Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Ensino. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ensino. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Ensino de Religião apenas deveria ser permitido ministrar a maiores de 18 nanos...


O ensino da Religião, qualquer que ela seja, deveria ser absolutamente proibido de ser ministrado a pessoas com menos de 18 anos. Só a partir desta idade é que o acesso a esse ensino seria permitido a todos aqueles que, voluntariamente, e em plena liberdade, fizessem essa opção, da qual seriam os únicos responsáveis.
Com esta medida, as religiões ganhariam dignidade e autenticidade, já que seriam constituídas por crentes, que a elas aderiam em plena consciência. Impor e ensinar uma Religião a uma criança ou a um adolescente, que ainda não têm a sua consciência formada, e servir--se da sua inocência, para mais facilmente lhes incutir uma crença e uma doutrina, é um inqualificável abuso.
O Direito Internacional da Criança deveria consignar este princípio.

domingo, 2 de outubro de 2011

O sistema educativo integra, mas integra mal...

Amabilidade do João Fráguas
***
É certamente um caso extremo, que constitui uma excepção. Mas temos de admitir que a escola falhou. Salva-se uma pequena elite de bons alunos, proveniente da classe média alta. A maioria dos alunos não conseguiu alcançar os objectivos desejados, principalmente em duas disciplinas fundamentais, a Matemática e a Língua Portuguesa. E, em relação a esta última, basta passear os olhos pelo Facebook. Só se ouvem grunhidos, e tropeça-se constantemente em caracteres e rabiscos, que mais parecem hieróglifos.  Em cada palavra, a sua minhoca. Além dos erros ortográficos, das conjugações verbais mal formuladas e da pobreza de vocabulário, a maioria das pessoas não consegue exprimir por escrito um pensamento mais complexo. Um desastre! 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Saber contar até 8 bastava para pergunta de Física


Teste de Físico-Química do 9.º ano identificava planetas do sistema solar e depois pedia a alunos para dizerem quantos são.
Diário de Notícias
***
Era previsível. A metodologia das Novas Oportunidades já está a ser aplicada no ensino regular. Agora só falta transpor para o ensino superior público a metodologia da extinta Universidade Independente, onde o primeiro ministro se licenciou em engenharia, na versão de Inglês Técnico. Mas levem também o professor Morais para fazer os exames aos alunos.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Coisas que eu escrevi: Uma Educação que falhou...

Em Outubro de 2007, escrevi um comentário no blogue abnoxio, a propósito de um texto do poeta Ademar Santos, e que republico aqui, por considerar que continua actual na maioria dos seus pressupostos.
Enquanto Portugal não encarar a sério o sistema educativo, através de uma reforma profunda, que lhe corrija as entorses, não poderá progredir. Recordo as palavras da presidente da Finlândia, quando ela afirmou que o seu país não tinha recursos naturais e que a sua maior riqueza era constituída pelos cidadãos finlandeses, em cuja educação se investiu muito, ao longo dos anos.
Portugal também não tem muitos recursos naturais, e, por isso, numa estratégia de longo prazo, terá de trabalhar muito para que o nível de competências, a todos os níveis, possa suprir aquela carência. Não é com universidades privadas, que mais não passam de supermercados de venda de licenciaturas, que o país poderá formar uma elite qualificada. Não é com a instabilidade criada aos jovens professores, que ainda não entraram no quadro (processo infernal que demora uma dezena de anos, obrigando-os a mudar de escola em cada ano lectivo), que se criam as condições ideais para o exercício pleno da docência. Não é com a mudança constante de currículos, que nunca chegam a amadurecer, que se garante a escolha do melhor modelo. Não é com a influência dos vários lobies, que se consegue implementar um programa nacional educativo coerente. Não é com os facilitismos dos exames e da avaliação, nem com a criação de vias paralelas ao percurso curricular principal, que se desenvolvem competências.
É necessário, urgentemente, inventar o país com uma reforma profunda do sistema educativo, quer no ponto de vista administrativo e organizacional, quer no ponto de vista pedagógico. Caso contrário, não subiremos na escala do desenvolvimento.
***
abnoxio
Um murro no estômago da estupidez docente...
No essencial, concordo com a mensagem deste apelo. O que, em geral, se passa diariamente nas salas de aula (digo, nas "jaulas") das nossas escolas é um absurdo, um contra-senso. Os alunos precisam de muito mais do que aquilo que os professores, normalmente, lhes oferecem. Basta ter filhos "escolarizados" e não ser completamente idiota para o perceber.
Posted by Ademar Santos on outubro 26, 2007 09:29 PM

