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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O grande problema estrutural da economia portuguesa é o euro…


Portugal “fica mal na fotografia quando comparado com quase todos os países do mundo”, no que diz respeito ao endividamento do Estado e do setor privado, lamenta a agência Fitch. Para que o “rating” suba e saia de “lixo”, terá de haver “mudanças estruturais”, avisa o analista responsável pela notação de risco de Portugal. A Fitch avisa que estará atenta a qualquer solução para a banca (Novo Banco, crédito malparado) que afete as contas públicas.
As declarações foram proferidas por Federico Barriga Salazar, diretor da Fitch, durante a conferência que a agência Fitch realiza anualmente em Lisboa.

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O grande problema estrutural da economia portuguesa é o euro…

O grande problema estrutural na economia portuguesa, e que se transformou num verdadeiro colete de forças, é o euro. E isto, porque esta moeda tem um valor cambial desajustado, relativamente à produtividade da sua economia, o que é um travão ao aumento das exportações. E sem um aumento vigoroso das exportações e do investimento público e privado, Portugal não poderá ver a sua economia crescer, e a criar excedentes para pagar a dívida. Isto é óbvio. Se um comerciante não aumentar as vendas, em relação ao ano anterior, não poderá, para o ano seguinte, aumentar os vencimentos aos seus funcionários, a não ser que aceite ver reduzidos os seus lucros. E não há ninguém, à esquerda e à direita, que ande no mercado para perder dinheiro, antes pelo contrário. E este comerciante, confrontado com a descida de vendas, em relação ao ano anterior, até seria tentando a baixar os salários, se pudesse, para assim salvar o seu lucro. Foi o que fez a troika, em Portugal, ao promover a desvalorização salarial, que chegou aos vinte por cento, na esperança de que, com essa desvalorização, os produtos e serviços ganhariam uma competitividade, que impulsionaria o aumento das exportações. O plano,  que foi gizado pela Alemanha, por conselho dos seus cinco sábios em economia (conselheiros do governo), para que o resgate dos países do sul da Europa não afectasse a estabilidade da moeda única fracassou. Em Portugal, as exportações não cresceram o suficiente. E compreende-se. Portugal, no mercado externo, está a competir com economias de países que produzem o mesmo, a preços mais baixos.
Em face disto, Portugal só tem um caminho de esperança, para recuperar a normalidade, em relação à sua gigantesca dívida. Criar uma moeda própria, que possa desvalorizar, para ganhar competitividade externa, e, ao mesmo tempo, desvincular-se do Tratado Orçamental, para poder gerir, com independência, e de acordo com o estado da economia, o seu Orçamento de Estado.
Alexandre de Castro
2017 01 26

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Fico à espera…


Fico à espera…

O grande problema, que já é estrutural, da economia portuguesa é a sua gigantesca dívida soberana. Se nada mudar na Europa, em relação ao sistema monetário, Portugal, para pagar essa dívida e os respectivos juros, terá de ter, durante os próximos vinte anos, um crescimento do PIB, na ordem dos cinco a seis por cento, caso não haja inflação acima dos dois por cento. E para obter esse crescimento, Portugal tem de fazer o seguinte:

1º Aumentar o investimento produtivo, o público e o privado, o nacional e o estrangeiro.

2º Tem de promover a produção bens nacionais, que substituam a importação de produtos congéneres, para diminuir as importações.

3º Tem de aumentar significativamente as exportações, tarefa ciclópica, que se revela impossível, pois com uma moeda de elevado valor cambial, a competitividade externa diminui, face às economias concorrentes.

Ao fim de cinco anos de crise e de uma cega austeridade que se baseou na desvalorização dos salários e das pensões, como meio de aumentar a referida competitividade externa, a melhoria dos índices macro económicos é ridícula e manifestamente insuficiente. A economia anda a passo de caracol, quando seria necessário que corresse a galope, sem parar.

Não há horizonte para o futuro, enquanto Portugal não recuperar o poder monetário e cambial, que perdeu com a acrítica adesão à moeda única, e também o poder orçamental, que também perdeu ao assinar, de cruz, o Tratado Orçamental. Sem estes dois instrumentos estratégicos (moeda e orçamento), nenhum governo será capaz de vencer a crise.

Aqueles - que entre dirigentes políticos, nacionais e europeus, economistas e jornalistas de economia, e simples cidadãos, esbracejam e protestam, quando alguém sugere a saída de Portugal da moeda única e o corte com o espartilho orçamental - que apresentem um credível modelo alternativo, coerentemente ancorado na ciência económica. Que nos digam como é que Portugal vai ganhar excedentes para pagar a dívida?
Fico à espera.
Alexandre de Castro

2017 01 16

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

PCP lança campanha sobre saída do euro


PCP lança campanha sobre saída do euro

O PCP anunciou hoje [17 de Dezembro] que vai realizar uma campanha sobre a saída do euro, entre janeiro e junho de 2017.
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Trata-se de uma grande iniciativa do PCP, que faltava ao país. Só com uma moeda própria, adaptada, no ponto de vista cambial, à produtividade da economia nacional, se poderá caminhar no sentido do crescimento e do desenvolvimento, que o elevado valor do euro está a estrangular, pois não favorece o aumento desejável e sustentável das exportações, o que é urgente e importante, ao mesmo tempo que facilita o aumento das importações, o que não é favorável para a economia O consumo, através da importação de bens de luxo, não enriquece o país, antes o empobrece.
Sempre que abordo este tema, costumo referir a minha metáfora, que é assim: ao aderir ao euro, Portugal fez a figura daquela criança, que vestiu o casaco do pai. Ficava-lhe grande e dificultava-lhe os movimentos. O alfaiate cortou-o e tentou adaptá-lo ao corpo da criança. Ficou mal amanhado. A solução, concluiu-se, é comprar um casaco novo (ou seja, regressara ao escudo).
Claro como água cristalina. Só não vê quem é cego ou quem, por conveniência interesseira, finge que é cego.
É certo que uma saída do euro tem custos e vai exigir sacrifícios (a todos e não apenas a alguns, até aqui os mesmos de sempre), mas que serão temporários, e podendo ser eliminados quando começarem a surgir os resultados positivos de uma nova política, assente no vigoroso aumento das exportações, proporcionado por uma moeda de menor valor, e no investimento público e privado. No entanto, esse sacrifícios, quer na intensidade, quer na interinidade, serão muito menos gravosos do que os existentes na situação actual, que vão perpetuare-se por muito tempo, e em que a economia não conseguirá gerar uma balança comercial, com um folgado superávit, para poder pagar-se a dívida, mesmo que reestruturada.
Alexandre de Castro

terça-feira, 7 de junho de 2016

Jerónimo de Sousa quer nova moeda portuguesa


Jerónimo de Sousa quer nova moeda portuguesa

Numa sessão pública intitulada A libertação do país da submissão ao Euro, condição para o desenvolvimento e soberania nacional, Jerónimo de Sousa, ladeado pelos economistas João Ferreira do Amaral e Jorge Bateira, entre outros, identificou a banca sob controlo público, a renegociação da dívida e a saída do euro como prioridades para o desenvolvimento soberano de Portugal.
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Não há outra alternativa. Se já foi um grande erro Portugal aderir ao euro, maior erro será se não sair. Se Portugal tivesse uma moeda própria, alinhada com a produtividade da sua economia, as exportações de bens e serviços triplicariam, no espaço de quatro ou cinco anos, permitindo assim obter excedentes para ir pagando a dívida, dívida que também terá de ser reestruturada. 
Se não for assim, Portugal caminhará para o desastre.

