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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Pontapés na Gramática!...


Banif vai usar dinheiro do Estado para comprar dívida pública
O Governo exigiu como condição de ajudar o Banif a recapitalizar-se que fossem extinguidas essas garantias, pelo que esses títulos serão devolvidos ao Estado.
Diário Económico
***«»***
Os erros gramaticais começam a não ser exceção na imprensa escrita portuguesa. Se ainda não se constituíram como regra, já começam, por outro lado, a ser irritantemente frequentes.
Há dias, denunciámos aqui um erro gramatical, relativo à confusão destas duas formas gramaticais distintas, «porque» e «por que», que surgiu num artigo do Jornal de Notícias. Hoje trazemos aqui a notícia de um outro erro gramatical, aparecido no Diário Económico, e que se relaciona com a confusão, muito generalizada, aliás, da utilização do particípio passado dos verbos com duas versões para aquela forma nominal, quando são conjugados com os verbos auxiliares ser/estar e ter/haver. 
O verbo extinguir, da terceira conjugação, apresenta duas formas para o particípio passado: a forma regular, «extinguido», que se formou por via popular, durante a evolução da língua, e que se conjuga com verbo auxiliar ter/haver, e a forma irregular «extinto», que é a forma erudita, vinda diretamente do latim, e que se conjuga com o verbo auxiliar ser/estar.
No artigo do Diário Económico, que aqui está em causa, deveria ter sido escrito "que fossem extintas" e não "que fossem extinguidas"
Existem, no entanto, algumas exceções a esta regra.
Eu não percebo a razão da elevada ocorrência deste erro gramatical, já que se trata de uma regra muito simples, de fácil memorização. Eu aprendi-a na minha 4ª classe, e é com tristeza que assisto ao seu constante atropelo na televisão, atropelo este até cometido por personalidades de elevada qualificação.
Talvez fosse interessante instituir o "Observatório dos erros gramaticais da Língua Portuguesa", a juntar às muitas dezenas de observatórios já existentes, e cuja utilidade ninguém percebe. 
http://economico.sapo.pt/noticias/banif-vai-usar-dinheiro-do-estado-para-comprar-divida-publica_159556.html
http://alpendredalua.blogspot.pt/2012/12/pontapes-na-gramatica.html

sábado, 29 de dezembro de 2012

Pontapés na Gramática!...


