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domingo, 15 de abril de 2018

EUA: Um Presidente, que não faça uma guerra, não é um bom presidente...


Checkpoint Asia

Desde meados da década de sessenta, do século passado, todos os presidentes dos EUA tinham de engrandecer o seu currículo, desencadeando uma guerra. Trump já tem a sua, mas que não passou de uma vitória de Pirro.
Alexandre de Castro
2018 04 15

Rússia: “Tais acções vão ter consequências”




Rússia: “Tais acções vão ter consequências”

Numa primeira reacção, o embaixador russo nos EUA, Anatoly Antonov, publicou um comunicado no Facebook, afirmando que os EUA e os seus aliados sabem "que tais acções terão consequências". E acrescentou: “Insultar o Presidente da Rússia é inaceitável e inadmissível”, além de que os EUA “não têm moral para criticar os outros países”, uma vez que tem um grande arsenal de armas químicas, argumentou.

Os alvos dos bombardeamentos dos EUA já tinham sido evacuados há vários dias, disse à Reuters uma fonte de uma aliança regional que apoia o regime de Assad. “Tivemos um aviso dos russos sobre o ataque e todas as bases militares foram evacuadas há alguns dias”, disse a mesma fonte. “Cerca de 30 mísseis foram disparados no ataque e um terço deles foi interceptado”.
PÚBLICO

***«»***

No ponto de vista militar, a operação desencadeada pelos predadores Trump, May e Macron foi um fracasso.

A operação destinava-se mais para consumo interno da opinião pública americana e europeia do que para assustar a Rússia e a Síria, que suportam bem estas arranhadelas.

No entanto, não deixou de ser um grave acto de guerra e uma agressão a um país independente, que o Direito Internacional proíbe e sanciona.

A Carta das Nações Unidas apenas consente o uso da força militar, contra um país soberano, no caso de legítima defesa ou actuando, através de um mandado do Conselho de Segurança da ONU, o que não foi o caso, permitindo assim que possamos considerar delinquentes paranóicos os três dirigentes políticos acima citados, e que, com esta iniciativa criminosa, deslustraram os valores da chamada civilização ocidental, que dizem defender.

Em relação às armas químicas, cito o PÚBLICO:
“A Convenção sobre o Uso de Armas Químicas diz que o Conselho de Segurança pode impor 'medidas' contra quem voltar a usar armas químicas na Síria, mas não autoriza directamente o uso da força. O tratado não tem um mecanismo de imposição que autorize outras partes a atacarem ou a punirem quem o violar”, explica Sofia Olofsson, na revista online Cornell Policy Review".

O crime está provado. E a apatia e a condescendência do secretário geral da ONU também.

Uma nota a preceito:
Parece que, agora, é moda chamar políticos portugueses para cargos internacionais importantes. Pudera!... São os melhores lacaios.
Eu, por mim, continuo a preferir os cães de guarda. São mais fiéis.

Alexandre de Castro
2018 04 15

sábado, 14 de abril de 2018

De falácia em falácia até ao desastre final…



De falácia em falácia até ao desastre final…

À enorme falácia de Bush, sobre a existência de armas de destruição massiva, no Iraque, e que nunca foram encontradas, segue-se, agora - como argumento para os EUA desencadearem uma guerra contra a Síria - a falácia das armas químicas (que ninguém provou existirem).

A Síria e o Irão são os únicos países do Médio Oriente que o imperialismo americano ainda não conseguiu vergar, impedindo-se assim o seu desígnio de pretender assegurar o seu domínio total sobre a zona onde se encontram as maiores reservas de petróleo do mundo. Trata-se, pois, de uma guerra de rapina, que o mundo inteiro deve condenar.

Mas, esta guerra contra a Síria poderá ter consequências dramáticas, a nível global, despoletando uma espiral de violência, nunca vista, através do recurso às armas nucleares, pois a Rússia reagirá imediatamente, para proteger o seu aliado histórico, que é um país independente, reconhecido pela comunidade internacional, que tem assento na ONU e que tem todo o direito de defender a sua soberania e a sua integridade territorial.

Alexandre de Castro
2018 04 12

quarta-feira, 7 de março de 2018

Não é a Síria o país agressor…


Ler comunicado da CPPC aqui


Não é a Síria o país agressor…

Nesta guerra hedionda, não é a Síria o país agressor. Devido à sua oposição ao Estado de Israel, que lhe invadiu e ocupou os Montes Golã, em 1967, a Síria sempre esteve na mira dos EUA, cujas sucessivas administrações obedeceram e obedecem ao poderoso Movimento Sionista Internacional.

Não podendo fazer uma guerra directa, como aconteceu no Iraque de Sadam Hussein, devido à impopularidade que tal decisão acarretaria, no mundo e entre os os seus cidadãos, os EUA optaram, a partir dessa altura, por encomendar guerras a terceiros, através da CIA, quer organizando, treinando e financiando exércitos de mercenários, em países árabes amigos, que se fazem passar por opositores rebeldes dos regimes recalcitrantes, a abater, quer estimulando minoritários grupos separatistas.

Este modelo foi testado na Líbia, tendo a França, de Nicilas Sarkozy, tomado parte activa.

