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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Rastos do Tempo / Traces of the time


Este é o mundo daquela parte do Portugal Desconhecido. Mas que ainda existe para nos agredir a memória…
Alexandre de Castro

Fotos de Armando Jorge
Música e edição de Chico Gouveia

Ver aqui

terça-feira, 8 de maio de 2018

Como era Portugal antes da Democracia?





Ainda tenho a memória desse tempo sem futuro.
Era o país de Salazar, um campónio doutorado, que odiava o progresso e dele desconfiava, e que, da Cultura, tinha apenas a visão distorcida de um seminarista da província.

Era o país do "Livro Único", onde os portugueses aprendiam a ser "obedientes, pobres, honestos e trabalhadores", e em que se legislava sobre o comprimento das saias das mulheres, que tinham de esconder os joelhos, para evitar os seus perversos efeitos eróticos.

Era o país em que só se deveria "foder", às escuras, embora os portugueses estivessem sempre a ser "fodidos", às claras. (*)

Era o país que até tinha um Portugal dos Pequeninos.

Alexandre de Castro
2018 05 08

(*) Desculpem o calão utilizado, que não é dos meus hábitos, na escrita. Mas, desta vez, tinha de vos escandalizar, tal como, certamente, se escandalizaram com a visualização deste vídeo. E, oxalá, que uma grande crise, que, segundo alguns economistas de renome, vem aí a caminho, não nos ponha novamente a comer, ao pequeno- almoço, caldo de couves e pão com toucinho.

domingo, 30 de abril de 2017

O que é ser europeu? E como vai a grandeza da Pátria?


O que é ser europeu?

A propósito da minha publicação sobre o inquérito do Eurobarómetro, em que se pretendia medir o grau de aceitação, pelos cidadãos, dos conceitos da integração política, económica e financeira [a integração militar já vem a caminho], da Europa, uma amiga, a Helena Viegas interpelou-me, muito justamente, com a pergunta: O que é ser europeu?

Respondi assim:

Historicamente, a Europa sempre foi um continente de povos e nações. Ao longo dos séculos, nem sequer se criou uma língua comum. Cada povo europeu tem a sua língua e a sua própria identidade. O insucesso e o fracasso foram os resultados obtidos por Napoleão e por Hitler, quando pretenderam unificar a Europa, pela força. É impossível unificar a Europa.

Por outro lado, eu não sei em concreto o que é ser europeu, para além do conceito geográfico e dos efeitos de proximidade no processo histórico.

Ser europeu será ter sonhos eróticos com a senhora Merkel? É ter vontade de contratar, a recibos verdes, o presidente francês, François Holland, para uma parelha de palhaços de circo?

Eu não sei, querida amiga, o que é ser europeu. Francamente, não sei. Apenas sei que sou português, por nascimento e por cultura, cultura que não renego, e que a UE é uma grande burla, tão maligna como a burla das religiões, a cargo de eclesiásticos sem escrúpulos, incluindo os Papas.

***
E assim vai a grandeza da Pátria

Também sei que o nosso futuro não é a Europa política e económica, que está a ser construída, e que de ideia falhada passou à condição de facto histórico falhado, isto na persctiva que deveria ser a dos países pobres europeus, porque na visão dos seus pioneiros (Plano Shuman) havia a intenção de formar um mercado único europeu, iniciado por um mercado único europeu do carvão e do aço, ocultamente protegido da livre concorrência das economias dos EUA e da Grã-Bretanha, e que servisse de âncora às economias da França e da Alemanha, e, subsidiariamente, às economias da Bélgica, do Luxemburgo, da Holanda e da Itália, a que se seguiu a constituição da Comunidade Económica Europeia, que começou a integrar os restantes países europeus, menos desenvolvidos.

O objectivo foi sempre a economia. Para dinamizarem as compras às indústrias pesadas dos países ricos, foi necessário avançar com os fundos europeus, para os quais todos os países membros contribuíam e todos os países recebiam, de acordo com a proporcionalidade da sua riqueza. Os grandes beneficiários foram os países ricos, que condicionaram o mercado e adaptaram as ajudas comunitárias aos perfis das suas economias, que tiveram, assim, um grande impulso.