Por que se pergunta "és de Braga" a quem deixa a porta aberta? - Jornal de Notícias
São muitos os que atiram de pronto um irritado "és de Braga?" quando alguém deixa a porta aberta, mas raros os que conhecem uma explicação minimamente plausível para a utilização daquela expressão.
A explicação mais conhecida para aquela expressão tem, de facto, a ver com o Arco da Porta Nova, que, como o nome diz, é uma nova porta na muralha de Braga mandada construir no início do século XVI pelo arcebispo Diogo de Sousa.
Como, na altura, já não havia guerras e como a cidade já se estendia para fora dos muros, não foi colocada nenhuma porta naquele arco, assumindo-se assim os bracarenses como pioneiros em deixar as portas das muralhas abertas.
A partir daí, os habitantes de Braga ficaram para sempre conotados como aqueles que não fecham a porta.
Jornal de Notícias
***«»***
Mais uma vez, e agora num jornal de referência, como é o Jornal de Notícias, a Gramática foi pontapeada, tal como acontece com os jogadores de futebol, também eles profissionais de referência, quando abrem a boca para falar para um microfone de uma televisão ou de uma rádio. Mas se compreendemos esses jogadores de futebol, porque admitimos que os seus neurónios lhes tenham fugido para os pés, a mesma complacência não pode ser concedida a um jornal que permite deixar passar um erro gramatical nas suas páginas, e, ainda por cima, e para que o erro assuma maior visibilidade, no título de uma notícia.
A confusão que existe, ao nível da linguagem escrita, entre a utilização das expressões "por que" e "porque", é generalizada, e até julgo que a prevalência da ocorrência desta confusão supera aquela outra, já clássica, sobre a utilização da expressão "há", uma forma do verbo haver, e a expressão "à", contração da preposição "a", com o artigo definido "a". 
Numa frase interrogativa, como é a do título desta notícia, a forma correta de a escrever seria: Porque se pergunta "és de Braga" a quem deixa a porta aberta?
"Porque" é um advérbio (antes do verbo), e era este advérbio que,  na frase em questão, deveria ter sido utilizado, a anteceder a forma do verbo "perguntar". Pelo contrário, utilizar-se-ia a expressão "por que", caso se, em vez de um verbo, a frase se iniciasse por um substantivo: Por que razão se pergunta "és de Braga" a quem deixa a porta aberta?
Aqui, não está apenas em causa a distração ou a ignorância do jornalista que escreveu a notícia, mas também as do editor (chefe de secção), que leu o texto, para o poder editar, e as do chefe de redação, que também teve de o ler para lhe hierarquizar a importância, para opções de paginação.
Para compreender melhor a utilização daquelas duas expressões homófonas, em outros tipos de frases, além das frases interrogativas, remeto o leitor, através do link, incluído no final deste texto, para um post deste blogue, onde o assunto é abordado.
Achei interessante a explicação da origem histórica desta frase idiomática, do léxico popular, "és de Braga", origem essa que desconhecia, assim como desconheço a origem daquela outra "vai para baixo de Braga", que tem um sentido civilizadamente insultuoso.
Nota: Há quem me chame carinhosamente picuinhas, por estar sempre (embora com sentido pedagógico e não com acinte crítico) a apontar erros ortográficos, gramaticais e de pontuação. O que sempre digo nestas situações, é que eu também hesito muito em escrever corretamente certas palavras, principalmente no computador, em que deixa de funcionar a memória visual das palavras, ligada à escrita manual. Por isso, tenho sempre junto a mim um dicionário, que, inclusivamente, já utilizei para escrever esta texto. Mesmo assim, não sei se sobrará um qualquer erro gramatical ou ortográfico.
Não tenho a obrigação de saber tudo, em relação à Língua Portuguesa, mas sei que tenho a obrigação de lhe respeitar as regras gramaticais e ortográficas, regras que não são gratuitas nem inúteis, pois têm o objetivo de a disciplinar, para que o discurso escrito seja integralmente entendido, por quem o lê. E é esta filosofia que os jornalistas do Jornal de Notícias devem recuperar.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

“Levantem-se pelo Jornalismo!”: SJ lembra importância da informação


“Levantem-se pelo Jornalismo!”: SJ lembra importância da informação

O Sindicato dos Jornalistas apela aos cidadãos, às empresas e às instituições para que encarem os meios de informação e o Jornalismo como decisivos na vida da comunidade e instrumentos indispensáveis ao progresso económico e social, ao enriquecimento cultural e ao bem-estar.
Em mensagem por ocasião da jornada europeia “Levantem-se pelo Jornalismo!”, que a Federação Europeia de Jornalistas (FEJ/FIJ) promove hoje, dia 5 de Novembro, o SJ salienta que, “a prosseguir a perigosa direcção do desinvestimento” no sector e de redução drástica das redacções, “a informação jornalística, como bem público de decisiva importância na vida da comunidade e estruturante da cidadania e da democracia, está cada vez mais em risco”.
Ver a mensagem aqui: http://www.jornalistas.eu/?n=9018

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Provedor de Justiça sem competência para apreciar "caso dos gravadores"

A Provedoria de Justiça informou o Conselho
Deontológico (CD) do Sindicato dos Jornalistas
não ter competência para apreciar a queixa
que este lhe apresentou contra o deputado
Ricardo Rodrigues, autor do furto de dois
gravadores a jornalistas da revista "Sábado".
... "Esta decisão segue-se a idênticas posições
transmitidas por duas comissões parlamentares,
que igualmente se consideraram incompetentes
para apreciar o caso que teve como protagonista
o deputado do PS".
Comunicado do Sindicato dos Jornalistas e da Provedoria de Justiça
***
Eu não tenho andado a dizer que este é um país de incompetentes?!...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Casa Pia: Tribunal absolve todos os jornalistas acusados


