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domingo, 15 de abril de 2018

Rússia: “Tais acções vão ter consequências”




Rússia: “Tais acções vão ter consequências”

Numa primeira reacção, o embaixador russo nos EUA, Anatoly Antonov, publicou um comunicado no Facebook, afirmando que os EUA e os seus aliados sabem "que tais acções terão consequências". E acrescentou: “Insultar o Presidente da Rússia é inaceitável e inadmissível”, além de que os EUA “não têm moral para criticar os outros países”, uma vez que tem um grande arsenal de armas químicas, argumentou.

Os alvos dos bombardeamentos dos EUA já tinham sido evacuados há vários dias, disse à Reuters uma fonte de uma aliança regional que apoia o regime de Assad. “Tivemos um aviso dos russos sobre o ataque e todas as bases militares foram evacuadas há alguns dias”, disse a mesma fonte. “Cerca de 30 mísseis foram disparados no ataque e um terço deles foi interceptado”.
PÚBLICO

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No ponto de vista militar, a operação desencadeada pelos predadores Trump, May e Macron foi um fracasso.

A operação destinava-se mais para consumo interno da opinião pública americana e europeia do que para assustar a Rússia e a Síria, que suportam bem estas arranhadelas.

No entanto, não deixou de ser um grave acto de guerra e uma agressão a um país independente, que o Direito Internacional proíbe e sanciona.

A Carta das Nações Unidas apenas consente o uso da força militar, contra um país soberano, no caso de legítima defesa ou actuando, através de um mandado do Conselho de Segurança da ONU, o que não foi o caso, permitindo assim que possamos considerar delinquentes paranóicos os três dirigentes políticos acima citados, e que, com esta iniciativa criminosa, deslustraram os valores da chamada civilização ocidental, que dizem defender.

Em relação às armas químicas, cito o PÚBLICO:
“A Convenção sobre o Uso de Armas Químicas diz que o Conselho de Segurança pode impor 'medidas' contra quem voltar a usar armas químicas na Síria, mas não autoriza directamente o uso da força. O tratado não tem um mecanismo de imposição que autorize outras partes a atacarem ou a punirem quem o violar”, explica Sofia Olofsson, na revista online Cornell Policy Review".

O crime está provado. E a apatia e a condescendência do secretário geral da ONU também.

Uma nota a preceito:
Parece que, agora, é moda chamar políticos portugueses para cargos internacionais importantes. Pudera!... São os melhores lacaios.
Eu, por mim, continuo a preferir os cães de guarda. São mais fiéis.

Alexandre de Castro
2018 04 15

quarta-feira, 28 de março de 2018

Cuidado com as cabalas do imperialismo…

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Cuidado com as cabalas do imperialismo…


Andou bem o governo português em não alinhar com a histeria colectiva da expulsão de embaixadores russos nos países ocidentais, com base no argumento da tentativa de assassinato, por envenenamento, de um ex-espião russo, no Reino Unido, tentativa essa rapidamente atribuída, com uma grande ligeireza, à maldade de Putin, mas sem que fosse apresentada uma qualquer prova material e objectiva. Quem me diz a mim, que o antigo espião não foi vítima de uma operação levada a cabo pelos serviços secretos britânicos, num esquema combinado pelo governo britânico e pelo governo dos EUA, para assim, através deste incidente mediático, explorado até ao limite da infâmia, dar o pontapé de saída a uma nova guerra fria, que, nos tempos actuais, poderá transformar-se numa guerra quente?
Não tenho nenhuma prova para fazer esta presunção de culpa, é certo. Mas também a primeira-ministra britânica não possui nenhuma prova (pelo menos não a publicitou) de que aquela tentativa de assassinato tenha o dedo de Putin.
Por outro lado, uma campanha destas, mediaticamente bem programada e também bem executada e ampliada pela comunicação social do sistema, serve perfeitamente para desviar as atenções da opinião pública, em relação aos crimes de guerra que os EUA, através da CIA, e a França e o Reino Unido, através de destacamentos militares especializados, andam impunemente a cometer no território da Síria, repetindo o modelo que os EUA e a França aplicaram na Líbia, com os resultados que se conhecem: metade do mundo árabe, em vinte anos, foi devastado por guerras sanguinárias, levadas a cabo pelos EUA, como foi o caso da invasão do Iraque, ou com o seu apoio e patrocínio, como foi nos restantes casos. E disto ninguém fala, porque tudo foi feito em nome dos supremos valores da civilização ocidental.

