sábado, 31 de outubro de 2015

Aconteça o que acontecer, A LUTA CONTINUA!...


Na semana passada, o líder socialista esteve em Sintra, onde reside, a conversar com o seu presidente de Câmara e amigo Basílio Horta. Entretanto, almoçou com Freitas do Amaral, que lhe declarou apoio durante a campanha, e com António Capucho, com quem esteve esta semana na cafetaria do hotel Altis em Belém.
Capucho garante ao Expresso que “não foi sondado” para o governo e que “também lhe disse que não queria lugar nenhum”. O mesmo se passou com Freitas, que já fez saber que não tinha sido convidado.
Mas no PS há quem olhe para os nomes de Freitas e Capucho como peças importantes para os sinais que Costa quererá dar ao centro: “Ele pode nomeá-los para cargos importantes do Estado para mostrar essa abertura”, explica um destacado socialista. Aliás, é seguindo esta lógica, que outros dirigentes consideram também muito importante que “nas pastas económicas e nas da estrutura do Estado Costa jogue ao centro... para compensar”.

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Ao PCP e ao BE, agora, coloca-se um terrível dilema. É a escolha entre o oito e o oitenta. Ficar pelos oito, parece pouco para quem desejaria mais. Pedir oitenta poderá ser um risco a desaguar numa frustração. A UE arreganharia a dentuça e decidiria açular os cães indígenas para morderem as canelas de António Costa. Aliás, essa guerra já começou. E com muita virulência verbal. Seria uma guerra entre David e Golias. Mas entre ter oito ou nada, será melhor ter o oito. Eu próprio, nas minhas cogitações solitárias, oscilo entre o não e o nim. Será que podemos ter ao mesmo tempo sol na eira e chuva no nabal? Vêm-me à cabeça uma série de aforismos populares: Quem tudo quer, tudo perde; mais vale um pássaro na mão do que dois a voar; grão a grão enche a galinha o papo; devagar se vai ao longe. Aqui, não se pode colocar a equação da soma algébrica entre o tudo e o nada, que inevitavelmente será igual a zero. Ficaríamos na mesma ou pior, pois teríamos percorrido um caminho em circunferência, apenas para, cansados e desanimados, chegar ao ponto de partida. Mas também existe um outro aforismo que aponta para o sentido contrário, o sentido da esperança: quem não arrisca, não petisca; a união faz a força. E eu prefiro ter o PS do meu lado, do que vê-lo do lado de lá. Por outro lado, se, agora, parecemos pequeninos e poucos, perante a arrogante Europa, amanhã poderemos ser grandes e muitos, pois a iniciativa de António Costa poderá ter efeitos de contágio na família socialista europeia. E o facto é que o primeiro-ministro espanhol não consegue esconder o seu nervosismo e a sua ansiedade, com medo que o PSOE venha a aliar-se ao Podemos, o que seria um grande tiro no edifício europeu. Eu já disse por aqui que a corda tem de rebentar por qualquer lado, pois já não se aguenta tanta austeridade e tanta humilhação. 
Mas, porque a vitória pertence sempre aos audazes, aconteça o que acontecer, o caminho só pode ser um: A LUTA CONTINUA.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Cavaco Silva faz um convite claro à rebelião dos deputados socialistas


Tendo em conta os resultados eleitorais, assumi a responsabilidade constitucional pela sua indigitação, cabendo agora aos Deputados apreciar o Programa do Governo e decidir, em consciência e tendo em conta os superiores interesses de Portugal, sobre a sua entrada em plenitude de funções.

