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sexta-feira, 3 de julho de 2015

EUA consideram Rússia e China ameaças à sua segurança


EUA consideram Rússia e China ameaças à sua segurança
A nova estratégia militar dos EUA particularizou países como a China ou a Federação Russa como agressivos e ameaçadores para os interesses de segurança norte-americanos e preveniu para os crescentes desafios tecnológicos e a deterioração da estabilidade global.

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São precisamente os EUA quem tem desestabilizado a paz mundial. Têm um historial negro no envolvimento direto ou indireto nos mais sangrentos conflitos militares, nos últimos sessenta anos: Vietname, Laos, Cambodja, Afeganistão, Guerra do Golfo, invasão e destruição do Iraque, que nunca mais teve paz, assim como na Líbia, em que o seu apoio logístico à França (transporte de mercenários do Qatar, que se fizeram passar por rebeldes líbios), foi decisivo, e, atualmente, o apoio aos rebeldes sírios, aos quais enviam armamento e munições, através da Turquia. E ainda resta saber que tipo de cumplicidade existe com o Estado Islâmico, através da Arábia Saudita.

sábado, 4 de maio de 2013

China muda de líderes e aposta no consumo interno


É tradição chinesa que na abertura da sessão anual do Parlamento o primeiro-ministro faça um discurso. O proferido este ano por Wen Jiabao teve um tom diferente do habitual. Disse que o Governo tem de dar mais atenção ao bem estar do povo, porque a China só será mais rica e poderosa se o consumo interno aumentar.
... A palavra chave para o futuro, disse Wen Jiabao, é o "aumento" do consumo interno. Esta, disse, é a "estratégia de longo prazo para o desenvolvimento económico".
... Entre as promessas está a garantia de que a economia chinesa continuará a crescer a um ritmo constante de 7,5% ao ano, que a taxa de inflacção não passará dos 3,5%, que serão criados nove milhões de novos postos de trabalho "urbanos", entre quatro a seis milhões de habitações sociais e que as pensões mais baixas serão aumentadas 10%.
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A aposta do governo chinês no consumo interno, embora até aqui pouco expressiva, não é de agora. Em 2008, e prevendo que os países ocidentais iriam enfrentar graves problemas de sustentabilidade nas suas economias e no setor financeiro - como a queda do Lehman Brothers e a subsequente crise do subprime, que se repercutiria na crise da dívida dos países periféricos europeus, vieram a comprovar - os dirigentes chineses, a fim de garantir o ritmo produtivo das suas indústrias, abriram linhas de crédito generosas para milhões de camponeses terem acesso a toda a gama de eletrodomésticos e de alfaias agrícolas mecanizadas. A colocação desse tipo de produtos no mundo rural veio compensar as perdas ao nível da exportação para os países ocidentais.
Este novo enfoque de aumentar o consumo interno insere-se nesta perspetiva de compensar a descida das exportações para a Europa e para os Estados Unidos. Só assim se compreende que a taxa de crescimento anual, nos próximos dez anos, possa vir a atingir o valor de 7,5 por cento, um número invejável para europeus e norte americanos.
É o pragmatismo chinês a funcionar em pleno, sustentado numa análise correta do estado da economia mundial, a do momento e a do futuro próximo. Por outro lado, o governo e o Partido Comunista Chinês, que o sustenta há mais de sessenta anos, concretizam mais um passo para promover mais equitativamente a distribuição da riqueza do país, que ainda acusa muitas assimetrias.
Na próxima década, é pois no aumento exponencial do consumo interno que a China irá ancorar o seu saudável crescimento, além de pretender implementar uma economia que não descure os efeitos ambientais, uma perspetiva desenvolvimentista diametralmente oposta à perfilhada pelos dirigentes europeus, que declararam guerra cega ao consumo interno, através da implementação de planos de austeridade aos países periféricos. É um mito enganador aquele que é defendido pelos governos europeus e pelos dirigentes da União Europeia, que pensam (ou fingem pensar) que só com o aumento das exportações os países conseguirão regressar ao crescimento económico. Depois de três anos de uma selvagem austeridade na Grécia e a de dois anos, em Portugal, a situação económica agudiza-se perigosamente, ao ponto de ameaçar a sustentabilidade social e económica destes dois países.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Uma visão premonitória sobre o futuro...

