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quarta-feira, 9 de maio de 2018

A falta de médicos no SNS é uma realidade indesmentível




Os três centros de orientação de doentes
urgentes (CODU) estão a funcionar
sem os médicos necessários e não
raras vezes estão a trabalhar com
apenas três, quando deveriam
existir pelo menos seis clínicos.


E nós, por cá, lá vamos cantando e rindo, alimentando aquela vã esperança de que o azar não nos bata à porta... Esta introdução é para os distraídos.

Em situações de emergência médica, um minuto, que seja, pode determinar o destino de uma vida. A nossa, inclusive. Por isso, não podemos deixar-nos embrulhar pelos argumentos "fraudulentos" do governo, nem pela hipocrisia dos partidos da direita, em relação ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), que está a degradar-se, de dia para dia, principalmente no interior do país, onde já se vivem situações dramáticas.

A falta de médicos e de enfermeiros (e foi isto que motivou a actual greve médicos, com uma duração de três dias, e que está a ter um retumbante êxito) é, actualmente, o problema central do nosso sistema de saúde. E sem os meios humanos necessários, nenhum sistema pode ser funcional.

Mas é bom que se perceba por que razão esta situação está a ocorrer, e também por que razão António Costa nunca se pronuncia (ou poucas vezes se pronuncia) sobre o SNS, chutando o ónus dos encargos para o seu ministro da tutela, que, no primeiro dia da greve, em desespero de causa, até afirmou que (pasme-se!), se fosse médico, também teria aderido à greve, afirmação esta que pré-anuncia, a prazo, o fim do seu mandato. Ele irá, certamente, dentro de alguns dias ou semanas, pedir a sua demissão, invocando, como argumento, a falta de condições, para exercer o seu cargo, o que, neste caso, (e só neste caso), o do congelamento da admissão de novos médicos e enfermeiros, é verdadeiro.

A nomeação de um novo ministro da Saúde vai dar a António Costa a oportunidade de tentar travar, por mais uns meses, a contestação dos profissionais da Saúde à sua política em relação ao SNS, ao mesmo tempo que vai alimentando falsas expectativas nos portugueses. 

Não é ainda chegado o momento em que ele possa vir dizer que virou "mais uma página", do livro que anda a ler, um livro que lhe foi aconselhado por Merkel, por Macron e por Junker (tudo boa gente, que só querem a felicidade dos portugueses), e onde consta que Portugal tem um serviço de Saúde acima das suas possibilidades, pelo que, a ter de haver cortes, para equilibrar o défice orçamental, terá de ser neste sistema que eles deverão incidir, recomendação esta que Costa se apressou a sublinhar, (no tal livro que anda a ler), e que Centeno - já com as nádegas bem ajustadas ao assento da cadeira do Presidente do Eurogrupo e talvez já espreitando novas oportunidades de carreira - se prontificou a executar, cativando verbas do Orçamento de Estado em vigor, que já se encontram alocadas ao SNS, e que, assim, ficam em suspenso, dependendo a sua libertação, para execução, do equilíbrio das contas públicas, a meio do segundo semestre do ano. Se o défice, nessa altura, estiver controlado, haverá festa rija, pois, além do êxito financeiro alcançado, haverá um lauto bodo aos pobres, mesmo à beira das eleições legislativas, o que vem mesmo a calhar. Se o défice derrapar, então os hospitais e os centros de saúde têm de se amanhar com os técnicos de saúde, que têm actualmente, e esperar pelo próximo ano. Por sua vez, o dinheiro, que ficou cativo, no actual exercício, será incorporado no abatimento do défice orçamental. Entretanto, quer num caso, como no outro, muitos portugueses vão morrer, por falta de assistência médica atempada, o que será uma situação bem mais grave do que a corrupção de que estão indiciados Sócrates e Pinho, pois uma vida não tem preço no mercado de capitais.

António Costa tem dois problemas graves, que lhe estão a tirar o sono, e ambos com incidência orçamental, e que poderão ter repercussões eleitorais. Um é este, relacionado com o SNS. O outro reporta para os incêndios florestais do próximo Verão, em que um clamor de protestos está a varrer o país, com as várias entidades e instituições ligadas ao sector a pronunciarem-se sobre as graves falhas e carências existentes, ao nível dos meios de ataque aos incêndios, assim como ao nível das estruturas de coordenação. Até parece que é um país inteiro que está a arder.

António Costa, com o caso de José Sócrates e de Manuel Pinho, já perdeu a ambição de conquistar a maioria absoluta, nas próximas eleições legislativas. A canzoada do PSD e do CDS e a imprensa de referência domesticada, que funciona como câmara de ressonância da direita, não vão largar-lhe as canelas, tentando promover o caso ao nível de  uma questão de regime, mas esquecendo os muitos telhados de vidro coleccionados, durante o regabofe do cavaquismo.
 

