terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Rui Rio: Um aspirante a ditador…



Rui Rio: Um aspirante a ditador…

Eu não quero meter-me na "chinfrineira" do PSD, nem tomo partido pelos "chefes" de cada facção. Entre eles, venha o diabo que escolha. São todos maus e venenosos. Mas, neste caso, o da não convocação de Hugo Soares para a reunião da Comissão Política do PSD, na qual, por inerência, ele tem assento, como presidente do grupo parlamentar, não posso deixar de criticar as declarações de Rui Rio, que justificou a exclusão do deputado, com ridículo argumento de que ele está demissionário daquela presidência e que a reunião iria ocupar-se apenas de assuntos políticos estratégicos do partido e não de assuntos de gestão corrente.

Ora, eu julgo que, estatuariamente, o presidente do grupo parlamentar não tem apenas assento nas reuniões da comissão política, cuja agenda apenas seja dedicada a assuntos de gestão corrente. Tem assento em todas.

E o facto de se encontrar na condição de demissionário, os seus poderes no cargo mantêm-se inalterados até ser substituído.

Rui Rio começou a mostrar o dedo e a unha de um aspirante a ditador... (ver aqui

 Alexandre de Castro

2018 02 20

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Morreu a escritora Natália Nunes


Morreu a escritora Natália Nunes, autora do romance Assembleia de Mulheres
Ver aqui

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O tempo passa, a morte avança, mas é sempre difícil aceitarmos a ideia...
Com toda a saudade, a minha homenagem a Natália Nunes.
Alexandre de Castro

2018 02 14

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A parolice do doutor Costa em relação aos novos impostos da UE


A parolice do doutor Costa em relação
aos novos impostos da UE

Ao chegar-se à frente na questão da criação de mais impostos europeus, o doutor Costa quer ser mais papista que o próprio Papa. Ou, então, estará a abrir caminho - através da exibição de um fanático e ridículo europeísmo - para vir a ocupar, no futuro, um cargo de prestígio nas instâncias europeias, após cessar as suas funções de primeiro-ministro de Portugal. Seja como for, fica-lhe mal a assumpção desta expressiva e bacoca profissão de fé europeísta, inquinada por um escandaloso e rasteiro servilismo, que envergonha o país. Eu até não sei se a ideia não lhe teria sido encomendada por alguém importante, de Bruxelas, de Paris ou de Berlim, para, assim, se iniciar uma campanha promocional que facilite a aceitação, por parte da opinião pública europeia, da criação de mais impostos comunitários. É que esta declaração extemporânea e absurda, que não cabe em nenhum contexto político das funções de um primeiro-ministro, enquanto tal (nenhum primeiro-ministro dos países da UE veio a terreiro falar disto), vai levar o médio cidadão europeu a formular o seguinte raciocínio: Se Portugal, um país pequeno e pobre, e que foi crucificado na cruz da troika, aceita, de bom grado, a criação de mais impostos comunitários, porque não aceitar a ideia como útil e razoável?

Mais uma vez, Portugal tem um primeiro-ministro a fazer a quixotesca figura do "Bom Aluno" da Europa, uma postura que foi comum a todos os primeiros-ministros, depois da adesão à UE. Parolice promovida...

Alexandre de Castro
2018 02 13
Ver aqui e aqui

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

É urgente acabar com a vandalização do mercado de trabalho



Bruxelas: Portugal protege excessivamente "contratos permanentes"

O alerta consta de um estudo da Direção-Geral para os Assuntos Económicos e Financeiros e refere-se aos contratos sem termo. Bruxelas considera que estes contratos têm "excesso de proteção".
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É urgente acabar com a vandalização
do mercado de trabalho

Os trabalhadores portugueses devem começar a pensar em que partidos irão votar nas próximas eleições legislativas. É que Bruxelas está a iniciar o ataque à estabilidade social do nosso país, a nível do emprego. Por agora, o aviso vem pela via burocrática - uma Direcção Geral, que não tem rosto - mas, se o governo português não obedecer, no futuro, far-se-á ouvir a voz grossa da cúpula política da UE.

Percebe-se a estratégia de Bruxelas. Por um lado, impor o modelo neoliberal, que tem a sua expressão máxima na liberalização total do mercado de trabalho, dando plenos poderes ao patronato de  suspender unilateralmente (e sem justa causa), um qualquer contracto de trabalho, a termo certo. Por outro lado, se esta ideia for aplicada, os empresários vão começar a despedir os trabalhadores dos grupos etários mais elevados - que já não terão a oportunidade de encontrar um novo emprego e que serão penalizados nas suas reformas - e substitui-los, com contractos a prazo, por jovens trabalhadores.

