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sábado, 7 de fevereiro de 2015

É preciso impedir Moscovo de "redesenhar mapa da Europa", diz Biden


O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de visita hoje a Bruxelas, defendeu que é necessário juntar esforços com Kiev para impedir a Rússia de "redesenhar o mapa da Europa".

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Os dirigentes dos EUA sempre gostaram de fazer o papel de incendiários anónimos. Provocam clandestinamente incêndios, onde lhes convém, para depois fazerem o papel de bombeiros da paz! Foi assim no Vietname e no Iraque e, agora, não desistem de provocar a Rússia, a propósito da Ucrânia, cuja população russófila e russófona, do leste do país, pretende a autonomia em relação ao governo fascizante de Kiev.

Ucrânia: Nato defende entrega de armas a Kiev

Philip Breedlove – o general norte-americano, comandante das tropas da NATO

O comandante das tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Nato, na sigla em inglês) na Europa, defendeu hoje abertamente a entrega de armas a Kiev para ajudar no conflito com os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia.
"A última solução no leste da Ucrânia será diplomática e política", defendeu o general norte-americano Philip Breedlove à margem da conferência de segurança de Munique, saudando a recente iniciativa franco-alemã para tentar convencer as partes a cessar as hostilidades.http://pub.sapo.pt/lg.php?bannerid=190764&campaignid=116809&zoneid=2925&OACBLOCK=86400&OACCAP=3&loc=1&referer=http%3A%2F%2Fwww.noticiasaominuto.com%2Fmundo%2F344667%2Fucrania-nato-defende-entrega-de-armas-a-kiev&cb=ee1788dd4c
"Mas não acredito que devamos excluir a possibilidade de uma opção militar" associada às sanções adotadas pela União Europeia (UE) e pelos Estados Unidos contra a Rússia.

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O apelo às armas é sempre um péssimo e perigoso argumento. É a antecâmara de uma declaração de guerra. A Ucrânia é o último país que falta dominar totalmente, para que a Nato, ao serviço dos EUA, complete o cerco à Rússia, com a instalação do eufemístico escudo nuclear em todos os países europeus que confinam com a sua fronteira ocidental. É uma ameaça para a segurança da Rússia, que assim ficaria em inferioridade estratégica, no caso de um conflito nuclear. 
A Rússia nunca manifestou qualquer intenção agressiva, no ponto de vista militar, em relação à Europa ou em relação a um outro qualquer país do mundo. Também não foi a Rússia a mentora belicista nem a interveniente nos recentes conflitos militares ocorridos no Médio Oriente e no norte de África. Esse papel foi desempenhado por aquela potência de centuriões que, em nome da Paz Mundial, está sempre a desencadear guerras, como se a utilização de veneno em vez de medicamentos fosse a melhor terapia para curar a doença. 
A Rússia está interessada em desenvolver boas relações diplomáticas com os países europeus, pois são os países do centro e do leste da Europa os seus principais clientes comerciais. Por sua vez, os EUA, a fim de justificarem as suas opções belicistas, junto da sua própria opinião pública e da opinião pública internacional, constroem cenários mediáticos, irrealistas e fantasmagóricos, de ameaças à paz e à segurança do ocidente, em relação aos países que acabam por invadir e destruir, e que são bases importantes da sua estratégia imperialista.

Putin recebe Merkel e Hollande com a diplomacia presa por um fio


Putin recebe Merkel e Hollande com a diplomacia presa por um fio
Chanceler alemã e Presidente francês foram a Moscovo fazer uma contraproposta ao Presidente russo. Moscovo diz que conversações forma construtivas e diz que resultados da reunião serão divulgados no domingo.
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Armar o exército ucraniano, como pretende o Congresso dos EUA, significa uma declaração de guerra à Rússia.

domingo, 18 de janeiro de 2015

O NAZISMO VOLTOU: A Ucrânia que a imprensa não mostra


Trazem o ódio nas línguas de fogo, com que acendem as tochas, e masturbam-se com a visão do sangue das suas vítimas, enquanto entoam cânticos pornográficas, que glorificam a morte. As pegadas da Besta que ensanguentou a Europa, há setenta anos, não foram apagadas, e são agora pisadas pelas botas cardadas dos carregadores do medo e do pesadelo, que, em triunfo, transportam nos ombros de ferro as novas suásticas.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Ucrânia: À Europa, Saiu o Tiro Pela Culatra

