Mostrar mensagens com a etiqueta País Alemanha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta País Alemanha. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Portugal, o bom aluno da troika: trabalhar e empobrecer?





Portugal, o bom aluno da troika:
trabalhar e empobrecer? (*)

Ouvindo os nossos políticos e os comentadores encartados, até nos parece que tubo corre bem, entre os carris que nos ligam Europa. Mas não é bem assim. Portugal será sempre um país de baixos salários e de empregos precários, porque isso interessa muito à economia da Alemanha, que assim aumenta a competitividade para os produtos das suas multinacionais, que instalaram no nosso país as respectivas estruturas fabris, e que, não satisfeitas com a competitividade elevada, que os baixos salários dos trabalhadores portugueses proporcionam, ainda recorrem ao outsourcing, para aumentá-la ainda mais.
Este vídeo foi feito por um canal televisivo da Alemanha, que aborda com muita clareza e seriedade os efeitos devastadores do governo da troika. Por isso, não admira que Passos Coelho, enquanto primeiro-ministro, tivesse visitado várias vezes a sede da Bosch. Não foi, de certeza, para ouvir os trabalhadores.

(*) Vídeo enviado pela minha amiga Helena Viegas.

Alexandre de Castro
2017 11 24


terça-feira, 16 de maio de 2017

Merkel e Macron dispostos a alterar tratados europeus...


Merkel e Macron dispostos a alterar tratados europeus
Os dois defenderam ainda um "novo dinamismo"
 na relação franco-alemã, com Merkel a anunciar a
realização a curto prazo de um "conselho de ministros
franco-alemão para apresentar projetos bilaterais
suscetíveis de dar uma nova dinâmica
aos nossos trabalhos".


Agora, os dois colossos da Europa até já falam na criação de um Conselho de Ministros franco-alemão, para melhor imporem a sua vontade e promoverem a defesa dos seus interesses, na UE. Depois, no domesticado Conselho Europeu, os outros países, também com governos domesticados, através dos dois partidos da "alternância democrática", assinam de cruz. E é esta a democracia europeia, em que até o Parlamento Europeu, eleito directamente pelos cidadão, não tem voto na matéria.
Alexandre de Castro
2010 05 16

quinta-feira, 14 de abril de 2016

ICH BIN EIN BERLINER PT


Vídeo enviado pelo meu amigo / irmão Jorge M. Ribeiro

Portugal vai ficar sem anéis e sem dedos...

Um dia, daqui por alguns anos, quando se fizer o balanço das relações económicas no espaço europeu, chegaremos à conclusão de que o saldo será negativo para Portugal e muito favorável para a economia alemã.
É certo que os dinheiros dos fundos europeus, em que a maior tranche pertenceu à Alemanha, foram decisivos para o desenvolvimento das infraestruturas de Portugal. Mas também é certo que muitos dos equipamentos, como, por exemplo, a maquinaria pesada paras as industrias e para a construção civil,  assim como material de guerra (submarinos), foram importados da Alemanha. Até o alcatrão para as auto estradas veio todo da Alemanha. A economia alemão cresceu à custa das exportações para os países da periferia - Portugal, Grécia e, em menor escala, a Itália.
Também, a nível financeiro, funcionou um esquema predador, que permitiu transferir riqueza dos países da periferia para a Alemanha. Entre amortizações e juros, os bancos alemães reembolsaram grande parte do dinheiro que emprestaram aos bancos portugueses, para estes emprestarem aos jovens, a fim de comprarem casa própria. Como o esquema começou a falhar, devido aos incumprimentos das famílias, a Alemanha socorreu-se da troika, para impor a austeridade, o que veio permitir que a dívida privada dos bancos fosse transferida para a dívida pública, pelo engenhoso processo de forçar o endividamento do Estado português, perante as entidades europeias e o FMI. Será o dinheiro da austeridade que, através de um complexo sistema de operações financeiras, irá limpar parte dos produtos tóxicos dos grandes bancos alemães. A outra parte será paga com o dinheiro das privatizações.
Deste modo, Portugal vai ficar sem anéis e sem dedos.

domingo, 1 de novembro de 2015

Quem sai aos seus não degenera...

Imperador Guilherme II da Alemanha

Em Maio de 1900, eclodiu na China a segunda guerra do século XX, um século que haveria de conhecer muitas mais, o que fez dele o século mais sangrento de sempre. A primeira guerra, a  Guerra Boér, na África do Sul, apanhou a dobragem do século e acabou, com a vitória das forças militares do Império Britânico, em Maio de 1900.
Na China, também em Maio, os boxers [punhos harmoniosos e justiceiros] desafiaram a autoridade do imperador e marcharam sobre Pequim, assassinando pelo caminho todos os estrangeiros e saqueando e destruindo todos os seus bens. De imediato, se formou uma coligação internacional,  envolvendo os Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, Itália, França e Japão, que naquele país tinham interesses, para, através de uma acção militar punitiva, esmagar a rebelião. Não sei se, na altura, já estava na moda o argumento das armas de destruição maciça e massiva.
A Alemanha enviou para a China quatro mil soldados, que embarcaram num porto do Mar do Norte, embarque esse que teve honras da presença do imperador Guilherme II, que, no seu patriótico discurso, afirmou:

“Quando encontrardes o inimigo, derrotá-lo-eis. Não dareis tréguas, não fareis prisioneiros. Que todos quanto vos caírem nas mãos fiquem à vossa mercê. Tal como os Hunos, há mil anos, sob o comando de Átila, ganharam uma reputação de virtude, que lhes deu um lugar na tradição da história, que também o nome da Alemanha fique de tal modo conhecido na China, que nenhum chinês volte alguma vez a ousar sequer olhar um alemão de soslaio

Os chineses, ainda hoje, tremem de medo, quando alguém pronuncia a palavra Alemanha, e os chineses que vivem na Alemanha têm um cuidado muito especial, quando olham para um alemão, não vá o diabo tecê-las.
Destaquei e enquadrei as palavras de Guilherme II para assinalar que a assumpção do militarismo, do totalitarismo, do profundo desprezo pelo “outro” e pelo “inimigo”e a exibição arrogante da superioridade da raça não começaram com Hitler. Tiveram antecedentes. E também têm sucessores condignos, que, em vez dos canhões e das baionetas, utilizam as armas financeiras para dominar os povos.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A propósito da burla da VW e da armadilha da dívida soberana...


7.10.15

Mestres dos disfarces
Quando foi repetidamente afirmado, até por diretores do FMI, que as intervenções da Troika na Europa do Sul foram concebidas de forma a salvar, não os países, mas os bancos alemães, muitos foram os que não acreditaram ou encolheram os ombros: pois os alemães, os rectos, honestos, diligentes alemães seriam lá capazes de tal vil manipulação? O problema está, tinha que estar — como sempre — na preguiça, nos gastos desregulados, na incompetência, dos que vivem junto das praias quentes do sul. De Berlim, só pode vir a probidade, o rigor e a retidão. Sabe-se agora que o custo total da fraude da Volkswagen poderá ultrapassar os cem mil milhões de euros, e que o custo económico real será várias vezes esse valor. Os rectos, honestos, diligentes, alemães fizeram algumas vis manipulações, em larga escala e com uma significativa rede de cumplicidades, neste caso, afinal. Wolfgang Münchau, do Financial Times, antevê: «a minha expectativa é que a VW seja mantida viva através de alguma combinação de ajudas ocultas ou visíveis por parte do estado.» Assim como já fomos chamados a salvar os bancos alemães, resta-nos saber quanto é que nos cabe na fatura das ajudas ocultas à indústria automóvel germânica. Ela chegará, não duvidemos, como a anterior. Só resta saber quando — e quanto.

[O título inspira-se num poema de Charles Simic, que nada tem que ver com este assunto, felizmente.]

Amabilidade de João Fráguas
***«»***

Amigo João:
Não tenho dúvidas que o governo alemão irá encontrar um oculto e  sofisticado esquema para pôr os contribuintes a pagar os prejuízos da VW.  Quando as pessoas começarem a perceber esse esquema, já, há muito tempo, estarão a pagar a conta, para salvar a Pátria. Foi o que aconteceu com a dívida soberana dos países do sul, cujo esquema eu também denunciei no meu blogue, em 2013. O problema era dos bancos alemães, que iriam para a bancarrota, devido aos sucessivos incumprimentos da enorme dívida, contraída pelos bancos portugueses e gregos, que por sua vez endividaram as famílias dos seus respectivos países, para adquirirem casas de habitação própria.
A gigantesca bolha imobiliária, que se foi gerando ao longo dos anos e que enriqueceu os accionistas dos bancos, foi mantida no segredo dos deuses e o ministro das Finanças da Alemanha encarregou-se de gizar o respectivo plano de salvamento, que o directório de Bruxelas engenhosamente pôs em prática. O objectivo consistia em transferir as dívidas dos bancos de cada país para a dívida soberana dos respectivos Estados. Activou-se o cerco aos países do sul (os mais fracos no xadrez europeu), pondo as agências de rating a provocar nos mercados financeiros a subida especulativa dos juros da dívida soberana de cada país, que em Portugal era de 90 por cento do PIB, e pressionaram os governos dos países visados (Portugal e Grécia) a pedirem ajuda externa. Foi uma grande armadilha. A austeridade imposta aos contribuintes está a gerar receitas através do pagamento dos juros e das amortizações ao FMI, BCE e comissão europeia, que, por sua vez, através do esquema da recapitalização bancária, via BCE, fazem chegar o dinheiro aos bancos alemães, que desta forma podem limpar, com custos reduzidos, os títulos tóxicos em seu poder. A operação de limpeza destes títulos tóxicos, por parte dos bancos alemães, deverá ficar concluída em 2018. No entanto, Portugal ficará pendurado numa colossal dívida, que só acabará de liquidar (o que é impossível) em meados da década de trinta.
É pois a austeridade que vai pagar os prejuízos dos bancos alemães, que, anteriormente, com a especulação imobiliária, geraram lucros milionários para os seus accionistas. Explicar isto às pessoas é muito difícil. Os jornais e as televisões não abordam este esquema fraudulento, omitindo-o do espaço de opinião e do espaço noticioso e, na campanha eleitoral, o assunto não esteve na agenda.
Um abraço,
Alexandre

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs | Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda.