Se tudo correr mal a António Costa, em relação ao SNS e se os incêndios florestais provocarem outra tragédia, poderá ser o fim da Geringonça e o domínio da direita no aparelho do Estado, o que até agradará aos donos da Europa, que não se coibirão de repetir o jogo das chantagens e das ameaças veladas, antes das próximas eleições. Mas isto, acima de tudo, será uma tragédia para o povo português, pois a direita, além de impor a sua ideologia neoliberal, irá descarregar, sobre os trabalhadores e sobre os reformados, o fel da sua vingança, resultante dos ódios acumulados, durante os últimos quatro anos.

Para que a Geringonça continue a poder viabilizar um outro governo minoritário, do PS, António Costa tem de mudar de agulha e deixar-se de querer fazer joguinhos com o PSD, de Rui Rio, como aconteceu recentemente, ao aceitar discutir com os sociais-democratas um acordo sobre o SNS, quando se sabe que Rui Rio levará debaixo do braço um plano gizado para favorecer a entrada em força dos agentes privados no SNS.

Alexandre de Castro
2018 05 09

terça-feira, 26 de setembro de 2017

GREVE DOS MÉDICOS _ Pela defesa do Serviço Nacional de Saúde _ COMUNICADO CONJUNTO DOS DOIS SINDICATOS

Resultado de imagem para Logotipo SIM FNAM


GREVE DOS MÉDICOS
Pela defesa do Serviço Nacional de Saúde

Há mais de um ano e meio que os sindicatos médicos têm desenvolvido empenhados esforços para negociar com o Ministério da Saúde e com o Governo.

Nesta negociação, os sindicatos médicos colocaram, entre diversas outras, três matérias elementares que constituem uma mera reposição de enquadramentos laborais anteriores à presença da Troika no nosso país e que mesmo assim têm sido peremptoriamente negados pela delegação governamental:

Num vasto leque de reivindicações que, repetimos, têm como denominador comum a qualidade do Serviço Nacional de Saúde através da valorização da Carreira Médica, os sindicatos médicos aceitaram calendarizar a sua discussão e negociação entre o passado mês de Março e o final deste mês de Setembro.

Em Maio passado os sindicatos médicos foram confrontados com uma ruptura negocial por parte da delegação governamental em torno das seguintes matérias:

1º Redução do limite anual de trabalho suplementar obrigatório de 200 para 150 horas;

2º Redução do período normal de trabalho em serviço de urgência de 18 para 12 horas semanais;

3º Redução das Listas de utentes dos Médicos de Família de 1900 para 1550 utentes;

A 10 e 11 de Maio, os médicos foram obrigados a realizar uma greve nacional.

A delegação governamental, nos últimos meses com maior envolvimento numérico e político do Ministério das Finanças, continua sem apresentar uma contraproposta fundamentada sobre as referidas 3 matérias que se encontram inseridas no clausulado da contratação colectiva, na sequência da respectiva proposta apresentada pelos sindicatos médicos a 26/4/2017.

Na última reunião realizada na passada 6ªF (22/9/2017), a delegação governamental aceitou somente reduzir o limite anual do trabalho suplementar obrigatório para os valores que todos os outros sectores profissionais sempre praticaram e que os médicos são a excepção.

Sobre as outras matérias, a situação negocial continuou bloqueada devido à intransigência governamental, mesmo perante a disponibilidade dos sindicatos médicos em aceitarem o faseamento das soluções até ao final da legislatura.

A delegação governamental comprometeu-se a enviar novo documento negocial até ao dia 27/9/2017.

Não é possível aceitar os mesmos procedimentos políticos que têm perdurado desde há cerca de um ano e meio, ou seja, de adiamento em adiamento até ao confronto final.

Nesse sentido, as duas organizações sindicais médicas decidiram logo no final da reunião passada anunciar a realização de greves regionais em semanas sucessivas, a culminar num dia de greve nacional com concentração junto às instalações do Ministério da Saúde.

Se em Maio fizemos greve por estas razões, a ausência da sua resolução após cerca de 5 meses de reuniões com o Governo obriga-nos, naturalmente, a ter de recorrer a esta forma de luta extrema.

Assim, a 11/10 será greve na zona norte, a 18/10 na zona centro, a 25/10 na zona sul e regiões autónomas e a 8/11 uma greve nacional.

Mais uma vez o Poder político está a empurrar os médicos para uma greve, pretendendo aproveitá-la politicamente para se vitimizar aos olhos dos cidadãos.

Já depois da realização da reunião da passada 6ªfeira, o Ministro da Saúde veio introduzir novos e graves factores de agudização conflitual bem demonstrativos de que tem uma agenda claramente virada para a desarticulação do SNS e subsequentemente da destruição da Carreira Médica, ao proferir declarações públicas sobre pagamentos a exigir aos médicos quando decidirem sair de um serviço público, bem como a de encaminhar doentes para os serviços privados nos casos em que não disponham de consultas dentro de certos prazos nos serviços públicos.

Ao mesmo tempo que asfixia financeira e politicamente os serviços públicos de saúde, retirando-lhes capacidade de resposta adequada, vem agora mostrar que um dos seus grandes objectivos é forjar argumentos  justificativos para aumentar o volume de negócios dos privados, sempre à custa dos dinheiros públicos.

Como sempre, saberemos salvaguardar todos os aspectos legais do exercício constitucional do direito à greve e assegurar os serviços mínimos.