Ganha a frente comercial, baseada nos factores produtivos (indústria pesada e indústria ligeira), e para ganharem novas mais-valias, a Alemanha e a França abriram uma nova frente de negócio, a frente financeira, baseada na especulação imobiliária, e tudo isto em nome da solidariedade europeia. Os bancos desses dois países hegemónicos começaram a aliciar os bancos dos países da periferia, onde estava Portugal, para dinamizarem nos seus países, através de empréstimos aos potenciais clientes (a classe média), a juros baixos, o mercado da compra de habitação própria. Aparentemente, foi um sucesso. Nunca os países do sul tiveram tanto dinheiro. Nos arredores das grandes cidaddes, as casas cresceram como cogumelos e novos bairros surgiam, a ilustrar os benefícios da Europa unida e fraterna. Para o cidadão-tipo, incorporado na classe média renovada, ter casa própria era um sonho de uma vida e de um projecto. E assim se compreende a sucessão de governos, religiosamente adeptos do europeísmo. Pudera! O dinheiro era tanto que até dava para os operadores da pujante indústria da construção civil - que, num ápice, apareceram a construir casas, auto-estradas, estradas, pontes e até dois estádios, que não servem para nada – corromperem autarcas, funcionários superiores dos ministérios, ministros e até, segundo se julga, um primeiro-ministro.

O pior veio depois. Um cenário previsível para a alta finança e para os governantes da época, os dos países credores e os dos países devedores, que, agora, não podem reclamar a sua inocência. Bastava-lhas ter ouvido os avisos constantes do PCP e de muitos economistas, de consciência honesta, para terem procedido com moderação, na forma como o país estava a endividar-se.

O que veio a seguir já é recente, e seria redundante estar aqui a fazer-lhe uma referência: uma crise profunda, o espectro da bancarrota, a bárbara assistência técnica da troika, com o seu modelo clássico de cortar nos rendimentos do trabalho para salvar os rendimentos do capital, a falência financeira das famílias, que ficaram sem casa e sem o dinheiro das amortizações, já efectuadas, o aumento do desemprego, principalmente o desemprego dos mais jovens, que ficarão conhecidos na História como membros da Geração Perdida, aumento vertiginoso da criminalidade, devido à pobreza, empobrecimento dos pensionistas e reformados, que viram os seus subsídios diminuídos, por ordem da troika, que o PS, PSD e CDS aclamaram como salvadora da Pátria, cortes no Serviço Nacional de Saúde e na Educação, etc…etc…etc…

E assim vai a grandeza da Pátria…

Alexandre de Castro  
2017 04 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Dirigentes europeus caladinhos e bondosos...


Dirigentes europeus caladinhos e bondosos...

O recente abrandamento da agressividade dos vários líderes da União Europeia, em relação a Portugal - agressividade essa que, há uns anos atrás, se manifestava diariamente e de um modo rotativo, através do aparecimento de um deles, nos meios de comunicação social, para fazer duras críticas ao governo português, por Portugal, no ponto de vista financeiro, não conseguir alcançar as metas acordadas - deve-se exclusivamente ao medo que se instalou nos gabinetes de Bruxelas e de Berlim, perante o surgimento da hipótese da ascensão ao poder dos partidos da extrema direita. Recentemente, até passaram com uma esponja o facto da dívida pública portuguesa ter aumentado, o que, há uns dois anos atrás, teria sido um excelente pretexto para proferir discursos ameaçadores.
Todos nós sabemos que os actuais partidos europeus de extrema-direita são os herdeiros “civilizados” do nazismo e do fascismo. Mas também sabemos que esses partidos não se inibem em anunciar explicitamente aquilo que os partidos do sistema, que se alternam rotativamente no poder, para implementar as mesmas políticas, ocultam da opinião pública, mas que tentam fazer sub-repticiamente.
No final deste ano, e se nas várias eleições, que vão decorrer na Europa, os partidos do sistema assegurarem confortavelmente o poder, Portugal regressará novamente à condição de mau aluno. E então o discurso muda, regressando à ameaça e à chantagem. 
Alexandre de Castro
2017 02 02

sábado, 13 de agosto de 2016

Para que Portugal continue a ser dos portugueses...

