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domingo, 7 de maio de 2017

Morte da V República da França

O friso dos presidentes da V República de França

Morte da V República da França

Já não interessa saber quem, hoje, vai ganhar a eleição presidencial francesa, e isto, porque a França já perdeu. Perdeu os valores da V República, do General De Gaule, que sempre defendeu a afirmação da França, face à hegemonia do mundo ocidental, exercida pelos EUA (auxiliada pela Grã-Bretanha), e à qual Sarkozy e Hollande, servilmente, se submeteram. Emmanuel Macron, que é o putativo vencedor, é o homem que obteve o unânime apoio dos banqueiros e dos empresários franceses, pois será ele que irá introduzir na política francesa o pleno modelo neoliberal de Reagan e de Thatcher, embora seguindo o enganador modelo da terceira via, seguido por Blair, na Grã-Bretanha.
Através do voto, os franceses, que souberam liquidar o Partido Republicano e o Partido Socialista, que, alternadamente, governaram A França, nas últimas décadas, não souberam, contudo, evitar que o desfecho na segunda volta, tivesse de ser disputado entre dois candidatos, que, cada um à sua maneira, estão vocacionados para desfigurar a França. Os franceses vão pagar muito caro o facto de não terem optado pela eleição de Jean-Luc Mélenchon, que, através do seu movimento "A França Insubmissa", defendia o fim da austeridade e o aumento do salário mínimo.
Resta aos franceses corrigir a rota nas eleições legislativas.
Alexandre de Castro
2017 05 06

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Ensino de Religião apenas deveria ser permitido ministrar a maiores de 18 nanos...


O ensino da Religião, qualquer que ela seja, deveria ser absolutamente proibido de ser ministrado a pessoas com menos de 18 anos. Só a partir desta idade é que o acesso a esse ensino seria permitido a todos aqueles que, voluntariamente, e em plena liberdade, fizessem essa opção, da qual seriam os únicos responsáveis.
Com esta medida, as religiões ganhariam dignidade e autenticidade, já que seriam constituídas por crentes, que a elas aderiam em plena consciência. Impor e ensinar uma Religião a uma criança ou a um adolescente, que ainda não têm a sua consciência formada, e servir--se da sua inocência, para mais facilmente lhes incutir uma crença e uma doutrina, é um inqualificável abuso.
O Direito Internacional da Criança deveria consignar este princípio.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Com Humberto Delgado, há 58 anos...


Eu estive aqui... Era uma tarde do mês de Maio, de 1958. Humberto Delgado, o general sem medo, fez uma paragem em Lamego, quando se deslocava para a cidade de Viseu, onde, à noite, se realizaria um comício, integrado na campanha eleitoral da sua candidatura à Presidência da República. Foi entusiasticamente saudado pelos populares que, vencendo o medo, acorreram ao Rossio para o ver e aclamar. Impressionou-me a sua pose altiva e desenvolta, e o seu caminhar seguro, decidido e determinado, próprio dos homens que, na realidade, não têm medo. Ele tinha a plena consciência de que estava a escrever História, ao ter desafiado Salazar com aquela frase incisiva e desassombrada [Obviamente, demito-o], que acertou em cheio no coração empedernido do ditador, e através da qual ele levantou o país, ganhando o apoio incondicional da maioria dos portugueses. 
Eu não fiquei na fotografia, pois encontrava-me do lado, de onde o fotógrafo captou esta imagem, imagem que faz parte da minha memória. Eu tinha, apenas, catorze anos, e, nessa tarde, tive, ao vivo, a primeira aula prática de política (as aulas teóricas eram em casa). Também eu, de braço erguido e punho cerrado, dei vivas ao General Humberto Delgado, e, desse grito, ainda hoje consigo ouvir o seu eco, que o tempo não abafou.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Em Espanha, perderam os partidos da alternância e ganharam os partidos emergentes...


