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sábado, 6 de maio de 2017

A descentralização é o melhor caminho para a privatização


A descentralização é o melhor caminho para a privatização.

A descentralização anunciada, através de um processo propagandístico, que já não é novo, é, na realidade, tal como diz um articulista de um jornal transmontano, "um presente envenenado". Mas também se trata de uma armadilha. Ao transferir competências para as autarquias, principalmente as que reportam às que envolvem as ligadas ao Estado Social, tais como a Saúde e a Educação, o actual governo transfere também, ocultamente, a respectiva responsabilidade política, que se dilui por centenas de agentes políticos locais no país, julgando que assim se furta ao julgamento nas urnas, em caso de insucesso. A descentralização de competências é a melhor forma de reduzir despesas, em serviços essenciais, sem que os portugueses percebam imediatamente, pois se essas reduções fossem efectuadas pelo pelo poder central, elas seriam logo percepcionadas e conduziriam ao descontentamento e à punição eleitoral. Quando faltarem meios para os serviços descentralizados terem a mesma qualidade e mesma abrangência, que actualmente possuem, a culpa será sempre do autarca e nunca do ministro da tutela, que assobiará para o lado. Este é o melhor caminho para a privatização dos serviços que irão ser descentralizados, principalmente, na área da saúde, quando a penúria financeira chegar às autarquias, devido ao incumprimento financeiro da transferência de verbas, por parte  do poder central. As autarquias não terão outra alternativa, senão entregar os serviços a privados, que já estão, pacientemente, à espera do bolo. Foi este modelo que Thatcher aplicou, na Grã-Bretanha, para, silenciosamente, desmantelar sectores importantes do Serviço Nacional de Saúde nas zonas periféricas e menos desenvolvidas do país. E é este modelo que o actual ministro da Saúde perfilha, sem o assumir publicamente. E os sindicatos dos profissionais de Saúde, assim como as respectivas Ordens, já perceberam isto.
Alexandre de Castro   
2017 05 06
Ver também aqui.

Nota: A descentralização, em si, não é um mal, desde que seja feita com bom senso e que se destine a fazer melhor, com mais qualidade, com maior rapidez e com menores custos. Mas, percebe-se que esta projectada descentralização tem por objectivo descaracterizar a universalidade e a gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde, já que, mais tarde ou mais cedo, e tal como aconteceu com o sector da água, os municípios, por dificuldades financeiras,  acabarão por ter de optar pela sua privatização.     

domingo, 29 de junho de 2014

Educação, precisa-se...

José Mujica é Presidente do Uruguai

Foi este fator, a aposta na educação, que operou o milagre económico irlandês, nos anos oitenta e noventa do século passado. Portugal preferiu apostar no cimento, no tijolo, no alcatrão e na banca. Quando acordou, já era tarde. É certo que ainda teve tempo de formar uma pequena elite de universitários, de elevada qualidade, que, entretanto, já emigrou ou está para emigrar. Mas, a grande maioria da população continua mergulhada no obscurantismo da iliteracia funcional.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Opinião: O Tirano - por Santana Castilho


Nenhuma circunstância permite a um político maltratar pessoas. Mas Nuno Crato ofendeu a dignidade profissional de milhares de professores. Fez sofrer inutilmente as suas famílias. Ultrajou o trabalho dos que preparavam o ano lectivo. Tratou grosseiramente o interesse da escola pública, dos pais e das crianças. As duas últimas semanas foram devastadoras e trouxeram-nos uma prática governativa mais perversa e iníqua que a pior do pior tempo de Maria de Lurdes Rodrigues. A seriedade intelectual de Nuno Crato em matéria de Educação implodiu definitivamente".
Santana Castilho, professor do Ensino Superior
PÚBLICO (01 Ago, 2012)

domingo, 2 de outubro de 2011

O sistema educativo integra, mas integra mal...

Amabilidade do João Fráguas
***
É certamente um caso extremo, que constitui uma excepção. Mas temos de admitir que a escola falhou. Salva-se uma pequena elite de bons alunos, proveniente da classe média alta. A maioria dos alunos não conseguiu alcançar os objectivos desejados, principalmente em duas disciplinas fundamentais, a Matemática e a Língua Portuguesa. E, em relação a esta última, basta passear os olhos pelo Facebook. Só se ouvem grunhidos, e tropeça-se constantemente em caracteres e rabiscos, que mais parecem hieróglifos.  Em cada palavra, a sua minhoca. Além dos erros ortográficos, das conjugações verbais mal formuladas e da pobreza de vocabulário, a maioria das pessoas não consegue exprimir por escrito um pensamento mais complexo. Um desastre! 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Grito de uma professora revoltada!...


