Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Notas do meu rodapé: Lei das Rendas... Lei dos Despejos... A barbárie anda à solta...

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CONCENTRAÇÃO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
DIA 1 DE JUNHO 12 HORAS (hora da votação)
VOTAÇÃO NA ESPECIALIDADE DAS PROPOSTAS DO GOVERNO SOBRE:
O REGIME DA REABILITAÇÃO URBANA
O REGIME DO ARRENDAMENTO URBANO (LEI DAS RENDAS)
O REGIME DAS OBRAS EM PRÉDIOS ARRENDADOS
O PSD e o CDS, ontem, dia 29 de Maio, votaram favoravelmente, e com alterações insignificantes, as propostas do Governo sobre as matérias indicadas. Insensível ao fundamental das propostas da oposição, da AIL e dos movimentos sociais, a maioria PSD/CDS aprovou um autêntico cataclismo social. Para culminar todo este indigno processo, a votação final pelo Plenário da Assembleia da República será no dia 1 de Junho.
Como todos sabemos, estas propostas trarão consequências arrasadoras para a maioria dos inquilinos com contratos celebrados antes de 1990. Esperam-nos aumentos imediatos das rendas actuais para valores incomportáveis para a maioria dos inquilinos, e os consequentes despejos. Esperam-nos despejos por alegada reabilitação ou por obras.
Lá estaremos, na AR. Nas galerias ou na rua.
Lá estaremos! ÀS 12 HORAS!
A Direcção
***
Os dois partidos de direita, do arco da traição, preparam-se para, amanhã, consumarem mais um atentado contra os direitos sociais e contra a Constituição da República, fazendo aprovar uma nova Lei das Rendas, mais conhecida por Lei dos Despejos, pois é essencialmente da facilitação dos despejos que se trata, tal como os detentores dos Fundos Imobiliários e os senhorios pretendem. O PSD, por uma qualquer razão, que não é necessariamente o interesse nacional nem a defesa do direito à habitação, consagrado constitucionalmente, tem sido permeável (um dia se saberá por que motivos) à influência lobista do setor imobiliário, que, como é do conhecimento público, tem atrás de si uma história muito negra, ligada à corrupção de ministros e de presidentes de câmaras municipais.
A nova lei é uma barbaridade jurídica, já que a sua parcialidade a favor dos senhorios é notoriamente descarada. Consagra-se como princípio a livre negociação entre as partes, para, mais frente, numa manobra manhosa e suja, criar mecanismos complexos que anulam totalmente aquele princípio. A contemplação de alguma mitigadas exceções, a conceder aos inquilinos deficientes e aos que se encontram em carência económica, apenas são válidas durante cinco anos, ao fim dos quais os deficientes deixam, por uma qualquer intervenção divina, de ser deficientes e os que se encontram em carência económica serão declarados ricos.
O Balcão das Rendas, uma outra monstruosidade jurídica, vem substituir-se aos tribunais comuns, que, até aqui, devido à natureza delicada dos direitos ligados à habitação, têm sido as entidades competentes para julgar os respetivos conflitos nesta área. O Balcão das Rendas não passa de um tribunal governamentalizado, mais permeável à influência lobista.
Este governo da traição tem em marcha uma cruel política terrorista, obedecendo servilmente às ordens da senhora Merkel, a Hitler de saias, Agora, prepara-se para desencadear um cataclismo social, com os milhares de despejos, que irão ser executados. A maioria dos inquilinos, com contrato anteriores a 1990, é composta por idosos, e, entre estes, a maioria tem reformas muito pequenas, que progressivamente se irão desvalorizar nos próximos anos. Nesta ótica, a nova Lei do Arrendamento Urbano é uma lei selvagem, bárbara e assassina, pois vai acentuar ainda mais as gritantes desigualdade sociais, já existentes, e infernizar a vida a um segmento populacional, os idosos, que já nem sequer vão poder morrer em paz.
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Ordenado Mínimo..........€ 485,00 - Para governar a vida;

G.N.R............................€ 800,00 - Para arriscar a vida;

Professor......................€ 930,00 - Para preparar para a vida;

Bombeiro......................€ 960,00 - Para salvar vidas;

Médico.......................€ 2.260,00 - Para manter a vida;

Deputado.................. € 6.700,00 - Para nos lixar a vida ...
free zone
***
E aqui ainda falta anotar os escandalosos vencimentos dos dirigentes das empresas públicas. Quando se invoca o desalinhamento dos salários dos portugueses em relação à produtividade da economia, como justificação para agravar as assassinas políticas de austeridade, certamente não está a falar-se dos trabalhadores com o Ordenado Mínimo, dos soldados da GNR, dos bombeiros, dos médicos do SNS e dos salários da grande maioria dos trabalhadores e pensionistas.   
http://www.freezone.pt/sociedade/403-vencimentos-para-a-vida.html

Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao LEPAMERK e ao Paulo Serôdio, pela sua decisão de se inscreverem como amigos/seguidores deste blogue.

Técnica com êxito garantido...

Amabilidade do João Fráguas e do Joaquim Pereira da Silva
Ninguém gosta de confrontar-se com a sua imagem no lugar errado. O melhor, é descarregar a consciência, não venha aquilo, um dia, a ser verdade. 

Terça-feira, 29 de Maio de 2012

O dilema da esquerda e o pragmatismo da direita

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Imagem retirada do Facebook, da página de Lara Raquel Caldeira Ferraz

Os números negros da vergonha!...


Portugal tem das crianças mais pobres da Europa
Um terço das crianças portuguesas passa sérias privações na sua vida, pode ler-se no relatório “Medir a Pobreza Infantil”. As conclusões são da UNICEF, que ontem libertou o estudo que analisa um conjunto de 35 países, 29 dos quais na Europa. Só a Leste encontramos pior do que Portugal, que ocupa a 25ª posição. Os dados respeitam a 2009, no arranque da crise, e os responsáveis da UNICEF temem que no contexto atual sejam tomadas decisões com consequências ainda mais negativas para os mais novos.
De acordo com o estudo do Gabinete de Investigação da UNICEF sobre a Pobreza e Privação Infantis no mundo industrializado, 30 milhões de crianças vivem na pobreza em 35 países economicamente desenvolvidos. O estudo - que abordou 35 países - coloca Portugal na cauda dos países europeus incluídos no relatório, apenas à frente da Hungria, Letónia, Roménia e Bulgária, em relação a 14 variáveis analisadas pelos investigadores.
RTP
***#***
Um país, que não sabe tratar das suas crianças nem dos seus idosos, é um país monstruosamente bárbaro e hipócrata, que não merece existir.
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=557911&tm=7&layout=121&visual=49

Três bilhetes postais para Christine Lagarde...

Esta criança grega passa fome, porque o seu pai não paga impostos.
Está desempregado...

O que se dizia ser uma ajuda, afinal, agora, chama-se ajustamento,
e para o Estado grego vai uma pequena quantia do FMI-BCE-UE.
Por isso, o sistema de saúde e o sistema educativo estão a
degradar-se inexoravelmente.

Desde que começou a ser aplicado o memorando da troika, o desemprego
mais do que duplicou. Está demonstrada a razão por que os gregos não
pagam impostos. 
Imagens do blogue Ladrões de Bicicletas
***
Se a Grécia sair do euro, o grande perdedor será a União Europeia, pois a tranche que cada estado membro terá de desembolsar é muito superior às que estão previstas para o programa de ajustamento em curso. É uma vantagem competitiva para o povo grego, e que deve estar presente no espírito de cada eleitor, no dia das próximas eleições. 
A política de austeridade falhou redondamente. Os políticos e os economistas não previram (ou fingiram não saber prever) o aumento galopante do desemprego para níveis insuportáveis, numa sociedade organizada, nem a queda das receitas fiscais, o que paralisou o Estado. Por incompetência ou má fé, esses economistas e esses políticos, que evidenciaram uma insensibilidade chocante, perante o sofrimento humano, contrairam uma pesada dívida, que só poderá ser redimida pelo braço da justiça.

Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Alegada investigação a Balsemão é “atentado gravíssimo” à democracia - diz bastonário


O bastonário da Ordem dos Advogados considera que a alegada investigação da vida privada de Francisco Pinto Balsemão, presidente da Impresa, por Jorge Silva Carvalho é “um atentado gravíssimo” à democracia, que deve ser “investigado até às últimas consequências”. Contactado pela agência Lusa, Marinho Pinto, afirmou que, a confirmar-se o caso, é “um atentado gravíssimo aos direitos pessoais do visado, mas também um atentado ao próprio Estado de Direito, aos valores fundamentais do Estado de Direito”. Para o bastonário, este caso “tem de ser investigado até às últimas consequências”, para “apurar todas as circunstâncias que envolvem a feitura desse relatório”, nomeadamente “que tipo de devassas foram feitas, quem as fez, a mando de quem, utilizando que meios (...) e que fins visava servir”. “É gravíssimo que uma pessoa que deteve responsabilidades públicas tão elevadas como ele [Jorge Silva Carvalho] na hierarquia do Estado, chefiando o serviço de informações estratégico para a República, saia e vá utilizar os mesmos meios e os mesmos métodos ao serviço de empresas privadas, visando dirigentes de empresas concorrentes”, disse ainda Marinho Pinto
PÚBLICO
***
Já não bastava o terrorismo social praticado pelo governo, que ameaça arrasar a economia do país, surge agora a ameaça letal do gangsterismo das polícias secretas portuguesas, dirigidas em tempos por um Al Capone de terceira categoria, com quem um ministro do atual governo evidenciou uma perigosa conivência.
Os factos que constam no processo de investigação judicial são muito preocupantes. Eles mostram o grau de degenerescência a que chegou o sistema democrático. Se este escabroso caso não tiver consequências judiciais e políticas, então, o melhor, é encerrar o país para obras.
 http://www.publico.pt/Política/secretas-alegada-investigacao-a-balsemao-e-atentado-gravissimo-a-democracia-diz--marinho-pinto--1547843

Resgate do Bankia vai ser feito com recurso a dívida pública espanhola

A gigantesca injecção de capital que o Estado espanhol se dispõe a realizar no Bankia não vai ser feita com dinheiro fresco.
Os 19 mil milhões de euros que irão salvar a instituição da bancarrota entrarão no banco na forma de títulos de dívida pública de Espanha, avançou ontem o jornal El País.
O recurso a este expediente fará com que a Espanha evite ter que financiar-se no mercado, que lhe exigiria uma elevada taxa de juro no contexto actual de crise e dado o risco da operação, e acaba por atirar para o BCE, embora de forma indirecta, a tarefa de financiar o Bankia, que utilizará os títulos de dívida para os apresentar como garantia em empréstimos a solicitar ao banco central.
PÚBLICO
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Mais um exemplo da contabilidade criativa, este, que o governo de Rajoy está a engendrar, e que não ilude a realidade crua dos factos. É uma estranha triangulação, ao nível institucional,  que apenas visa transferir dívida soberana para a dívida do Bankia, mas que acaba por ter de ser paga pelos contribuintes espanhóis, pois trata-se de um esquema, já utilizado por clientes particulares, titulares de vários cartões de crédito, em que se paga um crédito, contraindo uma nova dívida. Aqui e sempre, e mais uma vez, assiste-se com uma naturalidade espantosa à socialização dos prejuízos de um banco, quando os seus lucros, no passado, eram exclusivamente privados.  
http://economia.publico.pt/Noticia/resgate-do-bankia-vai-ser-feito-com-recurso-a-divida-publica-espanhola-1547883

Anotação do Tempo: Dissertação sobre a teoria dos abrigos…


Dissertação sobre a teoria dos abrigos…

Chegas sempre com o orvalho da madrugada
transportas o vento e as palavras que eu quero ouvir
e, nos teus cabelos, a fragrância das essências
com que perfumas os teus poemas.
Também vem a tua voz sofrida, gasta pelos
encontros e desencontros nas esquinas.
Rios que não correm, fogos que não ardem
e as lágrimas dos teus olhos sepultadas no deserto.
E tu que querias agarrar o mar com a concha da tua mão
para deslumbrares o teu olhar,
como se aquele mar fosse o teu único destino
e não existissem outros refúgios para te abrigares!...

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Carta Aberta: Na Grécia, o povo é quem mais ordena


Carta aberta aos Presidentes do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional
O povo grego está a ser violentamente massacrado por uma guerra financeira, que, na Europa, tem o epicentro em Berlim. O que está a passar-se em Portugal é uma reprise, com um ano de atraso, do trágico filme grego. Perante a estrondosa derrota dos partidos gregos do arco da traição, os principais dirigentes europeus, com a Hitler de saias à cabeça, iniciaram uma intensiva manobra chantagista para inverter o sentido  do voto dos gregos, nas próximas eleições de 17 de Junho, cujo desfecho poderá alterar o quadro político da União Europeia. A vitória dos partidos que exigem a suspensão do memorando da troika e a renegociação da dívida terá consequências políticas nos países do sul da Europa, cujos povos, para além de lutarem pela salvaguarda dos seus interesses, da sua dignidade e da sua independência, devem, nesta hora dramática, manifestar a sua militante solidariedade ao povo grego. Assinar esta Carta aberta é abraçar uma causa, que é comum a todos aqueles cidadãos  para quem a democracia económica é um pilar importante da democracia política, e que não pode ser gerida pelos mercados (os bancos). Assinar esta Carta aberta é também expressar um grito de protesto contra as criminosas políticas de austeridade impostas pelo braço político do capital financeiro. Assinar esta Carta aberta é um dever de cidadania e um acto patriótico.
O editor do Alpendre da Lua

Assinar aqui, através da hiperligação, e clicando no campo que se encontra no topo, por baixo da bandeira grega. No campo ao lado, poderá consultar todos os subscritores até ao momento. E, a seguir ao texto da Carta Aberta, os seus promotores:
http://nagreciaopovoequemaisordena.com/index.html
http://www.nagreciaopovoequemaisordena.com/
ww.nagreciaopovoequemaisordena.com
Será desnecessário dizer que é importante a divulgação deste documento por todos os amigos. É o mínimo que cada um dos leitores pode dar a esta nobre causa.

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Deutsche Bank propõe moeda paralela para a Grécia: o geuro

 
O Deutsche Bank, maior banco privado alemão, propôs nesta terça-feira a introdução de uma moeda paralela ao euro na Grécia, caso os adversários das medidas de austeridade ganhem as eleições legislativas de 17 de Junho.
A medida garantiria a continuação dos apoios financeiros internacionais, para que a Grécia possa pagar as suas dívidas, afirma-se num estudo dos economistas do Deutsche Bank, publicado nesta terça-feira.
“A Grécia poderia assim desvalorizar a sua própria moeda, sem sair formalmente do euro”, explicam os mesmos especialistas, que sugerem também o nome de geuro para a moeda paralela grega.
PÚBLICO
***#***
Para Portugal, a designação da nova moeda será peuro ou poeuro. Eu, por mim, até preferia a designação de porreiro, em homenagem à célebre frase de Durão Barroso: Porreiro, pá!.
Não enjeito esta solução, desde que fosse também consagrada a possibilidade de uma renegociação dos memorandos da troika (na Grécia e também em Portugal), no sentido de aliviar a austeridade, de aumentar a procura interna, para promover maior crescimento económico, com oferta de mais emprego, e de favorecer a preservação das políticas sociais, aspetos que os especialistas do  Deutsche Bank contrariam, quando se referem à implementação de novas reformas estruturais (leia-se, mais cortes nos rendimentos de trabalho e nos serviços públicos).
Uma moeda desvalorizada, que iria sendo valorizada à medida que a taxa de produtividade crescesse, permitiria aumentar a competitividade externa e diminuir as importações, o que não iria favorecer as exportações da Alemanha e dos outros países ricos da Europa (não nos esqueçamos que setenta por cento das exportações da Alemanha são para o mercado interno europeu). Por outro lado, a desvalorização da nova moeda racionalizava os sacrifícios, distribuindo-os equitativamente por todas as classes sociais.
Venha lá o geuro e o porreiro.
Deutsche Bank propõe moeda paralela para a Grécia: o geuro - Economia - PUBLICO.PT

Levaste-me a ver o mar - poema de Sónia Micaelo*


Levaste-me a ver o mar...

Levaste-me a ver o mar.
Por momentos pousaste-me
para me falares dos peixes e das marés.
Dizias que eu era uma flor
que nasceu na margem errada.
Que naquele mar não havia pontes, nem barcos para mim.
No regresso nem reparaste que eu chorava...
Sabes? A flor chora quando a separam da raiz.
Sei que não tens tempo para apreciar a cor de cada flor.
Mas quando me vires seca, com a cor da morte ...
talvez te lembres do dia em que me levaste a ver o mar
...e chores comigo e por mim.
Sónia Micaelo

* Poema inédito, oferecido pela autora ao Alpendre da Lua.

Terça-feira, 22 de Maio de 2012

Notas do meu rodapé: Federar a Europa é uma utopia...

