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sábado, 31 de março de 2018

A política também é feita de humor…


A política também é feita de humor…

Por vezes, os dirigentes comunistas são criticados por terem um discurso político rígido, hirto e muito formal, como se fosse desenhado a régua e esquadro e talhado e moldado pela foice e pelo martelo, e em que faltam as subtilezas da linguagem, que, uma vez bem enquadradas, podem ter um efeito corrosivo enorme.
Foi esse efeito corrosivo, engalanado por uma subtil e oportuna ironia, que Jerónimo de Sousa conseguiu desmontar a gratuitidade (e, também, alguma hipocrisia) daquelas frases chavão, sonoras e grandiloquentes, que exprimem pensamentos sublimes e sedutores. mas que apenas valem pela sua amplitude metafórica, não tendo nenhuma repercussão na realidade vivida e sentida.
E com esta frase de antologia, "PCP defende aumentos salariais para que Marcelo deixe de ter vergonha da pobreza" Jerónimo de Sousa, sem deixar de fora o que politicamente exigia, arrasa, de uma penada, a vacuidade do pomposo discurso político, em que o disfarce, a demagogia e até a mentira andam de mãos dadas.

Alexandre de Castro
2018 03 31

domingo, 18 de março de 2018

Bloco Central informal...


PCP afirma estar em curso no país um "Bloco Central informal" PSD/PS


O secretário-geral do PCP afirmou hoje que está em curso no país um "Bloco Central informal" entre PSD e PS, convergência em que os sociais-democratas já preparam uma revisão constitucional a pretexto de uma reforma na justiça.
Jerónimo de Sousa [In NOTÍCIAS AO MINUTO]


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Vai ser um Bloco Central informalmente formal

O Partido Socialista fez um casamento, com separação bens, com os partidos de esquerda, mas, agora, quer continuar a ir dormir à casa da amante, com quem, aliás, sempre andou a dormir. E este adultério é apadrinhado pelos seus primos políticos de Bruxelas e de Berlim, que sempre torceram o nariz a este casamento, considerado politicamente contra natura.

O doutor Costa, em breve, vai começar a dizer que não se tratou de um casamento, mas sim de um arranjinho de ocasião, para satisfazer as necessidades do poder, e já começou a construir a metáfora adequada às suas ambições, (as partidárias e as pessoais), em que o Partido Socialista será o árbitro de um combate de boxe, entre a esquerda e a direita, quando afirmou que é necessário fazer consensos alargados com todo o espectro político, uma vez que estão em causa grandes opções, ligadas à UE, e que vão repercutir-se nas várias legislaturas futuras, o que é uma grande falácia, pois é na cozinha de Bruxelas que se escolhem as ementas e se cozinham os pratos, dispensando-se os temperos que o doutor Costa julga (ou finge que julga) poder acrescentar.

Alexandre de Castro
2018 03 18

domingo, 4 de dezembro de 2016

PCP saiu reforçado do XX Congresso e Jerónimo de Sousa saiu consagrado...


O PCP saiu reforçado deste congresso, com Jerónimo de Sousa a equacionar correctamente aquilo que, para alguns, seria uma contradição insanável, o de estar, por um lado, a apoiar um governo minoritário do Partido Socialista, e, por outro lado, ao nível do discurso, comportar-se como um partido da oposição, não se eximindo a fazer a denúncia de algumas e importantes posições governamentais. Em boa verdade, pode dizer-se que, desde o início do processo da viabilização de um governo minoritário do PS, com o apoio dos dois partidos à sua esquerda, essa contradição nunca existiu, pois o PCP não fez um acordo de incidência parlamentar para toda a legislatura e, por outro lado, soube traçar as linhas vermelhas da sua colaboração, que não poderiam ser ultrapassadas. O que o PCP pretendeu, ao propor um entendimento à esquerda, para viabilizar um governo minoritário do PS, foi a necessidade urgente de bloquear a possibilidade da ascensão da direita ao poder, assim poupando os portugueses a mais quatro anos de dura austeridade e à continuação da sonegação de direitos, ao nível laboral e ao nível da Saúde, da Educação e da Segurança Social (as tais linhas vermelhas, entre outras).

Jerónimo de Sousa deixou o congresso tranquilo. Não houve, não há, nem haverá nenhum recuo do Partido Comunista Português, a nível ideológico, político e programático.

