segunda-feira, 25 de maio de 2015

A trapalhada do Acordo Ortográfico


Aceitei o novo Acordo Ortográfico (embora com algum desconforto em relação a algumas mudanças na grafia de algumas palavras), porque compreendi a importância política e económica, no contexto mundial, em usar uma única grafia da Língua Portuguesa no importante universo da lusofonia. 
Hoje, verifico que os mais importantes países lusófonos, talvez por um recalcamento de um antigo complexo de inferioridade, em relação ao colonizador, não estão interessados em aderir ao grandioso projeto, que beneficiaria todos os países da lusófonos.
E, perante isto, entendo que Portugal não deveria avançar para a institucionalização da nova grafia sem que, pelo menos, o Brasil procedesse à sua devida ratificação.
É que, se não for assim, eu poderei mudar de campo e tornar-me mais um rebelde contra o novo Acordo Ortográfico.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Notas do meu rodapé: E se a Rússia e a China viessem em socorro da Grécia?...


E se a Rússia e a China viessem em socorro da Grécia? ...

Eu ainda acredito que o governo da Grécia possa ter na manga uma alternativa segura e secreta, em relação à sua saída, mais que provável, da esfera da zona euro. Possivelmente, os dirigentes gregos apenas estarão à espera de um forte pretexto para, na eventualidade de um fracasso das atuais negociações, justificarem, perante o mundo e perante o povo grego, o endosso do ónus da culpa sobre os dirigentes europeus.
Essa alternativa poderá estar a ser negociada secretamente com a Rússia e a China, países que poderão vir a obter generosas concessões na exploração das jazidas de gás e de  petróleo do mar Jónico e do mar Egeu, em troca de contrapartidas financeiras ajustadas, que garantiriam a independência da Grécia em relação ao FMI e aos mercados financeiros da Europa e dos EUA. E os Países Ocidentais não poderão, posteriormente, vir a condenar este negócio, já que, aparentemente, se desinteressaram da Grécia e do sofrimento do seu povo.
Com a saída da zona euro, a Grécia teria de abandonar a UE, e, a seguir, por sua iniciativa soberana, sairia da Nato, ficando assim aberto o caminho para outras alianças estratégicas com aqueles dois países, de elevado peso no xadrez internacional. Para a Rússia e para a China seria como espetar uma lança, não em África, mas de na própria Europa.
Quebrava-se assim um dos presumíveis pilares da desmedida ambição da Alemanha, que gostaria de assenhorear-se da gestão daqueles águas, através das instâncias europeias, que já manifestaram o seu interesse em centralizar a gestão dos mares que circundam um Europa.
A confirmar-se este cenário (meramente hipotético) estaríamos na presença de um golpe de mestre, em que uma arrogante Europa sairia derrotada e humilhada. Sobraria ainda, para saciar os vorazes apetites imperialistas da Alemanha, a extensa Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal, uma das maiores do mundo, isto no caso de os portugueses continuarem estupidamente a acreditar na bondade das intenções da Alemanha e na dos demais dirigentes europeus a seu mando, assim como na dos seus governantes dos partidos do Arco da Traição, que estão a fazer tudo, com as suas políticas subservientes, para que o povo português, sobrecarregado por uma dívida que lhe foi draconiamente imposta, caia na indigente miséria e se coloque de joelhos para receber umas migalhas do valor dos anéis que terá de vender.
AC

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quarta-feira, 20 de maio de 2015

O Acesso aos cuidados de saúde: um aspecto nuclear da política de saúde - por Mário Jorge Neves


O Acesso aos cuidados de saúde: um aspecto nuclear da política de saúde.

