sábado, 21 de outubro de 2017

A memória de Marcelo e a injustiça do esquecimento...


A memória de Marcelo e a injustiça do esquecimento...

Uma coisa de que Marcelo se esqueceu de dizer, no seu discurso:

"Este governo não poderia ter feito em dois anos, aquilo que os anteriores governos (os do PS e os do PSD e CDS) não fizeram, em quarenta anos".

O que Marcelo omitiu:

"Foi o ministro da Administração Interna do governo de Santana Lopes, David Sanches, que negociou e, depois, com o governo já demissionário, adjudicou ao consórcio de Oliveira e Costa, Ricardo Salgado e Dias Loureiro (olha que trio!) o SIREPS, num negócio ruinoso para o Estado, porque, além de dispendioso, avaria constantemente e não funciona em situações extremas de emergência (!)".

O que Marcelo não denunciou:

"O facto de a dirigente política, que agora apresentou, no Parlamento, uma moção de censura, é a mesma pessoa que, como ministra da Agricultura do governo de Passos Coelho, alargou a área de plantação do eucalipto, que, em percentagem, em relação à área total da floresta do país, é a maior da Europa.
Alexandre de Castro
2017 10 19

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O Pesadelo de Dante

Incêndio em Vieira de Leiria, às 17:00 de 15 de outubro. 
Foto de Hélio Madeira, bombeiro da unidade especial 
dos Canarinhos, em Vieira de Leiria

O pesadelo de Dante

O mar é o destino das lágrimas de todos aqueles que hoje estão a chorar. Pelos seus mortos, que não deveriam ter morrido, e pelos seus sonhos, que foram interrompidos.
E ao mar das chamas sucederá o mar das cinzas, com esqueletos de carvão a povoarem o chão do verde pinho.
Só sei que nada sei... E tudo sinto...

Alexandre de Castro

2017 10 16

domingo, 15 de outubro de 2017

Madona fez campanha pela CDU

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Agradeço à Leila Gomes a montagem da legenda nesta fotografia, que circulou pelas redes sociais, sem a identificação da respectiva  autoria
«««*»»»
Para curar a azia, recorro ao humor...
Como disse Jerónimo de Sousa, as autarquias que, à esquerda, mudaram de mãos, ainda irão ter saudades da CDU.
Alexandre de Castro 

sábado, 14 de outubro de 2017

A inquietação da luz _ Fotografia de Milú Cardoso

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Título da responsabilidade do editor

A inquietação da luz, com o incêndio do céu a projectar-se nas águas. Uma imagem onírica, a tocar o sublime.
Alexandre de Castro
2017 10 14

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A Catalunha será independente…

Cortes catalãs sec. XV

A Catalunha será independente…

Inés Arrimadas, a líder parlamentar do Ciudadanos, partido que se perfila contra a independência da Catalunha, no seu discurso no Parlamento, no dia em que estava programado que Carles Puigdemont proferisse a declaração unilateral da independência da Catalunha, ridicularizou os independentistas, e, para acentuar o verrume, até foi buscar uma frase de um artigo de 2008, de um outro independentista, o vice-presidente Oriol Junqueras (da Esquerda Republicana), que dizia: “os catalães têm mais proximidade genética com os franceses do que com os espanhóis; mais com os italianos do que com os portugueses e um pouco com os suíços”.

Eu não sei se essa identidade genética dos catalães com os franceses e os italianos é real. Talvez seja, já que até 1714, ano em que a anexação da Catalunha pelo reino espanhol se consumou, através de uma intervenção militar, a Catalunha mantinha um intercâmbio comercial intenso com a Itália e o sul de França.

Por outro lado, o Condado de Barcelona chegou a integrar a Sardenha, Sicília, Minorca (nas Ilhas Baleares) e o reino de Nápoles. Daí que tivesse havido uma miscigenação populacional. Mas mesmo que esse argumento possa ser rejeitado, devido à ausência de uma objectiva demonstração científica, será válido recuperar o argumento da identidade cultural e nacionalista dos catalães. A requintada cultura renascentista entrou na Península Ibérica pela Catalunha e não por Bayona, no outro extremo dos Pirenéus, e foi na Catalunha, principalmente em Barcelona, que essa cultura avançada se entranhou, deixando marcas civilizacionais importantes. Nos séculos XIV e na primeira metade do século XV, a Catalunha era a fronteira ocidental da cultura renascentista, e que separava a civilização erudita italianizante da “barbárie" ibérica, ainda a cheirar a mouros e a visigodos. E o refinamento cultural da Catalunha constituiu-se sempre no fermento da forte pulsão independentista, que os néscios de hoje querem ignorar.

Por outro lado, a Catalunha tomou a dianteira no processo da industrialização, a partir da segunda década do século XIX, o que lhe garantiu a supremacia económica, na Península Ibérica, supremacia esta que persiste, nos dias de hoje. É a Catalunha que trabalha para Espanha e não o contrário.

Perante esta supremacia cultural e económica, no futuro, vai ser difícil ao governo de Madrid manter as coisas, tal como estão, pois,   uma coisa é certa: os catalães de gema nunca se reviram na cultura ibérica e, principalmente, na cultura de Castela. No seu passado, Castela privilegiou mais o culto de guerra e das armas e a usura da terra pela nobreza, do que o culto das Artes, das Letras, das Ciências e das Indústrias. O conflito, já secular, entre as duas entidades culturais e económicas esteve sempre latente, como está ainda hoje.

Como “água mole em pedra dura tanto dá até que fura”, a independência da Catalunha acabará por acontecer, mais tarde ou mais cedo. Neste momento, ela apenas foi adiada.

