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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Portas não vai sobrepor-se a Albuquerque no 'dossier' troika


O primeiro-ministro afirmou hoje que Paulo Portas vai ter um papel nas relações com a 'troika' enquanto vice-primeiro-ministro, mas sem se sobrepor às "competências próprias" da ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque.

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Uma grande humilhação para Paulo Portas, que já tinha sido humilhado por Cavaco Silva. Como pode ter credibilidade um governo com um primeiro-ministro desacreditado (Vitor Gaspar escreveu-lhe uma carta assassina) e um vice-primeiro-ministro humilhado?

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Europa já não necessita do Fundo Monetário Internacional (FMI) para apoiar países economicamente fragilizados


A comissária europeia Viviane Reding, vice-presidente da Comissão liderada por Durão Barroso, defendeu hoje que “o tempo da ‘troika’ acabou”, sustentando que a Europa já não necessita do Fundo Monetário Internacional (FMI) para apoiar países economicamente fragilizados.
“O facto de nos últimos anos termos pedido ajuda ao FMI foi uma solução de emergência. A partir de agora, nós, europeus, devemos ser capazes de resolver os nossos próprios problemas”, afirmou a comissária europeia responsável pela pasta da Justiça, durante um debate com cidadãos europeus em Heidelberg, Alemanha.
Segundo a vice-presidente da Comissão, cujas declarações foram divulgadas em Bruxelas pelo executivo comunitário, “os cidadãos têm a sensação de que a ‘troika’ trabalha na sombra, sem qualquer tipo de controlo, e que os tecnocratas do FMI não estão sujeitos a qualquer controlo democrático”.
“A Comissão é o governo económico da Europa. Juntamente com o Banco Central Europeu e os Estados Membros, podemos velar por que os países economicamente fragilizados procedam a reformas em troca de solidariedade. Para isso, não precisamos da ‘troika’; o tempo da ‘troika’ acabou”, disse.
Atualmente, a UE presta assistência financeira em conjunto com o FMI a Grécia, Irlanda e Portugal, estando previsto que a Irlanda saia do programa este ano e Portugal no próximo.
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A partir de agora, ou seja, a partir da assinatura do acordo patriótico, passará a funcionar a troika indígena (PS/PSD/CDS), que reportará à Comissão Europeia e ao Conselho Europeu.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Notas do meu rodapé: As "errâncias" de Vasco Pulido Valente sobre os efeitos da Greve Geral


A greve geral

Escrevo quinta-feira, 27, no próprio dia da greve, esta coluna que só vai ser lida amanhã. De qualquer maneira, arrisco uma previsão: mesmo correndo o melhor possível para a CGTP e a UGT, a greve não irá mudar nada: nem a permanência ou as políticas do Governo, nem a atmosfera da vida pública portuguesa, excepto se provocar uma explosão de violência em Portugal inteiro (caso pouco provável, pelo menos para a polícia). Por que razão, ou razões, não acredito na eficácia deste protesto, teoricamente ameaçador e forte? Em primeiro lugar, porque nenhuma greve geral na velha Europa como na Europa de Bruxelas jamais conseguiu mudar fosse o que fosse, até no tempo em que a militância ideológica e partidária era muito mais corrosiva e extensa. De resto, Passos Coelho já suportou três greves gerais, com incómodo, com certeza, mas tranquilamente.
Vasco Pulido Valente

