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sábado, 23 de janeiro de 2021

Elefante numa loja de porcelanas…
"Nu, folhas verdes e busto" _ Pablo Picasso


Elefante numa loja de porcelanas…


Há mulheres que escrevem poemas às escuras

na mão escrevem um nome de um santo.

Sentadas, ficam à espera que as tempestades

desabem sobre os homens das suas paixões

normalmente são mulheres estéreis

que foram educadas à sombra dos conventos

 e que se benzem antes do coito,

assombradas por medos ancestrais.

Tenho de as segurar nos abraços fatais

quando reviram os olhos nas órbitas dilatadas

e o corpo é uma haste trémula de um arbusto

sacudido pela passagem do vento.

Não há um sorriso de encantamento,

naqueles rostos cerrados, habituados à clausura

apenas o fantasma do pecado

e a sombra negra do pesadelo nas noites brancas                         

                                                             Alexandre de Castro

 Lisboa, Abril 2017

1 comentário:

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e outros textos literários. disse...

Gostei muito deste espaço!
É um celeiro de poesias
Que nos encantam por vias
Transcendentais e aqui passo
A vez primeira, em que faço
Esses mal talhados versos
Por sermos de universos
Parecidos: és poeta;
Eu, versejador como meta
De dar luz para o meu sonho
De versejar e suponho
Ser, apenas, falso esteta.

Belíssimo espaço! "Se o vinho é bom, não importa a procedência!" Mas o belo, por transcendentalidade anímica, a mim, interessa e me comove, a origem lisbonense - cidade que amo. Parabéns, amigo! Abraço cordial. Laerte