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domingo, 25 de março de 2018

Catalunha: A Europa com dois pesos e duas medidas…

Fotografia SAPO


Milhares de pessoas estão hoje a protestar nas ruas de Barcelona contra a detenção do ex-presidente do Governo Regional da Catalunha Carles Puigdemont e a prisão de cinco políticos independentistas, o que já levou à intervenção da polícia.
SAPO


Catalunha: A Europa com dois pesos e duas medidas…

Se o Putin prendesse um seu opositor, na Rússia, caía o Carmo e a Trindade, e a chinfrineira na comunicação social domesticada seria infernal e ensurdecedora, até á náusea.
Prender um líder político, eleito pelo povo, parece não causar nenhum prurido nem nenhum sobressalto, nos círculos políticos dos civilizados países europeus.
Dois pesos e duas medidas.
O encapotado franquismo de Madrid pode prender os dirigentes políticos independentistas da Catalunha, mas não pode prender um povo inteiro.
E, mais tarde ou mais cedo, a Catalunha será LIVRE E INDEPENDENTE, por direito histórico inalienável.

Alexandre de Castro
2018 03 25

sábado, 23 de dezembro de 2017

A estafada teoria do partido mais votado


Em resposta à proposta de diálogo emitida por Puigdemont, desde Bruxelas, onde está exilado, Rajoy disse que apenas está disposto a conversar com quem venceu as eleições na Catalunha "que é a senhora [Inés] Arrimadas", a cabeça de lista do partido anti-independência Cuidadanos que garantiu mais deputados no parlamento catalão.
Diário de Notícias

A estafada teoria do partido mais votado

Perante os resultados das eleições da Catalunha - em que, politicamente, e segundo o jornal PÚBLICO, o grande vencedor foi  Carles Puigdemont (ver aqui) - a declaração do primeiro-ministro de Espanha, Mariano Rajoy, parece querer reeditar a teoria conspirativa de Passos Coelho, sobre o partido mais votado, teoria que não se enquadra nas leis eleitorais dos dois respectivos países ibéricos e que os partidos que lideram aprovaram há meio século, consagrando o sistema proporcional, no apuramento dos resultados.
Quando os resultados não lhes são favoráveis, recorrem à batota do falacioso argumento do número de votos.
É certo que, aritmeticamente, o partido Cidadanos (anti-independência) obteve mais votos  (25,3%) e elegeu mais deputados (37), resultados estes muito pouco superiores aos obtidos pela coligação “Juntos pela Catalunha”, de Puigdemont (21,6% de votos e 32 deputados.
Mas o que realmente importa, para formar um governo, é encontrar o partido que consiga uma maioria estável no parlamento, negociando o apoio de outros partidos com identidades políticas próximas. E, no rescaldo destas eleições da Catalunha, é a formação política de Puigemont que está em melhores condições de alcançar este desiderato. Ao aglutinar o apoio da Esquerda Republicana Catalã e do CUP, Puigdemont assegura uma maioria parlamentar, com 70 deputados. Por sua vez, os partidos anti-independência apenas podem contar com 65 deputados. Por isso, foi  Puigdemont o vencedor destas eleições.
Alexandre de Castro
2017 12 22 

domingo, 12 de novembro de 2017

Como português, eu também sou catalão…


Como português, eu também sou catalão…

Ontem, emocionei-me ao ouvir a "Grândola Vila Morena", a ser entoada, com fervor patriótico, pelos catalães que desfilavam pela Carrer de la Marina, em Barcelona, numa gigantesca manifestação (750 mil manifestantes), a exigir a libertação dos dirigentes políticos (eleitos), que foram presos, por ordem do poder central fascizante e pós-franquista de Madrid. E emocionei-me, porque a canção do Zeca Afonso, que se canta com o coração cheio, traduziu, simbolicamente e com oportunidade, o meu profundo envolvimento emocional com a árdua e persistente luta dos catalães, pela sua independência política, envolvimento emocional este que não é de agora, mas que remonta até ao início dos ano setenta, do século passado. E fui repescar um texto que escrevi no meu blogue, em Novembro de 2014, e que deixo aqui, a propósito da grande vitória dos independentistas no referendo simbólico sobre a independência da Catalunha, então realizado, em que 80,76%, dos 2,3 milhões de pessoas que votaram, apoiaram a opção de que a Catalunha fosse um Estado independente.
E, nesta luta, e como português, eu também sou catalão.
Alexandre de Castro
2017 11 12

domingo, 29 de outubro de 2017

NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP _ Sobre a Catalunha...


NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP

Sobre a Catalunha
e os desenvolvimentos relativos
à questão nacional em Espanha

28 Outubro 2017

O PCP sublinha que a questão nacional em Espanha tem de ser considerada com a complexidade que a história e a actual realidade daquele País encerram.
A resposta a esta questão, designadamente na Catalunha, deve ser encontrada no quadro do respeito pela vontade dos povos de Espanha e, consequentemente, do povo catalão.
São profundamente criticáveis as atitudes do Governo espanhol, na base da intolerância, do autoritarismo, da coacção e da repressão.
O PCP considera preocupante, incerta e perigosa uma escalada de factos consumados, que abra espaço ao inaceitável e condenável procedimento que o Governo espanhol protagoniza, e não só face a esta situação, como em aspectos gerais de que é exemplo a «Lei da mordaça», que ataca liberdades políticas e democráticas fundamentais.
É evidente que, a coberto da actual situação, se promovem valores nacionalistas reaccionários e tomam alento sectores fascistas franquistas, que durante dezenas de anos oprimiram os povos de Espanha.
O PCP alerta para manobras de certos sectores que visam iludir as suas responsabilidades numa política de classe contra direitos laborais e sociais por via da instrumentalização de sentimentos nacionais.
A realidade está a demonstrar que a solução para a questão nacional em Espanha deverá ser encontrada no plano de uma solução política, que a integre no quadro de uma resposta mais geral que assegure os direitos sociais e outros direitos democráticos dos trabalhadores e dos povos de Espanha, incluindo do povo catalão.
Esta é a posição do PCP, cujo conteúdo se diferencia das posições do Governo português e do Presidente da República, designadamente face à sua omissão quanto ao respeito da vontade dos povos nesta situação.
Sobre as formas usadas para a afirmação dos sentimentos nacionais na Catalunha, designadamente a declaração de independência produzida, o PCP não se pronuncia especificamente, adiantando como elemento de carácter geral a ideia que considera preocupante uma escalada de factos consumados.

***«»***

De nada vale reclamar a legalidade constitucional, quando essa legalidade não é aceite pelo povo. E o povo catalão não quer ser espanhol.

Também o golpe militar do 25 de Abril era ilegal, à luz da Constituição do regime fascista de Salazar/Caetano e, no entanto,essa legalidade sucumbiu, perante a euforia do povo de Lisboa, que se juntou aos militares revoltosos.

As manifestações em Espanha, contra a independência da Catalunha, mostraram que o movimento fascista/franquista está a levantar a cabeça, e os partidos ditos democráticos, os da direita e o PSOE (socialista), convivem alegremente com esses partidos e movimentos, que se reclamam herdeiros do pensamento de Franco.

Há um direito histórico na Catalunha que legitima a declaração unilateral de independência, independência essa que foi usurpada pela guerra e pela consequente ocupação.

Alexandre de Castro
2017 10 29

sábado, 28 de outubro de 2017

Não há nenhuma ilegalidade na luta pela liberdade de ser independente


Não há nenhuma ilegalidade na luta pela liberdade de ser independente

Não foi através de um Estado de Direito que a Catalunha foi anexada pela Espanha, em 1714, através de uma guerra atroz e violenta. Portanto, há na Catalunha um direito histórico, de temporalidade próxima, que é necessário respeitar. E, por outro lado, a Catalunha nunca teve afinidades políticas, sociais, culturais e linguísticas com Espanha. E não me venham falar da ilegalidade deste forte movimento independentista, pois as lutas dos povos, pela sua liberdade e independência, têm de ser sempre contra a legalidade instituída, pelo ocupante. E é por isto que as revoluções não vão a votos, pois, caso contrário, nenhuma revolução se realizaria.

E é escandaloso que os países europeus, incluindo Portugal (ver aqui), neguem injustamente aos catalães, de uma forma cínica e hipócrita, aquilo, que - e também injustamente, para o povo palestiniano - concederam a Israel, reconhecendo a sua condição de Estado, pelo facto da Palestina ter sido o território do Reino Judaico, Reino este que se desmembrou com a ocupação dos romanos, há dois mil anos, existindo pois, aqui, uma temporalidade muito remota, que invalida o argumento histórico invocado pelos sionistas.
Alexandre de Castro
2017 10 28

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Catalunha: Artur Mas diz que Estado não mete medo aos catalães


O presidente do governo regional da Catalunha, Artur Mas, afirmou hoje que os catalães não têm medo das ações do Estado espanhol, advertindo que uma eventual ação do Ministério Público contra a consulta popular de domingo será uma "imagem dramática".

***«»***
A Catalunha, ao realizar com estrondoso êxito a consulta popular sobre a sua eventual independência, não criou um problema do foro da Justiça, e isto porque o problema é eminentemente político e deriva do percurso histórico do povo catalão, que nunca aceitou a sua subordinação a Madrid.
A minha permanência em Barcelona, durante alguns meses, em 1971, ainda sob o regime franquista, mostrou-me à evidência o profundo nacionalismo dos catalães, bem expresso nas grandiosas manifestações, a que assisti, e que eram barbaramente reprimidas pela polícia de choque. As pessoas do meu círculo de relações apontavam-me frequentemente o abismo cultural que as diferenciava de uma Espanha dominada por uma cultura política caudilhista, entranhadamente monárquica e reacionária, retintamente fascista, devotadamente católica, e claramente atrasada no seu tempo histórico (tal como o Portugal de Salazar e Caetano). 
Tenho de dizer aqui que foi em Barcelona que tomei o meu primeiro banho de civilização. Quando regressei a Lisboa, o choque foi brutal. Pareceu-me ter recuado um século, no calendário da História.