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Vasco Pulido Valente (VPV) gosta de dizer coisas. Costuma alinhar pelo nonsense, aquele conjunto de ideias feitas por uma opinião pública pouco esclarecida, que se fica pelo trivial, sem conseguir interpretar racionalmente o fundamental. Com este recurso, VPV julga-se original nas suas análises políticas. Começou a ser assim, quando percebeu, logo a seguir ao 25 de Abril, que as massas populares que enchiam as praças e as ruas, nos comícios e nas manifestações, não o reconheciam como o autor de textos revolucionários que escrevera na fase final da ditadura fascista. Tornou-se no comentarista mais azedo dos tempos do PREC. E essa marca pessoal nunca mais a abandonou.
Este seu texto sobre a inutilidade das greves e das manifestações de protesto (os seus efeitos, logo no dia seguinte) é mais um exemplo do seu primarismo discursivo, que pretende ser arrasador.
Nunca as greves e as manifestações tiveram efeitos no curto-prazo, a não ser aqueles efeitos de contágio, quando os seus objetivos são justos e compreendidos e sentidos pelas pessoas. Aquele adágio “água mole em pedra dura tanto dá até que fura” aplica-se perfeitamente aos efeitos de longo prazo das greves e das manifestações. Tal como um rio, da sua nascente até à foz, também as manifestações populares, principalmente em tempos de crise, vão engrossando no seu percurso temporal, devido aos afluentes que vai recebendo, e as suas águas revoltas vão deixando atrás de si um relevo desgastado pela erosão.
Uma manifestação de protesto isolada, só por si, não resolverá nem modificará nada. O mesmo não se passa com um ciclo de manifestações contínuas, devidamente planeadas por uma organização centralizada, que as programe e as submeta a uma estratégia bem definida, num quadro de agravamento crescente das condições sociais e económicas das populações afetadas.
Por outro lado, é necessário considerar que o sucesso imediato destes eventos, medido em termos de participação popular, depende do sucesso alcançado pelos eventos anteriores. Por isso, a persistência militante das vanguardas é tão importante, no seu esforço de ir capitalizando os resultados, progressivamente alcançados.
 A Greve Geral de 27 de Junho foi um êxito, porque todas as manifestações anteriores, organizadas pela CGTP – Intersindical Nacional obedeceram a estes princípios basilares. Não há milagres na luta dos povos e dos trabalhadores. É preciso muito trabalho de organização e de mobilização, sendo muito desse trabalho invisível para a maioria e, pelos vistos, também para VPV.
Perante a atual crise governativa, desencadeada pelo pedido de demissão do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, os comentadores encartados, às dezenas, apenas se detiveram na análise da narrativa dos agentes políticos mediáticos e das suas tricas, esquecendo-se de incluir o seu aspeto mais importante e decisivo, e que constitui a sua causa remota e fundamental: a perda progressiva e irreversível da base social de apoio do governo, que a Greve Geral e as manifestações anteriores desgastaram lentamente. E Vítor Gaspar, Passos Coelho e Paulo Portas perceberam isso. E até perceberam mais, que VPV e muitos outros comentadores não perceberam. Perceberam que, por cada manifestante ou por cada grevista, existem mais de mil que não puderam, por várias razões, participar.

O rio do descontentamento já vai caudaloso e ameaça galgar as margens, embora ninguém possa dizer quanto tempo falta para ele chegar à foz.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Um olhar dorido sobre o tempo presente - por Gertrudes da Silva*