terça-feira, 1 de março de 2016

Vem aí mais um "Mecanismo" europeu, o Mecanismo de Insolvência de Soberanos…


Vem aí mais um "Mecanismo" europeu, o Mecanismo de Insolvência de Soberanos…

Em 2015, a economia portuguesa cresceu 1,5 por cento, em relação ao ano anterior, valor este que se atingiu, devido essencialmente ao aumento do consumo, proporcionado oportunisticamente, em ano de eleições, pelo governo de direita, que por este meio procurou captar votos,  ao atenuar ligeiramente a dura austeridade, imposta nos três anos anteriores do seu mandato.
As exportações também aumentaram, e a explicação encontra-se no aumento da competitividade externa, promovida por uma gigantesca desvalorização salarial (cerca de 20 por cento), que incidiu sobre os trabalhadores do sector público e do sector privado.
No entanto, falharam os objectivos em relação ao investimento, quer o investimento externo, quer o investimento interno, o que demonstra que não é unicamente através da desvalorização do trabalho que se atraem os capitais. Para além disto, grande parte do investimento externo foi conseguido, através da concessão dos vistos gold, que é um investimento pouco produtivo, porque se trata apenas de uma transacção comercial de bens imóveis de luxo, já construídos, e que, por isso, não acrescenta valor, não aumenta a riqueza nacional, nem aumenta o emprego.
Perante tão modesto crescimento da economia portuguesa, apesar de ter sido o maior aumento percentual dos últimos anos, eu pergunto como é que irão gerar-se recursos financeiros suficientes para pagar a colossal dívida pública externa? É que, se bem me lembro, no tempo da troika e do seu famigerado “Memorando”, alguém qualificado fez as contas e chegou à conclusão de que, para pagar os empréstimos do resgate à Comissão Europeia, ao BCE e ao FMI, no valor de 72 mil milhões de euros, a economia portuguesa teria de crescer 4,5 por cento ao ano, até à última amortização, que ocorrerá em 2036. Ainda me recordo que, na altura, quando li a respectiva notícia, fiquei com os olhos em bico, que até parecia um chinês a olhar para um prato de arroz... 
Quanto a mim, que pouco percebo destas coisas, a não ser o trivial, penso que, quem anda a sustentar a ideia de que esta dívida é sustentável e que pode ser paga, está deliberadamente a enganar os portugueses. Com este raquítico crescimento, a manter-se, o Estado não conseguirá obter um sustentável aumento de receitas, através dos impostos, e que venha a permitir-lhe a plena assumpção dos compromissos com os credores institucionais. 
À mesma conclusão deveriam ter chegado os cinco "sábios", que fazem parte do "German Council of Economic Experts", um grupo oficioso de cinco economistas, que faz assessoria ao governo alemão, e que propuseram, para ser eventualmente apresentado ao Conselho Europeu, e sob proposta da Alemanha, a criação de um chamado “Mecanismo de Insolvência de Soberanos” (mais um "Mecanismo" na UE!), que venha, no futuro, a contemplar a hipótese, até aqui nunca admitida pelos Tratados, nem pelos dirigentes europeus, da saída (provisória?) da zona euro dos países considerados insolventes. E, neste quadro, Portugal seria o primeiro da lista, a sair do euro, já que, a Grécia, embora a viver uma situação económica e financeira mais grave, se encontra, actualmente, sob o seu terceiro resgate, o que impediria a aplicação imediata desse novo estatuto, o do “Mecanismo de Insolvência de Soberanos”, caso ele venha a ser aprovado pelo Conselho Europeu.
Para já, este plano dos cinco sábios (ver aqui) - um deles votou contra - obteve a aprovação do sinistro ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, o que é meio caminho andado para ser bem recebido por todos os facciosos europeístas, incluindo Passos Coelho e Paulo Portas.
Do grupo dos cinco "sábios", o dissidente foi o economista, Peter Bofinger, que resolveu, quebrando o sigilo, vir para a praça pública, para afirmar, peremptoriamente, que, aquele plano, a ser aplicado, seria "o princípio do fim do euro". Perante esta afirmação, os governos do sul da Europa começaram a tremer. 
A lógica que presidiu à concepção deste plano, inspirou-se na filosofia inerente à concepção das recentes novas regras para a banca da zona euro, que estabelecem que, em caso de falência, são os accionistas e os depositantes com depósitos, acima dos 100 mil euros, a suportar as perdas, e não os credores. Com esta manobra, os bancos alemães, franceses e espanhóis, detentores de dívidas colossais, de cobrança duvidosa, por parte dos bancos gregos e portugueses, ficaram, assim, com a garantia de receber parte dos créditos, através da recapitalização dos bancos devedores, que accionistas, depositantes e o próprio Estado de origem terão de fazer. É uma forma de transferir riqueza dos países mais pobres (devedores), para os países mais ricos (credores). É o que se pretende também fazer com o tal Mecanismo de Insolvência de Soberanos. Os governos, com elevadas dívidas, que sejam considerados insolventes, arriscam-se a saltar fora do euro, ameaça implícita que, para os quatro sábios, que gizaram o plano, será suficiente para atemorizar e responsabilizar os respectivos governos - os dos países "gastadores"- que passarão a ser mais submbissos e colaborantes, em relação às ordens de Bruxelas e de Berlim. Jugo que este plano surgiu, devido ao grande susto provocada pela rebelião grega, entretanto abortada.  
Se repararmos bem na complexidade de Tratados, Mecanismos e Directivas da União Monetária, somos levados a crer que nem já a Alemanha sabe o que fazer para salvar o euro. As contradições do euro são muitas e o seu futuro está a ser constantemente ameaçado.  Abana a cada nova crise, e a que aí vem vai ser muito dura e violenta, e quanto mais o querem endireitar, mais ele se entorta. Ou eu me engano muito, e já não serão os países a querer sair do euro, mas será o euro a querer sair dos países, pelas portas das traseiras.  