Alexandre de Castro
2018 03 28
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MEU COMENTÁRIO NO FACEBOOK

Percorri alguns blogues progressistas da minha preferência e verifiquei uma grande sintonia de posições em relação a este caso do antigo espião russo.

No entanto, em alguns desses blogues também se refere a necessidade que a primeira-ministra-ministra, Theresa May, teria tido para construir uma narrativa empolgante, à maneira das tragédias gregas, para desviar a atenção da opinião pública britânica da discussão sobre o Brexit, que está a aquecer, como é natural.

Ao mesmo tempo, e isto já é da minha lavra, os países ocidentais aproveitaram a ocasião para mostrar ao mundo que estão unidos, o que é uma outra narrativa para tentar esconder as profundas divisões que estão a minar o bloco euro-americano.

A situação começa a ficar preocupante. A tentação do Trump de querer carregar o botão nuclear é enorme. Isto remete-me para os períodos antes das duas guerras mundiais, do século passado, em que os futuros beligerantes alternavam nas provocações, a fim de medir forças e intenções.

Os EUA chegaram a uma situação desesperada. Perderam a hegemonia militar, em relação à Rússia, e estão também a perder a posição dominante, a nível económico, em relação à China. Estes dois motivos ponderosos são suficientes para levar Trump a carregar no botão, antes que seja tarde, a fim de eliminar de vez os dois adversários. E é disto que eu tenho medo, pois as consequências para a Humanidade (aquela que viesse a sobreviver), seriam incalculáveis e nem sequer temos capacidade para as imaginarmos.

O Hitler não soube ponderar os riscos de uma guerra... E basta um doido, para fazer deflagrar a guerra, que todos nós tememos.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Интернационал (The Internationale - Russian lyrics)



Desiludam-se os que acreditaram e acreditam na profecia apologética de Francis Fukuyama, ao anunciar o Fim da História, cuja última etapa do processo histórico seria a do actual regime da democracia capitalista liberal, que garantiria a liberdade e a igualdade para todos, garantia esta que a realidade dramaticamente desmente.
A grande Revolução de Outubro ficou incompleta, é certo, mas ela irá reerguer-se vitoriosamente das cinzas do capitalismo, cujas contradições são cada vez mais evidentes.
Alexandre de Castro
2017 11 07

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Assassinato do embaixador da Rússia na Turquia, por um fanático polícia turco...


O fotógrafo estava lá... E, na precisão do instante, captou o drama de quem morre assassinado e a euforia alucinada e esquizofrénica de quem mata por cegueira...

[Esta fotografia, de Mevlüt Mert Altintas, foi a vencedora do World Press Photo 2017]

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Não é a Rússia que anda a provocar guerras no planeta...


Não é a Rússia que anda a provocar guerras no planeta...

Não é a Rússia que anda, secretamente, a apoiar e a promover o terrorismo internacional...

Não é a Rússia que, também secretamente, apoia indirectamente o Estado Islâmico, sob o disfarce de apoiar grupos armados rebeldes de um país soberano do Médio Oriente...

Não é a Rússia que anda a cercar, instalando bases militares, as fronteiras de um outro país...

Não é a Rússia o país que desestabiliza a paz mundial.

[Ver o excelente e elucidativo texto em “Abril de Novo Magazine”]

segunda-feira, 11 de abril de 2016

WikiLeaks - EUA acusados de pagar investigação para atacar Rússia


A WikiLeaks acusa os Estados Unidos da América de patrocinar a investigação que levou à divulgação dos "Panama Papers", para atacar a Rússia e Vladimir Putin.
No Twitter, a WikiLeaks escreve que a investigação produzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação tem como alvos a Rússia e o seu presidente, Vladimir Putin. A WikiLeaks defende que a investigação foi patrocinada pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e pelo magnata norte-americano George Soros.
Jornal de Notícias [Ver aqui]

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O governo dos EUA, através das suas agências, desenvolveu, depois do fim da Segunda Guerra Mundial, um elaborado e sofisticado processo de técnicas de contra-informação, com o objectivo de justificar, perante a opinião pública, principalmente a americana, as guerras punitivas e as ingerências contra os países "descarrilados", aqueles países que pretendiam e pretendem libertar-se da sua órbita de influência política.
AC

sexta-feira, 3 de julho de 2015

EUA consideram Rússia e China ameaças à sua segurança


EUA consideram Rússia e China ameaças à sua segurança
A nova estratégia militar dos EUA particularizou países como a China ou a Federação Russa como agressivos e ameaçadores para os interesses de segurança norte-americanos e preveniu para os crescentes desafios tecnológicos e a deterioração da estabilidade global.