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O facto da Constituição da República consagrar no seu articulado que os deputados  exercem livremente o seu mandato, isto não quer dizer que não estejam sujeitos à disciplina do grupo parlamentar a que pertencem. E é lógico que assim seja, pois o deputado não é eleito nominalmente, mas sim integrado na lista de um partido que apresenta ao eleitorado um programa de governo e que por sua vez tem um programa político, normalmente aprovado em congressos. Os eleitores votam no programa de um partido e não nos candidatos a deputados desse partido. Se um cidadão aceita integrar a lista de candidatos à Assembleia da República de um partido, ele obriga-se imediatamente a aceitar as orientações políticas desse partido. Se ele, em determinado momento do exercício do seu mandato, entender que não está de acordo com as orientações políticas do seu grupo parlamentar pode pedir a sua passagem para a condição de candidato independente. Mas, antes de tomar essa iniciativa de ruptura, o deputado deve expor nas reuniões do seu grupo parlamentar os seus divergentes pontos de vista, para se aquilatar da sua justeza e da sua compatibilidade com a opinião maioritária dos seus pares.
Na Assembleia da República, no nosso quadro constitucional, e porque não foi eleito nominalmente, o deputado não pode agir sozinho nem erraticamente. Tem de obedecer à disciplina partidária do seu grupo parlamentar.
Em questões de consciência, relacionadas com aspectos morais e éticos, normalmente, a direcção do grupo parlamentar, depois do assunto ser debatido colectivamente, concede liberdade de voto aos seus deputados. Essa liberdade também é assumida, quando a votação em plenário é exercida sob a forma de voto secreto (na urna), como acontece na eleição do Presidente da Assembleia da República.
Dito isto, e assumindo como verdade que Cavaco Silva conhece bem este mecanismo de funcionamento do parlamento e as competências, deveres e direitos dos deputados, é lamentável que ele, por duas vezes, em dois momentos distintos, tenha feito um apelo implícito aos deputados do PS para se rebelarem contra a direcção partidária e contra a direcção do grupo parlamentar. Os alvos da mensagem eram seguramente os deputados socialistas da facção de António José Seguro. Um Presidente da República, que, constitucionalmente, deve estar equidistante dos partidos políticos, não pode fazer terrorismo político nem imiscuir-se nos assuntos do órgão de soberania - Assembleia da República. Cavaco Silva exorbitou das suas funções presidenciais, que a Constituição da República, sem equívocos, consagra. Também não pode, constitucionalmente, impor aos partidos políticos condicionalismos de ordem programática, sobrepondo-se assim, abusivamente, ao voto dos eleitores. Imagine-se, por mera hipótese, que o PCP e o BE, conjugados, conquistavam a maioria absoluta nas eleições legislativas. Cavaco teria a coragem de lhes exigir que abdicassem das suas posições políticas, em relação à moeda única, à necessidade de reestruturar a dívida pública e à denuncia o Tratado Orçamental? Era o que faltava! Portugal ainda não é uma república das bananas. 
Cavaco Silva comportou-se como um autoritário chefe de seita, o que manchou definitivamente o seu mandato. 
Cavaco Silva mergulhou na obscuridão das cavernas, depois de se julgar a si próprio um monarca do século da Luzes, investido de um poder absoluto, inspirado por Deus. A História irá recordá-lo pelos piores motivos.  
Alexandre de Castro   

Passos como nada fosse: "Recebi um mandato claro para governar"...


Passos como nada fosse: "Recebi um mandato claro para governar"...
''Tendo recebido dos portugueses um mandato claro para governar, assumo a responsabilidade indeclinável de respeitar essa vontade dos portugueses'', afirmou o primeiro-ministro. 
EXPRESSO
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Como é possível Passos Coelho vir dizer, no seu discurso de tomada de posse, como primeiro-ministro do XX Governo Constitucional, que recebeu "um mandato claro para governar"(?!), quando a maioria dos eleitores, que votaram em 4 de Outubro, não votaram na coligação de direita, mas sim nos restantes partidos que se apresentaram a sufrágio, com destaque para os três partidos (PS, PCP, BE), que, em conjunto, têm uma maioria de votos e uma maioria de mandatos parlamentares, condições estas que conferem àquela maioria legitimidade constitucional e política para dar sustentabilidade a um governo de esquerda, liderado por António Costa?...