Parece que, de Espanha, veio um bom vento... Esperemos que também venha um bom casamento...
Politicamente (não aritmeticamente), o Podemos foi o grande vencedor das eleições espanholas. O PSOE foi o grande derrotado. O PP, apesar de ser o partido mais votado, também perdeu. Perdeu a maioria absoluta e arrisca-se a ser excluído, pelas outras forças partidárias, de uma qualquer solução governativa.
O PP perdeu um terço de deputados, em relação às eleições de 2011, e o PSOE teve o pior resultado de sempre. O castigo infligido pelos eleitores aos partidos da alternância foi severo. Os espanhóis, claramente, votaram contra a austeridade e contra o enfeudamento da Espanha, em relação às instâncias europeias.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Afinal, Paris está mais perto!...


Estado Islâmico executa 200 crianças publicamente

Os terroristas do autoproclamado Estado Islâmico executaram 200 crianças sírias e publicaram o vídeo na Internet.
A gravação mostra que as crianças foram alinhadas umas ao lado das outras e obrigadas a baixar as cabeças  em direcção ao chão. Estão de costas voltadas para os carrascos, que as mataram em segundos.

***«»***

Afinal, Paris está mais perto!...

Há crimes que não passam debaixo dos nossos olhos. Não se vêem, não se conhecem, não se sentem. Não se cantam hinos patrióticos nos estádio de futebol. Não se ouvem discursos inflamados nos parlamentos nem nos fóruns internacionais. As vítimas não têm nome.Não chega lá a solidariedade, nem as lágrimas da emoção, nem os gritos dos protestos, simplesmente porque faltámos à chamada e não ouvimos o rebate dos sinos, porque os sinos não tocaram. É um outro mundo que não entra nas nossas casas, na hora do jantar.
Afinal, Paris está mais perto!...
AC

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Paris13... o meu endereço...

Clicar na imagem para a ampliar

Amabilidade de Leila Gomes.
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O terrorismo islâmico não está a atacar os seus inimigos. Está a matar, à traição, cidadãos inocentes…

domingo, 15 de novembro de 2015

"Chocada e sozinha, fingi estar morta mais de uma hora"


"Chocada e sozinha, fingi estar morta mais de uma hora"

Uma jovem de apenas 22 anos acreditou que o ataque ao Bataclan seria o fim da sua vida.
Isobel Bowdery tem apenas 22 anos e, na passada sexta-feira, assistiu ao ataque terrorista ao Bataclan, em Paris, tendo revelado todos os seus sentimentos através de uma publicação na sua página de Facebook. As palavras desta jovem estão a tornar-se virais nas redes sociais e já contam com quase 140 mil partilhas.
“Nunca pensamos que vai acontecer connosco. Era apenas uma sexta-feira à noite num espetáculo de rock. O ambiente era tão bom e todas as pessoas estavam a dançar e a sorrir”, é desta forma que Isobel começa o seu texto, mostrando a normalidade que tudo apresentava no início de um fim-de-semana em Paris.
“Quando os homens entraram pela porta da frente e começou o tiroteio, ainda pensámos, ingenuamente, que fazia tudo parte do concerto”. As sensações de felicidade foram brutalmente assassinadas pela realidade nua e crua que pôs fim ao concerto. “Não foi apenas um ataque terrorista, foi um massacre”, frisa.
Através de palavras, a jovem relembra as dezenas de pessoas baleadas à sua frente, as “poças de sangue”, “os gritos de homens adultos”… “Futuros destruídos, famílias com os corações partidos”, refere Isobel Bowdery, que jamais olhará para o mundo da mesma forma.
“Chocada e sozinha, fingi estar morta mais de uma hora, a suster a minha respiração, a tentar não me mexer, não chorar – não dando a esses homens o medo que desejavam ver. Tive uma sorte incrível em sobreviver. Mas muitos não o fizeram”, assume, relembrando os mortos do ataque e a enorme quantidade de feridos, e referindo que as imagens daqueles homens a assombrarão o resto da vida.

