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sábado, 19 de janeiro de 2019

A Revolta da Marinha Grande em 1934


A 18 de Janeiro de 1934, a Marinha Grande acordou com um levantamento operário vidreiro contra a fascização dos sindicatos enquadrada pelo Estatuto Nacional do Trabalho. Os revoltosos conseguiram tomar o poder por algumas horas, mas a repressão de Salazar acabaria por esmagar a revolta e enclausurar os revoltosos nos cárceres do fascismo, onde alguns jaziram. Em 29 de Outubro desse ano, 57 marinhenses que participaram no 18 de Janeiro inauguraram o Campo do Tarrafal, na ilha de Santiago, em Cabo Verde
Jornal AbrilAbril 

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Estes homens foram os “Heróis” de um tempo em que a fome não era uma metáfora.
Alexandre de Castro
2019 01 19

quarta-feira, 10 de junho de 2015

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Crónica dos dias contados [a propósito das homenagens a Humberto Delgado]



Crónica dos dias contados
[a propósito das homenagens a Humberto Delgado]

Eu tinha apenas catorze anos de idade, quando vi pela primeira vez o General Sem Medo. Foi em Lamego, cidade por onde passou, a caminho de Viseu, onde se realizou um comício da sua candidatura à Presidência da República. Juntamente, com outra malta do liceu, fui assistir à sua chegada, ao Largo dos Combatentes da Primeira Guerra Mundial, onde colocou um ramo de flores na base do imponente monumento ao Soldado Desconhecido. Já não me lembro bem se ele apareceu fardado e se teve direito a uma Guarda de Honra, formada por militares do Regimento de Infantaria Nº 9, aquartelado na cidade. Lembro-me sim, da presença de uma delegação oficial daquela instituição militar, composta pelo comandante da unidade e por mais alguns oficiais de elevada patente, que envergavam o uniforme nº1, sinal da importância do ato, no cânone militar. Tratava-se de um general…
Percebeu-se o embaraço do comandante do regimento, quando, depois da continência devida e de um cumprimento de mão, conversou brevemente com Humberto Delgado. A medo, alguns populares bateram palmas. O Medo!... É verdade, o medo!.. Medo de ser preso, medo de perder o emprego, caso se tratasse de funcionários do Estado. E foi esse mesmo justificado medo que levou algumas pessoas a não se exporem naquela receção, entre elas alguns notáveis da cidade, republicanos oposicionistas de longa data e oposicionistas recentes, que perceberam ser Delgado o homem certo para enfrentar a soberba do sinistro Salazar, perceção esta que se formou, a partir do momento em que o general, em resposta a uma pergunta de um jornalista, na conferência de imprensa de apresentação da sua candidatura, no café Gelo, em Lisboa, lançou para o ar aquela frase assassina, em relação ao ditador. “Obviamente, demito-o”.
Foi a primeira vez que Salazar caiu da cadeira, pois aquela frase era uma afronta, que ele sentiu para além do mundo cinzento da política. Foi o seu orgulho, que ficou ferido de morte. De tal forma, que se vingou ferozmente, dando ordem à PIDE para assassinar o general.
Aquele grupo de oposicionistas, para fugir à vigilância dos esbirros, deslocou-se de automóvel, pela estrada que liga Lamego a Viseu, para um sítio previamente combinado, antes de se chegar a Castro D’ Aire, e tendo aí esperado o General Sem Medo, para o abraçar e lhe manifestar o seu indefectível apoio. Num desses abraços, é apanhado o Dr. Abrantes de Cunha, reitor do liceu e meu professor de Português, professor que eu admirei muito, pois foi pela sua ação pedagógica e didática, que eu aprendi a Gramática e os fundamentos da Literatura Portuguesa. Mais tarde vim a reencontrá-lo no Casino Estoril.
A fotografia daquele fatídico abraço ao general Humberto Delgado, tirada por um fotógrafo profissional da cidade, que a expôs, juntamente com outras, na montra da sua loja, eriçou imediatamente os esbirros, que rapidamente a retiraram, tendo-a guardado como prova do delito. Passados poucos dias, o Dr Abrantes da Cunha era irradiado. Foi demitido das funções de reitor e foi transferido para o liceu da Covilhã.
Este episódio foi o acontecimento mais doloroso, que eu relatei no meu romance, “O Bando do Liceu”, um romance que me deu um grande prazer em o escrever.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Testamento Político de D. Luía da Cunha [antecedido por um comentário]