Quem é que, no Portugal salazarento, no dia 24 de Abril de 1974, adivinhava a manhã redentora do dia seguinte. A História dos povos é feita de saltos bruscos no Tempo e esses saltos vêm sempre, na maior parte das vezes, de surpresa.
 Alexandre de Castro
2017 10 13

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Momento histórico em Portugal: Pela primeira vez um primeiro-ministro é incriminado

Velhas glórias do socialismo democrático

Momento histórico em Portugal: Pela primeira vez um primeiro-ministro é incriminado

É um momento histórico, em Portugal. Pela primeira vez, um primeiro-ministro é incriminado por crimes cometidos durante o exercício das suas funções. A acompanhá-lo, está o Dono Disto Tudo, Ricardo Salgado, que, com o seu BES, provocou o maior terramoto financeiro, em Portugal. E nesta caminhada pela Justiça, que vai ser penosa, segue uma segunda linha de arguidos, em que aparece um alto dirigente da PT, que, em tempos, até foi condecorado pelo soba de Boliqueime. Depois, vêm os amigos de Sócrates, figuras medíocres, que apenas, julga-se, tinham a nata vocação para as golpadas.

Segundo o Ministério Público, que nesta investigação também fez história, todos eles cometeram crimes para ludibriar o Estado e fazer favores a troco de dinheiro. Como ainda não se pode fazer condenações na praça pública, pode-se, no entanto, louvar o trabalho do Procurador da República, Rosário Teixeira, que conduziu exemplarmente a investigação do Ministério Público. Obstinado, minucioso na avaliação da força das provas que foi carreando para o processo, corajoso a enfrentar os lobies, ele desmontou o bem escondido circuito do dinheiro sujo, desde a sua origem, a corrupção, até ao seu destino final, a sua lavagem e a sua entrega aos corrompidos.

Até ao julgamento, vamos assistir ao circo mediático que Sócrates irá montar, para reclamar a sua inocência. Tem todo o direito em o fazer. Mas eu, mesmo assumindo o risco de me enganar, também tenho todo o direito de dele duvidar.

Só lamento que a investigação não tivesse chegado a morder os calcanhares de Mário Soares, que solícito e solidário, foi visitar Sócrates à prisão de Évora, e Ricardo Salgado, na casa apalaçada do próprio, onde se encontrava em prisão preventiva domiciliária. Não querendo bater em mortos, que já não podem defender-se, mas eu pergunto-me de onde veio a fabulosa fortuna, que Mário Soares deixou aos filhos? É apenas uma pergunta. Talvez Rosário Teixeira saiba responder.

Alexandre de Castro
2017 10 11

domingo, 8 de outubro de 2017

Segredos de Estado...

                                                                                                                           

La leyenda del beso - Intermezzo; R. Soutullo-J. Vert




A legenda do beijo

Ai, amor de homem
Que estás a fazer-me chorar mais uma vez
Sombra lunar, que me gela a pele ao passar
Que se atrapalha nos meus dedos
Me queima na sua brisa
Me enche de medo

Ai, amor de homem
Que estás a chegar e já te vais embora, mais uma vez
Jogo de azar, que me obriga a perder ou a ganhar
Que se mete no meu sonho
Gigante pequeno
De beijos estranhos

Amor, amor de homem
Punhal que corta meu punhal, amor mortal
Te amo
Não pergunte por que nem por que não
Não estou a falar.
Te amo
Porque quer amar-te o coração
Não encontro outra razão.
Canto de pardal
Que passeia pela minha mente
Desiste.
Se você está querendo tanto

Ai, amor de homem
Que estás a fazer-me rir mais uma vez
Nuvem de gás, que me empurra a subir mais e mais
Que me afasta do chão
Me crava no céu
Com uma palavra

Amor, amor de homem
Açúcar branco, preto sal, amor vital
Te amo
Não pergunte por que nem por que não
Não estou a falar.
Te amo
Porque quer amar-te o coração
Não encontro outra razão.
Canto de pardal
Que passeia pela minha mente
Desiste.
Se estás a amá-lo tanto. Juventude

A legenda do beijo é uma zarzuela em dois atos, dividida em três quadros. Com guião de Henrique reoyo, José Silva aramburu e Antonio paso, e música dos mestres reveriano soutullo e Juan vert.
Amabilidade de Itsmania Platero
2017 10 08

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

“1000 mujeres para el Premio Nobel de la Paz”, reúne-se na capital das Honduras


“1000 mujeres para el Premio Nobel de la Paz”, reúne-se na capital das Honduras

Nos países ocidentais, e, particularmente, no meu país, Portugal, pouco se sabe dos dramas vividos pelos povos da América Central, assim como se desconhece a luta pela defesa dos Direitos Humanos e da Paz Mundial, que milhares de homens e mulheres abnegadamente desenvolvem, nessa ignorada zona do globo, através de centenas de organizações políticas, cívicas, sociais e culturais, em que as mulheres assumem uma militância destacada.

Esta iniciativa, “1000 mujeres para el Premio Nobel de la Paz” (ver aqui), que este ano tem lugar na capital das Honduras, além da importância intrínseca do seu objectivo temático, poderá transformar-se num catalisador e mobilizador de vontades adormecidas, assim como um meio de projectar no espaço mediático global a acção e a luta das organizações feministas hondurenhas. Por outro lado, também poderá ser o embrião do nascimento de uma entidade federadora, a nível nacional, que, pelo efeito de escala, amplie a visibilidade pública e mediática da luta das mulheres.
Regozijo-me por ver na lista da organização deste importante evento, a minha querida amiga hondurenha, Itsmania Platero, a quem desejo sucesso no exercício da sua abnegada militância.
Alexandre de Castro
2017 10 05

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O contorcionismo da diplomacia