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu realizar 
em São Paulo a cerimónia do 10 de Junho de 2018

Presidente da República anunciou intenção de comemorar 10 de Junho com os portugueses no estrangeiro ano sim ano não.
***«»***
Se estamos a perder Portugal, cá dentro, ao menos, que o façamos crescer, lá fora, onde quer que se encontre a nossa diáspora.
Alexandre de Castro
13 AGO 2016

domingo, 12 de junho de 2016

Não bastam as acções diplomáticas, as cerimónias das condecorações (de má memória) os protocolos e as paradas militares


Não estava no programa oficial a participação de François Hollande na Câmara de Paris, na condecoração dos quatro porteiros portugueses que socorreram vítimas do atentado do Bataclan. Mas já se sabe como Marcelo pode ser persuasivo, a ponto de conseguir desviar o presidente francês do percurso entre o Palácio do Eliseu e o Stade de France. Em vez de ir diretamente, passou pela casa de Anne Hidalgo e, tal como Marcelo e Costa, fez um discurso de improviso.
… Marcelo fez um malabarismo ao protocolo e passou para as mãos de Hollande duas das quatro condecorações para que ele as entregasse. "Vou mudar as regras", disse antes. Já durante a manhã tinha dado a volta ao statu quo, quando retomou, 42 anos depois de 1974, a parada militar no Terreiro do Paço e as condecorações a antigos combatentes da Guerra Colonial - e também a militares no ativo que se destacaram em missões no estrangeiro - e também a militares no ativo que se destacaram em missões no estrangeiro. Sabia que ia agitar os fantasmas de várias gerações, sabia que estava novamente a andar sobre o arame das memórias difíceis. Mais alguém poderia tê-lo feito? Se no dia em que se tornou Presidente ele se juntou a representantes de 18 crenças religiosas na Mesquita de Lisboa, sim, podia. Por muito que seja doloroso voltar a sentir as feridas do passado recente, é preciso procurar no que aconteceu ontem o sinal de que nada é imutável e tudo pode ser posto em causa.
Diário de Notícias _ Ana Sousa Dias

***«»***
Na realidade, na História dos Povos, nada é imutável. Tudo muda, porque "o mundo é feito de mudança". Mas é preciso dar um empurrão a essa mudança. E os empurrões não podem estar confinados apenas ao nível diplomático e aos protocolos de Estado, muito embora sejam importantes. O folclore das paradas militares e das cerimónias das condecorações, de má memória (e agora falo na qualidade de ex-capitão miliciano, que fez a Guerra Colonial) não são suficientes para resolver os problemas que, neste momento, se colocam a Portugal, e que ameaçam a sua identidade, a sua dignidade e a sua independência, que está em perigo. O problema que Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa têm de resolver rapidamente é a posição de Portugal no contexto europeu, uma relação que está a descambar perigosamente para uma típica situação neocolonial, embora de forma encapotada. A União Europeia, que se apresentou como um espaço de solidariedade, está a transformar-se num pesadelo para os povos que não conseguiram (também por culpas próprias, é certo) acompanhar o desenvolvimento dos países europeus mais ricos (que também enriqueceram à custa dos países mais pobres, através da economia de troca desigual, uma vez que o dinheiro dos subsídios aos países pobres destinava-se a promover a compra de bens e serviços aos países mais ricos), o que me leva a afirmar que a União Europeia se transformou num grande espaço de negócios. E a situação chegou a um ponto extremo e insustentável, quando se assiste ao degradante espectáculo de uma instituição comunitária, a Comissão Europeia, controlada à distância pela Alemanha e pela França, ameaçar Portugal com sanções económicas, medidas estas que nunca deveriam ser incluídas em nenhum Tratado Internacional, e que, ao constar nos tratados europeus, constitui uma originalidade vergonhosa, já que nunca se viu, em tempos de paz, dois ou mais países estabelecerem, entre si, a aplicação de sanções, nos acordos entretanto firmados.
E é isto que tem de ser resolvido rapidamente pelos altos dirigentes de Portugal.
Alexandre de Castro

Publicado também aqui, por deferência dos editores do "Abril de Novo Maganize".

domingo, 22 de maio de 2016

A ortodoxia da Europa...


Bruxelas pode impor aos Estados políticas orçamentais absurdas, para depois os condenar pelo insucesso das medidas de que ela é a principal responsável! É um absurdo político e uma realidade moralmente revoltante.
Viriato Soromenho Marques