D. Luís da Cunha
(Busto em mármore deJan Baptist Xavery)

O testamento político de D. Luís da Cunha é um dos textos políticos doutrinários mais importantes da História de Portugal. Nele, o aristocrata e diplomata, o homem culto e com uma clara visão estratégica, define a nova concepção do poder político para Portugal, importando e adaptando sabiamente as ideias que já estavam a ser implementadas na Europa no século XVIII: um poder autoritário, centrado na figura do monarca, mas que, ao assumir-se como agente conciliador dos interesses contraditórios das várias classes sociais, promovesse o avanço económico, fomentasse a formação de elites esclarecidas e melhorasse o bem-estar geral da população (de acordo com o contexto dominante e a escala de valores da época).
Foi neste caldo político e cultural da Europa de setecentos que ocorreu o advento da primeira revolução industrial e se fomentou o aparecimento de novas concepções do comércio nacional e internacional (a globalização daquele tempo). Foi também durante a época do Iluminismo que começaram a surgir, com os enciclopedistas, as novas ideias liberais, abrindo-se assim o caminho para a grande Revolução Francesa.
D. Luís da Cunha, ao propôr o nome do futuro Marquês do Pombal ao príncipe herdeiro, D. José, para ministro do Reino, e aconselhando uma investidura com ampla delegação de poderes, estava a sugerir a assumpção da figura do “déspota esclarecido”, que, com a razão da Luzes e uma vontade política assente numa férrea autoridade, conduzisse o atrasado e empobrecido Reino pela senda do progresso. E Pombal desempenhou bem esse papel, apesar de ter recorrido a métodos brutais para impor a sua vontade. Mas, com a morte do Rei e com a subida ao trono da beata D. Maria I, o clero e a nobreza – portadores de um atavismo secular, de que ainda hoje sobram resquícios na sociedade portuguesa, impenitentemente avessos ao progresso económico e social, curtos de vista e de inteligência, e avaramente instaladas no cómodo e favorável sistema de rendas, que extorquiam às classes laboriosas – depressa derrubaram Sebastião José de Mello, humilhando-o publicamente, através da sua grotesca exposição aos insultos de uma populaça enfurecida, devidamente açulada dos púlpitos, para o efeito, e acabando por o desterrar para as suas terras de Pombal, onde viria a falecer.
Portugal regrediu novamente, afundando-se no seu endémico e secular marasmo e ostracismo.
O importante texto de D. Luís da Cunha também permite compreender a história política, económica e diplomática do século XVIII, a do Reino e a da Europa. É um documento longo, que se aconselha a ler faseadamente, para, ao mesmo tempo, se poder saborear o magnífico manejo da língua portuguesa por parte do autor, digno herdeiro de Vieira, na elegância e rigor das frases, na lógica discursiva e na profundidade e amplitude das ideias expressas.
Como diplomata, registe-se a sua astúcia e determinação, bem ilustrada no episódio em que o cardeal-ministro Alberoni, de Espanha, lhe voltou ostensivamente as costas durante uma audiência. D. Luís da Cunha não desarmou. Avaliando a fragilidade do governo de Madrid, a braços com um uma guerra com a França, exigiu vigorosamente públicas desculpas pela ofensa feita, na sua pessoa, ao governo de Portugal, e ameaçou com o corte de relações diplomáricas, o que logo foi entendido, pelos espanhóis, como uma ameaça velada ao estabelecimento de uma aliança de Portugal com a inimiga França. D. Luís da Cunha acabou por obter a rectificação do incidente, assim vergando a espinha do cardeal-ministro e domesticando a arrogância da orgulhosa Espanha.
Verney, Ribeiro Sanches, Luís da Cunha e o Marquês do Pombal foram, em Portugal, as figuras marcantes do século das Luzes, figuras estas que, depois, tiveram o seu contrapeso, já no final do século, no sinistro Pina Manique, o célebre Intendente-Geral, que via pedreiros-livres por baixo de todas as pedras das calçadas.
Ocorreu-me esta ideia, a de ressuscitar o documento de D. Luís da Cunha (documento e personalidade, ambos mal conhecidos pela opinião pública) e de tecer breves considerações sobre o Portugal do século XVIII, no momento em que decorre a farsa televisiva da eleição do melhor português de sempre, e onde se assistiu à glorificação de mafiosos célebres, de futebolistas e fadistas analfabetos e de antigos governantes bolorentos, de má memória, e ignorando-se muitas personalidades ilustres que, no passado, dignificaram o País.
Eu, por mim, votei no Zé do Telhado, lendário salteador de Entre-Douro e Minho, cuja imagem melhor retrata este país. Para mais, este bandoleiro simpático tinha por hábito redistribuir uma parte do pecúlio dos seus saques pela gente pobre e necessitada. Também Camilo Castelo-Branco, que o conheceu, e sobre ele escreveu, não foi insensível à sua aura.

