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quinta-feira, 12 de abril de 2012

SMZS:A destruição da Maternidade Alfredo da Costa: que objetivos reais?


SINDICATO DOS MÉDICOS DA ZONA SUL
A destruição da Maternidade Alfredo da Costa: que objetivos reais?

Nos últimos anos tem havido diversas notícias sobre o eventual encerramento da Maternidade Alfredo da Costa com os argumentos principais em torno de reestruturações da área da obstetrícia e da abertura de novas unidades hospitalares na zona da Grande Lisboa.
Nas últimas semanas, esta questão sofreu novos e preocupantes desenvolvimentos devido à decisão do atual Governo e do seu Ministro da Saúde em continuar uma política de desmembramento e subversão dos serviços públicos de saúde.
Quando há alguns anos atrás assistimos a uma ação desenfreada de encerramentos de maternidades em diversos locais do país, o argumento nuclear utilizado foi de que efetuavam um número insuficiente de partos.
Agora estamos perante uma maternidade que efetua um elevado número anual de partos e o argumento ministerial passou a ser a necessidade de viabilizar nessa área outras unidades hospitalares de Lisboa e, concretamente, o novo Hospital de Loures dotado de uma gestão privada.
A Maternidade Alfredo da Costa, com mais de 80 anos de um serviço público de qualidade, é uma instituição de referência a nível dos cuidados materno-infantis, dotada de tecnologia de elevada sofisticação e com equipas de profissionais com uma insubstituível experiência científica e clínica em Obstetrícia, Ginecologia, Neonatologia, Ecografia fetal e Infertilidade que qualquer país, muito menos o nosso, está em condições de desperdiçar. Esta instituição assegura a última linha de apoio das gravidezes de alto risco de toda a zona sul, sendo uma escola de formação pós graduada de excelência.
A destruição da Maternidade Alfredo da Costa terá, inevitavelmente, pesadas consequências nefastas para muitas mulheres e crianças.
O desmembramento das equipas será a consequência imediata do encerramento desta unidade de saúde, tal como tem acontecido noutras situações, quer a nível interno quer noutros países.
A Maternidade Alfredo da Costa só deverá ser transferida no seu todo quando estiver construído o novo Hospital de Todos os Santos.
São chocantes os argumentos do ministro sobre o facto da referida maternidade não ser insubstituível.
SINDICATO DOS MÉDICOS DA ZONA SUL
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul considera que todos os serviços públicos de saúde que têm elevada rentabilidade e que asseguram um serviço de qualidade aos cidadãos, como é o caso da Maternidade Alfredo da Costa, são sempre insubstituíveis.
Os incessantes rumores sobre os “apetites” imobiliários a nível dos espaços urbanos ocupados quer pela Maternidade Alfredo da Costa quer pelo Hospital D. Estefânia contribuem para a existência de especulações sobre os reais objetivos visando o seu encerramento.
Neste processo existe um outro fator adicional que tem sido dissimulado na argumentação ministerial e que diz respeito às preocupações “oficiais” em garantir condições vantajosas para a gestão privada do novo Hospital de Loures.
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul transmite todo o seu apoio aos profissionais da Maternidade Alfredo da Costa e reafirma a sua total oposição à destruição desta unidade hospitalar, cuja concretização seria mais um passo na escalada governamental em curso contra o SNS e o Estado Social.
Lisboa, 12 de Abril de 2012
A Direção

quarta-feira, 11 de abril de 2012

“O lugar onde se nasce nunca devia morrer”



“A MAC é vida, jamais poderá ser destruída” e “Não tirem à cidade esta maternidade”. Estes foram alguns dos slogans entoados pelas cerca de mil pessoas que protestaram contra o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa.
Depois de muitas palmas e até das “ondas” que se costumam ver em estádios de futebol, as pessoas concentraram-se à porta da maternidade, onde, já com a ajuda dos Homens da Luta vestidos de mulher e “grávidos”, entoaram vários slogans contra a intenção do Ministério da Saúde. Paulo Macedo deve ter ficado com as orelhas a arder: “Senhor ministro conhece a MAC?” ou “Macedo escuta a MAC está em luta” foram dois dos gritos de ordem.
PÚBLICO
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Eu estive lá. A emoção correu por aqueles cordões humanos, que cercaram o magnífico edifício da Maternidade Alfredo da Costa (MAC). Mais de mil pessoas uniram-se na mesma onda de protesto contra a decisão do governo de encerrar a mais sofisticada maternidade do país, aquela que reune uma maior especialização nas áreas da Ginecologia e da Obstetricia e que está apetrechada com os mais modernos equipamentos. É esta maternidade que o Ministério da Saúde quer encerrar, dispersando as suas equipas pelos novos hospitais, que esão a ser construídos na periferia de Lisboa, em regime de parcerias público-privadas. E a esta decisão do Ministério da Saúde, não é estranha a influência dos poderosos lobies da saúde, titulares daquelas parcerias, que querem transferir todos aqueles equipamentos para as novas unidades hospitalares e benefiar da alta especialização dos profissionais da MAC, reduzindo assim os seus encargos de investimento, que lhe irão aumentar os lucros. Na perspetiva empresarial, os serviços hospitalares de Obstetrícia são os mais rentáveis no ponto de vista económico, já que apresentam uma elevada rotatividade na ocupação de camas e um tempo médio de internamento por utente muito curto. 
Por outro lado, uma empresa e, principalmente, um hospital não são apenas a soma das partes. São algo mais, e que tem a ver com a cultura institucional, que se vai construindo ao longo do tempo, e que se reflete na formação dos profissionais, quer pela transmissão dos saberes inter-geracionais, quer pelos sinergias entre as diferentes sub-especialidades. Com o encerramento da MAC, vai perder-se todo esse espólio imaterial, que demorou dezenas de anos a construir. 
Não é displicente abordar o lado emocional desta medida irracional. A maioria dos lisboetas nasceu na MAC, e isso explica a sua grande adesão aos protestos contra o seu encerramento. Enquanto falava com uma manifestante, que nasceu na MAC, e onde também vieram a nascer os seus filhos e os seus netos, e desfiando, cada um de nós, de parte a parte, os argumentos críticos contra esta aberração, que vai prejudicar o Serviço Nacional de Saúde, um manifestante, que ouvira a conversa, interrompeu-nos, para, com emoção, afirmar: "Eu nasci nesta maternidade, Ela também é minha!.
http://publico.pt/Sociedade/o-lugar-onde-se-nasce-nunca-devia-morrer-1541584