***«»***
Em apoio à tese de Viriato Soromenho Marques, deixei, no Diário de Notícias o seguinte comentário.
*
Sem dúvida alguma. As instituições da troika (UE/FMI/BCE) têm de assumir a responsabilidade do fracasso do modelo de resgate aplicado à Grécia e a Portugal. Aceitaram os programas das medidas de austeridade, que os governos lhe apresentaram, em troca do resgate (no caso português, essas medidas até foram para "além da troika", vangloriou-se Passos Coelho), deram o seu aval à sua progressiva implementação, nas várias avaliações trimestrais efectuadas, dando nota positiva a todo o processo, e manifestaram-se satisfeitas no final do programa. No entanto, em Portugal, o ano de 2015, o último da governação da coligação de direita, correu muito mal e, parece, deitou tudo a perder. Subitamente, os papagaios da direita deixaram de poder dizer que Portugal não era a Grécia, comparação esta que nunca perfilhei, pois sempre pensei e disse que Portugal seguiria "irrevogavelmente" o caminho acidentado e trágico da Grécia, só que estava um ano a ano e meio atrasado. 
Agora, aquelas instituições lavam as mãos como Pilatos, em relação ao que supervisionaram e sancionaram,  e vêm, em tom de ameaça, insistir na aplicação da mesma receita, que, como se constata, não deu resultado no passado recente.
Mas, se as instituições da troika não dão a mão à palmatória, também a comunicação social, na sua maior parte constituída em vanguarda da direita política, está a tentar uma manobra de diversão, querendo fazer passar, de uma forma subtil e implícita, de que a culpa do desastre de 2015 é da responsabilidade do governo de António Costa e da coligação de esquerda que o sustenta.O caso mais flagrante foi um artigo do Director do Observador, José Manuel Fernandes (JMF), que pegou em todos os índices macro económicos das estatísticas do INE, relativas ao 1º trimestre deste ano, para concluir, do alto da sua sapiência, que o governo de António Costa era inepto e incompetente, quando se sabe que, naquele curto período de tempo, o governo não teve a oportunidade (nem podia tê-la) de tomar medidas de fundo, pois o Orçamento de Estado de 2016, onde essas medidas se encontram inseridas, foi aprovado em finais daquele trimestre. Que se saiba, o orçamento não produz efeitos retroactivos.
Este artigo de JMF é bem o exemplo típico do mau jornalismo (principalmente o jornalismo de opinião) que campeia em Portugal, em que os órgãos de informação, além de servirem de caixa de ressonância dos partidos da direita, promovem campanhas bem orquestradas de intoxicação mediática.

Alexandre Lopes de Castro
Jornalista (C.P 5907)

quinta-feira, 14 de abril de 2016

ICH BIN EIN BERLINER PT


Vídeo enviado pelo meu amigo / irmão Jorge M. Ribeiro

Portugal vai ficar sem anéis e sem dedos...

Um dia, daqui por alguns anos, quando se fizer o balanço das relações económicas no espaço europeu, chegaremos à conclusão de que o saldo será negativo para Portugal e muito favorável para a economia alemã.
É certo que os dinheiros dos fundos europeus, em que a maior tranche pertenceu à Alemanha, foram decisivos para o desenvolvimento das infraestruturas de Portugal. Mas também é certo que muitos dos equipamentos, como, por exemplo, a maquinaria pesada paras as industrias e para a construção civil,  assim como material de guerra (submarinos), foram importados da Alemanha. Até o alcatrão para as auto estradas veio todo da Alemanha. A economia alemão cresceu à custa das exportações para os países da periferia - Portugal, Grécia e, em menor escala, a Itália.
Também, a nível financeiro, funcionou um esquema predador, que permitiu transferir riqueza dos países da periferia para a Alemanha. Entre amortizações e juros, os bancos alemães reembolsaram grande parte do dinheiro que emprestaram aos bancos portugueses, para estes emprestarem aos jovens, a fim de comprarem casa própria. Como o esquema começou a falhar, devido aos incumprimentos das famílias, a Alemanha socorreu-se da troika, para impor a austeridade, o que veio permitir que a dívida privada dos bancos fosse transferida para a dívida pública, pelo engenhoso processo de forçar o endividamento do Estado português, perante as entidades europeias e o FMI. Será o dinheiro da austeridade que, através de um complexo sistema de operações financeiras, irá limpar parte dos produtos tóxicos dos grandes bancos alemães. A outra parte será paga com o dinheiro das privatizações.
Deste modo, Portugal vai ficar sem anéis e sem dedos.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A culpa é do Estado?


A culpa é do Estado?