O Tribunal de Oeiras absolveu hoje as duas dezenas
de jornalistas das redacções da SIC, TVI, Expresso,
Visão, Grande Reportagem e Lux que estavam
acusados de ter violado o segredo de justiça no
processo Casa Pia. O tribunal considerou que, em
sede de julgamento, não se fez prova dos factos
constantes do despacho de pronúncia.
Diáio de Notícias
***
Quando os tribunais começarem a condenar jornalistas pelo crime de violação do sacrossanto segredo de justiça, que apenas tem servido, preferencialmente, para branquear ou encobrir da opinião pública os crimes dos dirigentes políticos, preparai-vos, pois vem aí a caminho a democracia musculada, uma forma eufemística de uma verdadeira ditadura, e que começará a cercear a liberdade de imprensa, para mais facilmente exercer o seu poder autocrático, que o povo, por ausência de informação credível e independente, sufragará sem pestanejar!
Os processos Casa Pia e Face Oculta mostraram à saciedade como o poder político é capaz de subverter a equidade da justiça e ameaçar a independência da comunicação social.

O Conselho Deontológico do SJ alerta para uso indevido de redes sociais como fonte de informação...



O Conselho Deontológico (CD) do Sindicato dos
Jornalistas alerta os profissionais dos média para
a necessidade de contenção no uso de redes sociais
como fonte de informação do jornalismo.
O CD, em Recomendação divulgada hoje, 12 de
Fevereiro, chama a atenção dos profissionais dos
órgãos de comunicação social para os princípios
do Código Deontológico dos jornalistas portugueses,
nomeadamente no que toca à obrigação de relatar
os factos com rigor e exactidão e ouvir as partes
atendíveis no caso. O alerta resulta de uma reflexão
sobre o uso, cada vez mais frequente, de blogues e
redes sociais na construção de notícias, que se têm
vindo a revelar como “potenciadoras de atropelos
dos deveres jornalísticos”.
Sindicato dos Jornalistas
***
O rigor e a total isenção da informação jornalística só podem ser asseguradas com o reconhecimento da absoluta fidedignidade das fontes. Violar este nobre princípio ético e deontológico não dignifica a profissão nem credibiliza a comunicação social junto do cidadão. Os maus exemplos de falta de ética de alguns políticos e de alguns altos magistrados judiciais não podem, por mimetismo, contagiar a essência e a prática de um jornalismo livre e independente, que se deve sobrepor aos interesses instalados dos poderes económicos e à influência das orientações político-partidárias.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Quanto menos diferenciado, tanto mais explorado...



Trabalhadoras de limpeza "chantageadas" e "exploradas" no Hospital de S. José


Por Alexandre Lopes de Castro

Denúncia parte de um sindicalista que acusa a empresa Iberlim de discriminar funcionárias que são sindicalizadas ao nível dos salários

As trabalhadoras da empresa de limpeza Iberlim que prestam serviço no Hospital de S. José (Centro Hospitalar de Lisboa Central) dizem que estão a ser vítimas de um processo repressivo e chantagista, por parte da sua entidade patronal, alegadamente devido à sua recusa, a conselho do sindicato, em integrar o piquete dos serviços mínimos durante uma greve de 8 de Maio de 2009. Esta greve, que teve uma adesão de 85 por cento, foi desencadeada para protestar contra a discriminação salarial dos trabalhadores inscritos no Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpezas Domésticas, e de Actividades Diversas (STAD).
A acusação parte de Carlos Trindade, dirigente do STAD, que, em declarações ao PÚBLICO, sustentou que "a Iberlim está a pôr em causa o direito constitucional à livre sindicalização das trabalhadores, utilizando, como arma de repressão, os processos disciplinares". Alguns destes processos foram instaurados na sequência da desobediência ao piquete dos serviços mínimos. O mesmo dirigente entende que a empresa em causa usa "como arma de chantagem" a possível suspensão desses mesmos processos e o fim da discriminação salarial, "desde que a trabalhadora assine uma carta, previamente escrita, apresentada pela entidade patronal, e endereçada ao advogado da empresa". Nessa carta, a que o PÚBLICO teve acesso, a trabalhadora é levada a "pedir desculpa" à Iberlim por não ter integrado o piquete dos serviços mínimos e a afirmar ter sido "mal informada" pelo STAD. A seguir, e segundo informou Carlos Trindade, "a funcionária da Iberlim que medeia esta operação chantagista sugere, directa ou indirectamente, à trabalhadora que anule a sua inscrição no sindicato e deixe de pagar as quotas, através do desconto do salário, feito directamente pela empresa".
"Trata-se de um processo de chantagem e de coacção psicológica sobre as trabalhadoras... um verdadeiro terrorismo laboral", afirmou, indignado, aquele dirigente sindical.
Este conflito laboral iniciou-se no princípio de 2009, quando a Iberlim começou a explorar a concessão do serviço de limpeza de um conjunto de hospitais, integrados no Centro Hospitalar de Lisboa Central.
O STAD enviou à Administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central uma carta a solicitar uma audiência, a fim de denunciar o que o sindicato considera os atropelos às leis laborais que estão a ocorrer num espaço sob a sua jurisdição, embora aquela entidade não tenha nenhuma responsabilidade sobre as empregadas de limpeza. Segundo Carlos Trindade, até ao momento ainda não foi recebida qualquer resposta por parte da administração daquele hospital. Também o PÚBLICO, apesar das tentativas, não obteve da Iberlim qualquer reacção às acusações que lhe são feitas.
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Nota: Na edição papel do PÚBLICO, de 12 de Janeiro, onde foi publicado este meu artigo, encontra-se um outro, complementar a este, e que, na versão da internet, não aparece, devido a um erro informático.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mais um golpe baixo do governo de Sócrates contra os jornalistas