Professora, até ontem

O meu nome é Sónia Mano, até ontem era professora de Matemática na escola E.B. 2,3 de S. Torcato, em Guimarães (onde me encontrava a trabalhar com contrato a termo incerto). Hoje de manhã, por volta das 9h, recebi um telefonema da Secretaria da referida escola a informar-me de que o meu contrato de trabalho cessara no dia anterior.
Até aqui, poderá pensar-se... é uma coisa natural, mais uma professora dispensada do serviço após mais de seis meses de trabalho árduo com alunos oriundos de meios socioeconómicos muito desfavorecidos: Até eu estava já preparada para a eventualidade de receber a notícia nestes moldes. Mas e o que é feito do prazo legal de três dias para avisar um empregado de que o seu contrato vai terminar? Eu sou apenas mais uma das vítimas do Estado e da actual conjuntura que o país atravessa.
Mas o porquê do meu e-mail vai muito para além das queixas para com o sistema. É mais um grito, uma tentativa de que dêem algum tipo de atenção a certas situações que estão a acontecer neste país. Como eu, fo- mos várias as pessoas dispensadas hoje de manhã, ou melhor, informadas hoje de manhã de que o nosso contrato terminara no dia anterior. Não será isto mais uma vergonha do nosso país? Não há qualquer respeito pelos profissionais, nem pelo seu trabalho e esforço.
Mais acrescento, neste meu desabafo, que iniciei, a meio da semana passada, a correcção de EXAMES NACIONAIS do 9.º Ano! Este trabalho, não está concluído! Termina apenas amanhã, dia 8 de Julho. Entretanto, já amanhã, tenho uma reunião para aferição de critérios de avaliação, reu- nião essa de carácter obrigatório. E agora eu pergunto: O MEU CONTRATO DE TRABALHO E A MINHA LIGAÇÃO AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO TERMINOU ONTEM. Como vão os alunos ter avaliação no referido exame? Quem vai suportar as despesas de deslocação de Vila Verde (minha residência oficial) até Guimarães?!
Hoje a minha vontade é não entregar os Exames, mas mais forte do que essa vontade é a necessidade de nunca prejudicar os alunos por causa de mais um erro do nosso sistema de ensino. Amanhã, eu irei suportar despesas de deslocação e voltarei a fazê-lo na sexta para entrega dos Exames. Durante esses dois dias, vou fazer uma aplicação criteriosa dos critérios de classificação. Mas precisava de fazer este desabafo: parem de chamar incompetentes aos professores portugueses, aqueles que lutam todos os dias por melhores condições numa escola cada vez mais pobre em valores, tais como a entre-ajuda e a solidariedade. Ajudem-nos a ajudar os vossos/nossos filhos a crescerem como cidadãos e, por favor, na luta pelos meus direitos enquanto trabalhadora/professora/EDUCADORA. Ajudem- -me a divulgar este caso que é apenas mais uma das vergonhas em que o nosso Estado está envolvido!
Tenho provas e documentos oficiais que comprovam cada uma das afirmações que estou a divulgar. Não sei mais onde me dirigir: é preciso que os portugueses saibam o que se está a passar numa escola pública de Portugal.
Sónia Mano
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Diário do Minho
QUINTA-FEIRA | 7 de Julho de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

Quem não fez a prova de aferição não terá outra chance

Os alunos que ontem foram impedidos de realizar a prova de aferição de Português na sequência da greve da função pública não vão ter uma segunda oportunidade.
Em resposta ao PÚBLICO, o Ministério da Educação (ME) informou que "não haverá repetição de provas noutro dia".
PÚBLICO
***
Que culpa têm os alunos da ocorrência da greve?
Quem terá de fazer uma prova de aferição (à consciência) é a própria ministra.
http://publico.pt/Educação/quem-nao-fez-a-prova-de-afericao-nao-tera-outra-chance_1493150

domingo, 5 de dezembro de 2010

Coisas que eu escrevi: Uma Educação que falhou...

Em Outubro de 2007, escrevi um comentário no blogue abnoxio, a propósito de um texto do poeta Ademar Santos, e que republico aqui, por considerar que continua actual na maioria dos seus pressupostos.
Enquanto Portugal não encarar a sério o sistema educativo, através de uma reforma profunda, que lhe corrija as entorses, não poderá progredir. Recordo as palavras da presidente da Finlândia, quando ela afirmou que o seu país não tinha recursos naturais e que a sua maior riqueza era constituída pelos cidadãos finlandeses, em cuja educação se investiu muito, ao longo dos anos.
Portugal também não tem muitos recursos naturais, e, por isso, numa estratégia de longo prazo, terá de trabalhar muito para que o nível de competências, a todos os níveis, possa suprir aquela carência. Não é com universidades privadas, que mais não passam de supermercados de venda de licenciaturas, que o país poderá formar uma elite qualificada. Não é com a instabilidade criada aos jovens professores, que ainda não entraram no quadro (processo infernal que demora uma dezena de anos, obrigando-os a mudar de escola em cada ano lectivo), que se criam as condições ideais para o exercício pleno da docência. Não é com a mudança constante de currículos, que nunca chegam a amadurecer, que se garante a escolha do melhor modelo. Não é com a influência dos vários lobies, que se consegue implementar um programa nacional educativo coerente. Não é com os facilitismos dos exames e da avaliação, nem com a criação de vias paralelas ao percurso curricular principal, que se desenvolvem competências.
É necessário, urgentemente, inventar o país com uma reforma profunda do sistema educativo, quer no ponto de vista administrativo e organizacional, quer no ponto de vista pedagógico. Caso contrário, não subiremos na escala do desenvolvimento.
***
abnoxio
Um murro no estômago da estupidez docente...
No essencial, concordo com a mensagem deste apelo. O que, em geral, se passa diariamente nas salas de aula (digo, nas "jaulas") das nossas escolas é um absurdo, um contra-senso. Os alunos precisam de muito mais do que aquilo que os professores, normalmente, lhes oferecem. Basta ter filhos "escolarizados" e não ser completamente idiota para o perceber.
Posted by Ademar Santos on outubro 26, 2007 09:29 PM