Carta a um amigo
Penso que esta é, sem dúvida, a mais completa e exaustiva das relações que, versando o mesmo assunto, há muito tempo andam a circular por aí, na Net, a qual, além de outras coisas, nos trouxe a globalização, esse misterioso monstro que alguns acham muito mau e outros muito bom, não faltando aqueles que, eivados de um velho ecletismo, ainda procuram descobrir neste pandemónio uma globalização má e uma globalização boa.
Da globalização eu só sei que era inevitável e irrecusável dentro da natural evolução do sistema que acabou por transformar a sociedade naquilo que um dos apóstolos da famigerada 3ª Via, concretamente, Lionel Jospin, dizia de modo algum desejar, numa “sociedade de mercado”, dominada e manipulada pelos ditos “mercados”, essas criaturas sem rosto nem fala, bichos papões em qualquer das acepções da palavra.
Tudo isto é muito complicado. Não a nossa indignação, que é legítima, e necessária, até, como uma chama que devemos manter permanentemente acesa; mas a forma e a configuração que por vezes lhe estamos a dar.
Não acho é nada bem que nos arvoremos em arautos do discurso contra os políticos, todos os políticos, quando, ainda por cima, alguns de nós embarcámos em duas máximas – fraco paradigma – que se fizeram lugares comuns e pouco mais: que «a democracia ainda é, de todos, o menos mau dos sistemas políticos» e que «não há democracia sem partidos políticos» (no plural, claro). Felizmente que haverá outros conceitos e outros conteúdos deste conceito que não excluem, necessariamente, os partidos políticos.
Nós, os que nos reclamamos do 25 de Abril, por via da nossa Associação apresentámo-nos como “Referencial”, e não como guardiães do templo (da democracia).
A corrupção, já temos obrigação de saber, faz parte integrante do sistema a que nos confiámos e alguns de nós agarrámos com as duas mãos no momento decisivo em que a encruzilhada apontava para o “sistema democrático” ou para a continuação do caminho da revolução, que nos conduziria – tempos lindos – a uma sociedade socialista.
E veja-se o que aconteceu com o sonho do socialismo, primeiro para a gaveta e depois para o cesto dos papéis, até virmos por aí abaixo (ou acima, dirão alguns) desembocar neste neoliberalismo puro e duro, que aí está para durar – e é nele que parece que nos queremos salvar –, agora servido pelas mais avançadas tecnologias e por um bando de medíocres dirigentes políticos.
Sim – e aí todos estaremos de acordo –, porque a Revolução dos Cravos, mesmo revolução, tão prenhe que ela vinha de esperanças, sonhos e utopias, terminou na Alameda quando alguém, sufragado pelo voto popular de 25 de Abril de 1975 subiu ao palco e disse, alto e bom som, perante o delírio do “povo” ali reunido: «Alto e pára o baile! A Revolução acabou!». E, desgraçadamente, ou não, aquele povo era o mesmo que saiu para as ruas no 25 de Abril; o mesmo que vindo de todo o país, foi arrebanhado – como é que eu me lembro tão bem – no Terreiro do Paço para aclamar e aplaudir a nossa política e guerra coloniais na pessoa do Prof. Oliveira Salazar, quem no cá dera, já se vai ouvindo por aí…
A corrupção faz parte integrante do sistema em que vivemos e, a tal ponto que os seus mais fieis acólitos avisam que no dia em que a corrupção acabasse (estou a lembrar-me das palavras que aqui já há uns bons pares de anos o deputado Durão Barroso proferia na AR a propósito de uma proposta do PS para mexer no sigilo bancário), o sistema ruía como um baralho de cartas. E os sistemas, mais resistentes que as conjunturas e as estruturas – aprendi isto em qualquer lado – são muito difíceis de alterar e ainda mais de derrubar. Veja-se no nosso caso: passou pelo “25 de Abril” e aí vai ele.
Podemos e devemos indignar-nos e estrebuchar, até. Mas, paulatina e subliminarmente, lá vamos comendo a comidinha que nos vão dando a comer à mão, como é o caso daquela conversinha manhosa de o “velho e ultrapassado” Marx ter elevado os operários à categoria de proletariado e que estes senhores de agora foram progressivamente transformando em simples trabalhadores, depois em empregados, funcionários e, finalmente, em “colaboradores”, pensando assim atingir o último patamar da extinção da luta de classes, que raio de coisa o Velho foi inventar. E se fôssemos todos empresários e patrões?... Se calhar, a tendência é para voltar aos senhores e escravos.
De propósito, tudo começa a ficar baralhado. É como aquela coisa de, a torto e a direito, chamar militares aos elementos da GNR, de enviar os soldados da paz para o teatro de operações e de mandar os militares em missões de paz e humanitárias. Ou, como diz o filósofo, esta coisa de andarmos a comer morangos em Janeiro.
Podemos (e devemos) indignar-nos. Mas não esperemos para tão breve um outro 25 de Abril. Isso está fora de questão. Nós já não temos as armas na mão; a geração de militares que veio atrás de nós já não é motivada, salvo muito raras excepções, por valores tão simples e ao mesmo tempo tão grandiosos como o apego ao conceito de Pátria e de Missão. Nem agora temos, apesar de tudo, aí à mão um regime fascista para derrubar nem uma penosa Guerra Colonial para lhe pormos fim.
Isto não é simples, não. É mesmo muito difícil formular um juízo que mereça o título de opinião. E nós, enquanto Instituição, também temos os nossos telhados de vidro, razão pela qual devemos evitar todos os discursos que se apresentem como paradigmas de moralização. Não é por aí.
Gertrudes da Silva
Escritor, coronel reformado e capitão de Abril
07Nov2011
* Título da responsabilidade do editor do Alpendre da Lua