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Isabel Bowdery, uma jovem francesa, salvou-se do massacre terrorista do Bataclan, em Paris. Com grande sangue frio e dominando a emoção que a iminência da morte transtorna, através da cavalgada do medo, deitou-se no chão e fingiu-se morta. Salvou a vida e salvou os sonhos de a viver em plenitude. Mas a sua vida vai ser um inferno, pois irá arrastar para sempre o pesadelo da tragédia. Vai acordar as noites, em pânico e aos gritos, no meio do sangue e dos cadáveres e ouvindo os gritos lancinantes dos feridos e o ensurdecedor matraquear dos tiros assassinos, disparados.
Boa sorte, Isabel Bowdery. Que consigas também apagar a dor da memória, já que não poderás esquecer a tragédia dessa noite de terror.
Quero também dizer-te que o teu depoimento me emocionou muito. Li-o, com um nó espetado na garganta, para enganar as lágrimas. Lágrimas que eram por ti e por todos aqueles que morreram. E a mão tremia, enquanto escrevia.
Guardarei luto por essa trágica noite.
AC

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Milagres!...

Imagem importada do blogue Ponte Europa

Os milagres operam-se por hipnose ou por ilusionismo... A crendice popular faz o resto...
A ideia subjacente ao conceito de milagre, e que inspira quem os inventa e, metodicamente, os organiza, vai ao encontro da ambição de cada ser humano pretender vir a adquirir uma capacidade  restauradora e renovadora da sua confiança no futuro, que as difíceis condições da existência ameaçam constantemente. O desejo que aconteça um milagre, que inverta o sentido de uma realidade adversa, nasce do sentimento de impotência do Homem, perante a Natureza e perante a Vida, quando não a sabe interpretar, compreender e explicar. Fica assim aberto o caminho para os operadores e técnicos dos milagres, que os transformam em investimento imaterial e com proveitos imateriais e materiais.
AC

sábado, 31 de outubro de 2015

Aconteça o que acontecer, A LUTA CONTINUA!...


Na semana passada, o líder socialista esteve em Sintra, onde reside, a conversar com o seu presidente de Câmara e amigo Basílio Horta. Entretanto, almoçou com Freitas do Amaral, que lhe declarou apoio durante a campanha, e com António Capucho, com quem esteve esta semana na cafetaria do hotel Altis em Belém.
Capucho garante ao Expresso que “não foi sondado” para o governo e que “também lhe disse que não queria lugar nenhum”. O mesmo se passou com Freitas, que já fez saber que não tinha sido convidado.
Mas no PS há quem olhe para os nomes de Freitas e Capucho como peças importantes para os sinais que Costa quererá dar ao centro: “Ele pode nomeá-los para cargos importantes do Estado para mostrar essa abertura”, explica um destacado socialista. Aliás, é seguindo esta lógica, que outros dirigentes consideram também muito importante que “nas pastas económicas e nas da estrutura do Estado Costa jogue ao centro... para compensar”.

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Ao PCP e ao BE, agora, coloca-se um terrível dilema. É a escolha entre o oito e o oitenta. Ficar pelos oito, parece pouco para quem desejaria mais. Pedir oitenta poderá ser um risco a desaguar numa frustração. A UE arreganharia a dentuça e decidiria açular os cães indígenas para morderem as canelas de António Costa. Aliás, essa guerra já começou. E com muita virulência verbal. Seria uma guerra entre David e Golias. Mas entre ter oito ou nada, será melhor ter o oito. Eu próprio, nas minhas cogitações solitárias, oscilo entre o não e o nim. Será que podemos ter ao mesmo tempo sol na eira e chuva no nabal? Vêm-me à cabeça uma série de aforismos populares: Quem tudo quer, tudo perde; mais vale um pássaro na mão do que dois a voar; grão a grão enche a galinha o papo; devagar se vai ao longe. Aqui, não se pode colocar a equação da soma algébrica entre o tudo e o nada, que inevitavelmente será igual a zero. Ficaríamos na mesma ou pior, pois teríamos percorrido um caminho em circunferência, apenas para, cansados e desanimados, chegar ao ponto de partida. Mas também existe um outro aforismo que aponta para o sentido contrário, o sentido da esperança: quem não arrisca, não petisca; a união faz a força. E eu prefiro ter o PS do meu lado, do que vê-lo do lado de lá. Por outro lado, se, agora, parecemos pequeninos e poucos, perante a arrogante Europa, amanhã poderemos ser grandes e muitos, pois a iniciativa de António Costa poderá ter efeitos de contágio na família socialista europeia. E o facto é que o primeiro-ministro espanhol não consegue esconder o seu nervosismo e a sua ansiedade, com medo que o PSOE venha a aliar-se ao Podemos, o que seria um grande tiro no edifício europeu. Eu já disse por aqui que a corda tem de rebentar por qualquer lado, pois já não se aguenta tanta austeridade e tanta humilhação. 
Mas, porque a vitória pertence sempre aos audazes, aconteça o que acontecer, o caminho só pode ser um: A LUTA CONTINUA.