Os cidadãos são os nossos principais aliados numa luta em que as justas reivindicações dos médicos se misturam com a inadiável exigência de defesa do SNS e do direito constitucional à Saúde.

Lisboa, 25/9/2017

A Comissão Executiva da FNAM 
O Secretariado Nacional do SIM

terça-feira, 9 de maio de 2017

Apoiar greve dos médicos, é uma forma de defender o SNS

Greve dos médicos _ 10 e 11 de Maio de 2017

Apoiar greve dos médicos, é uma forma de defender o SNS

A Ordem dos Médicos (OM) subscreve
as reivindicações dos sindicatos que
convocaram uma greve para quarta e
quinta-feira, lamentando a degradação
das condições de trabalho que leva à
"insatisfação crescente dos profissionais
de saúde".
Ordem dos Médicos

Com esta greve, a primeira a ser convocada, conjuntamente, pelos dois sindicatos do sector, os médicos não estão apenas a defender as suas reivindicações profissionais, que são justíssimas. Estão também a defender o Serviço Nacional de Saúde (SNS), na sua versão matricial.
Não se pode falar em SNS sem médicos (e outros profissionais da Saúde) suficientemente motivados, quer em relação a uma remuneração compatível, quer em relação à duração diária do seu trabalho. É inconcebível que os profissionais de Saúde façam turnos acima das doze horas nos serviços de urgência. Além de gravosa e perniciosa para a saúde dos profissionais, esta situação também não é favorável para ou utentes, que podem ser vítimas de um qualquer erro médico ou erro de enfermagem, em consequência do cansaço desses profissionais.
Apoiar esta greve, é uma forma de defender o SNS.
Alexandre de Castro
2017 05 09

sábado, 20 de dezembro de 2014

Governo incorre "em pena de prisão" ao impor requisição civil na TAP


É o que diz Garcia Pereira à Renascença. Sendo um comando "completamente ilegal", os trabalhadores da TAP não lhe devem qualquer obediência, defende o advogado especialista em direito do trabalho.

***«»***
Eu ofereço-me para levar tabaco aos presos...

Consumada, através das políticas de austeridade, a "gloriosa investida" sobre os rendimentos do trabalho, uma desvalorização de cerca de 20 por cento, o governo, quimicamente puro, dos interesses instalados (banqueiros e o grande patronato), prepara-se para lançar uma grande ofensiva contra os direitos dos trabalhadores. A decisão de avançar com uma requisição civil contra os trabalhadores da TAP é o ensaio geral para, proximamente, vir a impor fortes limitações ao direito à greve e limitações a outros direito da área do trabalho.

sábado, 5 de julho de 2014

FNAM: Médicos "perseguidos" e "com medo" mas firmes na greve



O sindicato que convocou a greve de médicos para terça e quarta-feira denuncia um clima de medo e perseguição, mas garante que isso não o impedirá de lutar contra "a destruição" do setor, ponderando novos protestos.
Em entrevista à agência Lusa, Mário Jorge Neves, dirigente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) disse que a classe está hoje confrontada com "uma situação dramática de ameaça da própria subsistência do Serviço Nacional de Saúde (SNS)" e garantiu que nada faria a FNAM voltar atrás no protesto.
"A política que tem vindo a ser desenvolvida de forma até encoberta, dissimulada, é uma política que visa desarticular e destruir os serviços públicos" de saúde.
Mário Jorge Neves denuncia que "os médicos sofrem hoje múltiplas restrições no seu desempenho profissional, estão confrontados com limitações ao exercício pleno das suas funções profissionais e sentem que cada dia que passa a qualidade assistencial se vai degradando e a capacidade de resposta dos serviços vai diminuindo".
O sindicalista disse conhecer relatos "dramáticos" de escassez de material e, conta que, recentemente, esteve num hospital em Lisboa onde são os médicos que compram papel higiénico.
"Esta é uma situação que, em 40 anos de democracia, nunca tinha sido vivida desta forma dramática".
Para a FNAM, além dos efeitos da austeridade, o setor debate-se com iniciativas governamentais que se "traduzem na criação de problemas extremamente graves, como a famigerada portaria da chamada categorização dos hospitais que, se for aplicada, representa o encerramento de 27 maternidades, vários serviços em múltiplos hospitais, o desaparecimento da rede pública de vários hospitais e até de duas especialidades médicas" (estomatologia e a endocrinologia).
Também a chamada "lei da rolha" motiva protestos da FNAM, à qual atribui parte do "clima de medo" que os médicos hoje vivem.
"Esta postura do Ministério da Saúde de criminalização da denúncia do mau funcionamento dos serviços e do impacto que isso tem na segurança da prestação de cuidados para os utentes é mais um buraco negro no nosso sistema democrático", aponta.
Segundo o sindicalista, "perante uma situação geral destas, que inevitavelmente arrasta problemas sócio profissionais delicados, e porque o Ministério da Saúde não tem primado por um diálogo e por uma negociação séria, sentimos que, estando bloqueada a situação, e aumentando sistematicamente as ameaças ao próprio futuro do SNS, não tínhamos alternativa senão enveredar por formas de luta".
Dois anos após a greve de médicos que juntou os dois sindicatos -- FNAM e Sindicato Independente dos Médicos (SIM), o último agora fora deste protesto -- e reuniu milhares de clínicos frente ao Ministério da Saúde, as batas brancas voltam ao mesmo local, com o apoio da Ordem dos Médicos.
Para a concentração no primeiro dia do protesto, a FNAM apela ao apoio da população: "A maior prova de solidariedade seria a participação da população junto das batas brancas", disse Mário Jorge Neves.
A propósito deste apelo, o dirigente sindical garantiu que "os cidadãos podem contar com os médicos como seus principais aliados para voltarem a ter um serviço público de saúde de qualidade".
"Não é agora, a dias da greve, que terá qualquer credibilidade uma iniciativa tendente a desbloquear esta forma de luta. Não vamos correr riscos com pessoas que sabemos, à partida, que não cumpriram durante dois anos com a sua palavra nem com os documentos assinados".
Sobre o que acontecerá após a greve, o sindicalista disse que "se o Ministério persistir nesta postura, continuaremos a trabalhar para manter o processo reivindicativo que terá tendência a uma radicalização crescente. Até onde, não sabemos".
Outras formas de protesto podem passar por demissões em bloco, como as ocorridas no Hospital de São João, no Porto, ou a continuação da denúncia de situações graves no setor, exemplificou.
"Naturalmente que não ficaremos por aqui, porque estamos a lidar com uma situação que é na sua essência dramática e que, para muitos cidadãos, pode ter a ver, não só com aspetos de qualidade de vida, mas também com a diferença entre a vida e a morte".
Notícias ao Minuto
Ver aqui um resumo mais alargado da entrevista