sábado, 28 de maio de 2011

Carlos Coelho no Prós e Contras - Maio 2011

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Trata-se de um discurso muito idealista, este, o de Carlos Coelho, mas não deixa de ser cáustico para com um Estado que se distancia cada vez mais do cidadão, e que vive sobre si próprio, com regras muito próprias, como se não fizesse parte do corpo social. Neste sentido, e embora legitimado por sucessivas eleições, cujas campanhas assentam na desinformação e no espectáculo circense, onde não faltam os gladiadores, poder-se-á falar de um Estado cada vez mais totalitário, que no seu afã de querer controlar tudo, acaba por não controlar nada. Mas o mais dramático, é aquela ideia difusa, que começa a tecer as dúvidas dos portugueses, de que o Estado já foi capturado pelas diferentes corporações e pelos grandes grupos económicos e financeiros, numa teia muito complexa de cumplicidades e de interesses cruzados, altamente lucrativos para os intervenientes, o que leva inexoravelmente à degradação da democracia.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Notas do meu rodapé: É à Geração à Rasca que compete agir


A resignação é uma característica do povo português, que foi moldada por trezentos anos de Inquisição e quarenta de salazarismo. A História da Europa sempre lhe passou ao lado. Nos tempos modernos, nunca fez uma revolução. Limitou-se a apoiá-las. E, mesmo assim, deixou-as sempre a meio do caminho, sem as completar. Em Portugal, as elites são medíocres. Não têm capacidade de iniciativa, nem visão estratégica, e limitam-se a seguir figurinos importados, que, quando chegam, já se encontram ultrapassados.
A minha esperança volta-se para a actual geração, à qual etariamente eu não pertenço, e que adoptou a designação de “Geração à Rasca”. Só ela pode desinfestar o país da clique política dominante, que transformou o Estado numa coutada dos grandes interesses privados, se, entretanto, ela souber tirar partido da sua potencial força, que o actual poder político, displicentemente, procurou desvalorizar, embora intimamente lhe reconhecesse o perigo, já que nenhum regime poderá sobreviver se a juventude desertar. Imagine-se o grande rombo no prestígio do regime e o grande susto por essa Europa fora, se os 300 mil manifestantes de 12 de Março votassem em branco. Seria um escândalo monumental, que nenhuma demagogia poderia iludir.
Mas, se não for encontrado, até às eleições, um consensual objectivo político comum, alicerçado numa motivação forte, abrangente e aglutinadora, destinada a esvaziar o actual regime, que já não tem nada a ver com a generosa revolução de Abril, esbate-se e afunda-se o genuíno movimento, que se exprimiu vigorosamente em 12 de Março. Esse objectivo poderia muito bem ser o do boicote claro aos partidos do arco governamental, o PSD e, principalmente o PS, os únicos responsáveis por esta profunda crise económica, política e social. Uma campanha a apelar ao voto em branco, dirigida aos aderentes do movimento Geração à Rasca, que anteriormente neles votaram, iria provocar alterações profundas no espectro partidário e obrigaria à escolha de novas políticas, que defendessem os interesses dos portugueses e restaurassem a dignidade do país.
Ao castigar, desta for original, o PS e o PSD – por terem aceitado, sem pestanejar, as absurdas exigências de Bruxelas, e de se sujeitarem a colocar-se de joelhos aos pés da troika UE-FMI-BCE, que vem governar ditatorialmente o país – as próximas eleições iriam perder toda a legitimidade política.
Atraiçoando a Pátria, as direcções políticas desses dois partidos fizeram escandalosas vénias e humilhantes genuflexões aos peões de brega do capitalismo financeiro internacional. A entrada do FMI em Portugal constitui uma descarada e inaceitável ingerência, que ofende a independência nacional. Os portugueses não podem ser as vítimas das profundas contradições do capitalismo selvagem e especulativo. Os banqueiros e os grandes accionistas dos fundos de investimentos e das multinacionais já arrecadaram os lucros, querendo agora endossar os prejuízos da sua agiotagem predadora para terceiros.
Eu também vou lutar contra esta prepotência, pois não quero que o meu filho e os filhos dos portugueses da minha geração continuem a ser uma geração à rasca.