Transcrevo aqui um comentário que deixei no excelente blogue Ladrões de Bicicletas, a propósito de um texto em que se defendia uma solução federalista para a Europa:
"Concordo com os pressupostos e com a análise do autor. No entanto, julgo que a solução não poderá ser encontrada no aprofundamento do federalismo europeu, que é um mero artifício intelectual e uma autêntica falácia. Pretender federar a Europa é a mesma coisa que tentar promover a integração plena, nas sociedades ocidentais, dos cidadãos da etnia cigana, levando-os a aceitar a trabalhar por conta de outrém, que não seja do seu grupo familiar. E este desiderato, cujos benefícios adivinhados preenchem os critérios da racionalidade económica, nunca irá ser alcançado. Para além dos obstáculos de ordem económica e financeira, que são enormes e complexos, a razão terá de ser encontrada no lastro da História e da Cultura, de origem remota e arreigadamente entranhada, e que mergulha na escuridão da época tribal.
As fronteiras políticas da Europa nunca resistiram por muito tempo ao ímpeto das manifestações idiossincráticas dos seus diferentes povos, que, devido à amenidade do clima e à relativa fertilidade dos solos, se diversificaram e desenvolveram pelo território, construindo cada um deles identidades próprias, embora, a ligá-los,  existissem várias afinidades e denominadores comuns. Somos descendentes diretos daqueles povos bárbaros do centro e do leste da Europa, que tiveram o seu momento de glória, no século V, com a capitulação de Roma e a consequente destruição de todo o império. Bárbaros como eram, destruiram tudo aquilo a que não sabiam dar uso, e começaram, a partir daí, a dar forma e conteúdo ao mosaico colorido dos futuros estados europeus. Nem os césares, nem os papas, nem Carlos Magno, nem Napoleão nem Hitler conseguiram atar o nó que o ímpeto dos nacionalismos (os sucedâneos do tribalismo primitivo) sempre conseguiu desatar.
E os próximos tempos, que serão dramáticos, tal como o foram os das duas guerras mundiais do século passado, irão mostrar, com toda a evidência, que a Europa não passa, na realidade, de um conjunto civilizado de povos bárbaros. Entre eles, a mortífera guerra financeira já começou. Só não sabemos  como vai acabar.
Para já, um aspeto alarmante ganha evidência significativa e que, ao mesmo tempo, é chocante: o da ausência de qualquer manifestação de solidariedade efetiva dos cidadãos europeus para com o povo da Grécia, situação que, amanhã, se repetirá para com os povos português, espanhol e italiano".
***
Acrescentei um segundo comentário, com uma citação:

"Em defesa da minha tese, que explicitei em comentário enviado anteriormente, deixo aqui a opinião do intelectual francês, Emmanuel Todd:
"En mi libro La invención de Europa, yo preconizaba ya en 1990, que quince o veinte años más tarde, Europa sería una jungla. Mi investigación antropológica me había convencido que la diversidad de sistemas familiares, de temperamentos políticos y sociales [europeos] haría que la moneda única [es decir el euro] fuese por decir, algo casi imposible [de administrar]".
http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2012/05/um-europeismo-realista.html

Domingo, 20 de Maio de 2012

E de novo me envolve a noite! - poema de Sónia Micaelo*


E de novo me envolveu a noite!

E de novo me envolveu a noite!
Este meu lado escuro...
Não adianta tateares na penumbra...
Sou apenas eu...aqui quieta
usando o silêncio ao invés da palavra.
Sumi com a última luz do dia.
Às vezes também me escondo
Pinto de preto a minha ousadia.
Em resguardo...esvaneço...
Mas nem por isso te esqueço,
sossega...
Todo o inicio tem um fim...
a noite sempre termina
e o sol quando nasce a tudo chega...
a tudo e a todos ilumina...
...até a mim!
Sónia Micaelo

* Poema inédito, oferecido pela autora ao Alpendre da Lua.

Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Médico que espiava WC não vai a tribunal

O neurocirurgião luso-brasileiro Guilherme Machado, de 36 anos, que confessou ter colocado uma microcâmara no WC do serviço de Neurocirurgia do Hospital de Viseu, vai sair impune.
O caso remonta a julho do ano passado, quando a câmara de pequenas dimensões foi apreendida por agentes da PSP que se deslocaram ao hospital na sequência de uma chamada de um funcionário que alertou para o que julgou tratar-se de um engenho explosivo, no interior do autoclismo. O médico acabou por confessar a colocação da câmara e foi constituído arguido a 31 de agosto.
Agora, o MP mandou arquivar o processo porque, de acordo com os exames efetuados pela Unidade de Telecomunicações e Informática ( UTI) da PJ "não se apurou que o arguido tenha captado ou gravado imagens de qualquer pessoa ou do espaço intimo onde foi encontrado o equipamento apreendido", lê-se no despacho.
Jornal de Notícias
***§***
O médico de Viseu teve sorte. No dia em que proferiu o despacho, o magistrado do Ministério Público tinha acordado de barriga para o ar.
Na realidade, as subtilezas da justiça portuguesa são um admirável exercício de contorcionismo intelectual, que ultrapassa a compreensão de um simples mortal. Há dias, tive de desistir da leitura de um acordão do Tribunal Constitucional, tal era a sinuosidade do texto, que, por mais voltas que lhe tivesse dado, cada vez ficava mais retorcido e incompreensível. A única conclusão, a que cheguei, não me deixou tranquilo, pois atravessou-se-me a ideia de que os doutos juízes estavam apenas a tentar justificar o injustificável. E eu já não sei se o estado lamacento da justiça portuguesa, que manda para a prisão quem rouba um pão e isenta de culpa quem rouba milhões, se fica a dever à venalidade dos agentes da justiça, ao compradio por afinidades políticas e ideológicas ou se à imperfeição das leis, que foram elaboradas, e disso não tenho dúvidas, para proteger os poderosos e castigar severamente os mais fracos. 
http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Viseu&Concelho=Viseu&Option=Interior&content_id=2526996

Terça-feira, 15 de Maio de 2012

Hollande: França e Alemanha "querem trabalhar em conjunto pelo bem da Europa"

Alemanha e França têm o dever de trabalhar em conjunto. Esta foi uma das mensagens deixadas por François Hollande e por Angela Merkel no primeiro encontro. A Grécia e o crescimento económico estiveram no centro das declarações.
Angela Merkel sublinhou esta noite que França e Alemanha têm o dever de trabalhar em conjunto e garantiu que ela e François Hollande têm consciência da responsabilidade que têm perante toda a Europa. A França e a Alemanha “querem trabalhar em conjunto pelo bem da Europa” e vão fazê-lo, assegurou o novo presidente de França, no dia em que tomou posse enquanto líder do país.
Jornal de Negócios
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Mais uma vez, a palhaçada do costume. Os discursos eleitorais não são para levar a sério. Hollande e Merkel estão de acordo sobre tudo aquilo que ontem os dividia E tão entusiasmados ficaram, neste seu primero encontro a dois, que até resolveram iniciar em Berlim a próxima campanha eleitoral da Grécia.
Durante os próximos dias vamos deixar de ouvir falar da dívida e do défice para dar lugar a um vazio discurso sobre o crescimento, que ninguém sabe, nas condições atuais, como se vai obter, embora a chanceler alemã, há dias, já tivesse apresentado a sua receita milagrosa, que consistiria, ao nível de cada Estado com poblemas de crescimento, em proceder-se a mais privatizações, a acrescentar às que já estão previstas para pagar a dívida e o seu serviço, a fim de investir as receitas resultantes nas respetivas economias.
Por sua vez, os gregos vão ser intoxicados, ora por promessas redentoras, ora por apocalípticas ameaças.
Espera-se que os gregos não se deixem enganar nem amedrontar e que, na hora de depositarem o seu voto, se lembrem da vultuosa dívida de guerra que a Alemanha não lhes pagou. 

Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

Chefe do Bundesbank pede que Hollande não toque no pacto fiscal da UE

O presidente do Banco Central Alemão (Bundesbank), Jens Weidman, lançou uma advertência neste sábado ao presidente eleito francês François Hollande, ao recomendar que não se meta com o pacto fiscal europeu e que não toque no status do Banco Central Europeu (BCE).
Agência Frace Press
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A República de França não pode permitir, sob pena de ter de admitir a desonra, que um funcionário alemão de segunda classe venha fazer advertências e ameaças veladas ao seu futuro Presidente. Depois das ameaças proferidas por Angela Merkel e pelos ministros das Finanças e dos Negócios Estrangeiros do governo alemão, vem agora o presidente do Banco Central Alemão (Bundesbank), numa clara falta de respeito pela hierarquia institucionalizada, dizer a François Hollande o que não deve fazer. E que se saiba, François Hollande ainda não reagiu a este enxovalho, atitude que enfraquece a sua imagem, junto da opinião pública francesa e mundial.
Se algumas dúvidas subsistissem sobre a natureza das instituições da União Europeia, às quais falta dimensão democrática e independência política, sendo remetidas, agora sem qualquer disfarce, para o lugar de meras agências administrativas e burocráticas, basta ver o registo das intervenções de Angela Merkel e dos seus ministros, que se assumem cada vez mais como verdadeiros donos do destino da Europa, sem tomar em linha de conta a opinião dos lideres dos outros países membros.
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5jJAieirVoHK4bSSiReBizcwuGeFw?docId=CNG.ddca8af840f0890092bf4bddbd6dec06.01

Vitória de Hollande não muda políticas de Passos e Rajoy

Passos Coelho e  Mariano Rajoy
A vitória nas eleições presidenciais francesas de François Hollande não muda as políticas dos dois primeiros-ministros de Portugal e Espanha.
Na conferência de imprensa com que hoje terminou na Alfândega do Porto a 25ª cimeira luso-espanhola, Pedro Passos Coelho e Mariano Rajoy sublinharam a plena actualidade das suas políticas de austeridade e de combate ao défice.
PÚBLICO
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O discurso da austeridade já cheira a ranço. A fidelidade canina destes dois homens à ortodoxia financeira imposta por Angela Merkel vai remetê-los para o lixo da História. Em Portugal, mesmo nos períodos mais críticos, nunca houve um governo que fizesse tantas malfeitorias como este, o de Passos Coelho. Rajov, que já leu a cartilha da chancelaria alemã, vai pelo mesmo caminho. Os sinais emitidos pela Grécia, nas eleições do último fim de semana, em que o sistema partidário grego foi pulverizado pelos eleitores, trouxe o pânico aos governos bem alinhados da Europa. Na França, Hollande poderá não constituir um perigo, mas vai criar algumas dores de cabeça. Por isso, tem sido tratado como um mentecapto, que não sabe pensar pela sua própria cabeça, necessitando dos conselhos dos insignificantes primeiros.ministros dos dois países ibéricos.

Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

Os ideais dos mártires de Chicago continuam a ser a matriz inspiradora dos trabalhadores de todo o mundo...


Vídeo enviado pelo Diamantino Silva e por Ribeiro de Castro
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Por este abanão na nossa por vezes já embutida memória colectiva. Se não temos cuidado, de degrau em degrau, de relativização em relativização, corremos o risco de não ter nada como certo, de esquecermos que, sob outras formas (mais sofisticadas), a luta de classes, se bem que diferente daquela que historicamente inspirou Marx e Engels no famoso “Manifesto”, está aí, com as ditas classes médias a proletarizarem-se sob a acção, agora do capitalismo financeiro, variante inovadora … ou decrépita do sistema que, como todos os sistema, não tem vocação suicidária nem benemérita, só largando mão daquilo que lhe é tirado â força, muitas vezes com o preço de muitas vidas.De certeza que alguém anda fora do tempo quando nos querem roubar tanta coisa que à humanidade, e a nós, em partícula, tanto nos custou a ganhar.
Diamantino Gertrudes Silva
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Momento da história dos EUA: No dia 1 de Maio de 1886, em Chicago, principal centro industrial dos EUA naquela época, milhares de trabalhadores saíram à rua para protestar contra as desumanas condições de trabalho a que erem submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho das 13, e que podia ir até às 17, para as 8 horas diárias. Mas a repressão policial desse movimento foi muito dura: houve prisões, feridos e mortos entre os operários e a polícia. Os líderes deste movimento foram presos e imediatamente julgados. cinco foram condenados à morte na forca, dois a prisão perpétua e um a 15 anos de prisão. Dos condenados à morte, na prisão, um suicidou-se e quatro foram enforcados.
Em memória dos mártires de Chicago, como ficaram conhecidos as vítimas das reivindicações operárias que ocorreram em Chicago em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o Mundo inteiro, o 1º.de Maio foi instituído, em Paris, em 1889, como o Dia Mundial do Trabalho, no ano em que se comemorou o 1º.centenário da Revolução Francesa.
Ribeiro de Castro

Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

Sexo oral aumenta cancro nos jovens

Imagem retirada da Wikipedia
Instituto Português de Oncologia alerta para relação da doença com o vírus do papiloma humano. Detetados 1500 de cancro oral todos os anos, 1200 são homens. Dos 1500 novos casos, 25% dos tumores verificam-se em pessoas que não bebem nem fumam.
O Governo anunciou já a criação de um programa nacional de rastreio do cancro oral, escreve o 'Correio da Manhã'.
Diário de Notícias/Correio da Manhã
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Mais uma medida de austeridade.O Governo vai declarar guerra às práticas do fellatio/felação e do cunnilingus/cunilíngua, vulgaramente designadas, em calão, por broche e minete. Em multas e coimas, o Governo pensa arrecadar uns milhões de euros. 
http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=2486371&especial=Revistas

Domingo, 6 de Maio de 2012

Conto: enanito - por Ana Cássia Rebelo

enanito (1)
O meu amigo anão telefonou-me a semana passada de Buenos Aires. Contou-me as novidades. Tivera sucesso na indústria pornográfica. A vida correu-lhe bem durante os primeiros tempos. Mas, depois, teve assim uma espécie de esgotamento, passou a ter dificuldades de hasteamento, custava-lhe muito a enrijecer o instrumento. Ainda lhe deram a tomar uns comprimidos a ver se a coisa se compunha. Porém, no momento da verdade, estava sempre de mangalho encolhido, uma serpente velha, sem serventia alguma. O realizador decidiu tirar-lhe o protagonismo. Meteram-no num filme de furry fandom, cheio de figuras híbridas; ele de figura secundária, usava uma bandolete de crina, calções justinhos de cabedal e botins a fingir de cascos de cavalo. A princípio, não se importou com a mudança: dava descanso ao seu monumental instrumento, estava para ali, só tinha de ser passeado por uma gorducha que usava um chicote com brandura; às vezes, relinchava. O pior é que os botins com forma de casco apertavam-lhe muito os penantes. Eram tão apertados que a determinada altura lhe pareceu que os pés encolhiam, passou a sentir tonturas e, constantemente, uma sensação de desequilíbrio durante a marcha. À noite, tinha pesadelos em que aparecia vestido de quimono, olhos rasgados de chinesinha, os pés minguando, minguando, cada vez mais pequenos, pés de lírio entrapados em sapatos de cetim vermelho. Percebeu que se continuasse a fazer de cavalgadura miniatura, a usar os detestáveis botins, em breve, deixaria de andar. Foi explicar ao realizador que não aguentava tamanhas dores, não estava para ser pónei a vida toda, a bandoleta ainda vá que não vá, agora as botinhas de casco nem pensar, ia-se embora. Julgou que o realizador reconsiderasse, lhe arranjasse outro papel, afinal o seu primeiro filme El enanito e las siete monjas peludas fora um sucesso. Um anão, melhor dizendo, um enanito como ele, tão bem apetrechado, não era nada fácil de encontrar. Para sua surpresa o outro aceitou sem mais a sua demissão. As figuras híbridas já cansavam. Homens touros, centauros, harpias. Estava tudo visto. Era um entusiasta da cultura clássica, decidira fazer uma adaptação livre do asno de ouro e arriscava usar um burro a sério. Já tinha em vista um burro abissínio, raça de robustez provada, erecto, o burro abissínio era animal para ter um pénis com quase cinquenta centímetros de comprimento e vinte de diâmetro. Engoli em seco, confessou do outro lado da linha o meu amigo anão, bem vês, não é fácil ser-se ultrapassado por um burro. E continuou: ainda me senti tentado a pedinchar que me deixassem ficar, nem que fosse a tomar conta do asno, porém, depois lembrei-me de que um homem, mesmo sendo anão, tem o seu orgulho e por isso despedi-me. Estou sem trabalho há mais de dois meses. Volto na próxima semana. Pedia-me, se não fosse muito incómodo, para o ir buscar ao aeroporto. Pensei com os meus botões: estás nas lonas, por isso regressas, vens-me pedir batatinhas depois de me teres partido o coração, ah, meu bijouzinho malandro, a tua sorte é que eu sou uma mulher apaixonada, incapaz de guardar rancor! Não te preocupes, lá estarei para te ir buscar, disse-lhe e desliguei o telefone com o corpo cheio de alegria.
Ana Cássia Rebelo
Do blogue ana de amsterdam

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao Luís Filipe, pela sua decisão de se inscrever como amigo/seguidor deste blogue.

Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

PR para o Governo: 'Faria tudo para manter consenso político'

O Presidente da República Cavaco Silva disse hoje (27 de Abril) que o consenso político e social em redor da implementação do acordo de assistência financeira é dos activos mais importantes que Portugal tem.
SOL
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Oa ativos podem ser importantes. Os passivos é que são péssimos...
Este homem deixou de falar como presidente de todos os portugueses. É a caixa de ressonância da voz do governo. É o chefe de uma fação, que também sujou as mãos no BPN. O seu péssimo discurso na sessão solene do 25 de Abril, na Assembleia da República, mostrou como ele acumula rancores e ódios de estimação. Ao elencar várias personalidades das artes e das letras que, nos últimos anos, projetaram Portugal no mundo, esqueceu-se de incluir José Saramago, que lhe está atravessado na garganta, tal como lhe está atravessado o bolo rei.    

Pacto orçamental permite a Portugal “declarar independência dos mercados”, diz Viviane Reding

A vice-presidente da Comissão Europeia Viviane Reding considerou hoje que a ratificação do pacto orçamental é uma forma de Portugal “declarar independência dos mercados” e dar o primeiro passo na “vida após a crise da dívida”.
PÚBLICO
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Esta mulher julga que está a falar para mentecaptos. Portugal vai "declarar a independência" em relação aos mercados, apenas pela simples razão de que a vai perder em relação às tentaculares instituições da União Europeia (UE). E como aquelas instituições estão ao serviço do grande capital financeiro (os tais mercados), o grande negócio acaba por ficar nas mesmas mãos. Trata-se de mais uma perda de uma parcela da soberania nacional. Fixar por via legislativa um limite ao défice orçamental dos estados membros significa limitar a ação dos respetivos governos em situações de emergência. A medida, imposta pela Alemanha, não considera as particularidades e especificidades da economia de cada um dos país da zona euro, nem, dentro de cada país, as variações macro-económicas, que jvenham a justificar intervenções nas políticas orçamentais, próprias e independentes.   
http://economia.publico.pt/Noticia/pacto-orcamental-permite-a-portugal-declarar-independencia-dos-mercados-diz-viviane-reding-1544712#

Notas do meu rodapé: Empobrecer alegremente se não houver uma nova política

Portugal vai ficar “mais atractivo” ao investimento após 2013
Paulo Portas termina hoje visita ao Brasil, onde foi captar investimento estrangeiro, nomeadamente para as privatizações.
O ministro de Estados e dos Negócios Estrangeiros terminou ontem a visita de três dias ao Brasil, onde contactou com empresários locais para tentar atrair investimento brasileiro, nomeadamente para as privatizações que terão lugar em Portugal. Em declarações ao Diário Económico, Paulo Portas disse que as reformas que estão a ser feitas em Portugal a vários níveis vão tornar o país "ainda mais interessante para o investimento estrangeiro a partir de 2013" e revelou que esta foi uma das mensagens que deixou aos empresários brasileiros nesta visita oficial.
Económico
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Há uma diferença fundamental entre o bom e o mau investimento, e que, quando se trata de investimento estrangeiro, assume uma grande importância estratégica. O bom investimento é aquele que promove emprego e acrescenta mais valor, contribuindo para o aumento da taxa de produtividade. É o caso da Auto Europa. O mau investimento, principalmente quando se trata de investimento estrangeiro para concorrer às privatizações, é aquele que se destina a comprar capacidades já instaladas no país, o que não vem acrescentar mais valor à economia, se não vier acompanhado de um projeto inovador que aumente esse mesmo valor (com reflexos no PIB), o que é o caso do investimento estrangeiro que Paulo Portas anda a tentar captar.
Vender empresas nacionais, do património do Estado, para pagar dívida pública, não é a solução de que o país necessita. As privatizações efetuadas na década de noventa do século passado, com o mesmo fim, demonstraram isso mesmo, pois, nos anos subsequentes, o crescimento da economia portuguesa não acompanhou o crescimento do conjunto dos países da UE. Só com uma outra política - que os partidos do arco da traição (PSD-CDS-PS) já mostraram ser incapazes de aplicar, tal é a sua subserviente dependência, através de correntes de transmissão bem oleadas, em relação ao capitalismo financeiro internacional - será possível superar a crise. E essa outra política, a ser aplicada por políticos honestos, apostados em desenvolver uma economia para o bem comum, tem necessariamente de promover todo o potencial económico do país, para aumentar a produção nacional, que substitua as importações e aumente o emprego e o consumo interno, ao mesmo tempo que terá de optar pelas seguintes medidas estruturais de fundo: sair do euro e adotar um valor da nova moeda de acordo com a atual taxa de produtividade, para ganhar competitividade; renegociar a dívida externa e criar as condições para que o banco do Estado seja o principal aglutinador da poupança nacional e o principal promotor do crédito à economia.     
O país continua a ser enganado, pois, a longo prazo, a estratégia seguida pelo atual governo conduzirá a um irreversível empobrecimento. 
http://economico.sapo.pt/noticias/portugal-vai-ficar-mais-atractivo-ao-investimento-apos-2013_143822.html

Quarta-feira, 2 de Maio de 2012

Dia do Trabalhador



A execução dos cinco anarquistas, em Chicago, no ano de 1887, na sequência da luta pelas oito horas de trabalho diárias, deve excitar, de forma orgástica, o dono da cadeia de supermercados Pingo Doce, Alexandre Soares, que, num ato de inqualificável provocação, ao ordenar a abertura ao público daqueles espaços comerciais, tentou emporcalhar as manifestações do 1º de Maio. Da parte do (des)governo não se ouviu uma voz de condenação por este atentado à dignidade de todos aqueles trabalhadores que saíram à rua para festejar o seu dia.

Terça-feira, 1 de Maio de 2012

Donos de Portugal - Filme de Jorge Costa

Não será necessário deixar aqui o apelo mobilizador para a participação maciça na grande manifestação do 1º de Maio, organizada pela CGTP-Intersindical, a única central sindical que, ao longo do tempo, tem assumido com determinação e coerência a defesa intransigente dos trabalhadores portugueses. Preferi optar pelo visionamento deste filme de Jorge Costa, que me chegou ontem às mãos, através da cumplicidade política do meu amigo João Fráguas, numa edição de um só bloco, o que facilita a sua publicação aqui, no Alpendre da Lua
Donos de Portugal é um filme notável. O virtuosismo da sua realização permite, através da reprodução criteriosa de imagens do passado e da explanação de um texto marcado por um grande rigor, na análise histórica a que procede, evidenciar a íntima promiscuidade entre os diferentes poderes políticos dos últimos 150 anos e a meia dúzia de famílias, com as suas respetivas ramificações, que, na realidade, se apoderaram das alavancas da economia e das finanças, comportando-se como verdadeiros donos de Portugal. E, nos dias de hoje, marcados por uma crise profunda e perdurável, tal como há muito tempo aqui foi previsto, recordar o passado, contado como o filme propõe, é de premente importância, já que não se pode lutar com eficácia e coerência sem se identificarem com precisão os verdadeiros inimigos do povo trabalhador. Essa fauna, que levou um grande abanão com a revolução de Abril, regressou novamente pelas mãos cúmplices daqueles que, uma vez no poder, começaram a atraiçoar os ideais de Abril, e, durante os últimos anos, teve tempo de organizar-se, agora devidamente articulada, através do processo da globalização, com o capitalismo financeiro internacional, perseguindo o único objetivo que orienta a sua ação: promover a transfarência da riqueza dos países das periferias económicas (os mais pobres e os menos ricos) para os centros financeiros dos países mais ricos e poderosos, e, dentro de cada país, promover a transferência dos rendimentos do trabalho para os rendimentos do capital. O que se está a passar na Grécia e em Portugal, e que também mimeticamente começa a reproduzir-se em Espanha, evidencia bem aquela perversa estratégia, que está a atingir os limites da ignomía. 
O 1º de Maio é a única manifestação global dos trabalhadores de todo o mundo. Daí que a data seja odiada pelo grande capital. Em Portugal, este ano, assistiu-se ao paroxismo da provocação, com as grandes superfícies comerciais abertas ao público, sonegando este feriado aos seus trabalhadores, e oferecendo grandes campanhas de descontos para atrair os consumidores. É um sinal ameaçador do grande capital, que pretende ter efeitos desmobilizadores, perante a luta dos trabalhadores que, brevemente, numa onda crescente, vai alastrar. 