O contorcionismo da diplomacia

Fernando D´ Oliveira Neves, como ex-diplomata que é, entregou-se a uma divagação discursiva contorcionista (ver aqui), tentando contrariar o que é óbvio, nas relações diplomáticas entre Portugal e Angola, que por vezes andam aos baldões, por culpa dos dirigentes políticos angolanos, que ainda não se libertaram do "complexo do colonizado", o que os leva a assumir comportamentos ridículos de um novo-riquismo saloio e ostensivo. Não perdem uma oportunidade de alardear e exibir uma suposta superioridade, em relação ao antigo colonizador, e quase sempre assumida em tom de ameaça velada, o que até incomoda todos aqueles portugueses (onde me incluo) que sempre denunciaram o colonialismo e saudaram a independência das colónias.
Como são donos do petróleo, julgam-se donos de tudo.
E estas minhas azedas palavras não envolvem o povo angolano, que eu admiro e respeito, e com o qual me solidarizo na denúncia da grande corrupção que grassa em Luanda, fruto do conúbio entre a política e os sórdidos negócios, de onde nasceram "imperiais" fortunas, que são colocadas no estrangeiro.
Alexandre de Castro
2017 10 03

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Morreu Aurélio Santos


Morreu Aurélio Santos

Aurélio Santos foi um exemplo perfeito do intelectual comunista. Dele, guardo a memória do homem discreto e do militante empenhado. Foi o grande obreiro da Rádio Portugal Livre, uma das poucas fontes de informação nacionais fidedignas, antes do 25 de Abril, e que nós ouvíamos, fechados em casa, em tom baixo, e com o ouvido colado ao aparelho, não fosse um esbirro estar a espiar-nos, na rua.

Já são poucos os militantes vivos dessa segunda geração de comunistas, que atravessaram as décadas de cinquenta e sessenta, do século passado, na mais dura clandestinidade. Ao seu trabalho político se deve a infiltração do Partido Comunista no meios universitários, onde agitou o mundo estudantil, através de greves às aulas e das manifestações no espaço das universidades.
A minha homenagem...

Alexandre de Castro
2017 10 02

domingo, 1 de outubro de 2017

O SIM, na Catalunha, já ganhou…


O SIM, na Catalunha, já ganhou…

O SIM do referendo já ganhou, mesmo sem contar os votos (o que é impossível, devido à intervenção selvagem dos gorilas policiais, enviados por Madrid). E ganhou, porque até os aborígenes tasmanianos, no outro extremo do mundo, já sabem que na Europa existe um povo, o catalão, que quer sacudir a canga de trezentos anos de ocupação, historicamente ilegítima. O mundo já sabe, e não vai faltar aos catalães a solidariedade dos povos.

Quem residiu em Barcelona, tal como eu, embora por um curto período de tempo, e ainda nos tempos duros do franquismo, sabe que a alma catalã não morreu, e que o sonho de recuperar a sua soberania, usurpada pela guerra, continua a ter a sua matriz original.

Tal como o martirizado povo palestiniano tem o direito inalienável ao seu território, que lhe foi usurpado, pela manha e pela guerra, pela seita do sionismo internacional, também a Catalunha anseia e luta pela reconquista da sua plena soberania, que o actual governo de Madrid, chefiado por um pós-franquista, e que agora está a revelar-se um pós-fascista, lhe quer negar.

Os legalistas de todos os matizes, esquecendo a História da Catalunha e a cultura da nação catalã, refugiam-se no falacioso argumento de que o referendo é ilegal. E é, na realidade, ilegal. Mas nenhuma revolução foi e é legal. Todas elas são desencadeadas, infringindo a lei do sistema instituído, que se pretende derrubar. E a Catalunha está a viver um período pré-revolucionário, que tem de desafiar a lei do dominador. Os capitães de Abril não pediram licença a Marcelo Caetano nem efectuaram um referendo para desencadear o golpe mortal contra um regime decrépito e odiado pelo povo.

Por outro lado, esses legalistas de ocasião, os indígenas e os de fora, nunca exigiram que se consultasse o povo palestiniano sobre a constituição do Estado sionista de Israel, no seu território.

Também a maioria dos países ocidentais se agarram à legalidade, quando isso convém aos seus interesses. Caso contrário, mandam-a  às urtigas, como aconteceu recentemente com a Ucrânia, em que a UE (leia-se Alemanha) se empenhou a fundo na queda de um governo eleito. No entanto, na recente reunião dos líderes europeus, de há dias, o tema da Catalunha, estrategicamente (pelo que se sabe) não foi abordado, como se não fosse importante para a UE, a braços com a emergência de muitas forças centrífugas no seu seio.

Alexandre de Castro
2017 10 01

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Epitáfio para Hugh Hefner _ o pai da "Playboy"



Epitáfio para Hugh Hefner _ o pai da "Playboy"

Hugh Hefner, com a sua revista "Playboy", teve uma importância fundamental na mudança das mentalidades e dos costumes, principalmente nos países anglo-saxónicos, onde um serôdio e castrador puritanismo religioso - o do protestantismo e também o do catolocismo - ,sufocava todas as manifestações da sexualidade, que ultrapassassem a barreira da sua função reprodutora, principalmente ao nível da mulher, a quem não era permitido exibir publicamente o seu corpo, se transportasse um qualquer sinal de erotismo.

Neste sentido, Hefner foi um revolucionário dos costumes e um digno continuador, talvez sem ter a consciência disso, do hedonismo de Aristipo de Cirene e do epicurismo de Epicuro, da antiga Grécia, e, mais recentemente, dos filósofos ingleses utilitaristas, do sec. XVIII, Jeremy Bentham e Stuart Mill.

Hugh Hefner encarou o lançamento da "Playboy", apenas numa perspectiva de negócio, explorando a janela de oportunidade do erotismo e da sexualidade, e não por ter a ambição e a pretensão de vir a ser considerado um "reformador". Mas o resultado prático foi, sem dúvida, este: o desencadeamento de uma profunda revolução social, ao nível das mentalidades, dos comportamentos e dos costumes, em relação à sexualidade e ao erotismo, a que se juntaram, posteriormente e multilateralmente, outras manifestações de modernidade da sociedade.

