sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Portugal, o bom aluno da troika: trabalhar e empobrecer?




Portugal, o bom aluno da troika: trabalhar e empobrecer? (*)

Ouvindo os nossos políticos e os comentadores encartados, até nos parece que tubo corre bem, entre os carris, que nos ligam Europa. Mas não é bem assim. Portugal será sempre um país de baixos salários e de empregos precários, porque isso interessa muito à economia da Alemanha, que assim aumenta a competitividade para os produtos das suas multinacionais, que instalaram no nosso país as respectivas estruturas fabris, e que, não satisfeitas com a competitividade elevada, que os baixos salários dos trabalhadores proporcionam, ainda recorrem ao outsourcing, para aumentá-la ainda mais.
Este vídeo foi feito por um canal televisivo da Alemanha, que aborda com muita clareza e seriedade os efeitos devastadores do governo da troika. Por isso, não admira que Passos Coelho, enquanto primeiro-ministro, tivesse visitado várias vezes a sede da Bosch. Não foi, de certeza, para ouvir os trabalhadores.

(*) Vídeo enviado pela minha amiga Helena Viegas.

Alexandre de Castro
2017 11 24

Um Dilúvio de água e lama e muitos mortos...


Um Dilúvio de água e lama e muitos mortos...

Cheias de 1967. Foi uma das grandes tragédias do país, que veio juntar-se à de Alcácer Quibir e à do grande terramoto de Lisboa, e que, posteriormente, já nos tempos actuais, teve uma nova manifestação nos grandes incêndios florestais do centro do país.

Em 1967, houve mortos, cerca de setecentos, houve heróis, os estudantes universitários de Lisboa, que se mobilizaram solidariamente, para irem auxiliar as vítimas, e os bombeiros voluntários das regiões afectadas, que, por iniciativa própria, e com parcos meios operacionais, retiraram os mortos da lama. Mas também houve canalhas, os próceres do regime de então, com Salazar à cabeça, que tentaram ocultar a tragédia, para que o mundo não viesse a conhecer as condições de miséria em que a maioria dos portugueses vivia e que, também, de forma criminosa, negaram qualquer apoio às populações atingidas, que mais pobres ficaram.

Leiam este texto da página da Rádio Renascença e ouçam a versão áudio. Muitos portugueses, entre os que têm menos de cinquenta anos, desconhecem esta tragédia e as suas consequências.
Alexandre de Castro
2017 11 22

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A Bomba Atómica demográfica


A Bomba Atómica demográfica

Não sei!... Não sei se vai ser possível agradar a Gregos e a Troianos, ou seja, às instâncias europeias e ao projecto da nossa Geringonça.

Portugal, para pagar a dívida, necessitaria de crescer cinco por cento por ano, até 2036, cálculo este que é de 2014, E esse crescimento não se verificou em 2015, em 2016, em 2017, nem vai ocorrer em 2018, segundo o OE. Assim, já se perderam quatro anos, o que quer dizer que a fatia do pagamento da dívida terá de aumentar nos anos seguintes.

O crescimento de 2017 deveu-se muito ao Turismo, mas esse crescimento não é infinito. Há um ponto de saturação que, segundo os especialistas, já foi atingido. E, nos outros sectores da economia, o investimento está a ser colocado em sectores de baixo valor acrescentado e de oferta de emprego mal remunerado, tal com ainda ontem um gabinete da comissão europeia alertou (eles atá são nossos amigos). Com esta ambição rasteira, o crescimento será mínimo.

Mas há um problema super estrutural, de longo prazo, que não está a ser considerado, pois o governo é obrigado, pela conjuntura actual, a governar a curto e a médio prazo, e sempre com um olho no burro e outro no cigano (adivinhe o leitor quem é o burro e quem é o cigano). Trate-se do alarmante défice demográfico, que, tal como um cancro, vai minando a estrutura etária da população portuguesa. Nos próximos dez anos, a natalidade vai sofrer um grande rombo, porque a actual geração de jovens não teve, não tem, nem vai ter condições de vida, que lhe permita ter filhos. Este problema, que estava circunscrito ao mundo rural, por efeito da emigração, passa a ser também um problema das cidades. E com uma demografia adversa, não há economia real que resista. Se repararmos, este pilar, essencial para o desenvolvimento, não está ser considerado. E os nossos governantes, a Merkel e a Comissão Europeia sabem isto, mas assobiam para o lado e metem o lixo debaixo do tapete, e fazem o seguinte raciocínio, quem vier atrás que feche a porta.

