Mostrar mensagens com a etiqueta País Irão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta País Irão. Mostrar todas as mensagens

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Notas do meu rodape: Numa guerra não há vitórias antecipadas, tal como num desafio de futebol

Amabilidade do Diamantino Silva, que enviou este vídeo.
***
As guerras não são pré-anunciadas. Mas a História demonstra que são previamente preparadas. Só que alguns não dão conta. E já não subsistem dúvidas que os Estados Unidos e as potências europeias estão a preparar, desde o final da última década do século passado, uma guerra global, que subjugue aos seus interesses a China e a Rússia, as únicas potências que ainda lhe poderão opor alguma resistência. A guerra do Iraque, a invasão da Líbia e as recentes provocações ao Irão inserem-se nessa estratégia. Percebendo que lhes escapa, a curto prazo, o poderio económico, que está a ser construído pela China, o ocidente procura manter, através de uma guerra, a supremacia militar e o controle total sobre as principais jazidas de petróleo, na Península Arábica.
Mas a História, principalmente a do século XX, também demonstrou que as guerras, concebidas para serem breves e vitoriosas, nunca acabam nos prazos previstos e que o grau de destruição que provocam acaba sempre por se multiplicar numa incontrolável espiral de horrores inarráveis. Antes de deflagar a Primeira Guerra Mundial, os generais franceses e alemães, medindo-se arrogantemente entre si e confrontando as suas respetivas forças militares, julgavam que eliminavam o inimigo numa questão de dois ou três meses. A guerra durou quatro anos, deixando atrás de si milhões de mortos e um rasto de destruição. Hitler, antecipadamente, pensava que a União Soviética não resistiria às suas divisões. Os americanos nunca admitiram nos seus cálculos a humilhante derrota infligida pelos guerrilheiros maltrapilhos do Vietnam do Norte. Tal como num desafio de futebol, numa guerra não há vitórias antecipadas, embora haja favoritos. E nem sempre são as equipas favoritas a ganhar. Além disto, numa guerra não existe árbitro, simplesmente porque não há regras para matar e para destruir.

