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quinta-feira, 22 de março de 2018

Relembrando de memória…



Negligência da EDP pode ter causado
o maior incêndio de sempre

Tal como em Pedrógão Grande, há fortes suspeitas de que o maior incêndio da história de Portugal, que queimou 45 mil hectares e atingiu nove concelhos a meio de outubro de 2017, começou devido a uma linha elétrica da EDP.
TSF


Relembrando de memória

Todos aqueles que há trinta anos apoiaram convictamente as desnacionalizações das empresas, (incluindo a EDP), que o governo de Vasco Gonçalves tinha nacionalizado, devem agora estar a remoer a sua consciência, da sua parte na culpa colectiva, induzida, na altura, pela acção contra-revolucionária dos partidos do arco do poder (PS, PSD e CDS).  
Nesses tempos, já recuados, esses fanáticos apoiantes das desnacionalizações não deram ouvidos aos apelos do PCP, que considerava mais vantajoso para a vida dos portugueses e para o desenvolvimento do país a gestão estatal das empresas estratégicas.
Actualmente, a EDP é uma empresa majestática, que tem, face ao Estado, privilégios escandalosos, ao nível de impostos e ao nível do seu posicionamento no mercado da electricidade, onde goza de «amplas liberdades», sendo pois necessário eliminar esse estado de favor, que é humilhante para o país.

Alexandre de Castro
2018 03 22

domingo, 5 de novembro de 2017

Pedrogão: O território da desolação e do desconforto!...



Pedrogão: O território da desolação e do desconforto!...

Na voragem destruidora dos incêndios, e para a memória futura dos homens, ficou a solitária placa toponímica, como registo.
Alexandre de Castro
2017 11 05

sábado, 21 de outubro de 2017

A memória de Marcelo e a injustiça do esquecimento...


A memória de Marcelo e a injustiça do esquecimento...

Uma coisa de que Marcelo se esqueceu de dizer, no seu discurso:

"Este governo não poderia ter feito em dois anos, aquilo que os anteriores governos (os do PS e os do PSD e CDS) não fizeram, em quarenta anos".

O que Marcelo omitiu:

"Foi o ministro da Administração Interna do governo de Santana Lopes, David Sanches, que negociou e, depois, com o governo já demissionário, adjudicou ao consórcio de Oliveira e Costa, Ricardo Salgado e Dias Loureiro (olha que trio!) o SIREPS, num negócio ruinoso para o Estado, porque, além de dispendioso, aquele sistema avaria constantemente e não funciona em situações extremas de emergência (!)".

O que Marcelo não denunciou:

"O facto de a dirigente política, que agora apresentou, no Parlamento, uma moção de censura, é a mesma pessoa que, como ministra da Agricultura do governo de Passos Coelho, alargou a área de plantação do eucalipto, que, em percentagem, em relação à área total da floresta do país, é a maior da Europa.
Alexandre de Castro
2017 10 19

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O Pesadelo de Dante

Incêndio em Vieira de Leiria, às 17:00 de 15 de outubro. 
Foto de Hélio Madeira, bombeiro da unidade especial 
dos Canarinhos, em Vieira de Leiria

O pesadelo de Dante

O mar é o destino das lágrimas de todos aqueles que hoje estão a chorar. Pelos seus mortos, que não deveriam ter morrido, e pelos seus sonhos, que foram interrompidos.
E ao mar das chamas sucederá o mar das cinzas, com esqueletos de carvão a povoarem o chão do verde pinho.
Só sei que nada sei... E tudo sinto...

Alexandre de Castro

2017 10 16

terça-feira, 4 de julho de 2017

De Pedrógão Grande à Feira de Carcavelos. As televisões vendem tudo e tudo é contrafeito. _ Carlos Matos Gomes

Vómito televisivo


De Pedrógão Grande à Feira de Carcavelos. As televisões vendem tudo e tudo é contrafeito.

