terça-feira, 5 de agosto de 2014

Garantias de que contribuintes estão 'livres do BES' são "falsas", afirma Megan Greene

Este ativo não é tóxico. Foi transferido para o Novo Banco.

A economista e colunista Megan Greene, que se tem debruçado nos últimos anos sobre a crise das dívidas nos países sul-europeus, considera que serão “falsas” quaisquer afirmações que sugeriam que os contribuintes não serão prejudicados pelo resgate ao BES.
Para Megan Greene, economista-chefe da consultora Maverick e cronista da Bloomberg, os contribuintes nacionais não irão escapar às consequências do resgate ao Banco Espírito Santo.
Recorde-se que o banco privado será dividido em ‘banco mau’ e em ‘banco bom’, estimando-se que virá a necessitar de quase cinco mil milhões de euros para se capitalizar. Este domingo à noite, governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, anunciou a solução para o BES, com o Governo, através de um comunicado do Ministério das Finanças, a afirmar que os contribuintes não terão de suportar quaisquer custos.
E é sobre esta questão que surgem as dúvidas de Megan Greene. Num comentário de que o The Guardian dá conta, publicado na rede social Twitter, Megan Greene considera que o resgate ao BES é “assustadoramente”  parecido com os resgates à banca irlandesa, “embora numa escala muito menor”. A economista acrescenta que serão “falsos” quaisquer comentários que sugiram que os contribuintes estão ‘livres’ da situação.
Na sua conta no Twitter, a cronista da Bloomberg dá também destaque a um artigo da autoria de Claire Jones, artigo esse que tem como título ‘Como roubar um país, ao estilo do Espírito Santo’ ('How to rip off a country, Espirito Santo style', lê-se no título original). Claire Jones já tinha escrito para a revista Forbes sobre a crise no banco privado.

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A descoberta de todas operações subterrâneas e opacas de Ricardo Salgado ainda não se esgotou. O próprio Governador do Banco de Portugal (BdP), na sua comunicação de domingo à noite, referiu a enorme complexidade dos muitos esquemas contabilísticos fraudulentos, utilizados pelo BES, e da impossibilidade de penetrar nos circuitos de territórios "com outras jurisdições". Por isso, é muito possível que o buraco financeiro do BES tenha uma amplitude muito maior do que aquela que foi revelada publicamente. Também não é de afastar a hipótese de que o primeiro-ministro, a ministra da Finanças, o governador do BdP e a autoridade financeira europeia já tenham conhecimento de toda a extensão da enorme fraude, e que só por uma questão de oportunidade política tenham decidido revelar a verdade, apenas quando se apresentar um momento mais favorável, que possa ser devidamente preparado e encenado. Com esta fórmula engenhosa, os portugueses seriam previamente preparados para receberem a notícia de mais uma inevitabilidade da crise, o que justificaria o anúncio do recurso   a um novo endividamento externo e a mais medidas de austeridade.
Neste momento, e considerando o historial deste governo, ao nível da manipulação da opinião pública, em que se conseguem construir narrativas  benignas para poder justificar e desenvolver políticas malignas, é aconselhável não acreditar nos seus dirigentes nem nos seus lacaios. 
Uma coisa, no entanto, é certa. Se o buraco financeiro do BES tiver o tamanho do Evereste, poderemos vir a dizer que Ricardo Salgado, o banqueiro do regime, foi também o seu coveiro.