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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Cavaco Silva faz um convite claro à rebelião dos deputados socialistas


Tendo em conta os resultados eleitorais, assumi a responsabilidade constitucional pela sua indigitação, cabendo agora aos Deputados apreciar o Programa do Governo e decidir, em consciência e tendo em conta os superiores interesses de Portugal, sobre a sua entrada em plenitude de funções.

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O facto da Constituição da República consagrar no seu articulado que os deputados  exercem livremente o seu mandato, isto não quer dizer que não estejam sujeitos à disciplina do grupo parlamentar a que pertencem. E é lógico que assim seja, pois o deputado não é eleito nominalmente, mas sim integrado na lista de um partido que apresenta ao eleitorado um programa de governo e que por sua vez tem um programa político, normalmente aprovado em congressos. Os eleitores votam no programa de um partido e não nos candidatos a deputados desse partido. Se um cidadão aceita integrar a lista de candidatos à Assembleia da República de um partido, ele obriga-se imediatamente a aceitar as orientações políticas desse partido. Se ele, em determinado momento do exercício do seu mandato, entender que não está de acordo com as orientações políticas do seu grupo parlamentar pode pedir a sua passagem para a condição de candidato independente. Mas, antes de tomar essa iniciativa de ruptura, o deputado deve expor nas reuniões do seu grupo parlamentar os seus divergentes pontos de vista, para se aquilatar da sua justeza e da sua compatibilidade com a opinião maioritária dos seus pares.
Na Assembleia da República, no nosso quadro constitucional, e porque não foi eleito nominalmente, o deputado não pode agir sozinho nem erraticamente. Tem de obedecer à disciplina partidária do seu grupo parlamentar.
Em questões de consciência, relacionadas com aspectos morais e éticos, normalmente, a direcção do grupo parlamentar, depois do assunto ser debatido colectivamente, concede liberdade de voto aos seus deputados. Essa liberdade também é assumida, quando a votação em plenário é exercida sob a forma de voto secreto (na urna), como acontece na eleição do Presidente da Assembleia da República.
Dito isto, e assumindo como verdade que Cavaco Silva conhece bem este mecanismo de funcionamento do parlamento e as competências, deveres e direitos dos deputados, é lamentável que ele, por duas vezes, em dois momentos distintos, tenha feito um apelo implícito aos deputados do PS para se rebelarem contra a direcção partidária e contra a direcção do grupo parlamentar. Os alvos da mensagem eram seguramente os deputados socialistas da facção de António José Seguro. Um Presidente da República, que, constitucionalmente, deve estar equidistante dos partidos políticos, não pode fazer terrorismo político nem imiscuir-se nos assuntos do órgão de soberania - Assembleia da República. Cavaco Silva exorbitou das suas funções presidenciais, que a Constituição da República, sem equívocos, consagra. Também não pode, constitucionalmente, impor aos partidos políticos condicionalismos de ordem programática, sobrepondo-se assim, abusivamente, ao voto dos eleitores. Imagine-se, por mera hipótese, que o PCP e o BE, conjugados, conquistavam a maioria absoluta nas eleições legislativas. Cavaco teria a coragem de lhes exigir que abdicassem das suas posições políticas, em relação à moeda única, à necessidade de reestruturar a dívida pública e à denuncia o Tratado Orçamental? Era o que faltava! Portugal ainda não é uma república das bananas. 
Cavaco Silva comportou-se como um autoritário chefe de seita, o que manchou definitivamente o seu mandato. 
Cavaco Silva mergulhou na obscuridão das cavernas, depois de se julgar a si próprio um monarca do século da Luzes, investido de um poder absoluto, inspirado por Deus. A História irá recordá-lo pelos piores motivos.  
Alexandre de Castro   

quarta-feira, 18 de março de 2015

Cavaco arquiva petição para demitir Passos


O Presidente da República, Cavaco Silva, decidiu determinar o arquivamento da petição que pede a demissão do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, informou hoje fonte oficial de Belém.
No passado domingo, a petição pela demissão do Passos Coelho, com mais de 19.100 assinaturas, foi entregue nos serviços da Presidência da República.

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Um documento que fica oficialmente registado nos arquivos, para o julgamento futuro da História, em que se prova a cumplicidade política de um "inútil" Presidente da República, que não tem capacidade de se escandalizar (porque o fantasma do imposto da siza o atormenta) com o comportamento de um primeiro-ministro que não cumpriu, em devido tempo, as suas obrigações contributivas para com a Segurança Social. Os historiadores do futuro irão referir-se a este período como "O Tempo Sagrado dos Crápulas".

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Cavaco convoca Conselho de Estado para 3 de julho


O Presidente da República convocou um Conselho de Estado para o dia 3 de julho, às 17h30, avança a SIC Notícias.
A Presidência da República anunciou a convocação de um Conselho de Estado para o dia 3 de julho, às 17h30, de acordo com o avançado pela SIC Notícias.
Os temas a discutir serão a situação política, económica e social na sequência do fim do programa de ajustamento e também a relação de parceria entre Portugal e a União Europeia, no Âmbito do programa 2020 da União Europeia.

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Esperemos que, desta vez, Cavaco não leve as conclusões do conclave, já previamente escritas, tal como aconteceu na última reunião do Conselho de Estado. Isto faz-me lembrar aquele médico que, mal o doente entrou no gabinete de consulta, já tinha o impresso da receita preenchido, antes de lhe ouvir as queixas e de o observar clinicamente.
Para serem coerentes, os conselheiros não podem deixar de reconhecer a progressiva degradação da situação política portuguesa, cujo epicentro se encontra na falta de legitimidade política do atual governo, claramente evidenciada  pelos resultados das eleições europeias, o que exige, como saída limpa, uma proposta para que o Presidente da República provoque a sua imediata demissão e convoque eleições legislativas.
É urgente devolver a voz ao povo, se é que isto ainda é uma democracia.  

quarta-feira, 11 de junho de 2014

"Governo Rua" e "Presidente incompetente. Deixe o seu palácio para melhor gente".