Para que a memória não se apague… 

Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs | Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda.

O Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essencial da dívida.
A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra. Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (Entre os países que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.
O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento.
O acordo adoptou três princípios fundamentais: 1. Perdão/redução substancial da dívida; 2. Reescalonamento do prazo da dívida para um prazo longo; 3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.
O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida não poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %.
A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.
O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situação de carência durante a qual só se pagaram juros.
Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos países endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.
Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. 0 que, "trocando por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de dívisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.
EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem.
Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais

Marcos Romão,
jornalista e sociólogo.
27 de Fevereiro de 2013.


***«»***

A Alemanha, que beneficiou, em 1953, de um generoso perdão das suas astronómicas dívidas externas, contraídas em sequência das duas guerras mundiais, que desencadeou na Europa, recusa-se agora, com uma desmedida arrogância, a renegociar e a reestruturar a dívida de um país que, na altura, sendo um dos seus principais credores, lhe perdoou uma parte importante dos respetivos créditos: a Grécia.
AC

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Notas do meu rodapé: Da chantagem à humilhação da Grécia


Referendo. A nova arma dos credores para pressionar a Grécia
Sem grandes rodeios, o ministro alemão das Finanças largou a bomba esta segunda-feira: “Se a Grécia quiser fazer um referendo, poderá ser útil”. Foi em Bruxelas, à chegada para a reunião do Euro grupo, que Wolfgang Schäuble admitiu que colocar a decisão nas mãos do povo grego pode ser a solução para a falta de entendimento entre o governo grego e os credores.

***«»***
Da chantagem à humilhação da Grécia
Ainda ontem, escrevi num comentário do Grupo "E agora Portugal" que o grande objetivo da Alemanha passou a ser o desejo de provocar uma grande humilhação à Grécia e ao seu governo, legitimamente eleito. Ela, a humilhação, está aí provocantemente escancarada, através das palavras do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, e do presidente do Parlamento Europeu, por acaso (!), também alemão, que cometeram um grosseiro erro ao imiscuírem-se num assunto que apenas diz respeito ao governo grego e ao seu povo. Não é da competência dos órgãos da UE, nem de nenhum dirigente político de um país membro dizer ao governo grego o que deve ou não deve fazer em termos eleitorais, pois isso está escrito na Constituição da Grécia. Além de ser um gesto de intolerável má educação, representa, acima de tudo, uma manifestação de arrogância, de quem sabe que tem muito poder. Ao longo da História, a Alemanha já nos habituou a essa arrogância, irreverente e perigosa.
E os destinatários desta ignominiosa provocação, antecedida por um longo período de manobras chantagistas, não são apenas o povo grego e o seu atual governo. A provocação também pretende constituir-se num sério aviso a todos os povos e a todos os governos da Europa que ousem discordar do pensamento único e totalitário do governo alemão e das suas domesticadas extensões nos órgãos comunitários.
Não devemos ter medo da ameaça, nem entregarmo-nos às inevitabilidades da resignação. E isto, porque somos nós que temos razão, ao querer defender a soberania dos povos, que está a ser agredida pela Alemanha, servindo-se do seu ascendente nos órgãos decisórios da UE, o que lhe permite que também já ande a propor a necessidade de centralizar na Comissão Europeia a gestão dos mares circundantes ao velho continente, ao mesmo tempo que lançou a ideia de se constituir um exército europeu. São mais que evidentes as tentativas de assalto à soberania dos povos europeus.

Alexandre de Castro

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

As caras do Bloco Central de Interesses da Alemanha

Angela Merkel, chanceler da Alemanha, e Sigmar Gabriel,
Presidente do SPD e seu vice-chanceler e ministro da Economia

A prova da íntima cumplicidade, entre os partidos socialistas, agrupados no Partido Socialista Europeu, e os partidos da direita, está bem explicitada na coligação governamental, na Alemanha, em que Sigmar Gabriel, vice-presidente e ministro da Economia  e Presidente da Partido Social-Democrata da Alemanha, e Angela Merkel vivem politicamente em comunhão de bens. Ambos são adeptos da austeridade forte e feia.
E é este tipo de comunhão de interesses que serve de paradigma para todos os países da UE. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A humilhação não paga dívidas


A carta, que mostra já uma grande boa vontade do Syriza em negociar, mal tinha saído de Atenas e já um porta-voz do Ministério das Finanças da Alemanha lia um comunicado a dizer que o pedido da Grécia não cumpria os requisitos mínimos do Eurogrupo. Uma posição de inflexibilidade que parece fechar portas à discussão e que só serve para humilhar os gregos e os seus representantes. E assim não há negociação que aguente. Pelo menos uma que seja feita com alguma dignidade.