Legislar sobre assuntos importantes em fim de legislatura e, para mais, em plena campanha eleitoral, é uma habilidade conhecida do Partido Socialista, que, deste modo, consegue furtar-se ao escrutínio público, não dando tempo aos mais directamente interessados para exprimir as suas opiniões e contrapor as suas propostas.
Foi o que aconteceu agora, em relação aos estágios dos jornalistas, como no passado já acontecera com a aprovação precipitada do licenciamento do Freepot numa área protegida, na última reunião do conselho de ministros do governo Guterres.
O governo, através dos ministros dos Assuntos Parlamentares e o do Trabalho e Solidariedade Social, propôs a alteração da portaria que regulamenta o estágio de início de profissão dos jornalistas, mesmo em cima da data limite para ser aprovada ainda nesta legislatura, não dando tempo para que esta sensível matéria, importantíssima pela sua repercussão na qualificação profissional e na dignificação do trabalho dos estagiários, fosse serenamente discutida. Ignorando as sucessivas propostas do Sindicato dos Jornalistas, a proposta do governo continua a meter no mesmo saco e a não clarificar a diferença entre os estágios curriculares de fim de curso e os estágios de início de profissão, o que vai continuar a proporcionar às empresas a utilização abusiva daqueles estagiários. Aos primeiros, colocando-os a fazer trabalhos jornalísticos, como de jornalistas se tratassem, mas sem qualquer remuneração. Aos segundos, negando-lhes o direito a um contrato de trabalho, que é obrigatório por lei.
Com esta precipitada decisão, o governo presta mais um serviço aos patrões da comunicação social e dá mais um dos seus contributos para a desejada degradação de uma profissão.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Quem tem medo dos jornalistas?

É conhecida a aversão endémica que José Sócrates tem pelos jornalistas. Compreende-se por quê! Eles atravessaram-se implacavelmente no seu caminho, perturbando-lhe a cavalgada triunfal no poder e expondo perante a opinião pública o lado obscuro de um passado, marcado por situações confusas e pouco transparentes. O caso dos prédios da Covilhã, o conturbado processo da obtenção da sua licenciatura numa universidade medíocre e sem qualquer credibilidade e, acima de tudo, o caso Freeport arrasaram-lhe o prestígio. E tudo isso foi desencadeado por jornalistas, que com o seu laborioso trabalho de investigação, carrearam as provas suficientes para, no mínimo, dar uma sustentação fundamentada à tese da suspeição, e que José Sócrates rapidamente transformou em tese de conspiração.
Nunca houve em Portugal, a partir do 25 de Abril, um primeiro ministro envolvido em tantas trapalhadas, assim como nunca houve um primeiro ministro, que incriminasse tantos jornalistas. Que me recorde, a nível mundial, e exceptuando os ditadores, poucos são os dirigentes políticos que tivessem apresentado tamanho currículo.
O facto de José Sócrates requerer a reabertura de um processo, contra o jornalista João Miguel Tavares, que já tinha sido arquivado pelo Ministério Público, por falta de fundamentação jurídica, revela bem a sanha persecutória que o anima. Além de todos os epítetos que já lhe atribuíram, pode acrescentar-se-lhe mais um. O de vingativo. E nestas eleições, o lado da moral da política também vai ser avaliado pelos eleitores.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Editorial do PÚBLICO de hoje