Sindicatos protestaram na Guarda quando Cavaco discursava
Cerca de três centenas de manifestantes protestaram hoje, na Guarda, no momento em que o Presidente da República discursava na cerimónia militar do dia 10 de Junho e se sentiu mal.
"O protesto foi para pedir a demissão do Governo, tendo em conta o ataque às funções do Estado, encerramento das escolas e contra a destruição do Serviço Nacional de Saúde", disse à agência Lusa Honorato Robalo, dirigente sindical da CGTP.
Honorato Robalo explicou que o protesto foi realizado no momento do discurso de Cavaco Silva, alegando que "o Presidente da República devia destituir" o atual Governo "uma vez que houve oito momentos em que as decisões do Governo foram consideradas inconstitucionais".

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Não é apenas a reincidência dos sucessivos e continuados atentados contra a Constituição, que justifica a imediata demissão deste governo. As duas derrotas eleitorais, sofridas nas autárquicas e nas europeias, demonstram que o governo perdeu a sua base social de apoio. E o Presidente da República está a ser conivente com esta situação escandalosa, ao ignorar os sentimentos dos portugueses, já expressos nas urnas.

domingo, 14 de julho de 2013

Legislativas Eleições antecipadas à vista?

A sequência da crise em imagens



O Presidente da República, Cavaco Silva, tem exercido pressão junto dos partidos do arco de governação por forma a chegarem a um acordo o mais depressa possível. Caso PSD, PP e PS não se entendam, a alternativa passará mesmo por uma ida às urnas ainda em 2013, relata a edição deste domingo do Jornal de Notícias.

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Eu nunca acreditei na bondade da iniciativa de Cavaco Silva em impor um acordo de governação aos três partidos subscritores do Memorando de Entendimento com a troika. Só um ingénuo acreditaria que o PS iria cair na armadilha de meter-se na boca do lobo. E Cavaco Silva não tem nada de ingénuo! É manhoso!
Embora lhe conviesse, por arreigada convicção ideológica, e também para corresponder servilmente ao assédio da comissão europeia e do governo alemão, manter em funções um governo de maioria de direita, já moribundo, dando-lhe uma nova vida com algum oxigénio da máquina do PS, ele sabia de antemão que a manobra teria poucas probabilidades de vingar.
Mas tentou a sua sorte, conseguindo assim resguardar-se de qualquer crítica, se o acordo não se firmar, o que é mais provável, e ele for obrigado a convocar eleições antecipadas, ainda este ano. Ele poderá sempre dizer que a culpa foi dos partidos, que não se entenderam. E foi com o mesmo calculismo que, na sua comunicação ao país, ele introduziu habilidosamente, a cláusula de o acordo tripartidário envolver também a realização de eleições antecipadas em Junho do próximo ano.
Aconteça o que acontecer, ele nunca poderá ser acusado, pelas hostes da direita fanática, de ter precipitado um ato eleitoral, que ele nunca desejou. E o que mais irritará Cavaco Silva é o de ser obrigado a tomar uma decisão, há muito tempo reivindicada pelo PCP e pelo BE (a esquerda a ter razão, mais uma vez).
Agora, tudo vai depender do PS. Se meter um pé, assinando um acordo, acaba por ter de meter os dois, pois o fracasso desta solução espúria ser-lhe-á também creditado, o que acarretará custos eleitorais.  

segunda-feira, 10 de junho de 2013

PCP: portugueses não se identificam com discurso do PR


O deputado do PCP, António Filipe, afirmou hoje que a intervenção do Presidente da República, na sessão solene comemorativa do 10 de Junho, em Elvas, "não é um discurso com que o país se possa identificar".
"Aquilo que hoje preocupa os portugueses, que é a crise em que vivem, os problemas que os afetam, desemprego, recessão económica, não tiveram eco, de facto, neste discurso do 10 de Junho", disse.

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Foi um discurso despropositado e tematicamente desviante, o do Presidente da República, neste Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Um discurso escrito por quem sabe que as suas responsabilidades políticas na atual crise, as presentes e as passadas, estão a ser-lhe assacadas por um número cada vez maior de portugueses, que também deixaram de acreditar na instituição presidencial. Neste discurso, Cavaco Silva, mais uma vez a tropeçar dislexicamente na palavra cidadões, refugiou-se no tema da Agricultura, para poder rebater as afirmações dos que o acusam de ter sido ele, enquanto primeiro-ministro, a provocar o desmantelamento e a desestruturação do setor primário da economia portuguesa, em cega obediência aos interesses da então CEE, que estava mais interessada em fazer de Portugal um país importador de produtos agrícolas e agro-industriais, oriundos da Espanha e da França, do que em desenvolver a agricultura portuguesa. 
A Cavaco Silva falta o sentido de Estado para poder exercer esta alto cargo com a devida independência em relação aos partidos políticos e aos grupos dominantes. Como Presidente da República foi sempre um homem de partido, do seu, daquele partido que está a conduzir o país para o ciclo infernal da pobreza e para a consumação da tragédia. E sobre os perigos que ameaçam a sobrevivência de Portugal como Estado independente e soberano, nada disse.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