***«»***
Tudo o que está a acontecer, em relação ao atual problema da Grécia, mostra uma coisa, que eu já assinalei várias vezes: a deriva totalitária e arrogante da Alemanha, na liderança da Europa. 
Ainda irá chegar o dia, em que a França tenha também de se ajoelhar, de forma humilhante, perante o seu histórico rival, num ajuste das velhas contas do século passado.
Deixo novamente uma minha afirmação, que já é recorrente: A Hitler de saias está a fazer com o garrote do euro e da dívida, aquilo que o Hitler do bigodinho e da guedelha não conseguiu fazer com os tanques e os canhões.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Putin recebe Merkel e Hollande com a diplomacia presa por um fio


Putin recebe Merkel e Hollande com a diplomacia presa por um fio
Chanceler alemã e Presidente francês foram a Moscovo fazer uma contraproposta ao Presidente russo. Moscovo diz que conversações forma construtivas e diz que resultados da reunião serão divulgados no domingo.
***«»***
Armar o exército ucraniano, como pretende o Congresso dos EUA, significa uma declaração de guerra à Rússia.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Ex-ministro grego: "Vitória de Merkel significa o empobrecimento dos países do sul"


O ex-ministro da Presidência grego, Georges Contogeorgis, afirmou hoje, em Coimbra, que a vitória de Angela Merkel nas eleições alemãs de domingo significa "a desvalorização económica e o empobrecimento" dos países do sul da Europa.
Os países do sul "não vão sair deste impasse nem nesta, nem, provavelmente, na próxima geração", disse Georges Contogeorgis à agência Lusa, no final de uma conferência organizada pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, intitulada "Da crise ocidental à crise da Europa política - A natureza da crise".
O também ex-reitor da Universidade de Panteion de Atenas considerou que os governos de Portugal e Grécia "estão conformados" e "de acordo" com as medidas impostas pela ‘troika', defendendo que os países do sul, juntamente com o apoio da França, deveriam "exprimir-se, a uma só voz, contra a política alemã".
Notícias ao Minuto

***«»***
Estou de acordo com a posição expressa pelas duas altas individualidades gregas, que marcaram presença na conferência organizada pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, quando referem a pulsão totalitária da Alemanha, ao querer exercer uma hegemonia económica e política no continente europeu, um desígnio sucessivamente tentado, sempre sem sucesso, desde o início do último quartel do século XIX. Já aqui escrevi que a Alemanha de Merkel pretende fazer com o euro e com a política de austeridade o que Hitler não conseguiu fazer com os tanques e os canhões. Contando com a cumplicidade dos governos europeus (conservadores, socialistas e sociais democratas), a Alemanha, com o falso pretexto das dívidas soberanas, declarou uma guerra financeira aos países periféricos, procurando transformá-los, através das instituições comunitárias, em verdadeiros protetorados. Com esta política assassina, a Alemanha também procura salvar a desagregação da UE e da sua moeda única - uma e outra à beira da ruptura, tal é a instabilidade financeira instalada na Europa - recuperando para o BCE os resultados líquidos da austeridade, na forma de juros, respeitantes aos empréstimos dos chamados planos de ajustamento orçamentais, que por sua vez são canalizados à taxa de um por cento para os bancos do sistema financeiro europeu, o que permitirá cobrir os passivos tóxicos (títulos de dívida incobráveis), num processo que durará mais cinco anos, segundo a previsão das autoridades alemãs.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Notas do meu rodapé: A Alemanha emitiu “moeda falsa"