sábado, 9 de abril de 2011

Meia centena de personalidades apelam a compromisso nacional

Um grupo de 47 personalidades, incluindo empresários, artistas, investigadores, arquitectos, advogados e ex-Presidentes da República, lançou hoje um apelo a um compromisso nacional para que o país saia da crise.
Entre os signatários do documento, estão os ex-presidentes Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, empresários como Belmiro de Azevedo e Francisco Pinto Balsemão, cientistas como Manuel Sobrinho Simões, artistas como o pintor Júlio Pomar, e o bispo do Porto, D.Manuel Clemente.
***
Não se pode falar em compromisso nacional, quando, ao fazer apenas referência aos principais partidos, se excluem deliberadamente entidades de reconhecido mérito, que não se revêem no ideário dos chamados partidos da área do poder. Seria mais correcto utilizar a designação de compromisso do bloco central.
Os partidos da esquerda, que desdenhosamente são catalogados como pertencendo à extrema esquerda, representam cerca de vinte por cento da população portuguesa, e possuem uma base de organização sindical muito poderosa, que não deixará de fazer tudo o que for possível para evitar a aplicação de medidas de austeridade, que, mais uma vez, vão recair sobre a classe média e sobre os trabalhadores.
Por outro lado, e ao tentar fazer um qualquer compromisso, ele tem de se basear numa frente alargada que obrigue o governo a jogar todos os trunfos com os dirigentes da União Europeia, no sentido de os obrigar a dilatar o prazo para a estabilização orçamental e a proceder à reestruturação da dívida. Os mais conceituados economistas mundiais, tais como os nobelizados Amartya Sen e  Joseph E. Stiglitz, são peremptórios em afirmar que os países apenas podem corrigir os desvios orçamentais e pagar as dívidas soberanas em período de crescimento económico. Assim aconteceu nos países europeus, depois do período da reconstrução no pós-guerra, quando a economia começou a subir, e, nos EUA, durante a recuperação económica nos dois mandatos de Bill Clinton.
Os dirigentes europeus têm um medo patológico do espectro de falência de um qualquer país da zona euro. Se Portugal entrasse em incumprimento, seria o total descalabro da moeda única, com os bancos credores da Alemanha, França e Espanha a falirem, ao mesmo tempo que desabaria o edifício da União Europeia, para a qual nem já a Turquia pretende entrar. E é esse fantasma que deve ser inteligentemente trabalhado junto dos maiorais da UE, que não se comovem nada com o inqualificável sofrimento que estão a infligir aos povos de Portugal, da Grécia e da Irlanda.
Não é com a vassalagem e a subserviência que se conquista a independência e a dignidade.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O desfile glorioso da mentira!...



Mário Lino

30 de Junho de 2008

“Temos de encontrar uma maneira de sanearmos a empresa (CP).
E o mesmo acontece com a Refer e o Metro”.

Teixeira dos Santos
6 de Fevereiro de 2009

“O Estado não gastou nem envolveu até este momento qualquer dinheiro dos contribuintes no BPN e no BPP”.

José Sócrates
23 de Julho de 2009

“Digam o que disserem, mas ainda está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito melhor no défice”

Vieira da Silva
21 de Julho de 2010

“O governo mantém com toda a segurança os objectivos de consolidação”.

Emanuel dos Santos
20 de Setembro de 2010

“A informação parcial que temos dá-nos alguma expectativa que a consecução do objectivo do défice está ao nosso alcance”.

José Sócrates
11 de Janeiro de 2011

“O Estado português não só vai cumprir a sua meta orçamental de 7,3%, como vai ficar claramente abaixo”.

Emanuel dos Santos
21 de Janeiro de 2011

“Reafirmo: para mim não é líquido que o BPN tenha impacto nas contas públicas”.

José Sócrates
28 de Janeiro de 2011-04-07

“No ano de 2010, Portugal foi o país que mais reduziu o seu défice orçamental sem entrar em recessão. O resultado do défice vai ser muito melhor do que aquilo que estava nos objectivos do governo“.
Jornal de Negócios

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Alta traição!...