Carlos Matos Gomes

Conclusões do que aconteceu em Pedrógão: Depois das reportagens de Fátima, das reportagens da celebração do campeonato de futebol, as televisões comprovaram que o populismo existe e está tão encarniçado como as labaredas do grande fogo que mataram e devastaram. O populismo é o apelo à excitação e à irracionalidade. Depois do que as televisões, principalmente as televisões que são o grande meio de manipulação de massas, fizeram a propósito de um fenómeno religioso, da excitação de um fenómeno desportivo, as televisões exibiram as suas melhores figuras, desorbitadas, de pregadores das igrejas dos últimos dias no aproveitamento de uma tragédia. As televisões provaram que não faltam atiçadores de populaça para qualquer campanha. As labaredas de Pedrógão mataram pessoas e destruíram bens materiais, mas mataram queimaram a ideia de uma televisão como meio credível de informação e esclarecimento. A televisão, enquanto meio de comunicação, sai queimada de Pedrógão. A televisão portuguesa despiu-se de pruridos e apresentou-se como é: Um Big Brother, uma Casa de Segredos. As vedetas das televisões são clones da Teresa Guilherme.

O populismo é uma evidência quando o mais poderoso meio de manipulação do comportamento de massas utiliza as suas figuras mais conhecidas para fazerem apelo aos sentimentos mais primários e irracionais e estas o assumem com a convicção de pastores da igreja dos santos do últimos dias, da Maná, das testemunha de Jeová.

Os acontecimentos de Pedrógão provaram que o melhor das televisões, principalmente das televisões, são Teresas Guilherme pregando sobre as labaredas de Pedrógão como se fossem as do inferno, despejando discursos sem pudor, ora excitados ora choramingas, sempre vazios. Gente capaz de tudo. Todos os acontecimentos são um espectáculo, de um cadáver ao desespero de alguém que perdeu tudo. O grito dos populistas é sempre: queremos carne, queremos sangue. Em Roma gritariam por um cristão para atirar aos leões, em Lisboa ou em Madrid pediriam judeus para queimar nas fogueiras da inquisição. Em Pedrógão queriam um ministro, um secretário de Estado, um GNR que tenha dado uma indicação errada, um avião que não caiiu! Nos intervalos puxam à lágrima fácil.

Um populista com um microfone e uma câmara perora diante de homens e viaturas que se movimentam e correm, anuncia: há uma completa descoordenação no combate ao fogo. Há duzentos anos, numa obra clássica, «A Guerra», o autor, Clausewitz, escrevia sobre a natureza da batalha: “a reunião perfeita de todas as forças num mesmo momento é contrária à natureza da guerra.” A batalha, o combate, seja contra outros homens, seja contra um fogo,não é um bailado, nem uma tabuleiro onde se movimentam soldadinhos de chumbo em movimentos geométricos. O campo de batalha é caótico, mas ninguém conseguirá que um populista de câmara e microfone entenda isto. Eles estão diante das câmaras para acusar os homens e a natureza. Querem vender mortos e pendurar vivos no pelourinho. Querem demissão de ministros, querem apanhar a contradição entre um secretário e um sub-secretário.

Mas o chocante, é que são estes pastores populistas — e não houve vedeta da televisão que não quisesse aparecer em Pedrógão (faltou o Rodrigues dos Santos de jaqueta) — esta gente sem moral que nos entra casa adentro para nos interpretar o mundo. Um amador de economia surge de guia nativo. Uma assombração em fato de treino fala com mortos, um outro soube de um avião que não caiu… Todos sabem de pinheiros e eucaliptos, de ordenamento do território… Amanhã estarão a explicar-nos as causas do défice, as mudanças do clima no planeta, os interesses que se jogam no Médio Oriente, a estratégia das três grandes potências para a divisão do mundo.