Comentário:
Não perceber o que Ademar Santos afirma, significa ignorar o desastre total a que conduziram as políticas educativas dos sucessivos governos depois do 25 de Abril. Pedagogias erradas, manuais errados, professores mal preparados, pais distraídos, facilitismos aberrantes, um parque escolar improvisado e degradado, na maior parte dos casos, e, ainda por cima, mal concebido para uma escola moderna, reformas sobre reformas, elaboradas numa óptica centralizadora e sem levar em linha de conta as assimetrias regionais e sociais, e uma sociedade que nunca valorizou, nem valoriza ainda, a importância do conhecimento no desenvolvimento harmonioso e equilibrado de um País, tinha de resultar nesta moléstia que é a iliteracia dos portugueses.Um ensino que não aposte no rigor e no trabalho individual de cada aluno, um ensino que não se oriente para o desenvolvimento da capacidade de aprender a saber pensar, antes optando-se por oferecer uma acumulação errática de matérias nas várias disciplinas, não pode de maneira alguma apetrechar as novas gerações para os grandes desafios impostos pela globalização total (não só a económica).Um simples exemplo para explicar o anacronismo que acaba por contaminar os próprios docentes: numa pequena cidade de província, um jovem professor, cheio de ideais, queixava-se amargamente perante um colega mais velho da má preparação em matemática de uma turma de raparigas do 9º ano que recebera para leccionar. "Não te preocupes", disse o colega mais velho, para depois acrescentar, "as raparigas apenas necessitam de conhecimentos rudimentares, porque a maior parte delas vai empregar-se como operadoras de caixa num supermercado".
Posted by: Alexandre de Castro October 26, 2007 10:42 PM

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Notas do meu rodapé: Depois de acabar com os chumbos, acabem com as escolas!...


- Isabel Alçada diz que a fórmula do chumbo “não tem contribuído para a qualidade do sistema”. “A alternativa é ter outras formas de apoio, que devem ser potenciadas para ajudar os que têm um ritmo diferenciado”, adiantou a governante, acrescentando que pondera alterar as regras de avaliação durante o seu mandato, apesar de pretender um consenso e um debate alargado no sector.
- O PSD considerou hoje “grave”, “errado”, embora “não surpreendente”, a intenção do Governo de acabar com os chumbos no ensino e avisa que vai concentrar esforços em sede parlamentar para impedir a medida de avançar.
- A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) alertou hoje para o perigo de seguir o caminho do facilitismo e da deturpação das estatísticas de sucesso escolar ao acabar com os chumbos no ensino.
- O CDS-PP considerou hoje um “disparate” e uma “injustiça” a intenção do Governo de acabar com os chumbos no ensino, opondo-se “tenaz e competentemente” à medida e sustentando que “Portugal necessita de valorizar a cultura do mérito”.
- O PCP considerou hoje que a proposta da ministra da Educação de acabar com os chumbos nas escolas é uma medida “facilitista” e que “desqualifica completamente o ensino”, sublinhando que a intenção não resolve nenhum problema.
- A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) mostrou-se hoje preocupada com a intenção da ministra da tutela de acabar com os chumbos dos alunos, considerando-a “avulsa” e uma “acção de merchandisig”.
- A Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) considerou hoje que o fim dos chumbos em Portugal será a maior revolução na educação desde o 25 de Abril, dando o seu apoio à ideia da ministra da tutela.
PÚBLICO
***
Apenas a Confap rejubilou com a intenção da ministra Isabel Alçada de acabar com o processo de retenções nas escolas.
Isabel Alçada ainda não percebeu que está a ser utilizada pelo núcleo duro do governo de José Sócrates para assumir o ónus da maior ofensiva de que há memória para consumar a destruição do ensino público em Portugal, reduzindo-o a uma dimensão minimalista, para que os privados se instalem confortavelmente no sector. A mesma estratégia está a ser seguida na Saúde e na Segurança Social. As três ministras, titulares de cada uma daquelas pastas, tendo sido escolhidas a dedo, quer devido ao prestígio de uma, à experiência na área a Saúde de outra e à origem sindicalista da terceira, não se importam de servir de capacho a um governo que, secretamente, e em estrita obediência à cartilha neoliberal e aos ditames do grande capital, onde a regra é diminuir a intervenção do Estado nas áreas sociais, está apostado em minar os alicerces dos pilares daquelas mesmas áreas sociais.
À ministra Isabel Alçada apenas foi exigido, em troca da ocupação de um gabinete ministerial e da mordomia de um automóvel com motorista, que reduzisse drasticamente a despesa no seu sector e que alindasse, por via do facilitismo, as estatísticas dos resultados escolares. Caso a intenção do governo, em acabar com os chumbos, avance, Portugal irá apresentar nos próximos anos a invejável taxa de 100 por cento no aproveitamento e no rendimento escolar dos seus alunos. E de nada vale invocar os exemplos dos países nórdicos, cujas realidades sociais e culturais são completamente diferentes. Nesses países, a educação é encarada como um dos factores mais importante para o seu desenvolvimento económico e os seus respectivos governos empenharam-se e empenham-se, de uma forma honesta e responsável, em criar condições objectivas e realistas para possibilitar a potenciação da aquisição de competências técnicas e culturais por parte dos seus alunos. Nesses países não se assiste a este espectáculo indecoroso de querer mudar paradigmas educacionais, através de medidas administrativas avulsas e desgarradas, completamente descontextualizadas de outras medidas estruturais (revisão de currículos, diminuição dos números por turma, equipas multidisciplinares, avaliações contínuas dos alunos para melhor flexibilizar modelos de aprendizagem, admissão, formação e avaliação de professores, segundo um modelo verdadeiramente científico), que promovessem a aquisição de conhecimentos e a apreensão e a modelação de valores culturais.
Isabel Alçada não avançou com nenhum programa coerente de reforma educativa. Não foi isso que lhe pediram. Ela apenas tem de se preocupar com iniciativas que poupem dinheiro ao Estado e em melhorar as estatísticas, distorcendo a realidade. Acabar com os chumbos por decreto obedece inteiramente à prossecução daqueles objectivos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Um quarto dos alunos reprovou a Física e Química A