A continuar esta situação de impasse, a bomba atómica acabará mesmo por rebentar.
Alexandre de Castro
2017 11 14

Debate sobre o Serviço Nacional de Saúde


Debate sobre o Serviço Nacional de Saúde

Ouça o debate, para ficar mais informado sobre o estado do SNS, assim como sobre as grandes ameaças, que está a enfrentar.
Depois, não venha dizer que não sabia.

Apenas duas notas, sendo uma delas, a primeira, em estilo metafórico:
.
1ª Numa oficina de automóveis, há mecânicos e electricistas-auto. A trabalhar num automóvel, o mecânico não vai fazer intervenções na área eléctrica, nem o electricista-auto se vai meter na parte da mecânica.

Também no futebol, o guarda redes não vai marcar penaltis contra a equipa adversária, nem o avançado de centro vai para a baliza, defender um penalti, contra a sua equipa.
Sobre as chamadas transição ou transferência de competências profissionais, no sector da saúde, estamos conversados.

2ª Como disse o médico Mário Jorge, Presidente da Federação Nacional dos Médicos, o actual governo nada fez, nestes dois anos, nas áreas dos Cuidados Primários (Centros de Saúde), na introdução de novos métodos de gestão hospitalar e nos Cuidados Continuados. O respectivo ministro, que em nada se diferencia do ministro do anterior governo, parece estar mais interessado em construir hospitais e centros de saúde para entregar a agentes de saúde privados, através das manhosas PPP, para que, daqui por cinco ou dez anos, sejam totalmente privatizadas.

Não sei se o ministro já foi convidado, tal como o anterior, para alguma reunião do Grupo Bilderberg. Se não foi, então, tirou o curso por correspondência.
Alexandre de Castro
2017 11 14

Veja aqui o vídeo:

domingo, 19 de novembro de 2017

Angola: Ruptura ou mudança na continuidade?


Angola: Ruptura ou mudança na continuidade?

Angola é um dos poucos países do mundo, em que o casamento da política com os negócios se realizou sob o regime de comunhão de bens. Eduardo dos Santos, depois de consolidar a sua posição política no seio do MPLA, depressa percebeu que poderia construir um império financeiro, se transformasse o seu governo numa S.A. E foi o que fez, fazendo-se rodear por outros dirigentes do partido, que depressa se transformaram em dinâmicos empresários.

E só assim, com todas estas cumplicidades, é que se percebe a razão por que Isabel dos Santos, a filha que lhe herdou a calculada astúcia, acabou por brilhar no universo dos negócios, negócios que até se alargaram a Portugal.

A máquina publicitária fez dela um génio, o que não é verdade, pois génios, nos negócios, são aqueles empresários que descobrem oportunidades que os outros empresários e outros candidatos a empresários não enxergam. Pelo contrário, Isabel dos Santos foi ganhando oportunidades, nos terrenos clássicos do actual sistema económico-financeiro, porque o dinheiro seguia sempre à frente da inteligência, que, aliás, se lhe reconhece.

O mundo está expectante sobre as mudanças que o novo presidente pretende realizar, depois da audácia que revelou em "humilhar" Eduardo dos Santos, demitindo a sua filha da Sonangol. Mas, em África, tudo pode acontecer, e no melhor pano cai a nódoa. Será que João Lourenço vai virar do avesso o sentido da política em Angola, em prol do desenvolvimento do país e de uma melhor distribuição da riqueza? Ou pretende construir o seu próprio império, sobre os escombros do império de Eduardo dos Santos? Para já, dou-lhe o benefício da dúvida, ao mesmo tempo que rejubilo com as corajosas e auspiciosas medidas que já tomou.