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Como já temos aqui afirmado várias vezes, esta greve dos médicos, convocada pelos sindicatos da FNAM, não é uma greve determinada por reivindicações salariais. Também não é uma greve partidária, como alguns pretendem fazer crer. Mas é, sem dúvida, uma greve política. Política, no sentido mais nobre da palavra, já que ela tem como único objetivo defender com grande determinação um bem público e um direito constitucional. O bem público é o Serviço Nacional de Saúde (SNS), e o direito constitucional é o direito que garante o acesso, em plena igualdade de circunstâncias, de todos os cidadãos portugueses a todos os cuidados de saúde disponíveis, e que se designa por Direito à Saúde. E a sua oportunidade é evidente, já que se perceberam as intenções ocultas deste governo em esvaziar de sentido aquele bem público e aquele direito.
A degradação progressiva dos serviços hospitalares e dos centros de saúde está a atingir o limite da rutura. A drástica limitação ao recurso aos meios auxiliares de diagnóstico e aos meios terapêuticos coloca em risco a saúde e a vida dos doentes. Como diz exemplarmente o médico e dirigente sindical, Mário Jorge, é uma situação que tem a ver “não só com aspetos de qualidade de vida, mas também com a diferença entre a vida e a morte".

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Declaração do Bastonário da Ordem dos Médicos a apelar aos médicos e aos utentes a sua participação na jornada de luta em defesa do SNS



Declaração de José Manuel Silva (*)  

"Caros Colegas, escrevo como simples médico. A greve deve ser um êxito e só será evitada perante uma nova acta assinada pelo Ministro com resoluções concretas e não com retórica mansa e genericamente inconsequente, como acontece com a última acta, que é uma mão cheia de promessas imprecisas e passíveis de múltiplas interpretações... Sabemos que ainda há Colegas menos bem informados. É preciso que cada um de nós mobilize todos os Colegas, pois esta pode ser a última oportunidade de sermos firmes e consequentes. Ainda alguém tem dúvidas que este Ministro quer esmagar os médicos e a qualidade da medicina portuguesa?! Ainda são precisas mais provas?! É o nosso futuro, são os nossos doentes, é a nossa Saúde individual e colectiva que está em causa! Vamos todos à luta, vamos todos à manifestação, expliquem aos doentes que é o SNS que está em causa, mobilizem todos os cidadãos para a manifestação pelo SNS, pois a manifestação é aberta a todos (passem a palavra no Facebook)! E não esqueçam que basta a convocatória de greve feita por um sindicato para que TODOS os médicos possam fazer greve! O nosso futuro está nas nossas mãos; não vamos deixar que seja este Ministro a decidi-lo, pois não?!"
(*) Bastonário da Ordem dos Médicos
in Médicos Unidos

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Esta é uma greve de médicos, em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que este governo quer esvaziar de conteúdo, fechando serviços hospitalares, dificultando aos médicos a prescrição de meios auxiliares de diagnóstico e a prescrição de medicamentos, ao mesmo tempo que vai ensaiando uma série de manobras que contrariam as boas práticas médicas.
É por tudo isto que os cidadãos/utentes devem corresponder ao apelo do Bastonário da Ordem dos Médicos, integrando-se na grande manifestação/concentração convocada pelos sindicatos da FNAM.
São os utentes os principais prejudicados com a progressiva degradação do SNS...
São os utentes os mais beneficiados com esta luta em defesa de uma das maiores conquistas de Abril...