O direito à saúde está consagrado na nossa Constituição da República e tem no Serviço Nacional de Saúde (SNS) o seu instrumento operacional.
Em termos de resultados objectivos, que têm sido amplamente reconhecidos no plano internacional, o SNS constitui uma importante realização social do nosso regime democrático.
Embora exista, em sentido mais lato, um sistema nacional de saúde que engloba todos os sectores de actividade nesta área, é o SNS, como serviço público de qualidade, que assegura o direito geral e universal aos cuidados de saúde, e se constitui como o factor de equidade no Acesso.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) defende que todas as pessoas devem poder atingir o seu potencial máximo de saúde, sem que as circunstâncias económicas e sociais impeçam esse objectivo.
Diversos estudos internacionais têm vindo a mostrar a existência de uma estreita relação entre a Saúde e o crescimento económico, alicerçada na equidade da distribuição dos cuidados de saúde.
Simultaneamente, a Saúde é, desde há vários anos, um elemento imprescindível na construção da coesão social e um dos factores mais importantes para o desenvolvimento sustentável de uma sociedade.
A Saúde constitui para a generalidade dos cidadãos um bem inestimável, altamente valorizado no conjunto das suas preocupações, e é entendida como um princípio basilar de cidadania.
O facto do nosso SNS possuir como uma das suas características essenciais o princípio da universalidade, tem contribuído para o fortalecimento de uma cidadania activa e do princípio de inclusão, bem como tem promovido uma cultura pública de redistribuição e de solidariedade, gerando a coesão social.
A defesa dinâmica do SNS implica a recusa de qualquer perspectiva imobilista e cristalizada que só conduziria ao seu definhamento irreversível e à sua inevitável destruição.
O sector da Saúde é um dos que, nas últimas décadas, tem conhecido uma maior revolução tecnológica, com a incorporação sucessiva de novos e cada vez mais sofisticados meios técnicos, bem como um desenvolvimento contínuo do conhecimento científico a nível diagnóstico e terapêutico. Este aspecto determina, por si só, a impossibilidade de qualquer abordagem imobilista pela simples razão que se torna indispensável acompanhar sempre essa incorporação tecnológica com novas e adequadas fórmulas de organização do trabalho e da produção. Na concretização do direito constitucional à saúde, assume uma importância central a questão do Acesso.
O Acesso define-se pelo grau de interacção entre os cidadãos e o sistema de saúde, estando relacionado com a oferta de serviços de um modo que responda às necessidades dos cidadãos e não com a simples disponibilidade dos recursos num determinado tempo e espaço.
O Acesso impõe a garantia de 4 dimensões: a disponibilidade ou não de serviços de saúde no local apropriado e no momento em que é necessário; o poder de pagamento dos cidadãos em função do custo de utilização dos serviços; o grau de informação dos doentes; e a aceitabilidade, baseada na natureza dos serviços prestados e na percepção da sua acção, pelos indivíduos e as comunidades.
Em múltiplos estudos, o Acesso tem sido caracterizado como a oportunidade de utilização dos serviços em circunstâncias que permitam o seu uso apropriado. O Acesso aos cuidados de saúde é uma questão transversal a todas as áreas de actividade da Saúde.
A confiança no SNS constitui um elemento essencial para a equidade no Acesso. A situação hoje existente no nosso país, fruto da actual acção governativa, encerra um vasto conjunto de perigos para o futuro do SNS, estando bem visíveis os resultados preocupantes a nível do acesso aos cuidados de saúde por via da criação de autênticos copagamentos e da diminuição da capacidade de resposta dos serviços.
Face aos aspectos enumerados, torna-se indispensável enunciar um conjunto de algumas medidas fundamentais para assegurar o Acesso aos cuidados de saúde, em plena consonância com o Artº 64º da Constituição da República.
1-      Definir e implementar medidas articuladas que visem a progressiva delimitação entre os sectores prestadores.
2-     Elaborar uma Carta Hospitalar com a avaliação da capacidade instalada em cada unidade e a definição de medidas de articulação e de hierarquização dos recursos disponíveis.
3-     Redefinir a rede de referenciação hospitalar, tornando-a mais adequada às realidades locais e regionais, bem como aos respectivos perfis demográficos.
4-     Estruturar e dinamizar uma estreita articulação e complementaridade entre os vários níveis de prestação de cuidados de saúde, mas salvaguardando a especificidade de cada um deles e impedindo qualquer concepção hospitalocentrica.
5-     Definir com rigor um plano nacional das urgências, inserido e articulado com o processo de reforma a nível dos Cuidados de Saúde Primários e a nível da Rede Hospitalar.
6-     Aprofundar a Reforma dos Cuidados de Saúde Primários e desenvolver, com urgência, a reforma da rede hospitalar, tendo em conta que não é possível redinamizar globalmente o SNS somente com a reforma de uma das suas vertentes.
7-     Dinamizar a rede de unidades de cuidados continuados, articulando a sua actividade com os restantes níveis prestadores de cuidados de saúde.
8-    Promover a descentralização dos níveis de decisão, desenvolvendo uma responsabilização acrescida das estruturas intermédias e uma maior celeridade de todo o processo decisório no funcionamento integral das estruturas de saúde.
9-     Incentivar a constituição de mais USF modelo A e B, promovendo uma cultura de maior responsabilização e avaliação para assegurar a integral capacidade de resposta às necessidades dos cidadãos a nível da medicina geral e familiar. Reafirmar que as USF modelo C, tal como está estabelecido no respectivo diploma legal, só em casos excepcionais serão encaradas como possíveis e uma vez esgotados todas as outras soluções previstas.
10- Reformular o actual modelo organizacional dos centros de saúde, de modo a pôr termo aos mega agrupamentos de centros de saúde que se têm tornado um factor de liquidação de uma prestação de cuidados de saúde de proximidade.
11-  Definir e implementar as medidas de criação dos Centros de Responsabilidade Integrados a nível hospitalar com o objectivo de promover uma maior agregação funcional entre as várias especialidades e uma departamentação adequada ao cumprimento da missão de cada uma dessas unidades. Tal como se verifica com as USF, esta modalidade permitiria uma maior funcionalidade na actividade hospitalar e uma mais célere capacidade de resposta global.
12- Definir a criação de incentivos de fixação dos profissionais de saúde nas zonas mais periféricas e de menor densidade populacional.
13- Abolição das taxas moderadoras a nível dos Centros de Saúde, tendo em conta que este nível prestador desempenha o papel fundamental em todo o sistema de saúde, bem como é aquele que desenvolve as actividades mais amplas de carácter preventivo.
14- Definição e uniformização de um sistema de informação nas unidades de saúde que coloque termo à actual situação de múltiplos sistemas deste tipo, sem compatibilizações entre eles, possibilitando um mais célere acesso à documentação a nível clínico.
15-  Constituir, finalmente, o Conselho Nacional de Saúde, como primeiro passo para uma efectiva participação dos utentes e doentes nas estruturas de saúde, contribuindo para a uma maior ligação às comunidades locais e para uma maior adequação às respectivas prioridades assistenciais.

Mário Jorge Neves
Vice-presidente da FNAM
Presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul
12/5/2015
Amabilidade do autor.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Notas do meu rodapé: Da chantagem à humilhação da Grécia


Referendo. A nova arma dos credores para pressionar a Grécia
Sem grandes rodeios, o ministro alemão das Finanças largou a bomba esta segunda-feira: “Se a Grécia quiser fazer um referendo, poderá ser útil”. Foi em Bruxelas, à chegada para a reunião do Euro grupo, que Wolfgang Schäuble admitiu que colocar a decisão nas mãos do povo grego pode ser a solução para a falta de entendimento entre o governo grego e os credores.