Um quarto dos alunos que fizeram o exame nacional
de Física e Química A reprovou. Foi a esta disciplina,
a que se submeteram 35.826 alunos, que a média
nacional foi a mais baixa: 81 pontos (numa escala de
0 a 200), e de 85 para os alunos internos, ou seja, para
aqueles que estiveram inscritos na escola e fizeram a
disciplina. Os alunos internos, na maior parte das
provas, obtêm melhores resultados do que os que se
autopropõem a exame. O Ministério da Educação
divulgou hoje os resultados da 1.ª fase dos exames
nacionais do ensino secundário.
PÚBLICO
***

Não se preocupem, meninos! Para o próximo ano, a senhora ministra ordenará a elaboração de provas mais acessíveis, para que todos os alunos possam ficar aprovados. É esta a regra.

domingo, 27 de junho de 2010

Ministério contesta críticas ao facilitismo das provas para repetentes do 8.º ano


O Ministério da Educação contestou hoje as
críticas feitas aos exames nacionais do 9.º
ano destinados a um grupo de alunos
repetentes no 8.º ano de que seriam mais
fáceis para permitir o sucesso daqueles
estudantes.
Em comunicado, o Ministério considera que
não existe “qualquer fundamento a
argumentação que sustenta a existência de
uma redução do grau de dificuldade das provas
da 2.ª chamada, por comparação com as da 1.ª
chamada, com intuito de facilitar o sucesso dos
alunos”. Pela primeira vez este ano, os alunos
repetentes no 8.º ano com mais de 15 anos
puderam realizar os exames do 9.º ano na 2.ª
chamada.
PÚBLICO
***
Ou me engano muito, ou estas meninas e meninos que, frequentado o 8º ano, como repetentes, acabaram por fazer exame do 9º ano (a aprovação estará garantida para a maioria), ainda acabam por vir a concluir a licenciatura de engenharia, na variante de Inglês Técnico, e um deles, pelo menos, ainda poderá a aspirar ao cargo de primeiro-ministro, daqui por alguns anos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Exame do 9º ano privilegia poesia


Poesia em força. Nuno Júdice com “Para Escrever o Poema”,
e Camões, com duas estrofes do Canto I dos Lusíadas, foram
os autores escolhidos para o exame de Língua Portuguesa do
9º ano, realizado esta manhã.
PÚBLICO
***
Uma boa notícia para os poetas!...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Notas do meu rodapé: O grande desastre da Educação em Portugal