Trata-se de uma nova forma de terrorismo, ao qual os países ocidentais têm dado cobertura, quer pela cumplicidade dos respectivos governos, quer pela acção desinformativa da comunicação social domesticada, e que é necessário desmascarar, a fim de fazer prevalecer o Direito Internacional e de garantir a paz mundial.

Alexandre de Castro

2018 03 07

P.S.


Quem é que lançou napalm sobre estas crianças vietnamitas?

Os sírios?

Os russos?

Os chineses?

Não!... Foram os americanos!..

E o mundo ficou calado e mudo!...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O regime sírio não é o agressor…


O regime sírio não é o agressor…

Não foi o regime sírio, que iniciou esta fratricida guerra. Nem os sectores da oposição a Bashar-al-Assad teriam meios para a desencadear, se não fossem os países ocidentais, particularmente os EUA e a França, a proporem-a aos respectivos dirigentes e a comprometerem-se a treinar e a armar os seus combatentes.
A CIA aplicou na Síria o mesmo estratagema que utilizou em relação ao ISIS (Estado Islâmico), e a França enviou os seus militares para o terreno, a fim de treinar os chamados rebeldes, o que o presidente francês já admitiu publicamente. Além disto, a CIA, tal como procedeu na Líbia, mobilizou mercenários do Catar para o teatro das operações. Não foram, pois, os oposicionistas sírios que, por iniciativa própria e autónoma, desencadearam as hostilidades. Os verdadeiros agressores foram os EUA e a França, que descobriram, a fim de se furtarem à condenação pública, que a melhor maneira de fazer a guerra, a guerra que convém aos seus interesses estratégicos, seria encomendá-la a terceiros.
 
Perante este quadro, o regime legítimo da Síria defendeu-se, defendendo também o seu povo, cuja maioria não se identifica com as políticas dos países ocidentais, em relação ao Médio Oriente. A legítima defesa é um direito universal. O ónus da causa desta guerra é a interferência estrangeira num país independente, que faz parte da ONU.

O envolvimento da Rússia (um país aliado da Síria, desde os tempos da União Soviética) foi determinante para inverter o sentido da guerra, que passou a ser favorável às forças do regime. E foi precisamente a partir do momento desta inversão que a imprensa ocidental iniciou a sua campanha a favor do Direitos Humanos do povo sírio, quando antes se tinha remetido a um silêncio cúmplice e comprometedor, em relação às barbaridades cometidas pelos rebeldes, nas cidades que ocupou. O primeiro cessar-fogo, entre as forças beligerantes, fracassou, porque os rebeldes, em vez de deixar sair a população civil das cidades sitiadas, que era o objectivo do cessar-fogo, manteve-a prisioneira, a fim de lhe servir de escudo, pois sabiam que, a partir daí, ficariam mais expostos a um ataque fortíssimo das forças militares do regime. E este aprisionamento da população civil é um crime, previsto no Direito Internacional. Mas isto não pesou na consciência dos media ocidentais, que persistem na intoxicação e na desinformação da opinião pública.
Alexandre de Castro

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Não é a Rússia que anda a provocar guerras no planeta...


Não é a Rússia que anda a provocar guerras no planeta...

Não é a Rússia que anda, secretamente, a apoiar e a promover o terrorismo internacional...

Não é a Rússia que, também secretamente, apoia indirectamente o Estado Islâmico, sob o disfarce de apoiar grupos armados rebeldes de um país soberano do Médio Oriente...

Não é a Rússia que anda a cercar, instalando bases militares, as fronteiras de um outro país...

Não é a Rússia o país que desestabiliza a paz mundial.

[Ver o excelente e elucidativo texto em “Abril de Novo Magazine”]

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Jihadistas recrutam, escravizam e enterram crianças vivas no Iraque


As minorias são as principais vítimas. Há crianças muito pequenas usadas como bombistas suicidas ou escravas sexuais. Os radicais também decapitam e crucificam menores, diz a ONU.

***«»***
Nunca pensei viver num tempo em que estes crimes acontecessem e ficassem impunes! Soltaram-se todos os demónios do mal no mundo da barbárie. Depois disto, a Humanidade não será a mesma, pois envergonhar-se-á da infâmia.
É a descida ao inferno!...

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Jordânia: "Matem o nosso piloto e matamos todos os vossos prisioneiros"


O governo da Jordânia respondeu à letra aos extremistas do Estado Islâmico, garantindo-lhes que se matarem o piloto que têm sob custódia, todos os prisioneiros jihadistas serão mortos em resposta.

***«»***
Já se chegou à fase do "olho por olho, dente por dente". A guerra está aí, à nossa porta, grotesca e brutal, no absurdo da banalização da morte e do festival do sangue, e com todos os seus tiques animalescos, a desfilarem perante os nossos olhos atónitos!...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Foi há 100 anos que aconteceu "Natal", na guerra...