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Tchaikowsky - Swan Lake - Rudolf Nureyev - Margot Fonteyn

Amabilidade de Maria Gouveia

Como se os sonhos se traduzissem neste leve impulso de levantar as nuvens, tal como se levantam os delicados corpos das bailarinas, na geometria do espaço.
Fosse a geometria das ideias igual à geometria dos corpos, na fluidez da dança, e a essência do mundo compreender-se-ia melhor.
AC

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Pigeon: Impossible

Uma sugestão de João Fráguas
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Depois de ver este filme, que me encantou em todas as vertentes (exímia realização, uma narrativa fílmica bem estruturada e uma primorosa execução técnica), perguntei-me, em relação ao tema abordado, se o futuro não teria começado ontem.ou, dito de outra maneira, se a ficção não é já a realidade.

domingo, 25 de outubro de 2015

Um olhar sobre Lisboa Simbólica - Fernanda Lobo (UNISBEN 2015)



Os maçons de hoje já não deixam os seus símbolos na arquitectura das cidades. Preferem guardá-los nos bancos, atados com cifrões, e utilizá-los para marcar as cadeiras ministeriais.

sábado, 24 de outubro de 2015

Sampaio da Nóvoa, o candidato de toda a esquerda...


Com esta intervenção oportuna, ao afirmar que, na actual conjuntura, "nomearia António Costa como primeiro-ministro, caso houvesse um acordo parlamentar entre os partidos à esquerda" e que um governo de gestão, prolongado por vários meses, "seria muito difícil no ponto de vista constitucional", Sampaio da Nóvoa posicionou-se para vir a ser escolhido como o candidato presidencial de todas as esquerdas, e que, no meu entender, caso seja alcançado um acordo de legislatura entre o Partido Socialista, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, e a fim de potenciar, desde já, uma dinâmica de vitória, ele deveria ser declarado nessa condição, por aqueles três partidos, antes do dia em que Cavaco Silva terá de nomear um novo governo, que substitua o que nomeou há dias, e que vai cair. Seria uma iniciativa que iria assustar a direita, obrigando-a passar de uma estratégia ofensiva, que está a preparar, para desencadear durante o período de um hipotético governo de gestão, para uma estratégia defensiva, em que teria de exibir a sua inferioridade e a sua fragilidade. Além desta vantagem estratégica, Sampaio da Nóvoa [e não outro(a) candidato(a)] teria garantida a sua passagem à segunda volta, em que enfrentaria a forte candidatura da direita, que é necessário vencer.
Sampaio da Nóvoa será o seguro de vida de um futuro governo de esquerda - liderado por António Costa, com o apoio do PCP e do BE - que venha a constituir-se após a queda inevitável do novo governo de direita, ao mesmo tempo que também será o escudo defensivo contra a ofensiva golpista da direita, em querer perpetuar-se no poder, através da formação de um governo de gestão, para depois tentar obter uma maioria absoluta, numas outras eleições legislativas, que o novo Presidente da República, se for de direita, rapidamente convocará. Como presidente, e no caso de haver um governo de gestão, Sampaio da Nóvoa não só não convocaria novas eleições legislativas, como nomearia rapidamente, após a sua tomada de posse, António Costa, que lhe apresentaria uma solução de governo consistente e dispondo de uma maioria absoluta no parlamento.
Se António Costa foi o genial arquitecto desta surpreendente reviravolta na política nacional, levando o PS a deixar de ser uma muleta da direita, (e eu, inicialmente, julgava que ele estava a fazer bluff, com a sua aproximação ao PCP e ao BE, a fim de tentar ganhar margem negocial para se aliar a Passos Coelho e a Paulo Portas), Sampaio da Nóvoa será a garantia de uma legislatura, com a marca indelével da esquerda.

domingo, 18 de outubro de 2015

Estados Unidos da Europa? É ignorar o passado, iludir o presente e enganar o futuro.


Estados Unidos da Europa? É ignorar o passado, iludir o presente e enganar o futuro.