José Sócrates aparece agora, patrioticamente, a salvar o país da bancarrota, quando, durante seis anos, também patrioticamente, o afundou no caos, com a sua política suicida, integralmente subordinada aos interesses do capitalismo europeu. Numa manobra bem concebida, em termos de marketing, a única ciência que ele domina bem, conseguiu a proeza de passar de vilão a vítima, acusando agora a oposição e, principalmente, o PSD (um partido que é a outra face da mesma moeda), de serem os responsáveis por esta hecatombe, que só tem paralelo, na história portuguesa, com a crise de 1580, em que o país perdeu a sua independência.  
Intencionalmente, depois de ter percebido a impossibilidade de cumprir as metas impostas por Bruxelas, e inspiradas pela senhora Merkel, ensaiou aquele número de circo da sua demissão, demissão que passou a ser estratégica, para poder garantir a sua futura sobrevivência política e sair airosamente desta crise. Ele sabia (e a senhora Merkel também) que, com a sua demissão, que ele provocou, iria acelerar-se a pressão sobre a dívida portuguesa, o que lhe permitiu dramatizar a situação, colocando os portugueses entre a espada e a parede, e apresentar ao país a opção mais desfavorável e a mais penosa – o pedido de ajuda à União Europeia e ao FMI. A direita e o grande capital, com os bancos portugueses a arreganharem a dentuça e a mostrarem que são eles que mandam no país, ganharam mais uma batalha. Os portugueses, principalmente a classe média e a população mais desfavorecida, vão comer o pão que o diabo amassou.
Durante os próximos dias, os portugueses vão ser submetidos a uma barrela de propaganda intensiva, a tentar convencê-los de que este era o único caminho a seguir. É uma fraude! É uma autêntica fraude! Havia alternativas, e a mais consistente seria a de negociar com Bruxelas a reestruturação da dívida e o prolongamento do prazo para a redução do défice orçamental, sob a ameaça de que, se estas condições não fossem aceites, Portugal sairia do Eurogrupo, ameaça esta que, mesmo que não passasse de uma secreta intenção especulativa, aterrorizaria os bancos alemães, franceses e espanhóis (os principais credores da dívida portuguesa) e os governos respectivos. Perante uma ameaça de incumprimento, que, se se concretizasse, arrasaria a moeda única, os donos da Europa, que são gigantes com pés de barro, seriam obrigados a ceder às pretensões portuguesas.
Os dirigentes dos governos da Grécia e da Irlanda, perfeitamente integrados, tal como os dirigentes do PS e do PSD, na correia de transmissão da doutrina neoliberal do grande capital financeiro, que já governa grande parte do planeta, assumiram o gesto público da vassalagem, traindo os interesses dos seus povos. E, em Portugal, hoje, dia 6 de Abril de 2011, foi cometido um acto de alta traição.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Passos vai dizer a Merkel o que fará se for Governo

Antes da realização da cimeira, Passos Coelho e Angela Merkel estarão juntos na reunião do Partido Popular Europeu, do qual ambas as famílias partidárias fazem parte.Enquanto tudo se joga sob a sombra da crise política, Passos terá aí uma oportunidade: a de dizer à chanceler alemã o que fará se chegar ao Governo, num cenário de eleições antecipadas, e se pretende seguir o caminho da austeridade, mantendo o cumprimento dos défices, impostos pela Europa.
Agência Financeira
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Mais um que vai a despacho à imperatriz da Europa. Espero que antes dessa humilhante genuflexão, o país seja convenientemente informado sobre as medidas que projecta para o seu mandato de primeiro-ministro, caso o PSD vença as eleições.
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/pec-passos-coelho-merkel-bruxelas-crise-cimeira/1241675-1730.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+iol%2Fagenciafinanceira+%28Ag%C3%AAncia+Financeira%29