http://www.donosdeportugal.net/

Sábado, 28 de Abril de 2012

Antero de Quental com direito a doodle


A Google continua a prestar homenagem a figuras e datas célebres através dos populares doodles. Hoje foi a vez do logótipo personalizado do motor de busca ser dedicado ao poeta português Antero de Quental O pretexto para a homenagem é a data de aniversário do poeta nascido em Ponta Delgada, que faria hoje 170 anos se fosse vivo. Conhecido como um dos nomes da chamada Geração de 70, um movimento cultural e académico nascido em Coimbra no século XIX, publicou os seus primeiros poemas durante a década de 1860. Nessa mesma década passou a viver em Portugal Continental, onde se estabeleceu e viveu regularmente. Além de poeta, Antero de Quental teve uma vida activa noutras áreas, nomeadamente na política, ao fundar o Partido Socialista Português, e no jornalismo, onde ficou ligado ao jornal «A República» e à revista «O Pensamento Social». Antero de Quental suicidou-se em 1891 na sua terra natal, Ponta Delgada, não sem antes deixar o seu nome inscrito na Poesia e Cultura portuguesa. O doodle de hoje mostra uma imagem do poeta açoriano no lugar da letra G da palavra Google, com uns versos publicados na obra «Odes Modernas» escritos na longa barba: «a Poesia é a confissão sincera do pensamento mais íntimo de uma idade».

Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

Importante posição de "militares de Abril"

Realizam-se nesta data, por todo o país, as comemorações populares do aniversário da Revolução do 25 de Abril, comemorações que culminarão na grande manifestação popular que se realiza na Av. da Liberdade, em Lisboa.
Passados 38 anos sobre essa data gloriosa da história do povo português, "militares de Abril" integrantes da Associação 25 de Abril - A25A - decidiram tomar uma posição política de crítica à actual situação que se vive no país, tomando como alvo o governo de turno dos banqueiros e monopolistas, PSD/CDS. Independentemente do facto de estarem decorridos 36 anos de políticas e governos contra-revolucionários, sempre da responsabilidade - expressa ou encapotada - dos partidos da troika anti-Abril - PS/PSD/CDS -, para além das colagens oportunistas e descaradas de Mário Soares e de outros responsáveis do PS - colagens decerto programadas com os militares da sua área política dentro da A25A -, não obstante ainda a forma escolhida para o divulgarem, anunciando a ausência dos "militares de Abril" das cerimónias que decorrem na Assembleia da República, o conteúdo do Manifesto divulgado pelos dirigentes desta Associação tem objectivamente uma importante relevância política no momento actual. Neste contexto, sublinha-se especialmente a posição da Associação dos Oficiais das FF.AA., anunciando estar solidária com a posição da A25A.
Imediatamente sujeita às respostas revanchistas de numerosos personagens da contra-revolução e de diversos "analistas" e "politólogos" ao serviço do grande capital, a atitude certa das forças e organizações operárias, democráticas e patrióticas, é a de saudação a esta tomada de posição dos militares que se afirmam hoje defensores dos valores e ideais de Abril, sob pena de os deixarmos isolados nessa sua atitude, mesmo sabendo-se que ela peca por tardia e que não condena claramente todos os partidos responsáveis pelo estado calamitoso a que o país chegou, com uma economia arruinada, com práticas "sociais" verdadeiramente terroristas, com a liquidação prática das liberdades políticas e dos postulados constitucionais abrilistas que ainda restam, num quadro geral de miséria, de sofrimentos físicos e morais inumeráveis para o nosso povo, de submissão aos ditames imperialistas da U.E.
A histórica definição estratégica da política de alianças que permitiu aprofundar e defender as extraordinárias conquistas da Revolução de 1974, consubstanciada na fórmula "Aliança Povo-MFA", apesar das distâncias temporais e de contextos muito diferentes, não obstante todas as mudanças retrógradas verificadas, continua a ser uma fórmula política útil e ainda aplicável. Sem MFA, sem a vasta agregação de vontades democráticas e progressistas no seio dos militares que proporcionou a realização do distante 25 de Abril de 74, a divulgação e o apoio a este grito de protesto de numerosos "militares de Abril" não podem ser substimados ou diluídos por considerações de comodidade política. O seu significado imediato e mesmo a médio prazo é suficientemente relevante para ser deixado isolado e alvo fácil da actividade diluidora dos inimigos do Povo e da Democracia. Ou pior, oportunísticamente aproveitado por saudosos do nacionalismo fascista.
Como contributo solidário e para essa divulgação, abaixo se transcreve o texto desse Manifesto.

Abril não desarma
Há 38 anos, os Militares de Abril pegaram em armas para libertar o Povo da ditadura e da opressão e criar condições para a superação da crise que então se vivia.
Fizeram-no na convicta certeza de que assumiam o papel que os Portugueses esperavamde si. Cumpridos os compromissos assumidos e finda a sua intervenção directa nos assuntos políticos da nação, a esmagadora maioria integrou-se na Associação 25 de Abril, dela fazendo depositária primeira do seu espírito libertador.
Hoje, não abdicando da nossa condição de cidadãos livres, conscientes das obrigações patrióticas que a nossa condição de Militares de Abril nos impõe, sentimos o dever de tomar uma posição cívica e política no quadro da Constituição da República Portuguesa, face à actual crise nacional.
A nossa ética e a moral que muito prezamos, assim no-lo impõem!
Fazemo-lo como cidadãos de corpo inteiro, integrados na associação cívica e cultural que fundámos e que, felizmente, seguiu o seu caminho de integração plena na sociedade portuguesa.
Porque consideramos que:
O contrato social estabelecido na Constituição da República Portuguesa foi rompido pelo poder. As medidas e sacrifícios impostos aos cidadãos portugueses ultrapassaram os limites do suportável. Condições inaceitáveis de segurança e bem estar social atingem a dignidade da pessoa humana. O rumo político seguido protege os privilégios, agrava a pobreza e a exclusão social, desvaloriza o trabalho.Sem uma justiça capaz, com dirigentes políticos para quem a ética é palavra vã, Portugal é já o país da União Europeia com maiores desigualdades sociais. Portugal não tem sido respeitado entre iguais, na construção institucional comum, a União Europeia. Portugal é tratado com arrogância por poderes externos, o que os nossos governantes aceitam sem protesto e com a auto-satisfação dos subservientes. O nosso estatuto real é hoje o de um “protectorado”, com dirigentes sem capacidade autónoma de decisão nos nossos destinos.
Entendemos ser oportuno tomar uma posição clara contra a iniquidade, o medo e o conformismo que se estão a instalar na nossa sociedade e proclamar bem alto, perante os Portugueses, que:
- A linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril configurado na Constituição da República Portuguesa;
- O poder político que actualmente governa Portugal, configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores;Em conformidade, a A25A anuncia que:
- Não participará nos actos oficiais nacionais evocativos do 38.º aniversário do 25 de Abril;
- Participará nas Comemorações Populares e outros actos locais de celebração do 25 de Abril;
- Continuará a evocar e a comemorar o 25 de Abril numa perspectiva de festa pela acção libertadora e numa perspectiva de luta pela realização dos seus ideais, tendo em consideração a autonomia de decisão e escolha dos cidadãos, nas suas múltiplas expressões.
Porque continuamos a acreditar na democracia, porque continuamos a considerar que os problemas da democracia se resolvem com mais democracia, esclarecemos que a nossa atitude não visa as Instituições de soberania democráticas, não pretendendo confundi-las com os que são seus titulares e exercem o poder.Também por isso, a Associação 25 de Abril e, especificamente, os Militares de Abril, proclamam que, hoje como ontem, não pretendem assumir qualquer protagonismo político, que só cabe ao Povo português na sua diversidade e múltiplas formas de expressão.Nesse mesmo sentido, declaramos ter plena consciência da importância da instituição militar, como recurso derradeiro nas encruzilhadas decisivas da História do nosso Portugal.
Por isso, declaramos a nossa confiança em que a mesma saberá manter-se firme, em defesa do seu País e do seu Povo. Por isso, aqui manifestamos também o nosso respeito pela instituição militar e o nosso empenhamento pela sua dignificação e prestígio público da sua missão patriótica.
Neste momento difícil para Portugal, queremos, pois:
1. Reafirmar a nossa convicção quanto à vitória futura, mesmo que sofrida, dos valores de Abril no quadro de uma alternativa política, económica, social e cultural que corresponda aos anseios profundos do Povo português e à consolidação e perenidade da Pátria portuguesa.
2. Apelar ao Povo português e a todas as suas expressões organizadas para que se mobilizem e ajam, em unidade patriótica, para salvar Portugal, a liberdade, a democracia.Viva Portugal!Lisboa, 23 de Abril de 2012
Associação 25 de Abril.
Retirado do blogue O ASSALTO AO CÉU
http://oassaltoaoceu.blogspot.pt/2012/04/importante-posicao-de-militares-de.html
 