Um outro aspecto importante, que o congresso assinalou e registou, foi a afirmação inequívoca da necessidade urgente de Portugal sair do euro, começando-se desde já a preparar essa saída, matéria que o PCP, anteriormente, sempre abordou com cautela, porque, entre os comunistas, quer do topo, quer da base, e também entre o seu tradicional eleitorado, não haveria uma unanimidade absoluta e garantida. Pela minha parte, direi que esta proposta só pecou por tardia, mas que vem muito a tempo, e até, talvez, mais amadurecida, para vir a mobilizar os militantes, simpatizantes e os trabalhadores para esta inevitabilidade, que já está a ser assumida pelos economistas marxistas e os economistas keinesianos e tamém por muitos portugueses que já perceberam que, com uma moeda forte - que não pode servir de esteio a uma política orçamental nacional, independente dos poderes de Bruxelas e do BCE - o crescimento económico do país será sempre fraco e débil, assim aumentando a exposição dos portugueses a mais austeridade, austeridade essa, que teria de passar por fortes desvalorizações dos salários e das pensões e (isto é uma opinião pessoal) pela entrega progressiva dos pilares do Estado Social aos privados. E os lobies dos grupos económicos - ligados às instituições privadas, que gerem hospitais, e às que gerem estabelecimentos do ensino secundário e do ensino universitário, bem como o poderoso lobie das seguradoras – estão à espera que a cereja lhes caia em cima do bolo. Uma proposta recente, que anda por aí, escondida e envergonhada, de tentar mudar o estatuto público da Universidade de Coimbra, para se constituir numa Fundação, é uma das cerejas desse bolo. É que, através das leis, é mais fácil privatizar uma fundação do que uma universidade pública. Esta e outras “manhosices” vão ser a massa com que os privados querem fazer o pão. O Estado Social tem um potencial de negócio enorme, que nenhum grupo económico português iguala em valor. São muitos milhares de milhões de euros, que estão em causa. Mas, além disso, ficariam comprometidos os direitos dos portugueses, em relação à Saúde, à Educação e à Segurança Social.

Em relação ao congresso do PCP, uma palavra final. Este congresso foi o congresso da consagração de Jerónimo de Sousa, como Secretário-Geral do Partido Comunista Português. Um líder de elevado mérito, que conseguiu manter intacta a matriz original do partido. Vai ficar na galeria da História do PCP e na memória dos militantes, dos actuais e dos futuros. Impressiona a sua modéstia e humildade, modéstia e humildade que são apanágio dos grandes líderes.
Alexandre de Castro

terça-feira, 7 de junho de 2016

Jerónimo de Sousa quer nova moeda portuguesa


Jerónimo de Sousa quer nova moeda portuguesa

Numa sessão pública intitulada A libertação do país da submissão ao Euro, condição para o desenvolvimento e soberania nacional, Jerónimo de Sousa, ladeado pelos economistas João Ferreira do Amaral e Jorge Bateira, entre outros, identificou a banca sob controlo público, a renegociação da dívida e a saída do euro como prioridades para o desenvolvimento soberano de Portugal.
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Não há outra alternativa. Se já foi um grande erro Portugal aderir ao euro, maior erro será se não sair. Se Portugal tivesse uma moeda própria, alinhada com a produtividade da sua economia, as exportações de bens e serviços triplicariam, no espaço de quatro ou cinco anos, permitindo assim obter excedentes para ir pagando a dívida, dívida que também terá de ser reestruturada. 
Se não for assim, Portugal caminhará para o desastre.

domingo, 18 de outubro de 2015

Trechos de um discurso incisivo e objectivo de Jerónimo de Sousa

Jerónimo de Sousa com o candidato Edgar Silva

Um problema que se revela cada vez mais sério e com consequências preocupantes na democracia portuguesa é este domínio quase absoluto dos grandes interesses e dos grupos económicos e dos seus arautos no sistema mediático, onde a pluralidade de opinião se vem extinguindo e a isenção no comentário político-ideológico é uma raridade.
Os despautérios que vimos, ouvimos e lemos de uns, o tom de arrogância que alguns manifestavam nas suas invetivas contra o PCP, a raiva incontida de outros perante a mera hipótese de que da nova Assembleia da República pudesse sair um Governo que não é do PSD e do CDS revelam bem até onde pretendem ir os interesses dominantes na sua campanha antidemocrática e desestabilizadora.
Toda a argumentação para demonstrar que os votos que servem as suas pretensões são votos de primeira e os que não servem são votos de segunda. Os que antes peroravam abundantemente e lastimavam que o PCP não saísse do conforto do 'partido de protesto' - que nunca fomos - para tentar demonstrar a inutilidade do voto no PCP, ei-los agora a clamar 'aqui d'el rei' numa encenação catastrofista, empenhados numa despudorada campanha, numa tentativa de exclusão.
Uma coisa é certa: nada impede o PS de formar governo e entrar em funções,  mesmo num quadro em que o PS insista no seu programa e que não seja possível - o que de facto não é fácil - encontrar uma convergência sobre um programa de governo, nem assim se pode concluir que a solução seja um governo PSD/CDS.
O problema está em saber se o PS escolhe entre dar o aval e apoio à formação de um governo PSD/CDS ou tomar a iniciativa de formar um governo que tem garantidas condições para a sua formação e entrada em funções. Há quem possa considerar estranha esta afirmação.
A Constituição não impõe a escolha de um primeiro-ministro entre os dirigentes do partido ou coligação mais votados. o que conta verdadeiramente e determina as soluções para a governação são as maiorias que se formem na Assembleia da República e dão suporte a um governo e não a um partido com mais votos.

Jerónimo de Sousa

domingo, 13 de julho de 2014

Antena 1 - Entrevista a Jerónimo de Sousa

Foto: Antena 1

Ver vídeo aqui: Antena 1 - Entrevista a Jerónimo de Sousa

Entrevista a Jerónimo de Sousa
A editora de Política da Antena 1 jornalista Maria Flor Pedroso entrevista Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP.

