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quinta-feira, 19 de junho de 2014

66 diretores do Centro Hospitalar S. João demitem-se


A demissão em bloco foi apresentada esta manhã. São 66 diretores, entre chefes de unidades intermédias de gestão, diretores clínicos e não clínicos, que disseram não estar disponíveis para continuar na unidade perante a degradação dos cuidados. Administração está solidária.
Entre as razões apontadas para a decisão tomada em bloco estão "a qualidade na prestação de cuidados de saúde à população estar em risco", a desvalorização do centro hospitalar e da sua missão e a centralização administrativa "no que concerne a políticas de recursos humanos, investimento, manutenção estrutural e infraestruturas e de equipamentos e compras, que afetará gravemente a prossecução da atividade assistencial".

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O diretores do Centro Hospitalar de S. João já fiizeram o que deviam, demitindo-se em bloco, devido à degradação progressiva da qualidade dos serviços de saúde, prestados à população, iniciativa que o conselho de administração subscreveu.. Falta agora idêntica iniciativa dos responsáveis de todas as outras unidades de saúde do país.
Não se trata de uma reação corporativa, à procura de privilégios, nem de nenhuma reivindicação sindical a exigir aumentos de salários. É apenas o aflorar de um sentimento coletivo de impotência, perante a ofensiva surda de um ministro, apostado em destruir gradualmente o Serviço Nacional de Saúde, para que os privados possam abocanhar a sua parte mais rentável. E as queixas apresentadas pelos profissionais demissionários do Centro Hospitalar de S. João são comuns a todo o universo do Serviço Nacional de Saúde.
O ministro da Saúde que, com o seu ar bonacheirão, tem passado incólume pelos intervalos da chuva, levou, com esta demissão coletiva, uma estocada de morte. Ele até pode não se demitir - pois está vinculado, tal como todos os outros ministros deste governo, ao compromisso de "missão" de instalarem em Portugal um verdadeiro Estado neoliberal e de obedecerem cegamente aos interesses dos agentes do capitalismo financeiro internacional e aos diretórios políticos europeus - mas, a partir de agora, ele ficou a saber que a onda de protesto vai molhá-lo dos da cabeça até aos tornozelos.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Durão Barroso enxovalhado por cidadãos belgas em português

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E há por aqui muita gente que considera este tipo de manifestações um grave atentado à liberdade de expressão dos políticos. Como se ministros, primeiros-ministros e presidentes não tivessem toda a liberdade do mundo para dizer asneiras!...

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Carta aberta a Passos Coelho


Carta aberta a Passos Coelho

Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,

Os signatários estão muito preocupados com as consequências da política seguida pelo Governo.
À data das últimas eleições legislativas já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental.
O País foi então inventariado à exaustão. Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente. O Programa eleitoral sufragado pelos Portugueses e o Programa de Governo aprovado na Assembleia da República, foram em muito excedidos com a política que se passou a aplicar. As consequências das medidas não anunciadas têm um impacto gravíssimo sobre os Portugueses e há uma contradição, nunca antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática.
Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste.
Daí também a rejeição que de norte a sul do País existe contra o Governo. O caso não é para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro. O Governo não hesita porém em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando.
Ao embuste, sustentado no cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados.
Perdeu-se toda e qualquer esperança.
No meio deste vendaval, as previsões que o Governo tem apresentado quanto ao PIB, ao emprego, ao consumo, ao investimento, ao défice, à dívida pública e ao mais que se sabe, têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas em baixa.
O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.
A recente aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável, que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma enorme gravidade, para além de conter disposições de duvidosa constitucionalidade. O agravamento incomportável da situação social, económica, financeira e política, será uma realidade se não se puser termo à política seguida.
Perante estes factos, os signatários interpretam – e justamente – o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.
É indispensável mudar de política para que os Portugueses retomem confiança e esperança no futuro.
PS: da presente os signatários darão conhecimento ao Senhor Presidente da República.
Lisboa, 29 de Novembro de 2012