Escolaridade média dos portugueses é a segunda pior da OCDE

Em 50 anos, os portugueses mais do que duplicaram
o seu tempo médio de permanência na escola, mas
apesar deste salto Portugal continua a estar em
penúltimo lugar entre os países da OCDE, mantendo
assim a mesma posição relativa que ocupava em 1960,
segundo confirmam dados da OCDE respeitantes a 2010
a que o PÚBLICO teve acesso. A escolaridade média dos
portugueses entre os 15 e os 64 anos que já não
frequentavam a escola era, em 1960, de 3,15 anos. Na
OCDE só a Turquia estava então pior. À semelhança de
Portugal, também não conseguiu descolar desta posição:
é a mesma que ocupa em 2010, apesar de a escolaridade
média ter subido para 6,89 anos. Em Portugal, situa-se
agora em 7,89. O mesmo já não aconteceu, por exemplo,
com a República da Coreia. Passou de 4,98 anos de
escolaridade média em 1960 para 13,34 em 2010. Era o
país com a quarta pior escolaridade média da OCDE.
Agora está entre os dois melhores, disputando o primeiro
lugar com o Reino Unido.
PÚBLICO
***
Neste campeonato, já devíamos estar na 2ª divisão distrital. No conjunto dos 31 países, que fazem parte da OCDE, Portugal compara-se com a Turquia. Um desastre completo, que os políticos não querem admitir. E o problema do nosso desenvolvimento, ou da falta dele, passa pela educação, que estrondosamente falhou. A qualificação dos portugueses é péssima, pior do que a de alguns países do terceiro mundo, que não aparecem na lista, por não pertencerem à OCDE.
Os antigos países socialistas (República Checa, Eslováquia, Polónia e Hungria), que já pertencem à OCDE, ocupam lugares invejáveis neste ranking. O regime comunista deixou-lhes como herança um sistema de ensino de elevada qualidade, que só os ideologicamente vesgos não querem admitir.
Portugal perdeu uma oportunidade histórica de edificar um sistema nacional de ensino, que valorizasse o mérito, o trabalho e as competências. Cada governo fez a sua reforma do ensino, e cada uma sempre pior do que a anterior. Actualmente vive-se de remendos, com uma ministra a tentar justificar que não é preciso frequentar as aulas, durante o 9º ano, para se passar para o 10º ano, e um primeiro-ministro, que além de ter perdido um ano lectivo com o problema da avaliação dos professores, anda agora a tentar demonstrar que fechar escolas é a melhor decisão para melhorar o ensino, copiando o gesto daquele antigo ministro da Saúde que desatou a fechar maternidades, e pôs as grávidas a parir nas ambulâncias.
É evidente que os principais culpados são os sucessivos governos do PS e do PSD. Mas também não se pode excluir deste quadro os agentes de ensino e os sindicatos de professores, mais preocupados em garantir o genaralato a todos os soldados de um exército medíocre (com honrosas excepções, claro). E alguém, um dia, terá de enfrentar esta triste realidade para que Portugal possa inverter o seu declínio, que parece já ser irreversível. E a educação é a chave do progresso no futuro. O crescimento do PIB, como demonstrou a Coreia do Sul, depende, a longo prazo, da educação e da aquisição de competências. É necessário uma política educativa que renuncie ao facilitismo e valorize o trabalho e a aplicação do aluno; é necessário adoptar práticas pedagógicas realistas e já testadas, abandonando o romantismo bem intencionado de algumas; é necessário melhorar as condições de acesso à profissão de professor, através de uma rigorosa selecção e de uma formação contínua, devidamente estruturada e dotada de grande flexibilidade, para evitar a sua burocratização; é necessário introduzir um processo credível de avaliação (o da antiga ministra da Educação era um autêntico aborto); e, acima de tudo, é necessário estabilizar a colocação de professores nas escolas e motivá-los e remunerá-los de acordo com o seu estatuto social e com o seu mérito.

sábado, 5 de junho de 2010

Notas do meu rodapé: varrer o lixo para debaixo do tapete...

