Nota a propósito
do livro “Uma história portuguesa de Deus”, do padre Alexandre Borges
O fenómeno de Fátima, planeado, fabricado e
executado, sob o patrocínio oculto das altas instâncias da ICAR(*), pelos padres de Ourém
e por aquele cónego que viria a ser o primeiro Bispo da Diocese de Leiria, diocese esta, posteriormente reconstituída, é a maior burla da História das Religiões, e
que só é igualada, na perfídia da mentira e na perversidade rasteira da
manipulação das consciências, pelas fantasias romanescas dos Evangelhos.
Os milagres de Fátima - entre os quais se
destaca o milagre do Sol, devido à sua capacidade de inspirar o terror e o medo endémico, pela
aproximação do fim do mundo - só podiam acontecer num país analfabeto, inculto e
embrutecido, pelas sucessivas aristocracias, que o escravizaram, ao longo dos
séculos, através de uma aliança espúria entre os poderes políticos e económicos
e os poderes da ICAR.
O espírito das Cruzadas, a demência da Inquisição, o engodo dos milagres de Fátima e o da sua repercussão, constituíram-se, a
nível global, nos três sólidos pilares da Fé, que, ao longo dos séculos, garantiram a sobrevivência do
Vaticano.
O autor da obra "Dieta Mediterrânica -- Uma
herança milenar para a humanidade", que é apresentada na quinta-feira, em
Lisboa, defende que este regime alimentar é "mais do que um padrão
alimentar, é um modelo cultural de inestimável valor".
Um livro a não perder. Pelo perfil académico do
autor e pelas declarações já proferidas, estamos perante uma obra importante,
que aborda de uma forma sistemática a identidade mediterrânica - que nos
envolve - num contexto sociológico, histórico e cultural, a partir da base da
"alimentação", o que é uma originalidade.
Esta mesma identidade mediterrânica já foi
abordada, sob outros prismas, por outros historiadores e sociólogos, que lhe
traçaram o perfil e o longo percurso evolutivo.
Podemos até falar de uma civilização
mediterrânica, que se desenvolveu desde há 36 séculos. Se olharmos para o
passado, reconhecemos que o mar mediterrâneo foi o centro da evolução da
História, uma História exaltante, feita de grandezas e de misérias, que começou
a ser construída, ainda na sua forma incipiente, pelos Fenícios, nos finais do
século XVI A.C. Coube aos Romanos estabelecer a unidade política e administrativa
de toda a bacia do Mare Nostrum,
feito que nunca mais foi conseguido. Mas ficou como herança a cultura dos
povos, com as suas semelhanças e as suas diferenças, e que é urgente e
necessário preservar, sem renunciar à modernidade e às conveniências dos novos
tempos.
Uma equipa mal preparada, com pouco conhecimento
da economia portuguesa e que subestimou os efeitos da austeridade, é parte da
justificação encontrada por Rui Peres Jorge, jornalista do Jornal de Negócios,
para justificar as dificuldades do programa.
O livro "Os 10 erros da troika", da
autoria de Rui Peres Jorge, parte da premissa de que o programa de ajustamento
falhou praticamente todas as metas a que se propôs, explicando o falhanço
através de dez erros que o autor considera cruciais
A mim, fica-me sempre a dúvida (para não dizer a
certeza) se foi um erro de cálculo ou um erro premeditado. O objetivo da troika
consistiu em promover, por um lado, a transferência da dívida pública do Estado
português, detida pelos grandes bancos e pelos fundos de investimento,
para as instituições oficiais (BCE, UE, FMI), defendendo assim as entidades
financeiras privadas de um qualquer incumprimento, por parte de Portugal, e,
por outro lado, promover a desvalorização salarial do trabalho, para que o
respetivo remanescente venha a garantir o pagamento futuro dos juros e das
amortizações da nova dívida contraída, junto daquelas três instituições
oficiais. O eufemisticamente chamado plano de ajustamento foi desenhado no
interesse do governo alemão, pois eram (e ainda são, em parte) os grandes
bancos da Alemanha os principais credores da dívida pública portuguesa.