Comentário:
Não perceber o que Ademar Santos afirma, significa ignorar o desastre total a que conduziram as políticas educativas dos sucessivos governos depois do 25 de Abril. Pedagogias erradas, manuais errados, professores mal preparados, pais distraídos, facilitismos aberrantes, um parque escolar improvisado e degradado, na maior parte dos casos, e, ainda por cima, mal concebido para uma escola moderna, reformas sobre reformas, elaboradas numa óptica centralizadora e sem levar em linha de conta as assimetrias regionais e sociais, e uma sociedade que nunca valorizou, nem valoriza ainda, a importância do conhecimento no desenvolvimento harmonioso e equilibrado de um País, tinha de resultar nesta moléstia que é a iliteracia dos portugueses.Um ensino que não aposte no rigor e no trabalho individual de cada aluno, um ensino que não se oriente para o desenvolvimento da capacidade de aprender a saber pensar, antes optando-se por oferecer uma acumulação errática de matérias nas várias disciplinas, não pode de maneira alguma apetrechar as novas gerações para os grandes desafios impostos pela globalização total (não só a económica).Um simples exemplo para explicar o anacronismo que acaba por contaminar os próprios docentes: numa pequena cidade de província, um jovem professor, cheio de ideais, queixava-se amargamente perante um colega mais velho da má preparação em matemática de uma turma de raparigas do 9º ano que recebera para leccionar. "Não te preocupes", disse o colega mais velho, para depois acrescentar, "as raparigas apenas necessitam de conhecimentos rudimentares, porque a maior parte delas vai empregar-se como operadoras de caixa num supermercado".
Posted by: Alexandre de Castro October 26, 2007 10:42 PM

sábado, 30 de outubro de 2010

Novas Oportunidades: um programa típico do país do faz de conta...

Clicar na imagem para a ampliar
Amabilidade da amiga Pilar Vicente, que enviou esta imagem.
***
Esta imagem desmonta muito bem, e com aquela ironia demolidora, a mentira do projecto Novas Oportunidades, desenhado à medida das ambições do primeiro-ministro, José Sócrates, que, se não tivesse sido chamado para tão alto cargo, já hoje teria na mão o diploma de Doutor em Engenharia, na variante de Inglês Técnico, outorgado pela prestigiada Universidade Independente, entretanto falida.
O projecto Novas Oportunidades é bem a imagem do país do faz de conta, que se construiu nos últimos trinta anos. Um projecto que pretende tratar por igual uma realidade que é desigual. Para o país é um projecto inútil. Para o governo é um projecto que apenas serve para alindar as estatísticas. Para os utilizadores, um desperdício, pois o mercado não lhes reconhece as competências e as equivalências, que o decreto, que instituiu o programa, anunciou com pompa e circunstância. É um programa nado-morto, marcado à nascença pela falta de credibilidade necessária para se impor como uma alternativa autónoma em relação ao currículo escolar normal.
José Sócrates é um dos primeiros espécimens, que marcou o advento da geração rasca. Agora, quer deixar o seu sinal de indigência intelectual e moral na formatação da geração dos grunhidores, aquela geração bem tipificada pela grande maioria dos frequentadores do Facebook, e que, ao nível do pensamento e da escrita, não ultrapassa a fase primária dos grunhidos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Notas do meu rodapé: Depois de acabar com os chumbos, acabem com as escolas!...