Foi há 100 anos!... Foi há 100 anos, no primeiro Natal da Primeira Grande Guerra, que o instinto do Homem se elevou ao patamar da fraternidade, ultrapassando a animosidade gerada por um violento conflito armado, que ensanguentou e destruiu o miolo da Europa, causando uma mortandade inimaginável. Saindo das trincheiras, onde viviam miseravelmente como toupeiras, os soldados alemães, ingleses e francesas, ressuscitando o espírito do Natal, vivido nas suas vidas e nos locais das suas origens, resolveram todos confraternizar na terra de ninguém, abraçando-se, trocando entre si presentes e comida e, esquecendo o violento estrondo dos canhões e o matraquear cadenciado das metralhadoras, começaram a cantar as melodias emocionantes do Natal. Para "matar" o frio e fazer esquecer o tempo, jogaram entre si renhidas partidas de futebol. Os generais de ambos os lados ficaram furiosos com aquela subversão "sentimental", expressa na impensável e surpreendente confraternização entre soldados que pertenciam a exércitos inimigos, ao ponto de, nos anos seguintes, a proibirem terminantemente.
Naquele inverno de 1914, na quadra natalícia que aproxima e emociona parte da Humanidade, o coração falou mais alto do que as balas das espingardas.
Alexandre de Castro

domingo, 3 de agosto de 2014

Notas do meu rodapé: O alibi dos túneis e mais um avanço na escalada da “Guerra Quente”


O argumento da existência de túneis na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, que serviriam para o Hamas infiltrar no território inimigo os seus guerrilheiros e o armamento para o lançamento dos temíveis rockets, não pode ser aceite como justificação plausível para a brutal carnificina que o exército israelita está desnecessariamente a provocar entre a população palestiniana, o que prefigura a ocorrência continuada de um crime de guerra, já que o governo judaico sabe de antemão que os seus soldados estão a matar indiscriminadamente civis desarmados, incluindo mulheres e crianças, e não os combatentes daquele movimento islamista. O argumento é pueril e idiota, e, de tanto ter sido invocado nos media, sem a devida aferição crítica, para provar que a existência daqueles túneis constituíam uma verdadeira e grave ameaça para Israel, acabou por se tornar credível para o distraído cidadão comum. Se um túnel tem uma entrada, também tem uma saída, e, neste caso, a saída estará localizada no lado do território israelita. Bastaria ao exército de Israel identificar essas saídas, através do patrulhamento minucioso da fronteira comum, e, em cada uma delas, deixar patrulhas permanentes e rotativas, para, e tal como os caçadores fazem aos coelhos alapados, apanhar os militantes do Hamas. Essas saídas não podem estar dissimuladas, já que não é possível, no frenesim de uma ação clandestina, apagar as marcas da perfuração do subsolo, nem esconder os vestígios das grandes movimentações de terras, efetuadas para o efeito. Com esta solução, o governo judaico evitaria o milhar de mortes que esta guerra já provocou.
Mas o objetivo de Israel não é proceder à destruição dos túneis, destruição esta que acessoriamente acabará por ocorrer. O seu objetivo a médio e a longo prazo consiste em proceder à ocupação efetiva da Faixa de Gaza, depois de neutralizar o Hamas, e aí começar a construir colonatos judaicos, tal como aconteceu na Cisjordânia, o que viola claramente o Direito Internacional, que os governos de Israel, de uma forma contumaz, não têm cumprido, na parte que lhes interessa.
Com o acordo envergonhado dos países ocidentais, o governo israelita vai criar mais um ponto de tensão, a juntar ao já existente na problemática Ucrânia, a fim de alimentar a emergente Guerra Quente, que está a suceder à extinta Guerra Fria, do século passado, e que se caracteriza pela luta surda e intestina, herdade dos tempos coloniais, entre o bloco dos países ocidentais, liderados pelos EUA, e aqueles países e povos do sul e do leste, que pretendem garantir a sua identidade e obter a sua soberania plena, como é o caso do povo palestiniano e dos povos russófilos da atual Ucrânia. É que a guerra é uma “redundância” violenta da política, da ideologia, da diplomacia e dos grandes interesses económicos. E bastará riscar um fósforo para acender uma fogueira, que poderá transformar-se rapidamente num gigantesco incêndio, se a ganância de alguns ou a imprevidência de outros teimosamente persistir.

sábado, 2 de agosto de 2014

EUA aprovam ajuda de 167,5 milhões de euros a Israel



Congresso norte-americano aprovou sexta-feira um pacote de 225 milhões de dólares (167,5 milhões de euros) para reposição dos mísseis do escudo de defesa de Israel, a última medida depois do fracassado cessar-fogo entre Telavive e o Hamas.
A Câmara dos Representantes votou a proposta com 395 votos a favor e oito contra, dando assim luz verde ao Pentágono para ajudar o aliado israelita.
O voto a favor do Senado foi posterior à aprovação no Senado.
O escudo antimíssil "cúpula de ferro" de Israel tem anulado dezenas de morteiros disparados pelos palestinianos nas mais de três semanas de conflitos entre ambas as partes.
O projeto terá agora de ser assinado pelo Presidente Barack Obama.