Com a recuperação deste poder discricionário, que vigorou durante o regime fascista de Salazar e Caetano, o patronato fica com uma poderosa arma na mão, para contrariar a capacidade reivindicativa dos trabalhadores e dos sindicatos ligados à CGTP, ao mesmo tempo que vai servir-se da cumplicidade dos sindicatos amarelos, que, nos momentos críticos, acabam por alinhar, embora com alguns disfarces, com as teses do patronato.

Perante esta potencial ameaça para o mundo do trabalho, é importante, desde já, confrontar o governo do PS de António Costa com esta abusiva e descarada recomendação de uma obscura Direcção-Geral da Comissão Europeia, que, de certeza, não actuou de moto-próprio e sem o aval da respectiva cúpula política.

É óbvio, que esta luta também tem de envolver a reivindicação de acabar com a actual precaridade trabalho dos jovens trabalhadores, precaridade esta que ainda não mereceu a atenção do actual governo. A maioria dos contractos de trabalho, que são oferecidos aos jovens trabalhadores, principalmente aos de média e pequena qualificação, contemplam apenas um perídio de seis meses. Entre este universo, são muito raros os casos de jovens trabalhadores que conseguem fixar-se num posto de trabalho, com um contracto sem termo.

Esta vandalização do mercado de trabalho, levada a cabo, principalmente, pelos médios e pequenos empresários, e que tem tido a cumplicidade passiva do governo do PS, vai ter, no futuro, repercussões a nível demográfico, acentuando o envelhecimento da população portuguesa, uma vez que estes jovens não têm condições económicas de organizar uma família e de assegurar a sucessão geracional.

É urgente acabar com esta vandalização do mercado de trabalho.

Alexandre de Castro
2018 02 06

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Afinal, os “gangsters” são os banqueiros!...


Sabe quanto gasta por ano em comissões bancárias?
“Considerando a anualidade e a taxa de manutenção, no total, cada português é obrigado a desembolsar 63 euros por ano. Parece pouco? Este valor representou dois mil milhões de euros em 2017, o que significa que são cobrados cinco milhões de euros por dia aos portugueses”.
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Afinal, os “gangsters” são os banqueiros!...

Afinal, os “gangsters” são os banqueiros!... Levaram os bancos à falência, com o crédito ao desbarato, durante os anos de ouro da especulação imobiliária, tendo arrecado lucros fabulosos, e, agora, querem que sejam os depositantes a pagar a factura. E como Portugal está amarrado de pés e mãos à União Bancária Europeia, coordenada pelo BCE, o governo pouco pode fazer, para não dizer que não pode fazer nada.
Mais uma delícia do "paraíso" europeu que o PS, PSD e CDS, ardilosamente, venderam aos portugueses. Mas, descansem, que a procissão ainda só vai no adro. Quando chegar à igreja vai ser "o bom e o bonito".
Alexandre de Castro
2018 02 03

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Apoio aos Princípios e Orientações para a Revisão da Lei de Bases da Saúde


Apoio aos Princípios e Orientações para a Revisão 
da Lei de Bases da Saúde

“A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”, proclama a Organização Mundial da Saúde. É a aplicação deste conceito que esta petição propõe ao poder político.

Pela sua Saúde, assine esta petição.




segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Costa deixa garantia: Centeno “em circunstância alguma sairá do Governo”


Costa deixa garantia: Centeno “em circunstância alguma sairá do Governo”

Primeiro-ministro desvaloriza buscas ao Ministério das Finanças e diz que Mário Centeno não sairá do Governo mesmo que seja constituído arguido".

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Lá se vai a tese do “Bom Aluno” da Europa…

O problema de Centeno não está na "ida a um desafio de futebol", como diz o senhor primeiro-ministro, com uma certa desfaçatez. O problema está em saber se Centeno fez um favor pessoal a Luís Filipe Vieira, em sede fiscal, ao arrepio da lei, abusando assim do seu poder político, o que é crime.
Isto até poderá passar ao lado da atenção e das preocupações dos portugueses, que, normalmente, em política, só dão conta do fogo, depois da casa arder. Mas a opinião pública europeia não vai ficar calada, nem a Comissão Europeia, a contragosto, vai permitir que a sua imagem pública fique assim chamuscada, o que não vai permitir-lhe que se remeta a um silêncio cúmplice. É que o cargo que Centeno ocupa, numa das mais importantes instituições comunitárias, nem sequer admite a simples suspeição, quanto mais um crime, se ele for provado.