Amabilidade do João Fráguas
As civilizações não são eternas. Nascem, crescem, atingem o apogeu, entram em declínio e, depois, morrem ou ficam moribundas. Algumas, poucas, passados muitos séculos. ressuscitam. É o caso da China. Em 2050, o mundo será chinês, o conhecimento irradiará da China, e a língua internacional será o mandarim.
Os sinais de degenerescência no mundo ocidental e, particularmente, na Europa são mais que evidentes.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

China: O seu crescimento é imparável...

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Amabilidade da Dalia Faceira
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O crescimento da China é imparável. Mesmo que os países ocidentais, por razões geo-estratégicas, coloquem restrições severas às suas importações, oriundas daquele país, a China, mesmo assim, tem muito por onde se expandir. O seu mercado interno é de um enorme potencial.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Opinião: A América transformou. A China adaptou-se - por Ivan Krastev


Para um europeu, nos dias de hoje, pensar sobre o futuro é perturbador. A América está militarmente sobrecarregada, politicamente polarizada e financeiramente endividada. A União Europeia parece à beira do colapso e muitos não europeus vêem o velho continente como uma potência aposentada, que ainda consegue impressionar o mundo com as suas boas maneiras mas não com coragem ou ambição.
Inquéritos de opinião a nível mundial, realizados nos últimos três anos, indicam consistentemente que muitos estão a virar as costas ao Ocidente e – com esperança, medo ou ambos – vêem a China a avançar para o palco central. Como diz a velha piada, os otimistas estão aprender a falar chinês; os pessimistas estão a aprender a utilizar uma Kalashnikov.
Enquanto um pequeno exército de especialistas afirma que a ascensão da China ao poder não devia ser assumida e que os seus alicerces económicos, políticos e demográficos são frágeis, a sabedoria convencional afirma que o poder da China está a crescer. Muitos questionam-se como é que uma Pax Sinica [paz chinesa] mundial pode afirmar-se: como é que a influência mundial da China se manifestaria?
Como é que a hegemonia chinesa diferiria da variedade americana? De uma maneira geral, as questões de ideologia, de economia, de história e de poder militar dominam os debates actuais na China. Mas, quando se compara o mundo americano de hoje com um possível mundo chinês de amanhã, o contraste mais marcante consiste na forma como os americanos e os chineses experimentam o mundo para além das respectivas fronteiras.
A América é uma nação de imigrantes, mas também é uma nação de pessoas que nunca emigram. Notavelmente, os americanos que vivem fora dos EUA não são chamados de emigrantes, mas sim de “expatriados”. A América deu ao mundo a ideia de ser um “caldeirão cultural” – um instrumento de cozinha alquímica onde diversos grupos étnicos e religiosos se misturam, voluntariamente, construindo uma nova identidade americana.
E muito embora os críticos possam argumentar que o “caldeirão” é um mito nacional, tem tenazmente fundamentado o imaginário colectivo da América.
Desde que os primeiros europeus se estabeleceram ali, no século XVII, as pessoas de todo o mundo têm sido atraídas para o sonho americano de um futuro melhor; o encanto da América é, em parte, a sua capacidade de transformar os outros em americanos. Tal como um russo, agora professor universitário da Universidade de Oxford, disse: “Você pode tornar-se num americano, mas nunca se pode tornar num inglês”. Não surpreende, portanto, que a agenda mundial dos EUA seja transformadora; é a que dita as regras.
Os chineses, por outro lado, não tentaram mudar o mundo, mas sim adaptar-se a ele. As relações da China com os outros países são canalizadas através da sua diáspora e os chineses percecionam o mundo através das suas experiências como imigrantes.
Hoje, vivem mais chineses fora da China do que franceses a viver em França e estes chineses, que estão no exterior, fazem parte do grande número de investidores na China. Na verdade, há apenas 20 anos, os chineses que viviam no estrangeiro produziam tanta riqueza como toda a população no interior da China. Primeiro, a diáspora chinesa teve sucesso, depois foi a própria China.
Chinatowns – comunidades, muitas vezes insulares, localizadas nas grandes cidades do mundo – são o cerne da diáspora chinesa. Como o cientista político Lucien Pye observou uma vez, "os chineses vêem tal diferença absoluta entre eles e os outros que, inconscientemente, acham natural referirem-se aos nativos dos países que os acolhem como “estrangeiros”.
Enquanto o “caldeirão cultural” americano transforma outras nacionalidades, as chinatowns ensinam os seus habitantes a adaptarem-se – a tirarem proveito das regras e dos negócios do país de acolhimento, ao mesmo tempo que permanecem separados. Enquanto os americanos levam a sua bandeira bem alto, os chineses trabalham arduamente para serem invisíveis. As comunidades chinesas, no mundo inteiro, conseguiram tornar-se influentes nos seus países de acolhimento, sem serem ameaçadas; conseguiram ser fechadas e não transparentes, sem provocarem a ira; conseguiram ser uma ponte de ligação com a China, sem parecerem ser uma “quinta coluna”.
Como a China é de adaptação, não de transformação, é improvável que mude o mundo de forma dramática, caso venha a assumir as suas rédeas.
Mas isso não significa que a China não explorará esse mundo para fins próprios.A América, pelo menos em teoria, prefere que os outros países partilhem os seus valores e ajam como americanos. A China só pode recear um mundo onde toda a gente aja como os chineses. Deste modo, num futuro dominado pela China, os chineses não definirão as regras, mas procurarão tirar o maior proveito possível das regras que já existem.
Ivan Krastev
30.12.2011
Amabilidade de Diamantino Silva