Regimes diferentes para o 8.º ano em vigor este ano podem violar a Constituição
Despacho governamental cria um sistema de
benefício injustificável para os alunos que não
cumpriram, frisa constitucionalista.
Os diferentes regimes legais a que este ano
estão sujeitos os alunos do 8.º ano do
ensino básico poderão atentar contra o princípio
constitucional de igualdade. "Pode levantar-se
a possibilidade de violação desse princípio, uma
vez que são criadas condições mais favoráveis
para alguns alunos, que não são dadas aos
outros", confirmou ao PÚBLICO o constitucionalista
Tiago Duarte a propósito das três situações
distintas que, por despacho do Ministério da
Educação, datado de Fevereiro, foram criadas
no que respeita às possibilidades de conclusão
do 3.º ciclo.
PÚBLICO
***
Não é só o problema do princípio da legalidade e da constitucionalidade que está em causa. É também o próprio objectivo da escola e a sua nobre missão que ficam em risco. O que a ministra está a dizer ao país é que a escola, tendencialmente, é um local de passagem, não para ensinar e aprender, mas para emitir certificados de habilitações, através de exames. É uma visão perigosamente redutora da função da escola.
O sistema de ensino, construído numa perspectiva, que só admitia o sucesso escolar, nunca soube lidar com o seu insucesso. Para o ultrapassar, recorreu ao facilitismo e à batota, enganando os alunos, as famílias e os professores, numa fuga para à frente, que se revelou desastrosa. Os meninos com mais dificuldades de aprendizagem, e que agora vão ingressar no 7º ano de escolaridade, já sabem que não será necessário aplicarem-se muito. Quando chegarem ao 8º ano, podem desistir, e terão a passagem garantida para o 10º ano, se tiverem aprovação num exame, onde as perguntas, com toda a probabilidade, já contêm implicitamente as respostas.
O Ministério da Educação continua a varrer o lixo para debaixo do tapete.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Notas do meu rodapé: Marinho e Pinto critica proliferação de cursos de Direito


O bastonário da Ordem dos Advogados
(OA), Marinho e Pinto, criticou ontem
os sucessivos governos e direcções da
Ordem pela proliferação "escandalosa"
de cursos de Direito em Portugal,
afirmando que nem todos os licenciados
têm lugar na profissão.
"Tenho de lançar uma crítica muito forte
aos sucessivos governos e às sucessivas
direcções da Ordem dos Advogados
perante a proliferação escandalosa de
cursos de Direito em Portugal", afirmou
Marinho e Pinto...
... "Formei-me quando havia três faculdades
de Direito em Portugal e hoje há cerca de
30 cursos de Direito espalhados por todo
o País, muitos deles que degradam o ensino
de Direito", revelou o responsável.


A denúncia oportuna de Marinho e Pinto, sobre a proliferação descontrolada de cursos de Direito e a má qualidade pedagógica de alguns deles, não deve apenas circunscrever-se a este domínio específico. Ela deve alargar-se à maioria dos cursos superiores, nos quais se verifica um grande desequilíbrio entre a oferta e as necessidades reais do país. Aqui, já que se trata de um importante pilar para o desenvolvimento e para a sustentabilidade do país, é descabido colocar a questão em termos economicistas, recorrendo às variáveis da oferta e da procura. Constitui um verdadeiro desperdício social e económico oferecer para o "mercado" cursos com excesso de candidaturas que, depois, esse mesmo "mercado" não consegue absorver. Além de trair as legítimas expectativas dos jovens, essa opção, que remonta ao cavaquismo, provoca o esvaziamento dos investimentos das famílias e do Estado, com prejuízos nítidos, nunca contabilizados, para a economia e para a sociedade.
A pressão da procura de ingresso no superior aumentou muito, depois da revolução de Abril, em consequência do voluntarismo romântico e bem intencionado de alguns e do laxismo oportunista de muitos. As passagens administrativas, a subversão da autoridade da escola, que começou a pagar a factura de décadas de autoritarismo, e a ausência de rigor no exercício das práticas pedagógicas e na avaliação dos alunos (os exames traumatizavam as criancinhas!), entre outros factores negativos, permitiram que milhares de alunos, sem qualquer mérito, se apresentassem nos portões das universidades do Estado, que naturalmente não os poderia absorver. Começou o calvário do numero clausus.
Cavaco Silva, à boa maneira neo-liberal, e convencido que a mão invisível do mercado resolve tudo, decidiu abrir o ensino superior aos privados, que não desperdiçaram mais esta oportunidade de negócio, num sector que, devido à sua relevância nacional, deveria ser da exclusiva competência do Estado. Os cursos, apenas os de lápis e caderno, pois os outros exigiam muito investimento à partida, apareceram como cogumelos, indo ao encontro das expectativas dos portugueses, que assim poderiam concretizar o mítico sonho de poderem ter em cada família um doutor ou um engenheiro. Foi o tempo áureo do ensino superior privado, que funcionou mais como uma indústria de licenciaturas do que como uma verdadeira universidade. Criou-se uma maneira artificiosa de vender diplomas aos alunos mais favorecidos economicamente, e que não conseguiram entrar nas universidades do Estado. Foi também o tempo dos doutores analfabetos, que não resistiam intelectualmente à formulação de um problema mais complexo. Quando hoje se fala da falta de qualificação da população portuguesa, tem de se incluir esses milhares de licenciados, produzidos nas universidade privadas, que foram ocupar lugares nas estruturas da função pública e das empresas, e para às quais não tinham competências suficientes, o que veio a afectar a produtividade e a competitividade do país.
Respondendo à pressão dos lobies, o Estado não soube fazer um planeamento entre a oferta de cursos superiores e as necessidades do país, evitando assim o desemprego de jovens licenciados, que se verifica actualmente, e reduzindo a margem de desperdício económico e social.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Plano Tecnológico da Educação não pode retroceder...