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Da chantagem à humilhação da Grécia
Ainda ontem, escrevi num comentário do Grupo "E agora Portugal" que o grande objetivo da Alemanha passou a ser o desejo de provocar uma grande humilhação à Grécia e ao seu governo, legitimamente eleito. Ela, a humilhação, está aí provocantemente escancarada, através das palavras do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, e do presidente do Parlamento Europeu, por acaso (!), também alemão, que cometeram um grosseiro erro ao imiscuírem-se num assunto que apenas diz respeito ao governo grego e ao seu povo. Não é da competência dos órgãos da UE, nem de nenhum dirigente político de um país membro dizer ao governo grego o que deve ou não deve fazer em termos eleitorais, pois isso está escrito na Constituição da Grécia. Além de ser um gesto de intolerável má educação, representa, acima de tudo, uma manifestação de arrogância, de quem sabe que tem muito poder. Ao longo da História, a Alemanha já nos habituou a essa arrogância, irreverente e perigosa.
E os destinatários desta ignominiosa provocação, antecedida por um longo período de manobras chantagistas, não são apenas o povo grego e o seu atual governo. A provocação também pretende constituir-se num sério aviso a todos os povos e a todos os governos da Europa que ousem discordar do pensamento único e totalitário do governo alemão e das suas domesticadas extensões nos órgãos comunitários.
Não devemos ter medo da ameaça, nem entregarmo-nos às inevitabilidades da resignação. E isto, porque somos nós que temos razão, ao querer defender a soberania dos povos, que está a ser agredida pela Alemanha, servindo-se do seu ascendente nos órgãos decisórios da UE, o que lhe permite que também já ande a propor a necessidade de centralizar na Comissão Europeia a gestão dos mares circundantes ao velho continente, ao mesmo tempo que lançou a ideia de se constituir um exército europeu. São mais que evidentes as tentativas de assalto à soberania dos povos europeus.

Alexandre de Castro

Centeno convidado para conferência da Presidência


Mário Centeno, o coordenador do programa macroeconómico do PS, vai ser mesmo orador convidado na Conferência Internacional sobre os Jovens, organizada pela Presidência no próximo fim de semana, no âmbito dos Roteiros do Futuro. E já tinha sido convidado para esta iniciativa, anunciada ainda no final do ano passado, muito antes de vir a público o citado programa.
O Expresso sabe que o economista e funcionário do Banco de Portugal é muito respeitado em Belém pela sua competência, tendo aliás participado em outras iniciativas da Presidência. Foi, por exemplo, um do participantes da conferência de 30 economistas de várias áreas ideológicas e políticas, que o Presidente reuniu em julho de 2013 no palácio presidencial, para discutir as alternativas económicas que se colocavam ao país, numa altura em que em plena troika o debate estava muito extremado.

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Começa a ficar provado. Centeno é uma carta do mesmo baralho. Está já a fazer o tirocínio para ser o Vítor Gaspar do PS, numa versão recauchutada. Para já, com aquele estudo económico, que orientou, destinado a servir de base programática para um futuro governo do PS, ele apenas procurou tapar o Sol com uma peneira. Nem uma palavra, sequer, sobre a dívida pública externa e o seu pagamento, nem sobre a necessidade da sua reestruturação. Também nada disse sobre o Tratado Orçamental, que é um autêntico travão à aplicação de uma séria política de crescimento económico. Olimpicamente, ignorou os avisos, que brevemente se transformarão em ordens, da Comissão Europeia e do FMI, que pretendem uma nova desvalorização salarial e mais cortes nas pensões. Esta falha propositada, referente àqueles parâmetros, deixou margem de manobra a António Costa para vir dizer "que não iria prometer que não venha a ter de reduzir salários e pensões", uma promessa feita pela negativa, o que vai permitir-lhe, quando estiver no governo, afirmar que não quebrou nenhuma promessa eleitoral.
A hipocrisia e a demagogia continuam a ser base argumentativa dos políticos do sistema.

domingo, 10 de maio de 2015

FMI quer mais cortes nos salários e pensões em Portugal


"É importante racionalizar mais a despesa pública através de uma reforma abrangente dos salários e das pensões e de reformas fiscais". Previsões do FMI são mais pessimistas do que as do Governo.
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O que o FMI pretendeu dizer é que Portugal ainda não conseguiu alcançar os resultados da Grécia. Mas a senhora Lagarde pode ficar descansada: O PS do Costa e o PSD do Coelho tudo farão para que tal aconteça..

sábado, 9 de maio de 2015

Mário Centeno não exclui hipótese de pertencer a governo de Costa


“A disponibilidade é ter um cartão do cidadão da República Portuguesa e ser um cidadão da União Europeia", afirma.