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São precisamente os EUA quem tem desestabilizado a paz mundial. Têm um historial negro no envolvimento direto ou indireto nos mais sangrentos conflitos militares, nos últimos sessenta anos: Vietname, Laos, Cambodja, Afeganistão, Guerra do Golfo, invasão e destruição do Iraque, que nunca mais teve paz, assim como na Líbia, em que o seu apoio logístico à França (transporte de mercenários do Qatar, que se fizeram passar por rebeldes líbios), foi decisivo, e, atualmente, o apoio aos rebeldes sírios, aos quais enviam armamento e munições, através da Turquia. E ainda resta saber que tipo de cumplicidade existe com o Estado Islâmico, através da Arábia Saudita.

domingo, 21 de junho de 2015

Grécia: Tsipras e Putin fecham acordo milionário para prolongar gasoduto


O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, conseguiu hoje [ontem] um acordo de 2.000 milhões de euros sobre a extensão do gasoduto russo na Grécia, um acordo que não é bem visto em Bruxelas.
Notícias ao Minuto [Ver mais]

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É do Oriente que vem a luz e o Sol. A Grécia sempre se deu mal com os Poentes da Europa.

domingo, 19 de abril de 2015

Grécia deve assinar acordo energético com a Rússia nos próximos dias


O Governo grego vai assinar um acordo energético com a Rússia, já na próxima semana. A notícia está a ser avançada pela revista alemã Der Spiegel, que cita fontes do Syriza, o partido do primeiro-ministro grego.
A assinatura vai permitir a Atenas receber até 5 mil milhões de euros em pagamentos antecipados, numa altura em que os cofres públicos estão praticamente vazios. 
Em causa, está o gasoduto que a Rússia quer ter pronto até 2019 e que vai permitir ligar o país à Europa. A Grécia pode receber já os futuros benefícios, por ser um dos países por onde vai passar a estrutura.
Entretanto, continua sem chegar a acordo com os credores internacionais. O plano de reformas grego está a ser discutido em Paris, pelo chamado "grupo de Bruxelas", que integra membros da troika. Contudo, os técnicos já avisaram que não estão satisfeitos com a falta de progressos nas negociações.

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Este acordo poderá significar o princípio de uma nova era para a Grécia e o fim do euro, para a Europa. Poderá ser também uma grande oportunidade para Putin se vingar das provocações de que a Rússia está a ser alvo, em relação à Ucrânia.
Se a Grécia também avançar com a concessão à Rússia, que tem manifestado esse interesse, da exploração das enormes jazidas de gás e de petróleo no Mar Egeu e no Mar Jónico, e se parte dos pagamentos respetivos puderem ser antecipados, então e cessação dos pagamentos da dívida grega à troika poderá verificar-se, sem as turbulências que uma bancarrota acarretaria, já que o financiamento para as despesas correntes do Estado grego ficaria assegurado, pela Rússia. A turbulência, com consequências políticas, económicas e sociais imprevisíveis, passaria para os países do euro e para todos os países UE, que ficariam a arder, com o passivo da dívida grega.
Perante um cenário desta dimensão, naturalmente catastrófico, ficaria em causa, devido à teimosia e à chantagem da Alemanha e dos seus indefectíveis aliados, a existência da própria União Europeia.
AC

Agradeço ao João Fráguas o envio desta notícia da SAPO.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

É preciso impedir Moscovo de "redesenhar mapa da Europa", diz Biden


O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de visita hoje a Bruxelas, defendeu que é necessário juntar esforços com Kiev para impedir a Rússia de "redesenhar o mapa da Europa".

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Os dirigentes dos EUA sempre gostaram de fazer o papel de incendiários anónimos. Provocam clandestinamente incêndios, onde lhes convém, para depois fazerem o papel de bombeiros da paz! Foi assim no Vietname e no Iraque e, agora, não desistem de provocar a Rússia, a propósito da Ucrânia, cuja população russófila e russófona, do leste do país, pretende a autonomia em relação ao governo fascizante de Kiev.