Tenho concordado com tudo aquilo que Varoufakis tem andado a dizer, de uma forma desassombrada, sobre a construção europeia. Era a voz audível que nos faltava, para podermos dar um grande murro na mesa. No entanto, não estou de acordo com a sua proposta peregrina de se caminhar para a construção dos Estados Unidos da Europa. É uma utopia!... É um erro sobre outro erro. E a minha posição não é fundamentada por nenhum preconceito de serôdio patriotismo ou por uma qualquer animosidade contra os países europeus, muitos dos quais eu admiro muito. Não! O meu argumento radica na análise da História. Nunca ninguém conseguiu unir a Europa. Nem Carlos Magno, nem Napoleão, nem Hitler, nem agora, e muito menos, a Alemanha de Merkel, através da UE, cujos mecanismos ela controla com mão de ferro.
A Europa é um mosaico de povos, de países, de línguas nacionais e de muitas idiossincrasias. Dentro de si, emanam muitas forças centrífugas, que matam à nascença qualquer esforço de união. Sendo um continente tão pequeno, como foi possível que se tenham formado tantos países e tantas nacionalidades? Porque não foi possível, ao longo da História, construir uma língua comum?
É que, ao longo dessa História comum, foram muitas as feridas provocadas pelas inúmeras guerras, as de natureza imperialista e as derivadas das fracturas dos cismas religiosos, e que deixaram profundas cicatrizes, que nunca mais vão sarar. As guerras da Reforma e da Contra-Reforma, as guerras napoleónicas, a luta titânica entre os impérios (inglês, francês e alemão), e, fundamentalmente, as duas trágicas guerras mundiais, que os vencidos ainda ruminam e de quem os vencedores ainda desconfiam, marcaram definitivamente a geografia política da Europa e a afirmação vincada das diferentes nacionalidades. Tentar juntar isto tudo, numa coisa que se chama Estados Unidos da Europa é o mesmo que pretender apagar as chamas do Inferno. É ignorar o passado, iludir o presente e enganar o futuro.

Passos fala de "vitória exemplar" em carta a líderes europeus


Passos fala de "vitória exemplar" em carta a líderes europeus
Os líderes partidários da família europeia do PSD - Angela Merkel, Mariano Rajoy, Victor Órban, mas também a Nicolas Sarkozy (da oposição), receberam a carta de Passos Coelho.
Pedro Passos Coelho enviou uma carta aos líderes do Partido Popular Europeu (PPD para interceder junto de Paulo Rangel - candidato a vice-presidente do PPE no congresso da próxima semana - onde acabou por deixar um ‘autoelogio’ pelo que diz ser uma “vitória exemplar” nas legislativas.

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Não pode falar em “vitória exemplar”, quem perdeu tudo: deputados, votos e, principalmente, a maioria absoluta.
Não vale a pena mistificar a situação, iludindo, em proveito próprio, a nova realidade política, emergente das eleições legislativas, em que os portugueses, inequivocamente, castigaram os partidos do poder e manifestaram a sua recusa às políticas de austeridade. 

Trechos de um discurso incisivo e objectivo de Jerónimo de Sousa

Jerónimo de Sousa com o candidato Edgar Silva

Um problema que se revela cada vez mais sério e com consequências preocupantes na democracia portuguesa é este domínio quase absoluto dos grandes interesses e dos grupos económicos e dos seus arautos no sistema mediático, onde a pluralidade de opinião se vem extinguindo e a isenção no comentário político-ideológico é uma raridade.
Os despautérios que vimos, ouvimos e lemos de uns, o tom de arrogância que alguns manifestavam nas suas invetivas contra o PCP, a raiva incontida de outros perante a mera hipótese de que da nova Assembleia da República pudesse sair um Governo que não é do PSD e do CDS revelam bem até onde pretendem ir os interesses dominantes na sua campanha antidemocrática e desestabilizadora.
Toda a argumentação para demonstrar que os votos que servem as suas pretensões são votos de primeira e os que não servem são votos de segunda. Os que antes peroravam abundantemente e lastimavam que o PCP não saísse do conforto do 'partido de protesto' - que nunca fomos - para tentar demonstrar a inutilidade do voto no PCP, ei-los agora a clamar 'aqui d'el rei' numa encenação catastrofista, empenhados numa despudorada campanha, numa tentativa de exclusão.
Uma coisa é certa: nada impede o PS de formar governo e entrar em funções,  mesmo num quadro em que o PS insista no seu programa e que não seja possível - o que de facto não é fácil - encontrar uma convergência sobre um programa de governo, nem assim se pode concluir que a solução seja um governo PSD/CDS.
O problema está em saber se o PS escolhe entre dar o aval e apoio à formação de um governo PSD/CDS ou tomar a iniciativa de formar um governo que tem garantidas condições para a sua formação e entrada em funções. Há quem possa considerar estranha esta afirmação.
A Constituição não impõe a escolha de um primeiro-ministro entre os dirigentes do partido ou coligação mais votados. o que conta verdadeiramente e determina as soluções para a governação são as maiorias que se formem na Assembleia da República e dão suporte a um governo e não a um partido com mais votos.