O caso das suspeitas de Belém não acabou ontem

José Manuel Fernandes


Uma vez que este editorial – sobre o afastamento de Fernando Lima da chefia do gabinete de assessoria para a comunicação social do Palácio de Belém – será lido com mil lupas e, se se mantiver o registo dos últimos dias, facilmente treslido, comecemos por relembrar os factos essenciais.

Primeiro facto: há 17 meses um editor do PÚBLICO enviou uma mensagem a um jornalista pedindo-lhe para apurar um conjunto de factos. Esse jornalista não apurou nenhum elemento que fosse susceptível de ser noticiado, e nada foi noticiado. Dados fornecidos por uma só fonte que se quer manter anónima não são notícia no PÚBLICO.

Segundo facto: a 18 de Agosto o PÚBLICO editou uma notícia, baseada numa fonte identificada como “membro da Casa Civil do Presidente da República” em que esta assumia que esta se interrogava: “Será que em Belém passámos à condição de vigiados?” Uma tal suspeição, assumida por uma fonte do Palácio de Belém, é notícia em qualquer parte do mundo. No dia seguinte essa notícia não só não foi desmentida, como foi confirmada por outros órgãos de informação. Escrevi então em editorial: “Se a Presidência da República quis que se soubesse das suas suspeitas sobre o não cumprimento das regras do jogo por alguns actores políticos é porque sente que pode ficar no olho da tempestade depois das eleições de 27 de Setembro”.

Terceiro facto: quase um mês depois desta notícia, parte do conteúdo de uma troca de mensagens entre a direcção editorial do PÚBLICO, um editor e um jornalista, trocadas exclusivamente no interior do jornal, é entregue a um jornalista da secção política do Expresso. Essa entrega, feita em papel, não foi realizada por ninguém do PÚBLICO, como já explicou o director daquele semanário. O mesmo material terá sido poucas horas depois encaminhado para o Diário de Notícias, uma vez que o Expresso informou a sua fonte que primeiro teria de investigar o significado dessas mensagens. Já o Diário de Notícias optou por revelar correspondência privada com o objectivo de expor a fonte da notícia de 18 de Agosto. Não se sabe como esse conjunto de mensagens saiu para fora do PÚBLICO nem o DN esclareceu como as recebeu.

Estes são os factos essenciais. Sobre o comportamento dos vários órgãos de informação envolvidos já muito foi escrito. É matéria de opinião que envolve directamente o PÚBLICO sobre a qual não nos pronunciaremos nem hoje, nem aqui. Relevante é analisar os factos políticos, não os factos mediáticos.

A primeira questão que se coloca é a de saber se o afastamento de Fernando Lima corresponde ao assumir pela Presidência da República de que as notícias sobre as suas suspeitas de estar a ser vigiada eram falsas ou, então, exageradas. As declarações feitas ainda em Agosto pelo Presidente, assim como o que disse na sexta-feira passada, já depois das notícias sobre Fernando Lima, não permitem concluir que essas suspeitas não existem. Mais: se o Presidente as quisesse por fim desmentir teria ontem podido fazê-lo ao afastar o seu assessor das suas anteriores responsabilidades. De novo isso não aconteceu. Só aconteceu o que não podia deixar de acontecer: Fernando Lima deixou de ter condições pessoais e políticas para falar aos jornalistas, logo foi afastado das relações com a comunicação social.

