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segunda-feira, 12 de março de 2018

O escândalo Novartis que está a abalar a Grécia

© Swipe News, SA © Fornecido por ECO - Economia Online

O escândalo Novartis que está a abalar a Grécia

Os dez políticos gregos, alegadamente envolvidos no esquema de corrupção da Novartis (uma multinacional farmacêutica suíça), já fizeram saber que pretendem ser julgados em Portugal.
(Nota de humor, claro)

Alexandre de Castro
2018 03 12

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Apenas três apontamentos, muito curtos, sobre as eleições de hoje, na martirizada Grécia:


Apenas três apontamentos, muito curtos, sobre as eleições de hoje, na martirizada Grécia:

1º - O povo grego, ao contrário do povo português, já identificou bem os seus inimigos, os dois partidos que, ao longo dos últimos quinze anos, conduziram o seu país à catástrofe, o partido Nova Democracia, o primo direito do PSD e do CDS, e o PASOK, o irmão gémeo do PS.

2º - Ingenuamente, ao votarem no actual Syrisa, de Alexis Tsipras, os gregos - em face do actual contexto da agiotagem da totalitária e imperial Alemanha, que é quem mais ordena na UE - continuam a pensar que é possível permanecer na zona euro e, ao mesmo tempo, não aceitar as assassinas políticas de austeridade, que vão agarradas como lapas ao terceiro resgate. Daqui por um ano, vão deixar de acreditar, mas talvez já seja tarde demais para evitar uma nova catástrofe. Mas não poderão queixar-se.

3ª - A Grécia foi um ponto cintilante de luz na nossa esperança de derrotar a arrogância da Europa. Hoje, é o mar de escuridão da nossa desilusão, desilusão que é necessário vencer para que novas luzes de esperança possam acender-se.

domingo, 20 de setembro de 2015

Quem é afinal Alexis Tsipras?


Este homem perdeu-se ou achou-se?.... Não sei bem. No entanto tive um sobressalto, quando ele capitulou perante o Eurogrupo, aceitando um acordo com condições muito mais gravosas do que aquelas que foram sujeitas a referendo e que os gregos rejeitaram categoricamente. Justificou-se então que não tinha tido alternativa, pois o Eurogrupo, peremptoriamente, deu-lhe a escolher: ou aceitava o novo acordo ou a Grécia sairia do euro, última imposição esta que não está prevista nos Tratados, o que retirava legitimidade à ameaça e à sua concretização.Os Tratados apenas prevêem a expulsão da União Europeia. E a não aceitação de um acordo, que é uma decisão dos governos de cada país, não constitui motivo para uma expulsão. Nesse caso, a Grã-Bretanha já tinha sido expulsa há muito tempo.
Agora, vejo Alexis Tsipras a adoptar, no seu discurso, o figurino dos dirigentes dos partidos europeístas, assumindo os seus tiques eleitoralistas, tal como este, em que declara que o seu governo "vai dar luta, não só na Europa, como dentro do país".
E formulo aqui a intrigante pergunta que durante este tempo todo tem andado a bailar na minha cabeça: Quem é afinal Alexis Tsipras?

quinta-feira, 30 de julho de 2015

“Enquanto a banca for privada, qualquer governo é refém do capital financeiro”


Num pavilhão cheio de simpatizantes da ala esquerda
Num pavilhão cheio de simpatizantes da ala esquerda do Syriza, Lafazanis defendeu a saída da Grécia do euro, criticou a estratégia de Tsipras e respondeu à “campanha de difamação” na imprensa, que diz ter como alvo o conjunto do partido e toda a esquerda grega.
Lafazanis defendeu o controlo público da banca da Grécia para desempenhar o papel de apoio à economia. “Enquanto os bancos permanecerem sob controlo e gestão privada, os governos, quaisquer governos, só poderão ser reféns do capital financeiro”, argumentou, lembrando que só agora estão a ser investigados a fundo os escândalos que envolvem alguns dos principais bancos gregos das últimas décadas.
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Qualquer processo revolucionário tem de contemplar na sua estratégia a nacionalização da banca. No sistema capitalista, são os bancos que detêm o poder cambial e o poder monetário, um poder que não é escrutinado pelos cidadãos, mas que é de uma importância fundamental para o planeamento e a execução das políticas económicas dos governos nacionais.
Com a adesão à moeda única, os países que aderiram perderam o poder cambial e o monetário. Com o Tratado Orçamental de 2012, o poder orçamental ficou amputado. Agora, e aproveitando-se dos efeitos da crise grega, a Alemanha e os seus aliados e os seus lacaios pobretanas já querem um Orçamento europeu, reduzindo assim os poderes de cada Estado. A concretizar-se esta deriva federalista, cada país será apenas uma província da Europa e os respectivos primeiros ministros passarão à categoria de governadores civis. Num quadro destes, Portugal estaria para a Europa, assim como a província de Trás-os-Montes está para Lisboa.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Gobierno griego firma tratado militar de cooperación y formación con Israel