 

Putine passou de bestial a besta em menos de 24 horas. De grande estrela organizadora dos Jogos Olímpicos de Sotchi, autêntica medalha de ouro da modalidade de contra-terrorismo, capa de variadíssimas publicações ocidentais durante quinze dias, Putine passou a ser o urso que ameaça devorar o mundo. Há, claro, em tudo isto (como diria Mark Twain a propósito das notícias sobre a sua morte), algum exagero e também alguma má-fé e muita ignorância.

As razões geopolíticas do afrontamento na “terra da fronteira” (significado literal de Ucrânia) são conhecidas de todos os que se interessam (mesmo pouco que seja) pela geopolítica. Mario Draghi confessou, a propósito, há uns dias, que a geopolítica era algo que estava para lá do alcance de “um pobre banqueiro central”… Mas esqueceu-se de referir (ou não sabia) que nenhum banqueiro central (pobre ou não…) está para além do alcance da geopolítica.

George Friedman, para só citar um nome conhecido dos leitores do “IE”, há anos que vinha a antecipar, em público, os actuais acontecimentos da Ucrânia (e outros da Europa e da Rússia) e, ao longo de 2013, lançou vários alertas sobre o problema. Portanto, esta crise, como todas as crises, era antecipável e a prova é que houve quem a antecipasse, como o nosso referido amigo George Friedman.
Não há, portanto, aqui nenhuma surpresa (Friedman explicou há um ano como a reacção de Putine só poderia ser a que agora… foi!) e se algum dirigente político ocidental se diz surpreendido, então, só está a comprovar que não tem competência para o cargo que ocupa. Mas isso também já se sabia…

Que a Crimeia queira ser russa também não é um facto que possa surpreender, tendo em conta a história dos últimos séculos e a conjuntura estratégica das últimas décadas. Nem é, de resto, caso raro e muito menos único. Assim, de repente, para não falar da defunta Checoslováquia, nem da falecida Jugoslávia e outros Kosovos, bastará lembrar a velha guerra da Irlanda e, mais recente, a Escócia a querer separar-se do Reino Unido, a Flandres que quer sair da Bélgica, a Valónia que admite integrar-se na França, a Lombardia que não quer ser italiana e, mais perto de nós, o País Basco e a Catalunha que gritam não ser Espanha e pretendem viver a sua própria vida. E a Alemanha deverá olhar também um pouco para aquilo que é… O estado politicamente mais arcaico e frágil da Europa, permanentemente ameaçado de uma implosão que só a ocupação militar americana mantinha fora da agenda e que agora só o sucesso económico disfarça, a Alemanha ter em qualquer altura a sua Crimeia na…Baviera.

A Crimeia não é, portanto surpresa alguma, nem sequer uma história rara. Que as chancelarias da União Europeia sucumbam a um fatal cocktail de arrogância e ignorância, polvilhado de preguiça, é outra história, que tão pouco é rara mas, sim, muito comum. Que, tendo sucumbido a esse cocktail fatal, as chancelarias europeias sejam surpreendidas, pelo normal evoluir das dinâmicas que desencadeiam, tão pouco tem nada de surpreendente. Que estejam agora a ser assediadas pelos banqueiros que, levianamente e com muito desprezo pela geopolítica, se “expuseram” na Rússia mas sobretudo na Ucrânia (onde a exposição ascende a dezenas de milhares de milhões…) também não surpreende. Aliás, seria o contrário que surpreenderia. Tal como surpreenderia que a União Europeia não mobilize já umas dezenas de milhares de milhões (do
dinheiro dos contribuintes, claro) para correr “ajudar” (a fundo perdido) a Ucrânia a pagar aos bancos europeus, para que estes não percam os seus fundos. O dinheiro, aliás, nem avistará terras da Ucrânia, passará directamente dos bolsos dos contribuintes para os cofres dos bancos. Claro, tudo isto precisa de um discurso justificativo e até apologético. A guerra económica dos bancos pela recuperação dos seus fundos precisa de uma boa guerra de informação… E ela aí está que já transformou em ouro devorador a medalha olímpica do contra-terrorismo de Sotchi. Até os editoriais de um “Economist”, outrora tão lúcido, cheiram a propaganda barata…