Por outro lado, soube resistir ao deslizamento para o apelativo e imediatamente lucrativo mundo da pornografia, que, se tivesse ocorrido, teria sido fatal, a longo prazo, para o sucesso e longevidade da revista, que foi um dos maiores êxitos editoriais das publicações periódicas.

Assim, julgo que Hugh Hefner não poderá ser ignorado pela História nem pelos historiadores, pese embora a ausência de uma qualquer contextualização erudita da "Playboy". Mas a História não é feita pelos historiadores, mas pelos homens e pelas mulheres, que, individualmente ou colectivamente, dão substância à realidade, colocando-a em perpétuo movimento.

Alexandre de Castro
2017 09 28


terça-feira, 26 de setembro de 2017

GREVE DOS MÉDICOS _ Pela defesa do Serviço Nacional de Saúde _ COMUNICADO CONJUNTO DOS DOIS SINDICATOS

Resultado de imagem para Logotipo SIM FNAM


GREVE DOS MÉDICOS
Pela defesa do Serviço Nacional de Saúde

Há mais de um ano e meio que os sindicatos médicos têm desenvolvido empenhados esforços para negociar com o Ministério da Saúde e com o Governo.

Nesta negociação, os sindicatos médicos colocaram, entre diversas outras, três matérias elementares que constituem uma mera reposição de enquadramentos laborais anteriores à presença da Troika no nosso país e que mesmo assim têm sido peremptoriamente negados pela delegação governamental:

Num vasto leque de reivindicações que, repetimos, têm como denominador comum a qualidade do Serviço Nacional de Saúde através da valorização da Carreira Médica, os sindicatos médicos aceitaram calendarizar a sua discussão e negociação entre o passado mês de Março e o final deste mês de Setembro.

Em Maio passado os sindicatos médicos foram confrontados com uma ruptura negocial por parte da delegação governamental em torno das seguintes matérias:

1º Redução do limite anual de trabalho suplementar obrigatório de 200 para 150 horas;

2º Redução do período normal de trabalho em serviço de urgência de 18 para 12 horas semanais;

3º Redução das Listas de utentes dos Médicos de Família de 1900 para 1550 utentes;

A 10 e 11 de Maio, os médicos foram obrigados a realizar uma greve nacional.

A delegação governamental, nos últimos meses com maior envolvimento numérico e político do Ministério das Finanças, continua sem apresentar uma contraproposta fundamentada sobre as referidas 3 matérias que se encontram inseridas no clausulado da contratação colectiva, na sequência da respectiva proposta apresentada pelos sindicatos médicos a 26/4/2017.

Na última reunião realizada na passada 6ªF (22/9/2017), a delegação governamental aceitou somente reduzir o limite anual do trabalho suplementar obrigatório para os valores que todos os outros sectores profissionais sempre praticaram e que os médicos são a excepção.

Sobre as outras matérias, a situação negocial continuou bloqueada devido à intransigência governamental, mesmo perante a disponibilidade dos sindicatos médicos em aceitarem o faseamento das soluções até ao final da legislatura.

A delegação governamental comprometeu-se a enviar novo documento negocial até ao dia 27/9/2017.

Não é possível aceitar os mesmos procedimentos políticos que têm perdurado desde há cerca de um ano e meio, ou seja, de adiamento em adiamento até ao confronto final.

Nesse sentido, as duas organizações sindicais médicas decidiram logo no final da reunião passada anunciar a realização de greves regionais em semanas sucessivas, a culminar num dia de greve nacional com concentração junto às instalações do Ministério da Saúde.

Se em Maio fizemos greve por estas razões, a ausência da sua resolução após cerca de 5 meses de reuniões com o Governo obriga-nos, naturalmente, a ter de recorrer a esta forma de luta extrema.

Assim, a 11/10 será greve na zona norte, a 18/10 na zona centro, a 25/10 na zona sul e regiões autónomas e a 8/11 uma greve nacional.

Mais uma vez o Poder político está a empurrar os médicos para uma greve, pretendendo aproveitá-la politicamente para se vitimizar aos olhos dos cidadãos.

Já depois da realização da reunião da passada 6ªfeira, o Ministro da Saúde veio introduzir novos e graves factores de agudização conflitual bem demonstrativos de que tem uma agenda claramente virada para a desarticulação do SNS e subsequentemente da destruição da Carreira Médica, ao proferir declarações públicas sobre pagamentos a exigir aos médicos quando decidirem sair de um serviço público, bem como a de encaminhar doentes para os serviços privados nos casos em que não disponham de consultas dentro de certos prazos nos serviços públicos.

Ao mesmo tempo que asfixia financeira e politicamente os serviços públicos de saúde, retirando-lhes capacidade de resposta adequada, vem agora mostrar que um dos seus grandes objectivos é forjar argumentos  justificativos para aumentar o volume de negócios dos privados, sempre à custa dos dinheiros públicos.

Como sempre, saberemos salvaguardar todos os aspectos legais do exercício constitucional do direito à greve e assegurar os serviços mínimos.

Os cidadãos são os nossos principais aliados numa luta em que as justas reivindicações dos médicos se misturam com a inadiável exigência de defesa do SNS e do direito constitucional à Saúde.

Lisboa, 25/9/2017

A Comissão Executiva da FNAM 
O Secretariado Nacional do SIM

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

SINDICATO DOS MÉDICOS DA ZONA SUL _ COMUNICADO


SINDICATO DOS MÉDICOS DA ZONA SUL


A situação da Ortopedia do Centro Hospitalar Lisboa Central é preocupante e exige uma urgente intervenção!!!