Gobierno griego firma tratado militar de cooperación y formación con Israel

Fue muy difícil rastrear la noticia. Solo la habían publicado páginas israelíes y unas pocas webs de los Estados Unidos. Pero no había dudas. Todas y cada una reproducían la sorpresiva noticia de la firma de un acuerdo militar entre Grecia e Israel que no tiene precedentes (enlaces al pie).  En la noticia se habla de cooperación militar,  relaciones excelentes,  mantener y continuar la capacitación conjunta….Una histórica relación que en la campaña electoral Tsipras decía que se iba a acabar (*). No fue así… la relación continuó y se ha fortalecido de acuerdo con las noticias aparecidas desde hace 48 horas.

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A sombra das dúvidas instalou-se, a a partir do momento em que li, há dias, esta surpreendente notícia, o que poderá projectar uma nova luz sobre a narrativa daquela histórica e humilhante capitulação do governo grego, face às arrogantes e despóticas exigências dos donos da Europa.
É verdadeiramente impressionante o discurso do ministro da Defesa grego, em Telavive, perante o seu homólogo israelita: “El pueblo griego está muy cerca del pueblo de Israel. En cuanto a nuestra cooperación militar, nuestras relaciones son excelentes, y van a continuar para mantener la capacitación conjunta. El señor Kammenos ha añadido: “El terrorismo y la Jihad no golpean el Oriente Medio, sino también a los Balcanes y Europa. Esto es la guerra. También estámos muy cerca de Israel por todo lo que se relaciona con el programa de misiles de Irán. Estamos en el alcance de estos misiles. Si un misil iraní se dirige hacia el mar Mediterráneo, puede significar el fin de todos los países de la región.”

(*) No Programa eleitoral do Siriza constava no ponto 38 a abolição de toda a cooperação militar com Israel.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Mariano Rajoy apoia renúncia do Syriza na Grécia


Mariano Rajoy apoia renúncia do Syriza na Grécia
O primeiro-ministro de Espanha espera a vitória do "sim" no referendo de domingo na Grécia, sobre um acordo do governo grego com os credores, e um novo governo em Atenas.

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As declarações do primeiro-ministro, Mariano Rajoy, ao apelar ao voto no SIM, no próximo referendo na Grécia, e ao distorcer o objetivo desse mesmo referendo, que não questiona os cidadãos gregos sobre a permanência ou a saída do euro, é uma grave e inadmissível ingerência nos assuntos internos do Estado grego, cujo governo, em sinal de protesto, pela via diplomática, deveria chamar a Atenas o embaixador grego em Madrid, para consultas. Trata-se de um ato hostil e impróprio, que envergonha a Espanha. É também a quebra do princípio da solidariedade institucional, a que se obrigam os Estados membros da UE, nas suas relações entre si. 
Rajoy reagiu desta forma destemperada, porque vive apavorado com o previsível contágio do efeito Syrisa em Espanha, que o PODEMOS, com êxito, tem vindo a capitalizar, politicamente e eleitoralmente..

Milhares em Atenas enfrentam mau tempo para declarar 'sim' à Europa


Milhares em Atenas enfrentam mau tempo para declarar 'sim' à Europa

A chuva e a trovoada não fizeram desmobilizar muitos milhares de pessoas em Atenas que hoje quiseram manifestar um voto de confiança na Europa, respondendo "nai" ("sim") às propostas dos credores da Grécia.
Apesar da chuva, num protesto em que se fizeram ouvir muitos apitos, a Atenas "elegante e europeia" voltou a descer à rua. 'Blazers', camisas às riscas, sapatos de ultima moda e chapéus denunciavam em muitos dos presentes uma origem social mais privilegiada.