domingo, 16 de janeiro de 2011

Great Chinese State Circus - Swan Lake

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Amabilidade da Dália Faceira, que enviou este vídeo.
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Uma coreografia original e uma execução perfeita. A China agiganta-se também nas manifestações artísticas e culturais e adopta, de forma inteligente e sem quaisquer complexos de índole nacionalista, os valores da civilização ocidental.

sábado, 1 de janeiro de 2011

A economia da China não assenta apenas na utilização da mão de obra barata...

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Amabilidade do Luís Sales, que enviou estas fotografias.
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A China não dorme à sombra dos louros já conquistados. Prepara, de forma consistente e rigorosa, a sua futura liderança na economia mundial, apostando na educação e na formação a todos os níveis. Década a década vai subindo no patamar do desenvolvimento, na incorporação de tecnologias de ponta na sua indústria e na sofisticação dos seus serviços, ganhando assim a competitividade que as economias ocidentais vão perdendo inexoravelmente na proximidade do fim do seu ciclo histórico.

sábado, 11 de setembro de 2010

16 Girls + 1 Bicycle = Awesome

Vídeo enviado pelo amigo João Fráguas

Se quisesse ser sarcástico, eu poderia dizer que estas rapariguinhas apenas podem comer meia tigela de arroz por dia, para que a bicicleta possa aguentar o peso de todas elas. Prefiro, no entanto, sobrevalorizar o facto de ter sido na antiga União Soviética e na China que as artes circenses ganharam o estatuto cultural e social, a que tinham direito.

O Mundo a seus pés!...

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Ordem, disciplina, rigor e uma rasante uniformidade constituem a imagem de marca da China. Nós, ocidentais, somos confrontados com a determinação e a pujança de um povo que quer ultrapassar o silêncio de séculos. Olha-se a fotografia e parece-nos que aqueles militares não têm tempo para fazer mais nada. Mas, na verdade, eles fazem tudo que lhes compete fazer. Como qualquer chinês. Uma nova filosofia de Estado e de sociedade está a nascer naquele país. Quem ainda estiver por cá, daqui a trinta anos, vai compreender melhor o que quero dizer.

sábado, 26 de dezembro de 2009

O gigante começa a acordar!...