domingo, 28 de agosto de 2011

EUA e Israel preocupados com arsenal de armas químicas da Síria


Os Estados Unidos e Israel temem que a actual instabilidade na Síria possa facilitar o acesso de grupos terroristas a um perigoso arsenal de agentes químicos e armas não-convencionais produzidas e armazenadas pelo regime do Presidente Bashar al-Assad.
Fontes dos serviços secretos dos dois países estimaram ao The Wall Street Journal que a Síria detém pelo menos cinco unidades de produção de armas químicas, como por exemplo gás mostarda e gás sarin. Também existem suspeitas de que Damasco estará na posse de material nuclear, fornecido pela Coreia do Norte, além de sistemas de artilharia e mísseis.
PÚBLICO
***
Inicio este comentário com uma declaração de intenções. Não morro de amores pelas ditaduras árabes, e, muito menos, pelo regime teocrático dos Ayatollah do Irão, que detesto. Mas este juízo de valor, assim formulado explicitamente, não me impede de condenar veementemente todas as manobras subversivas do mundo ocidental contra as ditaduras árabes que, usufruindo das riquezas proporcionadas pelo petróleo, fogem, contudo, ao seu controlo.
Conquistado e destruído o Iraque, com o argumento pueril da existência de perigosas armas de destruição massiva, seguiu-se a Líbia, invadida pela França, que,  se serviu da cumplicidade da Liga Árabe e da complacência das potências emergentes, para invadir este país com mercenários do Qatar, que, nas televisões alinhadas, se fizeram passar por rebeldes líbios, além de ter coordenado cerca de oito mil acções de bombardeamentos aéreos, que mataram milhares de civis e destruíram estruturas básicas (electricidade, serviços de saúde e património imobiliário). Agora, está dado o pontapé de saída para o ataque à rebelde Síria, também governada por uma ditadura, mas, por mais que pretendam os meios de comunicação social alinhados com o imperialismo, não é comparável, assim como o de Kadafi não foi, à sanguinária ditadura de Pinochet, no Chile, concebida, alinhada e apoiada pelos EUA. 
E é inconcebível como o jornal PÚBLICO dá guarida acriticamente a esta notícia, habilmente montada pelos serviços secretos ocidentais e com a conivência de jornalistas pouco escrupulosos, e que remete para uma incongruência gritante, que passa despercebida à maioria da opinião pública. Como é possível admitir a divulgação de uma notícia, baseada no anonimato de fontes de serviços secretos de dois países ocidentais, sem que não tivesse havido nenhum inquérito para averiguar a fuga de informações, que se presumem serem estratégicas? Dá que pensar!
Estamos, pois, na eminência de mais uma guerra de invasão a um país soberano, a Síria. E, agora, o pretexto será a eventual existência de perigosas armas químicas, que poderão destruir o planeta, e que, se o país for invadido, nunca serão encontradas, tal como aconteceu com as armas secretas de Saddam Hussein.
Já há muito tempo que se percebeu a estratégia dos EUA em relação à defesa dos seus interesses vitais no Médio Oriente. Exercendo um controlo indirecto sobre todos os países do golfo, ricos em reservas de petróleo, é fundamental conquistar o Irão, o segundo país  a deter maiores reservas do ouro negro no seu subsolo. Falhadas as tentativas de derrubar o regime dos Ayatollah, há dois anos, estimulando e apoiando os movimentos dissidentes, e, por outro lado, renunciando ao paradigma, utilizado na invasão do Iraque, de pretender disseminar o modelo democrático ocidental na região, os EUA mudaram de táctica, mantendo contudo a estratégia, que já vem dos tempos de Clinton, e que é muito parecida com aquela que é utilizada para fabricar um imaginário inimigo externo.
Prepare-se pois o leitor. Nos próximos tempos, irá ser bombardeado, não pelas bombas da NATO, mas por uma artilharia informativa, que tentará persuadi-lo que, por baixo da cada pedra da calçada daquela célebre estrada de Damasco, percorrida a pé, há mais de dois mil anos, pelo apóstolo S. Paulo, jazem, escondidas, milhares de toneladas de bombas químicas, capazes de destruir a Humanidade inteira. 

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Confissão televisiva de iraniana condenada à morte - ONG dizem que declaração foi lida após tortura e temem uma execução


Uma iraniana cuja condenação à morte por lapidação
causou indignação mundial confessou ontem à
noite numa entrevista televisiva (o seu rosto estava
coberto por um chador que apenas deixava entrever
o nariz e um olho) ter sido cúmplice da morte do marido.
O seu advogado e ONG receiam que a confissão tenha
sido feita sob tortura e que poderá indicar que o regime
se prepara para executar a pena.
Numa emissão destinada a denunciar a “propaganda
dos media ocidentais” na televisão do Estado,
apareceram imagens de Sakineh Mohammadi Ashtiani,
que tinha sido condenada em 2006 por adultério e recebido
um castigo em chibatadas. Mas mais tarde a acusação foi
alterada para assassínio e Ashtiani foi então condenada à
morte por lapidação.
PÚBLICO
***
Não pode haver condescendência alguma para quem comete os crimes mais hediondos em nome da fé. As três religiões abraâmicas espalharam a demência, enxovalharam a verdade, construindo mentiras monstruosas sobre os seus deuses omnipotentes e omnipresentes, semearam a guerra e a violência, em nome da superioridade da sua fé, e aprisionaram os povos na cegueira das suas espúrias crenças. Não se pode pactuar, através do cúmplice silêncio, com aqueles que utilizam a violência mais bárbara em nome de hipotéticas vontades divinas e não hesitam em condenar à morte todos aqueles que infringem, pela sua conduta ou pelo simples exercício do livre pensamento, os códigos obsoletos em que apoiam o seu poder.