quarta-feira, 23 de março de 2011

A crise política mais estúpida de sempre - por Pedro Santos Guerreiro

Conhece a expressão "morrer na praia"? Esqueça. Portugal chegou à praia, viu lá um poço e atirou-se.
Os donos da praia, que tinham o posto de S.O.S em alerta, nem querem acreditar nos seus olhos. Em vez da maca para doentes, atiramo-nos para a cama de pregos dos faquires. Estas eleições não são um suicídio, são um homicídio. Estamos nisto desde Outubro, escapámos por um triz à entrada do FMI em Novembro, o BCE e a Comissão Europeia emprestaram-nos dinheiro e tolerância para ganharmos tempo e entrarmos já na nova forma de ajuda externa, menos intrusiva e cara do que a grega e irlandesa. E Portugal, depois de cinco meses de resistência, de negociação e de ajudas, chega à véspera da Cimeira Europeia e fica sem Governo. Na véspera! É inacreditável, é lamentável, é irresponsável. Salve Luía Amado o dissonante, o esclarecido, o isolado, que em Bruxelas, Frankfurt e Berlim conhece o sabor do pão que o diabo tantas vezes amassa. Desde que tomou posse que este Governo está a prazo. Por isso Sócrates constituiu um Executivo manso, por isso negou evidências, por isso faz jogos de palavras com uma notável capacidade de esquecer o que disse antes que faz de qualquer amnésico um homem sempre actualizado. Mas é este o Governo que está eleito pelos portugueses, é a este Governo que tem de cumprir a função de governar.Estas eleições são um crime porque acontecem no pior dia possível, ameaçando o sucesso da própria cimeira do euro que nos ia acudir. Estas eleições são um crime porque Portugal tem até Junho dez mil milhões de euros para pedir emprestados, porque a banca está em stress, porque as empresas públicas estão a ficar sem dinheiro. Estas eleições são um crime porque vão produzir meses de foguetório político para eventualmente chegar a minorias e inviabilidade negocial entre PS e PSD. Estas eleições são um crime porque são contra o interesse nacional, contra os portugueses, contra a sensatez.
Pedro Santos Guerreiro
Jornal de Negócios
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Já não se trata apenas de uma crise de governo. Trata-se da crise do regime, que já não consegue mobilizar os portugueses. Falta à política portuguesa a honradez e a seriedade necessárias para que o país possa recuperar a confiança. Parafraseando Jerónimo de Sousa, espero que o peixe não salte da frigideira e não venha a cair no lume.
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=474797

terça-feira, 22 de março de 2011

Notas do meu rodapé: Tudo deve ser feito para evitar novas eleições

No momento em que a intervenção do Presidente da República seria mais necessária, ele não apareceu. Remeteu-se, num estudado calculismo, ao silêncio, permitindo que a situação se degradasse, ao ponto de, possivelmente, ter de convocar eleições antecipadas. A pressa de ver instalado em S. Bento um governo à sua imagem e semelhança desvaneceu-lhe o sentido de isenção e e obnubilou-lhe o desejo de controlar politicamente o país.
No meu ponto de vista, como já aqui assinalei, uma novas eleições para a Assembleia da República são neste momento prejudiciais para o país, já que vão agravar os problemas da governação existentes. Por outro lado, a campanha eleitoral vai caracterizar-se pela tentativa de cada um dos dois principais partidos, endossar ao outro a culpa pelo desencadeamento da crise, o que vai permitir ao PSD escamotear dos eleitores as medidas concretas do seu programa de governo, que, certamente, serão mais duras do que aquelas que o PS pretendia impor através do PEC 4 . Sabemos qual o projecto da direita em relação à Educação, ao Serviço Nacional de Saúde e à Segurança Social, que reduz tudo, como solução redentora, ao imperativo da sua imediata privatização, num enviesamento perigoso do sentido eminentemente público daqueles serviços.
No entanto, Cavaco Silva, ainda vai ter mais uma oportunidade de mostrar ao país a sua isenção partidária e a sua intenção de defender o interesse nacional, quando for confrontado com a demissão deste governo. Ele tem o dever de fazer todos os esforços para evitar novas eleições, pressionando o Partido Socialista, como partido maioritário, a encontrar uma solução alternativa a José Sócrates, para chefiar um novo governo, que tente terminar a actual legislatura. Seria uma solução que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, por certo, não enjeitariam.
Só se o Partido Socialista não estiver à altura das suas responsabilidades históricas, é que deverá ser accionado o mecanismo da dissolução da Assembleia da República e a convocação de novas eleições.

