ditador espanhol Franco. Outra possível interpretação indica que o quadro Guernica funciona como um símbolo da paz ou da anti-guerra.

Depois de terminado (demorou aproximadamente um mês a ser terminado), o quadro fez uma digressão pelo mundo, tendo ficado internacionalmente consagrado, e conseguindo atrair a atenção para o drama da Guerra Civil Espanhola.

Com o início da Guerra Civil Espanhola (em 1936), o falecimento de sua mãe, em 1939, e o princípio da Segunda Guerra Mundial, Picasso passou por uma fase depressiva. Algumas das suas obras, criadas nessa altura, revelam o seu estado de espírito mais atormentado, como se poderá ver, por exemplo, no quadro Guernica e na série de "Dona Maar".

Quando deflagrou a Segunda Guerra Mundial, Picasso resolveu emprestar a sua pintura ao Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA), onde esteve até 1981, ano em que regressou a Espanha.

Guernica é uma pintura a óleo sobre tela, de grandes dimensões, com 7.76 metros de comprimento e 3.49 metros de altura. Actualmente, esta pintura está exposta em Madrid, no Museu Reina Sofia.

Análise do quadro Guernica

O contexto histórico é essencial para interpretar esta pintura. Naquela altura, finais dos anos trinta, do século passado, a Espanha vivia um conflito entre as forças Republicanas e os Nacionalistas liderados pelo General Francisco Franco. Os Nacionalistas contaram com o apoio do exército nazi, e autorizaram os alemães a bombardearem Guernica, como forma de testarem novas armas e novas táticas de guerra, que viriam a ser usadas mais tarde na Segunda Guerra Mundial.

Depois do ataque destruidor, Pablo Picasso - que residia em França - estava a trabalhar numa obra para apresentar numa Exibição em Paris a pedido do Governo Republicano Espanhol, mas decidiu abandonar a sua ideia original, para criar uma obra relacionada com o ataque em Guernica.

Cores

O preto e o branco foram as cores escolhidas pelo o autor, e que servem para intensificar a sensação de drama causado pelo bombardeamento.

Composição

Esta é uma obra cubista, pois inclui figuras geometricamente decompostas, usando elementos surrealistas e técnicas que seriam associadas ao cubismo.

O cavalo e o touro são dois dos elementos mais destacados do quadro, sendo elementos muito populares na cultura espanhola. Uma possível interpretação é que este bombardeamento selvagem representa um ataque à cultura espanhola, uma tentativa de destruir os ideais defendidos pelos cidadãos espanhóis.

Além disso, também é possível ver o horror causado em seres humanos, com um soldado morto, no chão, uma mãe que chora a morte do filho morto nos seus braços (esquerda do quadro), uma mulher em desespero, enquanto a sua casa é destruída pelas chamas (direita do quadro), uma mulher com a perna ferida, que tenta fugir de todo o caos provocado (no centro da pintura) e uma mulher com um lampião, que parece iluminar o resto dos elementos (no centro do quadro).

Alguns elementos parecem ter, dentro de si, algo escrito, como se fossem formados por folhas de jornal. Isso indica a origem da informação que chega ao pintor, sobre o ataque ocorrido em Guernica.

A espada quebrada representa a derrota do povo, que foi quebrado pelos seus opositores, enquanto os edifícios em chamas indicam a destruição não apenas em Guernica, mas a destruição causada pela Guerra Civil.

** Página da internet Significados

[Texto adaptado ao português de Portugal pelo administrador do Alpendre da Lua]

Ver também em Abril de Novo Magazine
2017 04 26

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O 25 DE ABRIL DE 1974 - 100 FOTOGRAFIAS


Amabilidade do João Fráguas

O 25 de Abril já não pode nem deve ser celebrado, como se de uma peça de museu se tratasse. Se ele é uma relíquia, das mais valiosas, da nossa História, que mobilizou um povo inteiro, como nunca antes se tinha visto, também é certo que se constituiu num desígnio nacional para moldar o futuro, partindo de um novo paradigma, de que em Portugal nunca mais poderia ocorrer a negação das liberdades cívicas fundamentais nem permitir a existência de regimes que promovessem a exploração do povo trabalhador e agravassem as desigualdades sociais e económicas.