É a vida, diria António Guterres, o primeiro-ministro que, na sequência do cavaquismo, meteu Portugal na alhada do euro, e, que, agora, como prémio, e apoiado pela Opus Dei, vai ser um dos candidatos, ao cargo de Secretário Geral da ONU.
Alexandre de Castro
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Anexo: Dois comentários metafóricos que, a propósito, deixei na minha página do Facebook:

O universo da zona euro parece-se cada vez mais com um gigantesco hipódromo, onde os cavalos competem com os burros. Claro, que os cavalos ganham sempre a corrida. Os burros somos nós...
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Quando aderiu ao euro, Portugal fez aquela figura da criança que vestiu o casaco do pai. Ficava-lhe demasiado grande. E o alfaiate foi da opinião que não resultava desmanchá-lo e cortá-lo, porque ficaria sempre mal atamancado. Era preferível fazer um novo casaco à medida do corpo da criança. O mesmo se passa com a moeda. O euro é uma moeda com um valor cambial muito elevado, que não se ajusta à produtividade da economia portuguesa, não possibilitando a competitividade das respectivas exportações para os espaços extra europeus. Por isso, a participação das exportações na formação do produto é das mais baixas entre os países do euro.

domingo, 24 de janeiro de 2016

O abraço mortal do "euro" e o impasse da economia portuguesa...


Resposta a um leitor, que, em relação a um meu comentário, deixado na revista VISÃO, afirmou: [Tenha em mente, "os mercados que nos governam" e emprestam dinheiro para pagar a nossa divida crónica. Goste ou não, é a realidade].
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"Os mercados que nos governam" eram os credores de uma gigantesca dívida pública da Alemanha, gerada pelas pesadas indemnizações de guerra, exigidas pelos países vencedores das duas guerras mundiais. Essa dívida da Alemanha foi renegociada e reestruturada em 1953, em Londres (ver aqui), o que levou os credores a perdoar metade do respectivo montante, a diminuir a taxa de juro e a alargar as maturidades (a Grécia até ficou a arder, pois a Alemanha deixou de pagar-lhe o que estava estipulado e até, recentemente, a "Hitler de saias" recusou a retoma do seu pagamento, da parte que estava em falta, o que ilustra bem como ela leva muito a sério o respeito pelos sagrados compromissos internacionais, tão endeusados pelo actual bacoco do Palácio de Belém). Se a Europa quer ajudar Portugal, a Grécia e, agora, também o Chipre (de quem ninguém fala), tal como a propaganda da direita alardeava em 2011, não sei como não é possível replicar o método com as dívidas soberanas destes três países. "Tenha isto em mente", s.f.f.
Por outro lado, imagine-se que Portugal tinha uma moeda nacional, com um valor monetário, alinhado com a produtividade da sua economia. Essa moeda teria um valor de cerca de um terço do valor do euro (lá se ia o BMW e o Mercedes, topo de gama). O que acontecia: A competitividade da economia subia, promovendo as exportações, e as importações diminuíam. O saldo comercial com o exterior passaria a ser francamente positivo, permitindo amealhar divisas estrangeiras, de valor significativo. É claro que, nos primeiros três anos, a "coisa" ia doer. Mas doía a todos, proporcionalmente, e não apenas a alguns, como aconteceu com a aplicação das calculistas políticas de austeridade da sinistra parelha Passos/Paulo Portas, acolitados pelo não menos sinistro ministro das Finanças, Vitor Gaspar, de má memória (que, posteriormente, até foi premiado com um alto cargo no FMI). Este período de constrangimento seria, pois, de curta duração, uma vez que a economia iria crescer sustentadamente, a caminho da retoma e valorizando progressivamente a moeda, sempre de acordo com a taxa de produtividade da economia. O desemprego teria diminuído, o investimento interno aumentado, os salários e as pensões melhorados e haveria mais recursos para a Saúde, para Educação e para a Segurança Social, os três pilares do Estado Social. 
Ao traçar este cenário, não estou a inventar nada. Este modelo económico, ressalvando as diferenças impostas por outras realidades condicionantes, foi aplicado com sucesso na grande crise financeira de 1893/95, em que Portugal estava afogado por uma colossal dívida à Inglaterra, acumulada durante os cinquenta anos anteriores, devido ao esforço de construir as infraestruturas para a industrialização do país. Um dos mentores e executantes dessa política foi Ferreira Leite, o bisavô de Manuela Ferreira Leite. "Tenha em mente isto", s.f.f.
Imagine-se também que, em paralelo com o cenário anterior, se procedia à nacionalização dos bancos, sem indemnizações. Aquele argumento, utilizado até à exaustão, quando da sua privatização, na década de oitenta do século passado, que dizia que os privados geriam melhor os bancos do que o Estado, já caiu por terra. A boa gestão bancária, por privados, ficou amplamente demonstrada nos casos BPP, BPN, Millenium, Espírito Santo e BANIF e, também será demonstrada nos casos que virão a seguir. Com a nacionalização da banca, acabava-se de vez com a especulação bolsista, cujos ganhos não chegam à economia real, e também com a "teta" dos offshors e de todas as outras criativas formas, para proceder à imoral exportação de capitais. Os lucros proporcionados pelos créditos dos bancos nacionalizados, concedidos ao próprio Estado, às empresas e às famílias, serviriam para o Estado investir nas infra estruturas de apoio ao desenvolvimento económico. Tenha em mente também isto.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O alargamento e o euro são os dois grandes erros que arruinaram a Europa _ Wolfgang Münchau


O alargamento e o euro são os dois grandes erros que arruinaram a Europa
Wolfgang Münchau