Amabilidade do João Grazina, (vídeo publicado no ARROIOS).
***«»***
A Alemanha emitiu “moeda falsa”
Faltava esta informação crucial, a da emissão de moeda falsa por parte da Alemanha e a sua posterior utilização em empréstimos internacionais, bem focalizados e bem calculados, em relação à garantia da sua rápida rentabilização, para compreender, na sua totalidade, o puzzle da armadilha da dívida, montada aos países periféricos da Europa, o que justificaria, só por si, como resposta, o seu não pagamento.
Com este hábil e manhoso estratagema, a Alemanha não cumpriu as normas estabelecidas no Tratado de Maastricht, que impedia os países signatários da adesão à moeda única de emitir mais moeda nacional, obrigando as respetivas economias a funcionar apenas com a massa monetária que já estava em circulação. O controlo destas normas, a cargo das instituições europeias, seria feito através do indicador da taxa de inflação, que aumentaria, caso houvesse emissão de mais moeda. Para esconder a fraude, e para evitar o efeito inflacionário induzido pela emissão de mais moeda, o banco central alemão fazia seguir diretamente o dinheiro da rotativa para os bancos comerciais, onde ficava sob a forma de depósitos, em nome do Estado, não o libertando para a economia real. Tratava-se, pois, de dinheiro falso, feito do nada, sem ter o seu valor facial ligado ao valor da economia, e que iria ser utilizado posteriormente na especulação monetária e imobiliária, através da formação das dívidas soberanas e das dívidas dos bancos dos países do sul da Europa.
Nunca foi tão fácil obter tanto dinheiro a tão baixo preço. Prometia-se o eldorado, à medida que os cogumelos imobiliários iam crescendo a granel, por toda a parte. A União Europeia, dominada pela Alemanha, fazia o seu papel, concebendo projetos nos seus programas de financiamento, o que obrigava os estados a recorrer aos empréstimos internacionais, para poderem suportar a comparticipação financeira, que lhes competia, das obras realizadas, umas úteis e necessárias, outra faraónicas e inúteis. É certo que as diferentes atividades ligadas à construção geraram a montante muitas indústrias e muitos postos de trabalho. Mas também é certo que, com a crise, todas essas atividades faliram, provocando desemprego e contribuindo para a diminuição do consumo interno, que por sua vez, em ondas sistémicas, foram contaminar outras atividades, o que prova que as políticas de crescimento têm de apostar em várias frentes da economia, o que não foi o caso. E a contaminação galgou fronteiras, com os países fornecedores de bens e serviços a Portugal a ressentirem-se, embora em pequena escala, com a diminuição das compras das empresas portuguesas.
Esse dinheiro, o dos empréstimos, que não teve suporte na economia real, gerou lucros fabulosos, em forma de juros, em toda a cadeia operacional por onde passava, enriquecendo, em primeiro lugar, a economia alemã, à custa da dívida dos países do sul.
A falta de prudência, nuns casos, e uma estreita conivência, noutros, levou os governos desses países a uma estreita cumplicidade colaboracionista com o capital financeiro, a fim de facilitar, ao nível das opções políticas, a aplicação desses empréstimos no setor produtivo de mais rápida reprodução do capital – a construção civil, que apenas gera bens finais não transacionáveis (*) (casas, obras públicas, etc.). Paralelamente, os bancos nacionais promoviam agressivamente o crédito às famílias, que se endividaram para a compra de casa própria para habitação. Em Portugal, os sucessivos governos, pressionados pelo capital financeiro, atuaram em consonância, aumentado a legião de devedores, ao não tomarem medidas de estímulo ao mercado de arrendamento, que só agora, esgotadas as fontes de crédito, irá ser implementado, com a aprovação da lei das rendas, lei esta que, injustamente, vai agravar dramaticamente, no que concerne às rendas antigas, a situação de milhares inquilinos idosos, a maioria deles a receber pensões inferiores ao salário mínimo nacional.
Com tal política e com tal negócio, montaram-se verdadeiros clusters financeiros, cuja matéria-prima foi a dívida, e que segue uma rota descendente, na escala de valor acrescentado, a começar no Estado alemão e a acabar no cliente final, que é quem acaba por pagar a fatura toda com os rendimentos do seu trabalho. Os bancos alemães, os governos e os bancos nacionais, as câmaras municipais, os donos dos terrenos urbanizáveis, as empresas imobiliárias e de construção civil e as empresas de bens intermédios obtiveram rendimentos desproporcionados com dinheiro artificial, obrigando agora as famílias a pagar esse desvario financeiro com dinheiro obtido na economia real, com o dinheiro proveniente dos salários, ou seja, o resultante do trabalho produtivo, que não é especulativo.
Como todos estes significativos recursos foram principalmente canalizados para estes setores, faltaram em muitos outros, nomeadamente no setor exportador de bens e serviços, desequilibrando assim a estrutura do produto (PIB) das economias dos países do sul, em que o consumo interno, intencionalmente induzido, se valorizou em relação aos outros fatores.
Durante uma dezena anos, o capitalismo financeiro alemão, com o dinheiro da rotativa, enriquecia à custa da bolha imobiliária que se foi formando em Portugal, na Grécia, na Irlanda e, principalmente, em Espanha. O esgotamento da capacidade de endividamento e o aumento do crédito mal parado ditou o fim do sistema baseado na dívida, com pesados custos para os devedores, que assim estão a pagar o risco que pertenceria aos credores, política esta só possível de executar com a cumplicidade existente entre os governos e o capital financeiro.