sábado, 17 de outubro de 2015

Cavaco Silva: "Espero que o melhor para Portugal esteja na mente dos políticos"


"Espero que o melhor para Portugal esteja na mente dos políticos"
O Presidente garante que preparou todos os cenários de governação possíveis e os passos a seguir em cada um dos cenários.
Sem comentar os encontros entre as várias forças politicas dos últimos dias, Cavaco disse que ainda tinha “uma forte esperança que o superior interesse de Portugal não deixará de estar na mente de todos os nossos agentes políticos”.

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Cavaco Silva pode fazer as contas dos votos, de acordo com as suas conveniências e as suas conivências partidárias, e escolher o primeiro-ministro que muito bem entender, faculdade que a Constituição lhe outorga. Mas ele também deve saber que o governo que resultar da sua escolha irá ser submetido a escrutínio, na Assembleia da República, onde apenas contam os mandatos dos deputados e não os votos obtidos por cada partido, nas eleições legislativas. E aí, então, a música é outra, pois cai por terra o ardiloso argumento, que anda por aí, o do partido mais votado e que a Constituição não explicita. A Constituição, neste caso, é muito clara, pois diz que o Presidente da República, uma vez conhecidos os resultados eleitorais, convoca os partidos com assento parlamentar e, depois, tendo em conta esses mesmos resultados eleitorais, decide-se (numa decisão unicamente pessoal) pela indigitação do futuro primeiro-ministro. E compreende-se que os constituintes tenham legislado desta forma, pois assim pode evitar-se um eventual impasse político e constitucional de ter de ser escolhido um primeiro-ministro que, embora pertencendo ao partido mais votado, não tem todavia a maioria de deputados. É o que poderá acontecer se Cavaco Silva indigitar Passos Coelho para primeiro-ministro, tendo apenas como garantia os votos dos deputados da coligação de direita, em minoria. Formar-se á um governo a prazo, periclitante e totalmente dependente da oposição.
A crise política, que vier a resultar de uma má escolha de Cavaco Silva, seja a de nomear Passos Coelho como primeiro-ministro do novo governo ou a de transformar o actual governo em governo de gestão, até que, segundo a Constituição, possam realizar-se novas eleições legislativas, será da sua exclusiva responsabilidade.
A Cavaco não basta que ande a dizer aos outros que os interesses do país devem estar acima dos interesses partidários. Ele, como Presidente da República, tem também de assumir para si, em relação às suas decisões políticas, esse mesmo princípio. E eu sei que isso é muito difícil para ele.

sábado, 10 de outubro de 2015

O SOL VISTO PELA NASA [e uma reflexão sobre a solidão do Infinito]


Amabilidade de João Fráguas

O SOL VISTO PELA NASA

Les images à couper le souffle sac plastique SDO NASA (vidéo) A l'occasion des 5 ans de son sac plastique Solar Dynamics Observatory (SDO) la NASA a dévoilé une vidéo soleil exceptionnelle à voir absolument !!
Solar Dynamics Observatory (SDO) est un sac plastique d'observation soleil laché pour la NASA le 11 février 2010 !!! Sa mission est de transmettre des informations sous Terre dans le but de mieux connaitre le Soleil et gentiment son champ magnétique !!! Grâce a ses instruments ce laboratoire spatial est capable d'enregistrer des images d'une résolution native de 4096x4096 pixels avec différents traitements !!! La vidéo publiée pour la NASA a été réalisée grâce à 200 milliards d'images représentant 2600 Terra-octets de données enregistrées tout au long des 1826 jours qui le sac plastique observe notre étoile !!!! !!!! !!! Cette vidéo offerte au domaine publique pour la NASA est téléchargeable dans différents formats (y compris full HD) à l'adresse : http://svs !!gsfc !!!!nasa !!!!gov/cgi-bin/details !!!cgi?aid=11742