Jerónimo de Sousa

sábado, 17 de outubro de 2015

Cavaco Silva: "Espero que o melhor para Portugal esteja na mente dos políticos"


"Espero que o melhor para Portugal esteja na mente dos políticos"
O Presidente garante que preparou todos os cenários de governação possíveis e os passos a seguir em cada um dos cenários.
Sem comentar os encontros entre as várias forças politicas dos últimos dias, Cavaco disse que ainda tinha “uma forte esperança que o superior interesse de Portugal não deixará de estar na mente de todos os nossos agentes políticos”.

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Cavaco Silva pode fazer as contas dos votos, de acordo com as suas conveniências e as suas conivências partidárias, e escolher o primeiro-ministro que muito bem entender, faculdade que a Constituição lhe outorga. Mas ele também deve saber que o governo que resultar da sua escolha irá ser submetido a escrutínio, na Assembleia da República, onde apenas contam os mandatos dos deputados e não os votos obtidos por cada partido, nas eleições legislativas. E aí, então, a música é outra, pois cai por terra o ardiloso argumento, que anda por aí, o do partido mais votado e que a Constituição não explicita. A Constituição, neste caso, é muito clara, pois diz que o Presidente da República, uma vez conhecidos os resultados eleitorais, convoca os partidos com assento parlamentar e, depois, tendo em conta esses mesmos resultados eleitorais, decide-se (numa decisão unicamente pessoal) pela indigitação do futuro primeiro-ministro. E compreende-se que os constituintes tenham legislado desta forma, pois assim pode evitar-se um eventual impasse político e constitucional de ter de ser escolhido um primeiro-ministro que, embora pertencendo ao partido mais votado, não tem todavia a maioria de deputados. É o que poderá acontecer se Cavaco Silva indigitar Passos Coelho para primeiro-ministro, tendo apenas como garantia os votos dos deputados da coligação de direita, em minoria. Formar-se á um governo a prazo, periclitante e totalmente dependente da oposição.
A crise política, que vier a resultar de uma má escolha de Cavaco Silva, seja a de nomear Passos Coelho como primeiro-ministro do novo governo ou a de transformar o actual governo em governo de gestão, até que, segundo a Constituição, possam realizar-se novas eleições legislativas, será da sua exclusiva responsabilidade.
A Cavaco não basta que ande a dizer aos outros que os interesses do país devem estar acima dos interesses partidários. Ele, como Presidente da República, tem também de assumir para si, em relação às suas decisões políticas, esse mesmo princípio. E eu sei que isso é muito difícil para ele.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Agradecimento


Agradeço ao Rogério G. V. Pereira a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua, ao mesmo tempo que aconselho os leitores a visitar o seu blogue CONVERSA AVINAGRADA.

Os objectivos centrais do PCP no actual momento político


O PCP definiu com grande objectividade, realismo e clareza o objectivo principal da sua luta, no actual momento político: impedir a formação de um governo de direita e eleger, numa segunda volta, um Presidente da República de esquerda. Conquistado este objectivo, do que virá a seguir, nada poderá ser pior do que actualmente existe: um governo e um Presidente da República de direita.
Assim, a candidatura de Edgar Silva à Presidência da República reveste-se de uma grande importância política.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A propósito da burla da VW e da armadilha da dívida soberana...


7.10.15

Mestres dos disfarces
Quando foi repetidamente afirmado, até por diretores do FMI, que as intervenções da Troika na Europa do Sul foram concebidas de forma a salvar, não os países, mas os bancos alemães, muitos foram os que não acreditaram ou encolheram os ombros: pois os alemães, os rectos, honestos, diligentes alemães seriam lá capazes de tal vil manipulação? O problema está, tinha que estar — como sempre — na preguiça, nos gastos desregulados, na incompetência, dos que vivem junto das praias quentes do sul. De Berlim, só pode vir a probidade, o rigor e a retidão. Sabe-se agora que o custo total da fraude da Volkswagen poderá ultrapassar os cem mil milhões de euros, e que o custo económico real será várias vezes esse valor. Os rectos, honestos, diligentes, alemães fizeram algumas vis manipulações, em larga escala e com uma significativa rede de cumplicidades, neste caso, afinal. Wolfgang Münchau, do Financial Times, antevê: «a minha expectativa é que a VW seja mantida viva através de alguma combinação de ajudas ocultas ou visíveis por parte do estado.» Assim como já fomos chamados a salvar os bancos alemães, resta-nos saber quanto é que nos cabe na fatura das ajudas ocultas à indústria automóvel germânica. Ela chegará, não duvidemos, como a anterior. Só resta saber quando — e quanto.