Quase não houve um ano em que a União Europeia não se tenha visto a braços com uma crise: a banca, a dívida soberana, a anexação da Crimeia pela Rússia e agora os refugiados. Podemos sempre apontar o dedo a políticos específicos e atribuir a culpa. Mas é altamente improvável que os fracassos em série da UE possam sempre ser explicados como resultantes de acidentes e de maldade.
Eu culpo dois erros catastróficos cometidos durante a década de 1990 e no início deste milénio. O primeiro foi a introdução do euro; o segundo foi a União de 15 ter sido alargada a 28 membros há duas décadas. Podemos concordar com uma destas afirmações ou com a outra ou com nenhuma das duas. Mas poucas pessoas concordarão com ambas.
Eu estava entre aqueles que apoiaram a união monetária na altura da sua introdução. Os defensores do euro na época vinham de dois grupos diferentes que abraçaram um pacto faustiano.
Os membros do primeiro grupo acreditavam que o euro, tal como estava desenhado, seria um fracasso e esperavam que ele fosse de alguma maneira corrigido. Os outros pensavam que o sistema se manteria rígido e que daria uma nova forma às economias dos seus membros. Este último grupo sabia que, para aguentar os rigores de um sistema de câmbio fixo que se assemelha, nem mais nem menos, ao padrão-ouro, os países teriam de se adaptar aos choques económicos através de mudanças nos salários e nos preços - um rumo que, acreditavam eles, os membros do euro seriam obrigados a seguir.
A admissão de que o euro foi um erro não deve ser confundida com um desejo de o dissolver. Isso seria ainda mais catastrófico. É um mero reconhecimento de que estamos presos num sistema monetário disfuncional.
Mas qual é o papel do alargamento nisto? Este não é um desacordo em relação a um qualquer membro específico com cujas ações por acaso discordamos. Nem é um desacordo com o princípio do alargamento, que é fundamental para a UE. A minha divergência prende-se com a velocidade de adesão e com os critérios que os aspirantes a membros têm que cumprir. Tal como os países têm capacidades máximas de absorção de migrantes, a UE tem uma capacidade máxima de absorção de novos membros. Não faço ideia qual é esse número num qualquer período de tempo determinado, mas certamente não é o de 13 membros numa única década.
O alargamento afetou a capacidade da Europa para responder às crises nos anos subsequentes de duas maneiras. Primeiro, forçou a UE a tirar os olhos da bola numa época crítica quando esta se deveria ter concentrado na estruturação das instituições necessárias para fazer com que o euro funcionasse. Em segundo lugar, o alargamento significou que os países da UE que não estavam na zona euro viram-se de repente em maioria. Essa mudança moldou naturalmente a própria agenda da UE. Lembro-me da obsessão com a competitividade durante esses anos, uma questão económica típica dos países pequenos. Os debates sobre a reforma dos tratados europeus durante esses anos concentraram-se nos direitos de voto e na proteção das minorias. A opinião esmagadora das autoridades europeias e dos membros do Parlamento Europeu era a de que a zona euro em si não precisava de ser corrigida.
Naquela época teria sido relativamente fácil configurar uma união bancária. Mas uma vez a crise instalada, com os bancos a sofrerem enormes perdas, os países deixaram de poder partilhar os seus regimes de segurança de depósitos e muito menos criar um regime único para toda a gente. Depois de a crise ter começado, o debate sobre mecanismos de seguros comuns interligou-se com o debate sobre transferências. A crise interrompeu assim rudemente a aproximação passo a passo e respeitadora dos tempos da UE à integração.
Um otimista pode interpor neste ponto que vale a pena mantermo-nos por lá. As crises vêm e vão. A UE continuará lá. Talvez, mas perguntemo-nos: Por que motivo o período entre 1950 e o final da década de 1990 foi mais estável quando comparado com o período que se lhe seguiu?
Nos primeiros anos da então Comunidade Económica Europeia, os riscos de segurança externa eram tratados pela NATO. Quase não havia riscos para a estabilidade financeira porque a regulação era extremamente rigorosa pelos padrões atuais. Apesar de as crises económicas, como as do petróleo e da inflação nos anos setenta, não terem sido menos graves do que as atuais, os membros da UE tinham a capacidade de as absorver através de taxas de câmbio flexíveis.
Atualmente Bruxelas tem de repente de olhar pelos seus próprios interesses de política externa e de gerir a segunda maior economia do mundo. A UE não está pronta institucionalmente para nenhuma destas tarefas. E os seus líderes também não estão intelectualmente prontos.
Devemos esperar mais crises, mais ação unilateral por parte de Estados-membros, maior vontade de explorar opções de saída, a invocação de circunstâncias excecionais para suspender ações a nível da UE, mais quebrar de regras e por aí fora.
O verdadeiro risco não é uma separação formal. Essa seria tecnicamente difícil de fazer. Mas isso não serve de consolo. O verdadeiro perigo é que a UE vai simplesmente desvanecer-se e transformar-se num fantasma.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Euro, para que te quero?!...


O que Garcia Pereira afirmou no último sábado, num comício do MRPP, na Voz do Operário, tenho eu andado a escrever, recorrentemente, aqui e no meu blogue, desde a chegada da troika a Portugal, utilizando esta frase: "A Hitler de saias está a conseguir fazer com o euro aquilo que o Hitler do bigodinho não fez com os tanques e os canhões", ou seja, o domínio da Europa. Também tenho afirmado que a saída do euro implicaria a adopção de uma nova moeda nacional, com menor valor cambial, cerca de uns trinta a quarenta por cento, o que, durante uns três ou quatro anos, tal como aconteceu no nosso país com a bancarrota ocorrida na grande crise financeira e económica de 1892-93, criaria dificuldades a todos os portugueses e não apenas aos que dependem dos rendimentos do trabalho e das pensões. E não se julgue que os sacrifícios a ter de suportar, agora por “todos”, seriam mais gravosos do que aqueles que foram suportados apenas pelos trabalhadores, pensionistas e pequenos empresários, nos últimos quatro anos. Se Portugal tivesse saído do euro em 2011, a situação, hoje, era mais risonha e confortável.
Com a moeda desvalorizada, as importações caíam a pique, mas as exportações subiriam em flecha, o que permitiria, ao fim daquele período de tempo, obter saldos crescentemente positivos na balança comercial e na balança de pagamentos. Tal como estão as coisas, mantendo-se Portugal no euro, e estando sujeito a apertadas regras orçamentais, impostas pelos directórios da Europa, Portugal de ano para ano, e durante muitos anos, ficará sujeito, cada vez mais, a novas políticas de austeridade, até à sua exaustão. 
Mas o grande problema que se coloca, é como Portugal, um pequeno país, vai encontrar forças para desafiar a Alemanha, que, por ter neste processo da armadilha da dívida um meio expedito de aumentar a sua riqueza, não vai abrir mão das insensatas e injustas políticas de austeridade. 
É claro, que esta situação dramática, que é uma verdadeira quadratura do círculo, mais tarde ou mais cedo tem de rebentar. Se não for por baixo, será por cima ou pelos lados. Na História tudo tem um limite. E, na maior parte das vezes, o caminho para esse limite não é nada pacífico.
Muitas coisas, a que não estamos habituados, irão acontecer. Todas as estradas têm curvas, algumas bem perigosas.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Kenneth Rogoff: "Grécia e Portugal nunca deviam ter entrado no euro"


O economista norte-americano Kenneth Rogoff afirmou hoje [23 de Setembrode 2011] que "Portugal e a Grécia nunca deviam ter sido admitidos na zona euro", considerando inevitável uma reestruturação da dívida grega, e também da portuguesa, em entrevista ao Frankfurter Allgemeine.
"Acho que a Grécia e Portugal nunca deviam ter sido admitidos na zona euro, isso foi um hybris (exagero), tal como foi um exagero admitir a Eslováquia e a Letónia", disse o ex-chefe do gabinete de estudos do FMI.
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Kenneth Rogoff é o economista que, juntamente com a economista Carmen Reinhart, elaborou o célebre estudo - entretanto contestado por o programa de Excel utilizado conter erros de cálculo que, eventualmente, comprometeriam a credibilidade dos seus resultados - em que se pretendia demonstrar que uma dívida soberana acima dos noventa por cento do PIB comprometia o crescimento económico,  conclusão que serviu de referência para as políticas de austeridade que os países europeus estão a aplicar cegamente.
Entretanto, e isto é uma originalidade no campo dos economistas neoliberais, Rogoff admitiu que Portugal e a Grécia nunca deveriam ter entrado na zona euro, dando assim razão à minha metáfora da criança que veste o casaco do pai. 
Para ser coerente, faltam duas coisas no pensamento de Rogoff. A primeira é que as políticas de austeridade também não conduzem ao crescimento sustentado para poder pagar a dívida pública, como os indicadores macro-económicos de Portugal e da Grécia estão a demonstrar, o que obriga os respectivos governos a recorrer a mais privatizações (por este caminho, Portugal ainda terá de privatizar o mar). A segunda, é que, se Portugal e a Grécia não deveriam ter entrado na zona euro, a única medida que se impõe, para evitar o descalabro e a tragédia, será promover, de modo pacífico, a sua saída.
Pouco a pouco, a realidade vai demonstrando que é a Economia a ter de ir à frente das Finanças, e não o contrário. E, nesta perspectiva, não é o défice orçamental que é importante, embora não possa ser totalmente ignorado. O importante é promover a desvalorização de uma nova moeda nacional, para que os produtos portugueses sejam competitivos nos mercados internacionais, e por esta via se criem excedentes e se aumente de forma vigorosa e sustentada o PIB. Se Portugal não optar por esta política, que contrarie a emigração dos jovens, o progressivo envelhecimento da sua população e o alastramento da pobreza à classe média, o futuro será irredutivelmente muito sombrio. 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

BINGO!... EU TINHA RAZÃO....