Este ano, apesar da recessão global,
a economia chinesa deverá crescer
acima dos oito por cento e continuará
a ser a terceira maior economia do
mundo, a seguir aos Estados Unidos
e Japão.
...
O projecto (o Orçamento de Estado
2010 do Japão) deverá ainda ser
aprovado pelas câmaras do
Parlamento e estima um crescimento
económico de 1,4 por cento, insuficiente
para atenuar a previsão do FMI de que
a economia chinesa poderá ultrapassar
a japonesa em 2010.
Público online

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Até na justiça, a China trabalha com custos mínimos!...

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O Diário de Notícias online informa:

As autoridades chinesas executaram quarta-feira dois empresários acusados de terem defraudado centenas de investidores no equivalente a mais de 87 milhões de euros, informa hoje a imprensa oficial.

E se despachássemos para a China, Jardim Gonçalves, Oliveira e Costa, João Rendeiro e, já agora, Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras e Avelino Ferreira Torres?...
http://dn.sapo.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1327524

sábado, 11 de julho de 2009

Dólar: Uma arma essencial para o poderio dos Estados Unidos


A China, no pico da crise financeira mundial, foi o primeiro país a falar na necessidade de instituir uma moeda desmaterializada, desvinculada de qualquer país, que viesse substituir o dólar nos pagamentos internacionais. Agora, na 35ª Cimeira do G8, em L’ Aquila, na Itália, o tema foi novamente abordado no dia em que os países do G8 fizeram uma reunião conjunta com os países do G5. Brasil, China e Índia defenderam que, a longo prazo, essa substituição terá de ser feita, a fim de evitar que os países, para aumentar a sua competitividade, desvalorizem administrativamente as suas moedas nacionais, torpedeando assim os esforços para conseguir uma maior liberalização da economia mundial. Com uma moeda internacional, gerida por uma instituição independente dos poderes políticos, que fizesse a sua gestão e calculasse o seu valor cambial em relação a todas as moedas nacionais, aos países apenas restava, para aumentar a sua competitividade, produzir com baixos custos salariais e (ou) aumentar o valor acrescentado das mercadorias produzidas e dos serviços prestados, através da incorporação da inovação tecnológica, da organização e métodos da produção e do trabalho, e do empreendedorismo.
Em Portugal, a desvalorização do escudo foi sempre a arma dos sucessivos governos para aumentar a competitividade dos produtos e, por consequência, as exportações, medida proteccionista esta que estimulava a preguiça e a indolência dos empresários, que assim, negativamente, contribuíram para o atraso económico do país.
A China e os Estados Unidos, actualmente, também jogam na desvalorização das suas moedas nacionais, para segurarem a competitividade das suas respectiva economias.
Mas a criação de uma nova moeda internacional não é do interesse dos Estados Unidos, pois a internacionalização do dólar, que substituiu o ouro, permite-lhe compensar os desequilíbrios gigantescos da sua balança comercial e o seu défice orçamental público. De outro modo, a maior economia do mundo já teria tido um colapso.
Para garantir a sua supremacia e a supremacia do dólar, os Estados Unidos conseguiram, no início da década de setenta, que todos os países do Golfo, todos seus aliados estratégicos, na altura incluindo também o Iraque e o Irão, que só aceitassem o dólar como moeda de pagamento nas compras do petróleo, nascendo daí a figura do petrodóar.
Sendo assim, os Estados Unidos têm de emitir uma grande quantidade de moeda para satisfazer a procura de dólares no mundo, o que lhe permite arrecadar dividendos, já que os países com balanças comerciais e de pagamentos positivas remetem os dólares para a economia dos Estados Unidos, comprando Títulos do Tesouro, emitidos pelo governo americano. E isto constitui hoje uma grande dor de cabeça para a China, que, sendo o maior credor dos Estados Unidos, através do gigantesco número daqueles títulos acumulados na sua carteira, assiste impotente à sua desvalorização. Quem ganhou foi Washington, que arrecadou dólares valorizados, vendendo Títulos do Tesouro, e quem está a perder é a China, que receberá dólares desvalorizados, se se desfizer daqueles títulos.
São estas contradições que irão no futuro alimentar grandes discussões nos fóruns internacionais, já que a actual situação começa a ser insustentável, principalmente para os países das economias emergentes.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A China numa nova encruzilhada...