A questão estratégica, porém, é outra. A Rússia é o jovem Estado que sucedeu à União Soviética (embora tenha perdido territórios e populações). Como jovem Estado está a iniciar o seu percurso e tem escolhas estratégicas a fazer. Escolhas que ditarão o seu futuro imediato e a longo prazo. Por exemplo, dizer que a Rússia deve escolher a democracia à ocidental é uma frase feita e totalmente
vazia. Oca. A Rússia, para escolher e construir a democracia à ocidental, precisa de ter um horizonte de integração no mundo euro-atlântico. De sentir e ver que essa integração não só é possível como é a melhor aposta em termos de desenvolvimento e segurança do jovem Estado russo. Ora, a “crise” da Ucrânia constitui-se em trauma para a Rússia que percepciona este conflito como a vontade da Alemanha, enquadrada por outros europeus e apoiada por Washington, de desestabilizar as fronteiras russas, instalar-se aí e obter o controlo do Mar Negro, barrando a Moscovo a sua única via de acesso ao Mediterrâneo. Bem ou mal, a Rússia percepciona a Ucrânia como um Estado-tampão essencial à sua defesa. Isso é um facto. Um facto real e estratégico que, sendo tal, não pode ser ignorado, como o foi pelas chancelarias europeias. Moscovo considera que, dada a sua geografia e a sua história, a transformação
da Ucrânia num Estado sob influência de Berlim (com ou sem apoio de Washington) é uma gravíssima ameaça à sua segurança nacional e, como tal, não pode ser tolerável e, muito menos, tolerado. A reacção de Putine só podia, portanto, ter a natureza que teve…

A sua recentíssima declaração de que pretende uma “solução diplomática”, mais do que apaziguadora pode ser muito preocupante e tem várias leituras possíveis mas concordantes e mesmo complementares.

Primeiro, Putine sente que já está montado um sistema suficiente de forças na Crimeia e que, resolvido esse problema de terreno, é agora tempo de começar a “conversar”;

Segundo, Putine não acredita em “soluções diplomáticas” mas as forças no terreno, tanto na Crimeia como em todo o leste da Ucrânia, são já suficientes para aguentar embates com as milícias e as tropas deste governo anti-russo de Kiev;

Terceiro, não havendo soluções diplomáticas (e, obviamente, quanto menos elas forem possíveis mais ele chamará por elas…), Putine aceita uma “guerra prolongada” na Ucrânia (à imagem da ex-Jugoslávia), em que não empenhará tropas mas municiará abundantemente as milícias pró-russas, pelo menos enquanto não  houver intervenções estrangeiras;
Quarto, uma tal guerra civil na Ucrânia, uma estratégia de caos, desestabilizará não só a Ucrânia mas toda a região, será um imenso sarilho para a União Europeia, prejudicará gravemente os interesses americanos no Irão, Síria, Iraque, Afeganistão e outros, tornará o Mediterrâneo oriental uma autêntica zona de guerra, será uma bela vacina para outros Estados ex-soviéticos que apresentem veleidades anti russas e, last but not least, isto afastará, por décadas, Moscovo do mundo euro-atlântico colocando-o numa posição de radical desconfiança estratégica de todo o Ocidente e, particularmente, de Berlim;
Quinto, esta “estratégia caos” choca de frente com os interesses europeus de um próspero mercado de 45 milhões de consumidores ucranianos mas não belisca o interesse russo de ter na Ucrânia um Estado-tampão, que pode perfeitamente ser o campo de ruínas resultante de uma arrasadora guerra civil.