domingo, 22 de junho de 2014

FNAM - GREVE NACIONAL DOS MÉDICOS A 8 E 9|JULHO


FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS

 GREVE NACIONAL DOS MÉDICOS A 8 E 9|JULHO

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM), face às medidas governamentais de destruição do SNS e do direito constitucional à Saúde em curso, bem como ao incumprimento, por parte do Ministério da Saúde, de pontos importantes do acordo celebrado em 14 de Outubro de 2012, tomou hoje a decisão na reunião da sua Comissão Executiva de proceder à emissão do aviso-prévio de greve para os dias 8 e 9 de Julho.
A gravidade da situação actual impõe a adopção de medidas enérgicas e a conjugação de esforços com os cidadãos na defesa de uma das maiores conquistas sociais e humanistas do nosso rgime democrático.
Não seremos cúmplices na destruição do SNS.

Coimbra, 20 de Junho de 2014
A Comissão Executiva da FNAM

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É a existência, a viabilidade e a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde o que esta greve dos médicos pretende defender, perante um governo que o quer destruir.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

TODOS NA GREVE GERAL

Imagem do jornal Avante

Quanto mais tarde este governo for demitido, mais difícil se torna recuperar o que já se perdeu. Nada é mais vergonhoso para um povo, do que permitir que lhe roubem a dignidade a independência. E o objetivo desta greve é precisamente acelerar a queda deste governo e correr com a troika, a mãe de todos os males que afrontam.os portugueses. E quanto mais cedo, melhor!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Nuno Crato: "Há muitos professores que não querem aderir à greve


Questionado por que motivo o Ministério não aceitou a solução proposta pelo Tribunal Arbitral, que sugeriu o adiamento do exame para o dia 20, Nuno Crato respondeu que "era uma solução extremamente difícil, já há outros exames marcados para esse dia”. De resto, considerou, dos sindicatos em geral não houve abertura nenhuma e "a calendarização dos exames é muito apertada”.
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Como é que ele sabe? Fez algum inquérito secreto a todos os professores do país? Recebeu cartas de professores a reafirmar-lhe total lealdade? Contou o número de participantes na grandiosa manifestação de professores, do último Sábado, e subtraiu aquele número ao número total de professores em funções, deduzindo, a seguir, cientificamente, que os que não estiveram presentes seriam contra a greve, não lhe passando pela cabeça, nesta complicada conta de subtrair, que muitos professores, não puderam participar, devido à distância dos seus locais de trabalho em relação à capital?
O que se passou à volta da convocação desta greve lançou muita perplexidade junto dos portugueses, que temem uma escalada agressiva de um governo em desespero contra o direito à greve, da qual nenhum trabalhador prescinde, já que constitui a última arma legal de que dispõe para combater as tentativas usurpadoras do Estado e do patronato.
Na sua estratégia, o ministro tentou desacreditar os professores junto da opinião pública, invocando os eventuais prejuízos provocados aos alunos, se os exames não se realizassem nas datas previstas. Ao manter-se irredutível em não adiar a data dos exames, o que era materialmente possível, é o ministro que está objetivamente a prejudicar os alunos.
A greve dos professores tem de ser um êxito, pois, caso contrário, eles perderão tudo o que estão a defender.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

GREVE GERAL


A Greve Geral de hoje tem todas as condições para marcar um ponto de viragem na estratégia da contestação às políticas do atual governo e à ditadura da troika, em função da ampla convergência de vários movimentos e organizações de protesto à iniciativa da CGTP-Intersindical, que assim se constitui no centro aglutinador das forças de esquerda que pretendem uma radical mudança em relação às violentas políticas de austeridade. Sem se diluirem e sem perderem a sua matriz identitária, esses movimentos aderiram à iniciativa da central sindical, percebendo que só um grande movimento unitário poderá provocar a queda do governo e liquidar as nefastas políticas da direita.
Seria importante e desejável que, a partir de hoje, uma nova dinâmica do movimento de contestação e de protesto, assente num amplo consenso de posições e reforçado pelo estabelecimento de objetivos e processos comuns, pudesse conferir à data a marca da divisória entre dois tempos: O antes e o depois da Greve Geral. O povo português reconheceria aí um obejetivo sinal de mudança, condição necessária para poder continuar a acreditar na existência de alternativas consistentes ao estabelecimento de uma nova política para Portugal.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Concentração de Médicos - Ministério Saúde - 11 de Julho 2012

Amabilidade de Pilar Vicente
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Foi esta concentração/comício que fez cócegas na cabeça a Marcelo Rebelo de Sousa. O homem, contudo, não explicou a contradição que poderá existir em realizar um comício durante a ocorrência de uma greve. Mas eu sei a razão do seu descontentamento. A concentração dos médicos em frente ao Ministério da Saúde atraiu a comunicação social, que acabou por difundir na opinião pública a grande amplitude da greve.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

"Pela sua Saúde, os Médicos uniram-se"