PGR abre inquérito a Miguel Sousa Tavares por chamar "palhaço" a Cavaco


A Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito às declarações do escritor Miguel Sousa Tavares por ter chamado “palhaço” a Cavaco Silva. Pela lei, trata-se de um crime de ofensa à honra do Presidente da República, punível com pena até três anos.
Em comunicado, a PGR considera que “as expressões proferidas na entrevista [publicada nesta sexta-feira no Jornal de Negócios sob o título ‘Beppe Grillo? “Nós já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva”’] são susceptíveis de integrar a prática do crime de ofensa à honra do Presidente da República”. Tal crime, previsto no Código Penal, é de natureza pública, daí que o Ministério Público tenha decidido instaurar um inquérito.
PÚBLICO
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A Procuradoria-Geral da República deveria elaborar uma lista com os nomes que poderão chamar-se a Cavaco Silva, sem incorrer na prática de um crime à honra do Presidente da República. E isto deveria ser feito ainda hoje, para evitar a instauração de milhares de processos judiciais na manifestação de protesto de amanhã, junto ao Palácio de Belém.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

PR para o Governo: 'Faria tudo para manter consenso político'

O Presidente da República Cavaco Silva disse hoje (27 de Abril) que o consenso político e social em redor da implementação do acordo de assistência financeira é dos activos mais importantes que Portugal tem.
SOL
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Oa ativos podem ser importantes. Os passivos é que são péssimos...
Este homem deixou de falar como presidente de todos os portugueses. É a caixa de ressonância da voz do governo. É o chefe de uma fação, que também sujou as mãos no BPN. O seu péssimo discurso na sessão solene do 25 de Abril, na Assembleia da República, mostrou como ele acumula rancores e ódios de estimação. Ao elencar várias personalidades das artes e das letras que, nos últimos anos, projetaram Portugal no mundo, esqueceu-se de incluir José Saramago, que lhe está atravessado na garganta, tal como lhe está atravessado o bolo rei.    

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A indignação é crescente...

Custa-me muito pensar, que se paga casa, comida e roupa lavada, (fora o resto dos trocos), a um homem para vir a publico dizer a quantidade de barbaridades que diz!
Sinto-me lesada. Pelo meu avô, pelo meu pai, por tantos outros pelo país fora, que viveram a sua vida de sacrifícios, para agora no final das suas vidas, enfraquecidos pela velhice...indefesos, serem deixados á sua sorte por pessoas como estas. Continue a fingir Aníbal, que estas pessoas não existem, feche os olhos, ás suas fomes, aos calos das suas mãos, aos suores com mistura de sangue, dos trabalhos forçados que tiveram de fazer, para trazer um prato de sopa á mesa.
E não me venham dizer que eu não tenho direito a falar, que não estou em Portugal e não faço ideia daquilo que estão a passar. Porque sei. Mais do que gostaria de saber. Foi este homem e outros como ele que me negaram o direito a uma vida digna no país que me viu nascer.
Sinto-me indignada, lesada e acima de tudo revoltada, com o teatro de fantoches em que Portugal se transformou.
Sónia Micaelo
(Do blogue Sussurros)

domingo, 22 de janeiro de 2012

O ridículo mata... (a propósito das reformas de Cavaco)*

"Realmente...isto é uma vergonha! Numa altura em que só aos trabalhadores portugueses é que estão a ser aplicadas medidas "impostas" pela troika e subscritas por este Governo e pelo PS, numa altura em que grande parte dos portugueses têm dificuldades para conseguirem alimentar decentemente as suas famílias, numa altura em que os sacrifícios são sempre para os mesmos - aqueles que menos ganham, que vivem apenas do rendimento do seu trabalho - estas declarações são um ultraje! São vergonhosas! Mas sim, só nos cabe a nós todos darmos a volta a isto! É só preciso ter vontade e querer!"
Sandra Margarida*
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 "Estes vigaristas continuam, impunemente, a gozar com o povo, num deboche repugnante que nos leva ao vómito. Quando é que os portugueses começarão a compreender que o 1º PASSO DA LUTA ESTÁ NO VOTO? Não serve de nada dizerem que não foram vot...ar portanto não têm nada a ver com isto. Antes pelo contrário: têm tudo a ver - o Cavaco só é presidente da república porque 53% dos portugueses não votou. E é isto que interessa. Claro que a luta é fundamental e não podemos desistir dela mas seria muito mais fácil se os portugueses tivessem votado (e votado bem); não estaríamos, agora, a viver nestas aflições. Não percebo porque é que as pessoas insistem em votar em partidos (outras nem sequer votam) que aprovam leis contra quem trabalha e contra os interesses do povo".
Ana Sara Cruz*
* Comentários tirados do Facebook, da página de Pedro Frias.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Cavaco espera que Portugal esteja a crescer em 2013

O Presidente da República disse segunda-feira esperar que Portugal esteja a crescer em 2013, no final do período de execução do acordo de assistência financeira, sublinhando que tem de estar "optimista".
Diário de Notícias
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Nesta mensagem optimista, acredito. Vem do limbo dos deuses.
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2123754

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

As vítimas da austeridade são sempre as mesmas

"Os próximos tempos podem ser insuportáveis para alguns dos nossos concidadãos, em especial os reformados e os desempregados", avisou ontem Cavaco Silva em Carregal do Sal.
Jornal de Notícias
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Os desempregados e os reformados, por constituírem o segmento populacional mais fragilizado e indefeso, são sempre os primeiros alvos das medidas de austeridade. Foi assim, com os primeiros PEC de José Sócrates e a situação agravou-se com o actual  governo de Passos Coelho. 
Os desempregados, na sua maioria, e, principalmente, os que se encontrarem na meia idade, já não têm possibilidade de encontrar oportunidades de trabalho. Aos reformados, por sua vez, não lhes resta nenhuma alternativa, a não ser a de terem de sujeitar-se ao poder discricionário de governantes sem escrúpulos. Estes dois grupos não têm sindicatos que, especificamente, defendam os seus interesses. A greve, esse instrumento fundamental para fazer reivindicações, já não a podem exercer, uma vez que não se encontram integrados no processo laboral (é como saber nadar e a piscina não ter água).  E a comunicação social, intencionalmente ou não, ignorou-os (veja-se que, a propósito dos cortes dos subsídios de Natal e de férias, apenas se fala dos funcionários públicos).
Existe, pois, uma grande falta de equidade e uma escandalosa assimetria na distribuição de sacrifícios na sociedade portuguesa, o que não abona a favor da tão proclamada justiça social, que não existe.  

