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sábado, 20 de junho de 2009

Um Poema ao Acaso (10): Bojudo fradalhão de larga venta- Bocage



Bojudo fradalhão de larga venta


Bojudo fradalhão de larga venta,
abismo imundo de tabaco esturro,
doutor na asneira, na ciência burro,
com barba hirsuta, que no peito assenta:

No púlpito um domingo se apresenta;
prega nas grades espantoso murro;
e acalmado do povo o grão sussurro
o dique das asneiras arrebenta.

Quatro putas mofavam de seus brados
não querendo que gritasse contra as modas
um pecador dos mais desaforados.

“Não (diz uma), tu padre não me engodas;
sempre me há-de lembrar por meus pecados
a noite em que me deste nove fodas!”

Bocage

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Um Poema ao Acaso (9): Veio Muley-Achemet Marroquino-Bocage



VEIO MULEY-ACHEMET MARROQUINO

Veio Muley – Achemet marroquino
Com duros trigos entulhar Lisboa;
Pagava bem, não houve moça boa
Que não provasse o casco adamantino

Passou a um seminário feminino,
Dos que mais providos se apregoa,
Onde a um frade bem fornida ilhoa
Dava d’ esmola cada dia um pino

Tinha o mouro fodido largamente,
E já basofiando com desdouro
Tratava a nação lusa d’ impotente

Entra o frade, e ao ouvi-lo, como um touro
Passou tudo a caralho novamente,
E o triunfo acabou no cu do mouro.

Bocage