BINGO!... EU TINHA RAZÃO....
E para desafiar ainda mais os parceiros europeus, Tsipras confirmou o encontro da próxima sexta-feira com Vladimir Putin, falando-se já na possibilidade de o Presidente russo garantir um pagamento antecipado à Grécia por conta de um acordo relativo às redes de gás. Uma ajuda para o caso de o dinheiro da troika não chegar a Atenas.
PÚBLICO (de hoje)

Ver aqui 

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Notas do meu rodapé: E se a Rússia e a China viessem em socorro da Grécia?...


E se a Rússia e a China viessem em socorro da Grécia? ...

Eu ainda acredito que o governo da Grécia possa ter na manga uma alternativa segura e secreta, em relação à sua saída, mais que provável, da esfera da zona euro. Possivelmente, os dirigentes gregos apenas estarão à espera de um forte pretexto para, na eventualidade de um fracasso das atuais negociações, justificarem, perante o mundo e perante o povo grego, o endosso do ónus da culpa sobre os dirigentes europeus.
Essa alternativa poderá estar a ser negociada secretamente com a Rússia e a China, países que poderão vir a obter generosas concessões na exploração das jazidas de gás e de  petróleo do mar Jónico e do mar Egeu, em troca de contrapartidas financeiras ajustadas, que garantiriam a independência da Grécia em relação ao FMI e aos mercados financeiros da Europa e dos EUA. E os Países Ocidentais não poderão, posteriormente, vir a condenar este negócio, já que, aparentemente, se desinteressaram da Grécia e do sofrimento do seu povo.
Com a saída da zona euro, a Grécia teria de abandonar a UE, e, a seguir, por sua iniciativa soberana, sairia da Nato, ficando assim aberto o caminho para outras alianças estratégicas com aqueles dois países, de elevado peso no xadrez internacional. Para a Rússia e para a China seria como espetar uma lança, não em África, mas de na própria Europa.
Quebrava-se assim um dos presumíveis pilares da desmedida ambição da Alemanha, que gostaria de assenhorear-se da gestão daqueles águas, através das instâncias europeias, que já manifestaram o seu interesse em centralizar a gestão dos mares que circundam um Europa.
A confirmar-se este cenário (meramente hipotético) estaríamos na presença de um golpe de mestre, em que uma arrogante Europa sairia derrotada e humilhada. Sobraria ainda, para saciar os vorazes apetites imperialistas da Alemanha, a extensa Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal, uma das maiores do mundo, isto no caso de os portugueses continuarem estupidamente a acreditar na bondade das intenções da Alemanha e na dos demais dirigentes europeus a seu mando, assim como na dos seus governantes dos partidos do Arco da Traição, que estão a fazer tudo, com as suas políticas subservientes, para que o povo português, sobrecarregado por uma dívida que lhe foi draconiamente imposta, caia na indigente miséria e se coloque de joelhos para receber umas migalhas do valor dos anéis que terá de vender.
AC

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Ler artigo em Notícias ao Minuto

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Com o euro, Portugal nunca poderá arrancar para um crescimento sustentado


Importações surpreendem Banco de Portugal e forçam revisão em baixa do PIB

O consumo privado e o investimento até foram mais fortes do que o previsto e as exportações ficaram dentro das expectativas, mas uma aceleração mais rápida das importações do que aquilo que o Banco de Portugal esperava em Junho forçou a uma revisão em baixa da sua estimativa de crescimento em 2014, de 1,1% para 0,9%.
A nova previsão fica ligeiramente abaixo dos 1% estimados pelo Governo e pelo Fundo Monetário Internacional.
No Boletim Económico de Outubro publicado nesta quarta-feira, o Banco de Portugal passou, face ao que tinha feito em Junho, a estimar uma recuperação do consumo e do investimento mais rápida durante este ano. O consumo privado irá aumentar 1,9%, diz o banco central, contra os 1,4% projectados antes. No investimento, aponta-se agora para um crescimento de 1,6% (o primeiro desde o início da crise), em vez de 0,8%.
Ao nível das exportações, que foram afectadas pela interrupção registada na produção de combustíveis na Galp no início do ano, o Banco de Portugal manteve quase inalterada a sua estimativa para 2014. Em Junho, previa um crescimento de 3,8% (face a 6,4% do ano anterior) e agora passou para 3,7%.
Nas importações, pelo contrário, houve surpresas. Em Junho, apontava-se para uma variação de 4,6%, mas agora o banco diz que vão crescer 6,4%. O aumento maior do consumo e do investimento foi um dos factores para esta surpresa, mas a revisão em alta das importações foi mais acentuada, o que provoca um crescimento do PIB mais baixo.
Feitas as contas, o contributo da procura interna para o crescimento será de 1,9 pontos percentuais, contra um contributo negativo da procura externa líquida (exportações menos importações) de um ponto percentual negativo. Em Junho, esperava-se um contributo da procura interna de 1,4 pontos e um contributo da procura externa líquida de -0,3 pontos percentuais.
Para garantir um crescimento mais forte e sustentado no futuro, o Banco de Portugal repete no relatório publicado nesta quarta-feira a sua receita: reduzir o endividamento externo através da desalavancagem dos sectores público e privado, manter a estabilidade do sistema bancário, garantir a sustentabilidade das finanças públicas, cumprindo todas as metas europeias para o défice e a dívida pública, e a realização de reformas estruturais.

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Com uma moeda desajustada à produtividade da economia, como é o caso da economia portuguesa, as importações constituirão sempre um travão ao crescimento económico, ao anularem qualquer contributo positivo do lado do investimento e das exportações. E se o consumo interno subiu ligeiramente, ele ocorreu através dos bens importados, consumidos principalmente pelas empresas e pelas classes sociais de maiores rendimentos (por exemplo. os automóveis de gama alta).
Se o euro foi o responsável pelo nosso endividamento excessivo (endividamento induzido pelos grandes bancos europeus), e, por conseguinte, uma das causas desta gravíssima crise, ele, agora, também se constitui no principal obstáculo para a sua resolução.
Na atual situação, ou seja, a continuarmos presos ao euro, nunca a economia portuguesa conseguirá um crescimento suficiente para pagar a dívida externa, que continua a crescer, ao contrário dos objetivos acordados com a troika, que previam a sua descida.

domingo, 17 de agosto de 2014

Notas do meu rodapé: Para criar ricos é necessário, primeiro, criar os pobres.