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E ainda andam por aí uns ideólogos encartados, a cheirar a naftalina, que querem fazer-nos acreditar que não existe no processo histórico, político, económico e social uma dinâmica de luta de classes. Karl Marx tinha razão. E esta manifestação da alta sociedade ateniense e da burguesia endinheirada, bem vestida e bem alimentada, comprova este postulado marxista. 
Foi uma manifestação de egoísmo classista e marcadamente antiptriótica das pessoas de direita, que nada se importam com o lastro de miséria que afeta a maioria da população grega, e que os credores institucionais (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) insistem em querer empobrecer até ao limite do absurdo.

Países mais pequenos têm sido "os mais duros com a Grécia"


"Eu fiz todos estes esforços, estamos muito melhor, agora vocês também têm de fazê-los", dizem os países pequenos à Grécia.

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Trata-se de uma manifestação infantil de um grande complexo de inferioridade.No caso de Portugal, dizer que o país está melhor é uma grande falácia. O crescimento da economia é raquítico, a dívida pública aumentou, e, a manter-se a atual política, terá de haver muito mais austeridade para a a pagar, e é por isso que o FMI e a Comissão Europeia têm vindo a dizer, constantemente, que é necessário cortar mais nas pensões e nos salários. O desemprego continua elevado, e o desemprego de longa duração já penetrou nas gerações mais novas, o que é muito grave.O único indicador macro-económico que o governo controlou foi o défice orçamental. Mas isto é o mais fácil, pois até um porteiro do Ministério das Finanças conseguiria aumentar os impostos e cortar nas pensões, nos salários e nas despesas dos serviços sociais. E se Portugal passou no exame da troika e saiu do plano de ajustamento, no ano passado, é porque um segundo caso de fracasso, depois do da Grécia, faria cair por terra a validade do modelo austeritário aplicado. Por outro lado, também se impunha a necessidade de premiar a fidelidade, humilhantemente canina, de Passos Coelho e do seu governo. 
Em 2016, iremos ser duramente ser confrontados com a verdade. Quem anda a dizer que Portugal não é a Grécia está profundamente enganado. Portugal anda apenas atrasado um ano e meio, em relação ao único país que soube bater o pé e dizer não.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O tudo ou nada no referendo na Grécia


O tudo ou nada do referendo na Grécia

A ideia de referendar a última proposta apresentada pelo Eurogrupo ao governo grego foi uma jogada de mestre. Vai ser o referendo do século. O governo não só passou o ónus de um eventual fracasso de um acordo para as mãos dos credores institucionais (Comissão Europeia, FMU e BCE), como vai conseguir que, pela primeira vez na história da UE, e de forma indireta, os dirigentes das instituições europeias sejam sujeitos a um escrutínio popular. Por isso, o pânico instalou-se em Bruxelas e em Berlim. Um NÃO expressivo do povo grego irá rapidamente ampliar-se por toda a Europa, que o tomará como seu. Se não ocorrer o efeito dominó, pelo menos será uma bomba ao retardador, que poderá explodir em qualquer momento. Caso o NÃO vença, as instituições europeias e os seus políticos e tecnocratas ficarão de rastos, desprestigiados e enxovalhados, e nunca mais poderão falar de democracia. Há dias, escrevi que, nestas atribuladas negociações, a Grécia estava a fazer uma revolução de veludo, e o referendo poderá vir a ser a peça estratégica dessa revolução, que poderá precipitar imprevisíveis acontecimentos nos países europeus.
Os gregos estão a provar que é possível desafiar a toda poderosa  Alemanha e domesticar a soberba de Angela Merkel. Se eles votarem pelo NÃO muita coisa vai mudar na Europa. Caso contrário, se a opção for o SIM, haverá um grande recuo na luta contra a austeridade, e Angela Merkel saberá certamente que a vingança se serve fria. 

domingo, 28 de junho de 2015

"O FMI está a fazer o que a Alemanha quer"


"O FMI está a fazer o que a Alemanha quer", confessou ao Diário Económico uma fonte ligada ao governo grego. Neste jogo de sombras e de máscaras em que nada é o que parece, por detrás da cortina o sorriso nada enigmático de Merkel era a melhor demonstração de que, após tantas discussões e tempo gastos, forçava o pretendido: mais austeridade para os gregos.

