domingo, 15 de novembro de 2015

"Chocada e sozinha, fingi estar morta mais de uma hora"


"Chocada e sozinha, fingi estar morta mais de uma hora"

Uma jovem de apenas 22 anos acreditou que o ataque ao Bataclan seria o fim da sua vida.
Isobel Bowdery tem apenas 22 anos e, na passada sexta-feira, assistiu ao ataque terrorista ao Bataclan, em Paris, tendo revelado todos os seus sentimentos através de uma publicação na sua página de Facebook. As palavras desta jovem estão a tornar-se virais nas redes sociais e já contam com quase 140 mil partilhas.
“Nunca pensamos que vai acontecer connosco. Era apenas uma sexta-feira à noite num espetáculo de rock. O ambiente era tão bom e todas as pessoas estavam a dançar e a sorrir”, é desta forma que Isobel começa o seu texto, mostrando a normalidade que tudo apresentava no início de um fim-de-semana em Paris.
“Quando os homens entraram pela porta da frente e começou o tiroteio, ainda pensámos, ingenuamente, que fazia tudo parte do concerto”. As sensações de felicidade foram brutalmente assassinadas pela realidade nua e crua que pôs fim ao concerto. “Não foi apenas um ataque terrorista, foi um massacre”, frisa.
Através de palavras, a jovem relembra as dezenas de pessoas baleadas à sua frente, as “poças de sangue”, “os gritos de homens adultos”… “Futuros destruídos, famílias com os corações partidos”, refere Isobel Bowdery, que jamais olhará para o mundo da mesma forma.
“Chocada e sozinha, fingi estar morta mais de uma hora, a suster a minha respiração, a tentar não me mexer, não chorar – não dando a esses homens o medo que desejavam ver. Tive uma sorte incrível em sobreviver. Mas muitos não o fizeram”, assume, relembrando os mortos do ataque e a enorme quantidade de feridos, e referindo que as imagens daqueles homens a assombrarão o resto da vida.

***«»***
Isabel Bowdery, uma jovem francesa, salvou-se do massacre terrorista do Bataclan, em Paris. Com grande sangue frio e dominando a emoção que a iminência da morte transtorna, através da cavalgada do medo, deitou-se no chão e fingiu-se morta. Salvou a vida e salvou os sonhos de a viver em plenitude. Mas a sua vida vai ser um inferno, pois irá arrastar para sempre o pesadelo da tragédia. Vai acordar as noites, em pânico e aos gritos, no meio do sangue e dos cadáveres e ouvindo os gritos lancinantes dos feridos e o ensurdecedor matraquear dos tiros assassinos, disparados.
Boa sorte, Isabel Bowdery. Que consigas também apagar a dor da memória, já que não poderás esquecer a tragédia dessa noite de terror.
Quero também dizer-te que o teu depoimento me emocionou muito. Li-o, com um nó espetado na garganta, para enganar as lágrimas. Lágrimas que eram por ti e por todos aqueles que morreram. E a mão tremia, enquanto escrevia.
Guardarei luto por essa trágica noite.
AC

3 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Aguardo
fingindo-me morto
as decisões dos G20

já não sou tão jovem,
mas mantenho o sangue frio
perante os (alguns) terroristas de estado

Alexandre de Castro disse...

Esta solidariedade espontânea e sincera, que emergiu em todo o mundo, pelas vítimas inocentes de Paris, não pode, contudo, obnubilar as verdadeiras causas do terrorismo islâmico, que temos de vigorosamente de combater. É que não são apenas os jihadistas os únicos terroristas. O terrorismo de Estado também é uma forma de terrorismo, um terrorismo mascarado, que se esconde nos subterrâneos da ilegalidade.

O Puma disse...

Assim sobrevivem os inocentes

de olhos fechados em vida

Abraço