(*) Bens transaccionáveis são os bens e serviços que são passíveis de ser vendidos economicamente nos mercados internacionais.
Alexandre de Castro
2013 01 16


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Empresários alemães pedem paciência aos portugueses


O presidente da Confederação da Indústria Alemã (BDI) pediu esta segunda-feira aos portugueses para terem «paciência» porque o crescimento da economia vem do «esforço» e não de «transfusões de sangue».
Hans-Pieter Keitel, que falava na abertura do encontro empresarial Luso-Alemão no âmbito da visita da chanceler Angela Merkel, dirigindo aos empresários do ambos países, solicitou «um pouco de paciência» e acrescentou que Portugal está «no bom caminho do correto crescimento», cita a Lusa.
O representante dos empresários alemães referiu também que a austeridade dará frutos «daqui a cinco anos», altura em que a União Europeia vai estar «num ponto em que haja uma convergência de crescimento».
TVI 24
***«»***
Empresários e políticos alemães apresentaram-se em Portugal muito concertados na capciosa argumentação da austeridade. Nem aquela tirada, badalada há dias, por Angela Merkel, de que seriam necessários mais cinco anos de dura austeridade, passou despercebida ao patrão dos patrões da indústria alemã, que a citou sem que a placa dentária lhe tivesse saltado da boca.. Eles querem fazer-nos acreditar que a melhor maneira de reconstruir uma casa é incendiá-la.
Oxalá que Hans-Pieter Keitel não venha um dia a precisar de uma transfusão de sangue.
http://www.tvi24.iol.pt/151/economia/empresarios-alemanha-paciencia-austeridade-crescimento/1391966-1730.html

domingo, 11 de novembro de 2012

Alemanha recusa exibir filme sobre Portugal proposto por Marcelo

Ver aqui 
**
Autoridades alemãs recusam exibir publicamente filme sobre Portugal idealizado por Marcelo Rebelo de Sousa.
E ideia partiu de Marcelo Rebelo de Sousa e o social-democrata Rodrigo Moita de Deus deu-lhe corpo. Fazer um filme que mostrasse aos alemães a realidade portuguesa. As autoridades alemãs recusaram a exibição pública da obra.
Segundo revelou a TVI, o filme, chamado “Eu sou um berlinense”, foi proposto às autoridades alemãs para que fosse exibido em locais públicos este fim-de-semana, antes da visita de Angela Merkel a Portugal.
A resposta foi clara. “Não”, disserem as autoridades alemãs, alegando razões políticas.
PÚBLICO
***«»***
Caiu a máscara a Angela Merkel, que não resistiu em assumir mais um tique imperial, recusando liminarmente, nos espaços públicos da Alemanha, a exibição do filme de Rodrigo Moita de Deus. 
Antes de desencadear a guerra financeira, em articulação com os países mais ricos da Europa, o governo de Angela Merkel intoxicou a opinião pública do seu país, inculcando a ideia de que os portugueses e os gregos viviam acima das suas possibilidades, o que é uma mentira, facilmente desmontada pelas estatísticas da UE. O salário mínimo, em Portugal, é dos que mais se afasta da média dos salários mínimos da UE. As despesas da Saúde e da Segurança Social evoluem abaixo das da média da UE, quando reportadas à evolução dos respetivos PIB's. Apenas a Educação esteve acima desta linha, mas, com as medidas da austeridade dos últimos três anos, o seu valor percentual em relação ao PIB passou para um patamar inferior, o que vai comprometer a formação dos atuais jovens para enfrentar os problemas do futuro.
São estas verdades objetivas, que contrariam as mentiras postas a circular, que Angela Merkel quer ocultar ao seu povo. E é esta mulher, farisaica e demoníaca, que o subserviente governo português vai receber amanhã, com todas as honras.   
http://publico.pt/Política/alemanha-recusa-exibir-filme-sobre-portugal-proposto-por-marcelo-1571970

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Saída de Portugal do euro teria impacto de 2,4 biliões de euros no crescimento global



Um estudo de um "think tank" alemão, citado pelo "Spiegel Online", prevê perdas de 17 biliões de euros caso os países do sul da Europa abandonassem a moeda única.
Caso a Grécia, Portugal, Espanha e Itália abandonassem a Zona Euro, o crescimento global teria de absorver perdas na ordem dos 17 biliões de euros. As contas partem de um novo estudo de um think tank germânico, o Prognos, citado ... pelo "Spiegel Online".
 Se Portugal seguisse a Grécia e abandonasse a região, as perdas sentidas a nível global seriam de 2,4 biliões de euros até 2020. 225 mil milhões de euros seriam suportados pela Alemanha, que teria de reconhecer imparidades na ordem dos 99 mil milhões de euros, segundo o "Spiegel Online". Os Estados Unidos teriam perdas de 365 mil milhões de euros, enquanto a China sofreria um impacto de 275 mil milhões de euros.
Jornal de Negócios
***«»***
A austeridade imposta aos gregos e aos portugueses está a pagar a recapitalização dos bancos alemães, que deveria ser paga pelos próprios alemães. A situação é, pois, muito vantajosa para a Alemanha, mas tragicamente devastadora para Portugal e para a Grécia. E o atual governo é o servil e fiel executor desta política imposta, através da UE, por Angela Merkel.
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=584839

sábado, 2 de junho de 2012

A polícia alemã passou-se!...