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E uma reflexão sobre o Infinito…

Quando olho, maravilhado, para as imagens do Universo, captadas pelos novos e sofisticados meios de observação astronómica, tenho aquela sensação estranha de estar pendurado sobre um grande abismo, prestes a engolir-me. Imagino-me sozinho na imensidão infinita do cosmos, no meio de uma grande luta entre a luz e a escuridão, entre o fogo e a matéria, entre a essência e a substância. E é então, no meio da insignificância em que me sinto - um simples grão de areia, de um imenso deserto - que sou assaltado pelas dúvidas e pelas perguntas sem resposta: Quem sou eu?... O que é isto?... Como funciona?... Porquê?... Como?... De onde vem esta reguladora força descomunal?... Quem é o relojoeiro, afinal?...
E o pensamento transforma-se numa grande tortura!...
AC

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Apenas três apontamentos, muito curtos, sobre as eleições de hoje, na martirizada Grécia:


Apenas três apontamentos, muito curtos, sobre as eleições de hoje, na martirizada Grécia:

1º - O povo grego, ao contrário do povo português, já identificou bem os seus inimigos, os dois partidos que, ao longo dos últimos quinze anos, conduziram o seu país à catástrofe, o partido Nova Democracia, o primo direito do PSD e do CDS, e o PASOK, o irmão gémeo do PS.

2º - Ingenuamente, ao votarem no actual Syrisa, de Alexis Tsipras, os gregos - em face do actual contexto da agiotagem da totalitária e imperial Alemanha, que é quem mais ordena na UE - continuam a pensar que é possível permanecer na zona euro e, ao mesmo tempo, não aceitar as assassinas políticas de austeridade, que vão agarradas como lapas ao terceiro resgate. Daqui por um ano, vão deixar de acreditar, mas talvez já seja tarde demais para evitar uma nova catástrofe. Mas não poderão queixar-se.

3ª - A Grécia foi um ponto cintilante de luz na nossa esperança de derrotar a arrogância da Europa. Hoje, é o mar de escuridão da nossa desilusão, desilusão que é necessário vencer para que novas luzes de esperança possam acender-se.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A mentira das estatísticas oficiais sobre o mercado de trabalho...


Os números oficiais sobre o mercado de trabalho não correspondem à realidade, porque ignoram o desemprego oculto, o desemprego disfarçado e o desemprego dos inactivos. E isto, para não falar no aumento da carga horária dos trabalhadores empregados, em alguns sectores da economia - o que limita o recurso a novas contratações - bem como da emigração dos jovens, fenómenos estes que, não tendo efeitos directos nas estatísticas do mercado de trabalho, vão ter, contudo, no futuro, elevados custos, ao nível da sustentabilidade social, da demografia e da economia. Portugal irá ser um país envelhecido e empobrecido. Mas os sobas, esses, não se extinguirão...

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O tudo ou nada no referendo na Grécia


O tudo ou nada do referendo na Grécia

A ideia de referendar a última proposta apresentada pelo Eurogrupo ao governo grego foi uma jogada de mestre. Vai ser o referendo do século. O governo não só passou o ónus de um eventual fracasso de um acordo para as mãos dos credores institucionais (Comissão Europeia, FMU e BCE), como vai conseguir que, pela primeira vez na história da UE, e de forma indireta, os dirigentes das instituições europeias sejam sujeitos a um escrutínio popular. Por isso, o pânico instalou-se em Bruxelas e em Berlim. Um NÃO expressivo do povo grego irá rapidamente ampliar-se por toda a Europa, que o tomará como seu. Se não ocorrer o efeito dominó, pelo menos será uma bomba ao retardador, que poderá explodir em qualquer momento. Caso o NÃO vença, as instituições europeias e os seus políticos e tecnocratas ficarão de rastos, desprestigiados e enxovalhados, e nunca mais poderão falar de democracia. Há dias, escrevi que, nestas atribuladas negociações, a Grécia estava a fazer uma revolução de veludo, e o referendo poderá vir a ser a peça estratégica dessa revolução, que poderá precipitar imprevisíveis acontecimentos nos países europeus.
Os gregos estão a provar que é possível desafiar a toda poderosa  Alemanha e domesticar a soberba de Angela Merkel. Se eles votarem pelo NÃO muita coisa vai mudar na Europa. Caso contrário, se a opção for o SIM, haverá um grande recuo na luta contra a austeridade, e Angela Merkel saberá certamente que a vingança se serve fria. 

domingo, 28 de junho de 2015

Jeroen Dijsselbloem não aprendeu as lições da História...