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Uma machadada muito certeira para rachar de alto a baixo um Cavaco - por António Maria dos Santos

Do WEHAVEKAOSINTHEGARDEN
Carta aberta

Carta Aberta ao venerando chefe do estado a que isto chegou
Senhor Presidente
Há muito muito tempo, nos dias depois que Abril floriu e a Europa se abriu de par em par, foi V.Exa por mandato popular encarregue de nos fazer fruir dessa Europa do Mercado Comum, clube dos ricos a que iludidos aderimos, fiados no dinheiro fácil do FEDER, do FEOGA, das ajudas de coesão e mais liberalidades que, pouco acostumados, aceitámos de olhar reluzente, estranhando como fácil e rápido era passar de rincão estagnado e órfão do Império para a mesa dos poderosos que, qual varinha mágica, nos multiplicariam as estradas, aumentariam os direitos, facilitariam o crédito e conduziriam ao Olimpo até aí inatingível do mundo desenvolvido. Havia pequenos senãos, arrancar vinhas, abater barcos, não empatar quem produzisse tomate em Itália ou conservas em Marrocos, coisa pouca e necessária por via da previdente PAC, mas, estando o cheque passado e com cobertura, de inauguração em inauguração, o país antes incrédulo, crescia, dava formação a jovens, animava a construção civil , os resorts de Punta Cana e os veículos topo de gama do momento. Do alto do púlpito, que fora do Obreiro da Nação durante o Estado Novo, V.Exa passaria à História como o Modernizador, campeão do empreendedorismo, símbolo da devoção à causa pública, estóico servidor do povo a partir da marquise esconsa da casa da Rua do Possôlo. Era o aplicado aluno de Bruxelas, o exemplo a seguir no Mediterrâneo, o desbravador do progresso, com o mapa de estradas do ACP permanentemente desactualizado. O tecido empresarial crescia, com pés de barro e frágeis sapatas, mas que interessava, havia pão e circo, CCB e Expo, pontes e viadutos, Fundo Social Europeu e tudo o que mais se quisesse imaginar, à sombra de bafejados oásis de leite e mel, Continentes e Amoreiras, e mais catedrais escancaradas com um simples cartão Visa.
Ao fim de dez anos, um pouco mais que o Criador ao fim de sete, vendo a Obra pronta, V.Exa descansou, e retirou-se. Tentou Belém, mas ingrato, o povo condenou-o a anos no deserto, enquanto aprendizes prosseguiam a sanha fontista e inebriante erguida atrás dos cantos de sereia, apelando ao esbanjamento e luxúria.
No início do novo século, preocupantes sinais do Purgatório indicaram fragilidades na Obra, mas jorrando fundos e verbas, coisa de temerários do Restelo se lhe chamou. À porta estava o novo bezerro de ouro, o euro, a moeda dos fortes, e fortes agora com ela seguiríamos, poderosos, iguais. Do retiro tranquilo, à sombra da modesta reforma de servidor do Estado, livros e loas emulando as virtudes do novo filão foram por V.Exa endossados , qual pitonisa dos futuros que cantam, sob o euro sem nódoa, moeda de fortes e milagreiro caminho para o glorioso domínio da Europa. Migalha a migalha, bitaite a bitaite, foi V.Exa pacientemente cozendo o seu novelo, até que, uma bela manhã de nevoeiro, do púlpito do CCB, filho da dilecta obra, anunciou aos atarantados povos estar de volta, pronto a servir. Não que as gentes o merecessem, mas o país reclamava seriedade, contenção, morgados do Algarve em vez de ostras socialistas. Seria o supremo trono agora, com os guisados da Maria e o apoio de esforçados amigos que, fruto de muito suor e trabalho, haviam vingado no exigente mundo dos negócios, em prol do progresso e do desenvolvimento do país.
Salivando o povo à passagem do Mestre, regressado dos mortos, sem escolhos o conduziram a Belém, onde petiscando umas pataniscas e bolo-rei sem fava, presidiria, qual reitor, às traquinices dos pupilos, por veladas e paternais palavras ameaçando reguadas ou castigos contra a parede. E não contentes, o repetiram segunda vez, e V. Exa, com pungente sacrifício lá continuou aquilíneo cônsul da república, perorando homilias nos dias da pátria e avisando ameaçador contra os perigos e tormentas que os irrequietos alunos não logravam conter. Que preciso era voltar à terra e ao arado, à faina e à vindima, vaticinou V.Exa, coveiro das hortas e traineiras; que chegava de obras faraónicas, alertou, qual faraó de Boliqueime e campeão do betão; que chegava de sacrifícios, estando uns ao leme, para logo aconselhar conformismo e paciência mal mudou o piloto.Eremita das fragas, paroquial chefe de família, personagem de Camilo e Agustina, desprezando os políticos profissionais mas esquecendo que por junto é o profissional da política há mais anos no poder, preside hoje V.Exa ao país ingrato que, em vinte anos, qual bruxedo ou mau olhado, lhe destruiu a obra feita, como vil criatura que desperta do covil se virou contra o criador, hoje apenas pálida esfinge, arrastando-se entre a solidão de Belém e prosaicas cerimónias com bombeiros e ranchos.Trinta anos, leva em cena a peça de V.Exa no palco da política, com grandes enchentes no início e grupos arregimentados e idosos na actualidade. Mas, chegando ao fim o terceiro acto, longe da epopeia em que o Bem vence o Mal e todos ficam felizes para sempre, tema V.Exa pelo juízo da História, que, caridosa, talvez em duas linhas de rodapé recorde um fugaz Aníbal, amante de bolo-rei e desconhecedor dos Lusíadas, que durante uns anos pairou como Midas multiplicador e hoje mais não é que um aflito Hamlet nas muralhas de Elsinore, transformado que foi o ouro do bezerro em serradura e sobrevivendo pusilânime como cinzento Chefe do estado a que isto chegou, não obstante a convicção, que acredito tenha, de ter feito o seu melhor.
Respeitoso e Suburbano, devidamente autorizado pela Sacrossanta Troika
António Maria dos Santos
Sobrevivente (ainda) do Cataclismo de 2011
 