A China poderá salvar o mundo da depressão?
Pretender que as áreas rurais da China sirvam como plataforma de arranque para a recuperação nacional e global exigiria uma viragem fundamental de políticas, e o governo teria de ir contra os interesses, locais e externos, que se cristalizaram em volta da estratégia da industrialização orientada para as exportações e dependente de capitais externos.
Walden Bello* - 15.06.09

Virá a China a ser o «pólo de crescimento» que pode arrancar o mundo às garras da depressão? Esta pergunta passou a ser um tema favorito desde que a heróica classe média dos consumidores americanos, sobrecarregada por uma dívida esmagadora, deixou de ser o estímulo fundamental para a produção global.Embora a taxa de crescimento do PIB da China tenha descido para 6,1% no primeiro trimestre – o mais baixo em quase dez anos – os optimistas descortinam “vislumbres de recuperação” numa explosão de 30% no investimento em activos fixos urbanos e num salto da produção industrial em Março. Estes indicadores são prova, dizem eles, do êxito do programa de estímulo chinês de 586 mil milhões de dólares – que, em relação ao PIB, é proporcionalmente muito maior do que o pacote da administração Obama de 787 mil milhões de dólares.
A Zona Rural como Rampa de Lançamento para a Recuperação?
À medida que as áreas urbanas do litoral da China, orientadas para a exportação, sofrem prejuízos com o colapso da procura global, muita gente, dentro e fora da China, vira as esperanças de uma recuperação global para a zona rural chinesa. Uma boa parte do pacote de estímulo de Beijing é destinada a infra-estruturas e despesas nas áreas rurais. O governo está a distribuir 20 mil milhões de yuans (3 mil milhões de dólares) em subsídios para ajudar os residentes rurais a comprar televisões, frigoríficos e outros equipamentos domésticos.Mas, perante a redução da procura de exportações, será que esta estratégia de apoiar a procura rural funcionará como motor para a maciça máquina industrial do país?Há razões para cepticismo. Por um lado, mesmo quando a procura de exportações estava em alta, já 75% das indústrias chinesas estavam com problemas de excesso de capacidade. Por exemplo, antes da crise, a capacidade total da indústria automóvel foi projectada para produzir 100% mais de veículos do que os que podiam ser absorvidos num mercado em crescimento. Nos últimos anos, os problemas de excesso de capacidade provocaram a redução para metade da taxa do crescimento anual de lucros em todas as grandes empresas.Mas há um outro problema, ainda maior, na estratégia de tornar a procura rural num substituto para os mercados de exportação. Mesmo que Beijing lhe introduza mais uma centena de milhares de milhões de dólares, o pacote de estímulo não contrariará provavelmente de modo significativo o impacto depressivo duma política com 25 anos de sacrificar a zona rural em prol de um crescimento industrial orientado para a exportação, com uma base urbana. As implicações para a economia global são enormes.
A subordinação da agricultura à indústria
Ironicamente, a ascensão da China nos últimos 30 anos começou com as reformas rurais que Deng Xiaoping iniciou em 1978. Os camponeses queriam acabar com as comunas da era de Mao, e Deng e os seus reformadores satisfizeram-nos introduzindo o “sistema de responsabilidade do contrato familiar”. Segundo este sistema, cada agregado familiar recebeu um bocado de terra para cultivar. O agregado familiar podia guardar o que sobrava da produção depois de vender ao estado uma proporção fixa a um preço estipulado pelo estado, ou pagando uma taxa em dinheiro. O restante podia ser consumido ou vendido no mercado. Foram os anos tranquilos dos camponeses. O rendimento rural subiu em média mais de 15% ao ano, e a pobreza rural caiu de 33% para 11% da população.Mas esta idade de ouro dos camponeses chegou ao fim quando o governo adoptou uma estratégia de industrialização orientada para a exportação e baseada na orla costeira, pressupondo uma rápida integração na economia capitalista global. Esta estratégia, que foi desencadeada no 12º Congresso do Partido Nacional em 1984, na prática construiu a economia industrial urbana em cima dos “ombros dos camponeses”, como definiram