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Merkel é atriz principal deste filme de terror!...

Os políticos também não se medem aos palmos…


Os políticos também não se medem aos palmos…

A grandeza e a importância de um político não se medem apenas nas urnas. Fala mais alto a sua honestidade, a sua frontalidade e o seu autêntico espírito de missão ao exclusivo serviço do seu povo, nunca se esquecendo de dar voz àqueles a quem roubaram a voz. 
Tsipras encostou à parede os arrogantes políticos e tecnocratas, que, embriagados pelos prazeres do poder, que os povos não podem escrutinar diretamente, já consideravam a soberania dos países propriedade sua, querendo geri-la como se tratasse de um produto que se vende nas lojas dos supermercados. Enganaram-se com o povo grego, que está a fazer uma revolução de veludo e a vergar a arrogância dos credores institucionais, que ficaram desmascarados perante a opinião pública internacional, devido à habilidade e perspicácia negocial do primeiro.ministro grego Tsipras e do seu ministro das Finanças
Alexandre de Castro

Ver VISÃO

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Notas do meu rodapé: Não compreendo a capitulação de Tsipras...


Eu compreendo que seja difícil negociar com políticos empedernidos, metidos nas baias da doutrina que privilegia os lucros dos mercados em detrimento das necessidades das pessoas e que capturaram a democracia no interesse das multinacionais e do capital financeiro. Mas custa-me aceitar a capitulação do primeiro-ministro grego, perante a grosseira chantagem dos dirigentes europeus, que outra coisa não querem senão a de provocar a sua queda e a do seu governo, o que seria uma severa punição e, ao mesmo tempo, um sério aviso preventivo para outras potenciais rebeliões de outros países.
Não compreendo que - depois de cinco meses de difíceis negociações, em que Tsipras e Vraroufakis conseguiram ganhar a opinião pública europeia para o seu lado, com o forte argumento da caótica situação humanitária da Grécia e o da inutilidade das políticas de austeridade, ao mesmo tempo que conseguiram desmontar a pérfida argumentação dos dirigentes europeus, baseada em falsidades e na distorção da realidade - à última hora o primeiro-ministro grego tenha desistido de desafiar a arrogância dos credores institucionais. É certo que Tsipras e Varoufakis obtiveram concessões importantes, mas, por motivos que ainda não se percebem, cederam em medidas que vão aumentar a austeridade. E estancar e diminuir a austeridade foi a grande bandeira política que levou o Syriza ao poder. Não admira que o descontentamento em relação a este acordo venha de dentro do grupo parlamentar do próprio Syrisa. Foi trabalho perdido e um tempo gasto inutilmente, o que pode vir a ter repercussões graves no estado de espírito do povo grego, condenado a ter de pagar para ficar mais pobre e começar a ter de deixar de acreditar na sua redenção.

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[Nota]: A velocidade dos acontecimentos, relativos à Grécia, retirou alguma oportunidade e atualidade a este texto, escrito e publicado no Alpendre da Lua, ontem à noite.

domingo, 21 de junho de 2015

Grécia: Tsipras e Putin fecham acordo milionário para prolongar gasoduto


O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, conseguiu hoje [ontem] um acordo de 2.000 milhões de euros sobre a extensão do gasoduto russo na Grécia, um acordo que não é bem visto em Bruxelas.
Notícias ao Minuto [Ver mais]

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É do Oriente que vem a luz e o Sol. A Grécia sempre se deu mal com os Poentes da Europa.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

BINGO!... EU TINHA RAZÃO....


BINGO!... EU TINHA RAZÃO....
E para desafiar ainda mais os parceiros europeus, Tsipras confirmou o encontro da próxima sexta-feira com Vladimir Putin, falando-se já na possibilidade de o Presidente russo garantir um pagamento antecipado à Grécia por conta de um acordo relativo às redes de gás. Uma ajuda para o caso de o dinheiro da troika não chegar a Atenas.
PÚBLICO (de hoje)

Ver aqui 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs | Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda.


Para que a memória não se apague… 

Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs | Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda.

O Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essencial da dívida.
A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra. Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (Entre os países que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.
O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento.
O acordo adoptou três princípios fundamentais: 1. Perdão/redução substancial da dívida; 2. Reescalonamento do prazo da dívida para um prazo longo; 3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.
O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida não poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %.
A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.
O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situação de carência durante a qual só se pagaram juros.
Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos países endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.
Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. 0 que, "trocando por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de dívisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.
EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem.
Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais

Marcos Romão,
jornalista e sociólogo.
27 de Fevereiro de 2013.


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A Alemanha, que beneficiou, em 1953, de um generoso perdão das suas astronómicas dívidas externas, contraídas em sequência das duas guerras mundiais, que desencadeou na Europa, recusa-se agora, com uma desmedida arrogância, a renegociar e a reestruturar a dívida de um país que, na altura, sendo um dos seus principais credores, lhe perdoou uma parte importante dos respetivos créditos: a Grécia.
AC

Credores andam há "cinco anos a pilhar a Grécia", afirmou Tsipras


Credores andam há "cinco anos a pilhar a Grécia", afirmou Tsipras

Esta segunda-feira, Tsipras emitiu um comunicado, a que o Financial Times teve acesso, no qual assegura que não está disposto a insistir em mais medidas de austeridade.
“Só podemos suspeitar que há motivações políticas por trás do facto de insistirem em mais cortes nas pensões, apesar de cinco anos de pilhagem”, acusa o Chefe do Executivo helénico.

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Entrava pelos olhos dentro que a grande pressão da Alemanha e dos parceiros europeus, com aquele absurdo Plano de Ajustamento, não pretendia ajudar a Grécia e Portugal. Eles sabiam que, ao obrigarem os dois países a rapidamente equilibrarem o défice orçamental, impondo dolorosas medidas de austeridade sobre a população, iriam promover um elevado e irreversível desemprego e uma diminuição da riqueza nacional (PIB). Eles sabiam que uma enorme franja da classe média iria passar para os limiares da pobreza. Eles sabiam que a fome e a falta de cuidados de saúde iriam dramaticamente atingir a população mais desfavorecida. Ele sabiam que os dois países nunca mais poderiam pagar a dívida que lhes foi imposta. Eles sabiam disto tudo. Mas, o mais grave, é que é isto que eles querem que venha a acontecer, para que os gregos e os portugueses, uma vez atingida a indigente miséria, se ponham de joelhos, não podendo já resistir ao saque das riquezas dos dois países ( exploraração da mão de obra barata e a obtenção de concessões majestáticas sobre os mares das respetivas ZEE's). E Alexis Tsipras foi o primeiro político a denunciar esta armadilha, de que eu tenho vindo a falar no meu blogue.
Perante estas evidências, que a vergonhosa cumplicidade dos partidos do "arco da traição" [PSD, CDS e PS] procura esconder da opinião pública, aqueles portugueses que continuarem a apoiar convictamente ou ingenuamente a acreditar na bondade dos dirigentes da UE [que se encontram a soldo do capitalismo financeiro e do novo imperialismo alemão], estão a contribuir para a babilónica escravidão futura do povo grego e do povo português. 
Urgentemente, os portugueses têm de escolher líderes corajosos e clarividentes que enfrentem com coragem a tirania da Alemanha e a arrogância dos tecnocratas de Bruxelas.
AC

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Notas do meu rodapé: E se a Rússia e a China viessem em socorro da Grécia?...


E se a Rússia e a China viessem em socorro da Grécia? ...

