domingo, 6 de julho de 2014

Assim vai o BES


Morais Pires e Goes revelaram que os 980 milhões de euros estão repartidos por 200 milhões em dívida da Rioforte e outros 780 milhões em financiamentos concedidos ao Espírito Santo Financial Group (ESFG). Recorde-se que esta ‘holding' detém 25% do BES, sendo, por sua vez, controlado em 49% pela Rioforte. Já esta sociedade é detida a 100% pela Espírito Santo International (ESI), a ‘holding' da família descendente do fundador do grupo. Segundo foi noticiado, o ESFG é um dos principais credores da ESI e da Rioforte.
É possível seguir o fluxo de financiamentos entre o BES e as ‘holdings' do GES. O BES emprestou 780 milhões ao ESFG, que, por sua vez, emprestou 1,3 mil milhões à Rioforte. Esta última é detida a 100% pela ESI, que entrou em falência técnica desde a descoberta, numa auditoria pedida pelo Banco de Portugal, de um passivo não-reconhecido no valor de 1,2 mil milhões de euros. Estas irregularidades contabilísticas estão ser investigadas pelas autoridades do Luxemburgo, segundo avançou a Reuters na sexta-feira.
Económico [01 JUL 2014]
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Reparem no complexo entrelaçamento das participações cruzadas deste grande grupo financeiro, que dificulta aos leigos avaliar quem é que deve a quem. Mas o que qualquer pessoa percebe é que o buraco financeiro está lá, e que é bem fundo, embora ainda não tenha aparecido ninguém a dizer como é que ele vai ser tapado. Numa "conference cal", realizada no início da semana, um analista, que nela participou, afirmou, sob anonimato, que os responsáveis do banco apenas "se limitaram a dizer o que o mercado já sabia", o que é uma maneira prosaica de dizer que, para já, não há solução nenhuma. E foi esta evidência, de que muitos já suspeitam ser uma certeza, o que suportou o justificado alarme público, lançado pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, quando afirmou [ver aqui] que é “profundamente negativo para a própria democracia  esta confusão e esta fusão entre os negócios e a política, particularmente do setor financeiro", para acrescentar que também “é preocupante,  porque o nosso povo já pagou com língua de palmo as situações escandalosas, os desmandos da banca, lembrando os casos do BPN e do BPP e esperamos nós que a história não se vá repetir agora com o BES".
"Lá estão os comunas a inventar problemas" irá dizer um qualquer arrebatado deputado da direita ou um encartado comentarista, pago à peça.
AC

1 comentário:

Mar Arável disse...

Na verdade o seu texto