Portugal está a ser uma cobaia da Europa, onde se pretende experimentar a funcionalidade de um modelo sócio-económico assente numa política de baixos salários e no atrofiamento do Estado Social. Se a experiência resultar, ela será expandida para os países mais pobres da UE.
Para o capitalismo europeu esta é a forma mágica para a economia europeia recuperar a competitividade perdida ao longo da última década, criando-se uma Europa económica a duas velocidades e até, possivelmente, cada uma delas com a sua moeda. O euro forte para os países ricos e o euro fraco para os países pobres. Com uma mão-de-obra disponível e de baixo custo, as unidades produtivas das grandes multinacionais europeias instalar-se-ão nos países do sul, para poderem competir no mercado global com as economias asiáticas, invertendo assim o ciclo autofágico da economia europeia, que vive essencialmente das exportações para os outros países do bloco da UE. A Alemanha, por exemplo, apenas exporta para fora do espaço europeu 40 por cento do total das suas exportações. O declínio da economia europeia, que não cresce, pode ver-se por este exemplo. Antes, a Alemanha exportava as máquinas para a China montar as suas fábricas. Depois, a China começou a construir essas máquinas, com menos custos, para o seu próprio setor industrial. A seguir, a China iniciou a venda dessas máquinas para os tradicionais mercados externos da Alemanha, fazendo-lhe uma forte concorrência, ao nível de preços. Atualmente, a China já vende essas máquinas à indústria alemã. Mas se a Alemanha deslocalizar as fábricas que produzem essas máquinas para Portugal e para a Grécia recupera a competitividade, através dos salários baixos.
Talvez assim se compreendam melhor os objetivos de longo prazo do ministro das Finanças da Alemanha, ao arquitetar os planos de austeridade para os países do sul da Europa, em que se procurou promover unicamente a desvalorização salarial, isentando de quaisquer cortes os rendimentos do capital.
Para criar ricos é necessário, primeiro, criar os pobres. É o que está a acontecer em Portugal e na Grécia.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Economistas defendem saída da Alemanha e França do euro


Sete economistas europeus, incluindo o português João Ferreira do Amaral, defendem que a Alemanha e a França devem abandonar a união monetária, pois só assim o euro é sustentável para os restantes Estados-membros, escreve o Jornal de Negócios.
A ideia é defendida num texto publicado no Project Syndicate, um dos sites mais conceituados de opinião.
http://pub.sapo.pt/lg.php?bannerid=150837&campaignid=91049&zoneid=2925&loc=1&referer=http%3A%2F%2Fwww.noticiasaominuto.com%2Feconomia%2F194466%2Feconomistas-defendem-saida-da-alemanha-e-franca-do-euro&cb=8be185016aO português João Ferreira do Amaral, o alemão Hans-Olaf Henkel e o francês Jean-Pierre Vesperini são três dos sete signatários do texto que defende o desmantelamento da zona euro. Esta seria a solução necessária a adotar para que “nenhum país ou grupo de países” seja obrigado a “suportar o peso do ajustamento”.
Para os economistas este desmantelamento pode até “revigorar o ideal europeu”.
“A chave é assegurar que ela [a ideia do desmantelamento] surja do núcleo económico e político da União Europeia”. Isto é, “a Alemanha, maior potência económica da Europa, e a França, progenitora intelectual da unificação europeia, devem anunciar a sua saída simultânea do euro e a readoção do marco e do franco”, lê-se no texto citado pelo Jornal de Negócios.
Para os signatários do texto, “isso provocaria a reapreciação imediata do marco – e possivelmente do franco - em relação ao euro”. E não significaria que os restantes países tivessem de abandonar a união monetária, isso seria uma decisão de cada um.
“Os outros países membros teriam de decidir se querem manter o euro na sua forma amputada ou regressar às suas moedas nacionais, possivelmente atreladas ao marco ou ao franco. Independentemente da sua decisão, a competitividade dos preços das economias mais fracas da Zona Euro iria melhorar consideravelmente”, explicam.
Consulte aqui o texto dos economistas

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Se esta proposta, a da saída da Alemanha e da França do euro, fosse adotada, todas as economias da zona euro saiam beneficiadas, pois permitiria a cada país escolher a situação que mais lhe conviesse. O franco e o marco valorizar-se-iam, possibilitando o afluxo de capitais para as bolsas de valores daqueles dois países, que viam assim aumentar a sua liquidez, fator importante para o aumento de investimento na economia produtiva e, consequentemente, para a diminuição do desemprego.
Os países extremamente endividados com o exterior, situação em que se encontram Portugal e a Grécia, só beneficiariam com o regresso às suas antigas moedas, o que permitiria proceder a um ajustamento cambial equilibrado, a fim das suas respetivas economias ganharem elevada competitividade, essencial para obter saldos robustos com o exterior. O aumento da produção, induzido por esta forma, também iria refletir-se, a nível orçamental, na formação de saldos primários elevados, única forma de arranjar dinheiro para pagar as dívidas soberanas respetivas, sem ter de recorrer ao inferno de decretar mais austeridade.
Os restantes países, nivelados em termos de competitividade, talvez lhe conviesse a manutenção do euro.
Com este modelo, a Alemanha e a França beneficiavam imediatamente com a mudança de moeda. Portugal, a Grécia e, caso também adotassem a antiga moeda nacional, a Espanha e a Itália, beneficiariam a longo prazo. O terceiro grupo de países, os que se mantivessem com a moeda única, os benefícios apareceriam a médio prazo.
Trata-se de uma proposta revolucionária, que iria corrigir muitos problemas estruturais da zona euro, sendo o principal a rigidez cambial de uma moeda muito valorizada, o que provocou muitas entorses nas economias dos países periféricos, onde se destaca o excessivo endividamento a que foram obrigadas.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ferreira do Amaral: “Vai-se chegar à conclusão que não será possível pedir mais sacrifícios aos portugueses”


O economista João Ferreira do Amaral antecipa que se atingirá um limite do esforço que pode ser exigido aos portugueses, criando um conflito entre a sustentabilidade social e as exigências de consolidação orçamental.
“Vai-se chegar à conclusão que não será possível pedir mais sacrifícios aos portugueses”, afirmou Ferreira do Amaral, durante a conferência de apresentação do relatório do Observatório sobre Crises e Alternativas, na Fundação Calouste Gulbenkian. “Como ainda estamos longe de atingir os objectivos de consolidação orçamental, parece-me existir um conflito” entre o equilíbrio social e orçamental.
“Enquanto tivermos uma dívida acima dos limites estaremos sob protectorado. A nossa soberania estará limitada durante décadas. É dizer que o País não terá sustentabilidade política durante anos”, acrescentou. Portugal está numa situação de insustentabilidade “a vários níveis” que “não tem muitos paralelos na nossa História”.
O economista refere que, perante essa insustentabilidade, “há sempre situações de ruptura”. “Uma economia distorcida, com uma moeda que continua a valorizar ao longo do tempo e uma dívida externa elevada não pode funcionar”, sublinhou.