Portugal é um país pequeno em termos europeus. Todos conhecem todos ou conhecem alguém que conhece. Não são só as estreitas relações entre políticos e empresários, agora muito na moda, que espartilham a sociedade portuguesa.
A falta de responsabilidade e de responsabilização criam um ambiente de impunidade e um sentimento de injustiça. Em toda a sociedade.
Os titulares de cargos públicos, quer sejam políticos ou técnicos, agem e decidem sempre de consciência tranquila, pois independentemente do resultado das suas decisões sabem que dificilmente serão responsabilizados.
A falta de responsabilidade advém principalmente da falta de responsabilização. A falta de responsabilização por parte dos seus pares, dos seus superiores, das entidades reguladoras e das supervisoras, dos investigadores, das entidades judiciais e, em última análise, dos eleitores.
O sentimento de injustiça alimenta o ambiente de impunidade. Os crimes vários que são praticados contra o bem-comum e contra a vida já nem mexem o ponteiro da (in)justiça. Como diria um ex-Primeiro Ministro: “é a vida…”
O “nacional porreirismo” permite viver anestesiado em vez de vacinado. Cada vez é mais difícil impressionar negativamente os portugueses, que já viram acontecer tudo e de tudo. Várias vezes. E que pouco parecem importar-se.
A sua pouca exigência enquanto utilizadores de serviços públicos e privados, consumidores e eleitores é fruto da sua grande capacidade de adaptação. Certamente grande demais, porque já vai sendo tempo de sair da anestesia e procurar uma vacina para tamanha incapacidade do Estado.
A visão benévola do Estado protector, enquanto garante do bem-estar social e subsidiador de todas as actividades em benefício de todos e de cada um possui inúmeras desvantagens. Talvez a principal delas seja mesmo a desresponsabilização que cada um sente na sua relação com o Estado. Por responsabilização do Estado em relação a tudo.
O problema de responsabilizar o Estado por tudo de bom que nos deve acontecer, é ter que responsabilizar o Estado por tudo de mal que acontece. Sem ser necessário, nem sequer aconselhável, responsabilizar/culpabilizar alguém pelo caminho. Para não ferir susceptibilidades e porque estão todos de consciência tranquila. Como sempre.
Mas parece que agora o objectivo primordial de reforçar a segurança nacional está mais próximo de ser cumprido, pois com a criação de leis anti-piropo, através de penas de prisão para este tipo de criminosos, será mais fácil condenar alguém por tamanha crueldade do que responsabilizar directamente alguém pelas mortes de doentes/pacientes nos hospitais públicos pelo crime de abandono.
Votos de um Ano de 2016 mais exigente. Mas desta vez a sério.
Paulo Barradas

***«»***
Concordo com o diagnóstico, mas não concordo com a terapêutica. Não é por o Estado ser mais ou menos "protector", que os cidadãos são menos ou mais exigentes. O grau de exigência tem a ver com factores culturais, essencialmente, e que derivam, por sua vez, dos contextos morais, religiosos, sócio económicos e, naturalmente, políticos, que agem na formatação das consciências individuais, através de um complexo processo de uma sedimentação, de curta, média e longa duração, e que se vai herdando geracionalmente, embora com várias mutações, impostas pelas dinâmicas das novas realidades, derivadas do progresso das sociedades. 
O povo português, porque periférico, em termos históricos, em relação aos centros do progresso e dos conflitos bélicos europeus, foi sempre um povo facilmente domesticável pela acção dos aparelhos ideológicos dos vários poderes, que se completavam na sua missão: o poder religioso, o poder político e o poder económico-financeiro, que sempre recorreram a várias estratégias, para fazerem prevalecer o seu domínio, estratégias que iam da sedução à repressão e à opressão e da cultura da exaltação patriótica e nacionalista - como tentativa consumada de formatar um modelo de identidade colectiva.- à cultura do medo.
Trata-se de um quadro que, em termos sociológicos, é muito complexo, devido ao enorme peso das diferentes variáveis envolvidas, o que dificulta a sua compreensão plena. E é também esta complexidade de factores que impede a mudança rápida das mentalidades dos povos.
AC

terça-feira, 17 de março de 2015

Estudo: E o político em que os portugueses mais confiam é...


Um estudo realizado pela Seleções do Reader's Digest chegou à conclusão de quais as figuras públicas os portugueses mais têm confiança.
Os portugueses elegeram Marcelo Rebelo de Sousa como o político em quem mais confiam. O estudo Marcas de Confiança realizado pela Seleções do Reader’s Digest mostra que 14% elegeram o comentador da TVI, substituindo Rui Rio, antigo presidente da Câmara Municipal do Portohttp://ad.doubleclick.net/ad/N9166.140075.SAPO/B8528259.115396767;sz=1x1;ord=dc8beacffa?
O estudo dá conta ainda de que a política é uma das áreas em que os portugueses menos confiam. No geral, 96% não confia nos políticos e 83% não confia no atual Governo de Passos Coelho, segundo o Dinheiro Vivo. 
Os Sindicatos (81%), o sistema judicial (73%), os bancos (72%) e a União Europeia (71%), são outras entidades em que os portugueses também não confiam.
Em relação aos que confiam, Cristiano Ronaldo foi o desportista escolhido, com 54%. Rui Veloso foi o músico eleito (19%), Ruy de Carvalho na área da representação, com 47% e o escritor foi José Rodrigues dos Santos (28%).