Se as liberdades e os direitos fundamentais estão garantidos, devido à armadura constitucional, o mesmo não se pode dizer, em relação à esfera económica e social. Neste campo, os três partidos, com responsabilidades na governança, o PS, o PSD e o CDS, têm de assumir a suas responsabilidades históricas, pela forma leviana, incompetente e, nalguns casos, desonesta, como governaram o país, hipotecando-o para o futuro e permitindo o regresso da extrema pobreza a muitas franjas da população portuguesa. Isto seria motivo suficiente para erradicar esses partidos do mapa político nacional e levar a julgamento os seus máximos responsáveis, principalmente aqueles que actuaram de má-fé e em benefício próprio, e que foram muitos. E, no futuro, os desígnios de Abril só poderão ser resgatados, se aquele desiderato for atingido, o que só poderá acontecer, através de uma solução radical, tal como foi radical a solução encontrada, há quarenta e três anos, pelos militares de Abril.
Alexandre de Castro

VIVA O 25 DE ABRIL!...

2017 04 24

Poema S/T _ maria azenha


Estiveste estes dias internado num manicómio sem nome.
Alguns o saberão,
mas quase nenhuns na prática.
Quase todos vivemos ocupados com uma estória de amor
que é apenas um sonho

©maria azenha

domingo, 23 de abril de 2017

Dois poemas S/T _ maria gomes


É de neve este mar
E eu habito-o
Perdi as ilhas
Perdi a visão que foi minha
No monólogo infinito da noite
os pássaros cantavam na quase luz nas margens das
                                                                             [palavras.
mariagomes
abril, 2017

***«»***

Para onde te leva esse fogo,
esse coração a sondar a palavra?
Para onde te leva a transparência dos pássaros?
A que vida?
Mal ou bem, a tua voz é uma rua sem nome.
A tua voz sai das pedras, ascende, leve, à beleza terrível.
mariagomes

abril, 2017
2017 04 23

Ver também aqui

sábado, 22 de abril de 2017

PORTUGAL ANTES DO 25 DE ABRIL-100 FOTOGRAFIAS

Vídeo retirado do Grupo "Os Valores de Abril no Futuro de Portugal"

São imagens do rasto do tempo, que me rasgam a memória dorida. O tempo das catacunbas e da escuridão, vivido na vigília da noite, à espera das libertadoras alvoradas. Um tempo que nos esmagava o sonho e cortava as asas e que nos impedia de voar em liberdade e uma dor profunda, pelo povo que sofria nas amarras do silêncio e pelos soldados que morriam ingloriamente, numa guerra bárbara e injusta.
Eu sei que esta dor não é compreendida pelos que vieram depois daquela alvorada, porque se trata de uma dor da memória, apenas sentida por quem a viveu e sofreu...
Para compreender a importância do 25 de Abril de 1974, é necessário, antes de tudo, perceber o que era Portugal, antes dessa gloriosa data. As imagens, que hoje vos mostro, são elucidativas e dispensam as palavras dos discursos de ocasião.
Pertenço à Geração de Abril. Pertenço à ultima geração que participou na Guerra Colonial. Esta minha geração já é a única que tem a memória viva do que eram eram aqueles tempos de chumbo e de miséria. E esta geração, pelo ordenamento da leis da vida, está lentamente a desaparecer. Temo que as gerações que se lhe seguiram, e talvez por nossa culpa, se esqueçam dessa memória viva, e permitam que, por outras formas capciosas, Portugal regresse aos tempos da escuridão.
Alexandre de Castro
2017 04 22

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Pauliteiros de Miranda do OUP e da AAOUP - Padre António


Os Pauliteiros de Miranda

Trata-se da relíquia mais antiga e mais original do folclore português, e que é uma verdadeira pérola etnográfica do património cultural e imaterial do meu país e da região onde eu nasci.