Alexandre de Castro
Fevereiro de 2007

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Carta enviada de Bruges, pelo Infante D. Pedro a seu irmão, D. Duarte, em 1426

Infante D. Pedro

Carta enviada de Bruges, pelo Infante
D. Pedro a D. Duarte, em 1426,
resumo feito por Robert Ricard 
e constante do seu estudo
«L’Infant D. Pedro de Portugal
et “O Livro da Virtuosa Bemfeitoria”»,
in Bulletin des Études Portugaises,
do Institut Français au Portugal,
Nova série, tomo XVII, 1953, pp. 10-11).

«O governo do Estado deve basear-se nas quatro virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória. A força reside em parte na população; é pois preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo. Impõem-se medidas que travem a diminuição do número de cavalos e de armas. É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que eles cometem para assegurar a sua subsistência. É necessário igualmente diminuir o número de dias de trabalho gratuito que o povo tem de assegurar, e agir de tal forma que o reino se abasteça suficientemente de víveres e de armas; uma viagem de inspeção, atenta a estes aspetos, deveria na realidade fazer-se de dois em dois anos. A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei [D. João I] e de D. Duarte; e dá ideia que de lá não sai, porque se assim não fosse aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente. A justiça deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o grande mal está na lentidão da justiça. Quanto à temperança, devemos confiar sobretudo na ação do clero, mas ele [o Infante D. Pedro] tem a impressão de que a situação em Portugal é melhor do que a dos países estrangeiros que visitou. Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes. De onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de ofício.»

Amabilidade de João Fráguas

***«»***
Amigo João:
O Infante D. Pedro foi um dos vultos mais brilhantes da História de Portugal. Os seus ensinamentos, para que Portugal saísse definitivamente do modelo de desenvolvimento da Idade Média, em que dominava a nova e a velha aristocracia, ambas esclerosadas, e se transformasse num Estado moderno, baseado na força do trabalho e na capacidade de iniciativa da nascente burguesia comercial, que reclamava direitos e reformas e uma Justiça mais equitativa, foi, depois, prosseguida com êxito, pelo seu sobrinho-neto, D. João II, outro vulto gigantesco da nossa História - um estadista de uma grande astúcia e possuidor de uma visão política rara.
Um e outro encabeçaram o que hoje se chama de forças progressistas, e que só vieram a ter continuidade efetiva, passados uns séculos, com o Marquês do Pombal (no Iluminismo), com Mouzinho da Silveira (no Liberalismo) e com Afonso Costa (na República).
Os restantes estadistas rastejaram pela vulgar mediania ou pela grosseira e desprezível mediocridade.
Um abraço,
Alexandre

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

As marcas que Portugal deixou no mundo!...

Portuguese Empire Heritage
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“Herança Portuguesa
Portugal construiu cerca de 800 fortalezas e fortins fora da sua casa mãe, criando o Mundo Luso, seu Protectorado.
Vejam estas fotos e desistam de considerar Portugal apenas um cantinho à beira da Europa.
Nunca o foi !
A ALMA PORTUGUESA É TÃO GRANDE QUE NÃO CABE NA EUROPA ! Transborda e abraça todo o planeta.”
Amabilidade do Olímpio Alegre Pinto
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O visionamento das imagens do vídeo inspirou-me o poema que publicarei no post imediatamente a seguir.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Donos de Portugal - Filme de Jorge Costa

Não será necessário deixar aqui o apelo mobilizador para a participação maciça na grande manifestação do 1º de Maio, organizada pela CGTP-Intersindical, a única central sindical que, ao longo do tempo, tem assumido com determinação e coerência a defesa intransigente dos trabalhadores portugueses. Preferi optar pelo visionamento deste filme de Jorge Costa, que me chegou ontem às mãos, através da cumplicidade política do meu amigo João Fráguas, numa edição de um só bloco, o que facilita a sua publicação aqui, no Alpendre da Lua. 
Donos de Portugal é um filme notável. O virtuosismo da sua realização permite, através da reprodução criteriosa de imagens do passado e da explanação de um texto marcado por um grande rigor, na análise histórica a que procede, evidenciar a íntima promiscuidade entre os diferentes poderes políticos dos últimos 150 anos e a meia dúzia de famílias, com as suas respetivas ramificações, que, na realidade, se apoderaram das alavancas da economia e das finanças, comportando-se como verdadeiros donos de Portugal. E, nos dias de hoje, marcados por uma crise profunda e perdurável, tal como há muito tempo aqui foi previsto, recordar o passado, contado como o filme propõe, é de premente importância, já que não se pode lutar com eficácia e coerência sem se identificarem com precisão os verdadeiros inimigos do povo trabalhador. Essa fauna, que levou um grande abanão com a revolução de Abril, regressou novamente pelas mãos cúmplices daqueles que, uma vez no poder, começaram a atraiçoar os ideais de Abril, e, durante os últimos anos, teve tempo de organizar-se, agora devidamente articulada, através do processo da globalização, com o capitalismo financeiro internacional, perseguindo o único objetivo que orienta a sua ação: promover a transfarência da riqueza dos países das periferias económicas (os mais pobres e os menos ricos) para os centros financeiros dos países mais ricos e poderosos, e, dentro de cada país, promover a transferência dos rendimentos do trabalho para os rendimentos do capital. O que se está a passar na Grécia e em Portugal, e que também mimeticamente começa a reproduzir-se em Espanha, evidencia bem aquela perversa estratégia, que está a atingir os limites da ignomía. 
O 1º de Maio é a única manifestação global dos trabalhadores de todo o mundo. Daí que a data seja odiada pelo grande capital. Em Portugal, este ano, assistiu-se ao paroxismo da provocação, com as grandes superfícies comerciais abertas ao público, sonegando este feriado aos seus trabalhadores, e oferecendo grandes campanhas de descontos para atrair os consumidores. É um sinal ameaçador do grande capital, que pretende ter efeitos desmobilizadores, perante a luta dos trabalhadores que, brevemente, numa onda crescente, vai alastrar. 

