terça-feira, 1 de julho de 2014

Notas do meu rodapé: A nacionalização da banca é um imperativo patriótico


PCP: Nacionalização da banca comercial é "imperativo nacional"
O PCP disse hoje que a nacionalização da banca comercial é um "imperativo nacional" para o desenvolvimento e soberania do país, falando do tema num documento enviado à imprensa com posições sobre a situação vivida no BES.
"O PCP considera um imperativo nacional, como forma de contribuir para o desenvolvimento e soberania nacionais, a nacionalização da banca comercial, num quadro mais geral da nacionalização do sector financeiro, como meio para assegurar o controlo público e a determinação da ação deste sector pelo interesse nacional", escrevem os comunistas em nota enviada às redações pelo seu gabinete de imprensa.

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(artigo revisto)
Sendo o crédito um instrumento financeiro de vital importância para a base material de uma sociedade - a sua economia - adquirindo, pois, devido a essa condição, o estatuto de um bem público, não há razão nenhuma para que ele seja propriedade de privados, que acabam por fazer prevalecer, na sua gestão, os seus interesses próprios e não os interesses da comunidade. É o mesmo que entregar a propriedade e a gestão das Forças Armadas, das Forças de Segurança e até a Justiça aos Belmiros, aos Espíritos Santos e aos Melos.
Os bancos devem ser propriedade do Estado, que terá de garantir-lhes uma gestão profissionalizada e eficiente e com a independência necessária que os resguarde da influência subterrânea dos interesses de lobies políticos e económicos. Os bancos devem ser os exércitos da política financeira do Estado e não os agentes secretos das atividades privadas de agiotagem especulativa.
Esta crise financeira planetária, que se iniciou nos EUA em 2008, tendo, posteriormente, contagiado a Europa e a economia mundial, e cujo trágico desenvolvimento futuro só ainda genericamente se poderá prever, não teria ocorrido se os bancos estivessem sob o controlo da esfera pública, isto, admitindo que os governos democráticos se encontram inteiramente ao serviço do interesse do bem comum. A crise ocorreu, precisamente, porque os bancos privados, que controlam a maior parte das atividades de crédito, atuaram sem qualquer controlo na procura do lucro fácil, através da desenfreada especulação bolsista, sobrepondo os interesses dos acionistas, relativamente aos interesses dos cidadãos, que, através de uma manobra montada por governantes a soldo do capital financeiro, tiveram de arcar com os respetivos passivos. Nos EUA a transferência do dinheiro dos contribuintes foi feita às claras, diretamente para os bancos, para os salvar da falência, e, na Europa, por precaução, e a fim de evitar o risco da ocorrência de graves conflitos sociais, com reflexos na estabilidade política do sistema, caso a mesma operação de engenharia financeira fosse ensaiada, montou-se, para o mesmo fim, um maquiavélico esquema de endividamento dos estados mais problemáticos, através das instituições internacionais, para que estes estados, com segurança - uma vez que se obrigaram, através das políticas de austeridade, a criar excedentes - pudessem pagar as dívidas aos bancos privados dos países ricos da Europa, e assim assumindo uma nova dívida, agora detida por aquelas instituições. Por esta via, também se dava tempo aos bancos comerciais dos países da periferia - onde se incluem os bancos portugueses, que se constituíram na ponta terminal da cadeia especulativa, ligada ao setor imobiliário - para equilibrarem os seus balanços e irem pagando as gigantescas dívidas contraídas aos bancos comerciais dos países ricos (no caso de Portugal, os bancos mais expostos à sua dívida privada, eram, principalmente, os bancos comerciais da Alemanha). Com esta quadrangulação, entre os estados endividados e dos seus bancos comerciais, as instituições da troika e os bancos credores dos países ricos, encontrou-se a fórmula mágica para salvar da bancarrota estes últimos, que jogaram forte e feio, durante duas décadas, na manobra especulativa do crédito fácil e induzido (e altamente lucrativo) aos bancos comerciais e aos estados do sul da Europa.
Desta forma, ficou claro que são os portugueses e os gregos que, através da austeridade imposta, estão a salvar os bancos credores, principalmente os da Alemanha, que em 2009 estiveram à beira da falência.
Por outro lado, e para evidenciar os malefícios da banca privada, basta refletir sobre o que se passou no BPP, no BPN e, agora, no BES, e que levam qualquer pessoa de bom senso e minimamente informada a concluir que os banqueiros e os acionistas dos bancos não são pessoas de bem. Não são flor que se cheire.
A nacionalização do crédito e a estatização dos bancos são condições necessárias para o fortalecimento do Estado e para o desenvolvimento da economia, constituindo esta exigência um verdadeiro imperativo patriótico.

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