- Isabel Alçada diz que a fórmula do chumbo “não tem contribuído para a qualidade do sistema”. “A alternativa é ter outras formas de apoio, que devem ser potenciadas para ajudar os que têm um ritmo diferenciado”, adiantou a governante, acrescentando que pondera alterar as regras de avaliação durante o seu mandato, apesar de pretender um consenso e um debate alargado no sector.
- O PSD considerou hoje “grave”, “errado”, embora “não surpreendente”, a intenção do Governo de acabar com os chumbos no ensino e avisa que vai concentrar esforços em sede parlamentar para impedir a medida de avançar.
- A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) alertou hoje para o perigo de seguir o caminho do facilitismo e da deturpação das estatísticas de sucesso escolar ao acabar com os chumbos no ensino.
- O CDS-PP considerou hoje um “disparate” e uma “injustiça” a intenção do Governo de acabar com os chumbos no ensino, opondo-se “tenaz e competentemente” à medida e sustentando que “Portugal necessita de valorizar a cultura do mérito”.
- O PCP considerou hoje que a proposta da ministra da Educação de acabar com os chumbos nas escolas é uma medida “facilitista” e que “desqualifica completamente o ensino”, sublinhando que a intenção não resolve nenhum problema.
- A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) mostrou-se hoje preocupada com a intenção da ministra da tutela de acabar com os chumbos dos alunos, considerando-a “avulsa” e uma “acção de merchandisig”.
- A Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) considerou hoje que o fim dos chumbos em Portugal será a maior revolução na educação desde o 25 de Abril, dando o seu apoio à ideia da ministra da tutela.
PÚBLICO
***
Apenas a Confap rejubilou com a intenção da ministra Isabel Alçada de acabar com o processo de retenções nas escolas.
Isabel Alçada ainda não percebeu que está a ser utilizada pelo núcleo duro do governo de José Sócrates para assumir o ónus da maior ofensiva de que há memória para consumar a destruição do ensino público em Portugal, reduzindo-o a uma dimensão minimalista, para que os privados se instalem confortavelmente no sector. A mesma estratégia está a ser seguida na Saúde e na Segurança Social. As três ministras, titulares de cada uma daquelas pastas, tendo sido escolhidas a dedo, quer devido ao prestígio de uma, à experiência na área a Saúde de outra e à origem sindicalista da terceira, não se importam de servir de capacho a um governo que, secretamente, e em estrita obediência à cartilha neoliberal e aos ditames do grande capital, onde a regra é diminuir a intervenção do Estado nas áreas sociais, está apostado em minar os alicerces dos pilares daquelas mesmas áreas sociais.
À ministra Isabel Alçada apenas foi exigido, em troca da ocupação de um gabinete ministerial e da mordomia de um automóvel com motorista, que reduzisse drasticamente a despesa no seu sector e que alindasse, por via do facilitismo, as estatísticas dos resultados escolares. Caso a intenção do governo, em acabar com os chumbos, avance, Portugal irá apresentar nos próximos anos a invejável taxa de 100 por cento no aproveitamento e no rendimento escolar dos seus alunos. E de nada vale invocar os exemplos dos países nórdicos, cujas realidades sociais e culturais são completamente diferentes. Nesses países, a educação é encarada como um dos factores mais importante para o seu desenvolvimento económico e os seus respectivos governos empenharam-se e empenham-se, de uma forma honesta e responsável, em criar condições objectivas e realistas para possibilitar a potenciação da aquisição de competências técnicas e culturais por parte dos seus alunos. Nesses países não se assiste a este espectáculo indecoroso de querer mudar paradigmas educacionais, através de medidas administrativas avulsas e desgarradas, completamente descontextualizadas de outras medidas estruturais (revisão de currículos, diminuição dos números por turma, equipas multidisciplinares, avaliações contínuas dos alunos para melhor flexibilizar modelos de aprendizagem, admissão, formação e avaliação de professores, segundo um modelo verdadeiramente científico), que promovessem a aquisição de conhecimentos e a apreensão e a modelação de valores culturais.
Isabel Alçada não avançou com nenhum programa coerente de reforma educativa. Não foi isso que lhe pediram. Ela apenas tem de se preocupar com iniciativas que poupem dinheiro ao Estado e em melhorar as estatísticas, distorcendo a realidade. Acabar com os chumbos por decreto obedece inteiramente à prossecução daqueles objectivos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Um quarto dos alunos reprovou a Física e Química A

Um quarto dos alunos que fizeram o exame nacional
de Física e Química A reprovou. Foi a esta disciplina,
a que se submeteram 35.826 alunos, que a média
nacional foi a mais baixa: 81 pontos (numa escala de
0 a 200), e de 85 para os alunos internos, ou seja, para
aqueles que estiveram inscritos na escola e fizeram a
disciplina. Os alunos internos, na maior parte das
provas, obtêm melhores resultados do que os que se
autopropõem a exame. O Ministério da Educação
divulgou hoje os resultados da 1.ª fase dos exames
nacionais do ensino secundário.
PÚBLICO
***

Não se preocupem, meninos! Para o próximo ano, a senhora ministra ordenará a elaboração de provas mais acessíveis, para que todos os alunos possam ficar aprovados. É esta a regra.

domingo, 27 de junho de 2010

Ministério contesta críticas ao facilitismo das provas para repetentes do 8.º ano


O Ministério da Educação contestou hoje as
críticas feitas aos exames nacionais do 9.º
ano destinados a um grupo de alunos
repetentes no 8.º ano de que seriam mais
fáceis para permitir o sucesso daqueles
estudantes.
Em comunicado, o Ministério considera que
não existe “qualquer fundamento a
argumentação que sustenta a existência de
uma redução do grau de dificuldade das provas
da 2.ª chamada, por comparação com as da 1.ª
chamada, com intuito de facilitar o sucesso dos
alunos”. Pela primeira vez este ano, os alunos
repetentes no 8.º ano com mais de 15 anos
puderam realizar os exames do 9.º ano na 2.ª
chamada.
PÚBLICO
***
Ou me engano muito, ou estas meninas e meninos que, frequentado o 8º ano, como repetentes, acabaram por fazer exame do 9º ano (a aprovação estará garantida para a maioria), ainda acabam por vir a concluir a licenciatura de engenharia, na variante de Inglês Técnico, e um deles, pelo menos, ainda poderá a aspirar ao cargo de primeiro-ministro, daqui por alguns anos.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Estudantes têm cada vez mais dificuldades de base a Matemática