Ucrânia: Nato defende entrega de armas a Kiev

Philip Breedlove – o general norte-americano, comandante das tropas da NATO

O comandante das tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Nato, na sigla em inglês) na Europa, defendeu hoje abertamente a entrega de armas a Kiev para ajudar no conflito com os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia.
"A última solução no leste da Ucrânia será diplomática e política", defendeu o general norte-americano Philip Breedlove à margem da conferência de segurança de Munique, saudando a recente iniciativa franco-alemã para tentar convencer as partes a cessar as hostilidades.http://pub.sapo.pt/lg.php?bannerid=190764&campaignid=116809&zoneid=2925&OACBLOCK=86400&OACCAP=3&loc=1&referer=http%3A%2F%2Fwww.noticiasaominuto.com%2Fmundo%2F344667%2Fucrania-nato-defende-entrega-de-armas-a-kiev&cb=ee1788dd4c
"Mas não acredito que devamos excluir a possibilidade de uma opção militar" associada às sanções adotadas pela União Europeia (UE) e pelos Estados Unidos contra a Rússia.

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O apelo às armas é sempre um péssimo e perigoso argumento. É a antecâmara de uma declaração de guerra. A Ucrânia é o último país que falta dominar totalmente, para que a Nato, ao serviço dos EUA, complete o cerco à Rússia, com a instalação do eufemístico escudo nuclear em todos os países europeus que confinam com a sua fronteira ocidental. É uma ameaça para a segurança da Rússia, que assim ficaria em inferioridade estratégica, no caso de um conflito nuclear. 
A Rússia nunca manifestou qualquer intenção agressiva, no ponto de vista militar, em relação à Europa ou em relação a um outro qualquer país do mundo. Também não foi a Rússia a mentora belicista nem a interveniente nos recentes conflitos militares ocorridos no Médio Oriente e no norte de África. Esse papel foi desempenhado por aquela potência de centuriões que, em nome da Paz Mundial, está sempre a desencadear guerras, como se a utilização de veneno em vez de medicamentos fosse a melhor terapia para curar a doença. 
A Rússia está interessada em desenvolver boas relações diplomáticas com os países europeus, pois são os países do centro e do leste da Europa os seus principais clientes comerciais. Por sua vez, os EUA, a fim de justificarem as suas opções belicistas, junto da sua própria opinião pública e da opinião pública internacional, constroem cenários mediáticos, irrealistas e fantasmagóricos, de ameaças à paz e à segurança do ocidente, em relação aos países que acabam por invadir e destruir, e que são bases importantes da sua estratégia imperialista.

Putin recebe Merkel e Hollande com a diplomacia presa por um fio


Putin recebe Merkel e Hollande com a diplomacia presa por um fio
Chanceler alemã e Presidente francês foram a Moscovo fazer uma contraproposta ao Presidente russo. Moscovo diz que conversações forma construtivas e diz que resultados da reunião serão divulgados no domingo.
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Armar o exército ucraniano, como pretende o Congresso dos EUA, significa uma declaração de guerra à Rússia.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

UE decide por "unanimidade" alargar por seis meses sanções à Rússia

O novo ministro dos Negócios Estrangeiros grego, Nikos Kotzias (à direita)

Apesar de declarações que davam conta de alguma discrepância entre Bruxelas e o novo Governo grego quanto ao alargamento do prazo e eventual aplicação de novas sanções à Rússia, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União acordaram, "por unanimidade", estender até Setembro medidas como o congelamento de bens e a revogação de vistos de circulação a cidadãos russos.
Afinal o novo ministro dos Negócios Estrangeiros grego, Nikos Kotzias (na foto à direita), não colocou em causa uma posição conjunta da União Europeia (UE) face à Rússia. Bruxelas acabou mesmo por decidir, "por unanimidade" o prolongamento até Setembro das sanções aplicadas à Rússia e ainda acrescentar um conjunto de nomes de indivíduos e entidades à lista de alvos sobre quem já pendem as referidas penalizações económicas.