Amabilidade da Ana Goulart

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Silva das vacas... - por Luís Manuel Cunha

Na realidade, Cavaco Silva, nas tiradas líricas, aqui um
pouco eróticas, supera o Américo Tomaz.
*
Algumas das reminiscências da minha escola primária têm a ver com vacas. Porque a D.ª Albertina, a professora, uma mulher escalavrada e seca, mais mirrada que uva-passa, tinha um inexplicável fascínio por vacas. Primavera e vacas. De forma que, ora mandava fazer redacções sobre a primavera, ora se fixava na temática da vaca. A vaca era, assim, um assunto predilecto e de desenvolvimento obrigatório, o que, pela sua recorrência, se tornava insuportavelmente repetitivo. Um dia, o Zeca da Maria "gorda", farto de escrever que a vaca era um mamífero vertebrado, quadrúpede ruminante e muito amigo do homem a quem ajudava no trabalho e a quem fornecia leite e carne, blá, blá, blá, decidiu, num verdadeiro impulso de rebelião criativa, explicar a coisa de outra forma. E, se bem me lembro ainda, escreveu mais ou menos isto:
"A vaca, tal como alguns homens, tem quatro patas, duas à frente, duas atrás, duas à direita e duas à esquerda. A vaca é um animal cercado de pêlos por todos os lados, ao contrário da península que só não é cercada por um. O rabo da vaca não lhe serve para extrair o leite, mas para enxotar as moscas e espalhar a bosta. Na cabeça, a vaca tem dois cornos pequenos e lá dentro tem mioleira, que o meu pai diz que faz muito bem à inteligência e, por não comer mioleira, é que o padre é burro como um tamanco. Diz o meu pai e eu concordo, porque, na doutrina, me obriga a saber umas merdas de que não percebo nada como as bem-aventuranças. A vaca dá leite por fora e carne por dentro, embora agora as vacas já não façam tanta falta, porque foi descoberto o leite em pó. A vaca é um animal triste todo o ano, excepto no dia em que vai ao boi, disse-me o pai do Valdemar "pauzinho", que é dono do boi onde vão todas as vacas da freguesia. Um dia perguntei ao meu pai o que era isso da vaca ir ao boi e levei logo um estalo no focinho. O meu pai também diz que a mulher do regedor é uma vaca e eu também não entendi. Mas, escarmentado, já nem lhe perguntei se ela também ia ao boi."
Foi assim. Escusado será dizer que a D.ª Albertina, pouco dada a brincadeiras criativas, afinfou no pobre do Zeca um enxerto de porrada a sério. Mas acabou definitivamente com a vaca como tema de redacção. Recordei-me desta história da D.ª Albertina e da vaca do Zeca da Maria "gorda", ao ler que Cavaco Silva, presidente da República desta vacaria indígena, em visita oficial ao Açores, saiu-se a certa altura com esta pérola vacum: "Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Este homem, que se deixou rodear, no governo, pelo que viria a ser a maior corja de gatunos que Portugal politicamente produziu; este homem, inculto e ignorante, cuja cabeça é comparada metaforicamente ao sexo dos anjos; este político manhoso que sentiu necessidade de afirmar publicamente que tem de nascer duas vezes quem seja mais honesto que ele; este "cagarola" que foi humilhado por João Jardim e ficou calado; este homem que, desgraçadamente, foi eleito presidente da República de Portugal, no momento em que a miséria e a fome grassam pelo país, em que o desemprego se torna incontrolável, em que os pobres são miseravelmente espoliados a cada dia que passa, este homem, dizia, não tem mais nada para nos mostrar senão o fascínio pelo "sorriso das vacas", satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Satisfeitíssimas, as vacas?! Logo agora, em tempos de inseminação artificial, em que as desgraçadas já nem sequer dispõem da felicidade de "ir ao boi", ao menos uma vez cada ano!
Noticiava há dias o Expresso que, há mais ou menos um ano e aquando de uma visita a uma exploração agrícola no âmbito do Roteiro da Juventude, Cavaco se confessou "surpreendidíssimo por ver que as vacas, umas atrás das outras, se encostavam ao robô e se sentiam deliciadas enquanto ele, durante seis ou sete minutos, realizava a ordenha"! Como se fosse possível alguma vaca poder sentir-se deliciada ao passar seis ou sete minutos com um robô a espremer-lhe as tetas!! Não sei se o fascínio de Cavaco por vacas terá ou não uma explicação freudiana. É possível. Porque este homem deve julgar-se o capataz de uma imensa vacaria, metáfora de um país chamado Portugal, onde há meia-dúzia de "vacas sagradas", essas sim com direito a atendimento personalizado pelo "boi", enquanto as outras são inexoravelmente "ordenhadas"! Sugadas sem piedade, até que das tetas não escorra mais nada e delas não reste senão peles penduradas, mirradas e sem proveito.
A este "Américo Tomás do século XXI" chamou um dia João Jardim, o "sr. Silva". Depreciativamente, conforme entendimento generalizado. Creio que não. Porque este homem deveria ser simplesmente "o Silva". O Silva das vacas. Presidente da República de Portugal. Desgraçadamente.