Clicar na imagem para a ampliarUm meio mais um meio? 27 % dos alunos do
Técnico falharam. Professores alertam que as
lacunas que os “caloiros” trazem afectam as
licenciaturas. E temem não recuperá-los.
PÚBLICO
***
O problema deve estar nos cromossomas!
http://www.publico.pt/Educação/estudantes-tem-cada-vez-mais-dificuldades-de-base-a-matematica_1443028

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Exame do 9º ano privilegia poesia


Poesia em força. Nuno Júdice com “Para Escrever o Poema”,
e Camões, com duas estrofes do Canto I dos Lusíadas, foram
os autores escolhidos para o exame de Língua Portuguesa do
9º ano, realizado esta manhã.
PÚBLICO
***
Uma boa notícia para os poetas!...

Notas do meu rodapé: Com patrões destes, o que é que Portugal pode esperar?!

Já se percebeu que o governo, submetido aos interesses do grande capital, está a procurar, utilizando uma argumentação falaciosa, recuperar a competitividade da economia, através da desvalorização dos salários. As medidas assumidas nas duas versões do PEC perseguem, de uma formas camuflada, esse objectivo. É certo que, por essa via, seria possível, momentaneamente, ganhar competitividade ao nível das exportações. Mas isso, para além de não contribuir para o desenvolvimento futuro, uma vez que com salários reduzidos o mercado interno definharia, seria sol de pouca dura. Outros países, com níveis salariais inferiores, já estão a perfilar-se para, com vantagem competitiva, concorrerem nos tradicionais mercados externos dos produtos portugueses, realidade que, consequentemente, obrigaria a um novo ciclo de desvalorizações salariais no nosso país, para se manter essa mesma competitividade. A repetirem-se estes ciclos, de desvalorizações sucessivas de salários para alavancar o aumento das exportações, o desenvolvimento da economia ficaria comprometido, já que não haveria estímulo para apostar em força na investigação e na inovação. Com salários tendencialmente a descer, o país ficaria cada vez mais pobre.
O problema central do bloqueio da economia portuguesa explica-se pelo desajustamento do tecido produtivo em relação ao bloco económico em que está inserido, agravado pela falta de empreendedorismo dos empresários portugueses, que se constitui no principal problema da fraca competitividade. Para isso contribuíram factores culturais e históricos. As classes dominantes de Portugal, antigamente a aristocracia e, actualmente, a burguesia, a nova e a velha, enriqueceram à custa da protecção do Estado. A pimenta da Índia, o ouro do Brasil, os escravos de África, o condicionamento das importações durante o regime salazarista e os rios de dinheiro (mal aplicados) da União Europeia formaram, ao longo da história, classes dominantes parasitárias, que, sem qualquer esforço ou engenho, acumularam riquezas desproporcionadas em relação ao seu valor intrínseco. No momento actual, para que se mantenha o mesmo nível de enriquecimento da classe dominante, exige-se que o Estado aumente a carga fiscal do factor trabalho, reduza os direitos sociais e diminua o nível salarial dos trabalhadores. Com esta política suicida, Portugal será cada vez mais um país pobre e sem futuro.
Não admira que, em Portugal, a economia se ressinta da falta de uma visão estratégica de longo prazo, cujo eixo dinamizador assentasse na educação e na aquisição de competências da população. A classe empresarial portuguesa, constituída por cerca de 290 mil indivíduos, tem uma formação académica inferior à dos cinco milhões de trabalhadores que emprega, sendo as suas qualificações muito inferiores às dos seus congéneres espanhóis e europeus (ver quadro).
Nota: Agradeço ao João Grazina a preciosa ajuda no tratamento informático do quadro apresentado neste post.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Notas do meu rodapé: O grande desastre da Educação em Portugal


