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domingo, 25 de março de 2018

Catalunha: A Europa com dois pesos e duas medidas…

Fotografia SAPO


Milhares de pessoas estão hoje a protestar nas ruas de Barcelona contra a detenção do ex-presidente do Governo Regional da Catalunha Carles Puigdemont e a prisão de cinco políticos independentistas, o que já levou à intervenção da polícia.
SAPO


Catalunha: A Europa com dois pesos e duas medidas…

Se o Putin prendesse um seu opositor, na Rússia, caía o Carmo e a Trindade, e a chinfrineira na comunicação social domesticada seria infernal e ensurdecedora, até á náusea.
Prender um líder político, eleito pelo povo, parece não causar nenhum prurido nem nenhum sobressalto, nos círculos políticos dos civilizados países europeus.
Dois pesos e duas medidas.
O encapotado franquismo de Madrid pode prender os dirigentes políticos independentistas da Catalunha, mas não pode prender um povo inteiro.
E, mais tarde ou mais cedo, a Catalunha será LIVRE E INDEPENDENTE, por direito histórico inalienável.

Alexandre de Castro
2018 03 25

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A Catalunha será independente…

Cortes catalãs sec. XV

A Catalunha será independente…

Inés Arrimadas, a líder parlamentar do Ciudadanos, partido que se perfila contra a independência da Catalunha, no seu discurso no Parlamento, no dia em que estava programado que Carles Puigdemont proferisse a declaração unilateral da independência da Catalunha, ridicularizou os independentistas, e, para acentuar o verrume, até foi buscar uma frase de um artigo de 2008, de um outro independentista, o vice-presidente Oriol Junqueras (da Esquerda Republicana), que dizia: “os catalães têm mais proximidade genética com os franceses do que com os espanhóis; mais com os italianos do que com os portugueses e um pouco com os suíços”.

Eu não sei se essa identidade genética dos catalães com os franceses e os italianos é real. Talvez seja, já que até 1714, ano em que a anexação da Catalunha pelo reino espanhol se consumou, através de uma intervenção militar, a Catalunha mantinha um intercâmbio comercial intenso com a Itália e o sul de França.

Por outro lado, o Condado de Barcelona chegou a integrar a Sardenha, Sicília, Minorca (nas Ilhas Baleares) e o reino de Nápoles. Daí que tivesse havido uma miscigenação populacional. Mas mesmo que esse argumento possa ser rejeitado, devido à ausência de uma objectiva demonstração científica, será válido recuperar o argumento da identidade cultural e nacionalista dos catalães. A requintada cultura renascentista entrou na Península Ibérica pela Catalunha e não por Bayona, no outro extremo dos Pirenéus, e foi na Catalunha, principalmente em Barcelona, que essa cultura avançada se entranhou, deixando marcas civilizacionais importantes. Nos séculos XIV e na primeira metade do século XV, a Catalunha era a fronteira ocidental da cultura renascentista, e que separava a civilização erudita italianizante da “barbárie" ibérica, ainda a cheirar a mouros e a visigodos. E o refinamento cultural da Catalunha constituiu-se sempre no fermento da forte pulsão independentista, que os néscios de hoje querem ignorar.

Por outro lado, a Catalunha tomou a dianteira no processo da industrialização, a partir da segunda década do século XIX, o que lhe garantiu a supremacia económica, na Península Ibérica, supremacia esta que persiste, nos dias de hoje. É a Catalunha que trabalha para Espanha e não o contrário.

Perante esta supremacia cultural e económica, no futuro, vai ser difícil ao governo de Madrid manter as coisas, tal como estão, pois,   uma coisa é certa: os catalães de gema nunca se reviram na cultura ibérica e, principalmente, na cultura de Castela. No seu passado, Castela privilegiou mais o culto de guerra e das armas e a usura da terra pela nobreza, do que o culto das Artes, das Letras, das Ciências e das Indústrias. O conflito, já secular, entre as duas entidades culturais e económicas esteve sempre latente, como está ainda hoje.

Como “água mole em pedra dura tanto dá até que fura”, a independência da Catalunha acabará por acontecer, mais tarde ou mais cedo. Neste momento, ela apenas foi adiada.

Quem é que, no Portugal salazarento, no dia 24 de Abril de 1974, adivinhava a manhã redentora do dia seguinte. A História dos povos é feita de saltos bruscos no Tempo e esses saltos vêm sempre, na maior parte das vezes, de surpresa.
 Alexandre de Castro
2017 10 13

domingo, 1 de outubro de 2017

O SIM, na Catalunha, já ganhou…


O SIM, na Catalunha, já ganhou…

O SIM do referendo já ganhou, mesmo sem contar os votos (o que é impossível, devido à intervenção selvagem dos gorilas policiais, enviados por Madrid). E ganhou, porque até os aborígenes tasmanianos, no outro extremo do mundo, já sabem que na Europa existe um povo, o catalão, que quer sacudir a canga de trezentos anos de ocupação, historicamente ilegítima. O mundo já sabe, e não vai faltar aos catalães a solidariedade dos povos.

Quem residiu em Barcelona, tal como eu, embora por um curto período de tempo, e ainda nos tempos duros do franquismo, sabe que a alma catalã não morreu, e que o sonho de recuperar a sua soberania, usurpada pela guerra, continua a ter a sua matriz original.

Tal como o martirizado povo palestiniano tem o direito inalienável ao seu território, que lhe foi usurpado, pela manha e pela guerra, pela seita do sionismo internacional, também a Catalunha anseia e luta pela reconquista da sua plena soberania, que o actual governo de Madrid, chefiado por um pós-franquista, e que agora está a revelar-se um pós-fascista, lhe quer negar.

Os legalistas de todos os matizes, esquecendo a História da Catalunha e a cultura da nação catalã, refugiam-se no falacioso argumento de que o referendo é ilegal. E é, na realidade, ilegal. Mas nenhuma revolução foi e é legal. Todas elas são desencadeadas, infringindo a lei do sistema instituído, que se pretende derrubar. E a Catalunha está a viver um período pré-revolucionário, que tem de desafiar a lei do dominador. Os capitães de Abril não pediram licença a Marcelo Caetano nem efectuaram um referendo para desencadear o golpe mortal contra um regime decrépito e odiado pelo povo.

Por outro lado, esses legalistas de ocasião, os indígenas e os de fora, nunca exigiram que se consultasse o povo palestiniano sobre a constituição do Estado sionista de Israel, no seu território.

Também a maioria dos países ocidentais se agarram à legalidade, quando isso convém aos seus interesses. Caso contrário, mandam-a  às urtigas, como aconteceu recentemente com a Ucrânia, em que a UE (leia-se Alemanha) se empenhou a fundo na queda de um governo eleito. No entanto, na recente reunião dos líderes europeus, de há dias, o tema da Catalunha, estrategicamente (pelo que se sabe) não foi abordado, como se não fosse importante para a UE, a braços com a emergência de muitas forças centrífugas no seu seio.

Alexandre de Castro
2017 10 01