Luís Manuel Cunha
in «Jornal de Barcelos», 5 de Outubro, 2011
Amabilidade do Diamantino Silva

Nota do editor: Ou é um recalcamento freudiano, o que afecta, de forma pronunciada, o pensamento obsessivo de Cavaco Silva, ou, então, ele está a tentar ensinar aos políticos, como se devem ordenhar as tetas do Orçamento de Estado.

sábado, 1 de outubro de 2011

O Infante D. Henrique vai passar a jogar a extremo-esquerdo na Selecção Nacional


Cavaco Silva promoveu a cavaleiros  os futebolistas da Selecão Nacional

PENALTI
Com grande solenidade e divulgação pública, foi dado conhecimento da atribuição de vários graus da Ordem do Infante D. Henrique aos componentes de uma equipa de futebol, que no recente campeonato do mundo de uma categoria sub-20 alcançou o 2.º lugar.
Comendadores e Cavaleiros estiveram em S. Bento para receberem das mãos do Presidente da República a respectiva condecoração, e o país, indiferente como vai sendo hábito nestas e noutras questões, terá entendido tal atribuição como justa, salvo algumas reacções discordantes de cidadãos ofendidos.
Não é o meu caso. Cidadão atento e sempre aberto a todas as lições que os grandes senhores desta “Pátria minha Amada” me queiram dar, tenho estado alerta a este “contexto” das cerimónias envolvendo condecorações, particularmente quando partem da presidência da República.
Foi assim com o Dr. Jorge Sampaio, que na ânsia de não deixar ninguém descontente (esqueceu-se de mim!) terminou o seu consulado impondo às mãos cheias as mais diversas ordens e desordens, contemplando, quando já esgotada a lista telefónica nacional, algumas das figuras que não tinham sequer telefone conhecido. Foi assim com a Maria do Ó, com o Januário cauteleiro, a Xica da esquina, a Noémia, florista do Martin Moniz, a Micas do intendente, o Manel engajador, o Duarte, poeta desertor, e tantos outros e outras cujos nomes encheram dez páginas de papel A4.
Passou esse reinado de D. Jorge, “o Sentimental” e eis que sobe ao trono D. Aníbal “o Continuador”.
Entendeu S.Exª premiar os jovens futebolistas com o grau de cavaleiro, ainda que a jogarem com os pés ficaria melhor o grau de infante. Efectivos, suplentes, massagistas, médicos e farmacêuticos, dirigentes, cabeleireiros, cozinheiros, maqueiros e roupeiros, todos foram agraciados, porque em meia dúzia de jogos a equipa conseguiu a fantástica proeza de chegar à final e aí perder sem apelo nem agravo.
Tentando minorar o profundo desgosto e sempre atento aos problemas sociais dos cidadãos, nada melhor do que abrir os salões de Belém para uma apoteótica recepção a quem tanto fez pela pátria, arriscando a vida e o menisco, na defesa das fronteiras da grande área, durante tão longas pelejas contra inimigos com outras capacidades, outro armamento, outro orçamento, outras fontes de recrutamento e outro PIB.
Um pequeno senão: havia que verificar se os contemplados saberiam quem fora o Infante D. Henrique, não se desse a circunstância de algum curioso jornalista, após a cerimónia, lhes colocar alguma pergunta inconveniente.
Todos satisfeitos com as respostas que aqui se deixam transcritas para complemento desta pequena crónica: o primeiro, coçando a cabeça meio pintada de amarelo, respondeu que “dada a semelhança de apelidos estava tentado a dizer que era filho de Afonso Henriques”; outro, mais avançado na escola, embora ainda não tivesse dado a matéria, porque beneficiando do estatuto de alta competição estava desobrigado de assistir às aulas, respondeu que fora um antigo ponta de lança que jogou no “Ponta de Sagres Futebol Clube”; outro mais, ainda incomodado com a recente tatuagem gravada à volta do umbigo, com a inscrição “Amo-te Adélia”, respondeu que estava na dúvida “entre ser neto do Carmona ou primo de Gilberto Madail”.
Mais estimulantes foram as palavras de D. Aníbal, salientando que se a sorte tivesse sorrido a tão briosos cavaleiros e se tivessem alcançado o almejado triunfo final, a condecoração teria sido o Grande Colar da Torre e Espada, e isto, porque para os que tombam mesmo em defesa da pátria, a recompensa, e a título póstumo, que lhes estará reservada, passará a ser a Medalha de Mérito Desportivo.
José Pires de Lima
Oficial da Reserva Naval
Fonte: A Voz da Abita (na Reforma)
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Uma peça de humor brilhante, que merece ser divulgada, tal é a sua força devastadora, ao explorar o ridículo da caricata decisão de atribuir diversos graus das Ordem do Infante D. Henrique a jogadores de futebol, cujo o único mérito que lhes é reconhecido é o de terem conseguido a proeza de fazer migrar os seus neurónios para os pés.

sábado, 11 de junho de 2011

Notas do meu rodapé: Cavaco Silva vai novamente agarrar no leme!...