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Eu, por acaso, também tenho um gato, chamado Centeno. Não foi só o Vitor Gaspar que teve a sorte (o homem até desatou a rir-se às gargalhadas) de ter como apelido o nome do gato do ex-deputado do PCP, Horácio Honório, que o interpelava numa sessão da Assembleia da República. Possivelmente, Mário Centeno (doutorado em Harvard, e Vitor Gaspar, agora empregado do FMI), devido a esta identidade onomástica com os felinos, até poderão ser irmãos siameses (xifópagos). Em sentido figurado, e sob o ponto de vista intelectual e ideológico, atrevo-me a dizer que os dois comem da mesma gamela. Ambos estão alinhados, por conveniência ou por opção, com a ortodoxia do pensamento único e totalitário do neoliberalismo.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Maya Plisetskaya - Bolero (choreography by Maurice Béjart)



Morreu a coreógrafa e bailarina Maya Plisetkaya, que se constituiu numa lenda do ballet clássico do século XX. Também morro um pouco, quando vejo desaparecer alguém que admiro.
A sua interpretação do Bolero de Ravel transporta-nos ao êxtase da beleza da Arte. O corpo absorve o ritmo sincopado dos sons musicais, que se transformam em movimento sublime, esteticamente perfeito.
Reparem, na parte final da atuação, e perante os vibrantes e continuados aplausos do público, na elegância dos desenhos coreográficos, que Maya Plisetskaya executa, em agradecimento. Parece passear-se, como uma pena, por um chão de nuvens, que pisa com delicadeza. Há nesta composição coreográfica uma geometria corporal de grande beleza.

Agradecimento...


Agradeço à Alice Martins, à Lolyta, ao André Valentim e ao Jorge Santos a amabilidade de terem aderido ao Alpendre da Lua

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Poema: Mulher Maio_ José Carlos Ary dos Santos

Pintura de Rui Alves

Mulher Maio

Bom dia minha amiga digo em Maio
és uma rosa à beira dum tractor
neste campo de Abril onde não caio
a nossa sementeira já deu flor.
Bom dia minha amiga eu sou um gaio
um pássaro liberto pela dor
tu és a Companheira donde saio
mais limpo de mim próprio mais amor.
Bom dia meu amor estamos primeiro
neste tempo de Maio a tempo inteiro
contra o o tempo do ódio e do terror.
Se tu és camponesa eu sou mineiro.
Se carregas no ventre um pioneiro
dentro de ti eu fui trabalhador.

José Carlos Ary dos Santos

O 25 DE ABRIL DE 1974 - 100 FOTOGRAFIAS

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Maria Azenha - "Abril dói"



Um poema sublime (dos melhores poemas de Maria Azenha), que escorrega das fontes de todas as lágrimas pelas nossas mãos já frágeis do nosso desespero e do nosso desencanto, porque “Abril chega e nunca mais vem”, tendo-se perdido no labirinto das “palavras sem projeto” e desfazendo o sonho, mil vezes sonhado e desejado do país que queríamos sem escravos.
Mas “quebrou-se este país antigo e puro, conduzido por homens de má-fé e cegos”, que lhe roubaram as “estrelas” e as “bússolas de frente”, para que as “aves” fossem “caindo, uma a uma”.
Obrigado, Maria Azenha.
Alexandre de Castro

sábado, 25 de abril de 2015

VIVA O 25 DE ABRIL ...



Cravo negro

Cravo, onde está a tua cor,
não sei dela, não sei de mim,
roubaram-te a esperança,
a mesma que tiraram de mim...
Estás de luto vestido,
quem te trajou afinal,
foi essa gente desgovernada,
que anda a matar Portugal...
Vejo as tuas lágrimas sobre a terra,
e choro eu contigo também,
com saudades desse tempo,
em que não pertencíamos a ninguém...
Venderam-nos a alma,
deixaram-nos o corpo ao abandono,
somos como cães sem raça,
de quem já ninguém quer ser dono...
Somos vagabundos esquecidos,
mas que não conseguem esquecer,
o Amor por um país,
que nos seus braços nos viu nascer...

Ártemis

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Hoje irei trazer uma braçadeira preta no braço e um cravo vermelho ao peito...

domingo, 19 de abril de 2015

Noam Chomsky: "A pior campanha terrorista é a que está a ser orquestrada...




Texto da entrevista:

Noam Chomsky é considerado uma celebridade do mundo intelectual. Um autor prolífico e assumido anarquista, que aos 86 anos de idade não dá sinais de querer abrandar o ritmo. É uma voz ativa na denúncia de várias injustiças, tendo com bastante frequência o Ocidente como alvo.
Quem é Noam Chomsky?
Avram Noam Chomsky nasceu em Filadélfia, nos Estados Unidos, a 7 de dezembro de 1928
Começou a trabalhar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts em 1995
É um reputado linguista, filósofo e ativista político
O trabalho que desenvolveu na década de 50 revolucionou o campo da linguística
Destacou-se pelo ativismo contra a guerra do Vietname
Opõe-se às elites reinantes e é um forte crítico dos Estados Unidos e da política externa ocidental
É um respeitado autor, com dezenas de livros publicados
Discutimos estas e outras questões numa entrevista com o reputado linguista, filósofo e ativista político norte-americano, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos.

Isabelle Kumar, Euronews: Em 2015, o mundo parece um lugar conturbado, mas se pensarmos a nível global, sente-se otimista ou pessimista?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Estamos a caminhar, a nível global, para um precipício, no qual estamos determinados a cair, e que reduzirá nitidamente as perspetivas de uma sobrevivência decente.”

Isabelle Kumar, Euronews: Que precipício?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Na verdade existem dois precipícios. Um é a catástrofe ambiental iminente. Não temos muito tempo para lidar com isso e fazemos o percurso errado. O outro aconteceu há cerca de 70 anos, a ameaça de guerra nuclear, o que é interessante. Se fizermos uma retrospetiva é um milagre termos sobrevivido.”