Escolaridade média dos portugueses é a segunda pior da OCDE

Em 50 anos, os portugueses mais do que duplicaram
o seu tempo médio de permanência na escola, mas
apesar deste salto Portugal continua a estar em
penúltimo lugar entre os países da OCDE, mantendo
assim a mesma posição relativa que ocupava em 1960,
segundo confirmam dados da OCDE respeitantes a 2010
a que o PÚBLICO teve acesso. A escolaridade média dos
portugueses entre os 15 e os 64 anos que já não
frequentavam a escola era, em 1960, de 3,15 anos. Na
OCDE só a Turquia estava então pior. À semelhança de
Portugal, também não conseguiu descolar desta posição:
é a mesma que ocupa em 2010, apesar de a escolaridade
média ter subido para 6,89 anos. Em Portugal, situa-se
agora em 7,89. O mesmo já não aconteceu, por exemplo,
com a República da Coreia. Passou de 4,98 anos de
escolaridade média em 1960 para 13,34 em 2010. Era o
país com a quarta pior escolaridade média da OCDE.
Agora está entre os dois melhores, disputando o primeiro
lugar com o Reino Unido.
PÚBLICO
***
Neste campeonato, já devíamos estar na 2ª divisão distrital. No conjunto dos 31 países, que fazem parte da OCDE, Portugal compara-se com a Turquia. Um desastre completo, que os políticos não querem admitir. E o problema do nosso desenvolvimento, ou da falta dele, passa pela educação, que estrondosamente falhou. A qualificação dos portugueses é péssima, pior do que a de alguns países do terceiro mundo, que não aparecem na lista, por não pertencerem à OCDE.
Os antigos países socialistas (República Checa, Eslováquia, Polónia e Hungria), que já pertencem à OCDE, ocupam lugares invejáveis neste ranking. O regime comunista deixou-lhes como herança um sistema de ensino de elevada qualidade, que só os ideologicamente vesgos não querem admitir.
Portugal perdeu uma oportunidade histórica de edificar um sistema nacional de ensino, que valorizasse o mérito, o trabalho e as competências. Cada governo fez a sua reforma do ensino, e cada uma sempre pior do que a anterior. Actualmente vive-se de remendos, com uma ministra a tentar justificar que não é preciso frequentar as aulas, durante o 9º ano, para se passar para o 10º ano, e um primeiro-ministro, que além de ter perdido um ano lectivo com o problema da avaliação dos professores, anda agora a tentar demonstrar que fechar escolas é a melhor decisão para melhorar o ensino, copiando o gesto daquele antigo ministro da Saúde que desatou a fechar maternidades, e pôs as grávidas a parir nas ambulâncias.
É evidente que os principais culpados são os sucessivos governos do PS e do PSD. Mas também não se pode excluir deste quadro os agentes de ensino e os sindicatos de professores, mais preocupados em garantir o genaralato a todos os soldados de um exército medíocre (com honrosas excepções, claro). E alguém, um dia, terá de enfrentar esta triste realidade para que Portugal possa inverter o seu declínio, que parece já ser irreversível. E a educação é a chave do progresso no futuro. O crescimento do PIB, como demonstrou a Coreia do Sul, depende, a longo prazo, da educação e da aquisição de competências. É necessário uma política educativa que renuncie ao facilitismo e valorize o trabalho e a aplicação do aluno; é necessário adoptar práticas pedagógicas realistas e já testadas, abandonando o romantismo bem intencionado de algumas; é necessário melhorar as condições de acesso à profissão de professor, através de uma rigorosa selecção e de uma formação contínua, devidamente estruturada e dotada de grande flexibilidade, para evitar a sua burocratização; é necessário introduzir um processo credível de avaliação (o da antiga ministra da Educação era um autêntico aborto); e, acima de tudo, é necessário estabilizar a colocação de professores nas escolas e motivá-los e remunerá-los de acordo com o seu estatuto social e com o seu mérito.

sábado, 5 de junho de 2010

Notas do meu rodapé: varrer o lixo para debaixo do tapete...

Regimes diferentes para o 8.º ano em vigor este ano podem violar a Constituição
Despacho governamental cria um sistema de
benefício injustificável para os alunos que não
cumpriram, frisa constitucionalista.
Os diferentes regimes legais a que este ano
estão sujeitos os alunos do 8.º ano do
ensino básico poderão atentar contra o princípio
constitucional de igualdade. "Pode levantar-se
a possibilidade de violação desse princípio, uma
vez que são criadas condições mais favoráveis
para alguns alunos, que não são dadas aos
outros", confirmou ao PÚBLICO o constitucionalista
Tiago Duarte a propósito das três situações
distintas que, por despacho do Ministério da
Educação, datado de Fevereiro, foram criadas
no que respeita às possibilidades de conclusão
do 3.º ciclo.
PÚBLICO
***
Não é só o problema do princípio da legalidade e da constitucionalidade que está em causa. É também o próprio objectivo da escola e a sua nobre missão que ficam em risco. O que a ministra está a dizer ao país é que a escola, tendencialmente, é um local de passagem, não para ensinar e aprender, mas para emitir certificados de habilitações, através de exames. É uma visão perigosamente redutora da função da escola.
O sistema de ensino, construído numa perspectiva, que só admitia o sucesso escolar, nunca soube lidar com o seu insucesso. Para o ultrapassar, recorreu ao facilitismo e à batota, enganando os alunos, as famílias e os professores, numa fuga para à frente, que se revelou desastrosa. Os meninos com mais dificuldades de aprendizagem, e que agora vão ingressar no 7º ano de escolaridade, já sabem que não será necessário aplicarem-se muito. Quando chegarem ao 8º ano, podem desistir, e terão a passagem garantida para o 10º ano, se tiverem aprovação num exame, onde as perguntas, com toda a probabilidade, já contêm implicitamente as respostas.
O Ministério da Educação continua a varrer o lixo para debaixo do tapete.