Cavaco recomenda o exemplo de frugalidade e sacrifícios do interior
O discurso do Presidente da República na sessão solene do 10 de Junho deslocou o eixo das suas preocupações do centro da vida política para o interior do país. Uma metáfora, disse Cavaco Silva no fim.
Depois de discorrer sobre as potencialidades do interior e a necessidade de a ele regressar, promovendo a agricultura, o turismo e alguma indústria, o Chefe de Estado salientou no entanto que a principal potencialidade do interior estão as suas gentes. “A sua frugalidade e o seu espírito de sacrifício são modelos que devemos seguir num tempo em que a fibra e a determinação dos portugueses são postos à prova”, afirmou.
E foi aqui que deixou uma mensagem clara para o país, em particular para o próximo governo, representado na plateia por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, ambos ainda como líderes de partidos da oposição.
“Não podemos falhar. Os custos seriam incalculáveis. Assumimos compromissos perante o exterior e honramo-nos de não faltar à palavra dada”, disse, com grande solenidade.
PÚBLICO
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Curiosamente, fui com Cavaco Silva como primeiro-ministro que a desertificação do interior mais se intensificou, depois do 25 de Abril. Balizando a economia pela cartilha monocolor do neoliberalismo (a única cartilha que aprendeu a ler), os seus dois governos de maioria absoluta, perseguindo unicamente o efeito de escala e a vantagem de proximidade entre produtores (de bens e serviços), distribuidores e consumidores, promoveram a concentração da maioria das ajudas dos fundos comunitários na região da Grande Lisboa, em prejuízo do interior do país, onde a falta de investimentos, geradores de emprego, determinou o êxodo dos mais novos. Como os governos seguintes prosseguiram a aplicação do mesmo guião neoliberal da economia, que apenas se preocupa com as rentabilidades imediatas e ignora os efeitos a longo prazo, a desertificação na maioria dos concelhos do interior foi de tal monta, que se chegou ao ponto de, em alguns deles, serem as câmaras municipais os maiores empregadores locais, o que é uma situação anómala num país, cujos governantes afirmavam apostar no seu pujante desenvolvimento (que não é apenas crescimento económico).
Cavaco Silva, a quem competia desenhar um grande plano estratégico para a economia, limitou-se praticamente a gerir (e mal) os fundos comunitários, revelando aí a sua tacanhez como estadista. Durante os seus dois mandatos, não surgiram nenhumas reformas estruturantes, que mudassem o paradigma do desenvolvimento económico. Quando saiu do governo, odiado pela maioria do povo português, deixou o Estado e a economia com o mesmo perfil existente nos tempos de Salazar, um dirigente político que ele pretendeu canhestramente imitar. Este elogio e este apelo à frugalidade dos portugueses encaixa bem no pensamento político do ditador. Salazar tinha medo de perder o controlo do país, se facilitasse a proletarização intensiva do sector secundário da economia. Por isso,  apenas permitiu uma tímida industrialização do país. 
Quer Salazar quer Cavaco Silva promoveram os dois principais ciclos de crescimento económico do século XX (1950 a 1973 e 1986 a 1990, respectivamente), beneficiando de favoráveis condições externas, mas esqueceram-se de aplicar políticas que aumentassem a taxa de produtividade, que é o indicador económico mais significativo da saúde de uma economia. Naqueles dois períodos, o aumento do PIB per capita acompanhou o evidenciado pelo conjunto dos doze países mais desenvolvidos, mas a taxa de produtividade acusou uma crónica estagnação, que ainda hoje persiste. 
Afirmámos aqui, numa nota sobre o desfecho das eleições presidenciais, com Cavaco Silva a ser eleito por vinte e três por cento dos eleitores inscritos , que o centro político deslocar-se-ia de S. Bento para o palácio de Belém, caso o PSD viesse a ganhar as eleições legislativas seguintes, perante um cenário, já pressentido, da queda do governo do PS, e de que, neste caso, seria Cavaco Silva o verdadeiro primeiro-ministro, através de interposta pessoa. Os avisos públicos já avançados para a acção do próximo governo, a chantagem emocional sobre a hipótese de um fracasso, e, agora, este ungido apelo à frugalidade dos portugueses mostram bem a sua intenção de ser o timoneiro deste barco prestes a naufragar.
Cavaco Silva, ao aceitar sem pestanejar e sem um reparo crítico os ditames da troika (UE-FMI-BCE), juntou-se aos partidos do arco da traição. O seu pendor autoritarista irá emergir, apoiado pela nova maioria parlamentar de direita, o que prefigura para o futuro um regime político autoritário, de perfil ditatorial, ou, se quisermos utilizar o termo do politicamente correcto, de uma democracia musculada.
E será essa ditadura travestida que é urgente começar a denunciar e a combater, tentando contrariar a orquestração da direita, que se prepara para arrasar o país com uma onda de choque brutal.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Cavaco espera que portugueses queiram ser “curados”



O Presidente da República disse hoje esperar que os portugueses queiram ser “curados” e que sejam capazes de responder aos desafios que foram colocados pela comunidade internacional, sublinhando que acredita que o país vai “vencer”.
PÚBLICO
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Os portugueses já foram curados muitas vezes. E de que maneira! Mas foram sempre enganados pelos médicos, que nunca acertaram nas causas da doença e prescreveram os medicamentos errados. Agora, têm de ir para um serviço de urgêncai, que é o serviço hospitalar mais perto da morgue. Ainda ninguém sabe quem vai pagar as despesas do funeral.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Cavaco condecora Manuela Ferreira Leite no Dia de Portugal