Por razões de segurança para os cidadãos e de qualidade na prestação dos cuidados médicos na especialidade de ortopedia, a Ordem dos Médicos, entidade pública a quem estão atribuídas competências legais nestas matérias, tomou a deliberação em 8/7/2016 de definir os requisitos elementares quanto à constituição das equipas de urgência desta especialidade médica.
Nesse sentido, deliberou que as equipas deveriam ter escalados em cada 24 horas 4 médicos ortopedistas.
Ora, o que está a acontecer, desde há vários meses, nesta unidade hospitalar que dispõe da sua urgência no Hospital de S. José, é que são escalados 2 ou 3 médicos para o mesmo período de 24 horas.
Na maioria das vezes a situação existente é as referidas escalas serem constituídas por um especialista e por um médico em fase de formação dos primeiros anos do internato médico.
Têm sido feitas diversas diligências junto da administração deste centro hospitalar, algumas por escrito, e nunca foi sequer obtida qualquer resposta.
A situação é de tal modo grave, que se der entrada um doente politraumatizado que necessite de uma intervenção cirúrgica o atendimento na urgência por parte desta especialidade tem de ser imediatamente suspenso.
Há cerca de 4 anos foi tomada a decisão de encerrar um serviço de ortopedia, conhecido por S. Lázaro, que dispunha de mais de 70 camas e que tinha um volume de intervenções cirúrgicas superior a 2000 mensais.
Havendo uma manifesta incapacidade de resposta deste hospital, o expediente que tem sido adoptado é a transferência de múltiplos doentes para o Hospital Curry Cabral.
Estamos perante uma situação de claro risco no tratamento dos doentes do foro ortopédico/traumatológico que impõe medidas imediatas de resolução.
Estamos perante um claro desrespeito pelas medidas elementares de segurança definidas pela Ordem dos Médicos que exigem uma inequívoca responsabilização.
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (FNAM) alerta para esta grave situação e irá solicitar respostas imediatas ao Ministério da Saúde, transmitindo desde já o seu empenhamento para acções concretas que imponham o cumprimento da legalidade no funcionamento desta especialidade médica no contexto do serviço de urgência no Hospital de S. José.

Lisboa,20.09.2017             

A Direção do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (FNAM)                                             

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Recordando a Manifestação de 15 de Setembro de 2012, frente à Assembleia da República


Esta manifestação ocorreu apenas há cinco anos. Parece que já foi há muito tempo. Mas não foi. Parece também que os motivos que a mobilizaram já foram ultrapassados. Mas não foram. O que aconteceu é que o sistema, entretanto, teve tempo de branquear a situação com uns pozinhos de fantasia e de demagogia. Mas as fantasias não pagam dívidas. Continuam por resolver os problemas estruturais da economia, sendo o principal a moeda única, uma moeda desajustada, em relação à produtividade, e que está a prejudicar o desenvolvimento económico do país. Mais tarde ou mais cedo esse problema vai estoirar-nos nas mãos, o que vai obrigar a um novo tipo de austeridade. E, a partir do próximo ano, será Bruxelas a partir e a dividir o queijo, pois a comissão europeia já ganhou o poder de rectificar e aprovar o Orçamento de cada país membro do euro.
E será fácil de adivinhar que novas e duras exigências irão ser impostas a Portugal, o que irá desencadear um grande descontentamento popular e a ocorrência de novas manifestações. Por isso, não podemos deitar para o caixote do lixo as bandeiras. Vão ser precisas.  

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Curiosidades sobre o Aqueduto das Aguas Livres (*)


Curiosidades sobre o Aqueduto das Aguas Livres

Geometria Divina, símbolos misteriosos, lendas, homicídios em série. Obras de engenharia notáveis e conflitos memoráveis entre os maiores arquitetos do século XVIII. O Aqueduto das Águas Livres - em todos os seus 58 quilómetros de troços,
de Belas às Amoreiras - é um monumento "ao melhor e ao pior" dos homens.

O troço mais conhecido, sobre o vale de Alcântara, tem o maior arco em ogiva de pedra do mundo!
Caminhamos sobre o vale de Alcântara, num dia de calor tórrido, mas a sombra do gigante de pedra protege-nos. A marcha é lenta porque, a cada passo, a nossa "guia" tem uma história para contar. O Bairro da Serafina homenageia "uma estalajadeira, com talento para a cozinha", que alimentou sucessivas gerações de mestres e operários da obra do aqueduto. A ogiva central "é a maior do mundo - estamos no Guiness Book por causa disso - mas conta a lenda que é fechada unicamente por três pedras, que só um som pode apartar".

Margarida Ruas não sabe que som é esse. Provavelmente será das poucas questões sobre o Aqueduto das Águas Livres para as quais não tem resposta. E se a tivesse guardaria o segredo até ao fim dos seus dias. Especialista em comunicação política, criadora do extinto Contra Informação, da RTP, foi durante muitos anos diretora do Museu da Água, da EPAL. E deve-se a ela o facto de os lisboetas poderem voltar a percorrer aquele caminho público, outrora maldito, devido à memória de um assassino cruel…

Em 1996, quando a empresa a nomeou diretora de comunicação, com o pelouro do museu, o único espaço visitável em todo o complexo das Águas Livres era a Estação Elevatória dos Barbadinhos. Numa semana, abriu ao público um novo museu polinuclear, integrando a passagem de Alcântara, a Mãe de Água das Amoreiras e o Reservatório da Patriarcal, no Príncipe Real.

