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domingo, 24 de abril de 2016

A corrupção roeu as entranhas do poder e os alicerces do regime - o regime vai cair...

Expresso: GES pagava avenças a políticos e tinha 2 milhões em notas em cofres

Escrevi várias vezes por aqui que "Ricardo Salgado nunca iria ser julgado, pois, se ele resolvesse abrir a boca, o regime caía". Agora, com a divulgação dos Panamá Papers, ele já não precisa de abrir a boca, pois o Ministério Público também já tem na sua posse (desde há um ano!) o nome de políticos (alguns de nomeada), funcionários públicos, gestores, empresários e jornalistas, envolvidos no escândalo.
Eu não me admirei nada com a confirmação da existência deste pântano. Pressentia-o pelos sinais exteriores que o rasto da corrupção vai deixando, e que quase são imperceptíveis.
Desta vez, a culpa não pode morrer solteira. O povo português nunca mais poderá levantar a cabeça se, neste caso e noutros que irão aparecer, do mesmo jaez, a mão pesada da Justiça não se fizer sentir. Seria o descalabro e o total descrédito do regime, se não se fizer justiça.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Ricciardi desmente Marcelo e lembra "férias na mansão de Salgado"


O presidente do BESI emitiu um violento comunicado onde desmente afirmações de Marcelo Rebelo de Sousa no seu comentário semanal na TVI. O banqueiro acusa o comentador de proferir "mentiras" e de sentir "mágoa" por ter deixado de passar férias na casa de Ricardo Salgado no Brasil.
"Relativamente aos comentários da autoria do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa no seu programa dominical da TVI, venho por esta forma transmitir publicamente o seguinte: Eu compreendo que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa tenha muita mágoa em não poder continuar a passar as suas habituais e luxuosas férias de fim de ano na mansão à beira-mar no Brasil do Dr. Ricardo Salgado, mas essa mágoa não o autoriza a dizer mentiras a meu respeito e do banco a que presido, conforme fez no seu comentário de ontem", referiu José Maria Ricciardi numa declaração enviada às redacções ao final da noite de domingo.

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Eu já perdi a capacidade de me indignar com todos estes escândalos dos políticos, dos banqueiros e quejandos. Agora, comecei a querer divertir-me com a zanga das comadres, que é o melhor meio para descobrir as verdades.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Credit Suisse envolvido nos títulos de sociedades com dívida no GES


O banco suíço Credit Suisse terá ajudado a desenhar títulos para sociedades veículo offshore com dívida do Grupo Espírito Santo (GES), que mais tarde foram vendidos a clientes do mesmo grupo, noticia o Observador.
O Credit Suisse terá ajudado na venda de títulos das sociedades veículo offshore, compostos maioritariamente por dívida do Grupo Espírito Santo (GES), a clientes do mesmo grupo, avança o Observador.
Com base num artigo do jornal económico The Wall Street Journal, a mesma publicação indica que os clientes não sabiam que estas sociedades tinham como ativos a dívida das várias entidades que compunham o GES.
A instituição terá ajudado a desenhar os títulos para serem vendidos mas ainda não é claro que teve também um papel na venda dos mesmos, recusando-se a comentar estas alegações.

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Os bancos funcionam em rede a nível mundial, colaborando entre si para conseguirem maximizar os lucros do dinheiro, que eles próprios emitem, através das operações de crédito, uma função que deveria pertencer aos estados soberanos. O seu poder é imenso, sobrepondo-se, na prática, ao poder dos próprios estados. São eles que, através de diversos canais de pressão, e de uma forma oculta, determinaram as regras da atual ordem mundial, baseada nos princípios fundamentais do neoliberalismo, a doutrina económica que melhor serve os seus interesses. A nível político, controlam o poder, elegendo e apoiando em cada país dois partidos supostamente antagónicos, mas que aceitam implicitamente aquela ordem mundial, que não pode ser posta em causa.
Tanto nos dias de hoje, tal como no passado, nenhum processo revolucionário, que pretenda acabar com o domínio do capital sobre o trabalho, pode ignorar a a importância da nacionalização do crédito e a recuperação do poder do Estado em emitir moeda.   