José Castelo-Branco

Cavaco Silva vai condecorar no Dia de Portugal a antiga ministra das finanças e antiga líder do PSD Manuela Ferreira Leite com Grã-Cruz da Ordem de Cristo.
A Presidência da República divulgou esta terça-feira a lista das condecorações a serem atribuídas na cerimónia oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, que este ano tem lugar em Castelo Branco, no dia 10 de Junho.
PÚBLICO
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Depois de verificar que o jornal Reconquista, o jornal mais reaccionário da imprensa regional portuguesa, e que é propriedade da paróquia de São Miguel da Sé, de Castelo Branco, vai ser agraciado como Membro Honorário da Ordem de Mérito, eu só passarei a acreditar no apartidarismo e no espírito de imparcialidade de quem estabeleceu os critérios das nomeações, quando o Presidente da República, Cavaco Silva, condecorar o entertainer José Castelo-Branco, pelo seu mérito em prolongar a acção civilizadora de Portugal junto das tribos primitivas de África, ensinando os homens a maquilharem o rosto.

terça-feira, 22 de março de 2011

Notas do meu rodapé: Tudo deve ser feito para evitar novas eleições

No momento em que a intervenção do Presidente da República seria mais necessária, ele não apareceu. Remeteu-se, num estudado calculismo, ao silêncio, permitindo que a situação se degradasse, ao ponto de, possivelmente, ter de convocar eleições antecipadas. A pressa de ver instalado em S. Bento um governo à sua imagem e semelhança desvaneceu-lhe o sentido de isenção e e obnubilou-lhe o desejo de controlar politicamente o país.
No meu ponto de vista, como já aqui assinalei, uma novas eleições para a Assembleia da República são neste momento prejudiciais para o país, já que vão agravar os problemas da governação existentes. Por outro lado, a campanha eleitoral vai caracterizar-se pela tentativa de cada um dos dois principais partidos, endossar ao outro a culpa pelo desencadeamento da crise, o que vai permitir ao PSD escamotear dos eleitores as medidas concretas do seu programa de governo, que, certamente, serão mais duras do que aquelas que o PS pretendia impor através do PEC 4 . Sabemos qual o projecto da direita em relação à Educação, ao Serviço Nacional de Saúde e à Segurança Social, que reduz tudo, como solução redentora, ao imperativo da sua imediata privatização, num enviesamento perigoso do sentido eminentemente público daqueles serviços.
No entanto, Cavaco Silva, ainda vai ter mais uma oportunidade de mostrar ao país a sua isenção partidária e a sua intenção de defender o interesse nacional, quando for confrontado com a demissão deste governo. Ele tem o dever de fazer todos os esforços para evitar novas eleições, pressionando o Partido Socialista, como partido maioritário, a encontrar uma solução alternativa a José Sócrates, para chefiar um novo governo, que tente terminar a actual legislatura. Seria uma solução que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, por certo, não enjeitariam.
Só se o Partido Socialista não estiver à altura das suas responsabilidades históricas, é que deverá ser accionado o mecanismo da dissolução da Assembleia da República e a convocação de novas eleições.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Notas do meu rodapé: Cavaco Silva deu um grande apoio à "Geração à Rasca"


Na sua tomada de posse, Cavaco Silva apropriou-se indevidamente do discurso da esquerda. Percebe-se que o duro ataque dirigido ao governo, embora fundamentado e verdadeiro, ultrapassou os limites da contenção a que um Presidente da República deve submeter-se e obedeceu ao calculismo da sua ambição política, que consiste em transformar o palácio de Belém no centro de operações da oposição ao governo de José Sócrates. Quando afirmou que "impõe-se ao Presidente definir linhas de orientação e de rumos para a economia nacional", Cavaco Silva disse ao país o que pretendia fazer neste seu segundo mandato. E não é sua função, tal como claramente prescreve a Constituição, o de estabelecer linhas de orientação ao governo.
Perante o profundo descontentamento que grassa no país, e que é transversal ao eleitorado de todo o espectro partidário, incluindo o do Partido Socialista, Cavaco Silva, um homem de direita, escolheu as palavras certas para agradar a todos, capitalizando assim um trunfo importante, que vai fazer esquecer o seu passado, o mais recente e o mais remoto. Inclusivamente, colou-se ao movimento dos jovens da "Geração à Rasca", que dele receberam um importante estímulo para a sua manifestação de amanhã. Aqueles jovens indecisos, devido a um alinhamento ideológico e partidário mais conservador, e que, eventualmente, julgariam que se trataria de uma manifestação organizada pela esquerda, receberam o desejado sinal para avançar também.
Com a juventude nas ruas e com uma série de greves, que se avizinham, o centro da política foge do Parlamento e de S. Bento e passa para outros cenários, onde a demagogia de José Sócrates já não produz efeitos. Percebe-se, e isto já aqui foi dito várias vezes, que a partir de amanhã, a política vai jogar-se noutro tabuleiro, muito desfavorável à continuidade da política predadora, conduzida por este governo.
José Sócrates vai passar uma Quaresma muito difícil. Eu já tenho preparada para ele a Última Ceia", onde também vai aparecer um Judas. A crucificação (política, bem entendido) já não é comigo. É certo que faltam os milagres, que ele não fez, mas que os seus apóstolos irão inventar, embora venham a dar um realce particular ao seu único verdadeiro milagre, o da multiplicação da dívida, que suplanta, em grandeza, aquele que ocorreu com os pães, há mais de dois mil anos.
http://publico.pt/Política/cavaco-silva-arrasador-para-governo_1483973