domingo, 5 de julho de 2009

Irão: A armadilha dos ayatollahs

A armadilha dos ayatollahs

O regime dos ayatollahs, do Irão, ao escolher cirurgicamente a Grã-Bretanha como alvo preferencial da sua provocação, prendendo nove funcionários da sua embaixada em Teerão e ameaçando julgar dois deles, colocou em marcha a sua estratégia para legitimar internacionalmente a reeleição de Almadinejad e de afastar as atenções dos media da forte contestação interna a que está sujeito. Ao poupar os Estados Unidos, cujos ataques ficaram a cargo das segundas figuras do regime, os ayatollahs não fecham definitivamente as portas ao reinício das negociações sobre o dossier do nuclear, desejado e proposto por Washington. A prisão dos nove funcionários britânicos também explorou as fragilidades da União Europeia, onde, devido à ausência de uma política externa comum, é difícil encontrar unanimidade em relação às sanções diplomáticas propostas por Londres, e que consistiriam na retirada de Teerão dos embaixadores do 27 países europeus, para assim provocar o isolamento internacional do regime teocrático dos ayatollahs.
Os aytollahs sabem que, se a unanimidade europeia não for alcançada, o que é o mais provável, e se os Estados Unidos não se associarem convictamente às propostas dos britânicos ou, o que será mais dramático, se Obama transmitir algum sinal de que pretende reatar o diálogo com Teerão sobre o nuclear, o seu regime irá ganhar a batalha iniciada com as grandes manifestações de protesto dos iranianos contra as fraudes eleitorais que reelegeram o candidato preferido pelo Supremo Líder, o ayatollah Ali Khamenei.
Por enquanto, a guerra ainda é apenas diplomática. Se os acontecimentos se precipitarem e o Ocidente pressentir o perigo de vir a ser pressionado pela ameaça de um boicote do fornecimento do petróleo iraniano, a guerra será um cenário provável.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1390268&idCanal=11

domingo, 21 de junho de 2009

Irão: Ou vão a bem ou vão a mal! Eis a questão para a América.




No Irão, não está apenas a discutir-se, na violência das ruas ou nas conspirações dos gabinetes, quem vai ganhar este braço de ferro pós-eleitoral. Se serão os ultras do guia espiritual, ayatollah Ali Khmenei, e do presidente Amaadinejad, aos quais se junta o terrível Savati, chefe dos fanatizados Guardas da Revolução, ou se serão os pragmáticos de Rafsanjani, ou do reformista Katami. Discute-se também a aprovação ou a rejeição da próxima guerra, que os Estados Unidos têm na agenda, há muito tempo, se o Irão vier a constituir-se, através da construção de armas nucleares, numa ameaça ao seu incontestável domínio no Médio Oriente.

Dominado o Iraque de Sadam Hussein, com custos elevadíssimos em vidas humanas e bem materiais, falta apenas torcer o pescoço ao país dos ayatollahs, já que a Síria, depois, cairá por si.

É bem visível a oposição dos iranianos aos ayatollahs, oposição que se apoia no descontentamento das classes médias das cidades, e que não enjeitam a possibilidade de um regime ocidentalizado, como alternativa ao radical fundamentalismo do regime teocrático, fundado, em 1979, pelo ayatollaha Khomeini, que consolidou o seu poder, não através de um messianismo redentor, mas mobilizando o povo contra um inimigo externo, o Grande Satã.

E os serviço secretos ocidentais aproveitaram bem esse crescente descontentamento, apoiando todos os movimentos de contestação. Em Abril de 2007, Ray Takyle, do Forcing Affairs, afirmava que os Estados Unidos deviam normalizar as relações com o Irão, apoiando-se nos pragmáticos de Rafsanjani e marginalizando os ultras, os detentores do poder. É o que está a acontecer. Nunca se viu um presidente americano a desdobrar-se em tantas declarações sobre o processo eleitoral de um país estrangeiro, como está a fazer o presidente Obama em relação ao Irão. E a mensagem, uma vez descodificada, é muito simples: ou vão a bem ou, então, irão a mal.