Dizem os entendidos que a sua origem deriva do contacto com os romanos, que ocuparam a Península Ibérica, durante vários séculos. Outros defendem a tese da influência celta, uns séculos antes. Inclino-me mais a aceitar a primeira hipótese. Seja como for, o que é
certo, é que estamos na presença de um registo importante da memória do passado remoto dos portugueses.

Publiquei, ontem, na minha página do Facebook, este vídeo, acompanhado do texto, que a seguir transcrevo:

“Deliciem-se com a dança dos Pauliteiros de Miranda. Tentem ver, nos movimentos e na indumentária (o célebre saiote bordado) dos dançarinos, uma réplica de soldados romanos a combaterem, o que, julga-se, teria sido a fonte inspiradora deste tesouro folclórico e etnográfico do nosso património imaterial.

A relativa proximidade do local onde esteve sediada, há mais de vinte séculos, uma Legião Romana, e que deu origem à cidade de Leon, em Castela, explica este processo de assimilação, por parte dos povos do planalto mirandês”.
Alexandre de Castro
2017 04 12

quarta-feira, 12 de abril de 2017

COMUNICADO DA FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS


FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS


Lutar contra médicos indiferenciados e exigir responsabilidades ao
Ministério da Saúde

No concurso de acesso ao Internato Médico que decorreu entre 28 de novembro e 4 de dezembro de 2015, 114 médicos internos que iniciaram o internato médico em Janeiro de 2015, viram-se impedidos de prosseguir a sua formação especializada por insuficiência de vagas no respectivo mapa global das várias especialidades.

Isto levou à situação excecional de médicos internos, portanto em formação, ligados ao Serviço Nacional de Saúde por um contrato de trabalho a termo resolutivo incerto, válido até à obtenção do grau de especialista, mas excluídos de qualquer processo de formação e, como tal, impedidos de obter esse mesmo grau de especialista.

Tendo sido interposta em Tribunal uma acção por um grupo de médicos, a sentença veio confirmar as suas pretensões, referindo 3 pontos essenciais:

- validade do contrato até obtenção do grau de especialista.
- direito à formação específica.
- sem necessidade de se submeterem a novo concurso.

Em 3 de Janeiro de 2017 foi publicado, em violação da sentença do Tribunal
Administrativo, o inexplicável Despacho 89/2017 que refere, entre outras coisas, que os médicos internos que não se candidatem ao concurso do Internato Médico de 2017 serão despedidos.

Só que, inacreditavelmente, o processo de candidatura a este concurso de 2017
terminou em Setembro de 2016 e o teste de seriação dos candidatos de 2016,
requisito para poder concorrer ao concurso de 2017, aconteceu em Novembro de 2016.

Desta trapalhada ministerial resultou que foi publicado um despacho com efeitos retroactivos, impossibilitando que os médicos em causa se pudessem candidatar.

É urgente que o Ministério da Saúde resolva esta iníqua situação, revogando esse despacho retroactivo e que, por outro lado, coloca directamente em causa os compromissos que tinha assumido com estes médicos.

No entanto, a revogação do citado despacho implica também que as promessas
efectuadas a nível ministerial sejam cumpridas e que estes médicos não sejam
despedidos no próximo mês de Julho.

De acordo com informações já recolhidas, existem algumas administrações
hospitalares a prepararem-se para proceder a despedimentos deste tipo.
É urgente que o Ministério da Saúde se disponibilize a negociar, na prática e não por palavras, uma política de efectivo combate à existência de médicos indiferenciados e ao seu preocupante crescimento.

Sem essa disposição política, as tais empresas de cedência de mão obra médica
continuarão a dispor de lucros cada vez mais vultuosos, mas os cidadãos portugueses passarão a ter uma prestação de cuidados de saúde de qualidade muito baixa.