Isabelle Kumar, Euronews: Falemos agora de questões ambientais. Pedimos aos nossos seguidores nas redes sociais para enviarem perguntas e recebemos imensas questões. Enea Agolli pergunta: Quando se depara com a questão ambiental e assume uma postura filosófica, o que tem a dizer em matéria de alterações climáticas?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “A espécie humana existe há cerca de cem mil anos e está agora perante um momento único na história. Esta espécie está numa posição em que decidirá, brevemente, as próximas gerações, se a chamada vida inteligente vingará ou se estamos determinados a destruí-la. Os cientistas reconhecem, surpreendentemente, que a maioria dos combustíveis fósseis têm de ficar no solo se quisermos um futuro decente para os nossos netos. Mas as estruturas institucionais da nossa sociedade fazem pressão para se extrair cada gota. Os efeitos, as consequências humanas, esperados por causa das alterações climáticas, num futuro próximo, são catastróficos e caminhamos para um precipício.”

Isabelle Kumar, Euronews: Em matéria de guerra nuclear constatamos que a possibilidade do acordo iraniano pressupõe que se alcançou uma etapa preliminar. Isso dá-lhe alguma esperança sobre o cenário de se fazer do mundo um lugar mais seguro?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Sou a favor das negociações no Irão, mas são profundamente imperfeitas. Existem dois estados em tumulto no Médio Oriente que fazem agressões, recorrem à violência, atos terrotistas, atos ilegais, constantemente. Ambos têm um grande potencial nuclear. E as armas nucleares deles não estão a ser tomadas em conta.”

Isabelle Kumar, Euronews: A quem se refere concretamente?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Aos Estados Unidos e a Israel, os dois maiores estados nucleares do mundo. Existe uma razão para, nas sondagens internacionais, conduzidas por agências de sondagens norte-americanas, os Estados Unidos serem vistos como a maior ameaça à paz mundial por uma margem impressionante. Nenhum outro país chega sequer perto. De certa forma é interessante que os meios de comunicação norte-americanos tenham recusado publicar isto. Mas é um facto.”

Isabelle Kumar, Euronews: Não tem o presidente Barack Obama em grande conta. Este acordo fá-lo pensar melhor de Obama? O facto de estar a tentar reduzir a ameaça de guerra nuclear?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Na verdade, ele apenas iniciou um programa avultado de modernização do sistema de armamento nuclear dos Estados Unidos, o que significa expandir esse sistema. Essa é uma das razões pela qual o famoso Relógio do Juízo Final, estabelecido pelo Boletim dos Cientistas Atómicos, ficou, há apenas algumas semanas, dois minutos mais próximo da meia-noite. A meia-noite representa a destruição total. É o mais próximo que estamos desse ponto em três décadas, desde os primeiros anos de Reagan, quando existia um medo enorme de guerra.”

Isabelle Kumar, Euronews: Referiu os Estados Unidos e Israel a propósito do Irão. Agora o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu não quer, obviamente, que o acordo nuclear funcione e diz.

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Interessante. Deveríamos perguntar porquê?”

Isabelle Kumar, Euronews: Porquê?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Sabemos porquê. O Irão tem despesas militares bastante baixas, mesmo perante os padrões da região. A doutrina estratégica do Irão é defensiva, concebida para distanciar um ataque o tempo suficiente até ao início da diplomacia. E os Estados Unidos e Israel, os dois estados trapaceiros, não querem tolerar um estorvo. Nenhum analista estratégico com uma função cerebral acredita que o Irão usaria uma arma nuclear. Mesmo que estivesse preparado para tal, o país seria vaporizado e não há indicação de que os clérigos dirigentes queiram ver tudo o que têm destruído.”

Isabelle Kumar, Euronews: Uma última questão, sobre esta matéria, chegou-nos através das redes sociais. Morten A. Andersen pergunta: “Acredita que os Estados Unidos alguma vez chegariam a um acordo que fosse perigoso para Israel desde logo?”

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Os Estados Unidos fazem ações constantes que são perigosas para Israel, bastante sérias. Nomeadamente ao apoiar a política israelita. Nos últimos 40 anos, a maior ameaça a Israel são as próprias políticas. Se retrocedermos 40 anos, até 1970, Israel era um dos países mais respeitados e admirados do mundo. Existiam muitas atitudes favoráveis. Agora é dos países mais temidos e que geram antipatia de todo o mundo. No início dos anos 70 Israel tomou uma decisão. Tinham essa hipótese e decidiram pela expansão em vez da segurança e isso acarreta consequências perigosas. Consequências que eram óbvias na altura. Escrevi sobre isso e outras pessoas também o fizeram. Se se prefere a expansão em vez da segurança, caminha-se para a degeneração interna, raiva, oposição, isolamento e, possivelmente, para a destruição. Ao suportar tais políticas, os Estados Unidos contribuem para as ameaças com que Israel se depara.”

Isabelle Kumar, Euronews: O que me leva ao tema de terrorismo. Porque é verdadeiramente uma mancha global e algumas pessoas dirão que se trata de uma consequência da política dos Estados Unidos em relação ao terrorismo em todo o mundo. Até que ponto os Estados Unidos e respetivos aliados são responsáveis pelo que assistimos neste momento, em termos de ataques terroristas em todo o mundo?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “É preciso lembrar que a pior campanha terrorista em todo o mundo é, de longe, a que está a ser orquestrada em Washington. É a campanha global de assassinatos. Nunca houve uma campanha terrorista a essa escala.”

Isabelle Kumar, Euronews: O que quer dizer quando se refere a campanha global de assassinatos?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “O programa de drones é um exemplo disso. Em muitas partes do mundo, os Estados Unidos estão a conduzir sistematicamente, publicamente, abertamente – não existe segredo algum sobre o que estou a dizer, todos o sabemos – campanhas para assassinar pessoas que o governo do Estados Unidos suspeita tentarem fazer mal a alguém um certo dia. De facto é, como referiu, uma campanha gerada pelo terror. Quando se bombardeia uma aldeia no Iémen e matamos alguém – atingido, ou não, a pessoa visada e também outras pessoas de um determinado bairro – como pensa que reagirão? Irão vingar-se.”