Tentar atribuir aos técnicos do FMI ingenuidade e falta de preparação, é uma
tentativa de branquear a atual política do saque, de que os portugueses estão a
ser vítimas, através da ativa cumplicidade do governo e do Presidente da
República.
«Encontrará também aqui o leitor, para além dos
dados extensos, uma reflexão crítica e qualitativa destes dados. Quem trabalha,
como trabalha e como se organiza sindicalmente? Qual o papel da segurança
social na gestão dos desempregados e precários? Qual o valor do rendimento
transferido para o trabalho no 25 de Abril? E para a Segurança Social? Como é
que o fundo da segurança social é descapitalizado? Ter desempregados é ou não
vantajoso para a competitividade no sistema de produção atual? Há alguém de facto
excluído nesta sociedade? Ser pobre em Portugal significa o quê para além dos
números? Por exemplo, qual é a esperança média de vida com saúde em Portugal? O
que significa, económica, social e politicamente, quase 1 milhão de pessoas a
depender de subsídios vários (desemprego, desemprego parcial, RSI, etc.)?
Raquel Varela
Com Eugénio Rosa e Manuel Carlos Silva.
***«»***
Interessante! Nunca tinha pensado nesta questão
equacionada por Eugénio Rosa sobre a desigualdade percentual, em relação à
riqueza líquida criada, das contribuições das empresas de diversos setores de atividade, para
a Segurança Social. Empresas em que, percentualmente, os custos do
trabalho sejam muito elevados em relação ao produto final, como acontece, por
exemplo, nas indústrias transformadoras, maior será o valor percentual, em
relação à riqueza líquida criada, das contribuições dessas empresas para a
Segurança Social. Pelo contrário, empresas com custos de trabalho mais baixos,
como as empresas de eletricidade, o valor percentual daquelas contribuições, em
relação ao mesmo referencial, também será mais baixo, criando-se assim, sob uma
aparente igualdade de condições nas contribuições para a Segurança Social, uma
real desigualdade. Intencionalmente ou não, o sistema premeia as empresas com
maior inovação tecnológica e penaliza as que se apoiam numa mão de obra
intensiva, o que em termos de solidariedade social é questionável. Parabéns,
Raquel Varela, por mais um livro seu. Julgo que está a proceder a um importante
estudo de investigação sobre o Estado Social, numa perspetiva inédita e
original, o que permitirá conhecer melhor a sua natureza, a sua importância
social, a sua sustentabilidade, a sua estrutura de financiamento e de custos,
as suas potencialidades e as suas fragilidades, e cujas conclusões poderão ser
importantes para o decisor político.
Amabilidade do Olímpio Alegre Pinto, que enviou o vídeo.
Quem vive do salário em Portugal paga todos os seus gastos sociais
Livro “prova”, com números e factos, que o Estado social é auto-sustentado.
Num momento de crise económica, em que a preocupação com a dívida pública é crescente - e em que a mensagem parece ser a a impossibilidade de continuar a sustentar um Estado, apelidado de "gordo" -, há quem defenda que o Estado é auto-sustentado e que não está, por isso, na origem dos monstruosos défices orçamentais e da estagnação económica. "Quem vive do salário em Portugal paga todos os seus gastos sociais", afirma Raquel Varela, coordenadora do livro "Quem Paga o Estado Social em Portugal?" (Bertrand), obra que reúne ensaios de 18 especialistas de diferentes áreas e nacionalidades. "Este livro prova, com números e factos, que os trabalhadores portugueses contribuem para o Estado social com o necessário para pagar a sua saúde, educação, bem-estar e infraestruturas". Uma conclusão importante, que faz deste livro "uma obra a ler" independentemente da ideologia política do leitor e da simpatia, ou não, pelo neoliberalismo. A reter ainda que, e segundo a autora, "a massa salarial corresponde a 50% do PIB mas paga 75% dos impostos".