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Os mesmos argumentos, que o economista Ferreira do Amaral esgrimiu, para fundamentar a sua oposição à adoção da moeda única, continuam válidos no momento em que cada vez mais se coloca a questão de Portugal regressar a uma moeda nacional, a fim de recuperar o seu poder monetário e cambial.
Já dissemos aqui, várias vezes, e repetimos. Ao aderir ao euro, Portugal fez a figura daquela criança que vestiu o casaco do pai. Ficava-lhe demasiado grande e sobravam mangas. Um país, como Portugal, com uma produtividade muito inferior à dos países que se tornaram os seus maiores parceiros comerciais, não poderia ser beneficiado no saldo das trocas de bens e serviços. Esse saldo só poderia ter-lhe sido favorável se tivesse uma moeda própria, com um valor ajustado à sua produtividade.
Este postulado é de uma evidência cristalina, em ciência económica, e eu só me admiro como muitas sumidades na matéria andam por aí a desmenti-lo. Só poderá ser por interesse pessoal ou de classe.
AC

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Oskar Lafontaine: Arquitecto alemão do euro defende fim da moeda única


O antigo ministro das Finanças alemão e arquitecto Oskar Lafontaine Arquitecto alemão do euro defende fim da moeda únicao da moeda única, Oskar Lafontaine, considera que só com o fim do euro países como Portugal, Espanha, Chipre e Grécia podem sair da crise financeira que abala a Europa. A opinião de Lafontaine, citado pelo jornal i, será um sinal da mudança de opinião dos partidos de esquerda da Alemanha sobre a moeda europeia.
Primeiro foram os partidos de direita a mostrarem-se eurocépticos, agora também são os de esquerda, e, pela voz de Oskar Lafontaine, a admitir que o caminho escolhido pelos países da zona euro está “a conduzir à desgraça”, cita o jornal i.
Oskar Lafontaine foi ministro das Finanças alemão e arquitecto da moeda única, mas não esconde a sua preocupação pelo facto de a Alemanha ser o único país a beneficiar com o euro. Lafontaine alerta para o perigo de países como Portugal, Espanha, Chipre e Grécia virem a ser “forçados a combater a hegemonia alemã mais cedo ou mais tarde”.
Para o alemão, a “situação económica piora de dia para dia” e a solução para sair da crise passa pelo fim da moeda única. Em referência a Portugal, Oskar Lafontaine admitiu que “os países em crise só podem sair dela, quando a moeda única for rasgada”. 
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Quem continuar a pensar que a alternativa do país não passa pela saída do euro está a enganar-se a si próprio e a enganar os outros. A moeda única foi concebida no interesse da Alemanha, que a alinhou pelo marco, prejudicando as economias mais fracas da Europa. Não omitindo as culpas próprias de governos irresponsáveis e incompetentes, alinhados com os grandes grupos económicos, os indicadores macro-económicos (défice orçamental, balança comercial e balança de pagamentos, dívida e produtividade) agravaram-se continuamente após a adesão ao euro. Portugal vestiu um casaco demasiadamente grande para o seu corpo, que o alfaiate já não consegue ajustar, porque se corta de um lado (austeridade), desequilibra no outro (crescimento económico).

terça-feira, 11 de junho de 2013

O Euro em Debate | 6 junho 2013 - Instituto Franco-Português

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Num comentário a este vídeo, publicado no MR5OUT, por Orlando Almeida, deixei o seguinte comentário (revisto):
"O euro é uma moeda demasiadamente forte para o perfil da economia portuguesa, o que não facilita o crescimento económico, através do aumento das exportações. Ao aderir à moeda única, Portugal fez a figura daquela criança, que, com vaidade, vestiu o casaco do pai..Sobravam mangas! Mas, o mais grave, é que, agora, passados estes treze anos, o casaco transformou-se numa albarda, de que muita gente teima não prescindir.

Remeto o leitor para a minhas Notas do meu rodapé (aquiaqui), onde eu defendo a saída de Portugal da moeda única.

domingo, 2 de junho de 2013

Notas do meu rodapé: Saída do euro é a única alternativa (*)


O erro foi Portugal ter aderido à moeda única, uma moeda que foi criada, no interesse da Alemanha, com um valor cambial demasiado elevado para a realidade macro-económica de Portugal, que, imediatamente, começou a perder competitividade externa.
A partir daí, tudo se agravou, com os sucessivos governos do PSD e do PS a deixarem, no interesse dos bancos nacionais e do lobie da construção civil, que a dívida externa privada fosse canalizada, na sua maior parte, para o mercado da compra de casa para habitação própria, um investimento que, agora, perdeu valor, deixando de promover retorno para a economia. É diferente, em termos de sustentabilidade futura, uma economia investir na construção de um conjunto de prédios para habitação ou investir numa unidade industrial, por exemplo. A construção de casas apenas dinamiza a economia, até ao momento em que a obra acaba, enquanto uma unidade industrial continua, durante um período prolongado, a acrescentar valor ao investimento e a manter postos de trabalho. A dívida dos bancos nacionais ao estrangeiro (260% do PIB) formou-se assim, o que permitiu aos acionistas, com os subsequentes empréstimos a empresas e a particulares, acumular fabulosos lucros em juros e amortizações. Agora, esses acionistas, para poderem salvar os seus bancos, aguardam o retorno do dinheiro ganho com austeridade em curso, que o BCE controla através da troika, e que, posteriormente, lhes irá emprestar com um juro de um por cento. Entretanto, a dívida contraída com o chamado ajustamento está a pagar um juro de 3,5 por cento. O diferencial fica nas mãos do capital financeiro. Quer dizer: serão os portugueses, através desta brutal austeridade, que vão pagar os desmandos dos bancos, que, tal como está organizado o sistema financeiro internacional, têm sempre a possibilidade de socializar os prejuízos dos seus balanços (nos EUA, o governo injetou diretamente o dinheiro dos impostos nos bancos falidos).
O objetivo de submeter Portugal a um programa de ajustamento, depois de se ter desencadeado, com êxito, uma estudada campanha para desestabilizar o mercado da dívida soberana portuguesa, consiste em promover uma brutal desvalorização salarial, na ordem dos 30 por cento, através da austeridade, evitando-se assim uma desvalorização idêntica para o capital e os respetivos rendimentos. Se Portugal não tivesse aderido ao euro, Portugal contornaria o problema do excessivo endividamento, desvalorizando controladamente a sua moeda nacional, no sentido de ganhar competitividade externa. Neste caso, a desvalorização também apanhava o capital e os seus rendimentos. Haveria um empobrecimento geral, mas, em contrapartida, e se os governos fossem honestos e competentes, as dificuldades seriam superadas a médio prazo, pois o crescimento das exportações faria crescer a economia e, indiretamente, promoveria também o mercado interno.
Por isso, na minha modesta opinião, só vejo alternativa, para Portugal ultrapassar a crise, na saída negociada do euro e na reestruturação da dívida soberana, com condições que favoreçam o crescimento económico.