domingo, 17 de agosto de 2014

Decisão de suspensão revolta ex-gestores do BES


Rui Silveira, António Souto e Joaquim Goes chegaram ao Banco Espírito Santo para trabalhar, em julho, e foram impedidos por cartas de suspensão assinadas pelo governador do Banco de Portugal. De acordo com o Sol, os ex-gestores contestam a “injustiça” da decisão e prometem resposta ao regulador.
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Agora, para a sequência ficar perfeita, só falta a ministra das Finanças demitir o Governador do Banco de Portugal, o primeiro-ministro demitir a ministra das Finanças, o Presidente da República demitir o primeiro-ministro, e a troika demitir o Presidente da República. Pelo menos, que Portugal seja um protetorado a sério e não um país "faz de conta".

Falta saber quem é que irá demitir a troika

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Garantias de que contribuintes estão 'livres do BES' são "falsas", afirma Megan Greene

Este ativo não é tóxico. Foi transferido para o Novo Banco.

A economista e colunista Megan Greene, que se tem debruçado nos últimos anos sobre a crise das dívidas nos países sul-europeus, considera que serão “falsas” quaisquer afirmações que sugeriam que os contribuintes não serão prejudicados pelo resgate ao BES.
Para Megan Greene, economista-chefe da consultora Maverick e cronista da Bloomberg, os contribuintes nacionais não irão escapar às consequências do resgate ao Banco Espírito Santo.
Recorde-se que o banco privado será dividido em ‘banco mau’ e em ‘banco bom’, estimando-se que virá a necessitar de quase cinco mil milhões de euros para se capitalizar. Este domingo à noite, governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, anunciou a solução para o BES, com o Governo, através de um comunicado do Ministério das Finanças, a afirmar que os contribuintes não terão de suportar quaisquer custos.
E é sobre esta questão que surgem as dúvidas de Megan Greene. Num comentário de que o The Guardian dá conta, publicado na rede social Twitter, Megan Greene considera que o resgate ao BES é “assustadoramente”  parecido com os resgates à banca irlandesa, “embora numa escala muito menor”. A economista acrescenta que serão “falsos” quaisquer comentários que sugiram que os contribuintes estão ‘livres’ da situação.
Na sua conta no Twitter, a cronista da Bloomberg dá também destaque a um artigo da autoria de Claire Jones, artigo esse que tem como título ‘Como roubar um país, ao estilo do Espírito Santo’ ('How to rip off a country, Espirito Santo style', lê-se no título original). Claire Jones já tinha escrito para a revista Forbes sobre a crise no banco privado.

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A descoberta de todas operações subterrâneas e opacas de Ricardo Salgado ainda não se esgotou. O próprio Governador do Banco de Portugal (BdP), na sua comunicação de domingo à noite, referiu a enorme complexidade dos muitos esquemas contabilísticos fraudulentos, utilizados pelo BES, e da impossibilidade de penetrar nos circuitos de territórios "com outras jurisdições". Por isso, é muito possível que o buraco financeiro do BES tenha uma amplitude muito maior do que aquela que foi revelada publicamente. Também não é de afastar a hipótese de que o primeiro-ministro, a ministra da Finanças, o governador do BdP e a autoridade financeira europeia já tenham conhecimento de toda a extensão da enorme fraude, e que só por uma questão de oportunidade política tenham decidido revelar a verdade, apenas quando se apresentar um momento mais favorável, que possa ser devidamente preparado e encenado. Com esta fórmula engenhosa, os portugueses seriam previamente preparados para receberem a notícia de mais uma inevitabilidade da crise, o que justificaria o anúncio do recurso   a um novo endividamento externo e a mais medidas de austeridade.
Neste momento, e considerando o historial deste governo, ao nível da manipulação da opinião pública, em que se conseguem construir narrativas  benignas para poder justificar e desenvolver políticas malignas, é aconselhável não acreditar nos seus dirigentes nem nos seus lacaios. 
Uma coisa, no entanto, é certa. Se o buraco financeiro do BES tiver o tamanho do Evereste, poderemos vir a dizer que Ricardo Salgado, o banqueiro do regime, foi também o seu coveiro.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Mais um esbulho?!...