os especialistas rurais Chen Guidi e Wu Chantao. O governo apostou na acumulação do capital primitivo nomeadamente por meio de políticas que reduziram fortemente os excedentes dos camponeses.As consequências desta estratégia de desenvolvimento industrial orientado para as cidades foram brutais. O rendimento camponês, que tinha crescido 15,2% por ano, de 1978 a 1984, caiu para 2,8% por ano, de 1986 a 1991. No início dos anos 90 assistiu-se a uma pequena recuperação, mas a estagnação do rendimento rural foi marcante durante a última parte da década. Em contraste, o rendimento urbano, já mais alto do que o dos camponeses em meados dos anos 80, foi em média seis vezes maior do que o rendimento dos camponeses em 2000.A estagnação do rendimento rural foi provocada por políticas que favoreceram a subida dos custos dos produtos industriais para a agricultura, a descida dos preços para os produtos agrícolas e o aumento de impostos, tudo isso combinado para transferir o rendimento do campo para a cidade. Mas o principal mecanismo para subtrair os excedentes aos camponeses foi os impostos. Em 1991, os organismos estatais centrais lançaram impostos sobre os camponeses em 149 produtos agrícolas, mas isso veio a provar-se ser apenas uma parte duma fatia muito maior, quando os níveis mais baixos de governo começaram a lançar as suas próprias taxas, honorários e encargos. Actualmente, os diversos níveis de governo rural impõem um total de 269 tipos de taxas, juntamente com todo o tipo de encargos administrativos arbitrariamente impostos.Supostamente, as taxas e honorários não devem exceder 5% do rendimento de um lavrador, mas normalmente o seu valor total real é muito maior. Alguns inquéritos do Ministério da Agricultura relataram que a carga fiscal do camponês é de 15% – o triplo do limite nacional oficial.O aumento dos impostos talvez pudesse ter sido suportável se os camponeses recebessem em troca melhores cuidados de saúde, melhor instrução pública e mais infra-estruturas agrícolas. Na ausência desses benefícios tangíveis, os camponeses vêem que as suas receitas estão a subsidiar o que Chen e Wu descrevem como o “crescimento monstruoso da burocracia e a proliferação do número de funcionários” cuja função parece ser apenas a de os sugar cada vez mais.Além de estarem sujeitos a preços de produtos para a agricultura mais altos, a preços mais baixos para as suas produções, e a impostos mais pesados, os camponeses têm suportado o peso do foco urbano-industrial da estratégia económica de outras formas. Segundo um relato, “40 milhões de camponeses foram expulsos das suas terras para dar lugar a estradas, aeroportos, barragens, fábricas e outros investimentos públicos e privados, e todos os anos há mais um milhão que é desalojado”. Outros investigadores citam um número muito mais alto de 70 milhões de agregados familiares, o que significa, se calcularmos 4,5 pessoas por agregado familiar, em 2004, que a apropriação de terras desalojou 315 milhões de pessoas.
Impacto da liberalização do comércio
O compromisso feito pela China de eliminar as quotas agrícolas e reduzir as tarifas, quando aderiu à Organização Mundial do Comércio em 2001, pode ainda minimizar o impacto de todas as mudanças anteriores por que os camponeses passaram. O custo da admissão da China está a revelar-se enorme e desproporcionado. O governo esmagou a tarifa agrícola média de 54 para 15,3%, em comparação com a média mundial de 62%, levando a que o ministro do comércio se gabasse (ou se lamentasse): “Nenhum membro da história da OMC fez um corte tão drástico [nas tarifas] num período de tempo tão curto”. O acordo com a OMC reflecte as prioridades actuais da China. Se o governo optou por pôr em risco grandes sectores da sua agricultura, tais como o feijão de soja e o algodão, fê-lo para abrir ou manter abertos os mercados globais para as suas exportações industriais. As consequências sociais deste negócio ainda estão por se fazer sentir totalmente, mas os efeitos imediatos têm sido alarmantes. Depois de anos a ser um exportador líquido de alimentos, a China registou em 2004 um défice no seu comércio agrícola. As importações de algodão subiram em espiral de 11.300 toneladas em 2001 para 1,98 milhões de toneladas em 2004, um aumento de 175 vezes. Os agricultores chineses de cana-de-açúcar, de feijão de soja e principalmente de algodão ficaram destruídos. Em 2005, segundo Oxfam Hong Kong, as importações de algodão americano barato provocaram uma perda de receitas aos camponeses chineses de 209 milhões de dólares, juntamente com 720.000 postos de trabalho. A liberalização do comércio provavelmente também contribuiu para o dramático abrandamento da redução da pobreza entre 2000 e 2004.·