***«»***
Quando o secretário de Estado norte-americano, John Kerry (juntamente com o secretário -geral da ONU, Ban Ki-moon) aparece a querer mediar o conflito entre o Hamas e Israel, ele não está a ser sincero, porque os EUA são também parte do problema do que vergonhoso se passa na Palestina, e não a sua solução. Sem a ajuda comprometida dos sucessivos governos dos EUA, instigada e apoiada pelo grande lobie financeiro judaico, que domina a grande finança mundial, Israel não poderia sobreviver como Estado, por não ser sustentável economicamente e militarmente. E nenhum presidente dos EUA ousa desobedecer aos desejos ambiciosos do movimento sionista, que pretende restaurar o bíblico Grande Israel de há três mil anos, ignorando a História e rejeitando os direitos dos povos que na Palestina sempre viveram, e que foram islamizados (sem terem perseguido os judeus) pelo império otomano. 
Esta generosa ajuda de última hora evidencia a grande cumplicidade dos EUA para com a agressão sionista desencadeada contra os palestinianos.

Primeira Guerra Mundial

Foi há 100 anos!... Depois, não houve nenhuma década em que não tivesse ocorrido no mundo um conflito armado. Nos dias de hoje, as nuvens negras da barbárie parecem querer anunciar novas tempestades. Os sinais são alarmantes. Percebe-se que estamos no fim de uma era e que uma outra já nasceu. E, normalmente, essa mudança dos grandes contextos históricos arrasta consigo o aparecimento  de guerras e revoluções. O mundo pode transformar-se num matadouro!...

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Primera Guerra Mundial a Color - Cap.1- La Catastrofe
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 La Primera Guerra Mundial a Color- Cap. 2 - Matanza en las Trincheras
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La Primera Guerra Mundial a Color- Cap. 3 - La Sangre en el Aire
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La Primera Guerra Mundial a Color- Cap 4 - Asesinos en el Mar
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La Primera Guerra Mundial a Color- Cap 5 - Caos en el Frente Oriental
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La Primera Guerra Mundial en Color [6/6]- Victoria y Desesperación
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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Los orígenes de la Primera Guerra Mundial #Documental



Foi há 100 anos!... Depois, não houve nenhuma década em que não tivesse ocorrido no mundo um conflito armado. Nos dias de hoje, as nuvens negras da barbárie parecem querer anunciar novas tempestades. Os sinais são alarmantes. Percebe-se que estamos no fim de uma era e que uma outra já nasceu. E, normalmente, essa mudança dos grandes contextos históricos arrasta consigo o aparecimento  de guerras e revoluções. O mundo pode transformar-se num matadouro!...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Crónica: A guerra não é entre os povos, que não a desejam, mas sim entre os poderosos, que a decretam...

Soldados alemães e briânicos saíram das trincheiras para confraternizar
e jogar futebol, em Dezembro de 1914, celebrando assim o Natal.
Trégua de Natal
É o termo usado para descrever o armistício informal ocorrido ao longo da Frente Ocidental no Natal de 1914, durante a Primeira Guerra Mundial. Durante a semana que antecedeu o Natal, soldados alemães e britânicos entoaram canções e trocaram saudações festivas entre suas trincheiras; na ocasião, a tensão foi reduzida ao ponto dos soldados de ambos os lados trocarem presentes entre si. Na véspera de Natal e no Dia de Natal, aqueles soldados - bem como soldados de unidades francesas, ainda que em menor número - aventuraram-se na "terra de ninguém", onde se encontraram, trocaram alimentos e presentes, e entoaram cantos natalícios ao longo de diversos encontros. As tropas de ambos os lados também foram amigáveis o suficiente para jogarem partidas de futebol.
A trégua é vista como um momento simbólico de paz e de humanidade no meio de um dos eventos mais violentos da história moderna, mas não foi universal: em algumas frentes de combate, a luta continuou durante todo o dia, enquanto em outras foi feito apenas o trabalho de recolher os corpos. No ano seguinte, algumas unidades estavam dispostas ao cessar-fogo durante o Natal, mas a trégua não foi tão divulgada como em 1914, devido em parte às ordens dos altos comandos de ambos os lados que proibiram tal confraternização. Em 1916, após as sangrentas batalhas de Somme e Verdun e com o início do uso generalizado de gás venenoso, os soldados de ambos os lados cada vez menos enxergavam seus adversários como humanos, e a trégua de Natal não voltou a ser realizada.
A história foi contada no filme "Joyeux Noël - Feliz Natal" de 2005.
Texto e imagem da página do Facebook de Imagens Históricas
Amabilidade de Mari Trindade, que o sugeriu e indicou.

***«»***
Na Guerra, tal como nas grandes catástrofes, surgem sempre os heróis, a maioria anónimos, que se destacam pela manifestação dos elevados sentimentos da fraternidade, da solidariedade e da humanidade. O caso aqui relatado demonstra bem que a guerra não é entre os povos, que não a desejam, mas sim entre os poderosos, que a decretam. Os jovens soldados alemães, britânicos e franceses, na arriscada confraternazição natalícia a que se entregaram na época do Natal de 1914 (o primeiro ano da Primeira Grande Guerra Mundial) manifestaram os sentimentos dos seus respetivos povos.
Ao ler este texto, recordei-me imediatamente de José Maria Batista, entretanto falecido, que entrevistei para o jornal A Capital, em Outubro de 2001, na sua residência, em Campo de Ourique, Lisboa, com o objetivo de recolher o depoimento do último soldado vivo do Corpo Expedicionário Português da Primeira Grande Guerra Mundial, e que um ano depois me inspirou a nota, que no mesmo jornal escrevi, a propósito de mais um aniversário do armistício, e que em baixo transcrevo. A história que José Maria Batista me contou é emocionante. O soldado alemão ainda manteve a sua arma apontada para o matar, mas, no último momento, num ato de grande generosidade e humanidade, desistiu do seu intento, talvez porque tivesse pensado que estava na presença de um homem igual a ele....