No entanto, Eduardo dos Santos ainda não morreu politicamente e também não se sabe até que ponto a sua saúde física vai permitir que faça um contra-ataque, estribando-se no importante lugar que reservou para si, o de Presidente do MPLA. Por outro lado, parece que começa a haver deserções dos seus companheiros mais próximos, que, silenciosamente, estão a dar sinais de querer arranjar um cómodo e favorável lugar na carruagem da frente, do comboio que João Lourenço já pôs em andamento.

Alexandre de Castro
2017 11 18

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A síndrome do olho direito - Poema de Maria Azenha...



A síndrome do olho direito


hoje ao sair de casa encontrei algumas pessoas
com um tremor miudinho nas pálpebras
nas lojas onde entravam empregados e outros entes
sofriam da mesma tremura
reparei que o fenómeno estava instalado no olho direito
o que é intrigante é que alguns comentadores políticos
repetiam o charme da tremura do mesmo lado
quando olhavam para a câmara era uma tremedeira.
pensei que era até uma herança da troika
o caso agravou-se porém quando foi dado nota que um 
                                                                                     [homem
para deixar de tremer instalou na cabeça uma gaiola.
sob o efeito da notícia o país começou a escrever
em escrita automática.

hoje quando regresso ao trabalho a primeira coisa que 
                                                                                          [faço
é esconder o olho direito com uma pala.


maria azenha

***«»***

O meu comentário:

Um genial poema caricatural, certeiro e arrasador na forma e no tema, e que elege o lado mais ridículo e mais caricato do cenário político português (e sem esquecer os tempos negros da troika).
A “tremedeira nacional do olho direito”, que a “poeta” sinalizou no título como “A síndrome do olho direito” é uma metáfora riquíssima e talentosa, pela mordacidade que transporta e pelos vários significados políticos que contém. Significados que a “poeta” não necessitou de especificar, pois todos eles se inferem, logo numa primeira leitura. E para engalanar o círculo poético da sátira corrosiva, a “poeta” agrega ao poema o aparecimento de uma nova e inesperada epidemia nacional, que alastrou a um determinado segmento da população portuguesa, que o leitor também rapidamente identifica, e que tem um grau de perigosidade idêntico ao da peste negra, na Idade Média.
Este poema é incisivamente cáustico e demolidor para os traficantes das ilusões saídas em série das fábricas dos sonhos e transformadas em promessas de curta duração, que nunca se cumprem.
E isto é de tal modo verdade, que eu já vi pessoas com gaiolas na cabeça e comentadores dos jornais “a escrever em escrita automática”.
Alexandre de Castro
2017 11 13

A Geringonça no seu esplendor!...

Publicada por Deolinda Marques_ In Músicas de Intervenção e Debate Político

domingo, 12 de novembro de 2017

Como português, eu também sou catalão…


Como português, eu também sou catalão…

Ontem, emocionei-me ao ouvir a "Grândola Vila Morena", a ser entoada, com fervor patriótico, pelos catalães que desfilavam pela Carrer de la Marina, em Barcelona, numa gigantesca manifestação (750 mil manifestantes), a exigir a libertação dos dirigentes políticos (eleitos), que foram presos, por ordem do poder central fascizante e pós-franquista de Madrid. E emocionei-me, porque a canção do Zeca Afonso, que se canta com o coração cheio, traduziu, simbolicamente e com oportunidade, o meu profundo envolvimento emocional com a árdua e persistente luta dos catalães, pela sua independência política, envolvimento emocional este que não é de agora, mas que remonta até ao início dos ano setenta, do século passado. E fui repescar um texto que escrevi no meu blogue, em Novembro de 2014, e que deixo aqui, a propósito da grande vitória dos independentistas no referendo simbólico sobre a independência da Catalunha, então realizado, em que 80,76%, dos 2,3 milhões de pessoas que votaram, apoiaram a opção de que a Catalunha fosse um Estado independente.
E, nesta luta, e como português, eu também sou catalão.
Alexandre de Castro
2017 11 12

sábado, 11 de novembro de 2017

Pôr do Sol _ Fotografia de Milú Cardoso

Pôr do Sol _ Fotografia de Milú Cardoso

Uma belíssima fotografia de Milú Cardoso.
Um feliz instante, em que a tonalidade da cor do ouro une e abraça o Céu, o Mar e a Terra.
Alexandre de Castro