MÁRIO SOARES
ADELINO MALTEZ (Professor Universitário-Lisboa)
ALFREDO BRUTO DA COSTA (Sociólogo)
ALICE VIEIRA (Escritora)
ÁLVARO SIZA VIEIRA (Arquiteto)
AMÉRICO FIGUEIREDO (Médico)
ANA PAULA ARNAUT (Professora Universitária-Coimbra)
ANA SOUSA DIAS (Jornalista)
ANDRÉ LETRIA(Ilustrador)
ANTERO RIBEIRO DA SILVA (Militar Reformado)
ANTÓNIO ARNAUT (Advogado)
ANTÓNIO BAPTISTA BASTOS (Jornalista e Escritor)
ANTÓNIO DIAS DA CUNHA (Empresário)
ANTÓNIO PIRES VELOSO (Militar Reformado)
ANTÓNIO REIS (Professor Universitário-Lisboa)
ARTUR PITA ALVES (Militar reformado)
BOAVENTURA SOUSA SANTOS (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS ANDRÉ (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS SÁ FURTADO (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS TRINDADE (Sindicalista)
CESÁRIO BORGA (Jornalista)
CIPRIANO JUSTO (Médico)
CLARA FERREIRA ALVES (Jornalista e Escritora)
CONSTANTINO ALVES (Sacerdote)
CORÁLIA VICENTE (Professora Universitária-Porto)
DANIEL OLIVEIRA (Jornalista)
DUARTE CORDEIRO (Deputado)
EDUARDO FERRO RODRIGUES (Deputado)
EDUARDO LOURENÇO (Professor Universitário)
EUGÉNIO FERREIRA ALVES (Jornalista)
FERNANDO GOMES (Sindicalista)
FERNANDO ROSAS (Professor Universitário-Lisboa)
FERNANDO TORDO (Músico)
FRANCISCO SIMÕES (Escultor)
FREI BENTO DOMINGUES (Teólogo)
HELENA PINTO (Deputada)
HENRIQUE BOTELHO (Médico)
INES DE MEDEIROS (Deputada)
INÊS PEDROSA (Escritora)
JAIME RAMOS (Médico)
JOANA AMARAL DIAS (Professora Universitária-Lisboa)
JOÃO CUTILEIRO (Escultor)
JOÃO FERREIRA DO AMARAL (Professor Universitário-Lisboa)
JOÃO GALAMBA (Deputado)
JOÃO TORRES (Secretário-Geral da Juventude Socialista)
JOSÉ BARATA-MOURA (Professor Universitário-Lisboa)
JOSÉ DE FARIA COSTA (Professor Universitário-Coimbra)
JOSÉ JORGE LETRIA (Escritor)
JOSÉ LEMOS FERREIRA (Militar Reformado)
JOSÉ MEDEIROS FERREIRA (Professor Universitário-Lisboa)
JÚLIO POMAR (Pintor)
LÍDIA JORGE (Escritora)
LUÍS REIS TORGAL (Professor Universitário-Coimbra)
MANUEL CARVALHO DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
MANUEL DA SILVA (Sindicalista)
MANUEL MARIA CARRILHO (Professor Universitário)
MANUEL MONGE (Militar Reformado)
MANUELA MORGADO (Economista)
MARGARIDA LAGARTO (Pintora)
MARIA BELO (Psicanalista)
MARIA DE MEDEIROS (Realizadora de Cinema e Atriz)
MARIA TERESA HORTA (Escritora)
MÁRIO JORGE NEVES (Médico)
MIGUEL OLIVEIRA DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
NUNO ARTUR SILVA (Autor e Produtor)
ÓSCAR ANTUNES (Sindicalista)
PAULO MORAIS (Professor Universitário-Porto)
PEDRO ABRUNHOSA (Músico)
PEDRO BACELAR VASCONCELOS (Professor Universitário-Braga)
PEDRO DELGADO ALVES (Deputado)
PEDRO NUNO SANTOS (Deputado)
PILAR DEL RIO SARAMAGO(Jornalista)
SÉRGIO MONTE (Sindicalista)
TERESA PIZARRO BELEZA (Professora Universitária-Lisboa)
TERESA VILLAVERDE (Realizadora de Cinema)
VALTER HUGO MÃE (Escritor)
VITOR HUGO SEQUEIRA (Sindicalista)
VITOR RAMALHO (Jurista) -que assina por si e em representação de todos os signatários)
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Perante a iminência do desastre a que Potugal foi conduzido, eu chego a pensar que Portugal necessita mais da honestidade dos políticos do que da sua competência, uma associação rara, que apenas alguns exibiram no passado. Mas, em Passos Coelho e Vitor Gaspar, as duas vertentes completam-se: são perigosamente desonestos e intrinsecamente incompetentes. Não são os interesses dos portugueses que eles perseguem. Estão a mais. Devem demitir-se para ir ocupar os lugares que ambicionam nas instituições europeias.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Notas do meu rodapé: A terceira geração pós-25 de Abril está aí.