Isabelle Kumar, Euronews: Descreve os Estados Unidos como o estado terrorista conducente. Como é que fica a Europa no meio de tudo isto?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “É uma boa pergunta. Recentemente, por exemplo, realizou-se um estudo. Julgo que foi feito pela Fundação Open Society. A pior foram de tortura é a rendição. Rendição significa capturar uma pessoa sobre a qual temos suspeitas e enviá-la ao ditador favorito, talvez Assad, Khadafi ou Mubarak, para que essa pessoa seja torturada, a troco de se conseguir algum elemento. É uma rendição extraordinária. O estudo fala dos países participantes. Desde logo, naturalmente, as ditaduras do Médio Oriente, porque foi para esses locais que se enviaram pessoas, e, depois, a Europa. Grande parte da Europa participou. Inglaterra, Suécia, outros países. Na verdade, apenas há uma região do mundo em que ninguém participou: a América Latina. A América Latina tornou-se agora mais independente em relação ao controlo dos Estados Unidos. Há relativamente pouco tempo, quando estava sob controlo dos Estados Unidos, era o centro mundial de tortura. Agora não participou na pior forma de tortura, que é a rendição. A Europa participou. Se o mestre ruge, os lacaios encolhem-se.”

Isabelle Kumar, Euronews: Então a Europa é um lacaio dos Estados Unidos?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Definitivamente. São demasiado cobardes para assumir uma posição independente.”

Isabelle Kumar, Euronews: Onde é que Vladimir Putin se encaixa no meio de tudo isto? É apontado como uma das maiores ameaças à segurança. É verdade?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Como a maioria dos líderes, ele é uma ameaça para o próprio povo. Fez ações ilegais, naturalmente, mas descrevê-lo como um monstro louco que sofre de doença cerebral e tem Alzheimer, além de ser uma criatura maligna, é fanatismo ao estilo orwelliano. Quero dizer, independentemente do que se pensar das políticas que adota, são compreensíveis. A ideia de que a Ucrânia pode integrar uma aliança militar ocidental seria inaceitável para qualquer líder russo. Isto remonta a 1990, quando se deu o colapso da União Soviética. Houve uma questão sobre o que aconteceria à NATO. Gorbachov permitiu à Alemanha unificar-se e integrar a NATO. Foi uma concessão bastante notável com um quid pro quo: que a NATO não se expandisse um milímetro para o leste. Essa foi a frase usada.”

Isabelle Kumar, Euronews: Então a Rússia foi alvo de provocação?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “O que aconteceu? A NATO moveu-se para a Alemanha do Leste e depois Bill Clinton expandiu a NATO diretamente até às fronteiras da Rússia. Agora, com o novo governo ucraniano, estabelecido depois da queda do anterior, o Parlamento votou por 300 votos contra 8, ou algo assim, a adesão à NATO.”

Isabelle Kumar, Euronews: Mas pode perceber-se porque querem juntar-se à NATO, porque é que o governo de Petro Porochenko olharia para isto, provavelmente, como uma forma de proteger o país?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Não, não, não. Não é proteger o país. A Crimeia foi tomada depois da queda do governo. E isto não é proteger a Ucrânia, é ameaçar a Ucrânia com uma guerra maior. Isso não é proteção. A questão é que se trata de uma ameaça estratégica séria à Rússia, a que qualquer líder russo teria de reagir. Percebe-se bem.”

Isabelle Kumar, Euronews: Se olharmos, no entanto, para a situação na Europa, existe também um outro fenómeno interessante que se está a passar. Estamos a ver a Grécia a mover-se para leste, potencialmente, com o Governo do Syriza. Também estamos ver o Podemos a ganhar poder em Espanha, na Hungria verifica-se o mesmo cenário. Considera que existe um potencial para a Europa começar a alinhar mais em função dos interesses russos?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Repare no que está a acontecer. A Hungria tem uma situação completamente diferente. O Syriza ganhou força na base de uma vaga popular, que disse que a Grécia não se devia sujeitar mais a políticas de Bruxelas e aos bancos alemães, que estão a destruir o país. O efeito destas políticas foi, na verdade, aumentar a dívida da Grécia em relação à produção de riqueza. Provavelmente, metade dos jovens estão no desemprego, 40% da população vive abaixo do limiar da pobreza e Grécia está a ser destruída.”

Isabelle Kumar, Euronews: Então a dívida deve ser perdoada?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Sim, como aconteceu com a Alemanha. Em 1953, a Europa perdoou grande parte da dívida alemã, de forma a que a Alemanha se pudesse reconstruir dos danos provocados pela guerra.”

Isabelle Kumar, Euronews: E em relação aos outros países europeus?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Deve acontecer o mesmo.”

Isabelle Kumar, Euronews: Então Portugal e Espanha devem ver a dívida perdoada?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Quem incorreu em dívida? A quem se deve? Em parte, a dívida foi contraída por ditadores. Na Grécia, foi a ditadura fascista, que os Estados Unidos apoiaram, quem contraiu grande parte da dívida. Julgo que a dívida foi mais brutal do que a ditadura brutal, aquilo a que se chama no direito internacional “odiosa dívida”, que tem de ser paga. E trata-se de um princípio introduzido no direito internacional pelos Estados Unidos, quando lhes interessava que assim fosse. Muito do resto da dívida, o que se chama pagamentos à Grécia, consiste, na verdade, em pagamentos aos bancos, alemães e franceses, que decidiram fazer empréstimos extremamente arriscados com juros não muito elevados e que agora estão a ser confrontados com o facto de poderem não ter o dinheiro de volta.”