(*) - Este texto resultou de um comentário que coloquei no blogue anónimo séc. XXI

sexta-feira, 12 de abril de 2013

João Ferreira de Amaral: "O casamento português com a moeda única deve acabar"

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Nunca defendeu o euro. Foi contra a adesão de Portugal à moeda única e, durante algum tempo, uma das raras vozes, senão a única, que "falava contra". Apoiou, no entanto, a adesão à então Comunidade Económica Europeia (em 1986). Mas, se a União fosse então a mesma que é hoje, a minha posição teria sido diferente". Depois de o País ter entrado na zona euro - e durante algum tempo - calou-se. Não falou contra. Esteve em silêncio durante cerca de três anos. Porém, a actual situação político-económica leva-o a escrever " Porque devemos sair do Euro - O divórcio necessário para tirar Portugal da crise", livro que será lançado no próximo dia 9.
No programa 'Ideias em Estante', em entrevista que poderá ser vista no Etv e no blogue Livros&Ecolemomanias, Ferreira do Amaral - que vê com enorme tristeza o país "reduzido à sua pior situação desde há muitas décadas" - afirma que o país está bloqueado, não tem futuro, as gerações mais novas não têm emprego. E, ou têm que sair do país, ou ficam desempregadas."Há também a sensação de que o país deixou de ter capacidade de crescimento económico" e tudo isso ao mesmo tempo que as dívidas pública e externa se acumulam e atingem níveis muito elevados. "E, sem crescimento económico e com dívidas grandes e sem emprego, é evidente que toda a gente está inquieta quanto ao futuro".
O que fazer? "Sair do euro", mas de forma organizada, defende o autor. No livro, o economista e professor recorre a uma analogia para descrever a realidade: "O nosso casamento com a moeda única, como todos os casamentos falhados, deve acabar". Defende ainda que "a ideia de sair do euro impõe-se para que seja possível incentivar a produção de bens transaccionáveis. Ou seja, de bens que são susceptíveis de exportação ou de substituição de importações". Como explica, quando se desvaloriza uma moeda, existe uma espécie de subsídio à produção da agricultura, indústria, turismo estrangeiro, outros serviços. E o inverso sucede quando temos uma moeda muito forte, esclarece Ferreira do Amaral, afirmando que, nesses casos, as actividades são penalizadas e a tendência será a da produção se virar para o mercado interno em sectores protegidos da concorrência externa. E foi isso que aconteceu. O resultado? O país não aguentou uma moeda forte. Sempre frontal, Ferreira do Amaral apresenta mais um factor de perigo: caso continuemos com a moeda única,"temos um enorme risco do euro se valorizar face ao dólar. E isso já aconteceu em 2008".
Para quem argumenta que a eventual saída do euro seria um desastre via "aumento do peso da dívida", o autor afirma que "esse é um grande erro de análise." A dívida será a mesma depois de sairmos do euro, diz, acrescentando que o instrumento normal para problemas de endividamento externo é a desvalorização cambial. Sobre o risco-país, garante que esse "não aumenta, porque se for credor fico mais descansado por saber que o país passa a ter uma moeda compatível com a sua estrutura produtiva". Alerta, no entanto, para outro problema: a dívida em moeda nacional. Mas aí "o Estado pode substituir os devedores junto da banca no montante de aumento da dívida, que resulte da desvalorização cambial", conclui.
"Sair do Euro não é só uma questão de desvalorização cambial é também uma questão de emissão monetária".
Diário Económico
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Portugal vestiu um fato demasiado grande para o seu corpo. Anda a fazer a figura daquela criança que veste o casaco do pai.
Ao nível económico, a grande contradição que está a ocorrer em Portugal é que a sua economia está a desvalorizar-se, enquanto a sua moeda mantém o mesmo valor, não podendo o governo português desvalorizá-la, já que, com a adesão à moeda única, cada país aderente cedeu ao BCE o poder monetário e o poder cambial, ficando apenas a deter o poder orçamental, que agora os países intervencionados também estão a perder para a troika. Por isso, é urgente que a moeda se desvalorize na mesma proporção, para que a economia ganhe competitividade externa, a fim de aumentar as exportações, e, a nível interno, aumentar a produção nacional, procurando-se assim substituir os produtos importados, que ficarão mais caros.
Esta é a única terapêutica segura, que livrará o país do atoleiro onde o meteram. Mas antes, é necessário Portugal sair do euro e recuperar a total soberania sobre a sua moeda. Apenas os ignorantes, os néscios e os ingénuos não percebem isto. No entanto, existem outros que entendem, mas não o afirmam: são os mal intencionados, que beneficiam com a crise e com o sistema actual.

terça-feira, 9 de abril de 2013

George Soros: Alguns países da UE “ficaram relegados ao estado de países do terceiro mundo”


O magnata norte-americano George Soros analisou hoje a atual crise da dívida na União Europeia (UE), onde, garante, alguns países “ficaram relegados ao estado de países do terceiro mundo”, avançou o diário espanhol Expansión.
Soros falou à margem do Fórum de Boao, um evento que decorre anualmente na ilha chinesa de Hainan, onde referiu que antes do euro os países desenvolvidos nunca corriam risco de falhar pagamentos, pois podiam sempre desvalorizar ou emitir moeda, porém, com uma moeda única assumem um risco “típico de países do terceiro mundo”.
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A possibilidade de desvalorizar a moeda, para, numa situação de aperto financero, procurar aumentar rapidamente a competitividade externa, tem sido o meu argumento de base para propor uma saída negociada e pacífica da moeda única. Foi também este o argumento de todos aqueles que se opuseram à entrada de Portugal no clube do euro.
É evidente que este recurso, que é sempre empobrecedor, não pode ser utilizado de ânimo leve, nem deve servir para alimentar a preguiça da economia. A desvalorização da moeda deve ser utilizada, quando todos os outros fatores macro económicos se declararem insuficientes para aumentar a riqueza. Na bancarrota de 1892/93, e mesmo um ano antes, foi a arma da desvalorização da moeda que foi utilizada. E com êxito, já que passados três anos recuperou-se a normalidade financeira.
George Soros é um magnata, que fez a sua fortuna na especulação da bolsa (ia levando à falência o Banco de Inglaterra, com uma das suas geniais jogadas), mas é também um brilhante economista, formado na prestigiada London School of Economics. Conhecedor profundo dos meios financeiros mundiais, a sua opinião deve ser tomada com muita atenção. Não tenhamos dúvidas de que, com esta política de austeridade, Portugal caminha irremediavelmente, e de uma forma irreversível, para o empobrecimento coletivo, aprofundando dramaticamente as desigualdades sociais. O Terceiro Mundo está a bater-nos à porta. E, a partir daqui, teremos de dizer que só não entendem esta realidade os ignorantes, os ingénuos e os mal intencionados.