Já não tem responsabilidades diretas no museu. Mas continua a defender o monumento pelo qual um dia se apaixonou "perdidamente". Em 2004, os Guardiães do Aqueduto, um grupo que lidera, conseguiram travar um projeto que previa a demolição de um troço de dois quilómetros, perto de Belas, para dar lugar a um acesso à CRIL e a um shopping. Hoje, é a porta-voz de um movimento internacional que quer fazer daquele monumento - em todos os seus 58 quilómetros de canais - Património da Humanidade reconhecido pela UNESCO. "É obrigação nossa, dos portugueses, deixá-lo para a humanidade, tal como foi deixado por todos aqueles fantásticos mestres e pedreiros, e por todas as vidas que se perderam na construção."

A nascente de Belas, onde tem início o percurso de
58 km de canais do aqueduto, numa imagem
do arquiteto e músico Emanuel Pimenta

O sonho de fazer chegar as "águas livres"a Lisboa - cidade banhada por um rio cuja água é salobra desde Santarém - começou no último quarto do século XVII, ditando a criação do real da água - uma espécie de imposto sobre o valor acrescentado aplicado a produtos como o vinho, a carne e o azeite - para financiar o projeto. Mas só em 1731, com o alvará régio de D. João V, foram criadas as condições.

O projeto foi entregue a um trio de notáveis: o italiano Antonio Canevarique, por essa altura, concluia a construção da Torre da Universidade de Coimbra; o coronel Manuel da Maia que, anos mais tarde, seria decisivo na reconstrução da Baixa lisboeta após o terramoto de 1755; e o alemãoJohann Friedrich Ludwig, ligado a obras como o Convento de Mafra.

Canevari era o mestre entre os mestres. Mas perdeu o estatuto ao fim de um ano. A sua conceção de uma estrutura hidráulica acionada por sifões para bombear a água até Lisboa era demasiado mundana para as aspirações do rei, que governou num dos períodos mais ricos da história de Portugal, graças ao ouro do Brasil. D. João V queria uma obra que perdurasse. E em retrospetiva tinha razão porque, do muito que mandou construir, o aqueduto foi das poucas edificações a escapar ao sismo de 1755.
O mestre português convenceu o rei com o mais monumental sistema de desnível, que viria a vingar, mas revelou-se ineficaz na execução: "Manuel da Maia tinha o problema de querer abrir demasiadas frentes de obra ao mesmo tempo, não conseguindo dar andamento a nenhuma."

Obra foi pensada para fazer refletir o mundo exterior na água, através de janelas.

Obra foi pensada para fazer refletir o mundo exterior na água, através de janelas.
Em 1736 avançou o engenheiro militar Custódio Vieira: "Era uma figura notável e um dos nomes mais importantes da história do aqueduto. Inventou uma estrutura para conseguir transportar os carrilhões [sinos do Convento] de Mafra. E foi graças a essa estrutura que se conseguiram erguer também estas colunas". Como o fez, não se sabe ao certo, porque os planos da maravilha da engenharia viriam a desaparecer, em 1755, entre os escombros do Paço da Ribeira, onde se guardava boa parte dos documentos mais importantes da capital.

Custódio Vieira ainda concluiu o Arco Grande, em 1744, mas morreu nesse mesmo ano, já não assistindo à inauguração do Aqueduto , em 1748. Seriam necessárias várias décadas ainda, até que, às portas do XIX, a obra cumprisse em pleno a missão de abastecer Lisboa, que depois manteve até ao fim da sua "vida funcional", em 1964.
"A história do aqueduto consubstancia o melhor e o pior de nós portugueses", diz Margarida Ruas. "O melhor porque é uma obra notável, feita - tal como afirmavam-, dando o melhor de nós para chegar a Deus, para construir a beleza máxima e a pureza máxima. O pior porque, na realidade, as lutas internas foram tão grandes, entre os mestres, entre os donos da obra, que acabou por ser solucionada passados quase cem anos com a intervenção do patriarcado."

Faz sentido que, a determinada altura, "um padre tenha também sido o coordenador da obra". É que, explica, o aqueduto está entre alguns monumentos do mundo, "tal como as pirâmides de Gizé, no Egito, tal como Notre Dame, em Paris", construídos de acordo com a geometria sagrada: a crença de que a geometria e a matemática estão intimamente ligadas a toda a realidade que nos rodeia. "Na geometria sagrada partimos do caos para a ordem. E para isso foi preciso dividir por números, os chamados números-ideia". O homem é "o agente integrador". E no caso do aqueduto, "único no mundo", essa integração "dá-se através de uma dimensão imaterial. Quando passeamos nas nascentes, com a água de um lado e do outro, as janelas refletem todo o mundo exterior".

Margarida Ruas reabriu o Aqueduto aos lisboetas e é uma das suas “guardiãs”

A dimensão mística desta obra de homens imperfeitos não deixa ninguém indiferente. O luso-brasileiro Emanuel Dimas Pimenta,especialista em arquitetura espacial e membro do comité técnico desta área no Comité Norte-Americano de Astronáutica e Aeronáutica, não se considera "nada esotérico". Mas recentemente publicou o ensaio: O Mistério das Águas Livres - O mágico aqueduto de Lisboa. "O aqueduto foi construído num período em que estavam em voga os universos esotéricos, como o universo Rosacruz. E historicamente ilustra um período do pensamento europeu de que poucas pessoas se dão conta", explica ao DN.

As próprias pedras do monumento remetem-nos para um universo misterioso. Várias têm símbolos que facilmente associamos à maçonaria, a ordem dos pedreiros livres. José Medeiros, historiador e presidente da Academia dos Saberes, esclarece que a maioria deles não eram mais do que "marcas de obra deixadas aos pedreiros pelos canteiros, que trabalhavam a pedra, algumas das quais acabaram por ser incorporadas pela maçonaria especulativa, ganhando significados completamente diferentes". Mas há também "símbolos especiais, de consagração, como o círculo com a cruz no meio e os três planos com a cruz em cima".