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Se Alexis Tsipras começa a habituar-nos a desmentir-se no dia seguinte, a sua credibilidade também começa a ficar em causa. A sua determinação em opor-se, ontem, ao teor de um comunicado da comissão europeia, em que se condenava a Rússia, em relação ao conflito no leste da Ucrânia, contrasta flagrantemente com a aprovação, hoje, do prolongamento e do alargamento das sanções à Rússia, por parte dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE. 
A metáfora da ferradura, da pata do animal e do ferrador esteve perto de se soltar neste texto. Por outro lado, começo a perceber que é mais fácil e mais rápido aprender os vícios (do sistema) do que as suas virtudes, que são poucas.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Tribunal condena apoiantes de Putin por terem reunido manifestantes a mais

O Tribunal do Bairro Dorogomilovski condenou hoje os organizadores da “manifestação anti-laranja” ao pagamento de uma multa de mil rublos (25 euros) por terem juntado num comício de apoio a Vladimir Putin um número maior de pessoas do que o anunciado.O comício de apoio ao primeiro-ministro e candidato a Presidente da Rússia decorreu no passado 04 de fevereiro na capital russa. Os organizadores tinham pedido autorização à polícia para juntar até 15 pessoas, mas, segundo declarou Putin, no comício estiveram cerca de 190 mil pessoas.
A fim de evitar o pagamento de novas multas, os apoiantes de Putin pediram autorização para a realização de um comício de apoio ao seu candidato com a participação de 200 mil pessoas no dia 23 de fevereiro.
Blogue "Da Rússia"
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Na próxima manifestação, o partido de Putin vai ser multado por juntar manifestantes a menos.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ucrânia e Geórgia: os peões de brega entre a luta surda dos gigantes

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Ucrânia e Geórgia: os peões de brega entre a luta surda dos gigantes

Vivemos num tempo em que a política concreta, a que se deseja e a que se concretiza, não corresponde às declarações públicas dos seus responsáveis.
Normalmente, o discurso público mascara a realidade, o que obriga a descodificar as respectivas mensagens, para conseguir perceber-se o significado dos objectivos ocultos. E isto, se é verdade ao nível da política interna de cada país, onde o grau de sofisticação da codificação do discurso político acompanha, em proporção directa, o nível de desenvolvimento sócio-cultural das sociedades a que se destina, também se verifica ao nível da política externa.
A ocorrência de dois acontecimentos, em dois países diferentes, e, aparentemente, não relacionados entre si, evidenciam de forma clara a existência de um fosso entre as palavras e os actos e entre a mistificação da realidade e as intenções concretas. As trocas de acusações mútuas entre a Geórgia e a Rússia e o acordo financeiro da União Europeia e a Ucrânia, para regularizar os pagamentos do gás fornecido pela Rússia, são emanações visíveis de uma mesma realidade geoestratégica, em que se defrontam os Estados Unidos e a Rússia.
O fim da Guerra-fria, que se prolongou por setenta anos, não dissipou, entre os dois países, as dúvidas e os medos. A Rússia – que não quer ficar arredada da nova partilha do poder mundial, onde entram também alguns dos países emergentes, com destaque para a China, que, com uma proverbial paciência e engenho, vai urdindo a teia complexa dos seus interesses – desconfia das intenções hegemónicas dos Estados Unidos. Por sua vez, os Estados Unidos não querem ter, como parceiro estratégico, um país, que, tendo sido o seu principal inimigo, ainda detém uma grande capacidade militar, alegadamente suficiente para sustentar um grau de exigências, que obstaculizariam os seus intentos de liderar o mundo.
Toda a estratégia dos Estados Unidos, depois do colapso da União Soviética, assentou na asfixia lenta do gigante euro-asiático, que quase ia sucumbindo, na década passada, a uma crise económica profunda, entretanto ultrapassada com a posterior subida dos preços internacionais dos combustíveis fósseis, o que lhe facultou um grande encaixe de divisas estrangeiras.
O próprio alargamento da União Europeia aos países de Leste, feito de maneira precipitada, tinha principalmente o secreto objectivo político de cercar e de isolar a Rússia, integrando os países que com ela fazem fronteira e subtraindo-os à influência remanescente da antiga União Soviética. A decisão de implantar um escudo nuclear nesses países é vista pelos russos como uma tentativa de lhe retirar, no campo militar, a margem estratégica e a potencial capacidade de iniciativa, o que fragilizaria a sua capacidade negocial, além de ficar mais exposta a um qualquer ataque nuclear dos países ocidentais. Para contrariar os desígnios dos americanos e dos europeus, a Rússia jogou no tabuleiro do Irão e da Ucrânia e foi muito firme e muito dura na resposta à provocação da Geórgia, estimulada pelos países ocidentais, que não desistem em desestabilizar-lhe as actuais fronteiras. Aos russos convém um Irão a desafiar os EUA, tal como a Geórgia está a desafiar a Rússia. O apoio dado ao Irão, através da cedência de tecnologia e equipamento nuclear, possibilita à Rússia obter receitas financeiras e importantes dividendos políticos.
Por sua vez, os países ocidentais apoiam em força a Ucrânia, onde a população da parte ocidental defende uma integração na União Europeia, em oposição à população da parte oriental, que pretende uma ligação preferencial à Rússia. Neste quadro, será sempre muito difícil ao actual governo de Kiev avançar decididamente, tal como desejaria, para a plena integração europeia, cenário este que agravaria, caso fosse concretizada, os equilíbrios internos do país e provocaria uma eventual retaliação da Rússia, a desencadear uma embaraçosa instabilidade no abastecimento de gás à Europa. A Rússia, no passado inverno, deixou a Ucrânia a tremer de frio, cortando-lhe o gás, em virtude das dívidas existentes, já vencidas, de fornecimentos anteriores, o que provocou também o corte dos abastecimentos à Europa. A Rússia fornece um quarto do gás natural consumido na Europa e 80 por cento desse abastecimento circula pela Ucrânia.
Para evitar a repetição deste cenário, no próximo inverno, a Europa e o Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, segundo noticiou a imprensa na semana passada, vão emprestar à Ucrânia, a juro baixo, 570 milhões de euros, enquanto o FMI vai avançar já com uma tranche de 2,4 biliões de euros, o que constitui um dos maiores financiamentos dos países ocidentais a países amigos, em dificuldades. Custe o que custar, europeus e americanos querem uma Ucrânia a morder as canelas dos russos.
Também a Geórgia, que, em Agosto do ano passado, se precipitou, nas suas duas províncias, que reivindicavam a sua independência, numa desastrada incursão militar, desbaratada imediatamente pelo exército russo, voltou agora, segundo a imprensa da semana passada, a fazer provocações, lançando morteiros sobre a Ossétia do Sul, entretanto já independente, mas com uma ligação muito forte à Rússia, que já reagiu com muita firmeza a este incidente.
Quem leu distraidamente estas duas notícias, talvez não as relacionasse entre si, já que aparecem desenquadradas do contexto complexo que se vive naquelas regiões, nem tão pouco se apercebeu do jogo de influências das grandes potências, a determinar ocultamente os acontecimentos. A Europa aparece referida na notícia referente à Ucrânia, como uma pomba, que apenas pretende ajudar um país em dificuldades e garantir o seu próprio abastecimento de gás, proveniente da Rússia. Os EUA nem sequer são referidos, sendo este país, no entanto, o principal actor nesta guerra surda e suja. A opinião pública até irá pensar que se trata de um mero conflito local, uma birra entre vizinhos desavindos, o que prova a eficácia da mistificação do discurso político e o seu desfasamento com a realidade.
AC