Alexandre de Castro
2018 01 29

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Recado para o senhor primeiro-ministro



Recado para o senhor primeiro-ministro

As maiores demoras, com tempos médios de espera acima dos 1000 dias, verificam-se em unidades do interior norte, mas também do centro Litoral. Urologia no Hospital S. Pedro, em Vila Real, chega a ter um tempo de espera de 1600 dias (mais de quatro anos). Para uma consulta de Oftalmologia no Hospital de Chaves pode ter de esperar 1038 dias, enquanto que no Hospital de Nossa Senhora da Assunção em Seia, a demora para uma consulta normal é de 1015 dias.

Assim não, Senhor Costa!.. Assim, não!... Nem a “Geringonça” pode aceitar um escândalo destes. Estes números são uma vergonha!... São números dignos de figurar nas estatísticas de um país do terceiro mundo. Eu pergunto-lhe, senhor primeiro-ministro, quantas mortes não irão proximamente ocorrer - entre aqueles milhares de pacientes que vão esperar, meses e anos, por uma primeira consulta de especialidade médica - por não serem tratados atempadamente? E isso é crime, senhor primeiro-ministro. Entre estes desesperados pacientes, a mortandade vai ser superior à que ocorreu com os incêndios do último Verão. E, neste caso, o Marcelo não vai poder andar por aí, a promover o festival dos abraços e dos beijinhos, aos familiares das vítimas, nem as televisões vão montar a tenda para o circo mediático do costume.

O senhor primeiro-ministro é um hábil especialista no "tirar aqui, para dar ali", e é também muito expedito no "virar a página" do livro da "Boa Governança", que anda a ler, mas, vai-se sabendo e sentindo, apenas lê os capítulos que lhe interessam, passando por alto e fazendo vista grossa sobre aqueles que não lhe interessam. E,  de política de Saúde, o senhor fala muito pouco, para não dizer que não fala nada, o que não é de admirar, pois, neste capítulo, não tem nada para dizer, tal é a inoperância do seu ministro da Saúde, que está interessado principalmente em aplicar o já velhinho plano de meter os privados no SNS, quer através das Parcerias Público Privadas, quer através do alargamento de contractos de concessão de prestação de alguns cuidados de Saúde, como, aliás, já acontece com os meios auxiliares de diagnóstico, uma solução, que, imediatamente, até agrada ao utente, mas que também agrada ao Estado, pois alivia momentaneamente a pressão sobre o Orçamento do Estado, empurrando-se assim, com a barriga, os problemas dos custos para o futuro, quando a despesa acumulada se revelar muito superior àquela que se obteria se o Estado fizesse agora os necessários investimentos no pessoal da Saúde, que está a diminuir, e nos meios operacionais, que exigem uma periódica actualização e uma contínua manutenção.

Eu escrevi "meter os privados no SNS", e disse bem, pois isso é a mesma coisa que meter um lobo no meio de um curral de ovelhas.

Eu, ainda na última segunda-feira, fui fazer uns exames da especialidade radiológica a uma empresa privada, que tem contracto com o ministério da Saúde. Foi uma maravilha. Em meia hora sinalizei a minha presença, procedi ao pagamento da taxa moderadora e fiz os três exames requisitados. Instalações funcionais e com uma estética bem conseguida e um atendimento impecável. E eu, nestas situações, faço sempre, para mim próprio, a mesma pergunta: "Quanto tempo isto irá durar"? E é esta pergunta que eu faço aos meus leitores, ao senhor primeiro-ministro e ao "perigoso" ministro da Saúde, um homem que é um submarino do lobie da Saúde.