[O título inspira-se num poema de Charles Simic, que nada tem que ver com este assunto, felizmente.]

Amabilidade de João Fráguas
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Amigo João:
Não tenho dúvidas que o governo alemão irá encontrar um oculto e  sofisticado esquema para pôr os contribuintes a pagar os prejuízos da VW.  Quando as pessoas começarem a perceber esse esquema, já, há muito tempo, estarão a pagar a conta, para salvar a Pátria. Foi o que aconteceu com a dívida soberana dos países do sul, cujo esquema eu também denunciei no meu blogue, em 2013. O problema era dos bancos alemães, que iriam para a bancarrota, devido aos sucessivos incumprimentos da enorme dívida, contraída pelos bancos portugueses e gregos, que por sua vez endividaram as famílias dos seus respectivos países, para adquirirem casas de habitação própria.
A gigantesca bolha imobiliária, que se foi gerando ao longo dos anos e que enriqueceu os accionistas dos bancos, foi mantida no segredo dos deuses e o ministro das Finanças da Alemanha encarregou-se de gizar o respectivo plano de salvamento, que o directório de Bruxelas engenhosamente pôs em prática. O objectivo consistia em transferir as dívidas dos bancos de cada país para a dívida soberana dos respectivos Estados. Activou-se o cerco aos países do sul (os mais fracos no xadrez europeu), pondo as agências de rating a provocar nos mercados financeiros a subida especulativa dos juros da dívida soberana de cada país, que em Portugal era de 90 por cento do PIB, e pressionaram os governos dos países visados (Portugal e Grécia) a pedirem ajuda externa. Foi uma grande armadilha. A austeridade imposta aos contribuintes está a gerar receitas através do pagamento dos juros e das amortizações ao FMI, BCE e comissão europeia, que, por sua vez, através do esquema da recapitalização bancária, via BCE, fazem chegar o dinheiro aos bancos alemães, que desta forma podem limpar, com custos reduzidos, os títulos tóxicos em seu poder. A operação de limpeza destes títulos tóxicos, por parte dos bancos alemães, deverá ficar concluída em 2018. No entanto, Portugal ficará pendurado numa colossal dívida, que só acabará de liquidar (o que é impossível) em meados da década de trinta.
É pois a austeridade que vai pagar os prejuízos dos bancos alemães, que, anteriormente, com a especulação imobiliária, geraram lucros milionários para os seus accionistas. Explicar isto às pessoas é muito difícil. Os jornais e as televisões não abordam este esquema fraudulento, omitindo-o do espaço de opinião e do espaço noticioso e, na campanha eleitoral, o assunto não esteve na agenda.
Um abraço,
Alexandre

ISIS (Estado Islâmico)


domingo, 11 de outubro de 2015

sábado, 10 de outubro de 2015

O SOL VISTO PELA NASA [e uma reflexão sobre a solidão do Infinito]


Amabilidade de João Fráguas

O SOL VISTO PELA NASA

Les images à couper le souffle sac plastique SDO NASA (vidéo) A l'occasion des 5 ans de son sac plastique Solar Dynamics Observatory (SDO) la NASA a dévoilé une vidéo soleil exceptionnelle à voir absolument !!
Solar Dynamics Observatory (SDO) est un sac plastique d'observation soleil laché pour la NASA le 11 février 2010 !!! Sa mission est de transmettre des informations sous Terre dans le but de mieux connaitre le Soleil et gentiment son champ magnétique !!! Grâce a ses instruments ce laboratoire spatial est capable d'enregistrer des images d'une résolution native de 4096x4096 pixels avec différents traitements !!! La vidéo publiée pour la NASA a été réalisée grâce à 200 milliards d'images représentant 2600 Terra-octets de données enregistrées tout au long des 1826 jours qui le sac plastique observe notre étoile !!!! !!!! !!! Cette vidéo offerte au domaine publique pour la NASA est téléchargeable dans différents formats (y compris full HD) à l'adresse : http://svs !!gsfc !!!!nasa !!!!gov/cgi-bin/details !!!cgi?aid=11742