segunda-feira, 21 de março de 2011

PCP diz que chumbo ao PEC não significa demissão do governo


O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse hoje que o chumbo ao Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) não significa necessariamente a demissão do governo."Isso é estar a confundir as coisas. O PEC é um instrumento de política económica, nesse sentido a derrota daqueles conteúdos não pressupõe a demissão do governo", referiu Jerónimo de Sousa, acrescentando que caberá ao governo decidir a sua eventual demissão.
Jornal i
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O governo só é obrigado a demitir-se se o seu Orçamento de Estado não for aprovado ou se o Presidente da República dissolver a Assembleia da República. Mas, nesta crise política, desencadeada intencionalmente por José Sócrates, foi ele próprio que admitiu pedir a demissão do governo, caso não fosse aprovado o documento da actualização anual do Programa de Estabilidade e Crescimento, cuja formulação inicial nenhum partido apoiou.
A nova versão do documento, saída do conselho de ministros de ontem, apenas é, neste momento, do conhecimento dos partidos políticos, que foram recebidos, durante o dia de hoje, pelo primeiro-ministro. Prevejo que as alterações introduzidas no documento, pelo conselho de ministros, não passaram de uma mera cosmética, mantendo no essencial o conteúdo da primeira versão, o que a ser verdade, não irá alterar a posição de nenhum partido da oposição.
Perante este cenário, não vejo alternativa ao pedido de demissão deste governo, pois encontra-se totalmente fragilizado e descredibilizado interna e externamente. Esta demissão não vai, contudo, afectar a legitimidade do Partido Socialista em formar um novo governo, se, entretanto, através de um entendimento inter-partidário, à esquerda ou à direita, vier a apresentar uma alternativa credível ao Presidente da República, durante as rondas de audição aos partidos para esse efeito, tal como está previsto na Constituição. Seria a solução menos onerosa, em termos políticos. Umas novas eleições podem não vir a clarificar a confusão actual, pois não é de prever que o eleitorado se incline a dar uma maioria absoluta a um só partido. Umas novas eleições, além de exporem o país a uma maior dificuldade de acesso ao crédito no exterior, o que é grave, apresentam a desvantagem de se iniciar um processo eleiçoeiro, cheio de promessas que não são para cumprir, o que irá reflectir-se no aumento da abstenção, pois os portugueses começam já a perceber o engodo deste jogo viciado.
http://www.ionline.pt/conteudo/111940-pcp-diz-que-chumbo-ao-pec-nao-significa-demissao-do-governo-

quarta-feira, 16 de março de 2011

MOODY'S CORTA NO RATING DE PORTUGAL EM DOIS NÍVEIS

Pouco depois de o primeiro-ministro falar à SIC, a agência de notação de risco Moody's anunciava o corte do rating de Portugal em dois níveis, de A1 para A3, e com perspectiva negativa. O nosso país fica assim a um nível da classificação B, que separa os países com dívida de "pouco risco" dos Estados com dívida de "risco elevado". Dos países sujeitos a resgate, a Irlanda tem um rating de Baa1 e a Grécia de B1.
Correio da Manhã
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É melhor o primeiro-ministro deixar de ir à televisão, porque, de cada vez que bota faladura, as agências de rating baixam a notação de risco de Portugal.
Ontem de manhã, foi o presidente do BCE a denunciar a insuficiência do plano gizado pelos dirigentes políticos para ajudar os países com dificuldades orçamentais, mas que José Sócrates considerou excelente para Portugal. À noite, logo depois da sua entrevista à SIC, apareceu a agência de rating Moody's a descer a notação de risco a Portugal em dois níveis, ficando assim muito perto de, na próxima avaliação, a cotação transitar para o nível B (países, cuja dívida apresenta risco elevado), onde já encontram a Grécia e a Irlanda.
Não se espera que as outras agências, cuja avaliação será comunicada até ao fim do mês, tal como estava programado por todas elas, não sigam o caminho da Moody's, que fundamentou a sua decisão, nas “fracas perspectivas de crescimento e ganhos de produtividade no médio prazo” da economia portuguesa. A crise política anunciada, e que teve origem na provocação do primeiro-ministro aos partidos da oposição, a quem não deu a conhecer, previamente, o conjunto de medidas de austeridade que apresentou em Bruxelas, irá assim adensar as dúvidas dos mercados.
Entretanto, enquanto o país se afunda, estamos já a assistir à nova rábula de vitimização de José Sócrates, em que ele vai tentar esconder o fracasso da sua política, atirando a culpa para a oposição. É bom não esquecer aquilo que já aqui foi dito. Se o PSD estivesse interessado em provocar uma crise política, teria aproveitado a boleia da moção de censura do Bloco de Esquerda, ou teria apresentado na Assembleia da República a sua própria moção de censura. Este argumento desmonta a enganadora estratégia de vitimização de José Sócrates e que, curiosamente, não tem sido utilizado pelos agentes políticos e pelos comentadores.