A segunda questão a discutir, e a mais importante, é o comportamento da Presidência da República. Na verdade, ao permitir que esta questão assumisse a dimensão que assumiu, Cavaco Silva, que já iria estar no olho da tempestade depois das eleições, colocou-se no olho de outra tempestade antes delas. Por isso, das duas, uma: ou a seguir a 27 de Setembro fundamenta as suas suspeitas, e age em conformidade, ou se se limitar a iniciativas pífias terá enfraquecido a sua autoridade como Chefe de Estado, porventura de forma irremediável. Sendo que este processo não se resolve com uma simples queixa à Procuradoria-Geral da República ou o rastreamento do Palácio de Belém para descobrir eventuais aparelhos de escuta. E ninguém perdoará se se perceber que as suspeitas ou não existiam, ou não tinham fundamento, ou eram simplesmente paranóicas.

Há porém uma terceira questão que não pode ser esquecida: a forma como este tema “rebentou” num jornal, isto é, as condições em que correspondência interna do PÚBLICO saiu deste jornal e quem a levou a um jornal que não quis fazer investigação própria, ao contrário do Expresso.

PS. Este jornal deve um esclarecimento de facto aos seus leitores: ao contrário do que afirmou o Provedor do Leitor, ninguém nesta empresa lhe “vasculhou” a correspondência electrónica. O PÚBLICO continua sim a ser o espaço de liberdade que lhe permitiu fazer as críticas que fez.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Opinião: O PS de Sócrates é contra a liberdade

Eduardo Cintra Torres *


A decisão de censurar o Jornal Nacional de 6ª (JN6ª) foi tudo menos estúpida. O núcleo político do PS-governo mediu friamente as vantagens e os custos de tomar esta medida protofascista. E terá concluído que era pior para o PS-governo a manutenção do JN6ª do que o ónus de o ter mandado censurar. Trata-se de mais um gravíssimo atentado do PS de Sócrates contra a liberdade de informar e opinar. Talvez o mais grave. O PS já ultrapassou de longe a acção de Santana Lopes, Luís Delgado e Gomes da Silva quando afastaram a direcção do DN e Marcelo da TVI.A linguagem de Santos Silva e do próprio Sócrates na quinta-feira sobre o assunto não engana: pelo meio da lágrimas de crocodilo, nem um nem outro fizeram qualquer menção à liberdade de imprensa. Falaram apenas dos interesses do PS e do governo. Sócrates, por uma vez, até disse uma verdade: o PS não intervinha no JN6ª. Pois não, foi por isso que varreu o noticiário do espaço público.O PS-Governo de Sócrates não consegue coexistir com a liberdade dos outros. Criou uma central de propaganda brutal que coage os jornalistas. Intervém nas empresas de comunicação social. Legisla contra a liberdade. Fez da ERC um braço armado contra a liberdade (a condenação oficial do JN6ª pela ERC em Maio serviu de respaldo ao que aconteceu agora). Manda calar os críticos. Segundo notícias publicadas, pressiona e chantageia empresários, procura o controle político da justiça e é envolvido em escutas telefónicas. Cria blogues de assessores com acesso a arquivos suspeitos que existem apenas para destruir os críticos e os adversários políticos. Pressiona órgãos de informação. Coloca directa ou indirectamente “opiniões” e “notícias” nos órgãos de informação. Etc.O relato da suspensão do JN6ª, no Jornal de Notícias e no Diário de Notícias e outros jornais de ontem é impressionante, sinistro e muito perigoso. Provir de supostos “socialistas”, portugueses e espanhóis, em nada diminui a gravidade desta censura. Esta suposta “esquerda” dos interesses, negócios e não resolvidos casos de justiça é brutal.Intervindo na TVI, o PS-Governo atingiu objectivos fundamentais. Como disse Mário Crespo (SICN, 03.09), o essencial resume-se a isto: J.E. Moniz e M. Moura Guedes foram eliminados —e com eles as direcções de Informação e Redacção e um comentador independente como V. Pulido Valente. Este PS-Governo é muito perigoso para a liberdade. Até o seu fundador está preso nesta teia, por razões que têm sido referidas. Ao reduzir a censura anticonstitucional, ilegal e protofascista do JN6ª a um caso de gestão, Soares desceu ao seu mais baixo nível político. É vergonhoso que seja ele, o da luta pela liberdade, a dizer uma coisa destas. Será que em 1975 o República também foi calado só por “razões de empresa”?O PS-governo segue o mesmo caminho de Chàvez, ao perseguir paulatinamente, um a um, os seus críticos: e segue o mesmo caminho de Putin, ao construir uma democracia meramente formal, em que se pode dizer que a decisão foi da Prisa não dele, em que se pode dizer que os empresários são livres, que os juízes são livres, que os funcionários públicos são livres, que os professores são livres, que os jornalistas são livres, que a ERC é livre, etc — mas o contrário está mais próximo da verdade. Para todos os efeitos, Portugal é uma democracia formal, mas estas medidas protofascistas vão fazendo o seu caminho. Não dizia Salazar que Portugal era mais livre que a livre Inglaterra? Sócrates e Santos Silva dizem o mesmo.
PÚBLICO online 04/09/2009
*Eduardo Cintra Torres é crítico de televisão e escreve no PÚBLICO

