domingo, 18 de junho de 2017

O fogo do nosso descontentamento e da nossa revolta



O fogo do nosso descontentamento e da nossa revolta…

Ainda estou sob o efeito do espanto sentido e da dor sofrida. Como é possível acontecer uma tragédia desta dimensão, que deixa o país suspenso na dúvida se Portugal não é já a imagem do inferno, quando todos andaram a apregoar que o nosso destino era o céu? E digo isto, porque esta calamidade, além das causas estratégicas erradas, que estão a ser seguidas, em relação à prevenção e ao combate aos incêndios na floresta portuguesa, também entronca na esfera da acção política de todos os governos anteriores, que consideraram desde sempre o interior rural como as portas do quintal das traseiras do país. Perante o desgaste etário da desertificação humana do interior, que se iniciou na década de sessenta, do século passado, e que prosseguiu até à actualidade, devido à falta de oportunidades para os jovens, os sucessivos governos privilegiaram a cidade e ignoraram o campo, valorizaram o litoral e esqueceram-se do interior. E no interior, perante o esgotamento da agricultura do minifúndio, o mato foi crescendo, constituindo-se num barril de pólvora, que incendeia a floresta todos os anos, no pico do Verão, alarmando as populações indefesas. E as chamas tanto podem ser provocadas por um raio, vindo do céu, como por uma ponta de cigarro mal apagada ou por um fósforo, activado por uma mão criminosa.
O actual governo, ao mesmo tempo que deve dar prioridade à prevenção dos incêndios florestais, que praticamente não existe, e não ignorando, todavia, o reforço dos respectivos meios para o seu combate, deve também desenhar e activar o desenvolvimento económico do interior rural do país, promovendo a fixação dos jovens e invertendo assim o ciclo da desertificação humana.
Alexandre de Castro

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2017 06 18

2 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Assino por baixo

Rogério Pereira
sócio nº 331 dos BVO
(com as cotas em dia)

Alexandre de Castro disse...

Abraço, Rogério.