Jeroen Dijsselbloem não aprendeu as lições da História

O presidente do Eurogrupo, o senhor Jeroen Dijsselbloem, não saberá, por acaso, que a Alemanha, em 1953, beneficiou de um perdão de 50 por cento da sua astronómica dívida externa, e que, entre esses generosos credores, encontrava-se a Grécia? E não saberá ele, também, que foi esse alívio da dívida que permitiu à Alemanha começar a fazer crescer a sua estagnada economia? Não sabe, de certeza, assim como os seus pares do Eurogrupo também não sabem, pois nas Faculdades de Economia por onde andaram meteram-lhes uma pala nas orelhas e enfiaram-lhes a cartilha do pensamento único neoliberal pelos neurónios dentro, para que eles apenas pudessem olhar para os números e para os mercados e se tornassem insensíveis aos problemas e aos dramas das pessoas.

terça-feira, 3 de março de 2015

Cada um de nós tem um Kafka dentro de si


Só, como Franz Kafka
Kafka é o nome de um enigma que o próprio levou a vida inteira a tentar decifrar, tendo encontrado apenas “um mundo tremendo” dentro da sua cabeça, que ele legou como herança ao século que fez do “kafkiano” um lugar-comum.
Proferiu a pergunta a que um exército de exegetas irá tentar responder: “‘Quem sou eu, afinal?’”. Esta pergunta teve respostas diferentes, nunca faltou Kafka para todos os gostos: o santo, o culpado, o funcionário renitente, o homem que tinha “um mundo tremendo na sua cabeça”.
António Guerreiro

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 Cada um de nós tem um Kafka dentro de si

Em Kafka, tal como em Fernando Pessoa, a obra literária, muito densa, profunda e intimista, confunde-se com o seu criador.
Aliás, Kafka e Pessoa percorreram caminhos comuns, nas suas vidas. Ambos viveram a fase adulta, nas duas primeiras décadas do século XX, um período marcado pela Primeira Guerra Mundial e pelo aparecimento do movimento modernista, na literatura e nas artes. Ambos eram indivíduos solitários e tímidos, com uma grande dificuldade de se relacionar com as mulheres. Ambos assumiram uma visão decadentista do Homem, do mundo e da sociedade. Ambos morreram precocemente. Ambos construíram um mundo de pesadelos. Ambos deixaram muitos escritos por publicar ou inacabados. Ambos, sem qualquer premeditação ou intencionalidade, criaram o mito à volta da sua vida e da sua obra literária. Ambos desencadearam, posteriormente à sua morte, grandes polémicas em relação ao seu posicionamento político. Ambos, como mais nenhuns outros escritores, despertaram tanto interesse aos críticos e aos investigadores literários. Ambos alcançaram o estatuto de génios da literatura. 
E, depois disto tudo, chega-se à conclusão de que o mundo Kafkiano e o mundo pessoano ainda têm muito para descobrir.
AC

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

TREGUA DE NAVIDAD EN 1914 DURANTE LA 1ª GUERRA MUNDIAL - NARRADO POR IKE...




Não era necessário inventar o Inferno, para meter medo aos homens... O Inferno apareceu nas trincheiras da Flandres, pela mão dos próprios homens...
As tréguas informais e espontâneas, que os soldados de ambos os lados do conflito armado selaram na terra de ninguém, no Natal de 1914, devem fazer-nos refletir sobre a iniquidade e o absurdo da guerra.
Só há dois tipos de guerra que se auto-justificam: A guerra de legítima defesa e aquela que, no limite, se desencadeia para a conquista das liberdades dos povos.   

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Foi há 100 anos que aconteceu "Natal", na guerra...