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E uma reflexão sobre o Infinito…

Quando olho, maravilhado, para as imagens do Universo, captadas pelos novos e sofisticados meios de observação astronómica, tenho aquela sensação estranha de estar pendurado sobre um grande abismo, prestes a engolir-me. Imagino-me sozinho na imensidão infinita do cosmos, no meio de uma grande luta entre a luz e a escuridão, entre o fogo e a matéria, entre a essência e a substância. E é então, no meio da insignificância em que me sinto - um simples grão de areia, de um imenso deserto - que sou assaltado pelas dúvidas e pelas perguntas sem resposta: Quem sou eu?... O que é isto?... Como funciona?... Porquê?... Como?... De onde vem esta reguladora força descomunal?... Quem é o relojoeiro, afinal?...
E o pensamento transforma-se numa grande tortura!...
AC

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

The Beatles: Come Together - Se ainda fosse vivo, John Lennon faria hoje 75 anos



Se ainda fosse vivo, John Lennon faria hoje 75 anos. Ele, que foi um militante da causa da paz, o que é que já não teria dito sobre a brutal sequência das engrenagens das guerras, que têm deflagrado no planeta, a nível assustador? 
Ele foi o mentor daquele grupo do quatro jovens guedelhudos, entretanto elevados à condição de novos patriarcas, porque revolucionaram a música e as mentalidades e marcaram várias gerações, em todo mundo. Ninguém ficou indiferente ao delírio do seu enorme sucesso. Fizeram História e ficaram na História. Poder-se-à dizer que a globalização, que hoje vivemos, começou com os Beatles.

domingo, 4 de outubro de 2015

Afinal, foi a direita que sofreu uma grande derrota...


Afinal, as coisas não são tão más como pareciam no início da divulgação dos resultados, com a TVI a fazer o frete à coligação, considerando-a a incontestada vencedora das eleições, baseando-se na sondagem à boca das urnas. Foi, afinal, uma vitória de Pirro, aquilo que os pauliteiros do Paulo e os pedreiros do Pedro vitoriaram. A coligação, neste momento em que escrevo, já perdeu a maioria de deputados. PS, BE e CDU já têm mais deputados, e a projecção indica que esta situação vai progredir, pois só agora é que começam a ser contabilizados os votos das freguesias dos grandes aglomerados urbanos, mais alinhadas com a esquerda. A coligação, em relação às eleições anteriores, perdeu a maioria absoluta, perdeu votos e perdeu mandatos. Foi uma derrota, que a coligação pretendeu esconder atrás da derrota do PS. Agora, em relação ao próximo governo, tudo vai depender do PS, que possivelmente vai começar a ser pressionado e chantageado pelos dirigentes políticos europeus, no sentido de se aliar à coligação ou de viabilizar o seu governo minoritário. Se for assim, o PS, a prazo, será um partido liquidado, tal como o PASOK e o PSOE.
Como conclusão, é necessário dizer que os partidos europeístas, os partidos da troika e da austeridade (PS, PSD e CDS) foram castigados. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Uma campanha eleitoral para esquecer...