FRANKFURT, ALEMANHA:
A polícia alemã enviou uma força para condicionar a manifestação anti-capitalista, em 19 de Maio deste ano. Só que, os agentes retiraram os seus capacetes e juntaram-se aos manifestantes ... Um modelo para todos os policias do mundo,...
Claro! Isto não mostraram nas tv's.
Amabilidade do João Fráguas, que enviou a imagem e o texto.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Hollande: França e Alemanha "querem trabalhar em conjunto pelo bem da Europa"

Alemanha e França têm o dever de trabalhar em conjunto. Esta foi uma das mensagens deixadas por François Hollande e por Angela Merkel no primeiro encontro. A Grécia e o crescimento económico estiveram no centro das declarações.
Angela Merkel sublinhou esta noite que França e Alemanha têm o dever de trabalhar em conjunto e garantiu que ela e François Hollande têm consciência da responsabilidade que têm perante toda a Europa. A França e a Alemanha “querem trabalhar em conjunto pelo bem da Europa” e vão fazê-lo, assegurou o novo presidente de França, no dia em que tomou posse enquanto líder do país.
Jornal de Negócios
***#***
Mais uma vez, a palhaçada do costume. Os discursos eleitorais não são para levar a sério. Hollande e Merkel estão de acordo sobre tudo aquilo que ontem os dividia E tão entusiasmados ficaram, neste seu primero encontro a dois, que até resolveram iniciar em Berlim a próxima campanha eleitoral da Grécia.
Durante os próximos dias vamos deixar de ouvir falar da dívida e do défice para dar lugar a um vazio discurso sobre o crescimento, que ninguém sabe, nas condições atuais, como se vai obter, embora a chanceler alemã, há dias, já tivesse apresentado a sua receita milagrosa, que consistiria, ao nível de cada Estado com poblemas de crescimento, em proceder-se a mais privatizações, a acrescentar às que já estão previstas para pagar a dívida e o seu serviço, a fim de investir as receitas resultantes nas respetivas economias.
Por sua vez, os gregos vão ser intoxicados, ora por promessas redentoras, ora por apocalípticas ameaças.
Espera-se que os gregos não se deixem enganar nem amedrontar e que, na hora de depositarem o seu voto, se lembrem da vultuosa dívida de guerra que a Alemanha não lhes pagou. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Chefe do Bundesbank pede que Hollande não toque no pacto fiscal da UE

O presidente do Banco Central Alemão (Bundesbank), Jens Weidman, lançou uma advertência neste sábado ao presidente eleito francês François Hollande, ao recomendar que não se meta com o pacto fiscal europeu e que não toque no status do Banco Central Europeu (BCE).
Agência Frace Press
***
A República de França não pode permitir, sob pena de ter de admitir a desonra, que um funcionário alemão de segunda classe venha fazer advertências e ameaças veladas ao seu futuro Presidente. Depois das ameaças proferidas por Angela Merkel e pelos ministros das Finanças e dos Negócios Estrangeiros do governo alemão, vem agora o presidente do Banco Central Alemão (Bundesbank), numa clara falta de respeito pela hierarquia institucionalizada, dizer a François Hollande o que não deve fazer. E que se saiba, François Hollande ainda não reagiu a este enxovalho, atitude que enfraquece a sua imagem, junto da opinião pública francesa e mundial.
Se algumas dúvidas subsistissem sobre a natureza das instituições da União Europeia, às quais falta dimensão democrática e independência política, sendo remetidas, agora sem qualquer disfarce, para o lugar de meras agências administrativas e burocráticas, basta ver o registo das intervenções de Angela Merkel e dos seus ministros, que se assumem cada vez mais como verdadeiros donos do destino da Europa, sem tomar em linha de conta a opinião dos lideres dos outros países membros.
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5jJAieirVoHK4bSSiReBizcwuGeFw?docId=CNG.ddca8af840f0890092bf4bddbd6dec06.01

domingo, 15 de janeiro de 2012

"Grécia pode voltar ao crescimento se seguir austeridade"