O Plano Tecnológico da Educação (PTE), que não se resume à distribuição do computador Magalhães, não pode retroceder, pois desperdiçar-se-ia o enorme esforço financeiro efectuado. Aceitam-se as críticas da oposição às várias opções nesta matéria, mas não se pode desvalorizar o mérito deste governo em dotar as escolas e os alunos com computadores, a ferramenta básica necessária sem a qual não se poderia avançar para outras etapas, que aperfeiçoassem o plano com outra dinâmicas. É importante salientar que em 2005 havia nas escolas públicas um computador para 18 alunos, passando-se em 2009 para um rácio de 5,3 alunos por computador. Este investimento, que na sua fase inicial ascendeu aos 400 milhões de euros, vai ter consequências na formação da actual geração de estudantes do ensino básico ao secundário, possibilitando-lhes a aquisição de competências, que vão ser úteis à economia nacional quando eles começarem a integrar-se, daqui por una anos, no mercado de trabalho. Não se pode falar em revolução tecnológica na economia se não se constituir, a diversos níveis de formação, uma base alargada de trabalhadores que se adaptem com facilidade às constantes evoluções da tecnologia. O importante, é que os futuros governos não se deslumbrem com os planos elaborados e não se esqueçam da sua eficaz aplicação no terreno, nem cedam à tentação de fazer a fácil demagogia eleiçoeira, baseados apenas nas ilusões das aparências.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A avaliação dos professores marcou decisivamente, pela negativa, o mandato de Maria Lurdes Rodrigues

Negar o óbvio, por estupidez ou por ignorância, já é dramático. Negá-lo por conveniência, além de dramático, é desonesto. E quando essa negação vem de um responsável ministerial, a atitude é abjecta. Maria de Lurdes Rodrigues sabe muito bem que, durante o seu mandato, como ministra da Educação do governo de José Sócrates, pouco fez para que a qualidade do ensino melhorasse. Nos últimos tempos, passou o tempo entrincheirada para salvar o seu absurdo modelo de avaliação dos professores, que se resumia unicamente a um vasto e confuso questionário, e a tentar defender-se dos ataques certeiros dos sindicatos, que também já demonstraram não estar interessados em nenhum modelo de avaliação.

Maria de Lurdes Rodrigues, no futuro, apenas irá ser recordadda como a ministra da avaliação. Nada mais.Se não houve alterações estruturais ao nível da política de ensino, e, as que se fizeram, (como aquela que visou, perseguindo o duvidoso conceito da escola inclusa, a integração de alunos com deficiência nas turmas com currículo normal) foram mal concebidas e mal executadas, como seria possível apresentar uma melhoria de resultados ao nível das retenções e do abandono escolar, no ensino básico e no secundário? Só por milagre! E Maria de Lurdes Rodrigues já não acredita em milagres, a não ser nos que ela própria promove para efeitos de pura propaganda.

O facilitismo foi, sem dúvida, o método escolhido para embelezar as estatísticas, tentando passar a ideia do acerto e da eficácia da política do PS na Educação. Os enunciados dos exames de Português e de Matemática apresentam-se cada vez mais fáceis. O grau de dificuldade de alguns problemas de matemática do 9º ano aproximava-se do grau de dificuldade de uma prova do 6º ano. Nas entrevistas televisivas, os alunos não escondiam o seu contentamento perante a facilidade evidenciada.

