quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Euro, para que te quero?!...


O que Garcia Pereira afirmou no último sábado, num comício do MRPP, na Voz do Operário, tenho eu andado a escrever, recorrentemente, aqui e no meu blogue, desde a chegada da troika a Portugal, utilizando esta frase: "A Hitler de saias está a conseguir fazer com o euro aquilo que o Hitler do bigodinho não fez com os tanques e os canhões", ou seja, o domínio da Europa. Também tenho afirmado que a saída do euro implicaria a adopção de uma nova moeda nacional, com menor valor cambial, cerca de uns trinta a quarenta por cento, o que, durante uns três ou quatro anos, tal como aconteceu no nosso país com a bancarrota ocorrida na grande crise financeira e económica de 1892-93, criaria dificuldades a todos os portugueses e não apenas aos que dependem dos rendimentos do trabalho e das pensões. E não se julgue que os sacrifícios a ter de suportar, agora por “todos”, seriam mais gravosos do que aqueles que foram suportados apenas pelos trabalhadores, pensionistas e pequenos empresários, nos últimos quatro anos. Se Portugal tivesse saído do euro em 2011, a situação, hoje, era mais risonha e confortável.
Com a moeda desvalorizada, as importações caíam a pique, mas as exportações subiriam em flecha, o que permitiria, ao fim daquele período de tempo, obter saldos crescentemente positivos na balança comercial e na balança de pagamentos. Tal como estão as coisas, mantendo-se Portugal no euro, e estando sujeito a apertadas regras orçamentais, impostas pelos directórios da Europa, Portugal de ano para ano, e durante muitos anos, ficará sujeito, cada vez mais, a novas políticas de austeridade, até à sua exaustão. 
Mas o grande problema que se coloca, é como Portugal, um pequeno país, vai encontrar forças para desafiar a Alemanha, que, por ter neste processo da armadilha da dívida um meio expedito de aumentar a sua riqueza, não vai abrir mão das insensatas e injustas políticas de austeridade. 
É claro, que esta situação dramática, que é uma verdadeira quadratura do círculo, mais tarde ou mais cedo tem de rebentar. Se não for por baixo, será por cima ou pelos lados. Na História tudo tem um limite. E, na maior parte das vezes, o caminho para esse limite não é nada pacífico.
Muitas coisas, a que não estamos habituados, irão acontecer. Todas as estradas têm curvas, algumas bem perigosas.

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