O primeiro-ministro britânico, David Cameron,
terá ameaçado indiretamente os seus parceiros europeus com a saída do Reino
Unido da União Europeia se o ex-primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude
Juncker for presidente da Comissão Europeia, noticia a última edição da revista
alemã 'Der Spiegel'.
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Era este tipo de atitude, idêntica à do
primeiro-ministro britânico, David Cameron, que o governo de José Sócrates
deveria ter tomado, em reação ao assédio feito pelos principais dirigentes
europeus, incluindo Jean-Claude Junker, para que Portugal solicitasse um plano
de resgate parcial da sua dívida soberana, que, na altura, e intencionalmente,
estava a ser sujeita a uma gigantesca manobra, puramente especulativa, que lhe
sobrecarregava o valor dos juros.
Bastava o governo português esgrimir a ameaça da
saída do euro e, consequentemente, da União Europeia, para provocar um
terramoto financeiro na Europa. "Até a Merkel se mijava pelas pernas
abaixo", escrevi eu, na altura. Contrariamente, prevaleceu a teoria do bom
aluno, aquele bom aluno servil, subserviente e submisso, que, agora, Passos
Coelho também assume com elevado esmero e empenho, ao ponto de eu já não saber
se ele é o primeiro-ministro de Portugal, ou apenas o encarregado de negócios
da Alemanha em Portugal.
Quando um credor percebe que o devedor não lhe
pode pagar a dívida, disponibiliza-se a renegociar os juros, o prazo de
pagamento e até perdoar parte do montante, já que, para esse credor, vale mais
receber algum dinheiro do que não receber nenhum. Mas a corja, comprometida com
os interesses do grande capital, fingiu não perceber isto, e como os pesados
sacrifícios teriam de ser suportados pelo Zé Povinho, ajoelhou-se,
humilhando-nos.