sábado, 5 de setembro de 2009

A promoção ao "Jornal Nacional" da TVI censurada

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Segundo o Expresso, este vídeo promocional teria sido censurado, tendo desagrado à administração da Media Capital, que resolveu afastar Manuela Moura Guedes da apresentação do Jornal Nacional de 6ª feira. No entanto, outras fontes revelam que a drástica e polémica medida teria vindo directamente de Madrid, da administração da Prisa.

Sócrates ataca TVI e Manuela Moura Guedes [Entrevista 21-04-2009 @ RTP1]





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Portugal não pode ter um primeiro ministro que, deliberadamente, confunde uma crítica ou uma "suspeição fundamentada" com um insulto e que, da liberdade de imprensa, tem um conceito redutor, típico de um aprendiz a ditador. O condicionamento da liberdade de imprensa, invocando os mais variados pretextos, desde o da ameaça à segurança do Estado, como fez Salazar, até à necessidade de defender a honaribilidade de pessoas e das instituições, como defende José Sócrates, é sempre um recurso daqueles políticos obcecados com o pensamento único e com a necessidade de um Estado musculado, que limite as liberdades individuais.
José Sócrates, na sua cruzada de tentar abafar o seu envolvimento no caso Freeport e de desviar as atenções da opinião pública, assume o cínico papel de dama ofendida e acusa os jornalistas, que, através das suas investigações, referiram factos, que a justiça está a averiguar. É estranho que nunca lhe tenha ocorrido processar o Serious Fraud Office do Reino Unido, que foi a primeira entidade policial a considerá-lo suspeito do crime de corrupção passiva, num relatório enviado às autoridades judiciais portuguesas, e que, verdadeiramente, deu origem às posteriores investigações dos jornalistas, que, entretanto, num trabalho meritório, foram recolhendo novos factos comprometedores.
Se o lesse, José Sócrates iria considerar este pequeno apontamento como um insulto à sua pessoa, quando, na realidade, é apenas a expressão do exercício da liberdade crítica de um cidadão, que tem todo o direito, baseado na interpretação dos factos do seu conhecimento, de desconfiar da presuntiva inocência do actual primeiro ministro.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Um acto censório inadmissível num regime democrático...