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A maioria dos participantes na manifestação da última segunda feira, em frente à Assembleia da República, era constituída por jovens à volta dos vinte anos, o que de forma evidente contrasta com o perfil etário dos participantes das ritualizadas manifestações do passado. Pode falar-se já de uma terceira geração, depois do 25 de Abril, que descobriu de repente que lhe querem roubar o futuro. Sem estrutura organizativa sólida, guiando-se mais pela emotividade e pela criatividade espontânea ocasional, estes jovens disseram o que não queriam. Parece-me que ninguém consegue enquadrá-los. Quando eles começarem a descobrir o que querem, não tenho dúvidas de que tudo vai mudar.
É muito difícil aos regimes políticos sobreviverem à hostilidade dos jovens. É o que ensina a história. E entre as coisas que eles disseram que não queriam (e já o disseram em 2011), ficou bem explicitado no slogan "O Povo Unido não precisa de Partido", o que não deixa de ser, ao mesmo tempo, preocupante e desafiador. Todos os atores do quadro político saído da revolução do 25 de Abril devem refletir sobre este fenómeno sociológico, que é novo neste já longo e cansado percurso histórico, que parece estar em fim de ciclo. É que os jovens desta geração adquiriram outras mentalidades e funcionam com novas ferramentas. Respondem melhor aos apelos do Facebook do que ao discurso político enfatizado, de recorte clássico. Bebem cerveja. Não bebem vinho tinto. 

sábado, 12 de novembro de 2011

Boicotar a EDP: Uma proposta à qual vou aderir...


A EDP mantém um nível de lucros totalmente incompatível com o estado do país e com os sacrifícios exigidos a todos nós.
A EDP tem mais poder que o Governo de Portugal e conseguiu (vá-se lá saber por que vias...) impedir uma medida que visava minorar os brutais aumentos da energia que se estão a verificar - e que vão, certamente, aumentar ainda mais os ditos lucros.
A EDP mantém um monopólio (não de jure, mas de facto) uma vez que a concorrência não oferece aos consumidores domésticos (por exemplo) taxas bi-horárias.

PROPOSTA:- no dia 20 de Novembro de 2011, às 15:00, a nível nacional, vamos, todos nós consumidores domésticos, desligar TUDO durante uma hora (os nossos congeladores aguentam mais do que isso quando há uma "anomalia" na rede que nos deixa sem energia e as baterias dos nossos portáteis também);
- vamos repetir a acção até a EDP ter de nos PEDIR para parar com a coisa. Na qualidade de bons cidadão, que todos somos, pararemos mas só se os preços forem ajustados de forma a que os lucros da EDP se acertem pelo razoável, pelo socialmente justo e pelo moralmente correcto.
Se gostarem da ideia, espalhem... veremos no que dá.
Manifesto recebido por email.
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A EDP comporta-se como uma companhia majestática. Mantém um péssimo serviço (as interrupções da distribuição de electricidade, fora dos grandes aglomerados populacionais, são constantes) e pratica um tarifário desproporcionado em relação ao rendimento médio dos portugueses. Os seus lucros são exorbitantes, o que permite aos accionistas receber dividendos escandalosos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"Indignados" de Nova Iorque levam protesto a Washington