Eu ainda acredito que o governo da Grécia possa ter na manga uma alternativa segura e secreta, em relação à sua saída, mais que provável, da esfera da zona euro. Possivelmente, os dirigentes gregos apenas estarão à espera de um forte pretexto para, na eventualidade de um fracasso das atuais negociações, justificarem, perante o mundo e perante o povo grego, o endosso do ónus da culpa sobre os dirigentes europeus.
Essa alternativa poderá estar a ser negociada secretamente com a Rússia e a China, países que poderão vir a obter generosas concessões na exploração das jazidas de gás e de  petróleo do mar Jónico e do mar Egeu, em troca de contrapartidas financeiras ajustadas, que garantiriam a independência da Grécia em relação ao FMI e aos mercados financeiros da Europa e dos EUA. E os Países Ocidentais não poderão, posteriormente, vir a condenar este negócio, já que, aparentemente, se desinteressaram da Grécia e do sofrimento do seu povo.
Com a saída da zona euro, a Grécia teria de abandonar a UE, e, a seguir, por sua iniciativa soberana, sairia da Nato, ficando assim aberto o caminho para outras alianças estratégicas com aqueles dois países, de elevado peso no xadrez internacional. Para a Rússia e para a China seria como espetar uma lança, não em África, mas de na própria Europa.
Quebrava-se assim um dos presumíveis pilares da desmedida ambição da Alemanha, que gostaria de assenhorear-se da gestão daqueles águas, através das instâncias europeias, que já manifestaram o seu interesse em centralizar a gestão dos mares que circundam um Europa.
A confirmar-se este cenário (meramente hipotético) estaríamos na presença de um golpe de mestre, em que uma arrogante Europa sairia derrotada e humilhada. Sobraria ainda, para saciar os vorazes apetites imperialistas da Alemanha, a extensa Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal, uma das maiores do mundo, isto no caso de os portugueses continuarem estupidamente a acreditar na bondade das intenções da Alemanha e na dos demais dirigentes europeus a seu mando, assim como na dos seus governantes dos partidos do Arco da Traição, que estão a fazer tudo, com as suas políticas subservientes, para que o povo português, sobrecarregado por uma dívida que lhe foi draconiamente imposta, caia na indigente miséria e se coloque de joelhos para receber umas migalhas do valor dos anéis que terá de vender.
AC

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Ler artigo em Notícias ao Minuto

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Notas do meu rodapé: Da chantagem à humilhação da Grécia


Referendo. A nova arma dos credores para pressionar a Grécia
Sem grandes rodeios, o ministro alemão das Finanças largou a bomba esta segunda-feira: “Se a Grécia quiser fazer um referendo, poderá ser útil”. Foi em Bruxelas, à chegada para a reunião do Euro grupo, que Wolfgang Schäuble admitiu que colocar a decisão nas mãos do povo grego pode ser a solução para a falta de entendimento entre o governo grego e os credores.

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Da chantagem à humilhação da Grécia
Ainda ontem, escrevi num comentário do Grupo "E agora Portugal" que o grande objetivo da Alemanha passou a ser o desejo de provocar uma grande humilhação à Grécia e ao seu governo, legitimamente eleito. Ela, a humilhação, está aí provocantemente escancarada, através das palavras do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, e do presidente do Parlamento Europeu, por acaso (!), também alemão, que cometeram um grosseiro erro ao imiscuírem-se num assunto que apenas diz respeito ao governo grego e ao seu povo. Não é da competência dos órgãos da UE, nem de nenhum dirigente político de um país membro dizer ao governo grego o que deve ou não deve fazer em termos eleitorais, pois isso está escrito na Constituição da Grécia. Além de ser um gesto de intolerável má educação, representa, acima de tudo, uma manifestação de arrogância, de quem sabe que tem muito poder. Ao longo da História, a Alemanha já nos habituou a essa arrogância, irreverente e perigosa.
E os destinatários desta ignominiosa provocação, antecedida por um longo período de manobras chantagistas, não são apenas o povo grego e o seu atual governo. A provocação também pretende constituir-se num sério aviso a todos os povos e a todos os governos da Europa que ousem discordar do pensamento único e totalitário do governo alemão e das suas domesticadas extensões nos órgãos comunitários.
Não devemos ter medo da ameaça, nem entregarmo-nos às inevitabilidades da resignação. E isto, porque somos nós que temos razão, ao querer defender a soberania dos povos, que está a ser agredida pela Alemanha, servindo-se do seu ascendente nos órgãos decisórios da UE, o que lhe permite que também já ande a propor a necessidade de centralizar na Comissão Europeia a gestão dos mares circundantes ao velho continente, ao mesmo tempo que lançou a ideia de se constituir um exército europeu. São mais que evidentes as tentativas de assalto à soberania dos povos europeus.