Mafalda Avelar
Diário Económico
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Eu tenho afirmado aqui, de uma forma recorrente, que o sistema capitalista internacional, principalmente o financeiro, está organizado no sentido de promover a transferência da riqueza dos países pobres e a dos menos ricos para os países mais ricos, e, dentro de cada país, para transferir rendimentos do trabalho para os rendimentos do capital. Analisando as várias vertentes do processo económico, chego sempre a esta conclusão, que, para mim, já é axiomática.
Raquel Varela, agora de uma forma fundamentada e baseada num louvável e apurado trabalho de análise estatística, vem desmontar esta monstruosa engrenagem do capitalismo, que só poucos sabem e entendem, de que só alguns suspeitam, mas que, infelizmente, muitos ignoram. A ligação íntima entre os poderes políticos, sustentados por um processo democrático viciado por uma alternância enganadora, e o poder económico e financeiro, que já está organizado à escala global para perpetuar o saque e a exploração do trabalho, passa despercebida à maioria da população, tal é o refinamento da arte do embuste, que se serve de uma comunicação social, que, embora livre, é fortemente condicionada nas suas escolhas editoriais, as informativas e as opinativas.
Raquel Varela teve o mérito de nos vir explicar que são os rendimentos do trabalho dos portugueses que, através dos impostos, pagam as funções sociais do Estado, e que a dívida soberana que se foi formando, através da cumplicidade dos sucessivos governos do PSD e do PS (a tal ilusória alternância), resulta precisamente da transferência de dinheiros públicos, por processos ínvios, de uma grande opacidade, para os bancos e para as grandes empresas.
É obrigatório ler o livro "Quem paga o Estado Social em Portugal?", da historiadora Raquel Varela.
Se esta exposição do autor é lucidamente didáctica, nesta entrevista concedida à jornalista do Diário Económico, Mafalda de Avelar, o livro que ele escreveu, e que eu ainda não li, deverá ser exemplar, por aquilo que terá de objectivo na sua descrição sobre o maior cancro das economias capitalistas, os offshore, que apenas servem para proporcionar a fuga aos impostos das empresas e dos empresários mais ricos e para proceder à lavagem do dinheiro sujo, proveniente do obscuro mundo do crime. João Pedro Martins é muito claro. A Zona Franca da Madeira prejudica em milhões de euros a economia madeirense, aumentando-lhe virtualmente o PIB e, por isso mesmo, excluindo-a de de muitos subsídios da União Europeia, a que teria direito, se fosse considerado o valor da sua economia real. E é porque muitos empresários portugueses ali sediam as suas empresas, ou para lá canalizam, através dos bancos, as suas fortunas, que cidadãos têm de pagar mais impostos. A imoralidade adjacente a esta prática, com a qual os governos democráticos (?) pactuam, evidencia bem a natureza imunda e perversa do capitalismo.
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Não resisto a transcrever aqui os comentários inseridos nos email que indicavam o link do vídeo, e cuja autoria não sei se poderá ser atribuída aos remetentes:
José Camelo: “Suite 605” – O maior conglomerado filhos da p. (sem ofensa à mãe porque se sabe quem é pai) que se alojaram (apenas para efeitos fiscais) na Madeira, ou a offshore mais portuguesa, que até tem frequência vaticana(?!)
Fica-se á espera de uma “investigação” sobre a maior e mais antiga offshore mundial: a Suíça…
Campos de Sousa: POR FAVOR VEJAM ESTE VÍDEO ATÉ AO FIM E NÃO SE ESQUEÇAM DE O DIVULGAR, POIS É MUITO IMPORTANTE AS PESSOAS TEREM CONHECIMENTO DO QUE SE PASSA. ATÉ O PINGO DOCE, ASSIM COMO OUTRAS EMPRESAS, ONDE FAZEMOS AS NOSSAS COMPRAS, RECORREM AO OFFSHORE DA MADEIRA.