* *
Crónica em A Capital

"José Maria Batista é o último sobrevivente da Grande Guerra 1914-18, tendo participado na célebre batalha de La Lyz, em 9 de Abril de 1917, onde foi feito prisioneiro pelas tropas alemãs, naquela altura ainda confiantes na vitória final.
Numa entrevista a A Capital, em 31 de Outubro de 2001, José Maria Batista descreveu com emoção o momento em que, ferido com um estilhaço de uma granada e sem se poder mexer, um soldado alemão o desarmou e lhe apontou a sua arma para o matar, para depois, num gesto de grande humanidade para com o prisioneiro de guerra e elevando-se acima da barbárie da guerra, compartilhar com ele a água do seu cantil e dividir os seus últimos dois cigarros, que restavam. E foi nesse momento, em que perdeu a liberdade e compreendeu o que eram os sentimentos de humanidade e de fraternidade, que José Maria Batista, segundo disse, "tomou consciência  daquela guerra e daquele inferno", que assombrou o mundo e endoideceu Deus.
Depois do cativeiro, da libertação, e do armistício, que se comemorou ontem, José Maria Batista regressou a Portugal e voltou a abraçar a vida de ferroviário, a sua paixão de sempre.
Pelo caminho, o reconhecimento recente. Em 1998, pelas mãos do embaixador de França em Portugal, foi condecorado com o grau de Cavaleiro da Legião de Honra, condecoração essa que exibe com orgulho".
Alexandre de Castro
Jornal A Capital
11 de Novembro de 2002

sábado, 31 de março de 2012

A propósito de uma polémica no Facebook sobre a Guerra - por Joaquim Pereira da Silva

Guerra Colonial
Guerra Civil de Espanha
Sem querer meter a foice em seara alheia (já meti), quero agradecer ao meu amigo Alexandre a oportunidade de de vez em quando poder alimentar alguma polémica que é sempre salutar, porque é áí que os neurónios se vão renovando. ... Evidentemente que os contextos das duas guerras são diferentes e as suas consequências também. O que eu queria salientar é que na realidade (em minha opinião), no Ultramar não ocorreu uma guerra civil. Naquele contexto havia um inimigo comum, os indígenas, que, se por um lado tinham toda a legitimidade (até por razões históricas decorrentes duma colonização algo agressiva, que se não notava nas cidades) para reivindicar os seus direitos de cidadania, por outro lado eram bastante instrumentalizados a partir do exterior. Isso é completamente diferente da guerra fratricida que ocorreu em Espanha (à qual também não foram indiferentes influências estrangeiras), mas que tinha razões sociológicas e ideológicas profundas e com consequências bem mais nefastas a nível geracional. Portanto o nosso problema resolveu-se e com a descolonização (exemplar ou não), todos nos encolhemos no nosso cantinho, uns a carpir as mágoas, outros exultantes porque realmente a nossa juventude estava a ficar completamente exaurida. As guerras civis são calamidades que deixam marcas indeléveis, geraçao após geração. Conviver com os assassinos de familiares nossos será porventura um tormento que nunca nos dará paz. Daí eu pensar que estando nós a atravessar um período tão difícil em termos de sobrevivência, e inseridos numa comunidade que também o atravessa, qualquer apelo a um extremar de posições não será talvez a atitude mais asisada. Da mesma opinião comunga um nosso comum amigo, ilustre capitão de Abril. Só intervim porque a Sr D. Helena Viegas deu a entender (ou eu percebi mal), que já não tínhamos coragem para voltar a virar isto do avesso. O problema é que as consequências seriam imprevisíveis e poderíamos voltar a entrar na idade das trevas. Mas que dá vontade, la isso dá.
Joaquim Pereira Silva

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Notas do meu rodape: Numa guerra não há vitórias antecipadas, tal como num desafio de futebol

Amabilidade do Diamantino Silva, que enviou este vídeo.
***
As guerras não são pré-anunciadas. Mas a História demonstra que são previamente preparadas. Só que alguns não dão conta. E já não subsistem dúvidas que os Estados Unidos e as potências europeias estão a preparar, desde o final da última década do século passado, uma guerra global, que subjugue aos seus interesses a China e a Rússia, as únicas potências que ainda lhe poderão opor alguma resistência. A guerra do Iraque, a invasão da Líbia e as recentes provocações ao Irão inserem-se nessa estratégia. Percebendo que lhes escapa, a curto prazo, o poderio económico, que está a ser construído pela China, o ocidente procura manter, através de uma guerra, a supremacia militar e o controle total sobre as principais jazidas de petróleo, na Península Arábica.
Mas a História, principalmente a do século XX, também demonstrou que as guerras, concebidas para serem breves e vitoriosas, nunca acabam nos prazos previstos e que o grau de destruição que provocam acaba sempre por se multiplicar numa incontrolável espiral de horrores inarráveis. Antes de deflagar a Primeira Guerra Mundial, os generais franceses e alemães, medindo-se arrogantemente entre si e confrontando as suas respetivas forças militares, julgavam que eliminavam o inimigo numa questão de dois ou três meses. A guerra durou quatro anos, deixando atrás de si milhões de mortos e um rasto de destruição. Hitler, antecipadamente, pensava que a União Soviética não resistiria às suas divisões. Os americanos nunca admitiram nos seus cálculos a humilhante derrota infligida pelos guerrilheiros maltrapilhos do Vietnam do Norte. Tal como num desafio de futebol, numa guerra não há vitórias antecipadas, embora haja favoritos. E nem sempre são as equipas favoritas a ganhar. Além disto, numa guerra não existe árbitro, simplesmente porque não há regras para matar e para destruir.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