Alexandre de Castro

2018 01 24


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Este artigo ocupa, desde há três dias, o top das entradas mais lidas, no jornal electrónico Abril de NovoMagazine, um sinal evidente de que os militantes e simpatizantes da verdadeira esquerda já perceberam os joguinhos de António Costa, que, até ao fim do mandato, vai, alternadamente, começar a piscar o olho, ora à direita, ora à esquerda. Entretanto, o Serviço Nacional de Saúde ameaça ruptura. Ontem, num jornal, sinalizei quatro notícias sobre protestos das populações, em vários pontos do país, a denunciar as falhas e o mau funcionamento do serviço público de Saúde.
António Costa, ao anunciar a decisão de se avançar com a construção de um novo hospital, em Lisboa, em regime de PPP, também não explicou como é que o novo hospital, que vai ter menos camas do que as que existem, actualmente, nos cinco hospitais, que irão ser substituídos, pode responder com eficiência à crescente procura de cuidados médicos hospitalares da população de Lisboa, uma vez que a percentagem de população idosa aumenta de ano para ano.
2018 01 26

sábado, 20 de janeiro de 2018

Lista transnacionais para o PE: uma nova armadilha

Macron e Costa

Lista transnacionais para o PE: uma nova armadilha

Além de já dominarem a Europa, através da economia, com o Mercado Comum a assegurar-lhes um enorme desenvolvimento, a França e a Alemanha querem agora, sub-repticiamente, através da criação de listas transnacionais, para o Parlamento Europeu, abocanhar o poder político, esbatendo assim as seculares identidades nacionais.
A acontecer esta aberração, que iria diminuir o poder de influência dos pequenos países, Portugal passaria a ser os "Trás-os-Montes" da Europa, (que já é).
A obsessão pelo figurino do "bom aluno" tem levado os nossos primeiros ministros a evidenciarem-se, com pompa e circunstância, através da saloia cabotinice, da subserviência rasteira e da fidelidade canina aos senhores da Europa.

Alexandre de Castro

2018 01 19
Ver aqui

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

TGV: Manuela Ferreira Leite também embandeirou em arco


TGV: Manuela Ferreira Leite também embandeirou em arco

A ideia do TGV não passou apenas pela mente megalómana de Sócrates. Antes, também Manuela Ferreira Leite, como ministra das Finanças, embandeirou em arco, com aquele projecto. Também a França e a Alemanha, numa jogada calculista, levaram a UE a aumentar a contribuição comunitária, pois aquela obra iria beneficiar as suas economias, através das exportações para Portugal de produtos de elevado valor acrescentado, principalmente maquinaria para a construção civil e material ferroviário.
Se este projecto não tivesse sido travado, hoje, Portugal teria um elefante branco na sua economia, por falta de rentabilidade da sua exploração, ao mesmo tempo que a sua dívida pública seria muito maior do que é na actualidade.

Alexandre de Castro
2018 01 08

domingo, 7 de janeiro de 2018

Kim oferece botão nuclear a Trump e diálogo a Seul


Kim oferece botão nuclear a Trump e diálogo a Seul

Garantindo que a Coreia do Norte já é "uma potência nuclear completa" mas "responsável", líder de Pyongyang mostra-se interessado em ver os seus atletas nos Jogos Olímpicos de Inverno, daqui a um mês na Coreia do Sul.
… “Os EUA devem sabem que o botão para as armas nucleares está na minha secretária. Isto não é chantagem, é a realidade”, disse, antes de sublinhar o alcance do armamento do seu país. “Toda a área continental dos EUA está dentro do alcance dos nossos ataques nucleares”, afirmou. Pelo que “os EUA nunca poderão começar uma guerra contra mim e contra o nosso país”. Como líder de uma “nação responsável”, Kim também promete que “estas armas só serão usadas se a nossa [do regime norte-coreano] segurança for ameaçada”.

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Exceptuando a clamorosa derrota no Vietname, nunca os EUA foram tão humilhados! Donald Trump teria preferido levar uma bofetada na cara, do que ter de se sujeitar à corrosiva ironia do líder norte-coreano, que o deixou sem resposta.
Este incidente "sui generis" vai ficar na História da Diplomacia, e só não teve uma grande ressonância mediática, porque os meios de comunicação social do sistema procuraram limitar a dimensão do escândalo e de ter de vir a reconhecer o desgaste dos EUA.
E será a China que, daqui por una anos, irá ter na mão a chave da liderança do mundo, quer na economia, quer no poderio militar. A Coreia do Norte é, apenas, um dos seus braços nucleares, e que lhe obedece inteiramente, embora esse domínio não seja assumido publicamente. Foi, possivelmente, neste processo de relacionamento, entre a China e a Coreia do Norte, que os EUA se inspiraram na estratégia de encomendar a guerra a terceiros, através da acção subversiva da CIA, no Médio Oriente.
Alexandre de Castro
2018 01 01

Trump não é tão doido como o pintam...


