domingo, 20 de junho de 2010

Um dia depois da morte do escritor: Jornal do Vaticano define Saramago como “populista e extremista”


O diário do Vaticano, “L’Osservatore Romano”,
publicou hoje um artigo onde define o escritor
José Saramago, que morreu ontem aos 87 anos,
como “populista e extremista” de ideologia
anti-religiosa e marxista.
PÚBLICO
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O artigo do Osservatore Romano sobre Saramago é mais um vómito incontido, bolçado pela igreja católica, contra o o grande escritor. Nem depois de morto, a pérfida cúria deixa de manifestar o seu ódio e o seu ressentimento para quem, literariamente, desmontou a perversão contida no livro sagrado, que durante muitos séculos de obscurantismo e de assanhada violência contra os não crentes foi apresentado como o verdadeiro depositário da verdade universal.
Possivelmente, o artigo foi soprado ao autor pelo ex-inquisidor-mor Ratzinger, agora papa, eleito pelos seus pares, em conclave, por inspiração do bafiento hálito do Espírito Santo, e de quem já conhecemos a intransigência e a sua intolerância a um qualquer desvio à instituída doutrina oficial do Vaticano, intransigência e intolerância estas que não soube demonstrar em relação aos clérigos envolvidos na pedofilia.
Procedendo a uma análise enviesada e distorcida, o autor do texto ignora a grandeza literária dos textos que comenta para se refugiar pateticamente em argumentos pueris, que eu já ouvia, quando, em criança, frequentava a catequese, ao mesmo tempo que deixa no ar, subtilmente, a ideia de que José Saramago seria um perigoso demente. Nem sequer lhe reconhecem a sua capacidade filosófica, que é uma das traves mestras da sua obra.

3 comentários:

Carlos Esperança disse...

LC:

Corrige a gralha «Bolsado» onde deve estar «bolçado».

Depois apaga este comentário s.f.f.

Alexandre de Castro disse...

Esperança:
Não foi gralha. Foi erro. Obrigado pela correcção.
O teu comentário fica, naturalmente, para recordar que é com os erros que se aprende.

Graza disse...

Um grande aplauso ao Alexandre!