domingo, 20 de junho de 2010

A última afronta a José Saramago...


As mais altas figuras do Estado não vão participar nas cerimónias fúnebres de hoje
O Presidente da República não vai interromper o
curto período de férias que está a passar nos
Açores, e que termina amanhã, para marcar
presença, hoje, em Lisboa, no funeral de José
Saramago, e o presidente da Assembleia da
República, a segunda figura do Estado, vai
prolongar a sua visita ao arquipélago. O líder
do principal partido da oposição decidiu manter
uma reunião do PSD e optou por enviar à cerimónia
Miguel Relvas.
PÚBLICO
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Não era de esperar outra coisa. Um homem que tropeça na gramática constantemente, que não sabe conjugar verbos, que desconhece o número de cantos dos Lusíadas, que tem da cultura uma visão esteriotipada, cingida ao corridinho do Algarve, ao fado choradinho e à música pimba, não merece estar presente no funeral do escritor que mais divulgou no mundo a Língua Portuguesa.
A sua mediocridade intelectual, que não ultrapassa a de um vulgar guarda-livros e a sua insuficiência cultural, bem disfarçada pelos discursos que os seus assessores lhe escrevem, ofendem a grandeza do único escritor da lusofonia a ser consagrado mundialmente com o prémio Nobel da Literatura.
Cavaco Silva, que intencionalmente pretendeu ofender na morte José Saramago, depois de o ter ofendido em vida, ao caucionar o ignóbil acto censório da apresentação do seu livro "O Evangelho segundo Jesus Cristo" a um prémio literário europeu, e protagonizado por um pigmeu do seu governo, arvorado em secretário de Estado da Cultura, mostrou não possuir estofo moral para ocupar o alto cargo de Presidente da República. Com esta atitude, Cavaco Silva mostrou querer ser apenas um presidente de alguns portugueses, precisamente daqueles portugueses que se acantonam na direita mais trauliteira e canhestra, ainda aninhada à sombra das sotainas da reaccionária igreja católica, que nunca perdoou a Saramago o seu ateísmo e a sua ideologia.
Mas, se Cavaco Silva, na sua indigente insignificância e com a sua atitude provocatória, não conseguiu ofender José Saramago, certamente, faltou ao respeito a todos os admiradores e leitores do grande escritor, onde eu me incluo. Por isso, assumo o meu direito de também não respeitar politicamente, a partir deste momento, o Presidente da República Cavaco Silva, voto que torno extensível ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, que, com a sua ausência nas cerimónias fúnebres, assumiu o mesma condenável intenção de querer ofender o último Príncipe da Literatura Portuguesa.