***«»***
Se tivéssemos de levar este estudo a sério, seríamos obrigados a concluir que vivíamos num país de "merda". Mas as coisas não são bem assim. Nestas coisas dos inquéritos, interessa muito a metodologia utilizada, a estrutura da amostra e a forma como as perguntas são colocadas aos inquiridos. Perante a surpresa da pergunta, feita sem qualquer aviso prévio e sem referências aos respetivos contextos, em que seja permitida uma ponderada reflexão, o inquirido é levado, até para não ser considerado um ignorante, a indicar a personalidade mais mediática que, naquele momento, conhece, em cada setor considerado. E foi o mediatismo, o que este estudo mostrou, ao apurar, por exemplo, que Marcelo Ribeiro de Sousa era o político em que os portugueses mais confiam. E não foi nada inocente a realização deste estudo. 
Já a desconfiança manifestada em relação a Passos Coelho (justificada), aos sindicatos (incompreensível e inconcebível), aos bancos, ao sistema judicial e à União Europeia (também justificadas) não se projeta, incompreensivelmente, naqueles inquéritos usados pelas empresas da especialidade, para as sondagens sobre as intenções de voto, o que revela uma grande contradição. Alguém está a manipular as perceções da opinião pública.
Pela minha parte, se eu tivesse sido inquirido, até responderia que o Cristiano Ronaldo deveria ser o próximo Presidente da República, já que estou farto de ser governado por personalidades que têm os neurónios no cérebro.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ministro espanhol vem dar lições aos portugueses


"São ambos governos reformistas e progressistas [o de Portugal e o de Espanha]. Os números demonstram que os países onde fizemos reformas -- Portugal, Irlanda e Espanha -, em circunstâncias muito difíceis, começam a recolher os frutos e os dividendos desse esforço. Falta um longo percurso, mas estamos convencidos de que estamos no bom caminho", destacou.
"Preserva-se o princípio de que as dívidas devem pagar-se, os compromissos devem honrar-se e o financiamento deve estar ligado ao cumprimento de condições que assegurem a sua devolução. Reforça-se o princípio de que a União Europeia e o Eurogrupo se regem por regras que foram tomadas por todos e que, portanto, se devem cumprir", considerou ainda García-Margallo.

García-Margallo - ministro dos Assuntos Exteriores e da Cooperação de Espanha, em conferência de imprensa, em Portugal.

***«»***
Fiquei mais descansado, por ouvir o ministro espanhol dizer que Portugal, Irlanda e Espanha estão no bom caminho. O problema é que o caminho é longo “como o caraças”, e não se vê fim à vista.
Também estou de acordo que as dívidas devem pagar-se. Mas eu, apesar de não perceber nada de política nem de finanças, não fui ouvido nem achado sobre as tais regras “que foram tomadas por todos”, nem essas regras foram devidamente explicadas, cá ao pagode. Apenas nos disseram que era para nosso bem, e eu só comecei a perceber que era para nosso mal, quando comecei a levar com a austeridade em cima do toutiço.
Oh, senhor ministro, vá lá pregar para a sua terra, porque de Espanha, nem bom vento nem bom casamento.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tsipras deixa cair promessas para negociar com Europa


Governo de Alexis Tsipras deverá deixar cair aumento faseado do salário mínimo e perdão parcial da dívida. Segundo uma fonte à Reuters, a Grécia vai ficar sem dinheiro se não receber fundos adicionais até ao final de Março. 
Em menos de 24 horas, a postura do executivo de Alexis Tsipras perante os credores e os parceiros da União Europeia e do euro mudou de forma drástica. Fontes de Bruxelas e do executivo de Tsipras avançavam sob anonimato à Reuters que o governo helénico ia ceder em alguns pontos e pedir uma extensão de quatro meses do empréstimo sem, contudo, manter as reformas previstas no pacote inicial de resgate do Banco Central Europeu, Comissão e Fundo Monetário Internacional.