Isabelle Kumar, Euronews: Gil Gribaudo, um dos nossos seguidores nas redes sociais, pergunta: Como é que a Europa se vai transformar contra as mudanças existenciais com que se depara? Porque se e certo que existe a crise económica também é certo que existe um recrudescimento do nacionalismo, e também descreveu algumas linhas, que falharam, que foram criadas pela Europa fora. Como é que vemos a transformação da própria Europa?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “A Europa tem problemas sérios. Alguns problemas resultam de políticas económicas concebidas pelos burocratas, em Bruxelas, a Comissão Europeia, etc., sob pressão da NATO e dos grandes bancos, principalmente alemães. Estas políticas têm algum sentido do ponto de vista de quem as concebeu. Porque é certo que querem receber de volta o dinheiro que apostaram em empréstimos de risco e investimentos. A outra coisa é que estas políticas estão a provocar a erosão do Estado-providência, que nunca gostaram. Mas o Estado-providência é um dos maiores contributos da Europa para a sociedade moderna. Os ricos e poderosos nunca gostaram disso e o facto de estas políticas estarem a provocar a erosão é bom do ponto de vista dessas pessoas. Existe um outro problema na Europa. É que é extremamente racista. Sempre senti que a Europa é, provavelmente, mais racista do que os Estados Unidos. Não era tão visível na Europa porque a população europeia, no passado, tendia a ser bastante homogénea. Se todos forem loiros e de olhos azuis, não se parecerá racista, mas assim que a população começa a mudar, o racismo começa-se a fazer notar. Muito depressa. E isso é um problema cultural sério na Europa.”

Isabelle Kumar, Euronews: Robert Light, outro dos nossos seguidores nas redes sociais, pergunta: O que lhe dá esperança?

Noam Chomsky, linguista, filósofo e ativista político: “Falámos sobre várias coisas que me fazem ter esperança. A independência da América Latina, por exemplo. Tem um significado histórico. Nos encontros hemisféricos recentes, os Estados Unidos estiveram completamente isolados. É uma mudança radical em relação há 10 ou 20 anos, quando os Estados Unidos dominavam [as questões latino-americanas]. Na verdade, a razão porque Obama teve certos gestos em relação a Cuba foi para tentar superar o isolamento dos Estados Unidos. São os Estados Unidos que estão isolados, não é Cuba. E provavelmente falharão. Veremos. Os sinais de otimismo na Europa são o Syriza e o Podemos. Esperamos assistir, no fim, a um levantamento popular contra as políticas económicas e sociais esmagadoras e destrutivas, que resultam da burocracia e dos bancos. Isso dá esperança. Devia dar.”

Grécia deve assinar acordo energético com a Rússia nos próximos dias


O Governo grego vai assinar um acordo energético com a Rússia, já na próxima semana. A notícia está a ser avançada pela revista alemã Der Spiegel, que cita fontes do Syriza, o partido do primeiro-ministro grego.
A assinatura vai permitir a Atenas receber até 5 mil milhões de euros em pagamentos antecipados, numa altura em que os cofres públicos estão praticamente vazios. 
Em causa, está o gasoduto que a Rússia quer ter pronto até 2019 e que vai permitir ligar o país à Europa. A Grécia pode receber já os futuros benefícios, por ser um dos países por onde vai passar a estrutura.
Entretanto, continua sem chegar a acordo com os credores internacionais. O plano de reformas grego está a ser discutido em Paris, pelo chamado "grupo de Bruxelas", que integra membros da troika. Contudo, os técnicos já avisaram que não estão satisfeitos com a falta de progressos nas negociações.

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Este acordo poderá significar o princípio de uma nova era para a Grécia e o fim do euro, para a Europa. Poderá ser também uma grande oportunidade para Putin se vingar das provocações de que a Rússia está a ser alvo, em relação à Ucrânia.
Se a Grécia também avançar com a concessão à Rússia, que tem manifestado esse interesse, da exploração das enormes jazidas de gás e de petróleo no Mar Egeu e no Mar Jónico, e se parte dos pagamentos respetivos puderem ser antecipados, então e cessação dos pagamentos da dívida grega à troika poderá verificar-se, sem as turbulências que uma bancarrota acarretaria, já que o financiamento para as despesas correntes do Estado grego ficaria assegurado, pela Rússia. A turbulência, com consequências políticas, económicas e sociais imprevisíveis, passaria para os países do euro e para todos os países UE, que ficariam a arder, com o passivo da dívida grega.
Perante um cenário desta dimensão, naturalmente catastrófico, ficaria em causa, devido à teimosia e à chantagem da Alemanha e dos seus indefectíveis aliados, a existência da própria União Europeia.
AC

Agradeço ao João Fráguas o envio desta notícia da SAPO.

sábado, 18 de abril de 2015

A fotografia do sucesso deste governo...


Como é que pode construir-se um país, onde os jovens não têm lugar? 
A tragédia demográfica, que irá ocorrer daqui por vinte anos, é a consequência mais grave desta política suicida. E todos nós somos culpados, por omissão, por desinteresse, por ignorância ou por egoísmo.
Ainda são poucos os que, lucidamente, se encontram empenhados na luta libertadora. Faltas tu!...