Quando José Sócrates, no último Congresso do PS, e numa atitude autoritária sem precedentes na democracia portuguesa, anatematizou grosseiramente o programa de informação Jornal Nacional de sexta feira da TVI, apresentado por Manuela Moura Guedes, deu um sinal claro à administração da TVI de que o programa deveria ser suspenso e de que toda a investigação sobre o caso Freeport, onde ele aparece envolvido, não deveria ser publicada. A equipa de investigação jornalística daquele programa deverá ter na sua mão material informativo, altamente explosivo, que, em virtude da aplicação do princípio do contraditório, será do conhecimento do primeiro ministro, sabendo-se agora que ele iria ser publicado na próxima sexta feira, em pleno período da campanha eleitoral e a três semanas da realização das eleições legislativas. A actual administração da TVI, já desenvencilhada da presença de José Eduardo Moniz, que não tinha a intenção de abdicar do exercício de um jornalismo livre e responsável, aguardou até ao último momento a possibilidade de domesticar a direcção de informação, o que não teria conseguido, tendo recorrendo in extremis à suspensão do programa.
É evidente que não vai ser possível demonstrar a interferência directa do governo nesta obscena e escandalosa decisão, que agride perigosamente a liberdade de informação. Mas a interferência indirecta do governo está mais que provada, e isso, além de obsceno e escandaloso, é também inadmissível, principalmente se se considerar que a atitude vem de um partido que se diz socialista e democrático.
José Sócrates pretende a todo custo abafar o caso do Freeport, que foi relançado por mérito da Serious Fraud Office, do Reino Unido, que o considerou suspeito do crime de corrupção passiva, e não pelo mérito das autoridades policiais e judiciais portuguesas, que, incompreensivelmente, mantiveram paradas as investigações desde 2005. A tentativa de intimidar os actuais magistrados, titulares do respectivo processo, um crime grave que parece que não vai ter consequências penais, tal é a impunidade reinante no país, foi o primeiro sinal de que José Sócrates iria arriscar tudo por tudo para ser considerado ilibado de qualquer culpa.
Perante este atentado à liberdade de informação, chegou a hora de clarificar definitivamente esta escabrosa situação, pois se os portugueses podem conviver com um primeiro ministro incompetente e demagogo, não podem, contudo, admitir um primeiro ministro eventualmente corrupto.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Imprensa escrita: a sua morte lenta...



A imprensa escrita está a morrer lentamente. Entre os jornais generalistas, resistem os de maior tiragem, e, mesmos nestes, a crise já vai começando a bater-lhes à porta. Foi o que se passou recentemente no PÚBLICO, onde um acordo arrancado à última hora evitou piores cenários, e, há uns meses atrás, no Diário de Notícias e no Jornal de Notícias, onde ocorreram despedimentos de jornalistas.
A cidade do Porto arrisca-se a perder mais um seu jornal histórico, O Primeiro de Janeiro, cuja saída para as bancas continua a ser garantida por jornalistas e trabalhadores que não recebem o seu salário. Para trás, devorados pela voragem da mudança e de outras crises passadas, sucumbiram títulos que marcaram o tempo da minha geração: Diário de Lisboa, Diário Popular, O Século, O Diário.
As explicações para esta atrofia da imprensa escrita generalista são muitas, embora, cada uma delas contribua com graus diferentes de responsabilidade. A actual crise económica é a mais recente, mas não é aquela que tem maior peso e importância. A crise da imprensa escrita generalista já vem de trás, com a insidiosa mudança de hábitos de leitura e com o desenvolvimento da frente informativa das televisões e dos jornais digitais e de outros veículos de informação, disponíveis na internet. Por cada dia que passa, um número crescente de pessoas deixa de comprar o seu jornal habitual para começar a ler as edições on line dos jornais, encontrando aí tudo o que precisa para estar minimamente informado com a actualidade no país e no mundo.
E perante esta mudança, só haveria um processo de contrariar um pouco este irreversível processo de decadência, passando as redacções dos jornais a aprofundar o jornalismo de investigação, que ainda não seduziu o espaço informativo on line, concentrados que estão, os seus meios, em apenas explorar a informação instantânea, em cima da hora. Esta opção exigiria, no entanto, mais investimento das respectivas administrações, uma vez que os custos desse eixo da actividade jornalística são muito mais elevados. As administrações preferiram ter os seus jornalistas nas redacções, à espera que as notícias caíssem na sua mesa de trabalho.
Esta inação também se acentuou com o súbito aparecimento das agências de informação, ligadas a organismos públicos e privados. O governo de José Sócrates explorou até ao tutano o trabalho dessas agências de informação, roubando a iniciativa que Santana Lopes não teve tempo de colocar de pé, e que, sem qualquer dúvida, veio provocar o empobrecimento da pluralidade de que o verdadeiro jornalismo não pode priscindir, bem como veio acentuar o afunilamento da informação. A agenda mediática passou a ser comandada por essas agências, com algumas delas a praticarem um jornalismo mercenário, talhado à medida dos interesses dos clientes que servem. As redacções passaram a ser, na sua generalidade, uma mera correia de transmisão da informação veiculada pelas agências.
Estamos a assistir ao ritual do funeral da imprensa escrita generalista, cuja morte já vinha sendo anunciada há muito tempo.