Amabilidade de Pilar Vicente

A importância deste greve dos médicos portugueses não pode ser apenas avaliada pela sua elevada adesão em todo o país, o que marca o seu pleno êxito, e que deixou o governo sem argumentos, fragilizando-o ainda mais. É relevante destacar o seu eco, alcançado em todo o país, com a grande maioria dos portugueses a compreender que os sindicatos médicos não estão a lutar apenas pela melhoria das suas remunerações e das suas condições de trabalho. Estão também a lutar, e de uma forma consequente, pela defesa intransigente do Serviço Nacional de Saúde, que está a ser alvo de um ataque habilmente programado, que visa a médio e a longo prazo a sua privatização parcial (a dos setores mais rentáveis). E essa luta também pertence a todos nós.

sexta-feira, 30 de março de 2012

A barbárie fascista regressa às ruas e às praças das cidades de Espanha

Policías antidisturbios han cargado hoy contra los manifestantes convocados por el movimiento 15-M para impedir que se uniesen a la manifestación que se ha celebrado en Oviedo contra la reforma laboral. (Foto: EFE, J.L.Cereijido)
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Un policía se enfrenta a un manifestante durante los disturbios ocurridos esta tarde en Barcelona durante la marcha contra la reforma laboral. (Foto: AFP, JOSEP LAGO)
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Un manifestante recibe atención médica después de recibir un golpe en la cabeza durante los enfrentamientos registrados esta tarde en Barcelona. (Foto: REUTERS, STRINGER/SPAIN)
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 Un mosso d'esquadra golpea con la porra a un manifestante durante los disturbios producidos en la jornada de huelga general convocada por los sindicatos. (Foto: EFE, Alberto Estévez)
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Porque não foi bem enterrado, o monstro do Vale dos Caídos agiganta-se em Espanha, ameaçando as liberdades dos trabalhadores. As imagens chocantes da repressão policial, indignas de um Estado de Direito, trazem à memória o tempo da demência fascista do franquismo.
Imagens e legendas do jornal El Pais.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Greve em Espanha: Sindicatos reclamam “adesão maciça” à greve em Espanha

Fotografia do PÚBLICO
As centrais sindicais Comisiones Obreras e UGT falam de uma “adesão maciça” durante a madrugada à greve geral de hoje, a oitava da democracia espanhola, que segundo os sindicatos fez parar a totalidade dos sectores industrias, como as fábricas de automóveis e metalúrgicas, a construção de infra-estruturas, a recolha de lixo e as minas, relatava a TVE no seu site. O Governo sublinhava a “tranquilidade” com que a greve se desenrolava e o cumprimento dos serviços mínimos.
Os transportes limitavam-se aos serviços mínimos (fixados em 30%), o que indicava uma adesão maciça na região de Madrid. Os 28 portos de “interesse geral” estavam completamente parados. Ainda não havia dados sobre o comércio, que só abriu às 10h locais (9h em Portugal). Os grandes armazéns tinham aberto no centro de Madrid e de Barcelona, mas tinham poucos clientes, segundo o diário El País, no seu sítio electrónico. Vários canais de televisão das regiões autónomas estavam sem sinal.
“Dos 10 milhões de assalariados que deveriam estar a trabalhar até agora, poderemos falar de 85% de adesão, descontando os serviços mínimos”, disse Antonio del Campo, da central sindical Comisiones Obreras, citado também por El País. A convocatória da greve não abrangia os trabalhadores independentes.
PÚBLICO
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A barbárie fascista, tanto em Portugal como em Espanha, esconde-se atrás do biombo de uma democracia de pantufas. A Besta hedionda ainda não foi extirpada.
Tal como em Portugal, a polícia espanhola utilizou desproporcionados métodos repressivos e intimidatórios contra os grevistas. Mas, nesta greve, que vai marcar um ponto de viragem, os trabalhadores espanhóis estão a demonstrar, com a sua coragem e determinação, que não são um rebanho de carneiros. Que sirvam de exemplo à carneirada geral.
http://economia.publico.pt/Noticia/sindicatos-reclamam-adesao-macica-a-greve-em-espanha-1539859

Greve de Espanha está a ser um êxito...

Fotografia do El Pais
Siga em direto as manifestações em várias cidades espanholas.
http://elpais.com/especiales/2012/huelga-general/?ap=1

quinta-feira, 22 de março de 2012

GREVE GERAL

Nunca uma Greve Geral se revestiu de tanta importância política para a defesa dos trabalhadores, dos pensionistas e dos desempregados, cujos direitos estão a sofrer o mais brutal ataque desde o 25 de Abril.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Em Defesa da Dignidade, do Trabalho e do Estado Social, Apoiamos a Greve Geral*