O fim do regime de propriedade
Nos últimos anos, a prioridade dada à transformação capitalista da zona rural para fomentar a industrialização orientada para as exportações levou o partido a promover não apenas a liberalização do comércio agrícola mas o abandono de um regime de propriedade semi-socialista que favorece os camponeses e os pequenos agricultores. Isso implica o abrandamento dos controlos públicos sobre as terras a fim de passar para um regime total de propriedade privada. A ideia é permitir a venda dos direitos às terras (criação de um mercado de terras) a fim de que os produtores mais “eficientes” possam expandir as suas propriedades. Nas palavras eufemísticas de uma publicação do Departamento de Agricultura dos EU, a “China está a fortalecer os direitos dos agricultores – embora hesite em permitir a posse total da terra – e assim os agricultores podem alugar a sua terra, consolidar as suas propriedades e conseguir maior eficiência em dimensão e em escala”.Esta liberalização dos direitos às terras passou pela aprovação da Lei do Arrendamento Agrícola em 2003, que reduziu a capacidade das entidades aldeãs para redistribuir a terra e deu aos agricultores o direito a herdar e a vender propriedades alugadas de terra arável por 30 anos. Com a compra e venda dos direitos à utilização das terras, o governo restabeleceu basicamente a propriedade privada de terras na China. Ao falar de “quintas familiares” e de “agricultores de grande escala”, o Partido Comunista Chinês sancionou, de facto, uma via de desenvolvimento capitalista para suplantar outra que se baseara na agricultura camponesa de pequena escala. Conforme descreveu um defensor da nova política, “A reforma criará uma economia de escala – aumentando a eficiência e baixando os custos de produção agrícola – e também resolverá o problema das terras abandonadas pelos que migram para as cidades”.Apesar da garantia do Partido de que estava a institucionalizar os direitos dos camponeses à terra, muitos deles recearam que a nova política viesse legalizar o processo de apropriação ilegal de terras que estava a ocorrer em grande escala. Isso irá criar, alertaram eles, “meia dúzia de senhores das terras e muitos camponeses sem terras que deixarão de ter meios de subsistência”. Dada a turbulenta transformação da zona rural provocada noutros países pela libertação desenfreada das relações capitalistas de produção, estes receios não deixavam de ter razão.Em resumo, distribuir dinheiro para fazer aumentar a procura rural não parece ser solução para combater as poderosas estruturas económicas e sociais criadas pela industrialização orientada para as exportações à custa do desenvolvimento da zona rural. Estas políticas contribuíram para uma maior desigualdade entre os rendimentos urbano e rural e atrasaram a redução da pobreza nas áreas rurais. Pretender que as áreas rurais da China sirvam como plataforma de arranque para a recuperação nacional e global exigiria uma viragem fundamental de políticas, e o governo teria de ir contra os interesses, locais e externos, que se cristalizaram em volta da estratégia da industrialização orientada para as exportações e dependente de capitais externos.Nos últimos anos Beijing tem falado muito sobre um “Novo Acordo” para a zona rural. Mas há poucos indícios de que tenha a vontade política de adoptar políticas que poderiam traduzir a sua retórica em realidade. Portanto, não se espere que Beijing salve a economia global tão depressa.
* Walden Bello é analista e ex-director executivo do Instituto de Investigação e Activismo para o Sul Global, com sede em Banguecoque e vice-presidente do Fórum Social Mundial
Este texto foi publicado em www.zmag.org/znet/viewArticle/21574
Tradução de Margarida Ferreira
In ODiário.info