2017 11 11

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Интернационал (The Internationale - Russian lyrics)



Desiludam-se os que acreditaram e acreditam na profecia apologética de Francis Fukuyama, ao anunciar o Fim da História, cuja última etapa do processo histórico seria a do actual regime da democracia capitalista liberal, que garantiria a liberdade e a igualdade para todos, garantia esta que a realidade dramaticamente desmente.
A grande Revolução de Outubro ficou incompleta, é certo, mas ela irá reerguer-se vitoriosamente das cinzas do capitalismo, cujas contradições são cada vez mais evidentes.
Alexandre de Castro
2017 11 07

domingo, 5 de novembro de 2017

Pedrogão: O território da desolação e do desconforto!...



Pedrogão: O território da desolação e do desconforto!...

Na voragem destruidora dos incêndios, e para a memória futura dos homens, ficou a solitária placa toponímica, como registo.
Alexandre de Castro
2017 11 05

Petição sobre a Revisão da Lei de Bases da Saúde


Se ainda não assinou esta petição, ainda está a tempo de defender o seu direito à Saúde. Assine. A Saúde não pode ser prejudicada pelo défice e pelo monstro da dívida. Se o Estado teve dinheiro para salvar os bancos, deixando os seus accionistas em paz, a gozar dos rendimentos obtidos, através dos fabulosos lucros do tempo das vacas gordas e do crédito intencionalmente fácil, também tem de ter dinheiro para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Não se esqueça que os cortes no SNS e no Estado Social continuam na mira da Comissão Europeia.
Alexandre de Castro

2017 11 05

sábado, 4 de novembro de 2017

Agradecimento...

Alpendre da Lua

Agradeço a adesão ao Alpendre da Lua dos seguintes novos seguidores:

- Boavida Robalo
- Campos
- Leoilia Sousa
- José
- Teresa Mrujo.

Alexandre de Castro
2017 11 04

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Os banqueiros europeus mais bem pagos

Clicar na imagem para ampliar a fotografia

Com rendimentos tão baixos, e inferiores aos dos seus congéneres da Grécia e de Chipre, não admira que os banqueiros portugueses tivessem levado à falência os seus bancos.
Alexandre de Castro
2017 11 01

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Agradecimento


Agradeço a amabilidade, por terem aderido ao Alpendre da Lua, dos seguintes novos seguidores:

- José Manuel Moreira Ferreira
- Isabel Bairrão
- Glória Fernandes
- António Reis
- Victor Brito
- actriz
- Bia Capewel
- Vânia Perciani
- Luís Vieira
- Marabuto
- Regineka

Alexandre de Castro
2017 10 31

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Marcelo, o campeão dos abraços e dos beijinhos


Isto já não é, apenas, o charme presidencial, a distribuir beijinhos e abraços, para colher afectos. É mais alguma coisa!…
Por esta andar, Marcelo é muito bem capaz de vir a apear do pódio Mário Soares, que conseguiu montar uma tartaruga gigante, nas Seychelles.

Alexandre de Castro
Sobre uma fotografia, retirada da internet
2017 10 29

Nota: Um leitor bem formado, que viu esta publicação num site, onde colaboro, escreveu-me, todo escandalizado, a criticar-me por eu estar a publicar “coisas”, de cariz sexual, e envolvendo altas figuras do Estado.
Respondi-lhe, educadamente, que estava equivocado, pois eu, nesta publicação, estava, indirectamente, a referir-me a fenómenos do Entroncamento.

domingo, 29 de outubro de 2017

NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP _ Sobre a Catalunha...


NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP

Sobre a Catalunha
e os desenvolvimentos relativos
à questão nacional em Espanha

28 Outubro 2017

O PCP sublinha que a questão nacional em Espanha tem de ser considerada com a complexidade que a história e a actual realidade daquele País encerram.
A resposta a esta questão, designadamente na Catalunha, deve ser encontrada no quadro do respeito pela vontade dos povos de Espanha e, consequentemente, do povo catalão.
São profundamente criticáveis as atitudes do Governo espanhol, na base da intolerância, do autoritarismo, da coacção e da repressão.
O PCP considera preocupante, incerta e perigosa uma escalada de factos consumados, que abra espaço ao inaceitável e condenável procedimento que o Governo espanhol protagoniza, e não só face a esta situação, como em aspectos gerais de que é exemplo a «Lei da mordaça», que ataca liberdades políticas e democráticas fundamentais.
É evidente que, a coberto da actual situação, se promovem valores nacionalistas reaccionários e tomam alento sectores fascistas franquistas, que durante dezenas de anos oprimiram os povos de Espanha.
O PCP alerta para manobras de certos sectores que visam iludir as suas responsabilidades numa política de classe contra direitos laborais e sociais por via da instrumentalização de sentimentos nacionais.
A realidade está a demonstrar que a solução para a questão nacional em Espanha deverá ser encontrada no plano de uma solução política, que a integre no quadro de uma resposta mais geral que assegure os direitos sociais e outros direitos democráticos dos trabalhadores e dos povos de Espanha, incluindo do povo catalão.
Esta é a posição do PCP, cujo conteúdo se diferencia das posições do Governo português e do Presidente da República, designadamente face à sua omissão quanto ao respeito da vontade dos povos nesta situação.
Sobre as formas usadas para a afirmação dos sentimentos nacionais na Catalunha, designadamente a declaração de independência produzida, o PCP não se pronuncia especificamente, adiantando como elemento de carácter geral a ideia que considera preocupante uma escalada de factos consumados.

***«»***

De nada vale reclamar a legalidade constitucional, quando essa legalidade não é aceite pelo povo. E o povo catalão não quer ser espanhol.

Também o golpe militar do 25 de Abril era ilegal, à luz da Constituição do regime fascista de Salazar/Caetano e, no entanto,essa legalidade sucumbiu, perante a euforia do povo de Lisboa, que se juntou aos militares revoltosos.

As manifestações em Espanha, contra a independência da Catalunha, mostraram que o movimento fascista/franquista está a levantar a cabeça, e os partidos ditos democráticos, os da direita e o PSOE (socialista), convivem alegremente com esses partidos e movimentos, que se reclamam herdeiros do pensamento de Franco.

Há um direito histórico na Catalunha que legitima a declaração unilateral de independência, independência essa que foi usurpada pela guerra e pela consequente ocupação.

Alexandre de Castro
2017 10 29

Primeiro-ministro distraído…

Clicar na imagem para a ampliar
Amabilidade de Leila Gomes, que fez a monragem do cartoon
2017 10 29

sábado, 28 de outubro de 2017

Não há nenhuma ilegalidade na luta pela liberdade de ser independente


Não há nenhuma ilegalidade na luta pela liberdade de ser independente

Não foi através de um Estado de Direito que a Catalunha foi anexada pela Espanha, em 1714, através de uma guerra atroz e violenta. Portanto, há na Catalunha um direito histórico, de temporalidade próxima, que é necessário respeitar. E, por outro lado, a Catalunha nunca teve afinidades políticas, sociais, culturais e linguísticas com Espanha. E não me venham falar da ilegalidade deste forte movimento independentista, pois as lutas dos povos, pela sua liberdade e independência, têm de ser sempre contra a legalidade instituída, pelo ocupante. E é por isto que as revoluções não vão a votos, pois, caso contrário, nenhuma revolução se realizaria.

E é escandaloso que os países europeus, incluindo Portugal (ver aqui), neguem injustamente aos catalães, de uma forma cínica e hipócrita, aquilo, que - e também injustamente, para o povo palestiniano - concederam a Israel, reconhecendo a sua condição de Estado, pelo facto da Palestina ter sido o território do Reino Judaico, Reino este que se desmembrou com a ocupação dos romanos, há dois mil anos, existindo pois, aqui, uma temporalidade muito remota, que invalida o argumento histórico invocado pelos sionistas.
Alexandre de Castro
2017 10 28

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Passos Coelho não pede desculpa...