Angela Merkel, chanceler alemã
Fotografia © Thomas Peter - Reuters
A chanceler alemã Angela Merkel insistiu hoje que a Grécia pode voltar ao crescimento económico se seguir um comportamento de austeridade.
Numa entrevista a uma rádio, a Deutschlandfunk, salientou que a redução da despesa "geralmente leva a que a economia não seja capaz de crescer tanto".
Angela Merkel referiu, no entanto, haver muitos exemplos de países onde foram aplicados programas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e "fortes fases de crescimento aconteceram depois de uma fase de recessão".
As reformas estruturais "nunca têm efeitos imediatos e necessitam de algum tempo antes de os seus efeitos serem sentidos e devem ser implementadas com veemência, claro", referiu.
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Guido Westerwelle, vai encontrar-se hoje com responsáveis gregos.
Diário de Notícias
***
A Grécia vai voltar ao crescimento por decreto ou vai ser obrigada a vender a Acrópole, com o seu emblemático Parthenon?
É evidente que a senhora Merkel está a confundir duas realidades distintas, a económica e a financeira, embora ambas se cruzem uma na outra. Não é possível recuperar as finanças, quando se destrói o tecido económico. A própria Alemanha, nos períodos posteriores às duas guerras mundiais do século passado e na resposta à grande depressão de 1929,  teve de viver com elevados défices orçamentais e endividar-se no exterior, para poder investir na sua indústria pesada, que nunca poderia ter alcançado o desenvolvimento desejado, se os seus credores lhe tivessem imposto metas para o equilíbrio das suas finanças, que é o que a União Europeia está a impor, desajustadamente, aos países periféricos, numa autêntica guerra de terra queimada. 
Não há alternativa credível, na resolução da crise, às políticas de desenvovimento económico, que, no futuro, venham a gerar riqueza para pagar parte da dívida, que, previamente, deverá ser reestruturada sem agravamentos penalizadores para os países devedores.
 http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2241763

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Opinião: Alemanha "rainha das dívidas"


O historiador Albrecht Ritschl evoca hoje em entrevista ao site de Der Spiegel vários momentos na História do século XX em que a Alemanha equilibrou as suas contas à custa de generosas injecções de capital norte-americano ou do cancelamento de dívidas astronómicas, suportadas por grandes e pequenos países credores.
Ritschl começa por lembrar que a República de Weimar viveu entre 1924 e 1929 a pagar com empréstimos norte-americanos as reparações de guerra a que ficara condenada pelo Tratado de Versalhes, após a derrota sofrida na Primeira Grande Guerra. Como a crise de 1931, decorrente do crash bolsista de 1929, impediu o pagamento desses empréstimos, foram os EUA a arcar com os custos das reparações.

A Guerra Fria cancela a dívida alemã
Depois da Segunda Guerra Mundial, os EUA anteciparam-se e impediram que fossem exigidas à Alemanha reparações de guerra tão avultadas como o foram em Versalhes. Quase tudo ficou adiado até ao dia de uma eventual reunificação alemã. E, lembra Ritschl, isso significou que os trabalhadores escravizados pelo nazismo não foram compensados e que a maioria dos países europeus se viu obrigada a renunciar às indemnizações que lhe correspondiam devido à ocupação alemã.
No caso da Grécia, essa renúncia foi imposta por uma sangrenta guerra civil, ganha pelas forças pró-ocidentais já no contexto da Guerra Fria. Por muito que a Alemanha de Konrad Adenauer e Ludwig Ehrard tivesse recusado pagar indemnizações à Grécia, teria sempre à perna a reivindicação desse pagamento se não fosse por a esquerda grega ficar silenciada na sequência da guerra civil.
À pergunta do entrevistador, pressupondo a importância da primeira ajuda à Grécia, no valor de 110 mil milhões de euros, e da segunda, em valor semelhante, contrapõe Ritschl a perspectiva histórica: essas somas são peanuts ao lado do incumprimento alemão dos anos 30, apenas comparável aos custos que teve para os EUA a crise do subprime em 2008. A gravidade da crise grega, acrescenta o especialista em História económica, não reside tanto no volume da ajuda requerida pelo pequeno país, como no risco de contágio a outros países europeus.

Tiram-nos tudo - "até a camisa"
Ritschl lembra também que em 1953 os próprios EUA cancelaram uma parte substancial da dívida alemã - um haircut, segundo a moderna expressão, que reduziu a abundante cabeleira "afro" da potência devedora a uma reluzente careca. E o resultado paradoxal foi exonerar a Alemanha dos custos da guerra que tinha causado, e deixá-los aos países vítimas da ocupação.
E, finalmente, também em 1990 a Alemanha passou um calote aos seus credores, quando o chanceler Helmut Kohl decidiu ignorar o tal acordo que remetia para o dia da reunificação alemã os pagamentos devidos pela guerra. É que isso era fácil de prometer enquanto a reunificação parecia música de um futuro distante, mas difícil de cumprir quando chegasse o dia. E tinha chegado.
Ritschl conclui aconselhando os bancos alemães credores da Grécia a moderarem a sua sofreguidão cobradora, não só porque a Alemanha vive de exportações e uma crise contagiosa a arrastaria igualmente para a ruína, mas também porque o calote da Segunda Guerra Mundial, afirma, vive na memória colectiva do povo grego. Uma atitude de cobrança implacável das dívidas actuais não deixaria, segundo o historiador, de reanimar em retaliação as velhas reivindicações congeladas, da Grécia e doutros países e, nesse caso, "despojar-nos-ão de tudo, até da camisa".
Amabilidade da Dalia Faceira