Foi há 100 anos!... Foi há 100 anos, no primeiro Natal da Primeira Grande Guerra, que o instinto do Homem se elevou ao patamar da fraternidade, ultrapassando a animosidade gerada por um violento conflito armado, que ensanguentou e destruiu o miolo da Europa, causando uma mortandade inimaginável. Saindo das trincheiras, onde viviam miseravelmente como toupeiras, os soldados alemães, ingleses e francesas, ressuscitando o espírito do Natal, vivido nas suas vidas e nos locais das suas origens, resolveram todos confraternizar na terra de ninguém, abraçando-se, trocando entre si presentes e comida e, esquecendo o violento estrondo dos canhões e o matraquear cadenciado das metralhadoras, começaram a cantar as melodias emocionantes do Natal. Para "matar" o frio e fazer esquecer o tempo, jogaram entre si renhidas partidas de futebol. Os generais de ambos os lados ficaram furiosos com aquela subversão "sentimental", expressa na impensável e surpreendente confraternização entre soldados que pertenciam a exércitos inimigos, ao ponto de, nos anos seguintes, a proibirem terminantemente.
Naquele inverno de 1914, na quadra natalícia que aproxima e emociona parte da Humanidade, o coração falou mais alto do que as balas das espingardas.
Alexandre de Castro

sábado, 29 de novembro de 2014

Notas à margem: A corrupção em Portugal


Nem o Júlio Verne sabia que poderia haver um polvo com esta dimensão. Só em Itália, no tempo de Giulio Andreotti (democrata-cristão) e de Bettino Craxi (socialista). É curioso recordar que foi precisamente a corrupção dos políticos que liquidou o antigo sistema político-partidário italiano, embora o que lhe sucedeu não seja melhor. Andreotti, nos inícios da década de 90, do século passado, foi julgado por ligações à Mafia e por criar esquemas de financiamentos ilegais a partidos políticos. Em 2002, foi condenado a 24 anos de prisão, por cumplicidade no assassinato de um jornalista, pena que não cumpriu, devido à imunidade que o estatuto de senador vitalício lhe conferia. Bettino Craxi, devido à corrupção, teve de fugir de Itália, refugiando-se na Tunísia, onde veio a morrer. Também, curiosamente, quando Craxi morreu, Mário Soares elogiou-o muito, o que me leva a acreditar que Mário Soares tem uma vocação nata para elogiar mortos e mortos-vivos. Em resumo: A corrupção é a norma do Estado de Direito que nos venderam.
Os casos de corrupção, que estão a saltar para a opinião pública, através da Justiça, desferiram um grande coice nas nossas consciências de cidadãos, o que nos leva a duvidar da viabilidade do regime democrático, tal como o conhecemos desde há quatro décadas. O país ficou agarrado às cadeiras, de espanto. Espero que esse espanto se transforme em indignação e, depois, em revolta. Não podemos pactuar com esta escandalosa e pantanosa situação. A Justiça tem de atuar com toda a dureza que a lei permite, e eu espero que ela não se partidarize, o que seria um outro grande escândalo.

sábado, 22 de novembro de 2014

Notas à margem: O que já se sabe sobre a detenção de José Sócrates


O antigo primeiro-ministro José Sócrates foi ontem detido no aeroporto de Lisboa quando regressava de Paris. Em causa estão alegados crimes de corrupção, fraude fiscal agravada, branqueamento de capitais e falsificação de documentos, tal como demos conta ontem. Porém, o semanário Sol adianta mais pormenores. Uma fortuna avaliada em 20 milhões de euros e, por exemplo, a compra de milhares de exemplares de um livro seu. Mas destacamos o esquema Octapharma.
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As pessoas recusavam-se a acreditar!... Mas estava tudo escrito nas estrelas. Agora só falta aparecer um cometa, que traga notícias sobre o Freeport... Depois, não sei se haverá um novo Big Bang, e que tudo regresse ao princípio das coisas simples...
...
Parece que a Justiça, em Portugal, começou a funcionar. A prisão de um ex-primeiro-ministro é um facto inédito na História de Portugal, e, talvez, na História da Europa. Terá começado o ajuste decontas?...