Quando as instituições internacionais vierem confirmar a diminuição da qualidade do ensino, nestes últimos anos, já ninguém se vai lembrar das declarações da actual ministra, que fez dopping para melhorar a performance da sua política educacional.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Novas Oportunidades: um programa que poderia ter sido bom (texto revisto)


O programa Novas Oportunidades poderia ter sido uma ideia brilhante, se tivesse sido concebido e executado nas perspectivas próprias de um programa educacional de recuperação e não como um fim em si mesmo, totalmente desligado da realidade. Ao ter sido seguida esta última via, ele apenas está a servir para a legítima satisfação do ego dos seus discentes e para a propaganda política do governo, o que irá determinar o seu descrédito e o conduzirá a um lamentável fim.
Ao marcá-lo com a ambiciosa ideia de proporcionar equivalências em relação aos graus do ensino oficial, o programa ficou inquinado, logo à nascença, pela ideia generalizada de que apenas se destinava a produzir diplomas de aviário, que as próprias empresas, como foi noticiado recentemente, ignoraram e desprezaram soberanamente nas suas avaliações de admissão e nas de promoção de carreiras.
Qualquer programa deste tipo tem de ser concebido na sua dimensão própria, como uma importante plataforma de arranque para que os seus beneficiários possam adquirir conhecimentos que possibilitem o seu enquadramento posterior na obtenção, em sede própria, dos graus do ensino oficial, o que obrigaria a submeterem-se aos respectivos exames. Desta forma, poderia testar-se a qualidade do ensino que é ministrado neste programa e beneficiar efectivamente todas aquelas pessoas que não tiveram oportunidade de, no seu tempo próprio, prosseguir os seus estudos. Tal como está, apenas serve de propaganda política.
Esperemos que José Sócrates, se continuar na governação do país, não se lembre, na nova legislatura, de alargar este programa ao domínio dos estudos superiores, consignando os respectivas graus académicos, segundo o processo de Bolonha. Neste caso, eu candidatarei-me à licenciatura de Inglês Técnico.
Uma outra alternativa, consistiria em dotar o programa Novas Oportunidades com uma progressão própria, com estatuto próprio, sem qualquer pretensão saloia de estabelecer equivalências com o ensino oficial, abordando vários saberes, teóricos e práticos, mas apostando sempre e em força na qualidade pedagógica. Seria mais útil e mais digno.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Exames: Melhores alunos dizem-se prejudicados


Segundo relata o jornal Público de ontem, apoiado em depoimentos de alguns docentes e de alguns alunos, teria havido um intencional excesso de zelo, por parte de alguns professores, na correcção das provas de Português B, ao aproveitarem a oportunidade oferecida pela formulação de duas perguntas de grande abrangência e de grande amplitude, para exercerem discricionariamente a sua subjectividade avaliadora nas respectivas respostas, aumentando o respectivo grau de exigência. Aquelas duas perguntas, uma versando os heterónimos de Fernando Pessoa, através de um texto de António Mega Ferreira, a outra propondo uma explanação sobre um conceito de liberdade, através de um texto de José Jorge Letria, não podiam ter respostas unívocas, a encaixar num grelha objectiva de avaliação, pois admitiam uma grande elasticidade na sua exposição.

O objectivo escondido desses professores seria tentar baixar as médias, para colocar mal o Ministério da Educação, através do aumento exagerado do rigor na avaliação. Não sei se esta será a verdade dos factos. O que é certo, é que este perverso procedimento, embora não tivesse conseguido baixar a média geral, teve efeitos devastadores nas expectativas dos melhores alunos, aqueles que na avaliação interna, ao longo do ano, obtiveram altas classificações. Os médios e os piores alunos não teriam sido prejudicados, já que, mesmo com uma correcção mais benevolente, não conseguiriam responder satisfatoriamente ao enunciado daquelas difíceis perguntas.

Perante este quadro lamentável, que exige uma averiguação por parte do ministério, ninguém pode ficar indiferente. São os interesses dos alunos que estão em causa. E, neste caso, dos melhores alunos, aqueles que, por mérito próprio, merecem ir para a universidade. Não é admissível que sejam considerados como arma de arremesso dos interesses corporativos e políticos.

Maria de Lurdes Rodrigues: O disparate à solta!...