"O pancadas", o sociopata que matou dezenas por uma moeda Diogo Alves, mais conhecido pela alcunha de "O Pancadas", ficou para a história como um dos piores sociopatas portugueses. Roubava mulheres no passeio público do Aqueduto, em Alcântara e, "por uma moeda", lançava dezenas de vítimas para a morte.

O processo de Diogo Alves está em exposição na Torre do Tombo

"Era um assassino em série. Era um homem de dupla personalidade. Durante o dia era boieiro e, ao que parece, de um profissionalismo extremo, e à noite transformava-se no pior dos assassinos", conta Margarida Ruas.

O modus operandi do homicida era sempre o mesmo: esperava pela passagem das lavadeiras de Caneças, "que vinham ou buscar ou entregar as roupas aos aristocratas em Lisboa", roubava-as e lançava-as do viaduto abaixo.

Inicialmente, as mortes chegaram a ser atribuídas a uma estranha vaga de suicídios. Mas quando as vítimas começaram a totalizar várias dezenas as autoridades perceberam que estavam a lidar com um homicida em série e o caminho público sobre o aqueduto foi interdito.

Diogo Alves nunca chegou a ser apanhado por estes crimes. Viria a ser detido, sim, pela morte da família de um médico, na Rua das Flores, durante um assalto conduzido por ele e por vários membros do seu gangue. Foi por este último crime que acabou por ser condenado e executado, em 1841. O processo que conduziu à sua condenação está atualmente em exposição na Torre do Tombo, em Lisboa.

Há uma lenda urbana que o identifica como o último condenado à morte em Portugal. Na realidade, esta pena foi abolida mais de uma década depois, em 1852, por D. Maria - mas apenas para crimes políticos - só sendo abolida para crimes civis em 1867, já no reinado de D. Luís. Vários homens foram ainda condenados e executados depois do "Pancadas". Mas o seu lugar na história ficou ainda assim assegurado, pelos piores motivos.

Aliás, por ironia do destino, entre centenas de figuras históricas ligadas ao aqueduto, Diogo Alves é mesmo a única cujo rosto podemos ainda contemplar. A sua cabeça foi decepada após a execução, a fim de ser estudada pela comunidade científica, e continua ainda conservada em formol no teatro Anatómico da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Galego de nascença, "O Pancadas" - pela gravidade dos seus crimes - acabaria por contribuir para uma animosidade, que durou décadas, contra os imigrantes da Galiza, que não só eram os aguadeiros de Lisboa - antes do aqueduto - como foram os primeiros bombeiros da cidade.

(*) Amabilidade de Lara  Raquel Caldeira Ferraz

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Manifesto: Pela nossa saúde, pelo SNS


Manifesto: Pela nossa saúde, pelo SNS

Porque é um assunto que a todos nos diz respeito, tomo a liberdade de vos contactar para vos convidar a subscrever este Manifesto, que visa influenciar o governo a ter uma política de saúde que tenha também em conta a promoção da saúde e a prevenção da doença. De há muito que o SNS se tem centrado quase exclusivamente na prestação de cuidados na doença. Ora essa estratégia é socialmente insustentável e financeiramente incomportável. Contamos, por isso, com a vossa subscrição e com a divulgação do Manifesto pelos teus contactos. Para subscrever basta declarar que subscreve.

Manifesto
 
Pela nossa saúde, pelo SNS

 A razão de os signatários se dirigirem aos portugueses decorre da análise que fazem da actual situação no sector da saúde, a qual, quase a meio do mandato do governo, permanece sem sinais de mudança que alterem a natureza do modelo de política de saúde, promovendo a saúde dos portugueses, reabilitando e requalificando o Serviço Nacional de Saúde. O qual dificilmente se verificará sem a contribuição activa dos actores sociais e políticos das comunidades.

O sistema público de saúde carece do financiamento ajustado à sua missão: promover a saúde, prevenir e tratar a doença. Sem essa condição não só o SNS vai definhando, vendo reduzido um dos seus principais valores, a cobertura universal, como as respostas que vai dando são canalizadas quase exclusivamente, e já em condições precárias, para o tratamento da doença e para contribuir para o florescimento da prestação privada. Em seis anos (2009-2015) a despesa pública da saúde diminuiu 21%, tendo passado de 6,9% para 5,8% do PIB. Os signatários tomam, por isso, como referência a despesa verificada em 2009, que foi de 9,9% do PIB, um ponto percentual acima do verificado em 2015. Além disso, percentagem do financiamento público dos cuidados de saúde prestados à população é desde 2014 das mais baixas da Europa a 28 (66%).

O diagnóstico que melhor caracteriza a saúde da população é dado pelos seguintes indicadores-chave. (1)  com 70% de esperança de vida saudável (2015), os portugueses tinham o mais baixo valor dos países do sul da Europa – Espanha, França, Itália e Grécia; (2) com 32% de esperança de vida saudável aos 65 anos, os portugueses ficam bastante aquém dos valores daqueles países; (3) no grupo etário 16-64 anos só 58% da população considerava que a sua saúde era boa ou muito boa, quando na Grécia ou em Espanha é superior a 80% (2015); (4) no grupo com mais de 64 anos aquela percepção é de 12%, sendo em Espanha e França superior a 40%; (5) mais de 50% da população tem excesso de peso; (6) em 2016 verificou-se o maior excesso de mortalidade da década, correspondente a 4 632 óbitos.

Nos setenta e sete hospitais da rede pública, cerca de 800 000 utentes aguardam com excesso de espera uma primeira consulta hospitalar, correspondendo a 30% das primeiras consultas realizadas em 2016. Esse excesso varia entre 2 e  >800 dias. Mais de oitocentos mil portugueses não têm médico de família atribuído. Entre 2014 e 2016 verificou-se um aumento de 529 000 urgências.