Trump não é tão doido como o pintam...

Trump não é tão doido como o pintam e como ele se faz parecer. Ele é a fiel expressão presidencial do poderoso lobie judaico-financeiro (sionista), que pretende, nem que seja à bomba, estancar o evidente declínio dos EUA - como potência mundial hegemónica - perante a ascensão da China, da Rússia, e também da UE, cuja respectiva liderança pertence, cada vez mais, à Alemanha. Não podemos esquecer que Trump, logo no início do seu mandato, dirigiu palavras hostis à UE, o que não é de admirar, pois a Alemanha e a França fizeram da UE uma coutada, que muito as beneficiou, e da qual habilmente afastaram, com o mercado único, a Grã-Bretanha e os EUA. É significativo o facto de Trump ainda não ter efectuado uma visita de cortesia a Bruxelas, a Paris e a Berlim. E nem a irá fazer, creio eu. (Ver também aqui)
Alexandre de Castro
2018 01 07

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Perguntas sobre Deus



Perguntas sobre Deus 

Perguntas sobre Deus
Um dia, eu perguntei:
Avô, onde está Deus?
Meu avô ficou triste,
e nada me respondeu.
Meu avô morreu nos campos
sem reza nem confissão.
E os índios o enterraram
flauta de cana e tambor.
Mais tarde, perguntei:
Pai, que sabes de Deus?
Meu pai ficou sério
e nada me respondeu.
Meu pai morreu na mina
sem doutor nem proteção.
Cor de sangue mineiro
tem o ouro do patrão!
Meu irmão vive nos montes
e não conhece uma flor.
Suor, malária e serpente
é a vida do lenhador.
E que ninguém lhe pergunte
se sabe onde está Deus:
Pela sua casa não passou
tão importante Senhor!
Eu canto pelos caminhos
e quando estou na prisão,
ouço as vozes do povo
que canta melhor que eu.
Se há algo na Terra
mais importante que Deus
é que ninguém cuspa sangue
Pra que outros vivam bem.
Que Deus vela pelos pobres?
Talvez sim e talvez não.
Mas é certeza que Ele almoça
na mesa do patrão.

*Cantor, guitarrista, poeta e escritor argentino.

sábado, 23 de dezembro de 2017

A estafada teoria do partido mais votado


Em resposta à proposta de diálogo emitida por Puigdemont, desde Bruxelas, onde está exilado, Rajoy disse que apenas está disposto a conversar com quem venceu as eleições na Catalunha "que é a senhora [Inés] Arrimadas", a cabeça de lista do partido anti-independência Cuidadanos que garantiu mais deputados no parlamento catalão.
Diário de Notícias

A estafada teoria do partido mais votado

Perante os resultados das eleições da Catalunha - em que, politicamente, e segundo o jornal PÚBLICO, o grande vencedor foi  Carles Puigdemont (ver aqui) - a declaração do primeiro-ministro de Espanha, Mariano Rajoy, parece querer reeditar a teoria conspirativa de Passos Coelho, sobre o partido mais votado, teoria que não se enquadra nas leis eleitorais dos dois respectivos países ibéricos e que os partidos que lideram aprovaram há meio século, consagrando o sistema proporcional, no apuramento dos resultados.
Quando os resultados não lhes são favoráveis, recorrem à batota do falacioso argumento do número de votos.
É certo que, aritmeticamente, o partido Cidadanos (anti-independência) obteve mais votos  (25,3%) e elegeu mais deputados (37), resultados estes muito pouco superiores aos obtidos pela coligação “Juntos pela Catalunha”, de Puigdemont (21,6% de votos e 32 deputados.
Mas o que realmente importa, para formar um governo, é encontrar o partido que consiga uma maioria estável no parlamento, negociando o apoio de outros partidos com identidades políticas próximas. E, no rescaldo destas eleições da Catalunha, é a formação política de Puigemont que está em melhores condições de alcançar este desiderato. Ao aglutinar o apoio da Esquerda Republicana Catalã e do CUP, Puigdemont assegura uma maioria parlamentar, com 70 deputados. Por sua vez, os partidos anti-independência apenas podem contar com 65 deputados. Por isso, foi  Puigdemont o vencedor destas eleições.
Alexandre de Castro
2017 12 22 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Eva devia ter sido mais ou menos assim...


Eva devia ter sido mais ou menos assim...