3ª Guerra Mundial - Tropas no Oriente Médio, Ásia, Norte da África para outubro/novembro 2011


Este vídeo foi colocado no You Tube há quatro meses atrás. A previsão sobre o ataque militar à Líbia confirmou-se, o que acrescenta credidibilidade a outras informações deste autor.
A existência de uma gigantesca operação conspirativa, destinada a assegurar o domínio global, sob uma liderança dos EUA e do capitalismo financeiro internacional, tem vindo a ser abordada por alguns autores, que apontam a Maçonaria, o sionismo e o Vaticano como os seus principais mentores. O controlo do Médio Oriente, através da eliminação dos líderes dos países rebeldes, Síria e Irão, e o enfraquecimento da Rússia e da China, cujos regimes políticos não se sujeitam à hegemonia e à influência dos EUA, seriam os objectivos principais a atingir.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Notas do meu rodapé: Ditadores bons e ditadores maus...

Anders Fogh Rasmussen: a declaração piedosa de um falcão
A NATO anunciou esta madrugada que o fim do regime de Khadafi está perto do fim. A Aliança Atlântica, que bombardeia as forças do ditador líbio há seis meses, apela aos rebeldes para manterem a unidade do país e a trabalharem a favor da reconciliação nacional.
PÚBLICO
***
Nas revoluções da Tunísia e do Egipto, apenas foi usado o Facebook e o telemóvel para derrubar as duas ditaduras. Curiosamente, na Líbia, as armas apareceram nas mãos dos rebeldes por geração espontânea. Em relação à Tunísia e ao Egipto, os países ocidentais, apanhadas de surpresa, nunca declararam, enquanto as revoluções seguiam o seu curso, um apoio inequívoco às forças da mudança, e foram sempre muito ambíguas na condenação dos dois ditadores. Na Líbia, e recorrendo ao falso pretexto da ajuda humanitária, os países ocidentais, através do seu braço armado, a NATO, optaram por uma abusiva política de ingerência, iniciando uma guerra contra a Líbia, através de sucessivos bombardeamentos aéreos, que também atingiram a população civil, e lançando para o terreno um verdadeiro exército de mercenários, que as televisões não mostraram.
Ficou assim claro que, para os países ocidentais, existem duas espécies de ditadores: os ditadores bons e os ditadores maus. Kadafi é, para os países ocidentais um ditador mau. Porquê? Por duas simples razões. A primeira, é que Kadafi não é um ditador domestificável. Preferiu escolher os seus aliados entre os países que nunca se submeteram aos interesses dos EUA e da União Europeia. Já o presidente Reagan, há uns atrás, tentara assassiná-lo, através do bombardeamento aéreo de uma das suas residências, em Tripoli, acção criminosa que contou com a cumplicidade de Portugal, ao autorizar a passagem dos aviões americanos pelo seu espaço aéreo. A segunda razão, esta talvez decisiva na determinação de abater Kadafi, tem a ver com a opção tomada por este dirigente em decretar o alinhamento o valor da moeda do seu país pelo padrão ouro, libertando assim a Líbia da ditadura do dólar, opção que os EUA não toleram. Sadam Hussein também morreu, não por ser um ditador, mas porque se atreveu a desafiar os EUA, ao decidir aceitar outras moedas, além do dólar, para o pagamento da venda de petróleo do Iraque.
Não são razões de ordem ideológica que levam os países ocidentais a apoiar ou a condenar os ditadores. As verdadeiras razões prendem-se apenas com a necessidade de assegurar a sobrevivência do capitalismo internacional, através do controlo estratégico das zonas consideradas vitais pelo imperialismo americano. A ideologia vai à frente ou atrás, conforme as conveniências.  