Líder do Partido Comunista Português há dez anos, evita uma resposta peremtória sobre uma eventual candidatura comunista às próximas presidenciais sublinhando que a questão não foi ainda discutida internamente. Avança que o partido pode vir a ter um candidato próprio (como sempre aconteceu exceto nas eleições de 1986 em que o PCP apoiou Salgado Zenha), ou pode vir a optar por uma solução mais abrangente. 

Tal como Pedro Passos Coelho, Jerónimo de Sousa está preocupado com o PS, não pela disputa interna, não lhe interessam os rostos mas sim as políticas. E deixa entender que há diferenças entre António Costa e António José Seguro embora "não substanciais...e esse é que é o problema", conclui o comunista.

Jerónimo de Sousa tem vindo a reunir-se com as forças vivas de esquerda para discutir a situação política e discutir alternativas (amanhã, dia 11 de julho encontra-se com o Bloco de Esquerda e aguarda por uma resposta socialista), assinalando que não receia entrar no Largo do Rato depois do dia 28 de setembro, data em que se realizam eleições primárias no PS. Afirma mesmo: "não me cairia o telhado em cima, mas é para discutir política com o PS".

Assegura também que este governo não tem condições para renegociar a dívida, está demasiado "amarrado, comprometido com o interesse dos poderosos".

RTP Antena 1

domingo, 15 de dezembro de 2013

País em regressão civilizacional e cultural, diz Jerónimo de Sousa


Líder do PCP citou “desmantelamento da Direcção Geral do Património Cultural” e “as limitações impostas à Direcção Geral das Artes” para dizer que há “uma clara intenção de retirada total do Estado nas áreas da cultura"

A política do atual Governo é de regressão económica e social mas também “civilizacional e cultural”, afirmou hoje em Lisboa o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
“Na cultura a situação é hoje de profunda crise e de abandono de qualquer perspetiva real da sua democratização. Olhe-se para onde se olhar é a política de destruição que impera”, disse o responsável numa sessão evocativa de Álvaro Cunhal, antigo secretário-geral do partido, que morreu em 2005.
No ano em que faria 100 anos se fosse vivo, porque nasceu a 10 de novembro de 1913, o PCP tem organizado iniciativas para o lembrar, uma delas hoje ao juntar intelectuais e artistas para debater precisamente o tema “Álvaro Cunhal, o intelectual e o artista”, no âmbito da qual se falou da sua faceta de escritor, pintor, músico e até tradutor.
Ao falar no encerramento do encontro Jerónimo de Sousa lembrou o artista e pensador e falou da cultura e da forma como é “maltratada pela política da direita”, que teme “o seu imenso potencial de criação, liberdade e transformação”.
É isso, acrescentou, que tem feito o atual Governo, nomeadamente na educação, na informação e comunicação, na ciência, na arte contemporânea, nas culturas artísticas ou no património.
Há, disse Jerónimo de Sousa, “uma ofensiva destruidora” alargada aos serviços públicos da área da cultura, com “cortes brutais” nos Orçamentos de Estado, desmantelando-se e desqualificando-se serviços, que são centralizados e depois requalificados “para o despedimento”. É, acusou, “uma operação de aglomeração para ser mais fácil destruir”.
Jerónimo de Sousa citou depois o “desmantelamento da Direção Geral do Património Cultural” e “as limitações impostas à Direção Geral das Artes” para dizer que há “uma clara intenção de retirada total do Estado nas áreas da cultura, “o que também pode ser entendido como uma censura financeira às artes e à cultura”.
E o resultado desta política está exemplificado nos últimos dados europeus divulgados (Eurobarómetro), disse o responsável: “O que se vê é que estamos a andar para trás e a divergir com outros povos europeu. Estamos no fim da lista”, disse.
“É este o rumo de uma política também de desastre cultural que está em curso. Uma política que não só destrói o que existe como inviabiliza a criação do novo”, disse Jerónimo de Sousa, concluindo que “é tempo de pôr fim” ao “rumo de desastre”, razão que tem levado o partido a pedir com insistência a demissão do Governo e a realização de eleições antecipadas.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela Agência Lusa

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A direita sempre se deu mal com a Cultura. Nutre por ela um ódio de morte. Talvez porque a Cultura seja a sua antítese, ao rejeitar o conservadorismo bacoco e provinciano  e tentando, por outro lado, progredir sempre pelo caminho ousado da descoberta da modernidade, em plena liberdade.
Em Portugal, este governo de direita (o governo mais reacionário do regime democrático), não podendo eliminá-la por decreto, nem puxar por uma pistola, quando dela ouve falar, como dizia o ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, procura asfixiá-la financeiramente e desestruturá-la organicamente, ao nível do aparelho de Estado. O que vem dar ao mesmo.
A Cultura é a expressão da alma de um povo, ao qual está intimamente ligada. Querer liquidá-la, é querer matar esse mesmo povo.
AC