segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Notas do meu rodapé: Se houver paz não haverá refugiados...


Eu compreendo que a Alemanha, assim como todos os outros países da UE, que estão a sofrer o impacto directo da onda migratória dos refugiados sírios e iraquianos, se debatam com graves problemas logísticos, para receber tanta gente. Por outro lado, a Alemanha foi dos países que mais se disponibilizou para receber esses refugiados de guerra, embora essa boa vontade manifestada não tivesse sido inocente, pois, se eles não excederem o número previamente calculado, até darão jeito à sua economia, que ali teria uma enorme reserva de mão de obra barata, ao mesmo tempo que contribuiria para a desvalorização salarial das áreas da economia que recrutam mão de obra menos qualificada.
Mas este grave problema, que se apresenta dramaticamente em termos humanitários - o que não pode ser ignorado, em nome dos apregoados valores da civilização ocidental e sob pena, se esses valores não forem respeitados, de regressarmos à barbárie - tem de ser analisado na perspectiva da História recente. E a primeira questão que se coloca diz respeito à pergunta incómoda de saber quem é que andou (e ainda anda) a provocar guerras, desde há vinte anos, no Médio Oriente, em obediência a um agressivo plano geo-estratégico, centrado no objectivo de dominar totalmente os países ricos em petróleo.
Os EUA, a Grã-Bretanha e a França (a Alemanha não se meteu nisso, mas solidarizou-se com esta estratégia, por omissão, assim como todos os outros países da UE) desencadearam guerras no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e, agora, indirectamente, através do Estado Islâmico, na Síria. Esses países ficaram totalmente destruídos, nas suas infra-estruturas, na sua economia e a nível social, pois nunca mais tiveram paz. As populações, que o puderam fazer, fugiram àquela violência bárbara e criminosa. É um dever da Europa e dos outros países do mundo prestarem a sua ajuda desinteressada.
Mas, o tiro da agrssão saiu pela culatra à Europa, que está agora a braços com uma grave crise migratória e humanitária. Os EUA semearam ventos e a Europa está a colher as tempestades. Por isso, só há um caminho. Em primeiro lugar, acolher esses refugiados, até ao momento que possam regressar em paz aos seus países. Em segundo lugar, acabar com os conflitos militares no Médio Oriente e desistir de querer liquidar o regime sírio, objectivo que os EUA perseguem.
Se houver paz não haverá refugiados. 

4 comentários:

O Puma disse...

Reformular esta europa
apedrejar os fazedores de guerras
como se fosse possível salvar o mundo

tentar o improvável

Alexandre de Castro disse...

O grande problema do nosso tempo é que os verdadeiros fazedores das guerras escondem-se atrás de um biombo e pagam a quem faça as guerras por eles. Mas é sempre possível abater a tirania.

José Gonçalves Cravinho disse...

Os USA que abusa de tudo e de todos,desde o fim da Segunda Grande Guerra Mundial,tem desencadeado dezenas de guerras em Países que estão a milhares de quilómetros de distância e como pretende dominar o Mundo inteiro,tem Bases Militares nos cinco Continentes e Esquadras Navais nos Sete Mares e a maioria dos países da chamada União Europeia fazem parte da Horda mercenária da NATO cujo Comandante General é o Tio Sam mafioso e flibusteiro na pessoa do Presidente dos USA que abusa.Portanto a Horda mercenária da NATO é responsável por toda esta tragédia e miséria dos Refugiados.

Alexandre de Castro disse...

É isso mesmo, José Gonçalves Cravinho. Os EUA, desde a 2ª Guerra Mundial, desenvolveram um novo tipo de imperialismo, que pretende ser global.Pretendem dominar o mundo, a nível militar, económico, financeiro e ideológico.