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Carlos Carreiras: "Calamidade demográfica do país é prioridade patriótica"


O autarca de Cascais [Carlos Carreiras] considera que, apesar das novidades no campo político relativamente a candidaturas presidenciais, é importante “o país voltar a concentrar-se nos assuntos que realmente importam”.
“Ter ou não ter filhos é uma decisão individual. Mas a calamidade demográfica em que o país se encontra faz desta uma matéria política e uma prioridade patriótica”, escreve o social-democrata no artigo de opinião que assina esta quarta-feira no jornal i, antecipando o “ritmo insustentável de destruição de capital demográfico”, que em 2060 será notado na população: seremos apenas 8,5 milhões de portugueses.

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A demografia é uma bomba relógio, que ameaça o país, a médio e a longo prazo. Até a gente de direita percebe isto, embora apenas alguns se atrevam a dizê-lo na praça pública. Com esta política de severa austeridade - que vai prosseguir por muito tempo, para que, numa manobra financeira complexa, a poupança gerada pelo Estado português vá pagar, não só a dívida pública, contraída junto das instituições da troika, mas, principalmente, a dívida acumulada pelos bancos privados portugueses sobre os bancos privados da Alemanha, e cujos títulos são considerados produtos tóxicos - o êxodo da nova geração, quer a mais qualificada, quer a menos qualificada, vai desequilibrar o quadro demográfico, através da diminuição acentuada e progressiva da taxa da natalidade. É um processo corrosivo e silencioso, que se encontra fora das preocupações da maioria dos portugueses, que, naturalmente, se encontram mais concentrados nas consequências imediatas da crise, com o seu funesto cortejo da perda de rendimentos e com a progressiva falta de resposta dos serviços do Estado Social (Educação, Saúde e Segurança Social).
Quando o número de idosos começar a ultrapassar o número da população ativa, vai entrar-se na época apocalítica da tragédia social. Não haverá dinheiro para pagar as reformas dos jovens atuais, o PIB desacelará em ritmo exponencial, o Estado Social ficará reduzido ao nível da inutilidade, e Portugal descerá ao inferno do Terceiro Mundo. 
E a concretizar-se esta tragédia, no futuro, os responsáveis seremos todos nós, que iremos votar nas eleições legislativas de Outubro deste ano e nas presidenciais de Janeiro do próximo ano.

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NOTA
APROVEITO PARA INFORMAR OS LEITORES DO ALPENDRE DA LUA QUE, ESTE ANO, NÃO VOU FESTEJAR O 25 DE ABRIL DE CRAVO AO PEITO. 
VOU DE LUTO, COM UMA BRAÇADEIRA PRETA NO BRAÇO.
E ISTO, PORQUE O 25 DE ABRIL MORREU E UM OUTRO ABRIL AINDA NÃO NASCEU.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Presidente da Relação de Lisboa ilibado depois de apanhado em escutas a dizer que estava "disponível para tudo"


Em causa está o processo dos vistos gold. Procurador do Supremo Tribunal de Justiça  considera a conversa "normal".
Um juiz recebe uma chamada de um dirigente do Ministério da Justiça - no caso António Figueiredo, presidente do Instituto de Registos e Notariado (IRN) - a quem tinha pedido o favor de lhe explicar como é que se deveria proceder para registar uma criança com um nome mirandês. Depois, fica a saber que António Figueiredo, atualmente em prisão preventiva, desconfia que está a ser investigado e sob escuta da PJ. Supreendido com a notícia, Luis Vaz das Neves, que é presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, reage assim: "Desde já lhe digo e lhe quero manifestar que tudo, mas tudo que o soutor entenda que possa ser útil, porque eu conheço o soutor, estou totalmente disponível para tudo".

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Transversalmente, nas altas esferas do poder, o regime está contaminado, de forma larvar, pela corrupção e pelo nepotismo, e já é impossível corrigi-lo, por via pacífica e consensual. Cada vez mais se impõe uma solução de rutura, que estabeleça uma nova ordem política, orientada para o bem comum. Políticos, banqueiros, juízes e altos funcionários de Estado já atuam em comandita, protegendo-se uns aos outros. Diz-nos a História recente (sec. XX), da América Latina, que, quando as coisas começam assim, têm tendência, tal como uma mancha de óleo, a alargarem-se a algumas classes intermédias da sociedade e a elementos ativos das instituições de forças da Segurança Pública, com estes últimos a organizarem-se em exército secreto, para eliminarem indesejados e perigosos contestatários. Será a lei da selva, com os diversos lobies e cartéis a retalharem e a venderem o país, de acordo com os seus interesses.

domingo, 12 de abril de 2015

A maior mentira da Humanidade



O surgimento da religião justifica-se pela necessidade do homem primitivo tentar encontrar uma explicação plausível para a sua existência e para a existência de tudo aquilo que o rodeava: a Terra, o Céu, o Sol e todos os outros astros. Mas bem depressa, o poder político da classe dominante em cada sociedade se apropriou desse tesouro para se justificar a si próprio, acabando por a institucionalizar. Até hoje. Estado e Religião sempre estiveram unidos no mesmo projeto de domínio político, social e económico, embora tacitamente façam tudo para dar a entender que agem separados.
Na sua matriz, todas as religiões se baseiam nos mesmos princípios e nos mesmos fundamentos, muitos deles herdados das religiões primitivas que surgiram no Médio Oriente, há cerca de cinco e quatro mil anos, embora as que sobreviveram ao desgaste do tempo tivessem de adaptar-se doutrinariamente à evolução civilizacional das sociedades.
A antiga astrologia inspirou as narrativas e as simbologias primitivas da ação das divindades, narrativas e simbologias essas que foram sendo herdadas, com as devidas adaptações, pelas civilizações posteriores. O judaísmo e o Cristianismo não fugiram à regra.