segunda-feira, 7 de junho de 2010

Notas do meu rodapé: O grande desastre da Educação em Portugal


Escolaridade média dos portugueses é a segunda pior da OCDE

Em 50 anos, os portugueses mais do que duplicaram
o seu tempo médio de permanência na escola, mas
apesar deste salto Portugal continua a estar em
penúltimo lugar entre os países da OCDE, mantendo
assim a mesma posição relativa que ocupava em 1960,
segundo confirmam dados da OCDE respeitantes a 2010
a que o PÚBLICO teve acesso. A escolaridade média dos
portugueses entre os 15 e os 64 anos que já não
frequentavam a escola era, em 1960, de 3,15 anos. Na
OCDE só a Turquia estava então pior. À semelhança de
Portugal, também não conseguiu descolar desta posição:
é a mesma que ocupa em 2010, apesar de a escolaridade
média ter subido para 6,89 anos. Em Portugal, situa-se
agora em 7,89. O mesmo já não aconteceu, por exemplo,
com a República da Coreia. Passou de 4,98 anos de
escolaridade média em 1960 para 13,34 em 2010. Era o
país com a quarta pior escolaridade média da OCDE.
Agora está entre os dois melhores, disputando o primeiro
lugar com o Reino Unido.
PÚBLICO
***
Neste campeonato, já devíamos estar na 2ª divisão distrital. No conjunto dos 31 países, que fazem parte da OCDE, Portugal compara-se com a Turquia. Um desastre completo, que os políticos não querem admitir. E o problema do nosso desenvolvimento, ou da falta dele, passa pela educação, que estrondosamente falhou. A qualificação dos portugueses é péssima, pior do que a de alguns países do terceiro mundo, que não aparecem na lista, por não pertencerem à OCDE.
Os antigos países socialistas (República Checa, Eslováquia, Polónia e Hungria), que já pertencem à OCDE, ocupam lugares invejáveis neste ranking. O regime comunista deixou-lhes como herança um sistema de ensino de elevada qualidade, que só os ideologicamente vesgos não querem admitir.
Portugal perdeu uma oportunidade histórica de edificar um sistema nacional de ensino, que valorizasse o mérito, o trabalho e as competências. Cada governo fez a sua reforma do ensino, e cada uma sempre pior do que a anterior. Actualmente vive-se de remendos, com uma ministra a tentar justificar que não é preciso frequentar as aulas, durante o 9º ano, para se passar para o 10º ano, e um primeiro-ministro, que além de ter perdido um ano lectivo com o problema da avaliação dos professores, anda agora a tentar demonstrar que fechar escolas é a melhor decisão para melhorar o ensino, copiando o gesto daquele antigo ministro da Saúde que desatou a fechar maternidades, e pôs as grávidas a parir nas ambulâncias.
É evidente que os principais culpados são os sucessivos governos do PS e do PSD. Mas também não se pode excluir deste quadro os agentes de ensino e os sindicatos de professores, mais preocupados em garantir o genaralato a todos os soldados de um exército medíocre (com honrosas excepções, claro). E alguém, um dia, terá de enfrentar esta triste realidade para que Portugal possa inverter o seu declínio, que parece já ser irreversível. E a educação é a chave do progresso no futuro. O crescimento do PIB, como demonstrou a Coreia do Sul, depende, a longo prazo, da educação e da aquisição de competências. É necessário uma política educativa que renuncie ao facilitismo e valorize o trabalho e a aplicação do aluno; é necessário adoptar práticas pedagógicas realistas e já testadas, abandonando o romantismo bem intencionado de algumas; é necessário melhorar as condições de acesso à profissão de professor, através de uma rigorosa selecção e de uma formação contínua, devidamente estruturada e dotada de grande flexibilidade, para evitar a sua burocratização; é necessário introduzir um processo credível de avaliação (o da antiga ministra da Educação era um autêntico aborto); e, acima de tudo, é necessário estabilizar a colocação de professores nas escolas e motivá-los e remunerá-los de acordo com o seu estatuto social e com o seu mérito.

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