quinta-feira, 24 de março de 2011

Opinião: Eu devo estar é a ficar maluquinho - Por Gertrudes da Silva*


E porquê? Porque mal a gente começa a pensar que já percebeu alguma coisa deste tresloucado mundo, logo nos cai na sopa um bicharoco destes, que de tão grande e destrambelhado, logo nos entorna o caldo todo e nos enche de nódoas o fatinho domingueiro com que íamos por aí fora todos apinocados.
Começou mais uma guerra, dizem os repórteres possuídos dum inusitado frenesim e mostram-nos as televisões, primeiro em directo e depois em documentários já bem trabalhados, por vezes com música a acompanhar, que a coisa para tristezas é que não está virada.
Tudo esperado, era só coisa de mais dia, menos dia; desta vez é no território da Líbia, e ainda estão por resolver os casos que lhe serviram, pelo que parece, de modelo e incentivo: o Iraque, o Afeganistão e, mais recentemente, na Tunísia e no Egipto, e vamos ficar por aqui, pois as faúlhas já se encarregaram de propagar o fogo às imediações.
No fundo, há sempre um execrável ditador que é preciso derrubar e, se possível, com grande aparato de imagens, como no espectacular derrube da estátua do Saddam e na horripilante execução pública de Ceausescou, e ainda atiram pedras (também merecidas) à Santa Inquisição.
Rapidamente o interior das nossas pacíficas casas é invadindo pelo incrível e ainda mal calculado poder dos modernos meios de comunicação. E, no entanto, vamos lá ser um pouco realistas, bem feitos estariam agora os chineses, nem sequer talvez já fossem motivo de preocupações como, para o bem e para o mal, efectivamente são, se em circunstâncias a estas semelhantes, quando dos trágicos e afamados acontecimentos da Praça Tiananmen, se tivessem deixado ir na cantiga dos arautos imperialistas que têm por missão cumprir os desígnios da globalização, sim, que há muito tempo os teriam feito em pedaços, a começar logo ali pelo Tibete, contencioso em que não me sinto à vontade para emitir uma opinião, e a seguir, papado, bocado a bocado, como tentaram, e até conseguiram com as Guerras do Ópio e tudo que se lhes seguiu na segunda metade do século XIX e uma boa parte, ainda, do século XX. Mas adiante, que o nosso destino é outro!
A força dos média é terrível e tanto mais terrível quanto mais forte é o poder mandante que lhes põe a mão por trás. Olhe-se, e só para dar mais um exemplo, o que aconteceu com a Indonésia, que na altura avançou sobre Timor Leste num momento de vazio de poder, com o ámen proferido no lugar pelas autoridades americanas e depois, quando chegou a hora da verdade, por parte de quem na altura mandava efectivamente nos destinos do mundo – quem seria? – foi pura e simplesmente transformada em diabo, correram mundo as imagens dos massacres de Santa Cruz e, quase até à saciedade, aquela da criancinha praticamente despida que na companhia da sua gente se escapulia por um subterrâneo qualquer, e que às tantas tropeçava e chorava, quem não se lembra?, semelhante à outra de uma criança vietnamita que nos écrans do cinema e das televisões emergia do meio da floresta a fugir daquele inferno de napalm, completamente nua e com o corpo ainda envolto nas chamas. As imagens, então, têm ou não têm uma força descomunal?
Para depois, e voltando ao caso de Timos Leste, do ventre deste labirinto de construção de emoções sair um nado-morto. Que nem prematuro chegaria a ser: uma vaga hipótese de país, que país verdadeiro nunca chegará a ser, porque já nasceu tarde e agarrado como ainda parece estar aos que durante uns poucos de séculos foram os seus pais adoptivos, que é o que ainda hoje se pode ver em documentários e reportagens como as que nos trouxe ainda há bem pouco tempo a Catarina Furtado ou, dito de uma forma mais clara: que país quererá ser este, quando as pessoas ali, a cada passo, deixam escapar em boa parte dos seus desabafos uma incrível vontade de quererem voltar a ser portugueses, e nós, em tudo isto, a tratá-los como se filhos nossos fossem, numa melancolia mal curtida da perda de um império, que se calhar nem verdadeiro império algum dia foi.
Mas voltemos aos dias de hoje. Os bombardeiros, às ordens daquele senhor que anda sempre em bicos de pés, porque pensou um dia ser grande e nunca lá chegará, avançam sobre Tripoli; logo a seguir, já agora que alguém começou, os vasos de guerra americanos, previamente posicionados no Mediterrâneo lançam mísseis mar-terra (deve ser) sobre as posições militares do regime de Kadaffi, a Itália entra a seguir e cresce como talvez nunca se viu o número de países que querem participar nesta cruzada contra o infiel. O Sr. Obama – tantas as esperanças que espalhou por esse mundo fora – de visita ao Brasil, e os brasileiros também que não se iludam, nem por isso se coibiu de lamentar o que estava a suceder, para logo dali fazer despacho, nos gabinetes dos outros, e autorizar o desencadear das operações militares contra mais este diabo, inimigo da democracia, que como a nossa não há outra igual, nisto tudo tal e qual, malgrado as esperanças nele depositadas, aos Noriegas e Sadams Husseins de recente memória, isto para já nem falar nos ainda bem fresquinhos Anwar Sadat e Bem Ali.
