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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Nações Unidas recomendam a reestruturação da dívida sem esquecer a democracia

Thomas Piketty (à esquerda) e Yanis Varoufakis (à direita)
foram dois dos subscritores mais ativos

Nações Unidas recomendam a reestruturação da dívida sem esquecer a democracia

Contra a vontade da Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e da própria União Europeia a assembleia da ONU aprovou nove princípios democráticos que devem sobrepor-se à voracidade dos credores

Contra a vontade de alguns dos maiores credores mundiais - Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos - e da própria União Europeia, que se absteve, a assembleia das Nações Unidas aprovou, na quinta-feira, 10, um conjunto de nove princípios democráticos que devem sobrepor-se à voracidade dos credores sempre que um país tenha de reestruturar a dívida. Em sua defesa, além dos 136 membros que votaram a favor, estiveram 19 conhecidos economistas, entre os quais Yanis Varoufakis, ex-ministro grego das Finanças, e Thomas Piketty, autor do livro-sensação O Capital no século XXI.
Para evitar novas Argentinas (ainda em litígio contra os fundos-abutre) ou novas Grécias, as Nações Unidas recomendam que as partes negociadoras não se esqueçam de incluir, nas suas contas, o respeito por princípios universais como a soberania, boa fé, transparência, imparcialidade, igualdade de tratamento, imunidade soberana, legitimidade, sustentabilidade e que qualquer reestruturação de dívida deve ser sempre aprovada por maioria. Assim, quem empresta deve cooperar com quem pede emprestado, reconhecendo a legitimidade de um país soberano orientar a sua política macroeconómica no sentido do crescimento, desde que os direitos dos credores não sejam postos em causa. A despolitização do sistema financeiro e a ausência de alternativas às políticas de austeridade são também referidas no documento.
No manifesto assinado pelos 19 economistas, a situação recente da Grécia está bastante presente. "A crise grega tornou claro que os países que agem isoladamente não conseguem negociar condições razoáveis para a reestruturação da sua dívida." E terminavam apelando à União Europeia que votasse favoravelmente a resolução.
A Argentina, forçada pelos credores a aceitar uma dura renegociação da dívida em 2002, foi um dos países mais empenhados na aprovação da recomendação. O ministro dos Estrangeiros, Héctor Timerman, declarou, perante a assembleia das Nações Unidas: "Esta é uma resolução a favor da estabilidade económica e social, da paz e do desenvolvimento. A dívida é hoje responsável pela violência, pela desigualdade e pelas situações em que os poderosos ficam em vantagem perante o países menos desenvolvidos que precisam de capital."
Os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Europeia (enquanto bloco de países, incluindo a Grécia...) alegaram a vontade de preservar o papel de árbitro do Fundo Monetário Internacional (FMI), no que respeita aos planos de reestruturação de dívida soberana, para justificar as suas posições.

***«»***
O Mundo inteiro, através dos Chefes de Estado e de Governo, representados na Assembleia Geral da ONU, condenaram inequivocamente a voracidade dos credores das dívidas públicas sobre os países devedores, ao mesmo tempo que, indirectamente, desmascararam a hipocrisia do comportamento da União Europeia - ali presente como representante de um bloco de países – em relação à Grécia. Envergonhadamente, a UE absteve-se, enquanto os Estados Unidos e o Reino Unido votaram contra.
O imperialismo financeiro foi derrotado no maior areópago internacional.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mais uma voz crítica à estratégia dos planos de resgaste aplicados a Portugal, Grécia e Irlandal


Exportações são estímulo para resgates financeiros funcionarem, diz economista da ONU
Rob Vos sublinha que o caso dos países do sul da Europa é particular porque “enfrentam imediatamente necessidades imediatas de consolidação fiscal”, mas sublinha que este processo deve ter um horizonte de “médio prazo”, para não tornar a travagem demasiado brusca.
“Esta austeridade está a enfraquecer o crescimento económico, e, se este cai, o problema da dívida aumenta e torna-se mais difícil alcançar o ajustamento orçamental a curto prazo”, disse.
PÚBLICO
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Começam a surgir vozes de peso, a criticar o modelo seguido pela UE na dura e inflexível aplicação dos planos de resgate dos países em dificuldades.
Agora foi a vez de Rob Vos, o economista-chefe da ONU, que, embora de uma forma diplomática, não deixa de considerar ser absolutamente impossível, para aqueles países, desenvolver a sua economia num quadro de recessão, que as medidas de austeridade acabam por agravar ainda mais, o que constituirá, por si só, um entrave ao crescimento. Por outro lado, o necessário aumento das exportções, que os planos ilusoriamente projectam promover, também se encontra comprometido pelas políticas fiscais restritivas dos países mais ricos da UE, que assim diminuem a procura externa. Para Rob Vos, os planos de ajuda, desenhados pela UE, com ajuda do FMI, deveriam também ter contemplado um plano estratégico coerente, que viesse a promover o rápido crescimento das exportações, o que não aconteceu. 

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Programa Alimentar Mundial da ONU sem meios para combater a fome no planeta!...


Avizinha-se inexoravelmente a catástrofe da fome. Mais de mil milhões de pessoas estão dependentes da ajuda alimentar, segundo afirmou Josette Sheeran, directora do Programa Alimentar Mundial, ao mesmo tempo que lançava um lancinante apelo, o que é inédito, para que os cidadãos dos países desenvolvidos contribuam com um euro por semana para colmatar a insuficiência dos meios financeiros, com que aquela instância da ONU se debate, uma vez que os países doadores, que se tinham comprometido a financiar o programa com 6700 milhões de dólares, apenas contribuiram com metade dessa importância, pressionados que estão pela contenção orçamental provocada pela crise mundial, crise esta que, por sua vez, aumentou o número de pessoas que não têm acesso a comida. Os dramas humanitários, que estão a ocorrer no Paquistão, devido ao terrorismo, a grande seca no Corno de África e as grandes cheias nas Filipinas, só por si, vão obrigar a um maior esforço financeiro da organização, que tem a seu cargo mais de uma dezena de situações de emergência para acudir.
Este é o outro lado da crise, provocada pela lógica do neo-liberalismo radical, que contaminou perversamente a maioria das economias, e que não resistiram à hecatombe especulativa do grande capital financeiro. O dinheiro já injectado nos bancos das economias mais desenvolvidas ultrapassa em muito o que seria necessário para fornecer uma refeição diária a cada um dos mil milhões de esfomeados do planeta.