Nota do Editor:
Suscrevo totalmente o teor destes dois documentos, que foram assumidos com muita oportunidade, ao mesmo tempo que analisam com rigor a dramática situação política atual e identificam corretamente os seus responsáveis políticos - os dirigentes do PS, PSD e CDS, que, rotativamente, governaram o país, durante a vigência dos governos constitucionais. A sua incompetência, o compadrio encapotado com os grandes interesses instalados, o nepotismo e a desenfreada corrupção de alguns, e o bacoco servilismo em relação aos poderes tentaculares da UE, bem refletido naquela ridícula tese do "bom aluno", arrastaram o país para o fosso de uma crise, grave e perigosa, que pode pôr em causa a independência nacional. O limite de toda a subserviência em relação ao capitalismo financeiro internacional foi atingido, quando aqueles três partidos, que eu tenho vindo a apelidar de partidos do arco da traição, capitularam vergonhosamente, aceitando, sem terem tentado uma base de negociação mais justa e equilibrada, e assinando, sem qualquer tipo de pudor, o espúrio e execrável memorando da troika, cuja cega aplicação está a asfixiar a economia portuguesa e a desmantelar os pilares do Estado Social, lançando o caos e a miséria no país.
A minha revolta é enorme e começa a sobrepor-se à prudente e necessária moderação, que deve existir no julgamento dos atores políticos. Nunca tendo votado naqueles partidos, sempre respeitei os seus dirigentes, que, sucessivamente, foram ocupando o poder. Esse respeito acabou. A luta política não se esgota nas eleições.
Alexandre de Castro

Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

VIVA o 25 de ABRIL!...



Adenda: Pela sua oportunidade, insiro aqui o meu comentário, relativo à partilha deste post, no Facebook, efetuada por uma amiga:
"Ana Catarina Faceira: É uma partilha que me sensibiliza. O 25 de Abril é de todos. O 25 de Abril é do povo. Mas, na sua evocação e na sua profunda essência, não cabem lá os coveiros de Portugal. Cada vez mais, Abril é a linha da fronteira entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira, entre a transparência e a opacidade, entre o bem comum e os privilégios obscenos de alguns. Defender Abril, é defender a Lberdade e a Democracia e o desenvolvimento de uma sociedade justa e equitivativa, devidamente ancorada no Estado Social, cuja sobrevivência está a ser ameaçada pelos seus inimigos de semprel. O 25 de Abril não pode ser uma simples data do calendário, uma efeméride ritualizada e de circunstância. O 25 de Abril é a matriz fundadora de um projeto redentor da nossa identidade coletiva. VIVA O 25 de ABRIL!...

Terça-feira, 24 de Abril de 2012

Associação rompe com comemorações oficiais


A Associação 25 de Abril (A25A) demarcou-se esta segunda-feira das comemorações oficiais do 38º aniversário da Revolução dos Cravos, por considerar que "as medidas e sacrifícios impostos" aos portugueses "ultrapassaram os limites do suportável".
Diário de Notícias
***#***
Esta decisão da direção da Associação 25 de Abril foi a maior machadada desferida contra o atual governo e as suas políticas anti-sociais. Ao assumir esta corajosa atitude, os militares de Abril não pretenderam aniquilar as comemorações oficiais da revolução dos cravos, e, principalmente, a realização da sessão extraordinária do plenário da Assembleia da República, onde os partidos que não pertencem ao arco da traição devem marcar vincadamente a sua presença. O que os capitães de Abril pretenderam transmitir ao povo português, prende-se com a sua recusa em sentarem-se, lado a lado, com os coveiros do ideário da revolução libertadora, o que é diferente. Se estivessem presentes no hemiciclo, arriscavam-se a ter de ouvir cínicos e abstratos elogios ao 25 de Abril, saídos das bocas fétidas daqueles que o assassinaram.
http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2436480

Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

Deixou de ser proibido matar elefantes!...

O Rei da Selva já não é o leão. É o elefante!...

Catroga: "Não deve haver a preocupação" de regressar aos mercados em 2013

"Não ignoro os problemas, não ignoro os erros acumulados, mas acho que é sempre possível ver o copo meio cheio ou meio vazio. Eu vejo o copo meio cheio, mas nós precisamos de tempo, tempo, tempo", disse Catroga durante a terceira conferência da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, subordinada ao tema "Que figurino de desenvolvimento económico para Portugal? Metas e projectos".
"Portugal precisa de um programa específico para a economia portuguesa que comece a pensar para além de 2013 e que exigiria uma negociação com as organizações internacionais, nomeadamente com a União Europeia, no sentido de se derrogar temporariamente algumas regras europeias para que haja uma discriminação positiva dos incentivos aos sectores que exportam ou que evitem a importação", disse Catroga.
O objectivo, segundo o antigo governante, seria complementar a "visão liberal" do programa de ajustamento da 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional) com uma "visão cooperativa".
Diário Económico
***«»***
Trata-se de uma confissão envergonhada do falhanço das políticas de austeridade, que este ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva apoiou. A tal endeusada "visão liberal", centrada quase exclusivamente na vertente financeira, afinal, foi insuficiente. Eduardo Catroga considera o copo meio cheio, e, por isso, julga que será suficiente aplicar a tal "visão corporativa", apenas ao setor exportador da economia e aos setores que possam evitar importações, vertentes estas que são muito importantes para o conjunto da economia. Mas, daqui por algum tempo, este senhor, a auferir um vencimento obsceno na EDP, como prémio pelos bons serviços prestados ao PSD, vai considerar que, afinal, o copo está meio vazio, o que irá obrigá-lo a dizer aquilo que todos os críticos dos cegos programas de austeridade, onde nos incluímos, têm vindo a dizer, sustentando que é também necessário aumentar a procura interna para dinamizar todos os setores produtivos e o emprego. É que sem economia não há finanças, juízo de valor entendido por toda a gente de bom senso, excepto pelos senhores da troika, pelo governo de Passos Coelho e pelos comentadores de serviço, a soldo dos interesses instalados.
http://economico.sapo.pt/noticias/nao-deve-haver-a-preocupacao-de-regressar-aos-mercados-em-2013_142940.html

Um desabafo oportuno!...

A combinação textual, para se poder fazer duas leituras de um só texto, é genial. Mas, aquilo que fez rebolar-me de riso, foi aquela frase apelativa no pequeno retângulo inferior: "FAZ-ME UM LINKE"...

Domingo, 22 de Abril de 2012

Filhos não contam para cálculo da isenção das taxas moderadoras (Adenda)

Já depois da notícia do PÚBLICO, que serviu de suporte ao meu comentário anterior, uma resolução do Conselho de Ministros veio, aparentemente, corrigir a rota, mantendo a isenção de pagamento das taxas moderadoras de acesso aos cuidados de saúde dos desempregados com um subsídio de desemprego inferior a seiscentos e tal euros. Mas, na minha opinião, as notícias a darem conhecimento deste recuo do governo parecem-me algo confusas e com alguns alçapões pelo meio. Da parte do governo, verifica-se existir uma omissão quanto à clarificação do processo daqueles desempregados (cerca de um milhão), que há meses enviaram os elementos da sua situação financeira para o Ministério da Saúde, e que ainda não receberam a respetiva resposta, resposta esta necessária para validar essa isenção. O Ministério da Saúde, poderá estar, manhosamente, a protelar aquelas validações, para, durante mais alguns meses, poder cobrar mais uns euros em taxas moderadoras.
http://publico.pt/Sociedade/desempregados-ficam-isentos-de-taxas-da-saude-enquanto-nao-se-apuram-os-seus-rendimentos-1542730#.T5B3F6V8hqM.blogger
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2431044

Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

Filhos não contam para cálculo da isenção das taxas moderadoras

Os filhos não contam para o cálculo do rendimento considerado para a isenção do pagamento das taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
E se a pessoa ficar desempregada, entretanto? A situação é avaliada em 30 de Setembro, frisa Alexandre Lourenço, notando que os desempregados recebem subsídio. As grávidas, as crianças até 12 anos e as pessoas com incapacidade igual ou superior a 60% também estão isentas do pagamento de taxas moderadoras.
PÚBLICO
***&***
Esta bárbara e cruel medida, a de não considerar, para as famílias mais pobres, o número de filhos no cálculo do apuramento do rendimento per capita familiar, para efeitos da isenção das taxas moderadoras no acesso aos cuidados de saúde públicos e de não prever a atribuição automática dessa isenção aos trabalhadores que venham, entretanto, a cair na situação de desemprego, o que só ocorrerá a partir do mês de Setembro seguinte, apenas tem um mérito, o de desmascarar a hipocrisia refinada e a escandalosa insensibilidade social deste execrável e ignóbil governo, que não tem paralelo em toda a história de Portugal. É uma medida assassina, a agredir a lógica e a moral, e que não abona a favor da dignidade dos atuais governantes, que, por isso mesmo, aqui e agora, não podem ser respeitados. Portugal não tem um governo. Portugal tem um conselho de administração do FMI e da UE, que defende inconfessáveis interesses, que não são os do bem comum do povo português. 
Para este governo, que começa a ultrapassar em indignidade, o da ditadura salazarista, que não se atreveria a subscrever tamanha monstruosidade, os filhos, através desta manhosa operação da sonegação de direitos às famílias mais pobres, passam a ser um empecilho para os pais. Mais uma medida para atrofiar a taxa de natalidade, que já se encontra em declínio. Dois casais com baixos rendimentos, um com filhos, outro sem filhos, são tratados da mesma maneira quanto ao ónus a suportar no acesso aos cuidados de saúde públicos. Os desempregados, uma das classes mais fragilizadas da sociedade, continuam a ser massacrados pela orgia selvagem de sucessivas medidas de austeridade, que só terá fim quando eles resolverem passar à clandestinidade. E a argumentação utilizada, o da existência do subsídio de desemprego (que emagreceu demasiadamente, e vem tarde e a más horas), para justificar a não atribuição automática do benefício ao acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), a partir do momento em que ocorre a situação de desemprego, é cínica, primária e ridícula.
http://publico.pt/Sociedade/filhos-nao-contam-para-calculo-da-isencao-das-taxas-moderadoras-1542716

Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

1/3 dos portugueses chumba desempenho de Paulo Macedo - Portugal - DN

Um terço dos mais de 600 portugueses inquiridos para um barómetro sobre "Os Portugueses e a Saúde" classifica o ministro Paulo Macedo de "mau ou muito mau" e quase metade considera a sua gestão "muito má".
Diário de Notícias 
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Um terço dos portugueses já compreendeu tudo. Um outro terço já compreendeu alguma coisa. O terço restante, o da aristocracia política, empresarial, económica e financeira, mais os seus numerosos lacaios, há muito tempo que compreendeu tudo, mas não quer dizer, porque a crise é só para os outros...
Quando vejo e ouço alguém, na televisão, afirmar que é necessário fazer sacrifícios, tiro a conclusão imedita de que o tipo ganha mais de três mil euros por mês.
No entanto, a parte final da notícia, respeitante ao inquérito, é alarmante. O país divide-se ao meio entre as opções da existência do atual sistema de saúde pública ou da criação de um sistema de saúde, gerido por privados, na base da constituição de um seguro de saúde. Aconselho aqueles portugueses, que ainda acreditam na eficácia da mercantilização da saúde, a fazerem uma reflexão mais aprofundada sobre o que se passa nos EUA, onde cerca de cinquenta por cento dos americanos não têm rendimentos para sustentar a utilização de um seguro de saúde, tendo de se entregar aos cuidados dos medíocres e desacreditados serviços públicos, não sendo, pois, por acaso que o país mais rico do mundo ocupe uma humilhante e vergonhosa posição no ranking da Organização Mumdial de Saúde, emparilhando ao lado de países africanos subdesenvolvidos. Em relação à mortalidade infantil, Portugal, no espaço de trinta anos, conseguiu alcançar os melhores índices, a nível europeu e mundial (ver hiperligação). Também será aconselhável observar o comportamento dos hospitais privados portugueses, onde a avaliação da carteira dos doentes ombreia com a sua avaliação clínica e com o respetivo tratamento.   

Domingo, 15 de Abril de 2012

FNAM: Insustentabilidade ou Intencionalidade?


Insustentabilidade ou Intencionalidade?
O Ministro da Saúde no seu discurso na tomada de posse do novo Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC) referiu a intenção de “criar sinergias positivas e mais-valias que resultem das várias unidades”.
Dias mais tarde, no Parlamento, afirmou que o SNS seria insustentável.
Não há dúvida que a fusão de alguns hospitais e o encerramento avulso de serviços de urgência ou de outros Hospitais, sem um prévio e correto diagnóstico de situação, com a ausência objetiva de critérios racionalidade de recursos económicos, sem a melhoria das condições de trabalho e consequentemente de melhoria da qualidade assistencial, terá como objetivo único a demonstração da não sustentabilidade do SNS.
Aliás, estas medidas políticas têm sido deliberadamente fomentadas ao longo dos anos para conduzir aos desejos de insustentabilidade de alguns sectores políticos e económicos.
Contratam-se empresas, por valores desconhecidos, para realizar estudos de impacto do encerramento de hospitais e Serviços de urgência, determinam-se-lhes prazos para a conclusão dos estudos que não são cumpridos e não se exigem efetivamente os resultados credíveis; são nomeadas comissões numerosas com o intuito de supervisionar o trabalho da ou das ditas empresas, evidentemente com o intuito de não funcionarem como demonstra à sociedade a experiência acumulada.
É caso para perguntar ao Ministro da Saúde onde está, afinal, o desperdício e a insustentabilidade do SNS? Serão os sub-sistemas privados mais rentáveis? Ou o desperdício e a não sustentabilidade estará na incapacidade de gestão dos órgãos por si nomeados e nas parcerias privadas que provavelmente serão de seu gosto em futuro próximo?
Não há dúvida que para gerir o SNS não basta ter um conhecimento económico razoável e conhecimento superficial do seu funcionamento e das suas potencialidades. É necessário perceber que o SNS é um bem público que não pode ser destruído com o pretexto do cumprimento de metas encomendadas pelo sistema financeiro.
Estamos certos que a par da destruição do SNS, o Ministro da Saúde e os conselhos de administração por si nomeados promoverão “sinergias positivas” no âmbito das PPP cujos resultados escandalosos de delapidação dos dinheiros públicos começam a ser assumidos por países com experiencias nesta área, como é o caso emblemático da Grã-Bretanha.
A FNAM não abdicará de todos os meios ao seu alcance para denunciar as verdadeiras intenções das declarações proferidas pelo Ministro da Saúde e da conduta dolosa e incompetente de alguns CA de Unidades de Saúde.
A Saúde é um direito e não um privilégio.
A Saúde dos cidadãos continua a ser um objectivo claro da nossa intervenção sindical.

Coimbra, 15 de Abril de 2012
A Comissão Executiva da FNAM
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É com regozijo que anoto a abrangência das posições assumidas pela Federação Nacional dos Médicos e dos seus sindicatos associados, que não circunscrevem a sua ação, exclusivamente ao domínio corporativo/profissional, que é, naturalmente, a sua razão de ser. A intransigente defesa do Serviço Nacional de Saúde, que é um bem público, necessário e importante para manter a coesão social da sociedade portuguesa, encontra naquelas estruturas sindicais um acolhimento de relevo, o que é de louvar.
O governo, com a desculpa esfarrapada dos objetivos financeiros a alcançar, está a desencadear um vendaval de grandes proporções, tentando destruir os pilares das políticas sociais do Estado, tal como estão consignados na Constituição da República Portuguesa, que, segundo creio, ainda se encontra em vigor, mau grado os rudes golpes que já sofreu, com relevo para aqueles que violaram grosseiramente a essência da plena soberania do Estado poruguês. Em simultâneo, o governo, deslumbrado ainda pelo pensamento único do capitalismo financeiro e pela sua doutrina neoliberal, doutrina que, nos países que mais cedo a aplicaram, já não consegue iludir o seu fracasso, está a desencadear, com o falso argumento da insustentabilidade financeira, um violento ataque à Segurança Social e ao Serviço Nacional de Saúde, preparando o terreno para a entrada dos privados, que, neste chorudo negócio, apenas estão interessados nos segmentos mais lucrativos de curto prazo. Desenha-se no horizonte um sinistro plano que prevê serviços de saúde e reformas para os ricos e serviços de saúde e reformas para os pobres, estes últimos até, provavelmente, a serem geridos pelas instituições de solidariedade social, o que transferiria o que são os atuais direitos dos portugueses para a órbita humilhante da caridade, possivelmente pia. Só falta o ministro da Educação vir dizer que a escola pública também não é  sustentável financeiramente, o que me leva a dizer que o melhor é privatizar o governo.