Fotografia retirada do AOSINTHEGARDEN
Maria de Lurdes Rodrigues e o seu secretário de Estado, Valter Lemos, numa erupção irracional do seu desespero, como governantes falhados, recorreram à aleivosia de culparem a comunicação social, a Sociedade Portuguesa de Matemática e os partidos da oposição pelos maus resultados dos exames nacionais, lançando a torpe acusação de que teriam contribuído para a divulgação da ideia, entre os alunos, do exagerado facilitismo das provas realizadas no ano passado. Uma acusação sem nexo, totalmente despropositada, irreflectida, rasteira e pueril, e que teria sido formulada pela necessidade de aliviar as suas próprias culpas, endossando-as a terceiros, neste caso exacerbadas por um desejo de vingança. Se o país tivesse o azar de ter estes dois governantes em funções no final do próximo ano lectivo, ainda iríamos ficar surpreendidos, certamente, por falta de outros argumentos, com um eventual recurso ao expediente de atribuir à chuva, ou a um outro elemento meteorológico, a culpa pelo insucesso dos alunos nos exames nacionais.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Exame para atrasados mentais!...

Retirada do blogue Câmara de Comuns

Fácil, simples,básica! Foi com estas palavras que alguns alunos da Escola José Gomes Ferreira, em Lisboa, se referiram à prova de Língua Portuguesa do 9º ano. Um deles até se atreveu a classificá-la como uma prova para atrasados mentais, referência esta que, possívelmente, deixou em polvorosa o ministério de Maria de Lurdes Rodrigues.
Não consta que estes alunos saibam o que é uma campanha negra!...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

No sucesso escolar somos os melhores!...




A auto-estima dos portugueses subiu em flecha, quando se soube que noventa por cento dos alunos do 4º e 6º anos da escolaridade tiveram nota positiva a Matemática e a Português nas provas de aferição. Um futuro radioso espera essas crianças! E assim se constróiem os amanhãs que cantam.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Diário de um professor e de uma aluna (1)

a António Marques e Catarina Amaro (PÚBLICO)

Numa iniciativa original, o PÚBLICO vai publicar diariamente, durante as duas próximas semanas, as impressões de um professor de Artes Visuais e de uma aluna da área de Humanidades, sobre as respectivas vivências e expectativas em relação aos exames nacionais do 12º ano, que hoje se iniciaram com a prova de Português. Iremos acompanhá-los com atenção.

No seu primeiro depoimento, António Marques destacou a especificidade da sua área de docência, não aplicável às outras áreas, em que o aluno pode ser motivado e aliciado, no processo da aprendizagem, para um projecto criativo de descoberta, a nível individual, o que desencadeia outro entusiasmo e envolvimento. E isto, segundo este professor, que considera imprescindíveis as avaliações anuais padronizadas e universais, não é mensurável neste tipo de exames.

Na minha modesta opinião, penso que uma coisa não invalida a outra, já que estes exames nacionais se destinam a avaliar os resultados e não os processos de aprendizagem. Se o aluno aproveitou bem o tal projecto individual, criativo e motivador, com que o professor, com todo o mérito e competência, conseguiu seduzir o aluno, certamente que isso irá aparecer reflectido na maior parte dos casos, nos resultados finais.

A aluna Catarina Amaro escreveu um texto muito mais intimista. A sua grande preocupação reside nas opções que terá de fazer em relação ao curso que irá escolher. Apavora-a a ideia de tirar um curso profissional com poucas saídas profissionais e ter de se resignar, acabado o curso, a ter de trabalhar na caixa de um supermercado.

É legítima a preocupação da Catarina, preocupação esta de capital importância, que aflige a maioria dos alunos do ensino secundário, e à qual o Ministério da Educação não tem dado uma solução eficaz, remetendo o problema da escolha para a intuição de cada um e para o seu foro pessoal. Desta forma, o ministério está a lançar os alunos e as suas famílias para os braços de profissionais, alguns sem preparação adequada, que se dedicam empiricamente a fazer orientação profissional, baseando-se numa curta e redutora entrevista de confessionário e nas notas obtidas ao longo do percurso escolar. Normalmente, estes orientadores profissionais actuam em função das expectativas dos pais e dos alunos.

Nas próprias escolas, deveriam existir psicólogos, bem preparados através pós-graduações qualificadas e certificadas e devidamente enquadrados numa carreira profissional, que ao longo dos anos, e recebendo o contributo dos respectivos professores, traçassem continuamente o perfil psico-profissional dos alunos e lhes corrigissem atempadamente as ideias fantasiosas, assimiladas ao longo do tempo, em relação a algumas profissões, principalmente aquelas que, por serem muito sedutoras, preenchem o imaginário de um qualquer jovem e vão ao encontro dos desejos dos pais.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1386588