terça-feira, 29 de setembro de 2015

Bruxelas diz que ainda há espaço para aumentar impostos em Portugal


Bruxelas diz que ainda há espaço para aumentar impostos em Portugal

País ainda pode recorrer a "impostos distorcivos" e mais "amigos do crescimento", como impostos sobre o consumo ou ambientais.

A menos de uma semana das eleições legislativas, a Comissão Europeia revela um relatório de 2015 sobre reformas fiscais nos Estados-membros onde defende que os Estados-membros que têm uma carga tributária relativamente baixa (grupo no qual inclui Portugal), podem recorrer a um aumento dos impostos sobre o consumo ou impostos ambientais.
Bruxelas considera que o País já tem uma "carga fiscal relativamente elevada" sobre o trabalho, pelo que deve transferir parte desse "fardo" para impostos "menos distorcivos", exemplificando com impostos sobre o consumo, impostos recorrentes sobre propriedade e taxas ambientais.
Recorde-se que os contribuintes sentiram o "enorme aumentos de impostos" em 2013, em que os escalões de IRS foram significativamente alterados, o que fez aumentar a carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho. Este ano entrou em vigor a reforma do IRS, que vem privilegiar sobretudo as famílias com filhos. No entanto, os escalões mantiveram-se inalterados.
Por outro lado, foi também implementada a chamada fiscalidade verde, com um aumento dos impostos ambientais e a criação da taxa do carbono ou sobre os sacos de plástico, por exemplo.
Além disso, Portugal foi identificado como um caso de "potencial necessidade de reduzir a carga fiscal" para o elemento do casal que menos vencimento retira do seu trabalho. Segundo o relatório, o vencimento do membro do casal que mais ganha está em linha com o salário médio auferido no país, enquanto o elemento que menos ganha aufere apenas 67% da média nacional.
Além de Portugal, há mais de uma dezena de países que o relatório coloca em pé de igualdade com o País, entre os quais Alemanha, França, Itália, Holanda, Bélgica, Finlândia ou Suécia.

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Digam lá para Bruxelas que eu não tenho mais espaço, pois a minha casa apenas tem três assoalhadas, e as paredes já estão cheias com as marcas da austeridade...
Essa dos impostos "distorcivos" é moda nova na linguagem cifrada, sofisticada e esquizofrénica, usada pelos tecnocratas de Bruxelas. Depois de dar muitas voltas ao toutiço, julgo que já percebi o que eles querem dizer. Então é assim: Se um trabalhador pagar num ano um certo valor em impostos sobre o consumo, fica-lhe mais barato do que se pagar o mesmo valor no IRS. Na tabuada de Bruxelas, que é que conta, dois mais dois não são quatro. São três. O Governo tem de fazer rapidamente uma lei de convergência da tabuada, para acertar o passo com a bitola de Bruxelas. É que, se assim não for, os portugueses ficam cada vez mais "distorcidos". Já perceberam o significado da nova palavra tecnocrática? Depois de publicada a lei de convergência das tabuadas, passaremos a dizer: Vão-se distorcer!...

Nota: Este post foi publicado às 15 horas de hoje, dia 29 de Setembro, tendo sido também publicado na minha página do Facebook no dia anterior, às 23 horas.

 Nota: Comecei a estudar a questão, no ponto de vista lexical e epistemológico, e cheguei à conclusão que a expressão "impostos distorcivos", que os tecnocratas de Bruxelas estão agora a querer impor, através do seu discurso político, deriva, em linha recta, do conceito "software distorcivo", criado na Alemanha pela Volkswagen. Está tudo explicado.

2 comentários:

O Puma disse...

A malta bem conta pelos dedos

mas não acerta com os dedos dos outros

Abraço

Alexandre de Castro disse...

Puma: O problema é que os alemães têm duas tabuadas. Uma para uso interno e outra para exportar. Mas a de exportar apenas tem a tabuada da adição e a da multiplicação. Subtrair e dividir não é com eles...