Clicar na imagem para ampliar

2017 10 23

Afinal, as bruxas existem mesmo

Os caceteiros miguelistas

Afinal, as bruxas existem mesmo

Ontem, passei por dois depoimentos, que me deixaram em estado de alerta. O primeiro, que também aparece referenciado num texto (muito bem escrito) de Armando Leal Rosa, no jornal O RIBATEJO (ver aqui), referia-se à simultaneidade das ignições dos vários fogos recentes, no centro do país, o que é muito estranho. O segundo, talvez menos verosímil, lido no Facebook, chamava a atenção para a coincidência entre a ocorrência dos fogos e o aparecimento das armas  roubadas nos paióis de Tancos.

A subversão traiçoeira e trauliteira é uma marca idiossincrática da direita portuguesa, que só se apresenta civilizada e bem comportadinha, quando está no poder ou perto dele. É uma reminiscência dos caceteiros miguelistas, dos meados do século XIX. A presença activa do PCP, a dar substância ao acordo de legislatura com o PS, através do qual conseguiu reverter parte da austeridade e ver satisfeitas muitas das suas reivindicações, algumas delas históricas, provoca a essa direita muita comichão.

Por outro lado, por um momento semelhante ao que se vive em Portugal, a CIA já promoveu o derrube de governos em países recalcitrantes. Estou a recordar-me do Chile, do socialista (dos verdadeiros) Salvador Allende.

Assim, Portugal poderá vir a ser um mau exemplo para uma Europa que parece estar a entrar em ebulição, com os jovens a evidenciar um premonitório inconformismo, torna-se necessário, às agências do imperialismo, criar um tenso de insegurança, que anule a influência política do PCP, por menor que seja, na área da governação.

Dito isto, não me custa mesmo nada em aceitar o diagnóstico do articulista Armando Leal Rosa.

No entanto, ainda estamos ao nível das conjecturas, Falta-nos "os finalmente".
Alexandre de Castro
2017 10 21

sábado, 21 de outubro de 2017

A memória de Marcelo e a injustiça do esquecimento...


A memória de Marcelo e a injustiça do esquecimento...

Uma coisa de que Marcelo se esqueceu de dizer, no seu discurso:

"Este governo não poderia ter feito em dois anos, aquilo que os anteriores governos (os do PS e os do PSD e CDS) não fizeram, em quarenta anos".

O que Marcelo omitiu:

"Foi o ministro da Administração Interna do governo de Santana Lopes, David Sanches, que negociou e, depois, com o governo já demissionário, adjudicou ao consórcio de Oliveira e Costa, Ricardo Salgado e Dias Loureiro (olha que trio!) o SIREPS, num negócio ruinoso para o Estado, porque, além de dispendioso, avaria constantemente e não funciona em situações extremas de emergência (!)".

O que Marcelo não denunciou:

"O facto de a dirigente política, que agora apresentou, no Parlamento, uma moção de censura, é a mesma pessoa que, como ministra da Agricultura do governo de Passos Coelho, alargou a área de plantação do eucalipto, que, em percentagem, em relação à área total da floresta do país, é a maior da Europa.
Alexandre de Castro
2017 10 19

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O Pesadelo de Dante

Incêndio em Vieira de Leiria, às 17:00 de 15 de outubro. 
Foto de Hélio Madeira, bombeiro da unidade especial 
dos Canarinhos, em Vieira de Leiria

O pesadelo de Dante

O mar é o destino das lágrimas de todos aqueles que hoje estão a chorar. Pelos seus mortos, que não deveriam ter morrido, e pelos seus sonhos, que foram interrompidos.
E ao mar das chamas sucederá o mar das cinzas, com esqueletos de carvão a povoarem o chão do verde pinho.
Só sei que nada sei... E tudo sinto...