A FNAM desenvolverá todos os esforços para que negociações sérias permitam
solucionar este grave problema.

Lisboa, 10/4/2017

A Comissão Executiva da FNAM

segunda-feira, 10 de abril de 2017

A lógica perversa dos patrões


Dunas _ Fotografia de Milú Cardoso

Dunas _ Fotografia de Milú Cardoso

A fotografia de Milú Cardoso tem uma particularidade interessante: a descontinuidade do plano de profundidade, conseguida pela ocultação do plano de médio fundo, através da sobrevalorização visual -  magnífica, e esteticamente brilhante - do primeiro plano, o imediatamente perceptível para o observador, em que surge o entrelaçado das hastes dos arbustos, num efeito de rara beleza.. O contraste do amarelo dos arbustos com o azul das águas do mar acaba por enriquecer o conjunto. Trata-se, pois, de uma belíssima fotografia.
Alexandre de Castro
2017 04 09

domingo, 9 de abril de 2017

Dois Brancos & Um Preto - Calhambeque (feat. Lili Caneças)


Lili Caneças é a estrela do último vídeo viral

A celebridade portuguesa participa no videoclip
do tema Calhambeque de Dois Brancos & Um Preto. E até empresta a sua voz ao
refrão.
E se a dona da garagem da famosa música de Quim
Barreiros fosse a Lili Caneças? Na versão dos Dois Brancos & Um Preto é
isso mesmo que acontece. No videoclipe do tema, a celebridade portuguesa de 72
anos deixa claro que a idade não a impede de participar dos fenómenos musicais
mais recentes. O vídeo tornou-se rapidamente viral, com quase 100 mil
visualizações em apenas dois dias.
PÚBLICO
***«»***
Se Lili Caneças passar pelo Egipto, arrisca-se a ser encaixotada num sarcófago, numa das pirâmides de Gizé.
No entanto,temos que admitir que a Lili Caneças conseguiu marcar a gloriosa época tas "tias" da Linha de Cascais e que, depois de se aposentar, não teve sucessora à altura. Soube construir e gerir a sua carreira, com mérito. Concorde-se ou não com o conceito e com o estilo.
Alexandre de Castro
2017 04 09 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Salvador Dali, um dos maiores pintores de todos os tempos


Salvador Dali, um dos maiores pintores de todos os tempos

Salvador Dali, um dos maiores pintores de todos os tempos, perseguiu, durante todo o seu percurso artístico, a ideia da transgressão, quer a transgressão temática, desconstruindo as narrativas mitológicas e as narrativas do mundo real, tal como as interpretamos, quer a transgressão formal, ao nível do estilo pictórico e ao nível da figuração, optando por agigantar até ao limite as personagens e todos os elementos físicos das suas composições. Repare-se, por exemplo, no efeito cinético, conseguido na pintura "A Tentação de Santo António", em que o cavalo, desencabrestado, parece querer saltar para fora da tela.
Dali, tal como Picasso, inaugurou um novo conceito de pintura, que eu designo de surrealismo do fantástico ou, segundo alguns autores, do surrealismo metafórico. Também poderíamos dizer que Dali trabalhou na tela a alucinação, a loucura, a excentricidade e o assombro, numa tentativa de intimidar o espectador, obrigando-o a ser mais activo na observação e na interpretação da obra, já que, em relação ao passado, olhava-se para uma pintura, de uma forma mais passiva e tranquila, tal como se se observasse uma paisagem. Perante uma pintura de Dali, ninguém fica indiferente. Pela intensidade das cores e pela distorção e gigantismo das formas, e, também, pelo uso do plano da profundidade, que dá a sensação de não ter fim, Dali impressiona e cria tensões emocionais nos espectadores. Ele não é o pintor da estética harmoniosa. Na maioria dos seus trabalhos emerge uma tensão de violência e uma sensação de desequilíbrio, à beira do abismo.
Alexandre de Castro
2016 01 30