***«»***
Se Portugal e a Grécia tivessem recusado, no início da crise, as condições impostas pelas instituições europeias e pelo FMI, e tivessem exigido, brandindo a ameaça da saída unilateral do euro, um programa sustentável que se baseasse, não na austeridade, mas no apoio financeiro a projetos de desenvolvimento nos dois países, a senhora Merkel, e tal como escrevi na altura, até se "mijava toda pelas pernas abaixo". Há três ou quatro anos, a saída do euro de Portugal e da Grécia, isoladamente ou em conjunto, significava o fim da moeda única, pois os bancos alemães ficariam a descoberto, devido aos produtos tóxicos acumulados durante a década anterior, e respeitantes aos Títulos da Dívida Pública dos dois países, o que obrigaria ou à sua recapitalização, pelo governo alemão, e ao consequente aumento de impostas, ou à sua insolvência. Com a institucionalização da troika e a posterior aceitação das condições exigidas pelas instâncias europeias, o governo alemão conseguiu pôr os gregos e os portugueses, através de uma dura austeridade, a salvar os seus bancos e a reforçar a posição da Alemanha na liderança da Europa. Esta capitulação só foi possível com a cumplicidade ativa dos partidos que, nos dois países, têm assegurado, em regime de alternância, a governação. A essa capitulação, eu já chamei traição.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Atenção senhor primeiro-ministro! ISTO É CRIME!...


Mães sem dinheiro dão leite de vaca a bebés de poucos meses, com riscos para saúde
Mães sem dinheiro para comprar leite em pó estão a alimentar bebés de poucos meses com leite de vaca, ou juntam mais água às fórmulas artificiais, o que pode prejudicar a saúde das crianças.
Estes casos são do conhecimento dos serviços sociais da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, que cada vez mais atendem mães com "grandes carências", a maior parte devido ao desemprego, como disse à Lusa a assistente social Fátima Xarepe.
"Todos os dias recebemos pedidos de ajuda", disse, explicando que os mais frequentes são para a compra de leite em pó, de medicamentos, como vitaminas ou vacinas que não constam do Plano Nacional de Vacinação, e produtos de higiene.
Estas mães "fazem o melhor que podem", disse Fátima Xarepe, que lamenta nem sempre a maternidade poder ajudar, nomeadamente no fornecimento de leite em pó, apesar de contar com o apoio da Associação de Ajuda ao Recém-Nascido (Banco do Bebé) e outras instituições particulares de solidariedade social.
A pediatra Cristina Matos conhece esta realidade e as consequências da ingestão de leite de vaca antes de um ano de idade, como gastroenterites.
"Estamos a recuar 50 anos", disse à Lusa, acrescentando que são cada vez mais as mães que, para o leite em pó render, juntam mais água do que o devido.
Isso mesmo confirmou a enfermeira Esmeralda, que consegue identificar o acréscimo excessivo de água ao leite em pó, principalmente através do atraso no crescimento do bebé.
Segundo Fátima Xarepe, são mais de mil os pedidos de ajuda que os serviços sociais já receberam este ano, e que não se limitam à alimentação dos recém-nascidos.
"Há grávidas que não vêm às consultas de vigilância por não terem dinheiro para os transportes, o que as coloca em risco, assim como aos bebés", disse esta assistente social, que não tem dúvidas de que estes casos, cada vez mais graves e frequentes, vão aumentar por causa da crise.
Estas profissionais sentem-se impotentes, apesar de tentarem fazer "o melhor" que sabem, pois apesar de o serviço público de saúde ser gratuito para as grávidas, estas muitas vezes não conseguem assumir outras despesas, como é o caso dos transportes.
"Há grávidas que vêm a pé de Chelas [o que pode demorar cerca de uma hora], porque não têm dinheiro para pagar o transporte", disse.
Este ano, o Banco do Bebé recebeu 3.430 pedidos de ajuda, apoiaram 971 crianças e 62 no domicílio.
Dos cerca de 4.000 partos anuais na MAC, perto de 10 por cento resultam em crianças sinalizadas por estarem em risco de serem negligenciados.
A MAC comemora hoje o seu 80.º aniversário, tendo assinalado a efeméride com uma conferência com o psicanalista Coimbra de Matos, durante a qual este falou sobre a importância de cuidar e amar.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa
iOnline
***«»***
Espero que o senhor primeiro-ministro não tenha na manga nenhum plano sinistro para pôr os portugueses pobres e remediados (2/3 da população) a viver e a comer numa pocilga de porcos.
O senhor primeiro-ministro, com o seu discurso reciclado, fotocopiado da cartilha oficial para os bons alunos da UE, preocupa-se muito que Portugal respeite os seus compromissos para com os credores internacionais, mas, por outro lado, ignora ostensivamente os compromissos do Estado português para com os pensionistas e os reformados, a quem rouba o dinheiro que eles descontaram durante uma vida de trabalho honrado. Portugal já não vive em democracia. Portugal vive numa cleptocracia.
Não bastando já os enormes sacrifícios impostos aos idosos, os portugueses são agora confrontados com esta realidade vergonhosa, a de condenar à subnutrição e à fome os lactantes e as crianças em idade escolar, o que permite comparar Portugal a um país africano de um qualquer Bokassa. Ou será que Passos Coelho é já o Bokassa português, em versão light.
Um  primeiro-ministro que, conscientemente, com as suas políticas assassinas, desprotege as crianças e os idosos tem de demitir-se ou ser demitido. É o pior governante de Portugal desde D. Afonso VI. E este aviso vai também direitinho para o Presidente da República,, que, por ação ou omissão, dá total cobertura a este governo.
A História os julgará, se, antes, o povo enfurecido não os julgar e condenar primeiro.
 http://www.ionline.pt/portugal/maes-sem-dinheiro-dao-leite-vaca-bebes-poucos-meses-riscos-saude#.UL-d-mciDsY.blogger