Alexandre de Castro

2017 10 16

domingo, 15 de outubro de 2017

Madona fez campanha pela CDU

Clicar para ampliar a fotografia

Agradeço à Leila Gomes a montagem da legenda nesta fotografia, que circulou pelas redes sociais, sem a identificação da respectiva  autoria
«««*»»»
Para curar a azia, recorro ao humor...
Como disse Jerónimo de Sousa, as autarquias que, à esquerda, mudaram de mãos, ainda irão ter saudades da CDU.
Alexandre de Castro 

sábado, 14 de outubro de 2017

A inquietação da luz _ Fotografia de Milú Cardoso

Clicar para ampliar a imagem
Título da responsabilidade do editor

A inquietação da luz, com o incêndio do céu a projectar-se nas águas. Uma imagem onírica, a tocar o sublime.
Alexandre de Castro
2017 10 14

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A Catalunha será independente…

Cortes catalãs sec. XV

A Catalunha será independente…

Inés Arrimadas, a líder parlamentar do Ciudadanos, partido que se perfila contra a independência da Catalunha, no seu discurso no Parlamento, no dia em que estava programado que Carles Puigdemont proferisse a declaração unilateral da independência da Catalunha, ridicularizou os independentistas, e, para acentuar o verrume, até foi buscar uma frase de um artigo de 2008, de um outro independentista, o vice-presidente Oriol Junqueras (da Esquerda Republicana), que dizia: “os catalães têm mais proximidade genética com os franceses do que com os espanhóis; mais com os italianos do que com os portugueses e um pouco com os suíços”.

Eu não sei se essa identidade genética dos catalães com os franceses e os italianos é real. Talvez seja, já que até 1714, ano em que a anexação da Catalunha pelo reino espanhol se consumou, através de uma intervenção militar, a Catalunha mantinha um intercâmbio comercial intenso com a Itália e o sul de França.

Por outro lado, o Condado de Barcelona chegou a integrar a Sardenha, Sicília, Minorca (nas Ilhas Baleares) e o reino de Nápoles. Daí que tivesse havido uma miscigenação populacional. Mas mesmo que esse argumento possa ser rejeitado, devido à ausência de uma objectiva demonstração científica, será válido recuperar o argumento da identidade cultural e nacionalista dos catalães. A requintada cultura renascentista entrou na Península Ibérica pela Catalunha e não por Bayona, no outro extremo dos Pirenéus, e foi na Catalunha, principalmente em Barcelona, que essa cultura avançada se entranhou, deixando marcas civilizacionais importantes. Nos séculos XIV e na primeira metade do século XV, a Catalunha era a fronteira ocidental da cultura renascentista, e que separava a civilização erudita italianizante da “barbárie" ibérica, ainda a cheirar a mouros e a visigodos. E o refinamento cultural da Catalunha constituiu-se sempre no fermento da forte pulsão independentista, que os néscios de hoje querem ignorar.

Por outro lado, a Catalunha tomou a dianteira no processo da industrialização, a partir da segunda década do século XIX, o que lhe garantiu a supremacia económica, na Península Ibérica, supremacia esta que persiste, nos dias de hoje. É a Catalunha que trabalha para Espanha e não o contrário.

Perante esta supremacia cultural e económica, no futuro, vai ser difícil ao governo de Madrid manter as coisas, tal como estão, pois,   uma coisa é certa: os catalães de gema nunca se reviram na cultura ibérica e, principalmente, na cultura de Castela. No seu passado, Castela privilegiou mais o culto de guerra e das armas e a usura da terra pela nobreza, do que o culto das Artes, das Letras, das Ciências e das Indústrias. O conflito, já secular, entre as duas entidades culturais e económicas esteve sempre latente, como está ainda hoje.

Como “água mole em pedra dura tanto dá até que fura”, a independência da Catalunha acabará por acontecer, mais tarde ou mais cedo. Neste momento, ela apenas foi adiada.