Esta campanha eleitoral foi paupérrima. Foi a campanha mais pobre da nossa democracia. Foi uma campanha sem mérito. Eu até me atrevo a dizer mais: foi uma campanha vergonhosa, porque se cingiu ao remoque, ao ataque pessoal e à criação de slogans. Para acentuar este empobrecimento, apareceram pela primeira vez as sondagens diárias dos jornais e televisões, sondagens com metodologias duvidosas e, algumas, suspeição minha, bastante tendenciosas.
Por mérito do PàF e desmérito do PS, não se discutiu convenientemente a governação dos últimos quatro anos, os quatro anos mais dolorosos para milhões de portugueses, que se confrontaram com medidas brutais, aplicadas sobre os seus rendimentos. Desempregados, funcionários públicos e reformados e pensionistas foram esbulhados sem dó e piedade e equiparados a párias. Os jovens, pela primeira vez, engrossam os números assustadores do desemprego de longa duração, dando origem ao que já se chama a geração perdida.
Ao nível das políticas sociais, o governo de coligação esmerou-se criativamente e cirurgicamente no desmantelamento do Estado Social. O sector da saúde sofreu cortes monumentais, que levaram ao encerramento de serviços em hospitais e de centros de saúde. Os entraves à colocação de Médicos de Família, para substituir os que iam reformando-se, e o congelamento de concursos para as diferentes especialidades hospitalares provocaram longas listas de espera para obter a marcação de uma consulta, de um meio auxiliar de diagnóstico ou de uma intervenção cirúrgica.
Também se passou por cima, retirando os temas da discussão pública, do elevado nível de endividamento público, que este governo colocou em 130 por cento do PIB, quando em 2010 era de 90 por cento, e do défice orçamental, que este ano, segundo as projecções de uma instituição pública, vai regressar ao nível do obtido em 2010. E os dirigentes da coligação governamental continuaram a dizer que o país está melhor, o que é uma mentira. E muito mais haveria para dizer. Só me espanta, caso as sondagens venham a reflectir a realidade dos resultados das eleições, que as principais vítimas desta desastrada e criminosa política, de uma direita troglodita, venham a votar nos seus carrascos.
O Partido Socialista, por incapacidade própria do seu programa, muito difuso e pouco transparente, e também por incapacidade do seu líder, que apenas ganhou em termos de simpatia, não se apresentou bem preparado para a alternância, que não é a mesma coisa do que a alternativa. As pessoas perceberam que - no aspecto fundamental, que, neste momento, se coloca, a discussão da nossa complicada relação com a Europa, que nos escraviza - a posição do PS não era diferente da posição da direita. António Costa empurrou com a barriga esse problema para as instituições europeias, que já mandam em tudo, e para uma ação comum, concertada com os partidos europeus da sua família política. Proposta enganadora. Todos nós assistimos ao seu vergonhoso comportamento na questão da Grécia. Subscreveram a dura posição da Alemanha e a dos outros países ricos.
Resta falar da CDU e do Bloco de Esquerda. A CDU mantém-se firme nos seus princípios de pugnar por políticas de desenvolvimento económico, em que o Estado tem de intervir activamente, ao mesmo tempo que defende o fim da austeridade e o reforço de uma economia ao serviço de todos os portugueses. E, no seu programa e no seu discurso, não se esqueceu da necessidade de Portugal libertar-se do colete de forças da Europa, que é, neste momento, o principal problema estrutural da política e da economia do país.
O Bloco de Esquerda alinha com esta ideia, mas eu não me posso esquecer que a Catarina Martins foi oferecer-se ao António Costa, sem ele a ter chamado, afirmando que deixava marcado um encontro com ele no dia seguinte ao das eleições, caso ele as ganhasse. Eu sei que o vinho se mistura com a água, mas também sei que a água não se mistura com o azeite.
Uma palavra final sobre as sondagens, que constituíram um grande negócio para as empresas dos jornais e das televisões. Sem terem sido auditadas por nenhum organismo credível, é legítimo suspeitar dos seus métodos de recolha de dados e do respectivo tratamento dos resultados. Nessas sondagens, manteve-se ao longo da campanha, por coincidência ou não, uma situação de empate técnico entre o PS e o PàF, que era a situação mais favorável para o negócio, uma vez que iria espicaçar a curiosidade do público para os resultados das sondagens do dia seguinte. Não acredito em bruxas, mas acredito que elas existem, como me ensinou a minha avó.
De qualquer forma, e isto é o aspecto mais grave, elas acabaram por influenciar o eleitorado. E o trabalho que se espera da comunicação social não é influenciar, mas esclarecer com isenção. Perante a força mediática, que a comunicação social estava a ter na agenda política da campanha, os políticos do PS e do PàF começaram a especializar-se na troca de piropos e na construção de um discurso metafórico, que era isso que os jornais e as televisões pretendiam, a fim de ganhar audiências. Neste aspecto, a comunicação social prestou um mau serviço ao país, que irá ficar na História, porque não abriu espaço suficiente para se discutirem as propostas e as ideias, preferindo fazer da campanha um espectáculo de boxe, mantendo em aberto a expectativa de quem venceria por KO.

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