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domingo, 22 de maio de 2016

A ortodoxia da Europa...


Bruxelas pode impor aos Estados políticas orçamentais absurdas, para depois os condenar pelo insucesso das medidas de que ela é a principal responsável! É um absurdo político e uma realidade moralmente revoltante.
Viriato Soromenho Marques

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Em apoio à tese de Viriato Soromenho Marques, deixei, no Diário de Notícias o seguinte comentário.
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Sem dúvida alguma. As instituições da troika (UE/FMI/BCE) têm de assumir a responsabilidade do fracasso do modelo de resgate aplicado à Grécia e a Portugal. Aceitaram os programas das medidas de austeridade, que os governos lhe apresentaram, em troca do resgate (no caso português, essas medidas até foram para "além da troika", vangloriou-se Passos Coelho), deram o seu aval à sua progressiva implementação, nas várias avaliações trimestrais efectuadas, dando nota positiva a todo o processo, e manifestaram-se satisfeitas no final do programa. No entanto, em Portugal, o ano de 2015, o último da governação da coligação de direita, correu muito mal e, parece, deitou tudo a perder. Subitamente, os papagaios da direita deixaram de poder dizer que Portugal não era a Grécia, comparação esta que nunca perfilhei, pois sempre pensei e disse que Portugal seguiria "irrevogavelmente" o caminho acidentado e trágico da Grécia, só que estava um ano a ano e meio atrasado. 
Agora, aquelas instituições lavam as mãos como Pilatos, em relação ao que supervisionaram e sancionaram,  e vêm, em tom de ameaça, insistir na aplicação da mesma receita, que, como se constata, não deu resultado no passado recente.
Mas, se as instituições da troika não dão a mão à palmatória, também a comunicação social, na sua maior parte constituída em vanguarda da direita política, está a tentar uma manobra de diversão, querendo fazer passar, de uma forma subtil e implícita, de que a culpa do desastre de 2015 é da responsabilidade do governo de António Costa e da coligação de esquerda que o sustenta.O caso mais flagrante foi um artigo do Director do Observador, José Manuel Fernandes (JMF), que pegou em todos os índices macro económicos das estatísticas do INE, relativas ao 1º trimestre deste ano, para concluir, do alto da sua sapiência, que o governo de António Costa era inepto e incompetente, quando se sabe que, naquele curto período de tempo, o governo não teve a oportunidade (nem podia tê-la) de tomar medidas de fundo, pois o Orçamento de Estado de 2016, onde essas medidas se encontram inseridas, foi aprovado em finais daquele trimestre. Que se saiba, o orçamento não produz efeitos retroactivos.
Este artigo de JMF é bem o exemplo típico do mau jornalismo (principalmente o jornalismo de opinião) que campeia em Portugal, em que os órgãos de informação, além de servirem de caixa de ressonância dos partidos da direita, promovem campanhas bem orquestradas de intoxicação mediática.

Alexandre Lopes de Castro
Jornalista (C.P 5907)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Portugal estará a ser vendido a retalho?

Doha-Qatar
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A aposta assumida pela delegação governamental no primeiro dia foi captar o interesse das entidades do Qatar para o plano de privatizações previsto para este ano, nomeadamente EDP, REN e TAP.
PÚBLICO
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Se objectivo para atrair investimento, apenas se resume à tentatativa de vender aos árabes o património empresarial do Estado, não se pode dizer que seja um bom negócio, já que se trata de um investimento que não vem criar mais emprego e que apenas se destina a gerar receitas para alimentar o ciclo infernal da dívida pública. É tentar arranjar dinheiro para alimentar vícios.
O bom investimento estrangeiro é aquele que constrói infra-estruturas, cria emprego e promove as exportações. O que não é o caso, parece-me. Resta escrutinar a janela de oportunidade, potencialmente existente, de promover a instalação de grandes empresas de construção civil naquele país, mas, nesse sector, julgo que Portugal chegou atrasado, já que esse trabalho deveria ter sido desenvolvido há mais tempo por essas mesmas empresas.
Ainda falta muita informação para poder aferir-se das vantagens e dos potenciais benefícios para a economia portuguesa desta gigantesca ofensiva do governo nos países do Golfo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

WikiLeaks: BCP propôs informar Washington sobre finanças do Irão


O presidente do Banco Comercial Português (BCP), Carlos Santos Ferreira, propôs informar a administração norte-americana sobre as actividades financeiras do Irão como contrapartida a que os Estados Unidos não penalizassem a instituição por querer negociar com o regime de Teerão.
A intenção de Santos Ferreira está expressa num telegrama diplomático de Fevereiro deste ano e, de acordo com o jornal espanhol, conta com o conhecimento do primeiro-ministro português, José Sócrates, de membros do Executivo e do governador do Banco de Portugal.
PÚBLICO
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A intenção de Santos Ferreira e de José Sócrates consistia em montar em Portugal um gigantesco franchising de serviços de espionagem para aumentar as exportações.
Santos Ferreira está no lugar errado. Ele é que deveria ser o chefe das secretas.
http://publico.pt/Política/wikileaks-bcp-propos-informar-washington-sobre-financas-do-irao_1470625

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Wikileaks: EUA pediram a Portugal para passar com voos da CIA


Um telegrama da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, revelado hoje pelo site Wikileaks , admite que o Governo norte-americano pediu a Portugal que voos da CIA com suspeitos de terrorismo passassem por território nacional.
Esse pedido viu-se "complicado" pela pressão da oposição e do Parlamento Europeu sobre o Governo português, lê-se no telegrama, que recorda a ameaça do ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, se demitir se as suspeitas relacionadas com a passagem de voos ilegais da CIA por Portugal viessem a ser provadas.
O telegrama tem como título: "Ministro dos Negócios Estrangeiros português disponível para se demitir se as alegações dos voos da CIA provarem ser verdade".
Na análise, o responsável da embaixada considera que é "vantajoso" para os Estados Unidos "continuar a acariciá-lo muito" [a Luís Amado] devido ao "delicado equilíbrio" que o ministro está a tentar fazer.
"Agora, teríamos vantagem em acariciá-lo muito", conclui o telegrama, assinado por "Hoffman".
EXPRESSO
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Só não se sabe se o ministro Luís Amado foi acariciado, e de que forma. Na altura (2006), a sua homóloga estado-unidense era a secretária de Estado Condoleeza Rice, que era uma mulher de não se deitar fora. Mas segundo se afirma na notícia, os dois governantes nem sequer falaram no assunto, quando se reuniram a sós em 24 de Outubro de 2006, o que afasta qualquer suspeita.
Bem, mas todos nós sabemos como os governos dos EUA sabem acariciar!
http://clix.expresso.pt/wikileaks-eua-pediram-a-portugal-para-passar-com-voos-da-cia=f618753