Eva deveria ter sido mais ou menos assim, não sendo, pois, de admirar que Adão resvalasse para a tentação da carne, tentação esta representada pudicamente no texto bíblico por uma maçã. Só não sei por que razão Deus se terá arrependido de criar a criatura e de não ter tido o divino atrevimento de a eliminar da face da Terra, construindo assim um mundo muito mais desinteressante, mais a seu gosto.
Alexandre de Castro
2007 Julho

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Oração poética


Oração poética

Quando se fala de caridade
deve falar-se de fé e ideologia
e de  Isabel Jonet*
que trabalha de graça para Deus,
embora o Nazareno, sem saber a tabuada,
lhe tenha feito uma partida,
baralhando o jogo
com o milagre da multiplicação dos pães...

Alexandre de Castro
Lisboa, Dezembro de 2017

*Directora do Banco Alimentar Contra a Fome

Ver também aqui

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Jerusalém deveria ser uma cidade internacional, administrada pela ONU


Jerusalém deveria ser uma cidade internacional, administrada pela ONU

Mexer em Jerusalém, é mexer numa ferida que ainda sangra. Ela pertence ao mundo do imaginário das três grandes religiões monoteístas, e não pode ser reivindicada, em exclusividade, como capital de um qualquer Estado, cujos fundamentos assentem numa das doutrinas dos Livros Sagrados (Antigo Testamento, Evangelhos e Alcorão).

Jerusalém deveria ter um estatuto único, universal e independente, sob a administração da ONU, que garantiria a liberdade de culto e o acesso dos crentes aos seus lugares sagrados.
...
Vai fazer um século, que a Palestina, pela Declaração de Balfour, sofreu um rude golpe, ao permitir que o sionismo internacional lançasse a primeira pedra do seu plano, de longo prazo, de recuperar para os judeus o Estado e o território que perderam há dois mil anos, em consequência da sua integração no Império Romano. Se o mundo todo começasse a reivindicar direitos históricos milenares, o caos, a desordem e a guerra surgiriam por todo o lado.

Quem poderá invocar o direito histórico, em relação à Palestina, será o povo palestiniano, um povo que resultou da natural evolução demográfica da região, depois da época do Império Romano, e que foi traído, em 1948, pela comunidade internacional, quando esta aprovou, na ONU, e ainda sob o efeito emocional dos crimes do nazismo alemão sobre os judeus, a constituição do Estado de Israel, naquele território, entretanto islamizado, ao longo de sete séculos. Foi a mesma coisa que lançar gasolina para o meio do fogo. E a gasolina foi oferecida pelo poderoso lobie sionista, que os grandes banqueiros judeus, dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, sustentam, alimentam e estimulam.
Alexandre de Castro
2017 12 08

domingo, 3 de dezembro de 2017

Aristóteles dixit... (*)

(*) CANAL TOP 10+
2017 12 03

Costa quer mudar a Europa, a começar pelo euro


Costa quer mudar a Europa, a começar pelo euro

Numa altura em que se discute a eleição de presidente do Eurogrupo, o primeiro-ministro defendeu, em frente a socialistas europeus, que tem de haver uma reforma da união económica e monetária para que deixe de haver “uma moeda do Sul e outra do Norte”.
***«»***

Se Costa acredita no que disse, é um ingénuo. Se não acredita, é um malabarista.
Inclino-me para a segunda hipótese, em que se debita o discurso que Angela Merkel vai gostar de ouvir. Mais Europa, até ao sufoco total, mais integração, até à perda de soberania, e mais dependência em relação ao imperialismo financeiro europeu, que tem as suas agências políticas em Bruxelas, em Berlim e em Paris.
Em relação ao euro, tenho de contar ao Costa aquela minha história da criança que vestiu o casaco do pai, Era grande demais, o que lhe dificultava os movimentos.
É dos livros de economia e de finanças: o valor cambial da moeda da economia de um país deve seguir em linha com o nível da produtividade, bem como com o nível do seu PIB per capita. E estes dois indicadores económicos são muito baixos, em Portugal, o que o coloca no último grupo dos países europeus, onde apenas se encontram os países de Leste.
Não nos contem a história do Capuchinho Vermelho, porque o lobo mau está ali, ao dobrar a esquina.
Alexandre de Castro
2017 12 03

sábado, 2 de dezembro de 2017

Ideal monárquico está a seduzir simpatizantes do Bloco e do PCP - diz o Diário de Notícias