A Bruxelas, na Ucrânia, já está visto que lhe saiu o tiro pela culatra… Os estragos que isso provocará é o que ainda iremos ver. Como tudo isto pode ser visto, enquadrado e explorado no quadro da estratégia nacional portuguesa é algo a que só quem souber o que essa estratégia nacional poderá dar alguma resposta…
Inteligência Económica
10/03/2014

Amabilidade de Diamantino  Silva

sábado, 8 de março de 2014

Opinião: Quem são os nazis no governo ucraniano? - por Thierry Meyssan


As potências ocidentais reconheceram de imediato o governo ucraniano, instaurado como resultado de um golpe de Estado. Esse governo inclui vários membros de organizações aberta, e explicitamente, nazistas. Entre esses indivíduos, há três líderes que se distinguiram produzindo imagens que mostravam agressões e torturas falsas, para convencer à opinião pública da crueldade do presidente, democraticamente eleito, Viktor Yanukovich. Sem disfarçar, o secretário adjunto do Conselho de Segurança Nacional de Ucrânia reconhece que tem relações com al-Qaida.
Thierry Meyssan
REDE VOLTAIRE (Ver aqui)

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Com a cumplicidade ativa dos EUA, da Alemanha e da França (quem diria?), já amplamente demonstrada, pela primeira vez, na Europa, surge na Ucrânia um governo formado por membros de organizações fascistas, que se reclamam herdeiras dos ideais da nazismo.
Os objetivos dos países ocidentais, que reconheceram imediatamente um governo não eleito, que derrubou um governo eleito democraticamente, dirigem-se contra a Rússia, tentando assim impedir o seu acesso ao Mediterrâneo. O governo da Rússia, com o apoio unânime do seu Parlamento, fez o que tinha a fazer, e fez bem. Marcou claramente a sua posição.
AC

terça-feira, 31 de maio de 2011

Jovem muçulmana apedrejada até à morte


Katya Koren, uma jovem muçulmana, foi apedrejada até à morte por ter participado num concurso de beleza na Ucrânia. Os alegados autores do crime justificam o acto dizendo que a jovem violou as leis islâmicas.
Jornal de Notícias
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Daqui a uns anos acabam-se os concursos de beleza na Europa, a não ser que as mulheres comecem a desfilar de burka e mostrando apenas o a ponta do tornozelo, o que deve ser muito excitante para os seguidores do profeta.
Que eu saiba, esta é a primeira lapidação de uma mulher em território europeu. 
Eu já escrevi aqui que ainda iria ver a raínha Isabel II, vestida com a burka.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ucrânia e Geórgia: os peões de brega entre a luta surda dos gigantes

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Ucrânia e Geórgia: os peões de brega entre a luta surda dos gigantes

