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terça-feira, 16 de julho de 2013

Ciência: Cientistas debatem se a matemática existe no universo ou no cérebro


Cientistas debatem se a matemática existe no universo ou no cérebro
Cientistas estão a discutir se as propriedades das entidades abstratas, como números, figuras geométricas ou símbolos, e as suas relações, são uma propriedade do universo ou uma interpretação humana da realidade, segundo um artigo divulgado hoje.
O Instituto Kavli do Cérebro e da Mente, com sede em Oxnard (Califórnia, EUA), publicou as opiniões de neurocientistas que debatem se a matemática, que descreve e prognostica o que no rodeia os seres humanos, desde a estrutura helicoidal do ADN às espirais das galáxias, existe no universo ou é a forma com que a mente humana compreende o universo.
“Os números não são propriedades do universo, refletem sim o suporte biológico com o qual as pessoas compreendem o mundo”, segundo o chileno Rafael Núnez, professor de ciência cognitiva da Universidade da Califórnia (San Diego).
O professor de neuropsicologia cognitiva da Universidade College de Londres, Brian Butterworth, que colabora com Núnez nesta investigação, defendeu que “os números não são, necessariamente, uma propriedade do universo, mas sim uma forma muito poderosa de descrever alguns aspetos do universo”.
Pelo contrário, o professor associado da Universidade de Tóquio, Simeon Hellerman, afirmou que muitos físicos (incluindo o próprio) concordam que “deve haver alguma descrição completa do universo e das leis da natureza”.
“Implícito nessa premissa está o facto de o universo ser, intrinsecamente, matemático”, acrescentou.
Max Tegmark, professor de física no Instituto Tecnológico de Massachussets (MIT) sustentou que “a natureza, claramente, dá-nos indícios de que o universo é matemático”.
Muitos matemáticos, acrescentou, sentem que não inventam as estruturas matemáticas “e sim, que as descobrem, e que estas estruturas matemáticas existem independentemente dos humanos”.
Notícias ao Minuto

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Existe sempre o risco de imaginarmos o mundo, tal como a nossa mente o concebe e não como na realidade ele existe. A Teoria do Caos foi a primeira corrente do pensamento a colocar esta magna questão, ao admitir que os modelos experimentais da Física isolam apenas uma parte da realidade, não sendo pois possível, eventualmente, ilustrar com exatidão o comportamento do Todo. É uma questão filosófica e científica difícil de resolver.

sábado, 30 de março de 2013

A Justiça em Estado Puro - Séneca



A Justiça em Estado Puro 
Quero que me ensinem também o valor sagrado da justiça — da justiça que apenas tem em vista o bem dos outros, e para si mesma nada reclama senão o direito de ser posta em prática. A justiça nada tem a ver com a ambição ou a cobiça da fama, apenas pretende merecer aos seus próprios olhos. Acima de tudo, cada um de nós deve convencer-se de que temos de ser justos sem buscar recompensa. Mais ainda: cada um de nós deve convencer-se de que por esta inestimável virtude devemos estar prontos a arriscar a vida, abstendo-nos o mais possível de quaisquer considerações de comodidade pessoal. Não há que pensar qual virá a ser o prémio de um acto justo; o maior prémio está no facto de ele ser praticado. Mete também na tua ideia aquilo que há pouco te dizia: não interessa para nada saber quantas pessoas estão a par do teu espírito de justiça. Fazer publicidade da nossa virtude significa que nos preocupamos com a fama, e não com a virtude em si. Não queres ser justo sem gozares da fama de o ser ? Pois fica sabendo: muitas vezes não poderás ser justo sem que façam mau juízo de ti! Em tal circunstância, se te comportares como sábio, até sentirás prazer em ser mal julgado por uma causa nobre! 

Séneca, in 'Cartas a Lucílio'

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Lúcio Aneu Séneca (4 A,C, 65 D.C.) teve a honra, muitos séculos depois de morrer, de vir a figurar na galeria dos grandes escritores da Antiguidade Clássica, na Divina de Comédia, de Dante. Mais poeta do que filósofo, já que na sua obra literária os sentimentos suplantam em importância as ideias, Séneca, não deixa, contudo, de ser referido na História da Filosofia. Sem se encaixar em nenhum sistema filosófico, tal era o seu sentido de independência, que cultivava, ele aproxima-se do estoicismo e do epicurismo. É precisamente em  Epistolae morales dirigidas a Lucílio, que estas suas ideias filosóficas se exprimem vigorosamente e de uma forma sedutora, ao ponto de terem influenciado os primeiros textos dos cristãos, isto no que diz respeito ao estoicismo. Sabe-se que se teria encontrado com Paulo, em Roma, em meados do século, quando o cristianismo ainda era uma filosofia religiosa incipiente.
AC

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Minhas notas: Sobre a (não)existência de Deus...

Quadro negro

Sobre a (não)existência de Deus...

A linha do horizonte é desenhada por cada um de nós, como o limite da nossa própria capacidade para percepcionar o Mundo, a Vida e próprio Homem. A partir daí, sentimos-nos frágeis e perdidos, mergulhados que estamos na mais profunda ignorância. E foi nesse magma primitivo, em que nada fazia sentido com a realidade vivencial, que o Homem inventou Deus, para se conseguir uma certa ordem na sua própria lógica existencial. Desde esse momento, progredindo em todas as frentes, nas das técnicas, nas das ideias, nas da economia e nas do imaginário, a linha do horizonte, avançando, foi desvendando esse espaço negro da ignorância. Mas a ideia de Deus foi ficando na memória das crenças, e, enquanto muitos acreditaram piamente na chegada do dia da revelação, que os oficiais dos cultos estavam sempre a anunciar para o dia seguinte, outros, pelo contrário, mais cépticos, não obedeceram aos sacerdotes e ridicularizaram os profetas, ao mesmo tempo que remeteram esse prometido dia para as calendas gregas.
Alexandre de Castro

Ver em Diário de uns ateus e em Movimento Republicano 5 de Outubro 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Citação: Heráclito de Éfeso


Este mundo de todos os seres, nenhum deus ou homem o criou, mas sempre foi e é e será um fogo sempre vivo, acendendo-se gradualmente e gradualmente se apagando.
Heráclito (540-480 a.c.)
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Heráclito de Éfeso pertence à segunda geração de filósofos da Grecia Antiga e que sucedeu à de Tales de Mileto, o fundador do pensamento filosófico, aquele pensamento que busca,  sem quaisquer preocupações utilitaristas, a universalidade do conhecimento e as causas últimas da explicação do mundo e dos homens.
Foi, pois, de Mileto e de Éfeso, duas cidades jónicas da Ásia Menor, que o pensamento se libertou das explicações mitológicas e religiosas (de rara beleza literária), e passou a utilizar o rigor de conceitos racionais. Heráclito foi o filósofo do fogo, um dos quatro elementos primordiais da matéria, elegendo-o como criador do mundo e dos homens e concebeu a teoria do devir, que admitia a transformação constante de todas as coisas (panta rei). "O frio torna-se calor e o dia torna-se noite". Concebeu também  conceito de contradição, que chegou até aos nossos dias, e que serviu de base conceptual e metodológica ao idealismo de Hegel e ao materialismo dialético de Karl Marx.