“Parem a máquina. Criem um Mundo Novo”, é o apelo que corre na Internet,
O movimento de protesto em Nova Iorque contra as desigualdades económicas e a ganância dos especuladores financeiros ganhou novo fôlego na quarta-feira, com a entrada em cena dos sindicatos, que também marcharam na zona do coração financeiro da América.
Como um número cada vez maior de pessoas na rua, o movimento Occupy Wall Street também ganhou o apoio de estudantes em várias universidades espalhadas pelo país que abandonaram as aulas em sinal de solidariedade para com os protestos de Nova Iorque.
E agora o movimento prepara-se para levar a sua luta até Washington. Com o objectivo de combater “a máquina corporativa”, os organizadores prometem um concerto ao meio-dia e um comício da Freedom Plaza, junto à Pennsylvania Avenue, a poucos quarteirões da Casa Branca.
“Parem a máquina. Criem um Mundo Novo”, é o apelo que corre desde ontem na Internet, pedindo aos manifestantes para aparecerem com sacos-cama no local da protesto para,"DE FORMA NÃO VIOLENTA, resistir à máquina corporativa ocupando a Freedom Plaza para exigir que os recursos da América sejam investidos nas necessidades humanas e na protecção ambiental em vez da guerra e a da exploração”.
Em Nova Iorque, milhares de pessoas marcharam da Foley Square até ao Zuccotti Park, a sede dos protestos onde dezenas de manifestantes estão acampados desde o dia 17 de Setembro e onde se concentram diariamente cada vez mais “indignados”.
“A classe média está a carregar com o fardo, mas os mais ricos do nosso país não estão”, disse ao jornal Washington Post, Sterling W. Roberson, vice-presidente da Federação de sindicatos de professores.
“O mundo está virado do avesso. Estamos aqui para lutar pelas nossas famílias e pelos nossos filhos”, explicou à Reuters, Michael Mulgrew, outro dirigente da Federação de sindicatos de professores.
PÚBLICO
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Estas manifestações de protesto em Nova Iorque podem ser o inicio de um gigantesco movimento, que poderá vir a abalar a América, nos tempos mais próximos. Foi assim que começaram, na década de sessenta do século passado, os protestos dos movimentos anti-segregacionistas dos afro-americanos e os dos movimentos contra a guerra do Vietname, cuja força e determinação conseguiram mudar a sociedade americana. Os Estados Unidos não são a Grécia nem o apático Portugal. Ali, os movimentos de protesto ganham dinâmicas sociais impetuosas, com uma enorme ressonância internacional, o que obriga o poder político a recuar. Por prudência, e pondo em prática o calculismo eleitoralista, o presidente Obama, na sua reacção aos protestos, veio tentar colar-se, hipocritamente, aos objectivos do movimento Occupy Wall Street, quando afirmou que  “as manifestações reflectem a frustração do povo”, como se ele estivesse isento de culpas em relação ao agravamento das condições económicas da classe média. 
Ao contrário do que aconteceu aos recentes movimentos de protesto, em Portugal e Espanha, o Occupy Wall Street procedeu a uma identificação correcta do poder a contestar, o capitalismo financeiro, e não apenas o poder político, que, como fez Obama, vai tentar passar a imagem de que não é uma correia de transmissão dos interesses desse mesmo capitalismo financeiro, que já actua a uma escala planetária. Foi essa identificação correcta do alvo a contestar que faltou ao movimento da Geração à Rasca e aos indignados das Portas do Sol da cidade de Madrid. 
Sou levado a acreditar que o que está a ocorrer em Nova Iorque possa vir a ter repercussões na Europa, nomeadamente em Portugal, que necessita de um forte estremeção para poder ser capaz de combater a política assassina do governo do PSD/CDS, que se submeteu servilmente aos interesses do capitalismo financeiro europeu.