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cimeira de Moscovo: um teste à diplomacia

Retirado do blogue Sean's Russia Blog


Retirado do blogue O Vigia

A esta hora, já Barack Obama se encontra em Moscovo, para a sua primeira cimeira com os dirigentes da Rússia. Não existem grandes expectativas para avanços substanciais nas relações entre os dois países. Os governantes russos duvidam das boas intenções do Ocidente, cujos governos, ainda imbuídos da mentalidade da Guerra Fria, teimam em fazer o cerco ao seu país, quer insistido na instalação de um escudo antimíssil na Europa Central, quer pretendendo alargar a NATO a países da antiga órbita soviética. Qualquer avanço que possa ocorrer nesta cimeira tem de tomar em consideração estas duas questões, vitais para o interesse da Rússia.
Pelo meio, existem outras questões, como a renegociação do START1, que expira em Dezembro próximo, e que poderá ser acelerado, se for conseguida alguma distensão na reunião de Moscovo.
É sabido que ao imperialismo americano não interessa uma Rússia com protagonismo internacional, já que se trata de um país que, com o seu poderio militar e a sua crescente importância económica, poderá constituir um obstáculo à sua ambição hegemónica. O caso do Irão é paradigmático. A Rússia utilizou sempre, e com êxito, a sua influência na ONU, para contrariar as propostas de sanções extremas propostas pelos Estados Unidos. E sem o apoio da Rússia, será difícil aos Estados Unidos evitar a nuclearização do regime dos ayatollahs.
A margem de manobra de Obama é, pois, muito estreita. Se pretender conquistar a médio e a longo prazo a confiança e a colaboração da Rússia, terá de seguir o conselho do Financial Times, quando alertava que “a única maneira de persuadir a Rússia, é envolver a Rússia”.