“O Estado vai recapitalizar o Novo Banco, através de um empréstimo de cerca de cinco mil milhões de euros, concedido ao recém-criado Fundo de Resolução, empréstimo este que, ao contrário do que afirmou o Governador do Banco de Portugal, é dinheiro dos contribuintes, uma vez que são estes que irão pagar as amortizações e os juros do empréstimo da troika, destinado para este fim, no valor de 12 mil milhões de euros.
No entanto, ainda nenhum responsável informou a opinião pública sobre o valor da taxa de juro que o Fundo de Resolução irá pagar ao Estado”.

Este foi o meu comentário, que deixei no Diário Económico digital, mas que apenas ficou visível durante um minuto, período ao fim do qual apareceu a informação de que o comentário tinha sido bloqueado.
Parece-me que estamos a regressar ao tempo da censura, não já a censura executada pelo governo, tal como acontecia nos tempos de Salazar e Marcelo Caetano, mas a censura dos agentes do grande capital financeiro, de que o Diário Económico é uma expressão.

Ontem, depois de ter lido o comunicado do Governador do Banco de Portugal, enviei uma mensagem para o endereço eletrónico da infobes, um site disponibilizado pelo novo BES para Perguntas e Respostas sobre a nova situação criada, em que solicitava a informação sobre o valor da taxa de juro do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução. Até ao momento, ainda não recebi nenhuma resposta.

Temo que a taxa de juro, a aplicar pelo Estado a este empréstimo ao sistema financeiro, seja irrisória. Se ela for inferior à praticada pelas três instituições da troika sobre os empréstimos concedidos a Portugal, ao abrigo do plano de assistência económica e financeira, os portugueses têm mais uma razão para considerarem-se traídos, enganados e esbulhados.

domingo, 6 de julho de 2014

Assim vai o BES


Morais Pires e Goes revelaram que os 980 milhões de euros estão repartidos por 200 milhões em dívida da Rioforte e outros 780 milhões em financiamentos concedidos ao Espírito Santo Financial Group (ESFG). Recorde-se que esta ‘holding' detém 25% do BES, sendo, por sua vez, controlado em 49% pela Rioforte. Já esta sociedade é detida a 100% pela Espírito Santo International (ESI), a ‘holding' da família descendente do fundador do grupo. Segundo foi noticiado, o ESFG é um dos principais credores da ESI e da Rioforte.
É possível seguir o fluxo de financiamentos entre o BES e as ‘holdings' do GES. O BES emprestou 780 milhões ao ESFG, que, por sua vez, emprestou 1,3 mil milhões à Rioforte. Esta última é detida a 100% pela ESI, que entrou em falência técnica desde a descoberta, numa auditoria pedida pelo Banco de Portugal, de um passivo não-reconhecido no valor de 1,2 mil milhões de euros. Estas irregularidades contabilísticas estão ser investigadas pelas autoridades do Luxemburgo, segundo avançou a Reuters na sexta-feira.
Económico [01 JUL 2014]
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Reparem no complexo entrelaçamento das participações cruzadas deste grande grupo financeiro, que dificulta aos leigos avaliar quem é que deve a quem. Mas o que qualquer pessoa percebe é que o buraco financeiro está lá, e que é bem fundo, embora ainda não tenha aparecido ninguém a dizer como é que ele vai ser tapado. Numa "conference cal", realizada no início da semana, um analista, que nela participou, afirmou, sob anonimato, que os responsáveis do banco apenas "se limitaram a dizer o que o mercado já sabia", o que é uma maneira prosaica de dizer que, para já, não há solução nenhuma. E foi esta evidência, de que muitos já suspeitam ser uma certeza, o que suportou o justificado alarme público, lançado pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, quando afirmou [ver aqui] que é “profundamente negativo para a própria democracia  esta confusão e esta fusão entre os negócios e a política, particularmente do setor financeiro", para acrescentar que também “é preocupante,  porque o nosso povo já pagou com língua de palmo as situações escandalosas, os desmandos da banca, lembrando os casos do BPN e do BPP e esperamos nós que a história não se vá repetir agora com o BES".
"Lá estão os comunas a inventar problemas" irá dizer um qualquer arrebatado deputado da direita ou um encartado comentarista, pago à peça.
AC