Esta situação é já bastante preocupante. Continua a insistir-se num modelo de política de saúde exclusivamente orientado para o tratamento da doença e centrado nas tradicionais instituições de saúde. Quando a regra é ser-se saudável e a excepção é estar-se doente, a quase totalidade dos recursos são canalizados para a excepção, embora a promoção e a protecção da saúde sejam as intervenções que mais contribuem para melhorar o bem-estar das pessoas e das comunidades, e a estratégia que torna os sistemas de saúde sustentáveis. Do que se trata, por isso, não é de medidas avulsas que dificilmente se articulam entre si, mas de uma reforma que integre cuidados hospitalares, cuidados continuados, cuidados de saúde primários e intervenções em saúde pública, que inclua os actores formais e informais das comunidades locais e que incorpore o melhor conhecimento científico disponível.

Mas mesmo quando se trata da prestação de cuidados na doença, as limitações ao acesso mantém-se como o maior obstáculo aos serviços de saúde no momento em que são necessários, com as consequências negativas daí decorrentes para a condição dos doentes. Os tempos de espera inadmissíveis são disso a melhor evidência e o crescimento da afluência às urgências o pior sintoma da disfunção que reina no sector.

O excesso de mortalidade, verificado sobretudo entre a população idosa e durante o verão e o inverno, quando se verificam temperaturas mais extremas, exige que os cuidados domiciliários sejam mais frequentes e que tanto as autarquias como os serviços de segurança social façam um acompanhamento de maior proximidade respondendo às necessidades de cuidados de conforto que nestas alturas são particularmente sentidas.

No que se refere ao sector privado exige-se que a sua regulação se faça do lado do cumprimento de critérios de ordenamento das instituições de saúde, que a certificação inclua o preenchimento dos quadros de pessoal com a diferenciação ajustados à sua missão, às valências e ao volume de produção previsto, e que a demonstração dos resultados de gerência sejam obrigatórios e públicos.

As várias greves do pessoal da saúde – médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e outros trabalhadores -, em que se verificou tanto uma grande adesão desses profissionais como uma considerável compreensão por parte da população, representam sinais que devem ser entendidos e interpretados como manifestações críticas da situação que se está a viver no sector.

Os signatários deste Manifesto têm uma longa história de serviço público no Serviço Nacional de Saúde e de dedicação à causa da saúde. A maior parte deles contribuiu para que ele se implantasse nos primeiros anos da sua criação, foram seus profissionais empenhados desde então e bateram-se por diversas vezes contra os ataques que lhe foram movidos. Não estão, por isso, dispostos a assistir ao seu progressivo definhamento. Se, como é defendido, o SNS representa um dos mais relevantes serviços que a democracia tem prestado aos portugueses, então há que proceder à sua reabilitação e requalificação, alterando substancialmente o sentido da política de saúde. Passados 38 anos da sua criação, o SNS não pode ficar imóvel e alheio aos desafios que lhe são colocados. Nesta exigência estamos acompanhados pelos mais prestigiados peritos na matéria, como Ilona Kickbusch, David Gleicher e Hans Kluge da OMS, e Nigel Crisp, coordenador da Plataforma Gulbenkian Health in Portugal.

Por isso nos dirigimos também a todas as organizações partidárias que subscreveram os acordos de 10 de Novembro de 2015, na expectativa de que sejam sensíveis a esta necessidade inadiável e tomem as decisões que a situação descrita exige. Esta política de saúde já mostrou que não está a responder ao que é exigido de um governo que se afirma empenhado em dar uma orientação de esquerda às suas políticas sociais. Está, por isso, nas mãos da actual maioria parlamentar iniciarem o processo de mudança da política de saúde.

 Primeiros subscritores:
Aguinaldo Cabral, António Manuel Faria-Vaz, Armando Brito de Sá, Cipriano Justo, Deolinda Barata, Fernando Gomes, Guadalupe Simões, Jaime Correia de Sousa, Jaime Mendes, João Proença, Jorge Espírito Santo, José Aranda da Silva, José Carlos Martins, José Frade, José Manuel Boavida, Maria Augusta Sousa, Maria João Andrade, Maria Manuel Deveza, Mariana Neto, Mário Carreira, Mário Jorge Neves, Nídia Zózimo, Paulo Fidalgo, Sérgio Esperança, Sofia Crisóstomo, Teresa Gago.

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Como não possui o texto original deste Manifesto, o leitor, que pretenda subscrevê-lo, poderá proceder de duas maneiras:

1º - Através do blogue, a mais fácil e a mais directa: Isole esta publicação, clicando no título, e, através de copy, envie o respectivo link, por email, depois de escrever a palavra “Subscrevo”, para o seguinte endereço electrónico: Cipriano Justo justo.cipriano@gmail.com.
2º - O menos imediato: Envie uma mensagem para o endereço, anteriormente assinalado, e solicite o envio do texto do Manifesto, que reencaminhará para o remetente, depois de escrever “Subscrevo”.

Lembre-se que ao subscrever este Manifesto está a defender a sua Saúde. Todos nós, mais tarde ou mais cedo, vamos precisar de recorrer, sem preocupações financeiras e com a garantia de qualidade dos serviços prestados, a uma unidade do SNS, seja qualquer for a natureza e a gravidade da respectiva patologia.
Por outro lado, ao subscrever este manifesto, está a exercer o seu direito de cidadania, defendendo a existência de um SNS, universal e tendencialmente gratuito, e que se revelou, juntamente com a Liberdade e a Democracia, a maior conquista do 25 de Abril.
Não seja “trouxa”, e adira já à subscrição deste Manifesto. Antes que seja tarde.
Informo-o também que todos os primeiros subscritores deste Manifesto são médicos que rejeitam a perversa ideia de que a Saúde tem de ser um negócio.
Alexandre de Castro  

Ver também aqui.
2017 07 28