Três Cantos - Eu Vi Este Povo A Lutar
Fausto, José Mário Branco e Sérgio Godinho,
três ícones da música de intervenção
*
O último ano tem sido marcado por uma catadupa de decisões políticas atentatórias das condições de vida dos cidadãos e dos serviços e apoios sociais arduamente conquistados ao longo da história, criando uma situação que é tão mais gravosa quanto ocorre num quadro de progressivo desemprego e recessão económica.
É o caso dos cortes unilaterais nos salários dos trabalhadores do Estado, da apropriação fiscal de grande parte do subsídio de Natal dos trabalhadores e pensionistas, do corte dos subsídios de Natal e de férias dos trabalhadores do sector público e dos pensionistas que, tal como o aumento do horário laboral no sector privado, estão previstos para o próximo ano, da substancial diminuição do financiamento ao Serviço Nacional de Saúde e à educação pública, ou da restrição do acesso ao subsídio de desemprego e a outras prestações sociais.
No entanto, estas opções políticas não se limitam a agravar as condições de vida dos trabalhadores, pensionistas e suas famílias, fazendo até perigar a própria subsistência de muitos deles em condições minimamente dignas.
Essas decisões são tomadas em nome do reequilíbrio das contas públicas e da necessidade de servir a dívida. No entanto, devido à recessão que já provocam e irão aprofundar, não permitirão sequer atingir esses objectivos. Dessa forma, ao sofrimento imposto a milhões de pessoas e à injustiça na repartição dos custos, vem somar-se a consciência da inutilidade de tais sacrifícios.
Mais ainda, as medidas tomadas no âmbito das políticas de “ajustamento” constituem uma brutal subversão do contrato social que permitiu à Europa libertar-se, após a II Guerra Mundial, da endémica incerteza e insegurança de vida dos seus cidadãos e, com base nisso, assegurar vivências mais dignas, uma maior equidade e níveis de paz social e segurança colectiva sem paralelo na sua história.
Ao subverterem a credibilidade e a segurança jurídica da contratação laboral e sua negociação, ao esvaziarem e restringirem os elementos de Estado Social implementados no país (pondo com isso em causa o acesso dos cidadãos à saúde, à educação e a um grau razoável e expectável de segurança no emprego, na doença, no desemprego e na velhice), essas opções políticas, apresentadas como se de inevitabilidades se tratasse, reforçam as desigualdades e injustiças sociais, abandonam os cidadãos mais directamente atingidos pela crise, e criam as condições para que a dignidade humana, os direitos de cidadania e a segurança colectiva sejam ameaçados pela generalização da incerteza, do desespero e da ausência de alternativas.
Por essas razões, os cientistas sociais signatários reafirmam que os princípios e garantias do Estado Social e da negociação consequente dos termos de trabalho não são luxos apenas viáveis em conjunturas de crescimento económico, mas sim condições básicas da dignidade e da existência colectiva, que se torna ainda mais imprescindível salvaguardar em tempos de crise. São, para além disso, elementos essenciais de qualquer estratégia credível para ultrapassar a crise e relançar o crescimento económico.
Num quadro de fortes limitações orçamentais, esse imperativo societal requer a reversão das crescentes assimetrias na distribuição de riqueza entre capital e trabalho, designadamente através da utilização de uma substancial e mais equitativa tributação dos lucros e mais-valias como fonte do reforço de financiamento dos serviços e prestações sociais.
Sendo as opções governativas em curso (e em particular a proposta de OGE 2012) contrárias a estas necessidades e atentatórias da dignidade humana e da segurança colectiva, os cientistas sociais signatários apoiam a Greve Geral convocada pela CGTP-IN e a UGT para o próximo dia 24 de Novembro, apelando aos seus concidadãos para que a ela adiram.
Tratando-se embora de uma acção a nível nacional, os signatários saúdam também esta Greve Geral como um momento do combate europeu contra as políticas de austeridade e de regressão social, a favor de mudanças na política europeia que coloquem no centro os cidadãos, o crescimento económico, o desenvolvimento e a defesa da Europa Social e da democracia.
*Apelo à adesão à Greve Geral de 24 de Novembro, subscrito por 128 cientistas sociais portugueses ou a trabalhar em e sobre Portugal.
Retirado do blogue "Ladrões de Bicicletas"

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mulheres da limpeza arrumaram as vassouras na escola da PSP por falta de pagamento


As dívidas, acumuladas nos últimos oito meses, já rondam os 100 mil euros. Instrutores também estão a receber menos.
As empregadas da empresa de serviços de limpeza que trabalham na Escola Prática de Polícia (EPP) da PSP, em Torres Novas, recusaram na segunda-feira desempenhar qualquer tarefa naquelas instalações. Tratou-se de uma acção de protesto pelo atraso nos pagamentos (já serão oito meses) que a polícia acumula em relação à empresa. Para se proceder ao fornecimento de refeições, a PSP recorreu a funcionários civis e a alguns polícias.
PÚBLICO
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E o país a precisar de ser varrido de alto a baixo!...

sábado, 4 de dezembro de 2010

São sempre os trabalhadores a pagar as crises!...