Enquanto isso, e na passada, as televisões a mostrarem-nos um aglomerado de dirigentes nos jardins do Palácio do Eliseu, aqui o Sr. Sarkozy sem parecer se importar muito que alguns daqueles figurões dos petróleos teimem em apresentar-se vestidos de mantos e turbantes, ok, come on baby!, e o pequenito que um dia sonhou ser grande a receber a Srª. Clinton num rasgado cumprimento e entre cúmplices sorrisos, não importa se de circunstância ou não, porque obscenos de certeza que são e alguns estragos há-de provocar lá para os lados da Srª. Merkel, a reduzirem, assim, mais este drama que antes do mais é humanitário, a uma brincadeira de miúdos, como se estivessem a jogar, sentados num sofá, numa consola, nintendo ou play-station.
Nunca falha, e lá vêm sempre os mesmos: O José Rodrigues dos Santos aos saltinhos de entusiasmo, já mortinho, vê-se, por vestir o seu colete de caçador e ir lá bem para o centro do Teatro de Operações, donde continua logo a fugir quando as coisas começam mesmo a aquecer; o Rogeiro a dizer que sim, que fazem os americanos e os seus submissos aliados muito bem, que ele, o Kadaffi, estava mesmo a pedi-las, a ver se é desta vez que se acaba mesmo com algumas veleidades de socialismo que ainda ficaram por aí, uns desperdício tóxicos na Coreia do Norte ou em Cuba, isto para já nem falar da China, que esse promete ser um osso mais difícil de roer, porque à pala do socialismo vai por lá desenvolvendo um capitalismo de novo tipo, o que é dirigido não por uma democracia daquelas a que estamos mais habituados, no caso, cada vez com menos cotação na bolsa de valores, isso não importa, mas por um sistema de partido único que dá os mais elevados graus de eficiência até à data conhecidos, mulas velhas como são, ainda falta saber se não serão eles que têm razão. Sim, porque os soviéticos, independentemente da justeza ou não dos seus métodos de construção do socialismo, deixaram-se papar que nem uns anjinhos.
Ah, e, fatal como o destino, ainda cá faltava o general Loureiro dos Santos, de tal modo entendido nestas coisas de intervenções e ingerências militares, que o que admira é como este homem ainda não foi recrutado para o Pentágono, tanto que ele sabe sobre as potencialidades e os erros crassos dos americanos neste tipo de operações que de militares já muito pouco têm.
Eu, cá por mim, para além destes lamentos em tom de refilanço sobre tão candentes temas, não me atrevo a debitar doutrina, nem, sequer, uma convicta opinião, porque eu devo estar é a ficar maluquinho. Aconteceu-me, se calhar, aqui neste meu humilde posto, o que já aconteceu com homens sabidos e mais experimentados nestas lides e alcandorados aos mais altos postos do comando das coisas militares: uma vida inteira a seguir uma carreira para, no fim, concluir que, afinal, o que eu sou é um grande pacifista, que agora olha para a guerra, seja ela qual for, mesmo a dita de libertação, como uma das obras mais horríveis e estúpidas levadas a cabo pelo ser humano.
Talvez por isso, eu, que ainda me sinto tão longe de entender o que se passou e continua a passar nos países da margem sul do Mediterrâneo e noutros afloramentos aqui e além no médio oriente, não sei por que razão especial o caso líbio passou a ser tão diferente dos da Tunísia e do Egipto. A não ser por se tratar de um país rico em petróleo; mas aí vão logo dizer que já é mania, que lá vem a estafada teoria da conspiração, a gente sabe como é. Talvez não seja por isso, não. Se calhar, vão ver, é porque por ali ainda anda, apesar de tão flagrantes contradições, uns resquícios de socialismo, este, islâmico, no dizer do seu tão carismático quanto anedótico guia.
O que é certo é que, mais uma vez, as coisas começaram assim, em directo, pela televisão, como um qualquer programa de reality show, mais uma guerra, em tudo idêntica às do Iraque e do Afeganistão. E eu, que agora descobri que afinal sou um pacifista, fico triste, muito triste e sem vontade alguma de ver e ouvir aqueles trastes que logo aparecem a fazer disto um motivo de divertimento e distracção, sejam eles o Rodrigues dos Santos, que me desculpe o meu amigo e tio dele Mário Brandão, o Nuno Rogeiro que também já conhecemos de ginjeira da televisão ou, então, o tal general, que quando detinha o bastão do comando trocou o Serviço Militar Obrigatório por meia dúzia de tostões e depois, se calhar arrependido do que tinha feito, já em plena queda, se agarrou a uma tal “lei dos coronéis” para, num golpe de teatro de opereta, bater com a porta.
Está dito, está dito. Agora deixem-me ver se, nem que seja para uma ilusão de algum sossego, arrumo aqui algumas coisas que me parecem completamente baralhadas.
O petróleo, ah, pois, o petróleo. Sim, porque se olharmos para o comportamento da dita “comunidade internacional” que ainda ninguém conseguiu explicar-me verdadeiramente quem será essa senhora, ela limitou-se a ficar a ver de longe como as coisas paravam, primeiro na Tunísia, depois no Egipto, no Iémen, e mais recentemente na Síria, essa sim, que alberga e exporta terrorismo, a Jordânia não, que isso é gente amiga. E, sintomaticamente ou não, o que é certo é que nenhum destes países presta alguma coisa em termos petrolíferos ou de gás natural, mas são vizinhos, paredes-meias e até mais com a pedra angular de toda esta zona do globo: o Estado de Israel. E só assim, da conjugação destes dois factores da maior grandeza estratégica – o petróleo e Israel – eu começo a descortinar alguma coisa neste emaranhado de contradições.
Gertudes da Siva, escritor
Viseu, 22-03-2011