Quem é que, no Portugal salazarento, no dia 24 de Abril de 1974, adivinhava a manhã redentora do dia seguinte. A História dos povos é feita de saltos bruscos no Tempo e esses saltos vêm sempre, na maior parte das vezes, de surpresa.
 Alexandre de Castro
2017 10 13

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Momento histórico em Portugal: Pela primeira vez um primeiro-ministro é incriminado

Velhas glórias do socialismo democrático

Momento histórico em Portugal: Pela primeira vez um primeiro-ministro é incriminado

É um momento histórico, em Portugal. Pela primeira vez, um primeiro-ministro é incriminado por crimes cometidos durante o exercício das suas funções. A acompanhá-lo, está o Dono Disto Tudo, Ricardo Salgado, que, com o seu BES, provocou o maior terramoto financeiro, em Portugal. E nesta caminhada pela Justiça, que vai ser penosa, segue uma segunda linha de arguidos, em que aparece um alto dirigente da PT, que, em tempos, até foi condecorado pelo soba de Boliqueime. Depois, vêm os amigos de Sócrates, figuras medíocres, que apenas, julga-se, tinham a nata vocação para as golpadas.

Segundo o Ministério Público, que nesta investigação também fez história, todos eles cometeram crimes para ludibriar o Estado e fazer favores a troco de dinheiro. Como ainda não se pode fazer condenações na praça pública, pode-se, no entanto, louvar o trabalho do Procurador da República, Rosário Teixeira, que conduziu exemplarmente a investigação do Ministério Público. Obstinado, minucioso na avaliação da força das provas que foi carreando para o processo, corajoso a enfrentar os lobies, ele desmontou o bem escondido circuito do dinheiro sujo, desde a sua origem, a corrupção, até ao seu destino final, a sua lavagem e a sua entrega aos corrompidos.

Até ao julgamento, vamos assistir ao circo mediático que Sócrates irá montar, para reclamar a sua inocência. Tem todo o direito em o fazer. Mas eu, mesmo assumindo o risco de me enganar, também tenho todo o direito de dele duvidar.

Só lamento que a investigação não tivesse chegado a morder os calcanhares de Mário Soares, que solícito e solidário, foi visitar Sócrates à prisão de Évora, e Ricardo Salgado, na casa apalaçada do próprio, onde se encontrava em prisão preventiva domiciliária. Não querendo bater em mortos, que já não podem defender-se, mas eu pergunto-me de onde veio a fabulosa fortuna, que Mário Soares deixou aos filhos? É apenas uma pergunta. Talvez Rosário Teixeira saiba responder.

Alexandre de Castro
2017 10 11

domingo, 8 de outubro de 2017

Segredos de Estado...

                                                                                                                           

La leyenda del beso - Intermezzo; R. Soutullo-J. Vert




A legenda do beijo

Ai, amor de homem
Que estás a fazer-me chorar mais uma vez
Sombra lunar, que me gela a pele ao passar
Que se atrapalha nos meus dedos
Me queima na sua brisa
Me enche de medo

Ai, amor de homem
Que estás a chegar e já te vais embora, mais uma vez
Jogo de azar, que me obriga a perder ou a ganhar
Que se mete no meu sonho
Gigante pequeno
De beijos estranhos

Amor, amor de homem
Punhal que corta meu punhal, amor mortal
Te amo
Não pergunte por que nem por que não
Não estou a falar.
Te amo
Porque quer amar-te o coração
Não encontro outra razão.
Canto de pardal
Que passeia pela minha mente
Desiste.
Se você está querendo tanto

Ai, amor de homem
Que estás a fazer-me rir mais uma vez
Nuvem de gás, que me empurra a subir mais e mais
Que me afasta do chão
Me crava no céu
Com uma palavra

Amor, amor de homem
Açúcar branco, preto sal, amor vital
Te amo
Não pergunte por que nem por que não
Não estou a falar.
Te amo
Porque quer amar-te o coração
Não encontro outra razão.
Canto de pardal
Que passeia pela minha mente
Desiste.
Se estás a amá-lo tanto. Juventude

A legenda do beijo é uma zarzuela em dois atos, dividida em três quadros. Com guião de Henrique reoyo, José Silva aramburu e Antonio paso, e música dos mestres reveriano soutullo e Juan vert.
Amabilidade de Itsmania Platero
2017 10 08