Serão os pastores evangélicos que vimos de microfone a aproveitarem sem vergonha a desgraça alheia e os seus sentimentos de impotência, ou de raiva, ou de desespero que se despiram diante de nós. A reflexão mais elaborada sobre os assuntos que determinam a nossa vida, o máximo de senso, de honestidade, de saber da vida e do mundo que estas figuras patétitas conseguem é a que apresentaram em Fátima, no 13 de maio, na rotunda do Marquês no dito tetra e agora em Pedrógão. É esta gente que nos interpretará o Brexit, a crise dos refugiados, a nova Europa, o programa espacial da China, as vagas migratórias, a guerra da Siria, as opções do novo governo francês, o desemprego estrutural, as opções para o futuro da segurança social, os novos combustíveis, o terrorismo. Serão estes evangelistas dos últimos dias que entrevistarão ministros e cientistas, que analisarão orçamentos e os fenómenos sociais que determinam o nosso presente e o nosso futuro!

Como respondeu uma vendedora na feira de Carcavelos quando um senhor ali caído por acaso lhe perguntou se os polos eram mesmo da Lacoste: Aqui é tudo de marca!

O incêndio de Pedrógão provou que as televisões são uma feira de Carcavelos. Tudo ali é contrafeito e rasca, mas amanhã, os que ali se exibiram como vendedores de Lacostes surgirão graves e sérios como se fossem fabricantes de produtos originais.
**
Um texto escrito por um escritor e capitão de Abril e enviado por outro escritor, também capitão de Abril, o meu amigo e antigo colega de liceu, o Diamantino Silva.
E aproveito a ocasião, da presença, aqui, destes dois militares, cuja honestidade intelectual e integridade moral muito admiro, para dizer o seguinte:
Os capitães de Abril traziam nos olhos a pureza genuína da política, que os políticos de regime depressa conspurcaram.
Alexandre de Castro
2017 07 03

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A culpa já vem de longe…


A culpa já vem de longe…

Em relação a estes trágicos incêndios, que enlutaram o país, pode ter havido, pontualmente, culpados institucionais e singulares, por negligência, desleixo, descuido ou incompetência. Mas a grande culpa tem de ser encontrada a montante. E essa grande culpa é política e tem de ser encontrada em todos os governos anteriores, que menosprezaram a defesa da floresta e que tomaram opções erradas (e algumas a levantarem muitas suspeitas de favorecimento pessoal), em relação à prevenção e ao combate dos incêndios florestais e em relação à elaboração de um plano nacional, integrado e coerente, da gestão da floresta.
Pior do que a anarquia do ordenamento das florestas, só a tragédia endémica dos seus incêndios. E é por aqui que o problema tem de ser equacionado. Caso contrário, tudo se vai repetir, ciclicamente, todos os anos, com mais ou menos tragédias.
Alexandre de Castro
2017 06 22

domingo, 18 de junho de 2017

O fogo do nosso descontentamento e da nossa revolta



O fogo do nosso descontentamento e da nossa revolta…

Ainda estou sob o efeito do espanto sentido e da dor sofrida. Como é possível acontecer uma tragédia desta dimensão, que deixa o país suspenso na dúvida se Portugal não é já a imagem do inferno, quando todos andaram a apregoar que o nosso destino era o céu? E digo isto, porque esta calamidade, além das causas estratégicas erradas, que estão a ser seguidas, em relação à prevenção e ao combate aos incêndios na floresta portuguesa, também entronca na esfera da acção política de todos os governos anteriores, que consideraram desde sempre o interior rural como as portas do quintal das traseiras do país. Perante o desgaste etário da desertificação humana do interior, que se iniciou na década de sessenta, do século passado, e que prosseguiu até à actualidade, devido à falta de oportunidades para os jovens, os sucessivos governos privilegiaram a cidade e ignoraram o campo, valorizaram o litoral e esqueceram-se do interior. E no interior, perante o esgotamento da agricultura do minifúndio, o mato foi crescendo, constituindo-se num barril de pólvora, que incendeia a floresta todos os anos, no pico do Verão, alarmando as populações indefesas. E as chamas tanto podem ser provocadas por um raio, vindo do céu, como por uma ponta de cigarro mal apagada ou por um fósforo, activado por uma mão criminosa.
O actual governo, ao mesmo tempo que deve dar prioridade à prevenção dos incêndios florestais, que praticamente não existe, e não ignorando, todavia, o reforço dos respectivos meios para o seu combate, deve também desenhar e activar o desenvolvimento económico do interior rural do país, promovendo a fixação dos jovens e invertendo assim o ciclo da desertificação humana.
Alexandre de Castro