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

VOU SER ROUBADO!


Decidi escrever este texto com duas intenções claras: a primeira, de desabafo, a segunda, de protesto. Estou farto de ouvir nas notícias que vou ser roubado. Até hoje nunca fui roubado. Esta vai ser a primeira vez. Felizmente nunca tive a necessidade de recorrer à polícia por um crime desse tipo. Agora, pela primeira vez na minha vida, sei com grande antecedência que vou ser roubado. Vão-me roubar muito dinheiro, o dinheiro dos subsídios de férias e de natal que conquistei com grande esforço, para o qual trabalho e ao qual acho que tenho direito. Não fiz nada para merecer este roubo. Sempre cumpri com as minhas obrigações, nomeadamente com as minhas obrigações fiscais, nunca deixei de cumprir com os meus compromissos financeiros, nunca deixei de pagar tudo aquilo que devia, nunca na minha vida roubei. Agora dizem-me que tenho que aceitar ser roubado por culpa dos erros de outros. Dizem-me também que aos responsáveis pelo facto de ter que ser roubado nada irá acontecer. Esses sim, aqueles que geriram mal os dinheiros públicos, aqueles que são os responsáveis pelas políticas que conduziram o nosso país à situação em que está, aqueles que gastaram dinheiros públicos muito para além das suas possibilidades,… foram eles que contribuíram para a situação em que se encontra o meu país. Não me recordo de ter tido algum comportamento ou ter feito algo que contribuísse para esta situação. Mas afinal, porque é que eu tenho que me deixar roubar e contribuir para pagar os erros de outros? Será que um dia também existirá o risco de me mandarem para a prisão por crimes que outros cometeram? Será que o meu erro foi, após anos a recibos verdes e a contratos a prazo, ter lutado com unhas e dentes para entrar para a função pública onde eu esperava encontrar estabilidade e segurança para assegurar segurança à minha família? Será este roubo uma inevitabilidade? Não quero acreditar! Quero lutar contra isto!
Gostaria de manifestar a minha indignação e a minha profunda revolta com esta situação que me recuso a aceitar e pela qual estou disposto a lutar como nunca lutei tanto por algo na minha vida. Pretendo lutar de todas as formas democráticas e pacíficas que se encontram disponíveis ou que venham a ser disponibilizadas para poder lutar e tentar evitar ser roubado.
Desde já agradecia a todos os que leiam este documento que agora torno público, que o reencaminhassem ao maior número de pessoas possível, que o divulgassem e afixassem, e me indicassem, através do email que a seguir identifico, todas as formas de luta e de protesto a que poderei recorrer e aderir para tentar evitar ser roubado. Conto com a ajuda de todos! Estou disponível e muito interessado por enveredar por todas as formas de luta e de protesto que sejam legais, apesar de duvidar da legalidade daquilo que me querem fazer.
Desde já agradeço a vossa atenção,
Filipe José Queirós Gomes
Psicólogo e Funcionário Público

PS: espero nunca vir a sofrer nenhum tipo de retaliações por enveredar por esta ou qualquer outra forma de protesto pacífico para tentar lutar contra o roubo que me querem fazer, pois entendo que este é um direito que tenho, o direito de manifestar a minha mais profunda indignação com esta situação.
Amabilidade do Jorge Manuel Magalhães Ribeiro