domingo, 11 de abril de 2010

Notas do meu rodapé: A direita continua a desprezar as funções sociais do Estado


O líder do PSD (Passos Coelho) defende
que os portugueses que pagam impostos
devem ter direito a fazer as suas escolhas
na saúde e na educação.
Diário de Notícias
***
Quando um político, com ambições a primeiro-ministro, começa a falar no direito de escolha na saúde e da educação, ele está a revelar falaciosamente a sua intenção de privatizar aqueles dois importantes pilares sociais. A partir da concretização dessa intenção seria muito mais fácil ao Estado libertar-se progressivamente dos respectivos encargos, transferindo-os para os cidadãos, que passariam a pagar a saúde e o ensino como se de um novo imposto se tratasse.
Aqueles que defendem o desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde e a privatização das escolas públicas, com o argumento insano de que os privados praticariam uma melhor gestão, esquecem-se ou fingem esquecer-se de que não é a perspectiva do lucro a melhor garantia para a qualidade e a equidade dos serviços sociais. As fracassadas iniciativas do passado recente provam isso mesmo.
Dou dois exemplos. A parceria público-privada, que fundamentou a construção e a exploração do Hospital Amadora-Sintra, revelou-se para o Estado um desastre no ponto de vista financeiro, a que se soma a insuficiência dos cuidados clínicos, principalmente para as doenças crónicas, que não dão lucro. Os doentes oncológicos e os doentes com sida e com turbeculose são vítimas de uma pressão constante para se transferirem para um hospital público. Ao contrário, o serviço de obstetrícia é exemplar na qualidade de acolhimento, já que devido à enorme rotatividade das utentes, a taxa de lucro processa-se em progressão geométrica.
No sector da educação, o país está a pagar caro a abertura do ensino universitário ao sector privado, uma iniciativa desastrosa do cavaquismo, que provocou o desperdício de recursos financeiros das famílias. Como bons gestores, o que não se duvida, mas no interesse próprio e não no interesse do país, os accionistas das empresas que titulavam as universidades privadas procuraram inflacionar a oferta dos chamados cursos de lápis e caderno (Direito, Ciências Sociais, Humanidades), que não exigiam muito investimento inicial e favoreciam a obtenção de lucros elevados e imediatos, política esta que veio a resultar na formação de um indesejável e enorme excedente de licenciados naquelas áreas, e que o mercado não conseguiu absorver. A frustação para aqueles jovens licenciados não poderia ser maior.
Existe, no entanto, um outro perigo que ameaçará a coesão social do país, se a persistente intenção de alienar para os privados a saúde e a educação vier um dia a concretizar-se, tal como a direita defende. Numa situação destas, o Estado reduziria a sua acção, mantendo os serviços mínimos para os mais pobres e os ricos usufruiriam, com a ajuda parcial do Estado, do acesso aos serviços privados, que entretanto melhorariam a sua qualidade, embora nunca pudessem atingir o desiderato proporcionado pelos benefícios da articulação funcional das diferentes unidades, que só o Serviço Nacional de Saúde e a Escola Pública, organicamente, podem alcançar.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Plano Tecnológico da Educação não pode retroceder...



O Plano Tecnológico da Educação (PTE), que não se resume à distribuição do computador Magalhães, não pode retroceder, pois desperdiçar-se-ia o enorme esforço financeiro efectuado. Aceitam-se as críticas da oposição às várias opções nesta matéria, mas não se pode desvalorizar o mérito deste governo em dotar as escolas e os alunos com computadores, a ferramenta básica necessária sem a qual não se poderia avançar para outras etapas, que aperfeiçoassem o plano com outra dinâmicas. É importante salientar que em 2005 havia nas escolas públicas um computador para 18 alunos, passando-se em 2009 para um rácio de 5,3 alunos por computador. Este investimento, que na sua fase inicial ascendeu aos 400 milhões de euros, vai ter consequências na formação da actual geração de estudantes do ensino básico ao secundário, possibilitando-lhes a aquisição de competências, que vão ser úteis à economia nacional quando eles começarem a integrar-se, daqui por una anos, no mercado de trabalho. Não se pode falar em revolução tecnológica na economia se não se constituir, a diversos níveis de formação, uma base alargada de trabalhadores que se adaptem com facilidade às constantes evoluções da tecnologia. O importante, é que os futuros governos não se deslumbrem com os planos elaborados e não se esqueçam da sua eficaz aplicação no terreno, nem cedam à tentação de fazer a fácil demagogia eleiçoeira, baseados apenas nas ilusões das aparências.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A avaliação dos professores marcou decisivamente, pela negativa, o mandato de Maria Lurdes Rodrigues

Negar o óbvio, por estupidez ou por ignorância, já é dramático. Negá-lo por conveniência, além de dramático, é desonesto. E quando essa negação vem de um responsável ministerial, a atitude é abjecta. Maria de Lurdes Rodrigues sabe muito bem que, durante o seu mandato, como ministra da Educação do governo de José Sócrates, pouco fez para que a qualidade do ensino melhorasse. Nos últimos tempos, passou o tempo entrincheirada para salvar o seu absurdo modelo de avaliação dos professores, que se resumia unicamente a um vasto e confuso questionário, e a tentar defender-se dos ataques certeiros dos sindicatos, que também já demonstraram não estar interessados em nenhum modelo de avaliação.