Alexandre de Castro

domingo, 19 de abril de 2015

Grécia deve assinar acordo energético com a Rússia nos próximos dias


O Governo grego vai assinar um acordo energético com a Rússia, já na próxima semana. A notícia está a ser avançada pela revista alemã Der Spiegel, que cita fontes do Syriza, o partido do primeiro-ministro grego.
A assinatura vai permitir a Atenas receber até 5 mil milhões de euros em pagamentos antecipados, numa altura em que os cofres públicos estão praticamente vazios. 
Em causa, está o gasoduto que a Rússia quer ter pronto até 2019 e que vai permitir ligar o país à Europa. A Grécia pode receber já os futuros benefícios, por ser um dos países por onde vai passar a estrutura.
Entretanto, continua sem chegar a acordo com os credores internacionais. O plano de reformas grego está a ser discutido em Paris, pelo chamado "grupo de Bruxelas", que integra membros da troika. Contudo, os técnicos já avisaram que não estão satisfeitos com a falta de progressos nas negociações.

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Este acordo poderá significar o princípio de uma nova era para a Grécia e o fim do euro, para a Europa. Poderá ser também uma grande oportunidade para Putin se vingar das provocações de que a Rússia está a ser alvo, em relação à Ucrânia.
Se a Grécia também avançar com a concessão à Rússia, que tem manifestado esse interesse, da exploração das enormes jazidas de gás e de petróleo no Mar Egeu e no Mar Jónico, e se parte dos pagamentos respetivos puderem ser antecipados, então e cessação dos pagamentos da dívida grega à troika poderá verificar-se, sem as turbulências que uma bancarrota acarretaria, já que o financiamento para as despesas correntes do Estado grego ficaria assegurado, pela Rússia. A turbulência, com consequências políticas, económicas e sociais imprevisíveis, passaria para os países do euro e para todos os países UE, que ficariam a arder, com o passivo da dívida grega.
Perante um cenário desta dimensão, naturalmente catastrófico, ficaria em causa, devido à teimosia e à chantagem da Alemanha e dos seus indefectíveis aliados, a existência da própria União Europeia.
AC

Agradeço ao João Fráguas o envio desta notícia da SAPO.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

O processo de rapina da União Europeia


Ficheiros secretos: Finlândia admite Grexit através da "aprovação silenciosa de outros países"
Nota secreta foi divulgada esta quinta-feira pela imprensa local. No documento, o ministro das Finanças finlandês já se prepara para a saída da Grécia da zona euro. Antti Rinne alerta para o risco de contágio da crise grega aos outros países no sul da Europa.

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Quando a informação - relativa a questões políticas e económicas, que deveria ser aberta e até pública, porque a democracia assim o exige - circula em ficheiros secretos, é porque já não existe a coragem de assumir a verdade. E a verdade, como se pode ver neste caso da Grécia, é que a União Europeia e a moeda única assentam na mentira, uma mentira que apenas serviu para encobrir um gigantesco processo de rapina, que engordou as economias dos países mais ricos, através do engodo das ajudas comunitárias e, posteriormente, da promoção acelerada do endividamento dos países mais pobres do espaço europeu. As ajudas europeias (com os dinheiros de todos os estados membros, que comparticipavam em sessenta por cento o custo dos projetos) tinham por objetivo promover as exportações dos países mais ricos. Eu dou um exemplo. Todo o alcatrão para a pavimentação das auto-estradas e estradas, de Portugal foi importado da Alemanha. O equipamento pesado para a construção civil também veio da Alemanha, na sua maior parte. Com mais auto-estradas e com as facilidades, intencionais e enganadoras, de acesso ao crédito ao consumo, promoveu-se a importação de mais veículos automóveis, fabricados pela Alemanha e por mais três ou quatro países ricos da Europa. É fácil de ver, com este exemplo, que através deste mecanismo o valor acrescentado ficava na Alemanha e nas economias mais desenvolvidas. Com a dívida dos estados dos países da periferia e a dos seus bancos, o esquema de rapina foi o mesmo. Promoveu-se o endividamento para comprar mercadorias e serviços aos países mais ricos e para arrecadar as elevadas mais-valias com os juros.
Isto é a União Europeia. Uma grande multinacional de negócios, que escapa ao escrutínio dos cidadãos, e que tem em Bruxelas o seu conselho de administração. É evidente que a saída da Grécia da zona euro é o sinal mais evidente da desagregação da UE, na qual só alguns ainda acreditam. Os ingénuos e os oportunistas.