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2017 06 18

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Uma política preventiva é o meio mais eficaz e menos oneroso de combater a praga dos incêndios florestais


Incêndios. Ministra esperava "maior solidariedade" de parceiros europeus

Portugal acionou mecanismo europeu de proteção civil. Itália respondeu ao pedido de ajuda, Espanha já tinha enviado dois aviões
A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, mostrou-se esta quinta-feira insatisfeita com a resposta dos parceiros europeus ao pedido de ajuda de Portugal civil para fazer face aos muitos incêndios que lavram no país.
"Estava à espera de uma maior solidariedade dos parceiros europeus", afirmou a ministra, sublinhando que Marrocos, apesar de não pertencer à União Europeia, respondeu prontamente ao pedido de auxílio.
Constança Urbano de Sousa disse ainda, em Arouca, que o dispositivo de combate a incêndios tem estado a responder "com enorme determinação" aos vários fogos que assolam o país, salientando que o trabalho tem sido dificultado pela "severidade" das condições meteorológicas.
"O nosso dispositivo de combate a incêndios é robusto, capaz e bem treinado. Ao longo destes anos foi sendo desenvolvido e está adequado para fazer face a grandes fenómenos com alguma severidade", assegurou.

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Uma política preventiva é o meio mais eficaz e menos oneroso de combater a praga dos incêndios florestais

A senhora ministra da Administração Interna ainda não percebeu que a Europa não é um espaço de solidariedade. É um espaço de negócio. Registe-se o altruísmo de Marrocos, da Espanha e da Itália.
A senhora ministra (que não tem culpa nenhuma da actual tragédia incendiária) também ainda não percebeu, e baseando-nos nas declarações por si proferidas, que por mais meios de combate que existam (bombeiros e helicópteros) para utilizar nos incêndios florestais, não é possível deter a fúria do fogo, nem evitar a sua deflagração, na época crítica, se não houver previamente uma verdadeira política de prevenção, que praticamente não existe. 
Ao contrário do que acontece com os incêndios urbanos, os florestais não podem ser extintos com água e ar, e a acção dos helicópteros é muito limitada. A estratégia correcta para evitar a sua ocorrência é "roubar-lhes o alimento", quer provocando, antes da época crítica (Julho e Agosto), incêndios controlados nos matagais entre zonas contíguas de denso arvoredo, quer limpando as matas e, ainda, e isto é importante, estimulando a actividade da pastorícia. Os rebanhos roubam o material combustível, que alimenta as chamas. Por este trabalho prestado à sociedade, os proprietários de rebanhos recebem um subsídio estatal, que o anterior governo reduziu, revertendo uma parte a favor dos bombeiros. Claro que os bombeiros (uns verdadeiros heróis, que não sabem chutar a bola) precisam de mais meios físicos e de mais incentivos, mas que deveriam ser custeados por outras fontes de financiamento, que não a que estava destinada para os pastores. 
Por outro lado, é necessário romper com os lobies de interesses que giram à volta do fogo, e que privilegiam a estratégia do combate às chamas, em vez da estratégia preventiva, ao mesmo tempo que dão a ganhar, a muita gente, dinheiro sujo. Veja-se o caso do serviço das frotas de helicópteros de empresas privadas, serviço esse que a Força Aérea está em condições de prestar com eficácia, a um custo muito menor. 
Pelo que disse, a senhora ministra tem muito que aprender sobre a natureza desta praga, que devora património e alarma as populações rurais, que apenas têm voz na comunicação social, quando as suas casas são consumidas pelas chamas.
Alexandre de Castro
11 AGO 2016