Maria de Lurdes Rodrigues, no futuro, apenas irá ser recordadda como a ministra da avaliação. Nada mais.Se não houve alterações estruturais ao nível da política de ensino, e, as que se fizeram, (como aquela que visou, perseguindo o duvidoso conceito da escola inclusa, a integração de alunos com deficiência nas turmas com currículo normal) foram mal concebidas e mal executadas, como seria possível apresentar uma melhoria de resultados ao nível das retenções e do abandono escolar, no ensino básico e no secundário? Só por milagre! E Maria de Lurdes Rodrigues já não acredita em milagres, a não ser nos que ela própria promove para efeitos de pura propaganda.

O facilitismo foi, sem dúvida, o método escolhido para embelezar as estatísticas, tentando passar a ideia do acerto e da eficácia da política do PS na Educação. Os enunciados dos exames de Português e de Matemática apresentam-se cada vez mais fáceis. O grau de dificuldade de alguns problemas de matemática do 9º ano aproximava-se do grau de dificuldade de uma prova do 6º ano. Nas entrevistas televisivas, os alunos não escondiam o seu contentamento perante a facilidade evidenciada.

Quando as instituições internacionais vierem confirmar a diminuição da qualidade do ensino, nestes últimos anos, já ninguém se vai lembrar das declarações da actual ministra, que fez dopping para melhorar a performance da sua política educacional.

sábado, 1 de agosto de 2009

A conta poupança futuro é enganadora e inútil...



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Neste período de pré-campanha eleitoral, o PS persegue o objectivo de distribuir dinheiro a rodo pelos portugueses, numa manobra de sedução enganadora e inútil. A promessa de disponibilizar 200 euros para constituir uma conta poupança futuro, em nome de cada criança nascida, e com uma maturidade de 18 anos, tem todos os ingredientes falaciosos da "benemérita" moratória de 50 por cento no valor das prestações do empréstimo da casa, onde apenas se vai diferir para o futuro um agravamento substancial do valor dessa mesma prestação, com a adição dos respectivos encargos contraídos. A moratória não passa de mais um empréstimo para pagar outro empréstimo, cujo único e exclusivo beneficiário é o banco credor.

Com a atribuição do subsídio para a conta poupança futuro, também serão as entidades bancárias a ficar com a parte de leão, como muito bem disse o líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, já que os juros remuneratórios são muito baixos e não compensam a inamobilidade da conta durante tão largo período de tempo. É, pois, uma medida enganadora e pouco dispendiosa para os futuros Orçamentos de Estado, pois a adesão vai ficar ao mesmo nível do alcançado pela concessão da moratória parcial da prestação do crédito à habitação. Poucos casais reconhecerão reais benefícios numa medida de efeitos a tão longo prazo, sabendo-se que as dificuldades financeiras se agigantam nos orçamentos familiares ainda no período de gravidez das mães e que se agravam durante a infância e a adolescência. É, pois, uma medida também inútil.

Por outro lado, este incentivo surge desgarrado de uma qualquer estratégia abrangente e multi-sectorial para aumentar a natalidade, que se encontra num patamar de risco para poder garantir a renovação geracional da população portuguesa e a consequente solidariedade institucional, através da Previdência Social.

Seria útil aos governos, principalmente a este, mas também aos próximos, que se debruçassem sobre «o que de melhor se faz na Europa», como os políticos gostam de afirmar a propósito de tudo e de nada.

Na Alemanha, o governo social-democrata de Schroeder concluiu, através de estudos sérios e metodologicamente correctos, que seria mais benéfico para o crescimento da economia do país investir no alargamento das redes institucionais de apoio à criança, apostando na sua qualidade de serviços, do que permitir que as jovens mães, principalmente as de formação superior, optassem por ficar em casa, na situação de desemprego voluntário, para cuidarem dos seus filhos. Se essa mães, fossem convictamente motivadas, perante a aplicação de uma eficaz política de apoio às crianças, o seu regresso ao trabalho traduzir-se-ia em mais descontos para a segurança social e para o IRS, o que, por si só, cobriria o investimento em mais e melhores creches e infantários, privilegiando uma distribuição de proximidade, e, também, aquele a aplicar no recrutamento e formação do pessoal técnico especializado, para trabalhar nessas instituições. O actual governo da chanceler Merk começou a aplicar estas medidas de fundo, ultrapassando facilmente, o que não acontece em Portugal, o facto de elas terem sido concebidas pelos seus históricos adversários políticos, seguindo lema de que é inútil partidarizar aquilo que é reconhecidamente útil para a sociedade.


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