Governo espanhol declara "estado de alarme"
Reunido de urgência, o Conselho de Ministros espanhol acaba de declarar o Estado de Alarme em Espanha devido à greve selvagem dos controladores aéreos. Com esta declaração os profissionais que controlam o espaço aéreo incorrem em penas de prisão que podem ir entre os 8 aos 15 anos caso não regressem ao trabalho.
...
A gota que entornou o copo
Estes controladores abandonaram os seus postos de trabalho na sexta-feira ao fim da tarde alegadamente para protestar contra uma medida adoptada pelo Governo de Espanha em Conselho de Ministros estabelecendo as 1.670 horas anuais de trabalho para estes profissionais.
A medida integra-se num pacote legislativo e económico que visa preparar a companhia de bandeira espanhola para a privatização.
“A falta de pessoal que nós sempre denunciámos é evidente”, declarou o porta-voz do sindicato dos controladores aéreos, David Zamit, explicando que o estabelecimento das 1670 horas anuais impedia por exemplo estes profissionais de poderem usufruir das ausências por paternidade ou por doença nas suas horas de trabalho.
“Nós atingimos mentalmente o nosso limite com este novo decreto que nos obriga a trabalhar mais horas” explica um outro porta-voz, Jorge Ontiveros.
RTP
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É certo que a greve dos controladores aéreos espanhóis, desencadeada ontem, espontâneamente, mal foi conhecida a decisão do governo em aumentar a a carga horária de trabalho, sem qualquer contrapartida remuneratória, é ilegal, já que não foram cumpridos os preceitos legais em relação ao pré-aviso de greve. Também já vi escrito algures, que se tratava de uma greve selvagem. Mas eu pergunto se a imoralidade não se encontra a montante, precisamente ao nível do governo, que, com esta medida injusta, tenta criar condições mais atractivas para a já anunciada privatização da AENA, a gestora aeroportuária espanhola, e de alguns sectores da Ibéria. Perante a falta de controladores, devido ao congelamento de novas admissões, o governo de Zapatero quer fazer recair sobre aqueles profissionais, violando os seus direitos laborais, o ónus da optimização dos resultados financeiros da empresa.
Nada que já não tenha ocorrido em Portugal, e que ocorre, actualmente, nos CTT, que o governo pretende privatizar, desfazendo-se de um património material e institucional de elevado valor.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Notas do meu rodapé: Sindicatos- A luta de David contra Golias...

Tenho uma mosca na sopa

A dolorosa verdade é que o futuro de Portugal
está hoje, quase todo, em Bruxelas, Berlim e nos
animal spirits dos mercados. A greve foi grandiosa,
mas gigantesco é tudo aquilo que fica por fazer.
Viriato Soromenho Marques
Diário de Notícias
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Os sindicatos, tal como se encontram organizados em cada um dos países, já não conseguem responder às solicitações dos trabalhadores que representam. E isto não deriva, naturalmente, da responsabilidade dos milhares de sindicalistas que, empenhadamente, e até com prejuízos ao nível das suas carreiras profissionais, principalmente os oriundos do sector privado, trabalham exaustivamente em prol dos seus colegas e camaradas. O problema situa-se a um outro nível, e que tem a ver com as grandes mudanças ocorridas a nível mundial, depois da queda dos regimes comunistas e da renovada ofensiva do capitalismo internacional que, através do consenso de Washington, adoptou a cartilha ideológica do neo-liberalismo, puro e duro. Afastada a ameaça do contágio do comunismo, o único e verdadeiro inimigo do sistema capitalista, os EUA e os seus aliados mais íntimos e poderosos, reorganizaram a economia mundial, criando, através da globalização, uma cadeia de dependências políticas, económicas, financeiras e culturais na maioria dos países do mundo, a tal ponto, que, cada um deles, já se encontra impossibilitado de exercer autonomamente a sua total independência e soberania. A actual crise internacional, que não beliscou minimamente o capital financeiro (os verdadeiros mandantes dos governos submetidos à sua alçada), mostra à evidência como funciona essa tenebrosa rede. Cada governo nacional não passa de uma agência intermediária das várias organizações que o capitalismo criou para melhor explorar o mundo do trabalho.
Enquanto os centros de decisão do grande capital financeiro funcionam numa estrutura globalizada e camufladamente hierarquizada, os sindicatos apenas podem actuar no seu respectivo âmbito nacional. É uma luta travada com armas desiguais. É a versão moderna da luta de David contra Golias, só que o David actual (os sindicatos) não conseguem imprimir ao movimento da funda a força suficiente para abater o monstro. Mesmo ao nível da União Europeia, verifica-se uma enorme inoperência das organizações que aglutinam as centrais sindicais dos países membros. Ainda está por ocorrer uma iniciativa de massas que mobilize e envolva simultâneamente os trabalhadores de toda a União Europeia. É certo que esta lacuna também se deve à grande (e para já insanável) divisão do movimento sindical internacional. Os partidos socialistas e os partidos socais-democratas, que no momento actual já não conseguem esconder a sua ligação ao capital financeiro, não se esqueceram de criar as suas próprias estruturas sindicais, com objectivos claramente divisionistas, e enquanto os seus trabalhadores não forçarem a reorientação política correcta será impossível criar um movimento sindical único e global, que possa fazer frente ao sistema capitalista global.
A actual crise, que é endémica e estrutural, pois deriva das disfuncionalidades introduzidas pelo neo-liberalismo, talvez venha a possibilitar tendencialmente uma maior e necessária internacionalização do movimento sindical. É urgente que se caminhe nesse sentido, mesmo que todos tenham que ceder naquilo que é acessório, para se garantir o que é fundamental.
Isto não obsta, antes reforça, que, a nível nacional, se aprofunde, através da luta, a influência dos sindicatos e das suas centrais perante os governos e perante o patronato.