http://www.donosdeportugal.net/

terça-feira, 20 de setembro de 2011

RUINAS DE CONIMBRIGA



Conimbriga: uma reconstituição virtual


Amabilidade do João Fráguas
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A cidade romana de Conimbriga, perto de Condeixa-a-Nova, pertencia à província romana da Lusitânia. As suas ruínas são as mais importantes de todo o território português, quer pela informação arqueológica disponibilizada, quer pelo seu tamanho e monumentalidade, e quer, ainda, pelo seu razoável estado de conservação.
A ocupação romana ocorreu no ano 139 a.C., durante as campanhas militares comandadas pelo general e político Décimo Junio Bruto.
Durante o século primeiro da nossa era, construíram-se as grandes termas e o Forum. A muralha perimetral, com uma extensão de um kilómetro e meio, data do século IV, época em começou a verificar-se o declínio do império romano.
Entre os anos 465 e 468, a cidade sofre vários ataques dos povos bárbaros, tendo caído nas mãos dos suevos, que a saquearam.

domingo, 31 de julho de 2011

História Essencial de Portugal - Volume I - Das Origens à Revolução de 1245-1248 - José Hermano Saraiva

História Essencial Portugal Vol.1 (1/6)

História Essencial Portugal Vol.1 (2/6)

  

História Essencial Portugal Vol.1 (3/6)



 História Essencial Portugal Vol.1 (4/6)
  
História Essencial Portugal Vol.1 (5/6)
  

 História Essencial Portugal Vol.1 (6/6)
 

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Embora não reconhecido pela comunidade académica, que lhe condena a sua visão personalista da História e um velado facciosismo ideológico em relação às personalidades mais progressistas de Portugal, ao mesmo tempo que desvaloriza os movimentos sociais no processo de emancipação das sociedades, privilegiando mais as lideranças iluminadas, José Hermano Saraiva não deixa, contudo, de ser uma figura importante no panorama intelectual do país. Como divulgador, através da RTP, onde projectou uma imagem de marca, difícil de apagar da memória dos portugueses, José Hermano Saraiva deixa também um importante espólio literário no domínio da História e do Direito.
Mas ele irá ser sempre recordado como divulgador da História de Portugal. Eu costumo dizer, em sua defesa, que foi através da sua intervenção mediática que a maioria dos portugueses aprendeu alguma coisa sobre a História de Portugal, proeza que não foi conseguida durante a fase da escolaridade, talvez devido a um erro metodológico, que não separa, individualizado-a, a aprendizagem da História de Portugal da da História Universal, com o válido argumento de valorizar as conexões dos factos históricos nacionais com os mundiais. Mas essa conexão acabaria por ser feita mais tarde, pelos próprios alunos, tal como acontecia nos meus tempos de liceu.
Conheci pessoalmente José Hermano Saraiva no Hospital de Santa Marta, onde ele foi assistido a um grave problema de saúde. As conversas mantidas com ele ultrapassaram o raio de acção daquelas que eram exigidas pelo desempenho da minha actividade profissional, a de assessor de imprensa daquele hospital. Na realidade, José Hermano Saraiva possui uma eloquência notável, e muito bem apoiada numa memória privilegiada. Não fugiu à questão da sua colaboração com o Estado Novo nem em discutir a questão melindrosa da sua acção como Ministro da Educação Nacional de Marcelo Caetano na repressão ao movimento estudantil de 1969. Embora não subscrevendo a sua posição, não deixo de respeitar a sua figurara de intelectual, e, naturalmente, omito os argumentos justificativos que o professor avançou.