Vivemos num tempo em que a política concreta, a que se deseja e a que se concretiza, não corresponde às declarações públicas dos seus responsáveis.
Normalmente, o discurso público mascara a realidade, o que obriga a descodificar as respectivas mensagens, para conseguir perceber-se o significado dos objectivos ocultos. E isto, se é verdade ao nível da política interna de cada país, onde o grau de sofisticação da codificação do discurso político acompanha, em proporção directa, o nível de desenvolvimento sócio-cultural das sociedades a que se destina, também se verifica ao nível da política externa.
A ocorrência de dois acontecimentos, em dois países diferentes, e, aparentemente, não relacionados entre si, evidenciam de forma clara a existência de um fosso entre as palavras e os actos e entre a mistificação da realidade e as intenções concretas. As trocas de acusações mútuas entre a Geórgia e a Rússia e o acordo financeiro da União Europeia e a Ucrânia, para regularizar os pagamentos do gás fornecido pela Rússia, são emanações visíveis de uma mesma realidade geoestratégica, em que se defrontam os Estados Unidos e a Rússia.
O fim da Guerra-fria, que se prolongou por setenta anos, não dissipou, entre os dois países, as dúvidas e os medos. A Rússia – que não quer ficar arredada da nova partilha do poder mundial, onde entram também alguns dos países emergentes, com destaque para a China, que, com uma proverbial paciência e engenho, vai urdindo a teia complexa dos seus interesses – desconfia das intenções hegemónicas dos Estados Unidos. Por sua vez, os Estados Unidos não querem ter, como parceiro estratégico, um país, que, tendo sido o seu principal inimigo, ainda detém uma grande capacidade militar, alegadamente suficiente para sustentar um grau de exigências, que obstaculizariam os seus intentos de liderar o mundo.
Toda a estratégia dos Estados Unidos, depois do colapso da União Soviética, assentou na asfixia lenta do gigante euro-asiático, que quase ia sucumbindo, na década passada, a uma crise económica profunda, entretanto ultrapassada com a posterior subida dos preços internacionais dos combustíveis fósseis, o que lhe facultou um grande encaixe de divisas estrangeiras.
O próprio alargamento da União Europeia aos países de Leste, feito de maneira precipitada, tinha principalmente o secreto objectivo político de cercar e de isolar a Rússia, integrando os países que com ela fazem fronteira e subtraindo-os à influência remanescente da antiga União Soviética. A decisão de implantar um escudo nuclear nesses países é vista pelos russos como uma tentativa de lhe retirar, no campo militar, a margem estratégica e a potencial capacidade de iniciativa, o que fragilizaria a sua capacidade negocial, além de ficar mais exposta a um qualquer ataque nuclear dos países ocidentais. Para contrariar os desígnios dos americanos e dos europeus, a Rússia jogou no tabuleiro do Irão e da Ucrânia e foi muito firme e muito dura na resposta à provocação da Geórgia, estimulada pelos países ocidentais, que não desistem em desestabilizar-lhe as actuais fronteiras. Aos russos convém um Irão a desafiar os EUA, tal como a Geórgia está a desafiar a Rússia. O apoio dado ao Irão, através da cedência de tecnologia e equipamento nuclear, possibilita à Rússia obter receitas financeiras e importantes dividendos políticos.
Por sua vez, os países ocidentais apoiam em força a Ucrânia, onde a população da parte ocidental defende uma integração na União Europeia, em oposição à população da parte oriental, que pretende uma ligação preferencial à Rússia. Neste quadro, será sempre muito difícil ao actual governo de Kiev avançar decididamente, tal como desejaria, para a plena integração europeia, cenário este que agravaria, caso fosse concretizada, os equilíbrios internos do país e provocaria uma eventual retaliação da Rússia, a desencadear uma embaraçosa instabilidade no abastecimento de gás à Europa. A Rússia, no passado inverno, deixou a Ucrânia a tremer de frio, cortando-lhe o gás, em virtude das dívidas existentes, já vencidas, de fornecimentos anteriores, o que provocou também o corte dos abastecimentos à Europa. A Rússia fornece um quarto do gás natural consumido na Europa e 80 por cento desse abastecimento circula pela Ucrânia.
Para evitar a repetição deste cenário, no próximo inverno, a Europa e o Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, segundo noticiou a imprensa na semana passada, vão emprestar à Ucrânia, a juro baixo, 570 milhões de euros, enquanto o FMI vai avançar já com uma tranche de 2,4 biliões de euros, o que constitui um dos maiores financiamentos dos países ocidentais a países amigos, em dificuldades. Custe o que custar, europeus e americanos querem uma Ucrânia a morder as canelas dos russos.
Também a Geórgia, que, em Agosto do ano passado, se precipitou, nas suas duas províncias, que reivindicavam a sua independência, numa desastrada incursão militar, desbaratada imediatamente pelo exército russo, voltou agora, segundo a imprensa da semana passada, a fazer provocações, lançando morteiros sobre a Ossétia do Sul, entretanto já independente, mas com uma ligação muito forte à Rússia, que já reagiu com muita firmeza a este incidente.
Quem leu distraidamente estas duas notícias, talvez não as relacionasse entre si, já que aparecem desenquadradas do contexto complexo que se vive naquelas regiões, nem tão pouco se apercebeu do jogo de influências das grandes potências, a determinar ocultamente os acontecimentos. A Europa aparece referida na notícia referente à Ucrânia, como uma pomba, que apenas pretende ajudar um país em dificuldades e garantir o seu próprio abastecimento de gás, proveniente da Rússia. Os EUA nem sequer são referidos, sendo este país, no entanto, o principal actor nesta guerra surda e suja. A opinião pública até irá pensar que se trata de um mero conflito local, uma birra entre vizinhos desavindos, o que prova a eficácia da mistificação do discurso político e o seu desfasamento com a realidade.
AC