Ideal monárquico está a seduzir simpatizantes do Bloco e do PCP – diz o Diário de Notícias

O feriado de hoje traz uma novidade: há muitos militantes de esquerda dos principais partidos a frequentar as academias de formação monárquica e deputados que defendem a família real no protocolo de Estado.
...
Não é preciso investigar muito para confirmar que os ideais monárquicos sempre seduziram bastante os que em Portugal votam CDS, ligeiramente menos os do PSD e um pouco os do PS, mas o que surpreende é que atualmente militantes de esquerda se interessem pelos ideais monárquicos: do PCP e do Bloco de Esquerda, por exemplo.
João Céu e Silva
Diário de Notícias 
2017 12 01
***«»***

O jornalista João Céu e Silva não obedeceu ao princípio do contraditório, um princípio sagrado no jornalismo, e que consiste em recolher os depoimentos de todas as partes visadas pelos interlocutores entrevistados. A peça centra-se apenas em depoimentos de pessoas ligadas à Causa Monárquica, não tendo havido a preocupação de ouvir os tais militantes e simpatizantes comunistas e bloquistas, que frequentam as tais academias de formação monárquica, ou a opinião das respectivas direcções partidárias. Faltou, pois, a nível deontológico, a isenção necessária e obrigatória, que sustentasse a credibilidade da notícia, o que só envergonha o seu autor, assim como o próprio jornal.

Julgo que o PCP e o Bloco de Esquerda não irão deixar passar em claro esta aleivosia e este rasteiro e ignóbil estratagema.

Por outro lado, a extensão do texto, manifestamente exagerada para o seu relativo interesse mediático, e o seu tom, a resvalar, embora indirectamente, para um discurso apologético, levantam outras suspeitas, que prefiro não referir. E esta minha reserva mental surgiu, logo no início da leitura do texto, quando João Céu e Silva opina [trata-se de uma opinião pessoal, pois não é identificado nem referido nenhum interlocutor, e, numa reportagem, o jornalista não pode emitir nenhuma opinião nem quaisquer juízos de valor] o seguinte: "O que se passa com os ideais republicanos e o que ganham os defensores da monarquia com a descrença dos portugueses num sistema político democrático em que os escândalos surgem em catadupa no Portugal"...

A não ser que ignore a História, João Céu e Silva omitiu, na sua comparação entre os dois regimes, os grandes escândalos da monarquia, em que se destaca a questão dos Adiantamentos à Casa Real, o que, então, enfureceu os republicanos.
Alexandre de Castro
2017 12 01

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Portugal, o bom aluno da troika: trabalhar e empobrecer?




Portugal, o bom aluno da troika: trabalhar e empobrecer? (*)

Ouvindo os nossos políticos e os comentadores encartados, até nos parece que tubo corre bem, entre os carris, que nos ligam Europa. Mas não é bem assim. Portugal será sempre um país de baixos salários e de empregos precários, porque isso interessa muito à economia da Alemanha, que assim aumenta a competitividade para os produtos das suas multinacionais, que instalaram no nosso país as respectivas estruturas fabris, e que, não satisfeitas com a competitividade elevada, que os baixos salários dos trabalhadores proporcionam, ainda recorrem ao outsourcing, para aumentá-la ainda mais.
Este vídeo foi feito por um canal televisivo da Alemanha, que aborda com muita clareza e seriedade os efeitos devastadores do governo da troika. Por isso, não admira que Passos Coelho, enquanto primeiro-ministro, tivesse visitado várias vezes a sede da Bosch. Não foi, de certeza, para ouvir os trabalhadores.

(*) Vídeo enviado pela minha amiga Helena Viegas.

Alexandre de Castro
2017 11 24

Um Dilúvio: água e lama e muitos mortos...


Um Dilúvio: água e lama e muitos mortos...

Cheias de 1967. Foi uma das grandes tragédias do país, que veio juntar-se à de Alcácer Quibir e à do grande terramoto de Lisboa, e que, posteriormente, já nos tempos actuais, teve uma nova manifestação nos grandes incêndios florestais do centro do país.

Em 1967, houve mortos, cerca de setecentos, houve heróis, os estudantes universitários de Lisboa, que se mobilizaram solidariamente, para irem auxiliar as vítimas, e os bombeiros voluntários das regiões afectadas, que, por iniciativa própria, e com parcos meios operacionais, retiraram os mortos da lama. Mas também houve canalhas, os próceres do regime de então, com Salazar à cabeça, que tentaram ocultar a tragédia, para que o mundo não viesse a conhecer as condições de miséria em que a maioria dos portugueses vivia e que, também, de forma criminosa, negaram qualquer apoio às populações atingidas, que mais pobres ficaram.

Leiam este texto da página da Rádio Renascença e ouçam a versão áudio. Muitos portugueses, entre os que têm menos de cinquenta anos, desconhecem esta tragédia e as suas consequências.
Alexandre de Castro
2017 11 22

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A Bomba Atómica demográfica


A Bomba Atómica demográfica

Não sei!... Não sei se vai ser possível agradar a Gregos e a Troianos, ou seja, às instâncias europeias e ao projecto da nossa Geringonça.

Portugal, para pagar a dívida, necessitaria de crescer cinco por cento por ano, até 2036, cálculo este que é de 2014, E esse crescimento não se verificou em 2015, em 2016, em 2017, nem vai ocorrer em 2018, segundo o OE. Assim, já se perderam quatro anos, o que quer dizer que a fatia do pagamento da dívida terá de aumentar nos anos seguintes.

O crescimento de 2017 deveu-se muito ao Turismo, mas esse crescimento não é infinito. Há um ponto de saturação que, segundo os especialistas, já foi atingido. E, nos outros sectores da economia, o investimento está a ser colocado em sectores de baixo valor acrescentado e de oferta de emprego mal remunerado, tal com ainda ontem um gabinete da comissão europeia alertou (eles atá são nossos amigos). Com esta ambição rasteira, o crescimento será mínimo.

Mas há um problema super estrutural, de longo prazo, que não está a ser considerado, pois o governo é obrigado, pela conjuntura actual, a governar a curto e a médio prazo, e sempre com um olho no burro e outro no cigano (adivinhe o leitor quem é o burro e quem é o cigano). Trate-se do alarmante défice demográfico, que, tal como um cancro, vai minando a estrutura etária da população portuguesa. Nos próximos dez anos, a natalidade vai sofrer um grande rombo, porque a actual geração de jovens não teve, não tem, nem vai ter condições de vida, que lhe permita ter filhos. Este problema, que estava circunscrito ao mundo rural, por efeito da emigração, passa a ser também um problema das cidades. E com uma demografia adversa, não há economia real que resista. Se repararmos, este pilar, essencial para o desenvolvimento, não está ser considerado. E os nossos governantes, a Merkel e a Comissão Europeia sabem isto, mas assobiam para o lado e metem o lixo debaixo do tapete, e fazem o seguinte raciocínio, quem vier atrás que feche a porta.

A continuar esta situação de impasse, a bomba atómica acabará mesmo por rebentar.
Alexandre de Castro
2017 11 14

Debate sobre o Serviço Nacional de Saúde


Debate sobre o Serviço Nacional de Saúde

Ouça o debate, para ficar mais informado sobre o estado do SNS, assim como sobre as grandes ameaças, que está a enfrentar.
Depois, não venha dizer que não sabia.

Apenas duas notas, sendo uma delas, a primeira, em estilo metafórico:
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1ª Numa oficina de automóveis, há mecânicos e electricistas-auto. A trabalhar num automóvel, o mecânico não vai fazer intervenções na área eléctrica, nem o electricista-auto se vai meter na parte da mecânica.

Também no futebol, o guarda redes não vai marcar penaltis contra a equipa adversária, nem o avançado de centro vai para a baliza, defender um penalti, contra a sua equipa.
Sobre as chamadas transição ou transferência de competências profissionais, no sector da saúde, estamos conversados.

2ª Como disse o médico Mário Jorge, Presidente da Federação Nacional dos Médicos, o actual governo nada fez, nestes dois anos, nas áreas dos Cuidados Primários (Centros de Saúde), na introdução de novos métodos de gestão hospitalar e nos Cuidados Continuados. O respectivo ministro, que em nada se diferencia do ministro do anterior governo, parece estar mais interessado em construir hospitais e centros de saúde para entregar a agentes de saúde privados, através das manhosas PPP, para que, daqui por cinco ou dez anos, sejam totalmente privatizadas.

Não sei se o ministro já foi convidado, tal como o anterior, para alguma reunião do Grupo Bilderberg. Se não foi, então, tirou o curso por correspondência.
Alexandre de Castro
2017 11 14

Veja aqui o vídeo: